Mais uma temporada que começa e mais um ano que o Charlotte Hornets aposta na mesma fórmula para tentar beliscar uma vaga no final da zona de classificação para os playoffs do Leste.

O time não é ruim, Kemba Walker é um craque – subvalorizado, aliás -, mas chega a ser irritante ver uma franquia há tanto tempo paralizada nas mesmas apostas. Uma insistência que, com o passar do tempo, vem se provando pouco inteligente e eficaz.

No papel, o Hornets é um time que reúne vários jogadores de medianos pra bons, todos com um alto potencial de desenvolvimento e com características excelentes para a composição de um elenco eficiente e vencedor. O grande problema é que nenhum deles (exclua Kemba de toda essa conversa) conseguiu sequer alcançar as expectativas criadas – muito menos superá-las.

E o Hornets embarca em mais uma temporada apostando que um raio vai cair na Carolina do Norte e todos esses caras vão finalmente vingar.

Nicolas Batum, por exemplo. Foi contratado a peso de ouro, ganhando mais de 20 milhões por ano, com um contrato de super estrela, com moral de franchise player. Na prática, é um jogador muito bom, que ajuda dos dois lados da quadra, que tem suas noites excelentes, mas que pode passar semanas sem chamar a atenção. É muito discreto para tudo que se esperava dele.

Frank Kaminsky, Cody Zeller e Michael Kidd Gilchrist, 9ª, 4ª e 2ª escolhas, respectivamente, em cada um dos seus drafts. São bons, esforçados, úteis… e só. Dão a impressão que ainda tem algo para mostrar na liga. Mas os anos passam e a cada temporada a chance de uma melhora significativa de performance diminui. Jogadores das mesmas posições que foram draftados depois deles já estouraram e eles estão ali, tímidos, ajudando, mas sem o menor protagonismo.

O risco de entrar nesse moto-contínuo sem graça ficou mais evidente quando o time abriu mão da renovação de alguns reservas que, na soma de forças, faziam o time ter uma das rotações mais profundas da liga. Saíram Al Jefferson, Jeremy Lin e Courtney Lee. O front office insistiu em alguns nomes em detrimento de outros. Não deu muito certo – tanto que o time teve 12 derrotas a mais na última temporada em relação à anterior.

Na mesma pegada, o clube agora aposta na decadência humana que é Dwight Howard. O pivô até teve bons números ano passado, mas sua performance coletiva foi desastrosa. Por mais que ele tenha jurado que isso não ia acontecer quando assinou com o Atlanta Hawks, sua motivação despencou na primeira adversidade. Sem o menor comprometimento, Dwight quase nem foi usado nas últimas partidas dos playoffs – quando, em tese, os times vão com tudo com o que têm de melhor. Será que vale a pena insistir em um cara assim?

Não acho que a chegada dele vá ser decisiva para tirar a equipe da inércia – por mais que garantam que agora ele vai jogar “já que Steve Clifford, técnico do time, foi seu treinador no Orlando Magic, quando teve o melhor desempenho da carreira”.

Com esse time, o Hornets até deve se classificar para o mata-mata, até pode surpreender com Malik Monk, mas ainda tem tudo para ter mais um ano sem muita graça, com todos esses caras jogando bem alguns jogos, decepcionando em outros, mas nunca se desenvolvendo naquilo que um dia esperou-se deles. É uma pena. Parece que essa insistência toda não valeu tanto a pena para formar um time apenas médio.

Offseason
O time foi bem no draft ao pegar Malik Monk. O jogador caiu no recrutamento por conta de uma lesão, mas é um combo guard que pode ajudar Kemba Walker na sua tarefa de carregar o time nas costas.

Trocou uns cascos de banana podre por Dwight Howard, o que não é um problema em si. O foda é ter que arcar com dois anos de salário de um jogador que atualmente não ajuda muito as equipes por onde passa. Mas se der certo, foi um excelente negócio.

Time Provável
PG – Kemba Walker / Michael Carter Williams
SG – Nicolas Batum / Malik Monk / Treveon Graham
SF – Michael Kidd Gilchrist / Jeremy Lamb / Dwayne Bacon
PF – Marvin Williams /Frank Kamisnky /Johnny O’Bryant
C – Dwight Howard / Cody Zeller

Expectativas
Eu acho que é um time para ficar entre a sexta e oitava colocação, o que no Leste não é um grande mérito. Depende que alguém faça algo diferente esse ano – Dwight volte a ter tesão, Batum largue mão da timidez em quadra, Monk mostre serviço logo de cara – para encostar no segundo escalão da conferência.

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