Não parece inteligente tirar as bolas das mãos do jogador que mais distribuiu assistências na temporada passada, justamente na sua estreia como armador principal do time. Também não parece uma boa ideia abrir mão do seu banco de reservas inteiro quando ele é o que mais faz pontos por minuto em quadra.

No entanto, burrice seria deixar passar a chance de ter Chris Paul no time, um dos melhores armadores de todos os tempos e o mais talentoso desta geração. Paul queria ir para Houston e o time fez o que foi possível para acomodá-lo na equipe – nem que isso significasse abrir mão de dois grandes trunfos que fizeram do Rockets uma das melhores equipes da temporada passada.

A aposta de que mesmo mudando a fórmula as coisas vão funcionar se baseia na capacidade comprovada de James Harden, Mike D’Antoni e do próprio Paul, aliada à necessidade dos três em provarem que podem ser mais do que bons jogadores de temporada regular.

Hoje, se há um elo entre as três figuras, é a falta de sucesso na hora de decidir. Chris Paul, apesar de ser um jogadores excelente, de ter jogador por uma equipe ótima nos últimos sete anos, nunca alcançou sequer uma final de conferência. D’Antoni já sucumbiu algumas vezes no mata-mata depois de montar equipes que sobravam na temporada regular. Harden, com uma moral levemente mais preservada, teve viagens decepcionantes aos playoffs, como as de quatro e dois anos atrás pelo Rockets.

A sede pelo cala boca dos críticos deve servir de motivação para que todos se esforcem ao máximo para que tudo dê certo – até porque todos trabalharam duro para que esse encontro acontecesse.

Confio também na inteligência dos três. Harden mostrou ser mais do que um talento nato no ano passado ao moldar seu jogo para se transformar em um criador de jogadas – não só para ele, algo que já fazia muito bem, mas para seus colegas. Chris Paul sempre foi esse cara, apesar de não ter lidado muito bem algumas vezes que precisou dividir a bola no Clippers. E D’Antoni, que chegou com a moral estraçalhada na franquia ano passado, teve um dos melhores desempenhos entre os técnicos de toda a liga.

Até na divisão da minutagem, o comandante foi muito esperto. Espalhou o tempo de quadra de Harden, Patrick Beverley e Eric Gordon de um modo que o time sempre tivesse dois do trio em quadra, mas raramente todos juntos. Assim, o Hoston tinha um backcourt letal, bom na distribuição e eficiente no chute em quase todos os minutos de partida. Uma formula parecida, mas potencializada, deve ser utilizada agora.

Ter Harden e Paul no elenco não significa ter a dupla o tempo inteiro jogando junta. Mas quer dizer que o jogo inteiro o time pode ter um armador fenomenal criando jogadas. Mesmo que os dois comecem juntos, a minutagem dos dois nos quartos intermediários de partida podem ser mais bem distribuídos. Assim, não é preciso tirar muito a bola da mão de ninguém e ainda se garante um nível altíssimo de jogo o tempo inteiro de partida.

A dupla também casa muito bem com a cultura tática que o Houston Rockets tem consolidado com o passar dos anos. O time, por meio da figura do seu general manager, tem a convicção de que só vale a pena chutar a bola quando se está colado na cesta ou atrás da linha dos três pontos.

Tanto Harden (que já provou isso ano passado), como Paul são jogadores que são muito eficientes para chutar de fora e, ao mesmo tempo, conseguem atrair as atenções dos marcadores para distribuir a bola para quem está aberto para o chute de fora. Também são excelentes na execução do pick and roll, arma exaustivamente usada para abastecer Clint Capela e Nene no garrafão – o que ajudou muito Harden a ser o líder em assistências na temporada passada.

Offseason
O time se mexeu bem. Apesar de abrir mão de duzentos jogadores (meia dúzia deles bem útil) para ficar com Chris Paul, o time assinou com jogadores importantes que casam bem no modo de jogar da franquia, como Luc Mbah Moute e PJ Tucker. Perdeu a chance de buscar Carmelo Anthony ao oferecer um troco muito minguado para o Knicks.

Time Provável
PG – Chris Paul / Bobby Brown / Isaiah Taylor / Georginho
SG – James Harden / Eric Gordon / Tim Quarterman
SF – Trevor Ariza / PJ Tucker
PF – Ryan Anderson / Luc Mbah Moute / Cameron Oliver
C – Clint Capela / Nene / Tarik Black / Chinanu Onuaku

Expetativas
Imagino este time como o segundo melhor do Oeste, ultrapassando o San Antonio Spurs. Em uma eventual disputa de playoffs, acho que a defesa preocupa, mas a divisão de tarefas de James Harden com Chris Paul deve ajudar o time a ser mais perigoso em uma série de mata-mata.

 

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