A temporada da NBA começa hoje e, como de costume, grandes clássicos foram programados pelo iluminado rapaz que faz o calendário da liga. O Cleveland Cavaliers recebe o Boston Celtics, no encontro que reúne os dois melhores times do Leste e já coloca, logo de cara, Kyrie Irving contra seu ex-time. Mais tarde, o Houston Rockets, badalado desde a chegada de Chris Paul, vai a California enfrentar o atual campeão Golden State Warriors.

Há quatro anos, eu fui a uma noite de abertura da temporada da NBA também. Não tinha todo o tempero das centenas de trocas de jogadores deste ano, mas também estava carregada de expectativas – e tinha alguns dos personagens dos jogos de hoje.

O jogo que fui era um Miami Heat e Chicago Bulls, na Florida. Lembro que paguei caro pra cacete em um ingresso e fiquei lá na quinta da American Airlines Arena. Nada que prejudicasse o espetáculo ou visibilidade, mas já dá uma boa dimensão de como o jogo era badalado.

O Heat tinha acabado de se consagrar bicampeão da NBA. A campanha anterior do time tinha sido espetacular. Lebron James, Dwyane Wade e Chris Bosh levaram o time a uma série de 27 vitórias consecutivas durante a temporada regular – a segunda mais sequência da história da NBA – e venceram o San Antonio Spurs naquela série dramática, em que Ray Allen meteu um chute salvador para levar o sexto jogo para a prorrogação depois do Miami estar perdendo por uma diferença de 13 pontos.

O jogo, mais do que a abertura da temporada, foi uma celebração em homenagem à campanha passada, a mais espetacular da história da franquia. Eu lembro que ainda era uma novidade aquela projeção em 3D no piso da quadra e fizeram uma contagem regressiva lembrando as 27 vitórias seguidas. Alucinante!

Eu fiquei meio em transe naquele momento, encantado com tudo que passaram ali e turbinado pela cerveja – era o último dia das férias, tinha como objetivo gastar os últimos dólares da viagem em bebida e estava deslumbrado por poder, novamente, ver um jogo tomando cerveja – prazer do qual somos privados aqui em boa parte dos estados nos jogos de futebol.

O jogo era contra o Chicago Bulls, o único rival à altura para uma rodada de abertura. A maior expectativa rondava Derrick Rose. O jogador tinha sofrido a lesão mais séria da sua carreira até então, que o tinha tirado de ação por uma temporada inteira. Antes da catástrofe, o Chicago tinha sido a equipe de melhor campanha na conferência.

Os times também tinham se enfrentado na semifinal de conferência da temporada anterior. Desfalcado, o Bulls perdeu para o Heat por 4 a 1.

Eu pessoalmente também estava empolgadaço por estar no meu primeiro jogo in loco da NBA e por poder torcer para um dos principais jogadores do meu time no fantasy daquele ano, o ídolo Joakim Noah.

Eu pendurado no teto da American Airlines Arena

O negócio é que tudo foi sensacional, excitante e vibrante até que, de fato, começasse. Depois de um primeiro quarto morno, o Miami Heat ativou o modo apelão e atropelou o Bulls. No meio do segundo período, o time de Lebron engatou 15 pontos seguidos e abriu o placar em 39 a 20. Pronto, mal tinha começado e o jogo já tinha acabado.

O desenrolar da temporada também foi frustrante para os envolvidos: Heat perdeu o título para o Spurs, Lebron saiu do time, Rose teve mais um ano complicado com apenas 10 partidas jogadas e o Bulls cambaleou até que Tom Thibodeau caísse duas temporadas mais tarde.

Não sei se eu sou o pé frio ou se essa é uma lição de que a expectativa da estreia pode não ser nada mais do que uma boa dose de adrenalina represada, às vezes um pouco distante do que pode acontecer de fato.

Em todo caso, foi legal – apesar do Noah ter sido um lixo, ter terminado com ridículos dois pontos e me ferrado no jogo de estreia do fantasy.

Que a temporada, essa de agora, termine tão bem quanto promete começar.

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