Não deveria ser nenhuma surpresa: quando o Cleveland Cavaliers contratou Isaiah Thomas e Derrick Rose, era de se esperar que a armação do time pudesse, eventualmente, ficar seriamente desfalcada. Thomas já estava lesionado quando chegou ao time – a ponto do Cavs fazer doce para concluir a troca, pedindo compensações maiores ao Boston Celtics – e Rose é um jogador de histórico complicadíssimo. Acho que a franquia apostou em ambos por saber que, no final das contas, Lebron James é o principal organizador do time em quadra.

O que eu nem o Cleveland imaginava é que James teria que assumir oficialmente o papel de point guard da equipe tão cedo. Isaiah ainda está há um bom tempo do seu retorno e Derrick Rose virou o pé logo na sua segunda partida com o time.

Ter Lebron nesta posição não chega a ser um problema em si. Na verdade, pensando estritamente nos matchups com os rivais, é até uma vantagem: por ser imenso e ainda assim ágil, sua presença representa um obstáculo quase que sobrenatural para os armadores adversários.

(Divulgação/Cleveland Cavaliers)

Como geralmente os alas adversários continuam marcando Lebron, o point guard rival acaba caindo para marcar Jae Crowder, Dwyane Wade, JR Smith ou Iman Shumpert, em um mismatch que eventualmente pode favorecer os jogadores do Cleveland.

Isso em um, dois jogos é bacana. Em vários, é um problema. Aliás, um problema conhecido do Cavs. Nos anos passados, Lebron James reclamava da falta de reposição de Kyrie Irving na armação, que acabava o sobrecarregando.

Sem organizadores reservas, Lebron tinha que passar muito tempo em quadra na maratona de 82 jogos, de desgastando para uma eventual batalha nos playoffs. Não acho que uma coisa tenha uma relação direta com a outra, mas ano passado James foi o líder em minutos em quadra da NBA e o Cleveland Cavaliers foi atropelado nas finais.

O time até buscou um armador para desafogar a criação do time. Deron Williams chegou mas não ajudou muito. Para este ano, a ideia era dar profundidade à formação. Além de Thomas e Rose, o time buscou Jose Calderson e Dwyane Wade, que pode fazer às vezes de point guard puxando o ataque – ainda que não dê mais conta disso na defesa hoje em dia.

O problema aqui fica nos detalhes. O Cavs não quer desgastar Lebron, mas ao mesmo tempo vê como mais eficiente jogar Wade para rotação reserva, Calderson parece que não dá conta de jogar mais do que 15 minutos por partida, Rose não é do tipo de cara que vá voltar antes de estar 100% e Thomas tem uma lesão séria a ponto de não ser inteligente apressar as coisas. Assim, Lebron é que tem que se virar como armador do time mesmo, por mais que a maior preocupação dele e do front office fosse povoar a posição.

Não seria de se espantar que, caso Rose continue com algum problema físico e Thomas tenha sua recuperação atrasada por algum motivo, pelo terceiro ano consecutivo o Cavs tenha que ir ao mercado buscar mais um jogador para completar a rotação na criação de jogadas.

Até lá, Lebron terá que se ver em um papel que ele não contava que fosse desempenhar tão cedo e por tanto tempo. Que essa conta não seja cobrada no final do campeonato.

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