Depois de muitos anos sendo uma equipe sólida, com presença garantida nos playoffs, o Atlanta Hawks finalmente partiu para a reconstrução total do seu elenco.

O time resistiu. Com uma filosofia importada do San Antonio Spurs, acreditou que era possível se reforçar, trocar as peças sem ter que entregar o ouro, sem ter que perder de propósito. Mas não há plano nem cultura de franquia que resista a uma debandada geral e a uma freguesia eterna nos playoffs. Seus principais jogadores aparentemente cansaram de perder repetidas vezes para Lebron James (seja no Cavs, seja quando ainda era do Heat) e reforçaram seus rivais. Sem bala na agulha para atrair free agents do mesmo quilate, o time partiu com algum atraso para a reconstrução total do elenco.

No ano passado já começou a limpar sua folha salarial trocando Kyle Korver por nada. Nesta offseason, continuou forte no processo: despachou Dwight Howard por uma escolha de segundo round, nem tentou renovar com Paul Millsap e ainda não fez a menor questão de entrar em um leilão por Tim Hardaway Jr. O resultado foi um time completamente esvaziado de talento.

Como nem tem muitos jovens promissores, o time precisa começar a ter a pior campanha possível pelos próximos anos para ver se consegue acumular alguma coisa útil enquanto agoniza, mais ou menos o que Lakers e Sixers fizeram nas últimas temporadas. Quanto mais jogos perdidos, melhor para o grande plano das coisas do Hawks.

Neste meio tempo, a franquia será uma peneira permanente. Os olhos da comissão técnica estarão voltados para aqueles que tiverem potencial e os jogadores, por pior que sejam, terão tempo de jogo para mostrar serviço.

Neste cenário, por exemplo, que veremos se Dennis Schroder é um armador com excelente potencial para ser pontuador também ou se é um shooting guard queimador de bola preso no corpo de um point guard minúsculo, se Taurean Prince é um defensor qualificado ou se só preenche a cota de jogadores esforçados, se John Collins é esse ala-pivô refinado com potencial de estrela hipster ou se não passa de mais uma ilusão de Summer League.

(Dale Zanine-USA TODAY Sports)

O resto do time só tem de relevante o fato de contar com um jogador que finge ser outra pessoa (Ersan Ilyasova), um dos jogadores-torcedores mais animados da liga (Kent Bazemore) e o mérito de ser o primeiro elenco da história da NBA que tem dois DeAndres (Liggins e Bembry) – DeAndre está para o basquete assim como Wendel está para o futebol, ambos nomes absolutamente incomuns na vida real, mas relativamente frequentes nos respectivos esportes.

Por mais que exista aí alguma coisa digna de nota, o Atlanta Hawks será o time mais desinteressante da temporada. Salvo alguma surpresa muito agradável, não há muita esperança de ter um jogador imperdível para se acompanhar, o time deve entrar com dezenas de formações diferentes ao longo do ano e o resultado da maioria dos jogos pode ser antecipado como uma retumbante derrota. O Hawks será ruim e nem deve ter nada de curioso que nos faça assisti-lo.

Aliás, ninguém vai ver isso. O time tem péssimas médias de público e só tem um jogo agendado para transmissão no Brasil. Melhor assim. Pra todo mundo.

Offseason
O time se desfez de tudo para ter o pior time possível, com um elenco barato, que garanta uma campanha horrível neste ano. Pegou no draft um jogador que foi um dos maiores destaques na Summer League – o que, na prática, não quer dizer muita coisa.

Time Provável
PG – Dennis Schroder / Malcolm Delaney
SG – Kent Bazemore / Marco Bellineli / John Jenkins / DeAndre Liggins
SF – Taurean Prince / DeAndre Bembry / Nicolas Brussino
PF – Ersan Ilyasova / John Collins / Luke Babbitt
C – Dewayne Dedmon / Mike Muscala / Miles Plumlee

Expectativa
Ser o pior time da temporada. A briga será dura contra o Chicago Bulls, mas eu confio que o Atlanta Hawks consegue ser ainda pior.

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