Hoje é praticamente sobreviver na NBA sem saber executar bem uma variedade relativamente grande de jogadas a partir do pick and roll – 1/3 de todos os movimentos de ataque começam com essa jogada na liga atualmente. Mesmo que hoje jogadores usem o movimento de forma muito mais refinada e complexa, as maiores referências no assunto ainda são dois caras que eternizaram o lance há mais de duas décadas: Karl Malone e John Stockton.

A dupla tinha as habilidades básicas necessárias para a execução do pick and roll perfeito. Stockton era um excelente passador e um arremessador com uma ótima mira, enquanto Malone era um dos jogadores mais fortes da NBA para fazer o bloqueio ao mesmo tempo que era ágil o bastante para cortar para cesta e preciso o suficiente para finalizar a jogada assim que a bola chegasse em suas mãos.

Com certeza absoluta Ricky Rubio, recém chegado ao time, e Rudy Gobert estão a anos-luz da dupla mais clássica do Jazz, mas os dois tem plenas condições de reviver a tradição da jogada em Utah de forma bastante eficiente, como nunca mais se viu por lá desde que Stockton se aposentou e Malone saiu para tentar um título pelo Lakers.

Por mais que seja tratado como um fracasso na NBA – principalmente pela diferença entre expectativa e realidade -, Rubio é um dos melhores passadores de toda a liga. Se movimenta bem pela quadra, tem um QI de basquete altíssimo e consegue enxergar os mínimos espaços para encontrar seus colegas na melhor posição para finalizar. Gobert, por sua vez, é um excelente finalizador colado ao aro – seu físico esguio, com braços enormes, ajuda muito nisso, e sua técnica tem melhorado com o tempo neste sentido também.

Nas últimas temporadas, os dois já mostraram muita eficiência na finalização de jogadas a partir de pick and roll – isso que Gobert jogou com George Hill no ano passado, um bom jogador, mas que não é um passador brilhante. Combinados agora, os dois podem formar uma dupla imparável nesse tipo de lance.

Uma preocupação seria o chute de Rubio de fora. Como não é um chutador consistente, a finalização da jogada pode ficar muito manjada. É verdade. Mas também é preciso reconhecer que o arremesso do espanhol tem evoluído com o passar do tempo, mesmo que muito lentamente.

E mais do que tudo isso, poucas duplas devem ser tão gabaritadas defensivamente para parar do armador ao pivô adversário quanto a combinação formada em Salt Lake City. Gobert é um excepcional defensor. Entre os pivôs, é o mais ágil para cobrir do perímetro ao garrafão. Rubio, um degrau abaixo, é um marcador de elite. Ambos combinados em um dos melhores esquemas defensivos devem ser suficientes para desmontar qualquer ataque da liga.

Entendo que o time vá sofrer um pouco com a saída de Gordon Hayward, seu melhor jogador dos últimos anos. Mas é verdade também que Hayward nunca fez o estilo franchise player dominante, o que o torna mais substituível, especialmente quando se tem um técnico talentoso e um time voluntarioso.

Joe Ingles não tem a qualidade de Gordon, mas tem características parecidas: cai como ala, puxa as jogadas, marca bem, é versátil. Joe Johnson, mesmo se arrastando em quadra, também faz este papel bem.

Se Rodney Hood continuar caminhando para se tornar um shooting guard confiável e Derrick Favors conseguir minimamente jogar ao lado de Gobert, acho que o Jazz tem condições de manter uma pegada parecida com a da temporada passada.

Offseason
O time perdeu dois dos seus melhores jogadores, Gordon Hayward e George Hill. Mas repôs bem o elenco com um calouro que foi uma steal do draft, Donovan Mitchell, uma estrela do basquete europeu que terá uma segunda chance na NBA, Ekpe Udoh, além, claro, de Ricky Rubio. No final das contas, o time aposta mais do que nunca na cultura da franquia, de um basquete coletivo e de muito esforço defensivo.

Time Provável
PG – Ricky Rubio / Raulzinho / Dante Exum
SG – Rodney Hood / Alex Burks /Donovan Mitchel
SF – Joe Ingles / Joe Johnson /Thabo Sefolosha
PF – Derrick Favors / Jonas Jerebko
C – Rudy Gobert /Ekpe Udoh / Tom Bradley

Expectativa
Vejo o Jazz no bolo dos times que são favoritos aos playoffs, mas entre a quinta e oitava posição. Perdeu bons jogadores, não é o time com mais talentos individuais, mas formou um núcleo que funciona coletivamente.

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