Month: July 2017 (Page 2 of 2)

#ChinaKlay é a melhor coisa da offseason

A offseason é um período ‘diferente’ para o noticiário da NBA. As informações relacionadas ao basquete propriamente dito não são das melhores. Flutuam entre o tracking no twitter para saber em primeira mão quem trocou de time ou renovou contrato, interpretações absolutamente precipitadas sobre as atuações nos sofríveis jogos das Summer Leagues, análises ansiosas das trocas e boatarias de negociações baseadas em fontes escusas.

Absolutamente alheio a tudo isso, vivendo em um maravilhoso mundo paralelo está Klay Thompson. O ala-armador foi ao outro lado do mundo assinar uma extensão contratual de 80 milhões de dólares por dez anos com a Anta, marca de tênis chinesa, e está tendo os melhores dias da sua vida ao cumprir seus compromissos publicitários por lá.

Tudo começou há duas semanas. Duas tentativas frustradas de enterradas de Klay viralizaram pela rede. O jogador se esforçou o mínimo possível para tentar dar um 360º e, na pior promoção possível do garoto-propaganda, se esborrachou de cara no chão. Com a maior cara de pau, Thompson assinou a bola e entregou para um dos torcedores que gritava enlouquecidamente pelo jogador.

Aparentemente, a reação da turma – os chineses são sempre os mais empolgados – ditou o tom das aparições seguintes do jogador. Klay, que não é o cara mais atento e dedicado do mundo, faz qualquer merda, de propósito ou não, e o povo vibra.

O mais fascinante desta viagem é que Klay mistura uma diversão ingênua e solitária em um mundo completamente estranho para ele com a ostentação típica de qualquer jovem multimilionário que está curtindo as férias em um lugar que ele é praticamente um semi-deus (um status que, apesar dele ser um excelente jogador, não seria desfrutado por Thompson em outro ambiente).

É louvável que ele esteja realmente aproveitando o momento. Boa parte dos jogadores participam destes compromissos somente para cumprir tabela, deixando claro que é uma obrigação e que, se pudessem escolher, estariam bem longe dali. Klay não.

De quebra, faz tudo com uma desenvoltura tosca que torna tudo ainda melhor.

https://twitter.com/roseOVERhoes/status/880572491424346112

Mas, de verdade, nada supera a ESPONTANEIDADE da comemoração dele na balada na noite seguinte à sua assinatura de contrato com a Anta, que resume meio o MOOD dessa viagem: Klay completamente frito, num pedestal à lá Michael Jordan dos chineses, regendo a galera numa empolgação surreal.

Nunca volte, Klay Thompson. O ocidente não te merece.

Zach Randolph é o sinal da puberdade do Memphis Grizzlies

Nenhum time começa grande. Antes de virarem as superpotências históricas de hoje, Boston Celtics e Los Angeles Lakers, por exemplo, já tiveram seus momentos em que eram apenas franquias buscando seu primeiro título, tentando reconhecer seus primeiros ídolos. Hoje, 70 anos depois, colecionam campeonatos, fracassos e jogadores excepcionais.

O Memphis Grizzlies, uma das franquias mais novas da NBA, ainda não teve tempo para tudo isso. Nos seus 22 anos de história o clube conseguiu, no máximo, chegar a uma final de conferência (em 2012, quando foi varrido pelo San Antonio Spurs) e o único jogador do Hall da Fama a ter vestido sua camisa até o momento foi Allen Iverson numa passagem, digamos, não muito gloriosa da sua carreira (foram apenas três partidas dele em Memphis).

Parte desse processo de amadurecimento, o Grizzlies anunciou nesta semana que Zach Randolph será seu primeiro jogador com uma camisa aposentada pela franquia.

Zach, vocês sabem, não é nenhum craque incontestável da liga. Já teve seus dias, mas o máximo que conseguiu foi ser All Star em duas temporadas, All NBA em uma e ter sido eleito o jogador que mais evoluiu na NBA em 2004 – quando ainda defendia o Portland.

Z-Bo está longe de ser um Larry Bird ou um Magic Johnson, mas não dá para menosprezar: tendo como base o que a franquia viu até hoje, ele é uma referência do que existiu de bom com a camiseta do time.

A história de ambos, inclusive, é bem similar, o que faz da escolha emblemática. Até Randolph desembarcar em Memphis, a franquia tinha tido três viagens aos playoffs em 14 anos. A passagem mais marcante do time até então tinha sido a mudança de endereço de Vancouver, no oeste canadense, para a cidade natal de Elvis Presley.

Randolph, da mesma forma, tinha no máximo mostrado alguns flashes de talento e colecionado algumas decepções. Tinha estourado num grupo conhecido como Portland JAIL Blazers, que reunia o que tinha mais fino da bandidagem da NBA no início dos anos 2000 – Z-Bo, ‘mau elemento’ coadjuvante, foi preso fumando maconha dentro do seu cadillac.

Saiu de lá para o New York Knicks, numa passagem que durou apenas um ano e 11 jogos – foi despachado para o Clippers quando o time de NY descobriu que precisaria de espaço para tentar atrair Lebron James nas temporadas seguintes. Ao final da temporada, o Clippers o trocou pela segunda vez em menos de um ano, depois dele quebrar o maxilar de um rival aos socos – sinal de que Randolph, apesar de ser um bom jogador, não era lá muito confiável.

Chegou ao Memphis como um cara que causava mais problemas do que tinha soluções. Um ‘jogador-problema’ em uma equipe que nunca tinha conseguido nada. Da mesma forma que o Grizzlies, teve seus bons momentos, mas nada digno de nota. Mas a partir daí, a moral dos dois, time e jogador, mudou perante a liga.

Z-Bo emplacou os melhores anos da sua carreira, fez uma dobradinha poderosa com Marc Gasol e suas confusões deixaram de ser o assunto preferido da imprensa que cobria sua carreira. O Memphis Grizzlies não só deixou de ser um time medíocre, como emplacou uma sequência de sete classificações aos playoffs. Nunca foi o favorito, mas virou aquela equipe que os favoritos preferem evitar.

Time brigador e perigoso, mostrou pra NBA que podia ser perturbador jogando com posições bem definidas em quadra, sem um grande jogador ‘all around’, mas com vários especialistas de qualidade. Randolph, por sua vez, mostrou que não é preciso entrar na onda de pivôs-esguios-e-chutadores para ter espaço na NBA. Gordo, pançudo e com cara inchada, sempre se sobressaiu na técnica.

É provável que com o passar dos anos novas gerações marcantes apareçam em Memphis. Que uma delas seja vencedora. Que algum jogador seja um craque espetacular. Mas é um processo que demora. O reconhecimento a Zach Randolph e seus colegas hoje é o sinal de que isso está para acontecer.

Não é só dinheiro

Stephen Curry completou, nas primeiras horas do período de free agency, a sua negociação com o Golden State Warriors e fechou o maior contrato da história da NBA. Serão 200 milhões de dólares por cinco anos – o primeiro jogador fora do baseball a assinar um contrato deste calibre.

Muito se especulava se Curry não poderia confirmar sua fama de bom garoto e assinar um contrato camarada com a equipe – a franquia está se metendo em uma bolha de salários que vai forçar o time a se livrar de algum dos seus principais jogadores daqui duas temporadas ou vai embarcar em um espiral perigoso de multas por ter extrapolado em muito o limite salarial da liga. O raciocínio era o seguinte: o jogador já é trilhardário e poderia assinar por um contrato abaixo do máximo para dar aliviar as coisas para o Warriors. Em troca, o time teria mais facilidade para entregar um elenco forte por mais anos.

Por mais que seja bem ingênuo pensar assim, tinha quem fizesse esse coro, engrossado pelo fato de que Kevin Durant já tinha anunciado que faria isso – e fez, assinando por 52 milhões por dois anos.

Acontece que nem sempre o assunto é ‘só’ dinheiro.

Descartando o fato de que 200 milhões é muita grana até para as pessoas mais ricas do universo, o simples fato deste ser o contrato mais gordo de toda a história da NBA, já faz com que sua assinatura tenha um valor além das cifras. É uma marca por si só.

É claro que Curry ‘poderia’ assinar por, sei lá, 160 milhões pelos mesmos cinco anos, continuar com uma grana infinita e ajudar o time, mas o papo aqui é sobre ego. É sobre ser o maior.

Numa relação parecida, é a mesma diferença entre ser MVP e ser eleito de forma unânime. O primeiro é um feito absurdo, mas o segundo é algo único.

Nem acho que ele deva esse tipo de esforço ao time. Curry já passou alguns anos subvalorizado com um contrato de 44 milhões por quatro anos, uma bagatela para os padrões atuais da NBA, especialmente se tratando de um dos jogadores mais decisivos da liga nos últimos anos. Este salário, inclusive, fez com que toda a montagem do Golden State Warriors atual fosse possível – em especial, fazer com que o time fosse um destino para Kevin Durant.

Os números de venda de camisa e materiais licenciados também comprovam que pagar alto por Curry é um investimento válido fora das quatro linhas. A camisa mais vendida da NBA pelo mundo atualmente é a 30 do Golden State.

Se era esperado algum sacrifício de Curry, ele já foi feito há algum tempo. Hoje, é mais do que merecido que ele seja o jogador mais bem pago do basquete.

O complicado ‘aluguel’ de Paul George

Depois da ida de Chris Paul para o Houston Rockets, a movimentação mais notável do mercado da NBA até o momento foi a ida de Paul George para o Oklahoma City Thunder em troca de Victor Oladipo e Domantas Sabonis. Mais chamativa do que a ida do ala all star para o time de Russell Westbrook foi o troco pobre recebido pelo time de Indiana. De fato, a negociação fez parecer a troca do Chicago Bulls boa, mas é preciso entender que a situação do time era bem desconfortável e seria quase impossível conseguir alguma coisa realmente valiosa em troca.

Para tudo ficar mais claro, vamos colocar as coisas aqui em ordem cronológica. Paul George está a um ano do final do seu contrato e avisou que testaria o mercado assim que a próxima temporada acabasse. Mais do que isso, disse que estaria predisposto a assinar com o Los Angeles Lakers. Com poucas chances de ficar com o jogador, o Indiana Pacers foi ouvir propostas de trocas por PG13 para não sair sem nada em retorno com a sua saída.

No entanto, como George só tem um ano de contrato e disse que tem um destino preferido, a maior parte dos times ficou receosa de dar muitas coisas em troca do atleta, afinal, as chances dele jogar uma temporada apenas e sair de graça seriam enormes. Na prática, os times não estavam dispostos a dar bons jogadores ao Indiana por um ‘aluguel’ de alguns meses de Paul George.

É muito difícil saber o que realmente aconteceu nos bastidores e quais propostas foram realmente colocadas na mesa pelo jogador, mas os jornalistas que cobrem a NBA in loco dizem que o Cleveland Cavaliers e o Boston Celtics demonstraram algum interesse no negócio. Falaram que o Cavs estaria disposto a trocar Kevin Love e que o Boston ofereceu propostas combinando picks médias do draft, Jae Crowder, Marcus Smart e Avery Bradley.

A situação era complicada. Com o domínio absoluto do Golden State Warriors, o sentimento geral na liga é que não vale a pena sacrificar o futuro de uma franquia para ter um jogador que, garantidamente, só vai te dar algum retorno na temporada imediatamente seguinte – temporada esta que, pelo sentimento de hoje, já está nas mãos do Warriors.

O Lakers, time mais beneficiado pela declaração de George, não se mexeu muito – aposta que conseguirá o jogador ‘de graça’ no ano que vem.

Aparentemente, o Indiana Pacers achou que nenhum dos trocos oferecidos era bom o suficiente pelo seu jogador e foi atrás de outros parceiros para a negociação. Foi assim que apareceu o Thunder. Victor Oladipo, apesar de até hoje não ter se desenvolvido no jogador que muitos esperavam, foi uma estrela local pela universidade de Indiana. Domantas Sabonis também foi um jogador interessante no basquete universitário. Também dizem que pesou o fato do Pacers despachar George para um time da conferência Oeste – não queria reforçar um rival do Leste.

Pelo lado do Thunder, a troca foi boa, apesar dos pesares: na pior das hipóteses, George sai no ano que vem, mas o time se livrou do contrato longo de Victor Oladipo e pode ir atrás de outros free agents. De quebra, coloca algum talento realmente significativo ao redor de Westbrook nesta temporada.

No final das contas, o retorno foi baixo, decepcionante para o Pacers, mas as condições eram complicadas para o time. Poucos times sacrificariam seus futuros por um ano de Paul George – em uma temporada que, a princípio, tem tudo para ser dominada pelo Warriors mais uma vez. O time, talvez inadvertidamente, preferiu não dar seu melhor jogador para um rival direto e apostou em um jogador que a NBA inteira largou mão, mas que hoje, por incrível que pareça, teria um papel útil jogando pela franquia – é um combo guard em uma equipe que não tem um armador propriamente dito.

Hoje, claro, muita gente diz que o Pacers poderia ter feito isso ou aquilo. Trocado por fulano, por beltrano. Mas, na prática, não dá para saber o que realmente foi proposto de fato. Para os próprios rivais é muito conveniente soltar que propostas muito melhores foram feitas – até para que seus general managers prestem satisfação para seus torcedores. Mas, de verdade, é impossível saber o que rolou.

Com certeza não faz disso um bom negócio, mas não dá para dizer que tinha como conseguir muito mais.

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