Se o problema do Oklahoma City Thunder era a falta de companhia qualificada para Russell Westbrook, Sam Presti e o front office da franquia trabalharam para encontrar uma solução. A offseason foi movimentada para a modesta cidade do Meio-Oeste americano e duas estrelas gigantescas da liga, Paul George e Carmelo Anthony, desembarcaram no aeroporto mais bizarro das cidades que abrigam times da NBA (já notaram?).

Como não é um destino comum para free agents, o time trabalhou nas oportunidades. E transformou água insalubre em vinho de primeira. Primeiro aproveitou o anúncio de Paul George, que disse estar disposto a ir para Los Angeles na próxima offseason e fez seu valor para trocas despencar, para praticamente extorquir o Indiana Pacers. Como quase ninguém na NBA estava disposto a pagar pelo aluguel de um ano do jogador, o Thunder mandou um prospecto relativamente interessante (Domantas Sabonis) e um jogador que vive no limiar entre a decepção e a esperança de ainda virar alguma coisa interessante (Victor Oladipo), com o agravante de ter o salário de uma estrela.

Depois, quase no final da inter-temporada, entrou na briga por Carmelo Anthony, que inicialmente nem estava interessado em se juntar à equipe. Mostrou que a equipe estava pensando grande e que esta seria a única equipe viável para ele disputar alguma coisa decente no próximo ano. Melo, que tinha o direito contratual de escolher para onde iria, comprou a ideia e se juntou a Paul George e Russell Westbrook. Na negociação, o OKC conseguiu se livrar de outro contrato-bigorna, de Enes Kanter.

A princípio, o plano era mostrar a Russell que o time tinha bala na agulha para se mexer e rodeá-lo de talento e, assim, fazer com que o armador assinasse a extensão contratual que estava desde o ano passado na sua gaveta. O medo era que Westbrook tivesse mais uma temporada exaustiva e sem resultados coletivos muito significativos e que isso o motivasse e buscar novos ares.

A tática deu certo e Westbrook assinou o contrato mais caro da história da liga, mais de 200 milhões pelos próximos 5 anos. Só por isso, a offseason em Oklahoma já foi exitosa. Sem contar que a renovação de Russ pode ajudar os seus colegas a se decidirem por continuar por lá. Uma coisa leva a outra.

É um desfecho bem surpreendente e positivo para uma franquia traumatizada pela saída de Kevin Durant no ano passado. A menos que a reunião dos jogadores seja desastrosa – o que acho improvável -, o baque foi superado.

Aliás, ter três jogadores deste calibre vai exigir mudanças radicais no time. De uma hora pra outra, a ‘dor de cabeça’ do técnico Billy Donovan migrou de um extremo ao outro. Antes o problema era fazer alguém dividir minimamente a responsabilidade com Russell. Agora, o desafio é dividir inteligentemente as tarefas de cada um destes caras, todos muito acostumados a dominarem a bola em seus antigos times.

Acho que não será tão complicado quanto se brinca por aí. Carmelo Anthony é fominha, mas nunca teve na NBA colegas tão talentosos, no auge, quando os dois novos companheiros. Quando jogou com gente assim, como na seleção americana, teve alguns dos melhores desempenhos na carreira. Mesmo que na liga o buraco seja mais embaixo, acho que a mudança de perfil dele quando Porzingis chegou ao Knicks é uma boa medida de como ele é capaz de se reinventar e melhorar quem joga ao seu redor.

(Mark D. Smith-USA TODAY Sports)

Paul George me parece um cara naturalmente disciplinado neste ponto – apesar da rebeldia nos momentos finais de Pacers. É excelente na defesa quando quer e tem um bom jogo sem a bola.

Por fim, Russell continua sendo o dono do time. Mesmo a concorrência pela posse da bola deve afetar menos ele do que seus colegas – aliás, imagino um impacto positivo no seu ataque, já que as defesas rivais terão que dividir suas ações entre os três (se ele já fez chover no ano passado com times inteiros o marcando, imagine agora…).

Offseason
Foi revolucionária. Além de conseguir Paul George e Carmelo Anthony mandando ‘só’ Victor Oladipo, Domantas Sabonis, Enes Kanter e Doug McDemortt, o time ainda pegou o excelente reforço Patrick Patterson, um jogador versátil e muito útil para sair do banco de reservas, e Raymond Felton, um armador experiente para os momentos que Westbrook precisar descansar.

Time Provável
PG – Russell Westbrook / Raymond Felton / Semaj Christon
SG – Andre Roberson / Alex Abrines / Terrance Fergunson
SF – Paul George / Kyle Singler / Josh Huestis
PF – Carmelo Anthony / Patrick Patterson / Jerami Grant
C – Steven Adams / Nick Collison / Dakari Johnson

Expectativa
Sem os reforços, o Thunder já mostrou ter cacife para se classificar ali para os playoffs do Oeste. Com George e Anthony, o time briga pela segunda posição na conferência com Houston Rockets e San Antonio Spurs, com a desvantagem de ter o técnico menos criativo e ter que fazer mais ajustes.

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