Month: September 2017 (Page 2 of 3)

[Previsão 17/18] Timberwolves: não há mais desculpas para não deslanchar

Ano passado já era quase isso. Karl Anthony Towns tinha se mostrado um jogador especial, Andrew Wiggins tinha entendido seu papel no time, havia alguns jogadores que ultrapassavam a linha da puberdade e agora podiam ser cobrados como adultos e, na beira da quadra, um dos melhores técnicos da NBA, Tom Thibodeau, comandaria o time na volta aos playoffs. Parecia óbvio que era o ano da virada do Minnesota Timberwolves. Não foi.

Estranhamente, Wiggins até evoluiu, Towns idem. Lavine jogou bem (enquanto jogou), Rúbio também corrigiu mais algumas deficiências… mas não aconteceu. O time manteve o desempenho pífio na tabela.

Tom Thibodeau não conseguiu emplacar sua marca registrada. A defesa do time era fraca coletivamente, apesar de ter bons talentos individuais – um problema que ninguém imaginaria naquele time.

No final das contas, o grande trunfo do time (ter várias opções jovens que, em tese, poderiam ajudar a equipe por um longo período) foi o que condenou a temporada passada. A molecada não era tão dedicada quanto deveria na marcação (e o time fechou o campeonato com a 26ª pior defesa) e corria muito no ataque.

Acho que o dado que melhor exemplifica essa inexperiência é o retrospecto do time em momentos de placar apertado. Nos casos em que o jogo estava com uma diferença menor do que cinco pontos nos dois últimos minutos, o Minnesota ficou com 15 vitórias e 30 derrotas, o segundo pior desempenho, atrás apenas do Phoenix Suns.

Era frequente o time abrir uma boa vantagem nos dois primeiros quartos e entregar o outro na segunda metade do jogo. A diferença média do placar nos dois quartos finais era de -6 pontos, a 27ª pior da NBA, por exemplo.

Este diagnóstico, no entanto, não é trágico se projetado para a temporada que começa em algumas semanas. Na análise mais básica possível, dá para dizer que o time envelheceu, amadureceu e aprendeu com isso. Não só os jogadores estão obviamente uma temporada mais calejados, mas a franquia trocou dois de seus jovens (Zach Lavine e Kris Dunn) por uma estrela bem rodada (Jimmy Butler). Contratou um dos reservas mais experientes e subestimados da liga (Taj Gibson) e trocou seu armador (despachou Ricky Rúbio e assinou com Jeff Teague).

O time é oficialmente melhor e mais cascudo.

A turma também estará mais azeitada com Thibodeau. De novo, não só por ser mais um ano sob a tutela dele, mas porque dois dos principais jogadores que chegaram já jogaram muitos anos com o técnico nos tempos de Chicago Bulls.

Não vejo o Timberwolves fora dos playoffs neste ano. Qualquer coisa diferente disso é um desastre para os planos da franquia, que enfrenta a maior seca da atualidade sem ir para o mata-mata (13 anos).

Offseason
Como dito anteriormente, o time se mexeu bem. Mandou um ala-armador bom, mas machucado para o Chicago Bulls junto com um armador promissor mas que não mostrou nada na sua temporada de estreia. Em troca, recebeu um all star, um dos melhores jogadores da liga nos dois lados da quadra.

Eu questiono um pouco a escolha por Jeff Teague no lugar de Ricky Rubio. Eu adoro Rubio. Acho um jogador excelente, com qualidades específicas para a posição que ajudam qualquer equipe. Inteligente, marca muito bem e não é tão mau chutador quanto sua fama diz. Por outro lado, detesto Teague. Fraco fisicamente, inconstante e baixo QI para comandar o time no ataque. Para piorar, será o maior salário do time nesta temporada.

Apesar disso tudo, admito que o encaixe de Teague no time possa justificar a escolha. Rubio domina muito a bola, Teague chuta melhor, o que complementa bem as características de Wiggins e Butler. Mesmo assim, não é uma troca que eu teria feito.

Time Provável
PG – Jeff Teague/ Tyus Jones
SG – Jimmy Butler/ Jamal Crawford
SF – Andrew Wiggins/ Shabazz Muhammad/ Nemanja Bjelica
PF – Gorgui Dieng / Taj Gibson
C – Karl Anthony Towns / Cole Aldrich / Justin Patton

Expectativas
Apesar de todo o Oeste ter melhorado consideravelmente e isso significar uma concorrência ainda mais cruel para o Timberwolves, eu não vejo o time fora dos playoffs. Espero, inclusive, uma classificação ligeiramente confortável, acima da sexta posição. O maior problema do time, ao meu ver, é a falta de profundidade do elenco, especialmente no backcourt. Neste caso, uma lesão poderia atrapalhar os planos da equipe. Mesmo assim, o quinteto titular é forte o suficiente para aguentar a barra dos 82 jogos.

[Previsão 17/18] Knicks: os dois últimos dramas

Não tem como a temporada que está para começar ser mais enrolada, mais dramática do que a última para o New York Knicks. Isso não é necessariamente uma boa notícia. Só não é tão trágico quanto foram os últimos meses da franquia: assinatura com veteranos contestados, as invenções de Phil Jackson, o sumiço de Derrick Rose, a briga de Jackson e Carmelo Anthony, a insatisfação de Kristaps Porzingis… É difícil bater um roteiro tão caótico quanto este, mesmo.

A saída de Jackson e de Rose já solucionou boa parte dos problemas do time. Agora, a franquia só precisa solucionar duas coisas que ainda estão pendentes para que siga adiante: resolver o pedido de Carmelo Anthony para ser trocado e acalmar Porzingis.

O primeiro nó esta mais perto de ser desatado. O jogador, que tem uma cláusula contratual que permite que ele só seja negociado com a equipe que quiser, já manifestou a vontade de se unir a James Harden e Chris Paul no Houston Rockets. O impasse é que o Knicks ainda não encontrou uma compensação que valha a pena. Mesmo que isso venha se arrastando há meses, a direção do NY pelo menos tem um norte aqui. Na pior das hipóteses, vai se desfazer de seu jogador por um pack de menor valor.

A outra treta é um pouco mais delicada. Kristaps é o futuro da equipe e deveria estar mais tranquilo agora que Phil Jackson se foi. Não é o que alguns insiders dizem. Correm os boatos que Porzingis e o técnico Jeff Hornacek não nutrem um sentimento, digamos, de carinho mútuo. O problema seria a diferença de personalidades e a forma que o comandante encontrou de reafirmar sua liderança perante o elenco, repreendendo Porzingis de mais e seus colegas de menos, o que incomodou o letão.

Se for só isso mesmo, eu acho uma puta besteira. Coisa de técnico novo e jogador inexperiente. No entanto, não dá para saber ao certo. Se o desentendimento realmente existe e se desenrolar ao longo da temporada, o front office precisará fazer algo para não prejudicar o desenvolvimento do seu time.

(Nathaniel S. Butler/NBAE via Getty Images)

Isso solucionado, o Knicks estaria em condições de se desenvolver em um time interessante para os próximos anos, com a vantagem de ter jovens jogadores que já entregam bons resultados, como Willy Hernangomez, um achado.

Offseason
Foi um período em que o Knicks não concretizou muita coisa. Tentou muito trocar Carmelo Anthony, mas não fechou nenhum negócio que interessasse ao time e ao jogador – que tem o poder de veto. Na prática, apostou em Tim Hardaway Jr – um ‘move’ que tem tudo para dar errado, mas que, vá lá, tem alguma chance mínima ainda de surpreender, visto que ele foi razoavelmente bem no Atlanta Hawks.

Time Provável
PG – Ron Baker/ Frank Ntilikina/ Ramon Sessions
SG – Tim Hardaway Jr/ Courtney Lee
SF – Carmelo Anthony/Lance Thomas
PF – Kristaps Porzingis/ Michael Beasley/ Mindaugas Kuzminskas
C – Willy Hernangomez/ Joakim Noah/ Kyle O’Quinn

Expectativas
Existem algumas condicionantes que ainda podem alterar o provável desempenho do Knicks neste ano. Se Carmelo ficar para jogar o que sabe, o time pode brigar pelas últimas vagas de playoffs até. O mesmo pode acontecer se o troco pelo jogador for bom para contribuir de imediato. No entanto, brigar por uma vaga no final dos playoffs talvez não seja a melhor opção para o planejamento a médio prazo e talvez o time escolha tentar subir algumas posições no draft do ano que vem com uma campanha ruim nesta temporada.

[Previsão 17/18] Magic: é devagar que se vai a lugar nenhum

Se você está acompanhando o preview dos outros times aqui no blog, deve ter notado que, exceto o Brooklyin Nets, os demais (Lakers, Suns e Sixers) são times que foram bem ruins nos últimos anos, mas agora vivem a esperança de um futuro mais produtivo, com vários bons jogadores jovens. O Orlando Magic é quase isso. Na verdade, é um projeto como este, só que lento e mal sucedido.

Já são cinco temporadas sem playoffs, quatro delas com menos de 30 vitórias, o pior retrospecto recente da conferência Leste ao lado do Philadelphia. Apesar da eternidade toda de ruindade, o time não conseguiu capitalizar bons jogadores via draft. Aliás, colecionou dúvidas, fracassos e apostas questionáveis.

A sensação é que ninguém no time desencantou. Elfrid Payton é bom, mas joga em uma época que há pelo menos uma dúzia de armadores muito bons e bem melhores do que ele. Aaron Gordon parece ter talento, mas enfrenta a dúvida dos seus técnicos sobre a sua posição ideal e até hoje não conseguiu mostrar onde seria um jogador mais útil. Nikola Vucevic é um pivô útil ofensivamente, mas fraco na defesa (como dezenas que esquentam banco em outras equipes por aí). Mario Hezonja era o projeto de craque da equipe, mas hoje já é candidato a fiasco.

A temporada passada, que foi chave para várias franquias retomarem a esperança de um dia voltarem a ser bons times, foi uma zona para o Orlando. Péssimas trocas, negócios desfeitos e um dos maiores micos do ano: o vazamento de uma foto com todos os alvos do time na intertemporada deste ano – e a convicção de reformulação do time é tão fraca, que nenhum dos jogadores que interessavam naquela época acabaram indo para a franquia.

No final das contas, o time faz um processo de reconstrução fraco, torto e que não vai chegar a lugar algum. É bem provável que mais alguns anos de fracasso venham pela frente.

Offseason
O time manteve seu núcleo jovem e, até o momento, meio sem sal. Conseguiu um steal assinando com Jonathon Simmons, mas que é o tipo de jogador que faria sentido em um time mais bem estabelecido ao invés de uma franquia que amontoa jogadores jovens. Além dele, Arron Afflalo também assinou com o time, deflagrando a total falta de confiança em Mario Hezonja.

No draft, o time escolheu Jonathan Isaac, um jogador absurdamente atlético e que preenche bem a rotação da equipe. Mas no futuro o Magic pode ser cobrado por ter deixado passar Dennis Smith Jr, armador sensação que caiu no colo do Dallas Mavericks três escolhas depois.

Time Provável
PG – Elfrid Payton/ Shelvin Mack/ DJ Augstin
SG – Evan Fournier/ Arron Afflalo/ Mario Hezonja
SF – Terrence Ross /Jonathon Simmons/ Wesley Iwundu
PF – Aaron Gordon/ Jonathan Isaac/ Marreese Speights
C – Nikola Vucevic/ Bismack Biyombo

Expectativa
O time não é dos piores do Leste, que já é uma conferência fraca, mas ainda não é um dos oito melhores. Deve ficar na zona insonsa por mais um ano.

[Previsão 17/18] 76ers: o confronto da expectativa com a realidade

Adiado por um ano e com a adição de mais um provável super talento, o projeto de renovação do Philadelphia 76ers finalmente chegou ao seu ponto alto: aquele momento em que todos os calouros que o time queria foram reunidos e que agora precisam começar a jogar juntos para ver se formam um time realmente bom.

Individualmente falando, a equipe é muito empolgante. Markelle Fultz é considerado o melhor jogador do melhor draft dos últimos anos. Espera-se que Ben Simmons seja uma miniatura de Lebron James. Joel Embiid, no pouco tempo que jogou, mostrou ser um cara com excelentes recursos. Mas e juntos? Difícil saber o que vai sair dali.

A filosofia do time neste processo convicto de renovação sempre foi de buscar o maior talento disponível no draft na altura em que estiveram. Não condeno. Acho que, de maneira geral, é assim que tem que se fazer. O problema é que essa tática usada em exaustão talvez não resulte em um time tão bom, tão coeso a ponto de ter valido tanto tempo de ruindade.

Fultz é um armador no estilo combo guard que, em essência, joga com a bola na mão boa parte do tempo. Ben Simmons é um projeto de point-forward que também precisa dominar a bola. Embiid, quando jogou, se mostrou um buraco-negro (dos melhores que existem), em que todas as jogadas acabam nele prendendo a bola e arremessando. Até Dario Saric, mais discreto de todos, apareceu bem de fato quando teve mais ação no comando do ataque. Vai ter bola pra todo esse povo, super inexperiente, talvez sem toda a calma que ainda vão acumular ao longo da carreira, aparecer? E quando um deles não ‘performar’ tudo aquilo que se espera?Afinal só existe uma laranja no jogo…

Sem falar que o time já teve que se desfazer de Nerlens Noel e escancaradamente tentou despachar Jahlil Okafor pelo simples fato de ter selecionado muitos jogadores da mesma posição em drafts recentes – só aí, já dá pra ver que teve pelo menos uma temporada se esforçando para perder ‘desperdiçada’.

No papel, o time é empolgante, mas na prática ainda há muito a se trabalhar. A formação de um elenco talentoso é só parte do processo. Colocar esse povo para jogar, amadurecer e dividir méritos e responsabilidades é uma tarefa dura.

Offseason
O time fez certo. Conseguiu quem queria no draft e fez uma contratação cirúrgica de um veterano. JJ Redick é experiente, joga na posição mais carente da liga hoje e é um cara que sabe ser um excelente coadjuvante – mesmo que, para isso, tenha dado um caminhão de dinheiro ao jogador.

Time Provável
PG – Markelle Fultz / TJ McConnel / Jerryd Bayless
SG – JJ Redick / Nik Stauskas / Timothe Luwawu
SF – Ben Simmons / Robert Covington / Justin Anderson
PF – Dario Saric / Amir Johnson / James Michael McAdoo
C – Joel Embiid / Richaun Holmes / Jahlil Okafor

Expectativa
Há quem acredite que este time possa já brigar pelos playoffs. Acho muito otimismo com um time que dois dos principais caras sequer pisaram em uma quadra da NBA para um jogo oficial. Fazer este time jogar junto o ano inteiro e encontrar um padrão é um objetivo real e honesto, ao meu ver. Se conseguir isso agora, ano que vem dá para pensar seriamente em playoffs.

[Previsão 17/18] Lakers: a esperança (e a pressão) chamada Lonzo Ball

A história do Los Angeles Lakers tem uma marca bem definida: a franquia é feita de grandes estrelas. Com a aposentadoria de Kobe Bryant, o time parecia desorientado no seu processo de reconstrução. Tinha bons valores, finalmente encontrou um técnico que parece decente, mas não parecia ter aquele jogador com banca suficiente para carregar o fardo de super estrela da equipe.

Dos garotos mais talentosos do time, D’Angelo Russell era o que melhor vestia a capa da responsabilidade. Ao mesmo tempo, nunca conseguiu convencer a todos de que ele era esse cara mesmo. Foi aí que meteram o botão shuffle em LA e decidiram que precisaram repensar os planos da equipe. Isso aconteceu justamente com a chegada de Magic Johnson, atro-mor da história da franquia, para comandar o front office.

Magic, armador lendário da liga, parece que tinha a mesma desconfiança em relação a Russell e entendeu que não seria ao seu redor a construção de um novo Lakers, pós-Kobe. Trocou D’Angelo com a promessa de trazer algum craque na próxima offseason e draftou o calouro Lonzo Ball, jogador mais hypado da liga no momento sem sequer ter pisado em quadra ainda.

Como a vinda de um Lebron James, Paul George ou sei lá de mais quem ainda é só uma promessa para daqui um ano, o projeto mais real de craque que o Lakers aposta para o momento é o seu calouro.

Por um lado, a experiência será válida. Lonzo chega com toda a pressão possível sobre seus ombros num teste de fogo para ver se tem cacife para um dia ser uma lenda da franquia, como seu pai diz que é.

Por outro, pode ser que essa mesma pressão seja um limitador do talento de um garoto tão jovem que ainda tem uma carreira inteira pela frente.

Offseason
O time abriu mão de D’Angelo Russell e Timofey Mozgov em troca de Brook Lopez e espaço na folha salarial em um futuro próximo. Lopez é um excelente jogador no ataque, um dos melhores pontuadores no garrafão, que agora resolveu chutar de fora. Não sei se o time pretende ficar com ele por mais tempo, mas ao menos por essa temporada, tem tudo para ser o cestinha do time e formar uma dupla divertida com Julius Randle.

(Elsa/Getty Images)

Time Provável
PG – Lonzo Ball/Tyler Ennis
SG – Kentavious Caldwell-Pope/ Jordan Clarkson/Josh Hart
SF- Brandon Ingram/ Luol Deng / Corey Brewer
PF- Julius Randle /Larry Nance Jr / Kyle Kuzma
C- Brook Lopez/ Ivica Zubac

Expectativas
É de se esperar um time mais competitivo em quadra, mas não muito acima na tabela do que se viu no ano passado. A regra desta temporada é essa: no Oeste, só vai se dar bem quem for muito bom. Não é ainda o caso do Lakers. Individualmente, dá para esperar muita pressão sobre Lonzo Ball – e caso ele corresponda minimamente isso, dá pra imaginar que ele seja um dos grandes personagens da temporada.

[Previsão 17/18] Suns: garotos em uma liga de adultos

Lembro de ter sido achincalhado quando, nessa mesma época no ano passado, falei que o Suns era um time desinteressante e que a temporada do time só serviria para a gente ver como Devin Booker era bom. Não quero ficar me gabando por nada, mas acho que foi um palpite certeiro: Booker virou um dos jogadores jovens mais festejados da liga apesar do Phoenix ter ficado em penúltimo no campeonato.

As semanas finais da temporada foram tão enfáticas em confirmar isso que o time deu férias antecipadas a boa parte do elenco e Booker anotou 70 pontos em uma partida.

Para este ano, imagino o time um degrau mais maduro na escala evolutiva dos times em formação da NBA. Tem uma estrela, bons coadjuvantes jovens e conseguiu um calouro que parece promissor.

No entanto, o Oeste é um ambiente muito hostil para um time tão inexperiente. Em outras medidas, é um cenário parecido com o que Lakers, Pelicans e Nuggets vão enfrentar, cada um na sua situação: por mais que todos tenham evoluído, os melhores times da conferência também melhoraram. Seria preciso mais do que uma melhora gradual para mudar de patamar, para se destacar.

Acho que se a temporada de agora servir como uma peneira para, definitivamente, mostrar com quem a franquia pode contar para os próximos anos e quem é descartável, já vai ser de bom tamanho. Digo isso porque algumas peças do time ainda vivem no limbo do elenco. Dragan Bender vai ser o cosplay do Kristaps Porzingis que muita gente esperava ou vai continuar apagado? Eric Bledsoe está comprometido com o futuro do Suns? Alex Len é jogador de NBA?

Se estes meses de temporada responderem estas e outras perguntas, já vai ter sido um ano válido. A partir disso, a franquia poderá atacar os free agents de maneira mais precisa e eficiente, investindo no que não funcionou e reforçando o que tem de bom.

Fora isso, será mais uma temporada para azeitar as peças do time. Booker se consolidar como um dos principais cestinhas da liga, Josh Jackson mostrar que é um ala promissor dos dois lados da quadra e TJ Warren e Marquese Chriss evoluírem tecnicamente como alas sólidos são objetivos realistas e interessantes para se trabalhar.

(AP Photo/Ross D. Franklin)

Offseason
Parte da justificativa para o Phoenix Suns ter evoluído natural e timidamente é a inoperância do front office nos últimos meses. O time ensaiou assinar com algum medalhão, como Blake Griffin, tentou trocar por algum especialista já consolidado na liga, como DeAndre Jordan e até entrou forte nas conversas para receber o insatisfeito Kyrie Irving (era o favorito até a proposta do Boston Celtics aparecer), mas nada aconteceu. Tivesse rolado alguma das situações acima, o time facilmente pularia algumas etapas, mas aparentemente isso vai ficar para a próxima temporada.

Time Provável
PG – Eric Bledsoe / Tyler Ulis / Mike James
SG – Devin Booker / Davon Reed / Elijah Millsap
SF – Josh Jackson / TJ Warren / Derrick Jones Jr
PF – Marquese Chriss / Dragan Bender / Jared Dudley
C – Tyson Chandler / Alan Williams / Alex Len

Só Booker tem lugar cativo neste time. O melhor momento e, principalmente, o maior potencial são os fatores que vão definir quem vai ocupar cada posição com o passar dos jogos. Eric Bledsoe, a princípio, é outro titular intocável, mas o seu comprometimento questionável e sua saúde frágil podem colocá-lo de lado. Josh Jackson, Warren e Chriss devem disputar duas posições nas alas.

Expectativa
O time melhorou, mas ainda não é páreo para o restante do Oeste. É um time de garotos em uma liga de adultos. Deve ser um dos últimos na conferência – o que, na prática, é até mais útil do que tentar ir bem e perder algumas chances valiosas no próximo sorteio do draft.

[Previsão 17/18] Nets: o novo sentido da curva

Assim como no ano passado, vou fazer uma série de previsões, time por time, para a temporada que começará daqui algumas semanas (um mês e pouquinho). A ideia aqui é a mesma da vez passada. Não pretendo cravar nenhuma campanha (seria um chute completo), mas passar, de forma sucinta, pelas principais negociações da offseason de cada time, avaliar a formação provável para a temporada, ponderar as maiores dificuldades e desafios e, enfim, palpitar sobre qual deve ser o papel daquele time ao longo do ano.

O rito será o mesmo também: do pior time da temporada passada para o melhor. Por isso, a primeira previsão é do Brooklyn Nets. A franquia chega para a disputa em uma situação intrigante. Continua sendo uma das piores equipes da NBA e deve fechar a temporada com, sei lá, uma das quatro piores campanhas do Leste na temporada, mas contra todos os prognósticos possíveis tem conseguido se livrar da maldição que foi aquela troca comprometedora com o Boston Celtics de alguns anos atrás, quando pegou Kevin Garnett e Paul Pierce e alienou todas suas escolhas de primeiro round de draft pelos próximos quinhentos anos (quatro, na verdade).

Nas últimas duas offseasons, a impressão que dava era que o Nets teve seu futuro desperdiçado e que só conseguiria alguma coisa minimamente decente passados todos os anos de martírio sem suas escolhas de draft mais os anos em que continuaria ruim, mas, daí sim, com calouros. Em um cálculo realista, teria uma década inteira perdida até começar a atrair free agents e ter jogadores talentosos no elenco.

O time, no entanto, trabalhou surpreendentemente bem. Fez trocas cirúrgicas nas últimas temporadas para conseguir jogadores úteis e garimpou calouros interessantes com o pouco que tinha à disposição. Negociou contratos ruins, aceitou pegar outros piores ainda e, por isso, foi recompensado pelas outras equipes com atletas bons, mas em baixa – o que é altamente recomendável se fazer segundo qualquer cartilha de mercado, mesmo que seja da NBA – ou com escolhas de draft, algo que faltava ao time.

Dos últimos dois anos, só Rondae Hollis-Jefferson se mantém nos planos da equipe. Todos os outros jogadores foram negociados. Para um time que não tinha qualquer perspectiva de futuro, não é nada mal sair com D’Angelo Russell (segunda escolha do draft de três anos atrás), Caris LeVert, Jarrett Allen e o próprio Rondae Hollis-Jefferson.

Se o time ainda não tem chances de ir aos playoffs, pelo menos já adiantou a curva de recuperação em alguns anos. Uma boa perspectiva para um time que tinha o futuro condenado.

Nets se mexeu tanto, que só Hollis-Jefferson sobrou do time de dois anos atrás

Offseason
A intertemporada em Brooklyn foi mais um capítulo no processo de retomada do time. A principal negociação foi pegar Russell do Lakers (junto com Timofey Mozgov) e mandar Brook Lopez para Los Angeles. Lopez é um excelente jogador, um pontuador letal, mas não fazia sentido no Nets. D’Angelo, com todas as dúvidas que pairam sobre seu jogo, ainda é um jogador que tem uma carreira inteira pela frente, inclusive com a possibilidade de virar, em uma hipótese otimista, um legítimo franchise player.

Fora isso, o time ainda aceitou ficar com Demarre Carroll e seu contrato horroroso. Com isso, ganhou um ala útil e uma escolha de segundo round – um presente oferecido pelo Toronto para quem topasse ficar com a bigorna. Por fim, negociou com o Portland para pegar Allan Crabbe, jogador que saiu com um salário completamente inflado da offseason passada justamente porque o Nets ofereceu um contrato imenso para ele, que foi coberto pelo Blazers. Agora que o time do Oregon viu a besteira que foi dar tanto dinheiro para Crabbe, decidiu shoppar o jogador. O Nets topou – com a vantagem de ter um ano a menos para pagar o ala-armador.

Time Provável
PG – D’Angelo Russell / Jeremy Lin / Spencer Dinwiddie / Isaiah Whitehead
SG – Allan Crabbe / Caris LeVert / Sean Kilpatrick
SF – Rondae Hollis-Jefferson / Demarre Carroll
PF –  Trevor Booker / Quincy Acy
C – Timofey Mozgov / Jarrett Allen

O time está muito mais carregado na armação do que no front court. Por mais que a princípio Russell e Crabbe sejam as opções mais indicadas para começar nas posições 1 e 2 do time, Jeremy Lin pode pintar no time titular ou, na pior das hipóteses, ser daqueles reservas que jogam quase 30 minutos por jogo. RHJ, Carroll e Booker são versáteis o suficiente para que a formação do time seja bem variada ao longo dos jogos.

Expectativa
O time vai continuar sendo um dos piores da NBA e isso vai continuar não servindo em nada para eles – a escolha agora é do Cleveland Cavaliers. Mesmo que não seja o melhor cenário do mundo, pelo menos a equipe tem mais incentivos para tentar ser um time melhor ao invés de entregar o ouro esperando um bom calouro no ano seguinte. Com a recente evolução, pelo menos não deve mais ser o último colocado.

Lendas Urbanas da NBA: Ersan Ilyasova não é quem você pensa

Parece desproporcional colocar Ersan Ilyasova, ala que já rodou por seis times da NBA e nunca conseguiu se firmar como um jogador muito útil na liga, na mesma série de posts de Lendas Urbanas que tem Michael Jordan, Magic Johnson, Patrick Ewing e Lebron James (ou mais precisamente, a mãe dele). Não é. Ele está aqui justamente porque, ao contrário dos demais, sua história, apesar de bem bizarra, é definitivamente a que mais parece ser real.

O papo é que Ersan Ilyasova é, na verdade, Arsan Ilyasov, um cara nascido no Uzbequistão (e não na Turquia, como ele alega) e é três anos mais velho do que constam seus registros. A identidade de um foi criada justamente quando a do outro foi apagada.

A suspeita surgiu quando Ilyasova tinha 15 anos e começou a dominar os campeonatos turcos e europeus de basquete juvenil. Ninguém nunca tinha visto aquele moleque antes. Não só no meio do esporte, nos clubes e competições. Ninguém conhecia ele. Nem mesmo o governo turco o reconhecia. Seu pai, semanas antes, tinha procurado as autoridades para registrar o adolescente, alegando que tinha ‘esquecido’ de fazer a certidão de nascimento quando ele nasceu, quinze anos antes.

Isso era em 2002. Um mes antes, ainda no mesmo ano, um jovem de 18 anos e de nome Arsan Ilyasov tinha saído do Uzbequistão, atravessado algumas fronteiras, até desaparecer na divisa da Turquia. Nunca mais alguém ouviu qualquer notícia do rapaz.

De fato, os registros dizem que Arsan chegou à Turquia no dia 7 de agosto e no dia 19 de setembro Ersan foi registrado naquele país pelo seu suposto pai – que se chamava Semsettin Bulut e nem tinha o sobrenome Ilyasova.

(Bill Streicher-USA TODAY Sports)

A federação uzbeque de basquete levou a história à Fiba. Alegava que aquele cara já tinha jogado pela seleção do país, que tinha desaparecido e que – era o que incomodava, na real – não tinha apenas 15 anos, mas 18. A fuga de um país para o outro seria uma tática do pai do garoto para fazer com que ele se destacasse no esporte. A Fiba, no entanto, não puniu nem os turcos, nem o atleta, alegando falta de provas mais concretas.

Ninguém sabe muito bem a repercussão da história por lá. Se os EUA não dão muita bola para o resto do mundo, imagine para migrantes de países que eles mal sabem que existem, que usam alfabetos diferentes e que não parecem ser dos mais transparentes que se tem conhecimento. O caso só chegou aos americanos em 2005, quando um olheiro especializado em draft abriu toda a polêmica em um texto em um site que cobre calouros e prospectos – ressaltando que Ilyasova era um grande talento, mas que carregava uma certa desconfiança pelo passado dúbio.

De lá para cá, a polêmica sempre foi lembrada em alguns momentos da carreira do jogador e algumas evidências foram reunidas. Por exemplo, que Ilyasova sequer é um nome comum na Turquia. Outra é de que seus pais hoje moram na Criméia, região da Rússia que quer se emancipar e que abriga o povo Tártaro, que no meio do século passado se refugiou em massa no… Uzbequistão.

O interesse das pessoas, no entanto, não passa disso. No máximo, há análises falando que a renovação ou contratação de Ilyasova pode não ser tão útil já que é preciso considerar que ele talvez seja mais velho do que diz – depois de rodar quatro times em um ano e meio, Ersan jogou muito bem no Sixers, por exemplo, mas foi descartado pelo time, já que os planos da franquia são de buscar jovens talentos (e foi ponderado que ele até seria interessante aos 30 anos que diz ter, mas não aos 33 que cogita-se que tenha).

Não achei em nenhum lugar qualquer questionamento feito ao próprio jogador, nem alguma declaração dele desmentindo, explicando ou comentando a história. Se tem, está em algum registro indecifrável para nós. E mantém o mito da lenda.

Lendas Urbanas da NBA: Como Magic Johnson está vivo se é HIV positivo há 25 anos?

Para muita gente, mais chocante do que o anúncio de que tinha contraído o vírus da Aids em pleno auge da carreira é o fato de Magic Johnson, 25 anos depois, ainda estar vivo. Por não dar nenhum sinal aparente da doença, fugir do estereótipo dos portadores do vírus (especialmente naquela época em que muita gente era ignorante sobe o tema) e ter tido um filho HIV negativo mesmo depois de ter sido infectado, há uma lenda que diz que o ex-armador do Lakers foi curado após uma viagem ao Quênia, em que visitou um bruxo que trabalha com ervas terapêuticas que tirou o vírus do seu corpo.

Para entender a loucura conspiratória é preciso voltar um pouco no tempo. Magic anunciou que tinha o vírus no começo dos anos 90, quando as pessoas ainda estavam descobrindo a epidemia da Aids. Até aquele momento, para a maioria esmagadora das pessoas o HIV era um vírus exclusivo de gays e viciados em drogas. Muita gente sequer imaginava que era possível um que um atleta, homem, heterossexual pudesse ser infectado – Johnson admite que até foi por isso, por essa ignorância, que acabou contraindo o vírus, pois não achava que era necessário se proteger.

O próprio anúncio de Magic foi feito em meio a uma tensão de desconhecimento, como se ele fosse morrer por causa da doença em poucos meses ou anos. Ninguém sabia dos riscos e muito menos das consequências. E o histórico dos casos não era animador mesmo. Mas ele venceu todos estes prognósticos.

As teorias já tinham algum corpo por Magic não ser gay e por ser uma pessoa querida por todos – e muita gente se recusava a aceitar que a Aids poderia acometer qualquer pessoa e não somente aquelas de um grupo marginalizado à época. Elas ganharam mais coro ainda quando se soube que nem sua esposa, Cookie, e nem seu filho, EJ, que nasceu depois disso tudo, eram HIV positivo.

Para completar, Magic Johnson não deu nenhum sinal de abalo na sua saúde desde então. São duas décadas e meia convivendo com o vírus, mas sem sinais da doença – pelo menos para a gente, que vive à distância e não acompanha seus cuidados, hábitos e eventuais dificuldades.

Por mais que o mito sobre a Aids tenha sido esclarecido e só gente bem ignorante ainda não entende como ela funciona, que todos estão sujeitos ao perigo e tal, há um coro que pergunta: como um cara teria Aids, não passou para a mulher, teve um filho sem o vírus e continua vivendo ‘numa boa’ duas décadas e meia depois?

Uma história surgiu há algum tempo que Johnson teria viajado ao Quênia para se encontrar com um curandeiro que teria arrancado o vírus do seu corpo e por isso nunca deu nenhum sinal da doença. Um outro cara, chamado Dr. Sebi, também alega ter curado Magic Johnson – junto com John Travolta e Eddie Murphy, que eu nunca soube que tinham Aids, mas tudo bem.

O próprio Magic desmente tudo isso. Ele, como porta-voz do combate ao HIV, garante que não está curado simplesmente por não existir uma cura ainda – e de um modo bem responsável sempre alerta para o risco eminente do vírus. O lance é que Magic sempre foi um cara saudável e que, milionário que é, teve acesso aos melhores e mais desenvolvidos tratamentos que existem – é, inclusive, garoto-propaganda de um laboratório. Por fim, Magic parece fazer parte de um grupo de portadores do vírus chamado LTNP, que ficam com o HIV armazenado no corpo durante muitos anos, mas sem se manifestar. Não é um privilégio exclusivo do jogador.

Mas claro que há quem duvide de tudo isso. Como há quem ache que a Aids foi uma doença criada pelo governo americano para controlar a população e exterminar alguns grupos de pessoas. Tem de tudo no mundo. Uma pena.

Confira a lista de jogos transmitidos pela ESPN na próxima temporada

A pouco mais de um mês do início da temporada da NBA, a ESPN divulgou a lista de jogos que irá transmitir na temporada regular. Segundo o anúncio da própria emissora, é praticamente o mesmo número de jogos do ano passado, aumentando de 131 para 134 – apesar de eu, contando a lista divulgada, só ter visto 125 jogos de temporada regular.

O canal vai ter os direitos de transmitir, ainda, com exclusividade as decisões do Leste e as finais da NBA. A Sportv deve ter direito às finais do Oeste – as duas emissoras têm os direitos revezados ano a ano.

Uma desvantagem perante o ano passado é que nesta temporada alguns times não terão qualquer transmissão pela ESPN, segundo a lista deles. Outros dez vão ter menos de dez jogos exibidos. As torcidas de Bulls, Mavericks, Suns e Knicks, grandes no Brasil, se ferraram. Pelo menos achei inteligente passar mais jogos de Timberwolves e Lakers, dois times interessantes para este ano. Enfim, isso ao menos justifica minha assinatura do League Pass sem peso na consciência.

A lista completa dos jogos você confere no site deles, neste link aqui. Quando a Sportv anunciar as suas transmissões, eu ressuscito a página do blog com o calendário geral, ok?

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