Eu era contra a troca, mas é inegável que, mesmo sendo uma negociação em que saiu em brutal desvantagem, a saída de Demarcus Cousins deu novo fôlego ao Sacramento Kings. Ao invés de ser um clube de aluguel para uma estrela com absurdo talento, mas falta de capacidade comprovada em elevar o potencial de um time inteiro, agora o time da capital da California está conseguindo formar uma equipe mais equilibrada, com bons talentos futuros que se complementam em praticamente todas as posições.

Isso ainda é insuficiente para tirar o Kings do jejum de mais de uma década sem playoffs, mas já é suficiente para promover um sentimento renovador na torcida: há para o que torcer, há esperança de que, dentro de alguns anos, isso vire um time que vá brigar do meio para cima da tabela.

Essa mudança de clima no clube se dá por uma offseason surpreendentemente boa – ênfase no ‘surpreendentemente’, já que o time estava quase no mesmo nível do Brooklyn Nets no quesito de negociações desastrosas e decisões erradas para o futuro.

O front office conseguiu fazer um draft muito sólido e atrair free agents interessantes. Na primeira parte da offseason, preencheu o elenco com bons talentos estreantes na liga. Na segunda fase, buscou jogadores úteis para o complemento do elenco, todos veteranos super experientes.

Com isso, o elenco do Kings tem dois grupos muito bem definidos: um time de jogadores rodados, com todo tipo de história dentro da liga (Vince Carter, Zach Randolph, George Hill), e outro só de moleques.

Por mais que isso possa gerar alguma confusão num primeiro momento – quem joga? qual será o núcleo do time? -, é uma receita batida de sucesso: os novatos são blindados da pressão inicial por resultados, enquanto os tiozões enchem seus bolsos de dinheiro naqueles que podem ser seus últimos contratos realmente gordos tendo a contrapartida de tutelarem os mais novos nas próximas temporadas.

Carter está neste papel há quase uma década e todos dizem que ele trabalha muito bem assim. Já foi uma das maiores estrelas da liga, já esteve em times ruins, em times bons, já brigou com diretoria, já forçou saída de time. Enfim, só não cresce ao lado dele quem não quer. Zach Randolph, apesar do histórico maloqueiro, é um cara que aprendeu a ser coadjuvante e, mesmo assim, erguer uma franquia. Dizem ser gente fina e bom de elenco. George Hill nem é tão velho assim, mas já foi do Spurs, franquia com melhor cultura da liga inteira, já foi rejeitado por eles, já deu a volta por cima e foi para esta offseason sendo um dos alvos mais interessantes.

Na outra parte do elenco, uma porrada de calouros ou segundo anistas que têm muito o que aprender com estes caras. Se metade deles souberem tirar algo positivo disso, já é uma boa seletiva para a formação de elenco futura da franquia.

O time ainda conta com Buddy Hield e Bogdan Bogdanovic. Atletas experientes (anos de college ou basquete europeu), mas que ainda precisam se adaptar à cultura da NBA – e devem ser favorecidos por este ambiente de intercâmbio.

Offseason
Foi excelente, especialmente levando em conta que o Sacramento Kings é uma franquia que parecia condenada ao caos e vinha de uma troca desgraçada com o New Orleans Pelicans para despachar DeMarcus Cousins. Draftar De’Aaron Fox foi uma escolha acertada – o armador parece pronto para colaborar desde já e só não saiu antes porque a turma deste ano era realmente sobrenatural. Ainda teve outras três escolhas interessantes: os alas Justin Jackson e Harry Giles e o armador Frank Mason, que só caiu na lista por estar machucado.

Assinou com jogadores bem úteis no período de free agency. Zach Randolph e Vince Carter são veteraníssimos, mas tem lenha para queimar, e George Hill vem da melhor temporada da sua vida para ser um combo guard que vai ajudar muito a rotação.

Time Provável
PG – De’Aaron Fox/ George Hill/ Frank Mason
SG – Buddy Hill/ Bogdan Bogdanovic/ Gerrett Temple
SF – Justin Jackson/ Vince Carter/ Malachi Richardson
PF – Zach Randolph/ Skal Labissiere/ Harry Giles
C – Willie Cauley-Stein/ Kosta Koufos/ Georgios Papagiannis

Expectativa
Finalmente o Sacramento Kings tem um time que pode ser legal para se torcer. Se para a maioria dos times isso não quer dizer nada – a turma quer ganhar, disputar playoffs e etc -, para a franquia californiana isso já é um puta avanço. Não imagino o time disputando qualquer coisa neste ano, mas acho que não fica naquela zona intermediária entre o final da tabela e os primeiros times que não brigam por mata-mata.

 

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