Nem uma semana de temporada e o Phoneix Suns já arde em caos. Em uma diferença de mais ou menos duas horas, um dos principais jogadores do time escreveu nas suas redes sociais uma mensagem que sugere um pedido de troca para qualquer lugar fora do Arizona e o técnico da equipe foi demitido do seu posto.

Mas o que diabos acontece em Phoenix para, agora, o time desandar deste jeito? Não teria sido mais fácil negociar Eric Bledsoe durante a offseason, quando meio mundo trocou de time? Não teria sido mais inteligente ter mandado Earl Watson embora antes do início do campeonato, para que o novo comandante pudesse planejar o time desde o começo?

Com certeza seria. Olhando daqui, à distância, parece que essa zona toda com apenas três partidas jogadas na temporada só deflagra o quão caótico é o cenário do Suns – e o tamanho da falta de convicção que vive a franquia.

É verdade que o time, pelo que dizem, bem que tentou se desfazer de Bledsoe. Quando Kyrie Irving pediu para sair de Cleveland, o Phoenix aparecia como um dos maiores interessados. Mas não conseguiu – o que eu entendo perfeitamente, já que o armador tem uma dificuldade tremenda de se manter saudável e isso apavora qualquer equipe que se interesse pelo seu basquete.

Também é fato que os primeiros resultados do time foram desastrosos, mais do que se esperava. O Suns perdeu duas partidas por mais de 40 pontos de diferença (antes disso, só tinha perdido uma vez com uma desvantagem tão grande em toda a sua história) e os 92 pontos de saldo negativo nestas partidas são a pior diferença de pontos que um time, qualquer time, sofreu nas três primeiras partidas em uma temporada em todos os tempos.

A situação é feia, o time está um lixo e notoriamente Bledsoe não faz parte dos planos. Mas uma babel dessa eclodir assim, do nada, tão cedo, não parece fazer sentido, apesar dos pesares.

DIVULGAÇÃO (Christian Petersen/Getty Images)

Não imagino que a direção do time não estivesse pronta para perder de todo mundo por mais um ano, pelo menos. Praticamente todos os times do Oeste melhoraram consideravelmente da temporada passada para esta. Aqueles que não se reforçaram, já estavam a uma boa distância de vantagem do Suns. Era natural que o time, muito jovem, muito inexperiente, fosse o saco de pancadas.

E se não foram os resultados que fizeram o time desandar desse jeito, a execução do projeto é que foi questionada. Mas isso não poderia ser diagnosticado antes?

Eu até concordo que o time talvez esteja um estágio abaixo do que deveria estar neste momento. O Los Angeles Lakers, por exemplo, que foi igualmente ruim nos últimos anos, já dá sinais de que pode formar um bom time no futuro. Os melhores jogadores escolhidos pelo time nos últimos anos já começaram a desencantar. No Suns, isso não tem acontecido da maneira e velocidade esperadas.

Fora Devin Booker, que dá indícios que pode estourar como uma estrela na liga, as demais apostas do time ainda não vingaram. Alex Len não desencantou e quase foi descartado pelo time, apesar de estar na liga há quatro anos. TJ Warren tem se mostrado um jogador bem mediano. Apesar de estarem só na segunda temporada, Marquese Chris começou o ano com menos tempo de quadra em comparação com o ano passado e Dragan Bender, apesar da insistência, tem mais desperdícios de bola do que cestas.

Mesmo assim, só o tempo dirá o teto de cada um deles e o quanto vale a pena insistir. Especialmente para os mais novos, perder, mesmo que seja feio e de muitos pontos, faz parte do processo de amadurecimento – e de potencialmente conseguir mais talentos via draft.

Watson até não deve ser o cara mais indicado para fazer este time evoluir, talvez seja uma boa ideia se desfazer de Bledsoe, mesmo que por algo de valor muito menor, mas o prolema aqui parece ser maior. As decisões tem sido erradas.

É bom lembrar que há poucas temporadas, o Phoenix Suns era um time que flertava com os playoffs e, quando decidiu ir ao mercado se reforçar, fez um festival de lambanças. Contratou três armadores titulares (Goran Dragic, Eric Bledsoe e Isaiah Thomas) para, naturalmente, jogar no máximo dois simultaneamente. No meio da temporada, do nada, resolveu se desfazer de dois deles, Dragic e Thomas, justamente os melhores.

Depois, assinou uma extensão considerável conjuntamente com Marcus e Markieff Morris, apostando na dupla para os quatro anos seguintes. Menos de um ano depois, trocou Marcus para o Detroit Pistons por um cacho de bananas e arranjou briga com Markieff – que teve que ser negociado meses mais tarde. Aqui, se os gêmeos não são santos, o time pelo menos falhou em não diagnosticar o problema que estava por vir.

Por fim, também renovou com Tyson Chandler por uma bolada que não faz sentido para um time que está assumidamente em reconstrução.

Para os mais atentos, todos são sinais de que as coisas já não vinham muito bem em Phoenix. A demissão repentina de Watson e o pedido público de Bledsoe para ser negociado só confirmam, de maneira dramática, tudo isso. Um verdadeiro caos.

CompartilheShare on Facebook140Share on Google+0Tweet about this on TwitterShare on Reddit0Share on LinkedIn0Email this to someone