Definitivamente não dá para dizer que a NBA não está preocupada com alguns dos problemas que mais enchem o saco de torcedores e canais de tevê (que são os agentes que bancam a liga, direta ou indiretamente). Ficou clara a tentativa de, ao anunciar o calendário para a próxima temporada, acabar com partidas televisionadas nacionalmente sem que os melhores jogadores dos times estejam saudáveis, equilibrar os calendários, diminuir o número de jogos em dias seguidos e mostrar na tevê mais os grandes jogadores ao invés de times clássicos.

Primeiramente, como já tinha sido anunciado antes, a temporada regular ganhou mais alguns dias ao começar na metade de outubro. Assim, ganha-se mais datas no calendário e é possível ‘esticar’ a maratona de jogos pelos meses. Como a tabela de jogos continua sendo de 82 jogos para cada time, são duas semanas a mais de folgas espalhadas ao longo de seis meses.

Na prática, por si só, isso já garante que existam menos back to back, ou seja, times que jogam dias seguidos. Comprovadamente, é nestas situações que os jogadores ficam mais expostos a lesões. Por isso, com menos partidas assim, os times, em tese, teriam menos motivos para descansar seus atletas no meio do calendário, mesmo eles estando saudáveis, um dos maiores problemas comerciais da NBA – os canais, que despejaram bilhões na liga nos últimos anos, ficam sem mostrar o produto prometido aos anunciantes.

Já que ninguém pode obrigar que os times coloquem o que têm de melhor em quadra, a NBA pelo menos se certificou que todos os jogos transmitidos nacionalmente nos EUA (e, consequentemente, reproduzidos pelo resto do mundo nos canais a cabo) contarão com times que sempre terão descansado um dia antes e descansarão um um dia depois das transmissões.

De um modo geral, não vai mais rolar aquilo de um time jogar quatro vezes em cinco dias (algo que aconteceu 70 vezes há dois anos e 20 no ano passado). Apenas 36 vezes que times jogarão cinco jogos em sete noites – algo que aconteceu 90 vezes na temporada passada.

A NBA também criou um sistema para cruzar os jogos que diminui o número de confrontos desequilibrados no que diz respeito ao número de partidas jogadas e descansadas. A ideia é que não tenha muitos cruzamentos entre times que jogaram muito mais vezes do que o rival.

A ideia de mostrar mais as estrelas se estende para as escolhas de partidas televisionadas também. Mais Milwaukee Bucks, menos New York Knicks na tevê. Mais Minnesota Timberwolvez, menos Chicago Bulls.

Em resumo, a NBA fez tudo que estava ao seu alcance para levar o melhor produto televisivo ao torcedor – não porque ela é boazinha, mas porque ela perde dinheiro se não fizer assim. Tomara que funcione.