Há quatro anos, quando o Boston Celtics mandou Paul Pierce, Kevin Garnett e Jason Terry para o Brooklyn Nets em troca de infinitas escolhas de draft de primeiro round, o maior campeão da história da NBA começou a se preparar para o futuro. O plano de Danny Ainge, general manager da franquia, era reestruturar a franquia do zero, formar um núcleo sólido e reerguer o time em alguns anos.

O plano ficou ainda melhor quando em pouco tempo o Nets virou pó e aquelas escolhas de draft passaram a valer ouro. Em tempos que franquias passaram a se esforçar descaradamente para perder e subir na tábua de seleção dos calouros, o Boston tinha uma condição única: podia tentar ganhar, ir se reforçando que, mesmo assim, só dependia do fracasso natural do Brooklyn para pescar novos talentos via draft.

Com esta e outras negociações, o Celtics escolheu oito jogadores de primeiro round em quatro anos. Ainda pegou outros dez jogadores de segundo round do draft. Paralelamente, ainda foi trabalhando bem nas trocas e assinatura de free agents. Com a promessa de ter um time forte para o presente e ainda melhor para o futuro, pegou Al Horford do Atlanta Hawks, trocou um cacho de bananas por Isaiah Thomas e, pouco a pouco, foi montando um time sólido, pronto para um dia estourar.

Se por um lado o time de fato começava a responder, a ganhar e dar bons resultados, a torcida passou a ter a sensação que aquele plano mirabolante de se tornar uma superpotência via draft não estava saindo exatamente como tinha sido desenhado. James Young, Terry Rozier, RJ Hunter, todos selecionados no draft, não vingaram. Outros vários ainda nem tinham pisado numa quadra da NBA. Jaylen Brown, o melhor calouro de todos, ainda era uma aposta para o futuro.

Até que nesta offseason surgiram as oportunidades para o time tentar subir de patamar de fato. Primeiro veio o sorteio do draft que deu a primeira escolha ao time – que, interessado em Jayson Tatum, trocou com o Philadelphia 76ers pela terceira escolha e uma pick futura. Depois, a boa vontade de Gordon Hayward, um dos principais jogadores sem contrato neste ano, em assinar com o time do seu antigo técnico dos tempos de universidade. Por fim, o pedido de Kyrie Irving para ser trocado, que casou perfeitamente com a falta de convicção do Celtics quando ao futuro de Isaiah Thomas.

(Jim Davis/Globe Staff)

O time pode não ser uma potência tão óbvia quanto Cleveland, Golden State, Oklahoma ou Houston, que reúnem estrelas consagradas sob o mesmo teto, mas é, sem dúvidas, um excelente projeto de supertime. Kyrie Irving é espetacular e vai ter toda a chance de provar se pode carregar ou não um time como referência técnica da equipe. Gordon Hayward e Al Horford são excelentes complementos a Kyrie – fazem o estilo coadjuvantes, mas são dos jogadores mais eficientes que existem no jogo hoje. Sou muito fã de Marcus Smart, que agora terá mais tempo de quadra e terá uma responsabilidade gigantesca de ser o capitão da defesa do perímetro do time. Por fim, o elenco ficou ligeiramente mais liberado para que Jaylen Brown e Jayson Tatum mostrem porque foram draftados em posições tão privilegiadas.

(John Tlumacki/The Boston Globe)

Eu vejo no Boston de hoje um pouco da estrutura do Golden State Warriors de uns anos atrás: um time que foi muito bem amarrado com escolhas cirúrgicas de calouros (Stephen Curry, Klay Thompson, Draymond Green, Harrison Barnes), mas que cresceu como uma potência com jogadores consagrados (David Lee, Andre Iguodala, Andrew Bogut, Monta Ellis).

Acho, no entanto, que este ainda não é o ano do Boston. Por mais que o time já seja bom, o elenco foi sensivelmente modificado. Da equipe que fechou a temporada passada, só sobraram Jaylen Brown, Al Horford, Terry Rozier ae Marcus Smart. De resto, todo mundo é recém-chegado. Vai tempo até que o excelente Brad Stevens consiga dar uma cara e um padrão ao grupo.

Como a conferência Leste é uma teta, o time deve ficar nas cabeças, mas ainda acho que não chega maduro o suficiente para derrotar, eventualmente, Cleveland Cavaliers ou, na melhor das hipóteses, o campeão do Oeste. Mas tudo bem, o plano do Boston é maior e mais duradouro do que isso.

Offseason
Foi intensa. Começou trocando a primeira escolha do draft em um movimento ousado. O time tinha a convicção de que Jayson Tatum seria mais útil e foi atrás do jogador. Assinou com Gordon Hayward e, para isso, precisou mandar Avery Bradley para o Pistons e pegar Marcus Morris. Também mandou meio time para o Cleveland Cavaliers para ficar com Kyrie Irving. Viu 11 jogadores saírem do elenco e contratou 12.

Time Provável
PG – Kyrie Irving / Marcus Smart / Kadeem Allen
SG – Jaylen Brown / Terry Rozier / Abdel Nader
SF – Gordon Hayward / Jayson Tatum / Semi Olejeye
PF – Marcus Morris / Guerschon Yabusele
C – Al Horford / Aaron Baynes

Expectativa
Por mais que o time já seja bom, não vejo ainda como postulante ao título. É o primeiro na fila das zebras. Fora isso, prevejo uma equipe tentando encontrar sua identidade, formando seus calouros e segundo-anistas. Deve chegar à final de conferência.

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