Month: September 2017 (Page 1 of 3)

[Previsão 17/18] Pacers: quando a ressaca pós-Paul George vai passar?

Os últimos meses foram insanos. Por mais que nenhuma partida oficial tenha sido jogada de fato pela NBA, o vai e vem do mercado de jogadores foi frenético. Não tenho lembrança de uma offseason em que tantas estrelas tenham mudado de time e que tanto times tenham se fortalecido – isso comparado à monotonia dos playoffs faz com que o período de trocas e assinaturas de contratos pareça ainda mais empolgante do que efetivamente foi.

Depois desse furacão todo, as times que perderam seus principais jogadores fazem as contas da tragédia. A maioria saiu enfraquecida, mas não totalmente desguarnecida: o Utah Jazz ainda tem Rudy Gobert e um elenco coeso apesar da saída de Gordon Hayward, Kristaps Porzingis tem tudo para virar um franchise player de verdade com a troca de Carmelo Anthony e por aí vai.

Dois times saíram de fato arrasados da offseason: Chicago Bulls, que partiu para um processo agressivo de reconstrução via futuros drafts, e o Indiana Pacers, que não teve muita alternativa depois de toda a novela envolvendo Paul George.

O problema do time de Indianápolis foi que Paul George falou para quem quisesse ouvir que tinha a intenção de se juntar ao Lakers daqui uma temporada, ao final do seu contrato atual. O que parecia uma boa intenção, uma chance de fazer o Pacers capitalizar com o seu talento com uma troca, na verdade foi o que condenou qualquer negociação da franquia. Com pouco tempo de contrato restante e um destino praticamente certo ao final dele, poucos times se interessaram pelo ‘aluguel’ do seu basquete por apenas um campeonato.

Há relatos que a franquia até poderia ter pego algo melhor nos primeiros dias de offseason, mas o fato é que o time só conseguiu descolar uma contrapartida tímida, com o questionável Victor Oladipo e a promessa-não-muito-promissora Domantas Sabonis.

Com esse troco, com a saída dos medalhões Monta Ellis e Jeff Teague e a chegada de uma porrada de free agents meia boca, o Indiana é um dos times que sai do caos dos últimos meses com o futuro mais indefinido. Não se fortaleceu e nem abriu mão de tudo em busca de um futuro promissor.

O time rejuvenesceu, conseguiu calouros legais, pescou um jogador valioso em Cory Joseph, mas mesmo assim continua sendo um dos que tem a menor soma de talento atual e possibilidade de upside futuro.

Imagino que outros movimentos virão por aí. O time tem uma das cinco menores folhas salariais da liga (apesar o elefante na loja de cristais que é o contrato de Victor Oladipo) e um novo executivo para comandar o front office. Só a margem para trabalhar os contratos e trocas somada à necessidade desse cara mostrar trabalho já deve render alguma coisa – o que não quer dizer que é uma coisa boa.

O time não se mexeu muito, pois ainda está tentando se entender após a saída do seu grande jogador dos últimos anos – por mais que muita gente duvide da capacidade de George, ele levou o time a duas finais de conferência nos últimos anos e fez da franquia uma ameaça legítima ao Miami Heat de Lebron James, Dwyane Wade e Chris Bosh. É uma mistura de luto e de confusão mental sobre o que o time pode querer daqui em diante com um elenco muito mais modesto.

Em todo caso, acho que o próximo passo do Indiana é esse. Ver com o que pode contar, o que desencanta no time e partir para as compras. Quando isso acontecer, a ressaca pós-Paul George estará totalmente curada, de vez.

Offseason
Foi muito estranha, totalmente comprometida pela declaração de Paul George e por sua aproximação com o Los Angeles Lakes.  Não entendi também porque assinou com Darren Collison, um jogador que já mostrou que não é nada de especial na liga – especialmente depois de conseguir Cory Joseph, um dos melhores armadores reservas da NBA nos últimos anos. Fora isso, o time buscou dois nomes interessantes para o garrafão no draft.

Time Provável
PG – Darren Collison / Cory Joseph / Joseph Young
SG – Victor Oladipo / Lance Stephenson / Damien Wilkins
SF – Bojan Bogdanovic / Glenn Robinson III
PF – Thaddeus Young / Domantas Sabonis / TJ Leaf
C – Myles Turner / Al Jefferson / Ike Anigbogu

Expectativas
Imagino um time que não é bom o suficiente para lutar por algo, nem ruim a ponto de ser um dos piores da conferência. Deve ficar ali pela décima posição do Leste. Sem pressão e concorrência, imagino Myles Turner com números bem inflados. Talvez seja o cenário ideal para Victor Oladipo mostrar se um dia vai se tornar alguma coisa especial.

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[Previsão 17/18] Blazers: a fuga da inércia

O desempenho do Portland Trail Blazers parece não corresponder ao cenário do seu elenco. Nos últimos anos, vimos Damian Lillard se transformar em um dos melhores jogadores da NBA, CJ McCollum deixar de ser um coadjuvante desconhecido para virar uma estrela emergente e alguns dos seus role players ganharem rodagem em uma conferência brutalmente competitiva.

Mesmo que tenha um time talentoso, jovem e promissor, o que se vê é um time que cai de desempenho temporada atrás da outra, por quatro anos seguidos. Tudo bem que o time era outro de 2013 a 2015, quando conseguiu duas campanhas com mais de 50 vitórias, mas o time continuou caindo do ano retrasado para o passado, até que chegou à perigosa marca de apenas 41 vitórias – infladas pela chegada inesperada de Jusuf Nurkic.

A contradição reside aí. O time é muito jovem, o segundo mais novo dentre aqueles que foram aos playoffs no ano passado e não se desmontaram completamente para este, os jogadores parecem que ficam melhores com o passar do tempo, mas o time segue tendo cada vez mais dificuldade para se classificar aos playoffs – o que foi bem problemático na última temporada, já que caiu logo de cara contra o Golden State Warriors, reduzindo a pó as chances de uma ida ao segundo round.

Parte desta inércia do Portland se dá pela dificuldade em atrair jogadores para o time via free agency em relação aos oponentes da conferência. Warriors, Thunder, Rockets e Spurs sempre se deram melhores para buscar jogadores sem contrato, mas o problema é que o time não consegue nem competir com seus concorrentes mais reais, como Denver Nuggets, Los Angeles Clippers e Minnesota Timberwolves – e hoje, o Oeste se encontra em um cenário que ficar parado significa ser ultrapassado por um punhado de times.

Acho que aí conta a inaptidão do front office em trabalhar nas últimas temporadas em atrair e até reter talentos durante a offseason, uma folha salarial inchada e a vontade de alguns jogadores em se juntarem a outros em supertimes, desconsiderando essa possibilidade em Portland (o time até sonhou com Carmelo, mas o jogador vetou uma troca para lá).

Não que o time seja ruim. Não que não vá brigar por playoffs. É bom e acho que continua indo ao mata-mata. Mas na comparação com as outras franquias do Oeste, especialmente a metade de cima da tabela, o time tem sido um dos mais inoperantes. E não vejo muitas alternativas para que isso seja sanado já nesta temporada.

No mais, imagino mais uma temporada sinistra de Lillard, acho que McCollum terá números ainda melhores, acho que Nurkic continuará bem (talvez não tão monstruoso como vinha nos jogos finais do campeonato do ano passado) e existe a possibilidade real de caras como Ed Davis e Noah Vonleh desencantarem de vez e se tornarem operários tão úteis como Al-Farouq Aminu é e Evan Turner já foi.

Exceto pela armação, que depende muito da dupla titular, o time é profundo e relativamente respaldado para eventuais lesões dos seus titulares – já que essa é uma maldição que, sinistramente, parece atormentar a franquia historicamente.

Mas isso não deve ser suficiente para fechar uma campanha muito diferente da que teve no ano passado.

Offseason
O time acho que tirou férias no período desde o draft até agora na NBA. As coisas continuaram basicamente as mesmas da temporada passada, com a diferença que dois calouros chegaram e Allan Crabbe, shooting guard reserva muito útil, mas que ganhava muito além das suas capacidades, saiu.

Time Provável
PG – Damian Lillard / Shabazz Napier / Isaiah Briscoe
SG – CJ McCollum / Pat Connaughton / Archie Goodwin
SF – Moe Harkless / Evan Turner / Jake Layman
PF – Al-Farouq Aminu / Ed Davis / Noah Vonleh / Caleb Swanigan
C – Jusuf Nurkic / Meyers Leonard / Zach Collins

Expectativa
Imagino um time com um desempenho bem parecido com o do ano passado. Pode vencer qualquer um durante a temporada, pode empolgar em determinados momentos, mas dificilmente escapa de uma oitava posição no Oeste – o que significa muito provavelmente um cruzamento precoce com o Warriors e uma eliminação no mata-mata.

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[Previsão 17/18] Bulls: em busca da pior campanha possível

O Chicago Bulls escancarou seu planejamento para este ano quando trocou Jimmy Butler, seu melhor jogador, por um pacote do Minnesota Timberwolves que muito dificilmente vai dar algum resultado prático já para esta temporada. Veio um calouro, um jogador no seu segundo ano que não vingou como calouro e outro cara que está machucado e fica de fora pelo menos 30 jogos desta temporada.

Neste cenário, o melhor que pode acontecer para o Chicago é perder o máximo possível, dar tempo de jogos para seus calouros e pós-calouros, azeitar a química dessa turma e tentar arregimentar o maior talento disponível no próximo draft.

Por mais que seja duro para a torcida ver um time abrir mão de um campeonato, acho que o Bulls não está no pior cenário possível.

Eu entendo que a torcida tenha ficado chateada com o desfecho da troca, que o front office não passe segurança e que seja um saco tankar, mas com a eminente saída de Jimmy Butler, Rajon Rondo e Dwyane Wade, a reconstrução era a opção mais viável – especialmente quando os melhores times da competição se fortaleceram ainda mais.

No fundo, o Bulls parte para um rebuild com algum valor em seu elenco, com peças que podem ser aproveitadas no processo que está para começar. Por mais que a sensação seja de que era possível conseguir um troco melhor, eu ainda acho que o pacote recebido em Chicago não é de todo descartável.

Vamos um a um: eu aprendi a gostar de Zach Lavine. O jogador deixou de ser um combo guard que não fazia nada muito bem para se transformar em um legítimo shooting guard que faz juz ao nome da posição – chuta bem de fora, tem recurso a meia distância e ataca o garrafão como poucos. É muito jovem (22 anos), atlético e só precisa aprender a defender melhor, algo ainda corrigível.

Kris Dunn é um armador que entrou muito badalado no draft passado e teve sua moral estraçalhada por não ter se mostrado útil nos poucos minutos que jogou pela equipe. Ao meu ver, as condições também não ajudaram em nada o jogador: era reserva declarado e tinha um técnico que assumidamente não tem a menor paciência com calouros. Não acho que, neste cenário, seja justo decretar Dunn como um sem-futuro na liga, especialmente por ele ser um excelente defensor e ter um biotipo perfeito para a posição (alto, envergadura enorme e ágil).

O calouro escolhido é uma incógnita para mim. O Bulls quer em Markkinen uma reprodução de Kristaps Porzingis. O último time que fez isso, o Phoenix Suns, por enquanto não teve muito sucesso ao draftar Dragan Bender. Os scouts alertam ainda que a defesa do jogador é bem deficiente. Por outro lado, o garoto jogou muito bem pela Filândia no EuroBasket do mês passado. Seu potencial é tão grande quanto cinzento.

Paul Zipser, Nikola Mirotic e Denzel Valentine, que já estavam no time, têm uma margem para evolução interessante. Um ano sem grandes pretensões por resultados, focado exclusivamente no desenvolvimento destes caras, deve servir, pelo menos, para definir quem tem qualidade para continuar no elenco pelos próximos anos e quem pode ser descartado.

Já é um ponto de partida razoavelmente melhor do que muitos times que recentemente partiram para o rebuild do zero – e até que estão conseguindo um relativo sucesso neste processo.

Claro que nada disso vai adiantar se o time continuar apostando em caras tipo Cameron Payne – aparentemente a comissão técnica já viu que ele não tem utilidade alguma nos primeiros treinos da equipe -, mas, na média, as peças do time são mais animadoras do que isso.

O maior erro que este time pode cometer, no entanto, é se seduzir por uma boa fase e achar que pode brigar por algo além da loteria do draft. Com tanto time ruim no Leste, não é impossível que um time cru como este Bulls tenha uma semana vitoriosa aqui e outra lá. É horrível admitir isso, mas uma vitória fora de hora pode ser suficiente para jogar o time uma posição abaixo dos seus principais concorrentes pela última colocação – e a briga por isso vai ser pesada.

Offseason
É de se questionar se não dava para conseguir algo melhor do que Zach Lavine, Kriss Dunn e Lauri Markkanen por Jimmy Butler. É bem difícil entrar nesta discussão, já que muito dificilmente um time vá conseguir um troco que valha a pena quando for abrir mão de uma estrela.

Time Provável
PG – Kris Dunn / Jerian Grant / Cameron Payne
SG – Zach Lavine / Denzel Valentine / Justin Holiday
SF – Paul Zipser / Quincy Pondexter
PF – Nikola Mirotic / Lauri Markkanen / Bobby Portis
C – Robin Lopez / Cristiano Felicio

Expectativa
Ser um dos piores times da temporada. Se tudo der certo para o Bulls, ele será o time de pior campanha de toda a NBA – mas a concorrência será grande.

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[Previsão 17/18] Heat: nas mãos de Spoelstra

A temporada passada do Miami Heat foi muito estranha. O time era considerado de médio para ruim, com muita gente nova e confiando seu jogo em dois jogadores de talento questionado na liga (Goran Dragic e Hassan Whiteside). A temporada começou e a desconfiança se justificou: o Heat abriu a temporada com medonhas 11 vitórias e 30 derrotas.

Quando boa parte do time titular se lesionou, então, a sensação era que a coisa só não iria piorar muito mais porque não tinha como. Josh Richardson e Justise Winslow foram substituídos por jogadores que da D-League. O banco estava recheado de desconhecidos. E, por incrível que pareça, foi aí que o time começou a ganhar. De janeiro em diante, o Heat foi uma das melhores equipes da NBA e virou o jogo: venceu 30 jogos e perdeu 11.

Boa parte dessa performance pode ser creditada à qualidade de Erik Spoelstra, técnico do time. Colocou o time para correr, botou a bola na mão de Goran Dragic, convenceu Dion Waiters que ele tem que pontuar, mas não precisa carregar a bola interminavelmente (e com isso aumentou seu aproveitamento real dos arremessos em 20% ao longo do ano), distribuiu melhor a responsabilidade na finalização das jogadas (que antes era muito concentrada em Whiteside) e tirou o melhor de cada um dos coadjuvantes do elenco.

A mudança de ritmo e estilo de jogo quase foi suficiente para colocar a franquia nos playoffs. A vaga escapou na última rodada.

É irônico que hoje Spoelstra se mostre um técnico tão bom e que se destaque justamente quando o elenco, aparentemente, tem menos para dar. Quando surgiu comandando Dwyane Wade, Lebron James e Chris Bosh, se questionava se ele tinha cacife para treinar um time com tantas estrelas. Hoje, sabe-se que ele tem as credenciais para liderar qualquer equipe e sabe tirar o melhor de um elenco limitado – uma habilidade que vários técnicos renomados nunca conseguiram provar que têm.

Para este ano, o time volta inteiro e, a princípio, pronto para repetir uma campanha mais parecida com a da segunda metade da temporada passada do que com a primeira. Por mais que seja de se questionar o quanto Dion Waiters vai jogar sem ter que buscar um novo contrato de imediato e até que ponto é interessante ter Hassan Whiteside como peça central do time, o Heat já mostrou é muito eficiente em transformar um time sem grandes estrelas em um oponente duro.

O backcourt, mesmo sem um grande jogador para despontar, é profundo e jovem. Reservas e titulares se confundem. O frontcourt foi reforçado com a escolha de Bam Adebayo, monstruoso na Summer League, e Kelly Olynyk, um jogador que não é dos mais talentosos, mas que tem uma mobilidade incomum para um pivô e sabe brigar (literalmente) dentro do garrafão.

Em uma conferência Leste enfraquecida, isso deve ser suficiente para levar o time da Florida aos playoffs, mesmo que não tenha qualquer chance de bater os melhores daquele lado do mapa.

Offseason
Por mais que tenha conseguido renovar com Waiter por um valor que não era o máximo – o jogador dava a pinta de querer isso -, ter pego uma boa peça no draft e ainda ter angariado um bom reserva no garrafão, a equipe saiu decepcionada por não ter conseguido convencer Gordon Hayward a assinar com a franquia.

Hayward era um cara que, ao meu ver, tinha tudo a ver com o time. Um jogador que parece preferir ser um coadjuvante importante do que uma estrela tem tudo a ver com uma franquia com uma cultura muito forte de trabalho duro e desenvolvimento dos talentos pessoais.

Time Provável
PG – Goran Dragic / Tyler Johnson /
SG – Dion Waiters /Josh Richardson / Wayne Ellington
SF – Justise Winslow / Rodney Mcgruder
PF – James Johnson /Kelly Olynyk / Okaro White / Udonis Haslem
C – Hassan Whiteside / Bam Adebayo / AJ Hammons

Expectativas
Se não voltar a sofrer com lesões, é um time para ficar entre a quinta e a oitava colocação do Leste. E mesmo que venha a ter algum problema deste tipo, basta encontrar alguma solução milagrosa como a da temporada passada para continuar no páreo – ter Spoelstra no banco de reservas já é meio caminho andado.

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[Previsão 17/18] Nuggets: discretamente, um time de playoffs

É provável que você nem tenha se dado conta, mas o Denver Nuggets tem tudo para ser um dos novos times da moda. Menos badalado que o Minnesota Timberwolves, vários degraus abaixo dos principais contenders, mas é bem provável que a equipe do Colorado se classifique bem para os playoffs jogando um basquete vistoso, eficiente e divertido.

Ano passado, isso quase aconteceu. O time se acertou na metade final da temporada, quando decidiu que Nikola Jokic seria a peça central do time. A equipe se tornou o segundo melhor ataque da liga inteira, apenas décimos atrás do Golden State Warriors. O time só não se classificou aos playoffs porque apostou na sua formação final muito tarde – e também, em parte, porque reforçou um concorrente direto pela última vaga ao mandar Jusuf Nurkic para o Portland Trail Blazers.

Para este ano, imagino que o Denver comece nessa pegada logo de cara. O time tem jogadores muito versáteis e que fogem ao padrão da liga, o que pode ser um terror para os rivais. Jokic está se credenciando para ser o pivô mais cerebral da NBA, Gary Harris e Jamal Murray formam um backcourt muito ágil, com qualidade no arremesso e com esforço na defesa, Mason Plumlee é um pivô reserva com uma mobilidade impressionante e, agora, o time assinou com Paul Millsap, um dos jogadores mais completos do basquete e dos menos falados.

A sua chegada deve ajudar a resolver um dos problemas mais preocupantes da equipe: a defesa. Millsap é um especialista no assunto. Capaz de parar pivôs pesados e alas versáteis, a presença dele será um upside brutal em relação a Kenneth Faried, que tinha tudo para ser um excelente defensor, mas não tem QI de basquete suficiente para isso.

Em uma conferência Oeste tão carregada, Millsap será fundamental para garantir a sobrevivência do Denver noite sim, noite não enfrentando Carmelo Anthony, Kevin Durant, Karl Anthony Towns, Blake Griffin e etc.

Outra coisa que me faz ficar animado com este time é que ainda há muito espaço para evolução no elenco. Exceto por Millsap, Faried, Wilson Chandler e Jameer Nelson, todo mundo ainda é novo o suficiente para melhorar bastante. Até Emmanuel Mudiay, armador que era a esperança da franquia há dois anos para que um dia emulasse algo parecido com Dwyane Wade, ainda é novo o bastante para virar alguma coisa útil em breve.

Neste pacote de jovens talentos, devem ser consideradas as três escolhas de primeiro round do ano passado, Jamal Murray, Juan Hernangomez e Malik Beasley – o clube é que o tem o maior número de jogadores draftados no primeiro round em seus respectivos drafts (13) em toda a NBA, junto de times que se esforçaram muito para isso (como Sixers, por exemplo). Além disso, os dois melhores atletas do elenco foram selecionados no segundo round (Millsap e Jokic), o que representa bem o talento reunido na equipe.

Acho que este time do Denver está bem próximo do que foi o Utah Jazz da temporada passada, em termos da posição que ocupará na conferência e o quanto incomodará os principais concorrentes. É uma equipe jovem, muito completa, que está jogando bem há algum tempo e se reforçou para dar um passo adiante – ainda que exista a possibilidade de ser algo como foi o Minnesota Timberwolves do último ano, um time que dava todos os indícios que ia decolar e não deu em nada.

Eu aposto no primeiro cenário.

Offseason
Abriu mão do draft, ao trocar sua primeira escolha por Trey Lyler, mas fez uma offseason interessante na composição do elenco. Perdeu Danilo Gallinari, um jogador que eu acho superestimado, que se lesiona muito e, ao meu ver, entrega pouco, e o substituiu no elenco por Paul Millsap, um dos caras mais úteis em toda a NBA, que joga muito bem na defesa e que é super versátil no ataque.

Time Provável
PG – Jamal Murray / Jameer Nelson / Emmanuel Mudiay
SG – Gary Harris / Will Barton / Malik Beasley
SF – Wilson Chandler /Juan Hernangomez
PF – Paul Millsap /Darrell Arthur / Trey Lyles
C – Nikola Jokic / Mason Plumlee /Kenneth Faried

Expectativa
Eu acho que este time do Denver Nuggets está no mesmo patamar do Minnesota Timberwolves neste ano, abaixo somente das principais potências da conferência (Golden State Warriors, Houston Rockets, San Antonio Spurs e Oklahoma City Thunder). Imagino que fique entre quinto e sétimo na classificação para os playoffs do Oeste.

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[Previsão 17/18] Pistons: a soma de vários erros de avaliação

Assim como o Charlotte Hornets, o Detroit Pistons decepcionou bastante na temporada passada. O time parecia cheio de potencial, que ia continuar evoluindo depois de alcançar os playoffs na temporada anterior, mas não foi o que rolou. A dobradinha Andre Drummond e Reggie Jackson não funcionou, Tobias Harris continua um jogador cru que desperta mais dúvidas do que traz soluções, o ataque do time foi lento e ineficiente.

A sensação que dá, saídos de uma temporada em que a franquia venceu só 37 jogos, é que todos os jogadores foram superestimados pela boa temporada em 2015/2016 e que, na verdade, nenhum deles é lá essas coisas.

Andre Drummond, o melhor jogador do time, empacou depois de ter uma temporada excelente. Não evoluiu como é de se esperar de um jogador de 23 anos. Apesar de ser um excelente reboteiro e um pontuador confiável a um palmo da cesta, continua sofrível do lance-livre e simplesmente não pode ficar em quadra nos momentos decisivos por conta dessa grave deficiência.

Tem a seu favor o benefício da dúvida por ter passado um bom tempo longe de Reggie Jackson, armador titular do time. Mas aí que reside a segunda grande decepção da franquia: o jogador passou um bom tempo machucado e quando voltou, fez o time piorar. Com Jackson em quadra, o Detroit foi mais previsível, chutou muito pior, desperdiçou mais bolas e, pior, perdeu muito mais jogos.

Antes dele estrear na temporada, a equipe até que ia entre trancos e barrancos. Estava com uma campanha positiva até ele entrar em quadra, inclusive. Depois, rolou ladeira abaixo. Reggie Jackson, que jogou bem um ano antes e era a principal aposta do time para comandar o ataque, hoje dá sinais de que pode não ter cacife para ser o point guard titular de um time que quer playoffs.

Tobias Harris, outra aposta do time, oscilou muito. Não que seja necessariamente culpa do jogador, que foi a alternativa ofensiva mais confiável do time, mas sofreu com a falta de convicção quanto ao seu papel no elenco. Stan Van Gundy parece que ainda não se decidiu se ele é small forward ou power forward, se é titular ou reserva.

A série de avaliações precipitadas foi além. Kentavious Caldwell Pope foi e deixou de ser a esperança ofensiva do perímetro do time. Boban Marjanovic, foi contratado pra jogar só uma meia dúzia de minutos. Parece que sempre que se meteu a apostar, o front office do Pistons avaliou mal o potencial e o papel dos seus jogadores.

Um bom sinal para a próxima temporada – e que talvez deflagre, na verdade, uma tentativa desesperada de chacoalhar as coisas – é que o time trabalhou em algumas coisas que falharam no ano passado.

Tobias Harris está garantido com mais tempo de quadra com a saída de Marcus Morris e Avery Bradley chegou para suprir a deficiência no backcourt – com liberdade para ser o pontuador do perímetro que KCP não foi e para eventualmente pensar o ataque quando a cabeça de Reggie Jackson se mostrar muito limitada para isso. Boban Marjanovic, a exemplo do final da temporada, deve ser mais usado quando Drummond tiver que ir para o banco de reservas.

Ainda assim, pode ser insuficiente para retomar o mojo de dois anos atrás. Se não conseguir, deve sobrar para o comandante Van Gundy.

Offseason
O time fez uma troca muito interessante, mandando Marcus Morris para o Boston Celtics em troca do baratíssimo e excelente Avery Bradley. Por mais que o ala fosse bom dos dois lados da quadra, Bradley é ainda melhor em uma posição mais problemática. O time de Michigan também foi bem no draft, atrás de um chutador que parece ser eficiente.

Time Provável
PG – Reggie Jackson / Ish Smith / Langston Galloway
SG – Avery Bradley / Luke Kennard
SF – Tobias Harris /Stanley Johnson /Reggie Bullock
PF – Jon Leuer / Anthony Tolliver / Henry Ellison
C – Andre Drummond / Boban Marjanovic

Expectativas
O time não empolga, mas parece discretamente melhor do que o do ano passado. Como a conferência Leste como um todo está pior, tem cacife para brigar pelas últimas posições dos playoffs

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[Previsão 17/18] Hornets: a insistência vale a pena?

Mais uma temporada que começa e mais um ano que o Charlotte Hornets aposta na mesma fórmula para tentar beliscar uma vaga no final da zona de classificação para os playoffs do Leste.

O time não é ruim, Kemba Walker é um craque – subvalorizado, aliás -, mas chega a ser irritante ver uma franquia há tanto tempo paralizada nas mesmas apostas. Uma insistência que, com o passar do tempo, vem se provando pouco inteligente e eficaz.

No papel, o Hornets é um time que reúne vários jogadores de medianos pra bons, todos com um alto potencial de desenvolvimento e com características excelentes para a composição de um elenco eficiente e vencedor. O grande problema é que nenhum deles (exclua Kemba de toda essa conversa) conseguiu sequer alcançar as expectativas criadas – muito menos superá-las.

E o Hornets embarca em mais uma temporada apostando que um raio vai cair na Carolina do Norte e todos esses caras vão finalmente vingar.

Nicolas Batum, por exemplo. Foi contratado a peso de ouro, ganhando mais de 20 milhões por ano, com um contrato de super estrela, com moral de franchise player. Na prática, é um jogador muito bom, que ajuda dos dois lados da quadra, que tem suas noites excelentes, mas que pode passar semanas sem chamar a atenção. É muito discreto para tudo que se esperava dele.

Frank Kaminsky, Cody Zeller e Michael Kidd Gilchrist, 9ª, 4ª e 2ª escolhas, respectivamente, em cada um dos seus drafts. São bons, esforçados, úteis… e só. Dão a impressão que ainda tem algo para mostrar na liga. Mas os anos passam e a cada temporada a chance de uma melhora significativa de performance diminui. Jogadores das mesmas posições que foram draftados depois deles já estouraram e eles estão ali, tímidos, ajudando, mas sem o menor protagonismo.

O risco de entrar nesse moto-contínuo sem graça ficou mais evidente quando o time abriu mão da renovação de alguns reservas que, na soma de forças, faziam o time ter uma das rotações mais profundas da liga. Saíram Al Jefferson, Jeremy Lin e Courtney Lee. O front office insistiu em alguns nomes em detrimento de outros. Não deu muito certo – tanto que o time teve 12 derrotas a mais na última temporada em relação à anterior.

Na mesma pegada, o clube agora aposta na decadência humana que é Dwight Howard. O pivô até teve bons números ano passado, mas sua performance coletiva foi desastrosa. Por mais que ele tenha jurado que isso não ia acontecer quando assinou com o Atlanta Hawks, sua motivação despencou na primeira adversidade. Sem o menor comprometimento, Dwight quase nem foi usado nas últimas partidas dos playoffs – quando, em tese, os times vão com tudo com o que têm de melhor. Será que vale a pena insistir em um cara assim?

Não acho que a chegada dele vá ser decisiva para tirar a equipe da inércia – por mais que garantam que agora ele vai jogar “já que Steve Clifford, técnico do time, foi seu treinador no Orlando Magic, quando teve o melhor desempenho da carreira”.

Com esse time, o Hornets até deve se classificar para o mata-mata, até pode surpreender com Malik Monk, mas ainda tem tudo para ter mais um ano sem muita graça, com todos esses caras jogando bem alguns jogos, decepcionando em outros, mas nunca se desenvolvendo naquilo que um dia esperou-se deles. É uma pena. Parece que essa insistência toda não valeu tanto a pena para formar um time apenas médio.

Offseason
O time foi bem no draft ao pegar Malik Monk. O jogador caiu no recrutamento por conta de uma lesão, mas é um combo guard que pode ajudar Kemba Walker na sua tarefa de carregar o time nas costas.

Trocou uns cascos de banana podre por Dwight Howard, o que não é um problema em si. O foda é ter que arcar com dois anos de salário de um jogador que atualmente não ajuda muito as equipes por onde passa. Mas se der certo, foi um excelente negócio.

Time Provável
PG – Kemba Walker / Michael Carter Williams
SG – Nicolas Batum / Malik Monk / Treveon Graham
SF – Michael Kidd Gilchrist / Jeremy Lamb / Dwayne Bacon
PF – Marvin Williams /Frank Kamisnky /Johnny O’Bryant
C – Dwight Howard / Cody Zeller

Expectativas
Eu acho que é um time para ficar entre a sexta e oitava colocação, o que no Leste não é um grande mérito. Depende que alguém faça algo diferente esse ano – Dwight volte a ter tesão, Batum largue mão da timidez em quadra, Monk mostre serviço logo de cara – para encostar no segundo escalão da conferência.

[Previsão 17/18] Pelicans: o teste da contracultura do basquete

Goste ou não, o sucesso do Golden State Warriors influenciou a NBA como um todo. Posições bem definidas são obsoletas, jogo cadenciado está por fora, arremessos próximos ao aro não parecem mais inteligentes. Jogar com pivôs de verdade, explorando o post, então, é jurássico.

O New Orleans Pelicans não concorda com isso. O time ousou ao, ano passado, oferecer um pack por um ano e meio de contrato de DeMarcus Cousins, um dos melhores pivôs da NBA atualmente. O curioso é que o time já tinha em seu elenco outro excelente jogador de garrafão, Anthony Davis, formando uma dupla que cairia muito bem no modelo de jogo dos anos 80 e 90, mas que hoje é coisa rara de se ver.

Depois de um período duro de adaptação, as coisas se acertaram e por pouco que o Pelicans não conseguiu uma vaga nos playoffs praticando a contracultura do basquete.

Para este ano, a montagem do elenco ficou ainda mais esquisita: Rajon Rondo se junta a Jrue Holiday na armação, dois jogadores esguios, que não são bons chutadores de fora e que dominam muito a bola. Sinceramente, não há como prever o desempenho deste quarteto – por mais que Cousins e Davis sejam jogadores que saibam chutar de todos os cantos da quadra. A formação é absolutamente diferente de tudo que vemos na liga atualmente.

Sobra talento, mas o time parece muito unidimensional. Ao mesmo tempo, parece que nenhuma equipe será capaz de enfrentá-los em um matchup 100% favorável. Sempre, se alguma forma, parece que o Pelicans terá um escape para atacar.

Partindo deste princípio, dá para imaginar o New Orleans sendo páreo duro contra qualquer time da liga. Se o esquema funcionar, o time com certeza briga por playoffs. Se demorar para engrenar, pode ser desastroso, e até custar a permanência de Cousins para a próxima temporada.

Offseason
A franquia trabalhou discretamente, mas bem. Contratou o sempre útil Tony Allen e buscou o confuso, mas inegavelmente competente Rajon Rondo (que teve uma boa temporada jogando ao lado de Demarcus Cousins em Sacramento).

Time Provável
PG – Rajon Rondo / Ian Clark / Frank Jackson
SG – Jrue Holiday / Tony Allen / Jordan Crawford / E’Tawn Moore
SF – Darius Miller / Solomon Hill / Dante Cunninghan
PF – Anthony Davis / Cheick Diallo / Perry Jones
C – Demarcus Cousins / Alexis Ajinca / Omer Asik

Expectativas
Acredito que o New Orleans Pelicans briga por playoffs neste ano, com alguma chance do time engrenar e se garantir sem passar sufoco. Como o elenco não tem muita profundidade, alguma lesão em um dos principais jogadores pode ser bastante prejudicial.

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[Previsão 17/18] Mavericks: a filosofia colocada à prova

A evolução de times como Philadelphia 76ers, Los Angeles Lakers e Phoenix Suns faz parecer que o tanking, a estratégia de ter campanhas ruins de propósito por alguns anos para reunir vários talentos em um mesmo elenco na esperança de formar um elenco forte para o futuro, vale bastante a pena. Não que os três times tenham a garantia de sucesso para os próximos anos, mas é um processo que dá mais sinais de êxito do que outros métodos mais tradicionais, via trocas e se agarrando às mínimas chances de playoffs quando tiveram essa chance (a exemplo de Nets e Knicks em temporadas recentes).

Mesmo assim, alguns times parecem convictos em rejeitar o tank. San Antonio Spurs, Miami Heat e Dallas Mavericks são os maiores símbolos disso. A filosofia destes times consiste em formar uma cultura vencedora que seja suficiente para atrair grandes nomes sem contrato, além de atacar trocas e desenvolver jogadores medianos dentro de casa. Perder de propósito, jamais!

A tática, na teoria, é maravilhosa, mas é colocada à prova quando as coisas começam a não dar muito certo, o elenco envelhece e as perspectivas de futuro no curto prazo não são animadoras.

É neste cenário que o Dallas Mavericks se encontra hoje, seduzido pela possibilidade de reforçar o time pelo draft e sem muita bala na agulha para atrair bons jogadores nas próximas offseasons.

No ano passado, a dúvida já balançou a franquia. O time começou mal, se recuperou, achou que era possível se classificar e, no final, se entregou. Se esforçou para subir no draft – o problema é que, naquele ponto, metade da liga fazia o mesmo.

A renovação caridosa de Dirk Nowitzki – que cortou seu salário em menos da metade para ajudar no processo de renovação do time via free agency – e o fato de um dos melhores jogadores do draft ter caído no colo na 9ª posição coloca, mais uma vez, o Mavericks em uma posição estranha.

Por mais que o tank faça sentido para tentar pescar um bom jogador do jeito mais fácil mais uma vez, o clube não está totalmente desguarnecido de talento e não precisa necessariamente entregar os pontos logo de caa. Uma campanha honesta neste ano seria convidativa a bons jogadores em final de contrato e, naturalmente, o Dallas poderia reforçar sua cultura vencedora.

Um elenco com Dennis Smith Jr, Harrison Barnes e Nerlens Noel já é ok. Umas duas peças bem úteis ou um jogador fora de série para assumir a franquia depois de Dirk Nowitzki colocaria o Mavericks no mesmo patamar que esteve nas últimas duas décadas, pronto para ficar por lá por mais uns bons anos.

Não vejo este time brigando por playoffs, mas imagino que possa oscilar fases boas e ruins ao longo da competição, tirando vitórias importantes de times que estarão por cima e entregando o outro, às vezes, para aqueles que não disputam nada.

Offseason
O time foi muito bem ao pegar um dos maiores steals do draft deste ano. Quem acompanha os calouros mais de perto acredita que Dennis Smith Jr é um dos favoritos ao título de calouro do ano.

O front office foi duro, mas eficiente na renovação dos jogadores. Chegou a um acordo baratíssimo para que Dirk Nowitzki ficasse mais duas temporadas com a equipe e renovou com Nerlens Noel por uma mixaria, preservando a folha salarial para esta e para as próximas temporadas – é o segundo time que menos paga salários em toda a NBA, com ‘apenas’ 75 milhões de dólares comprometidos.

Time Provável
PG – Dennis Smith Jr / JJ Barea / Yogi Ferrell
SG – Wesley Matthews / Seth Curry / Devin Harris
SF – Harrison Barnes / Dorian Finney-Smith
PF – Dirk Nowitzki / Josh McRoberts /Dwight Powell
C – Nerlens Noel / Salah Mejri

Expectativas
Vejo um Dallas Mavericks bem parecido com o time do ano passado. Chato de se enfrentar, mas também não muito bom de se torcer. Imagino que fique entre os melhores times que não vão aos playoffs.

[Previsão 17/18] Kings: choque de gerações

Eu era contra a troca, mas é inegável que, mesmo sendo uma negociação em que saiu em brutal desvantagem, a saída de Demarcus Cousins deu novo fôlego ao Sacramento Kings. Ao invés de ser um clube de aluguel para uma estrela com absurdo talento, mas falta de capacidade comprovada em elevar o potencial de um time inteiro, agora o time da capital da California está conseguindo formar uma equipe mais equilibrada, com bons talentos futuros que se complementam em praticamente todas as posições.

Isso ainda é insuficiente para tirar o Kings do jejum de mais de uma década sem playoffs, mas já é suficiente para promover um sentimento renovador na torcida: há para o que torcer, há esperança de que, dentro de alguns anos, isso vire um time que vá brigar do meio para cima da tabela.

Essa mudança de clima no clube se dá por uma offseason surpreendentemente boa – ênfase no ‘surpreendentemente’, já que o time estava quase no mesmo nível do Brooklyn Nets no quesito de negociações desastrosas e decisões erradas para o futuro.

O front office conseguiu fazer um draft muito sólido e atrair free agents interessantes. Na primeira parte da offseason, preencheu o elenco com bons talentos estreantes na liga. Na segunda fase, buscou jogadores úteis para o complemento do elenco, todos veteranos super experientes.

Com isso, o elenco do Kings tem dois grupos muito bem definidos: um time de jogadores rodados, com todo tipo de história dentro da liga (Vince Carter, Zach Randolph, George Hill), e outro só de moleques.

Por mais que isso possa gerar alguma confusão num primeiro momento – quem joga? qual será o núcleo do time? -, é uma receita batida de sucesso: os novatos são blindados da pressão inicial por resultados, enquanto os tiozões enchem seus bolsos de dinheiro naqueles que podem ser seus últimos contratos realmente gordos tendo a contrapartida de tutelarem os mais novos nas próximas temporadas.

Carter está neste papel há quase uma década e todos dizem que ele trabalha muito bem assim. Já foi uma das maiores estrelas da liga, já esteve em times ruins, em times bons, já brigou com diretoria, já forçou saída de time. Enfim, só não cresce ao lado dele quem não quer. Zach Randolph, apesar do histórico maloqueiro, é um cara que aprendeu a ser coadjuvante e, mesmo assim, erguer uma franquia. Dizem ser gente fina e bom de elenco. George Hill nem é tão velho assim, mas já foi do Spurs, franquia com melhor cultura da liga inteira, já foi rejeitado por eles, já deu a volta por cima e foi para esta offseason sendo um dos alvos mais interessantes.

Na outra parte do elenco, uma porrada de calouros ou segundo anistas que têm muito o que aprender com estes caras. Se metade deles souberem tirar algo positivo disso, já é uma boa seletiva para a formação de elenco futura da franquia.

O time ainda conta com Buddy Hield e Bogdan Bogdanovic. Atletas experientes (anos de college ou basquete europeu), mas que ainda precisam se adaptar à cultura da NBA – e devem ser favorecidos por este ambiente de intercâmbio.

Offseason
Foi excelente, especialmente levando em conta que o Sacramento Kings é uma franquia que parecia condenada ao caos e vinha de uma troca desgraçada com o New Orleans Pelicans para despachar DeMarcus Cousins. Draftar De’Aaron Fox foi uma escolha acertada – o armador parece pronto para colaborar desde já e só não saiu antes porque a turma deste ano era realmente sobrenatural. Ainda teve outras três escolhas interessantes: os alas Justin Jackson e Harry Giles e o armador Frank Mason, que só caiu na lista por estar machucado.

Assinou com jogadores bem úteis no período de free agency. Zach Randolph e Vince Carter são veteraníssimos, mas tem lenha para queimar, e George Hill vem da melhor temporada da sua vida para ser um combo guard que vai ajudar muito a rotação.

Time Provável
PG – De’Aaron Fox/ George Hill/ Frank Mason
SG – Buddy Hill/ Bogdan Bogdanovic/ Gerrett Temple
SF – Justin Jackson/ Vince Carter/ Malachi Richardson
PF – Zach Randolph/ Skal Labissiere/ Harry Giles
C – Willie Cauley-Stein/ Kosta Koufos/ Georgios Papagiannis

Expectativa
Finalmente o Sacramento Kings tem um time que pode ser legal para se torcer. Se para a maioria dos times isso não quer dizer nada – a turma quer ganhar, disputar playoffs e etc -, para a franquia californiana isso já é um puta avanço. Não imagino o time disputando qualquer coisa neste ano, mas acho que não fica naquela zona intermediária entre o final da tabela e os primeiros times que não brigam por mata-mata.

 

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