Month: October 2017 (Page 2 of 3)

[Previsão 17/18] Spurs: a cultura é suficiente?

Dos times mais fortes da NBA, daqueles seis ou sete que têm alguma chance de ganhar uma final de conferência e chegar a uma final da NBA, apenas dois não se reforçaram nada com all stars: o atual campeão da liga, Golden State Warriors, que já reúne o maior número de bons jogadores que é possível, e o San Antonio Spurs.

Não é por isso que imagino que o time vá, pela primeira primeira vez em 20 anos, com uma campanha com menos de 50 vitórias. Com a cultura mais vencedora e bem estabelecida de toda a NBA, o time de Gregg Popovich não precisa de grandes nomes para se manter no topo. Mas ficar entre os três primeiros do Oeste, chegar a uma final de conferência é suficiente para este time?

Eu entendo que as coisas devem ser relativizadas quando se joga na mesma época que o Golden State Warriors, um time dominante e praticamente imbatível quando saudável, mas talvez fosse o time que menos precisasse se esforçar para equiparar forças com o time de Stephen Curry e Kevin Durant. Algum reforço de peso bem encaixado no time mais bem montado da NBA, com talvez o melhor técnico da história, teria boas chances de formar uma equipe capaz de bater de ser tão ameaçadora quando o Warriors.

Alguns boatos até seguiram essa linha. Kyrie Irving teria dito que o Spurs era um de seus destinos favoritos quando pediu para ser trocado. Dwyane Wade teria pensado no time quando rescindiu com o Bulls. Chris Paul sempre foi um nome ventilado por lá. Mas a franquia conseguiu, no máximo, assinar com Rudy Gay, um cara que sempre teve todas as habilidades para ser um bom jogador de basquete, mas que tem a fama de piorar todos os times pelos quais passa.

Qualquer um destes nomes com certeza daria esperanças maiores para que a franquia conseguisse chegar mais longe desta vez – por mais que a última grande contratação do Spurs, Lamarcus Aldridge, tenha sua passagem questionada.

Ainda que seja uma amostra pequena, o time texano aniquilou o Warriors nos playoffs nos minutos em que teve Kawhi Leonard jogando com saúde. Ter algum outro jogador para carregar o piano com ele poderia ser letal.

As opções existentes no elenco estão fazendo hora extra na liga já e podem pifar a qualquer momento. Tony Parker já bateu os pinos na temporada passada. Gasol e Ginóbili rondam os 40 anos, idade limite para boa parte dos atletas.

A única chance que existe do time superar as expectativas é se seu pacote de apostas finalmente desencantar. Dejounte Murray, Kyle Anderson e companhia têm evoluído bem, mas não parecem prontos para assumir essa responsabilidade e responder tão bem logo nesta temporada – se é que um dia se transformarão nisso tudo.

Por mais que o time ainda seja excelente, tenha um dos melhores jogadores do jogo, seja muito bem montado, me parece que existem outros postulantes mais perigosos ao papel de carrascos do Warriors.

Offseason
Muito se falou no time como destino de alguns dos principais nomes do período, mas acabou que perdeu mais do que ganhou. Deixou Jonathon Simmons ir para Orlando tentar a vida, não renovou com David Lee e abriu mão de renovar com Dewayne Dedmon. Joffrey Lauvergne e Rudy Gay chegaram e vão precisar do toque de Midas de Popovich para que possam contribuir de verdade.

Time Provável
PG – Tony Parker / Patty Mills / Dejounte Murray / Derrick White
SG – Danny Green / Manu Ginobili / Bryn Forbes / Brandon Paul
SF – Kawhi Leonard / Rudy Gay / Kyle Anderson / Jaron Blossongame
PF – Lamarcus Aldridge / Davis Bertans
C – Pau Gasol / Joffrey Lauvergne

Expectativa
Spurs deve ser top 3 no Oeste. Talvez fique em segundo, talvez em quarto, mas vai rondar o topo da conferência por toda a temporada regular. Vai sobreviver bem nas primeiras fases dos playoffs, mas não vejo com bala na agulha para surpreender além de uma eventual final de conferência.

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[Previsão 17/18] Rockets: o objetivo é coexistir

Não parece inteligente tirar as bolas das mãos do jogador que mais distribuiu assistências na temporada passada, justamente na sua estreia como armador principal do time. Também não parece uma boa ideia abrir mão do seu banco de reservas inteiro quando ele é o que mais faz pontos por minuto em quadra.

No entanto, burrice seria deixar passar a chance de ter Chris Paul no time, um dos melhores armadores de todos os tempos e o mais talentoso desta geração. Paul queria ir para Houston e o time fez o que foi possível para acomodá-lo na equipe – nem que isso significasse abrir mão de dois grandes trunfos que fizeram do Rockets uma das melhores equipes da temporada passada.

A aposta de que mesmo mudando a fórmula as coisas vão funcionar se baseia na capacidade comprovada de James Harden, Mike D’Antoni e do próprio Paul, aliada à necessidade dos três em provarem que podem ser mais do que bons jogadores de temporada regular.

Hoje, se há um elo entre as três figuras, é a falta de sucesso na hora de decidir. Chris Paul, apesar de ser um jogadores excelente, de ter jogador por uma equipe ótima nos últimos sete anos, nunca alcançou sequer uma final de conferência. D’Antoni já sucumbiu algumas vezes no mata-mata depois de montar equipes que sobravam na temporada regular. Harden, com uma moral levemente mais preservada, teve viagens decepcionantes aos playoffs, como as de quatro e dois anos atrás pelo Rockets.

A sede pelo cala boca dos críticos deve servir de motivação para que todos se esforcem ao máximo para que tudo dê certo – até porque todos trabalharam duro para que esse encontro acontecesse.

Confio também na inteligência dos três. Harden mostrou ser mais do que um talento nato no ano passado ao moldar seu jogo para se transformar em um criador de jogadas – não só para ele, algo que já fazia muito bem, mas para seus colegas. Chris Paul sempre foi esse cara, apesar de não ter lidado muito bem algumas vezes que precisou dividir a bola no Clippers. E D’Antoni, que chegou com a moral estraçalhada na franquia ano passado, teve um dos melhores desempenhos entre os técnicos de toda a liga.

Até na divisão da minutagem, o comandante foi muito esperto. Espalhou o tempo de quadra de Harden, Patrick Beverley e Eric Gordon de um modo que o time sempre tivesse dois do trio em quadra, mas raramente todos juntos. Assim, o Hoston tinha um backcourt letal, bom na distribuição e eficiente no chute em quase todos os minutos de partida. Uma formula parecida, mas potencializada, deve ser utilizada agora.

Ter Harden e Paul no elenco não significa ter a dupla o tempo inteiro jogando junta. Mas quer dizer que o jogo inteiro o time pode ter um armador fenomenal criando jogadas. Mesmo que os dois comecem juntos, a minutagem dos dois nos quartos intermediários de partida podem ser mais bem distribuídos. Assim, não é preciso tirar muito a bola da mão de ninguém e ainda se garante um nível altíssimo de jogo o tempo inteiro de partida.

A dupla também casa muito bem com a cultura tática que o Houston Rockets tem consolidado com o passar dos anos. O time, por meio da figura do seu general manager, tem a convicção de que só vale a pena chutar a bola quando se está colado na cesta ou atrás da linha dos três pontos.

Tanto Harden (que já provou isso ano passado), como Paul são jogadores que são muito eficientes para chutar de fora e, ao mesmo tempo, conseguem atrair as atenções dos marcadores para distribuir a bola para quem está aberto para o chute de fora. Também são excelentes na execução do pick and roll, arma exaustivamente usada para abastecer Clint Capela e Nene no garrafão – o que ajudou muito Harden a ser o líder em assistências na temporada passada.

Offseason
O time se mexeu bem. Apesar de abrir mão de duzentos jogadores (meia dúzia deles bem útil) para ficar com Chris Paul, o time assinou com jogadores importantes que casam bem no modo de jogar da franquia, como Luc Mbah Moute e PJ Tucker. Perdeu a chance de buscar Carmelo Anthony ao oferecer um troco muito minguado para o Knicks.

Time Provável
PG – Chris Paul / Bobby Brown / Isaiah Taylor / Georginho
SG – James Harden / Eric Gordon / Tim Quarterman
SF – Trevor Ariza / PJ Tucker
PF – Ryan Anderson / Luc Mbah Moute / Cameron Oliver
C – Clint Capela / Nene / Tarik Black / Chinanu Onuaku

Expetativas
Imagino este time como o segundo melhor do Oeste, ultrapassando o San Antonio Spurs. Em uma eventual disputa de playoffs, acho que a defesa preocupa, mas a divisão de tarefas de James Harden com Chris Paul deve ajudar o time a ser mais perigoso em uma série de mata-mata.

 

[Previsão 17/18] Celtics: supertime em formação

Há quatro anos, quando o Boston Celtics mandou Paul Pierce, Kevin Garnett e Jason Terry para o Brooklyn Nets em troca de infinitas escolhas de draft de primeiro round, o maior campeão da história da NBA começou a se preparar para o futuro. O plano de Danny Ainge, general manager da franquia, era reestruturar a franquia do zero, formar um núcleo sólido e reerguer o time em alguns anos.

O plano ficou ainda melhor quando em pouco tempo o Nets virou pó e aquelas escolhas de draft passaram a valer ouro. Em tempos que franquias passaram a se esforçar descaradamente para perder e subir na tábua de seleção dos calouros, o Boston tinha uma condição única: podia tentar ganhar, ir se reforçando que, mesmo assim, só dependia do fracasso natural do Brooklyn para pescar novos talentos via draft.

Com esta e outras negociações, o Celtics escolheu oito jogadores de primeiro round em quatro anos. Ainda pegou outros dez jogadores de segundo round do draft. Paralelamente, ainda foi trabalhando bem nas trocas e assinatura de free agents. Com a promessa de ter um time forte para o presente e ainda melhor para o futuro, pegou Al Horford do Atlanta Hawks, trocou um cacho de bananas por Isaiah Thomas e, pouco a pouco, foi montando um time sólido, pronto para um dia estourar.

Se por um lado o time de fato começava a responder, a ganhar e dar bons resultados, a torcida passou a ter a sensação que aquele plano mirabolante de se tornar uma superpotência via draft não estava saindo exatamente como tinha sido desenhado. James Young, Terry Rozier, RJ Hunter, todos selecionados no draft, não vingaram. Outros vários ainda nem tinham pisado numa quadra da NBA. Jaylen Brown, o melhor calouro de todos, ainda era uma aposta para o futuro.

Até que nesta offseason surgiram as oportunidades para o time tentar subir de patamar de fato. Primeiro veio o sorteio do draft que deu a primeira escolha ao time – que, interessado em Jayson Tatum, trocou com o Philadelphia 76ers pela terceira escolha e uma pick futura. Depois, a boa vontade de Gordon Hayward, um dos principais jogadores sem contrato neste ano, em assinar com o time do seu antigo técnico dos tempos de universidade. Por fim, o pedido de Kyrie Irving para ser trocado, que casou perfeitamente com a falta de convicção do Celtics quando ao futuro de Isaiah Thomas.

(Jim Davis/Globe Staff)

O time pode não ser uma potência tão óbvia quanto Cleveland, Golden State, Oklahoma ou Houston, que reúnem estrelas consagradas sob o mesmo teto, mas é, sem dúvidas, um excelente projeto de supertime. Kyrie Irving é espetacular e vai ter toda a chance de provar se pode carregar ou não um time como referência técnica da equipe. Gordon Hayward e Al Horford são excelentes complementos a Kyrie – fazem o estilo coadjuvantes, mas são dos jogadores mais eficientes que existem no jogo hoje. Sou muito fã de Marcus Smart, que agora terá mais tempo de quadra e terá uma responsabilidade gigantesca de ser o capitão da defesa do perímetro do time. Por fim, o elenco ficou ligeiramente mais liberado para que Jaylen Brown e Jayson Tatum mostrem porque foram draftados em posições tão privilegiadas.

(John Tlumacki/The Boston Globe)

Eu vejo no Boston de hoje um pouco da estrutura do Golden State Warriors de uns anos atrás: um time que foi muito bem amarrado com escolhas cirúrgicas de calouros (Stephen Curry, Klay Thompson, Draymond Green, Harrison Barnes), mas que cresceu como uma potência com jogadores consagrados (David Lee, Andre Iguodala, Andrew Bogut, Monta Ellis).

Acho, no entanto, que este ainda não é o ano do Boston. Por mais que o time já seja bom, o elenco foi sensivelmente modificado. Da equipe que fechou a temporada passada, só sobraram Jaylen Brown, Al Horford, Terry Rozier ae Marcus Smart. De resto, todo mundo é recém-chegado. Vai tempo até que o excelente Brad Stevens consiga dar uma cara e um padrão ao grupo.

Como a conferência Leste é uma teta, o time deve ficar nas cabeças, mas ainda acho que não chega maduro o suficiente para derrotar, eventualmente, Cleveland Cavaliers ou, na melhor das hipóteses, o campeão do Oeste. Mas tudo bem, o plano do Boston é maior e mais duradouro do que isso.

Offseason
Foi intensa. Começou trocando a primeira escolha do draft em um movimento ousado. O time tinha a convicção de que Jayson Tatum seria mais útil e foi atrás do jogador. Assinou com Gordon Hayward e, para isso, precisou mandar Avery Bradley para o Pistons e pegar Marcus Morris. Também mandou meio time para o Cleveland Cavaliers para ficar com Kyrie Irving. Viu 11 jogadores saírem do elenco e contratou 12.

Time Provável
PG – Kyrie Irving / Marcus Smart / Kadeem Allen
SG – Jaylen Brown / Terry Rozier / Abdel Nader
SF – Gordon Hayward / Jayson Tatum / Semi Olejeye
PF – Marcus Morris / Guerschon Yabusele
C – Al Horford / Aaron Baynes

Expectativa
Por mais que o time já seja bom, não vejo ainda como postulante ao título. É o primeiro na fila das zebras. Fora isso, prevejo uma equipe tentando encontrar sua identidade, formando seus calouros e segundo-anistas. Deve chegar à final de conferência.

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[Previsão 17/18] Cavaliers: mais um ano, a mesma missão

Não é porque o Cleveland Cavaliers teve uma offseason muito tumultuada, porque seus rivais do Leste e do Oeste se reforçaram substancialmente, porque uma das suas estrelas e herói do titulo saiu do time, que a missão do time para este ano se diferencia das temporadas passadas. O Cleveland Cavaliers ainda é a maior e mais real chance de tirar o título das mãos do favorito Golden State Warriors.

No que depende do próprio time, até o momento, tudo tem corrido bem e as eventuais adversidades que surgiram foram superadas com certa tranquilidade.

Kyrie Irving pediu para ser trocado? O time conseguiu um retorno excelente, muito além do que normalmente as franquias conseguem quando suas estrelas estão insatisfeitas e pedem para sair. Mesmo que Isaiah Thomas esteja machucado por um bom tempo, o time conseguiu coadjuvantes bem úteis e uma escolha de primeiro round para o ano que vem – que pode ser fundamental para convencer que Lebron James permaneça no time, por exemplo.

O Boston Celtics contratou bem durante a offseason e se transformou em uma ameaça maior na disputa pelo título de conferência? O time se desfez de quem não deu conta do recado na temporada passada – Deron Williams é o melhor exemplo – e se reforçou com jogadores que comprovadamente crescem nos momentos decisivos – Dwyane Wade.

Lebron esteve sobrecarregado na armação no ano passado? Além de Thomas e Wade, o time contratou Derrick Rose, um cara que não é mais o mais confiável do mundo para carregar um time, mas que é bastante útil pelo menos para desafogar a criação de jogadas na maratona de 82 jogos da temporada regular.

Muita coisa mudou, evoluiu em Cleveland. Mas é verdade que muito mais precisa acontecer para que o time chegue, eventualmente, em uma final contra o Golden State em igualdade de condições.

Kevin Love continuar com a sua lenta e gradual adaptação à franquia para tentar, finalmente, ser o jogador que era em Minnesota: uma ameaça constante no ataque, decisiva noite após noite, tanto de fora, como no post.

O time melhorar brutalmente sua defesa é fundamental. Uma competição apenas de quem tem o melhor ataque não é uma tática inteligente de ser usada contra o Warriors – e a final do ano passado provou isso. Jae Crowder é um bom nome para ajudar nesta missão, mas acho que os ajustes têm que ser mais estruturais – e não acho que tirar Tristan Thompson da formação titular, como se cogita, seja a melhor ideia.

Aliás, neste ponto eu ainda duvido da capacidade de Tyronn Lue de fazer o time funcionar de um jeito diferente, que não seja completamente baseado no talento individual dos seus jogadores. Aqui, o Golden State Warriors e até o Boston Celtics já provaram que têm alguma vantagem sobre o Cavs, com treinadores comprovadamente capazes em seus bancos. Lue, por enquanto, se mostrou mais um mediador de egos do que um head coach competente – conseguir montar, finalmente, uma defesa competente seria uma forma de mostrar que tem talento equiparável aos dos demais.

Por fim, o time também deve buscar a melhor campanha geral da NBA. O Oeste está muito mais carregado o que pode, em tese, fazer o Golden State ser derrotado algumas vezes mais do que está acostumado – já que enfrenta Rockets, Spurs, Thunder, Clippers, Timberwolves e cia mais frequentemente do que os times do Leste. Se o Cleveland conseguisse a melhor campanha geral da liga, chegaria em uma eventual final da NBA com o mando de quadra e teria uma ligeira vantagem contra o time da California – começar a série fora de casa, sem o mando, tem sido avassalador para Cleveland.

A ausência de Thomas na primeira metade da temporada atrapalha esse plano em especial, mas em uma conferência Leste esvaziada, o Cleveland tem todas as condições de ganhar de praticamente todo mundo daquele lado do mapa, mesmo sem sua força máxima.

As condições mudaram, o time é outro, as dificuldades também não são as mesmas. Mas a missão de tentar superar um time amplamente favorito continua. E, hoje, a equipe mais próxima de fazer isso ainda é o Cleveland Cavaliers.

Offseason
Foi animada e o time se saiu bem de algo que poderia ser desastroso. Conseguiu reverter o polêmico pedido de Kyrie Irving para ser trocado em algo positivo. Ficou com Isaiah Thomas, Jae Crowder e Ante Zizic, além da importante escolha de draft do ano que vem, originalmente do Brooklyn Nets, que pode render um excelente calouro. Ainda apostou na recuperação de Derrick Rose, que já será útil mesmo que continue sendo o jogador apático dos últimos anos, e Dwyane Wade, que apesar da idade, ainda é decisivo. De menos importante, assinou com Jose Calderson e Jeff Green, que não devem ser muito acionados, mas garantem ao time um dos elencos mais profundos da liga.

Time Provável
PG – Isaiah Thomas / Derrick Rose /Jose Calderon / Kay Felder
SG – Dwyane Wade / JR Smith / Kyle Korver / Iman Shumpert
SF – Lebron James / Richard Jefferson / Cedi Osman
PF – Kevin Love / Jae Crowder / Jeff Green
C – Tristan Thompson / Channing Frye / Ante Zizic / Walter Tavares

Expectativa
Sou fã deste time do Cavs. Não só tem qualidade, é experiente, como parece ter gana. Além de Lebron, o melhor jogador de basquete em atividade no mundo hoje, Dwyane Wade é um cara com COJONES que pode não ser tão importante em uma maratona de temporada regular, mas fará muita diferença em uma série decisiva de playoffs e Isaiah Thomas é um jogador que, magoado, parece conseguir elevar a sua capacidade de decisão. Espero que se a final dos últimos três anos for reeditada, que a briga seja um pouco melhor desta vez.

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[Previsão 17/18] Jazz: pela tradição do pick-and-roll

Hoje é praticamente sobreviver na NBA sem saber executar bem uma variedade relativamente grande de jogadas a partir do pick and roll – 1/3 de todos os movimentos de ataque começam com essa jogada na liga atualmente. Mesmo que hoje jogadores usem o movimento de forma muito mais refinada e complexa, as maiores referências no assunto ainda são dois caras que eternizaram o lance há mais de duas décadas: Karl Malone e John Stockton.

A dupla tinha as habilidades básicas necessárias para a execução do pick and roll perfeito. Stockton era um excelente passador e um arremessador com uma ótima mira, enquanto Malone era um dos jogadores mais fortes da NBA para fazer o bloqueio ao mesmo tempo que era ágil o bastante para cortar para cesta e preciso o suficiente para finalizar a jogada assim que a bola chegasse em suas mãos.

Com certeza absoluta Ricky Rubio, recém chegado ao time, e Rudy Gobert estão a anos-luz da dupla mais clássica do Jazz, mas os dois tem plenas condições de reviver a tradição da jogada em Utah de forma bastante eficiente, como nunca mais se viu por lá desde que Stockton se aposentou e Malone saiu para tentar um título pelo Lakers.

Por mais que seja tratado como um fracasso na NBA – principalmente pela diferença entre expectativa e realidade -, Rubio é um dos melhores passadores de toda a liga. Se movimenta bem pela quadra, tem um QI de basquete altíssimo e consegue enxergar os mínimos espaços para encontrar seus colegas na melhor posição para finalizar. Gobert, por sua vez, é um excelente finalizador colado ao aro – seu físico esguio, com braços enormes, ajuda muito nisso, e sua técnica tem melhorado com o tempo neste sentido também.

Nas últimas temporadas, os dois já mostraram muita eficiência na finalização de jogadas a partir de pick and roll – isso que Gobert jogou com George Hill no ano passado, um bom jogador, mas que não é um passador brilhante. Combinados agora, os dois podem formar uma dupla imparável nesse tipo de lance.

Uma preocupação seria o chute de Rubio de fora. Como não é um chutador consistente, a finalização da jogada pode ficar muito manjada. É verdade. Mas também é preciso reconhecer que o arremesso do espanhol tem evoluído com o passar do tempo, mesmo que muito lentamente.

E mais do que tudo isso, poucas duplas devem ser tão gabaritadas defensivamente para parar do armador ao pivô adversário quanto a combinação formada em Salt Lake City. Gobert é um excepcional defensor. Entre os pivôs, é o mais ágil para cobrir do perímetro ao garrafão. Rubio, um degrau abaixo, é um marcador de elite. Ambos combinados em um dos melhores esquemas defensivos devem ser suficientes para desmontar qualquer ataque da liga.

Entendo que o time vá sofrer um pouco com a saída de Gordon Hayward, seu melhor jogador dos últimos anos. Mas é verdade também que Hayward nunca fez o estilo franchise player dominante, o que o torna mais substituível, especialmente quando se tem um técnico talentoso e um time voluntarioso.

Joe Ingles não tem a qualidade de Gordon, mas tem características parecidas: cai como ala, puxa as jogadas, marca bem, é versátil. Joe Johnson, mesmo se arrastando em quadra, também faz este papel bem.

Se Rodney Hood continuar caminhando para se tornar um shooting guard confiável e Derrick Favors conseguir minimamente jogar ao lado de Gobert, acho que o Jazz tem condições de manter uma pegada parecida com a da temporada passada.

Offseason
O time perdeu dois dos seus melhores jogadores, Gordon Hayward e George Hill. Mas repôs bem o elenco com um calouro que foi uma steal do draft, Donovan Mitchell, uma estrela do basquete europeu que terá uma segunda chance na NBA, Ekpe Udoh, além, claro, de Ricky Rubio. No final das contas, o time aposta mais do que nunca na cultura da franquia, de um basquete coletivo e de muito esforço defensivo.

Time Provável
PG – Ricky Rubio / Raulzinho / Dante Exum
SG – Rodney Hood / Alex Burks /Donovan Mitchel
SF – Joe Ingles / Joe Johnson /Thabo Sefolosha
PF – Derrick Favors / Jonas Jerebko
C – Rudy Gobert /Ekpe Udoh / Tom Bradley

Expectativa
Vejo o Jazz no bolo dos times que são favoritos aos playoffs, mas entre a quinta e oitava posição. Perdeu bons jogadores, não é o time com mais talentos individuais, mas formou um núcleo que funciona coletivamente.

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[Previsão 17/18] Raptors: a oportunidade já passou?

Foi-se o tempo que o Toronto Raptors era a segunda força disparada do Leste, atrás somente do Cleveland Cavaliers. Há duas temporadas, quando isso aconteceu, o time canadense e a equipe de Lebron James brigaram cabeça a cabeça pela liderança da conferência e o Cavs acabou com uma vitória de vantagem – já o Toronto ficou com oito vitórias de folga em relação ao terceiro colocado, um gap igual ao que separava este mesmo terceiro do nono time do Leste.

Nos playoffs, o Raptors não sobrou tanto assim. Enquanto o Cavs confirmava o favoritismo e varria Deus e o mundo, o Toronto precisou de dois 4 a 3 para perder a virgindade e alcançar a primeira final de conferência da sua história. No confronto contra o Cleveland, o Raptors ainda conseguiu descolar duas vitórias para reforçar que era o único time do Leste capaz de provocar alguma dor de cabeça ao futuro campeão.

Desde então, duas offseasons e uma temporada inteira passadas, a impressão que dá é que a oportunidade do Toronto Raptors dar um passo à frente e chegar a uma final da NBA está cada vez mais distante.

O Cleveland parece que tomou corpo e, mesmo que na temporada regular tenha performances parecidas, é um dos poucos times do Leste que mostra ter cacife e culhões para enfrentar um time do Oeste em igualdade de condições em um mata-mata. Com isso, parece que se distanciou do Raptors.

Neste meio tempo, o Toronto também viu o Washington Wizards evoluir seus jogadores e mostrar o quão letal pode ser nos playoffs. Viu o Boston Celtics se reforçar, ultrapassá-lo e se transformar em um aspirante a supertime. Já sente, até, a respiração no cangote do Milwaukee Bucks, com uma turma jovem melhorando ano após ano.

Enquanto isso, pouca coisa mudou na franquia. A espinha dorsal é a mesma, baseada exclusivamente na qualidade do seu backcourt – enquanto todos os times do seu mesmo nível se reforçaram.

Dos principais jogadores, exceto por Demar Derozan, que notoriamente conseguiu evoluir e dá sinais de que pode atingir o ápice da sua qualidade técnica nesta temporada, os prognósticos mais prováveis não são os mais otimistas.

Lowry é excelente, mas chega aos 32 anos nesta temporada – uma barreira que via de regra marca a queda de rendimento de point guards – vindo de um ano em que foi atormentado por lesões.

Jonas Valanciunas, que tem só 25 anos, parece que estacionou no processo de evolução há três temporadas. Seus números não melhoraram e sua atuação em quadra diminuiu. Enquanto a NBA vê pivôs cada vez mais versáteis, o lituano cada vez mais se mostra um especialista em habilidades muito específicas, mas cada vez menos úteis.

Serge Ibaka, de 28 anos, sofre algo parecido. Parece que seu auge já passou há uns seis anos. Não é mais tão intimidador na defesa e nem tão ameaçador do perímetro.

Reservas importantes, como PJ Tucker, Cory Joseph, Patrick Patterson, não estão mais por lá. O time ainda tem um núcleo muito jovem e com algum potencial, mas poucos deles se mostram realmente preparados para contribuir de imediato. Desta forma, a sensação é que o Toronto Raptors é um time que andou muito pouco enquanto seus principais concorrentes correram atrás de reforços – como Cavs e Celtics – ou então evoluíram naturalmente – como Wizards e Bucks.

O time ainda é bom, coeso e bem treinado. Mas a distância das cabeças da conferência aumentou e a chance de surpreender parece cada vez menor.

Offseason
O time perdeu peças importantes, principalmente do banco de reservas. Patrick Patterson, PJ Tucker e Cory Joseph mudaram de ares e o time basicamente só se recompôs com calouros ou jogadores da D-League. A única contratação razoavelmente relevante foi a chegada de CJ Miles. O time também renovou com Kyle Lowry em uma negociação boa para a franquia.

Time Provável
PG – Kyle Lowry / Delon Wright / Fred VanVleet
SG – Demar Derozan / Norman Powell
SF – CJ Miles / OG Anunoby / Bruno Caboclo
PF – Serge Ibaka / Pascal Siakam / Kyle Wiltjer
C – Jonas Valanciunas / Jakob Poeltl / Lucas Bebe

Expectativa
É presença garantida nos playoffs do Leste, possivelmente com uma boa posição. Briga com o Washington Wizards e o Milwaukee Bucks para ver que fica com a terceira posição. Estatisticamente, imagino o melhor ano da carreira de Derozan.

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[Previsão 17/18] Clippers: a esperança de ser um time bom mesmo sem Chris Paul

Até 2011, não tinha discussão: o Los Angeles Clippers era o time com o histórico mais fracassado de toda a NBA. Em 40 anos de vida, contando desde a época que a franquia se chamava Buffalo Braves, passando por San Diego Clippers e, por fim, o período já em Los Angeles, não existia qualquer outro time na história da liga com um aproveitamento de vitórias tão baixo e tão poucas aparições nos playoffs. A diferença no retrospecto para o segundo pior, o Minnesota Timberwolves (time bem mais novo) era abissal e nem tinha como contestar.

Mas uma troca indiscutivelmente mudou o rumo da franquia e a colocou em uma posição estranha até aquele momento. Com a chegada de Chris Paul para tutelar, comandar e servir Blake Griffin, o Los Angeles Clippers experimentou pela primeira vez o que era ter um time que consegue ir seguidas vezes aos playoffs e se mantém como um dos favoritos por alguns anos.

A franquia, que até o momento, em quatro décadas, tinha conseguido ir a um total de sete playoffs (mesmo quando 2/3 dos times se classificavam para a pós-temporada), conseguiu emplacar seis anos consecutivos de mata-mata. Exceto pelo ano em que a NBA teve uma temporada mais curta pelo lockout, em todos os anos registrou mais 50 vitórias – algo que nunca tinha acontecido por lá.

Claro que o desenvolvimento de Blake Griffin e Deandre Jordan e a atração de free agents, algo raro para a história do Clippers, teve um impacto bastante significativo, mas é inegável que a chegada de Paul, maior armador dessa geração de jogadores, foi um marco para o segundo time de Los Angeles (a ponto de, em boa parte destes anos, se tornar o melhor time disparado da cidade).

Antes dele, mesmo os times bons que a franquia formou esbarravam em fatores intangíveis que sempre acabaram por prejudicar o time de alguma forma. Lesões, inexperiência, indisciplina… Parecia uma sina maldita que puxava o Clippers para o fundo da tabela da NBA.

Sina esta que, apesar das várias lesões, das derrotas precoces nos playoffs e do potencial que nunca foi completamente alcançado, foi abandonada ao longo da última década. Inegavelmente, o Clippers entrava todos os anos na competição como um dos melhores times da conferência, algo inimaginável antigamente.

Mas o contrato de Chris Paul acabou e, para tentar não encerrar a carreira com o asterisco de nunca ter chego a uma final de conferência, nunca ter vencido um prêmio de MVP e tudo mais, o jogador decidiu buscar um time mais forte. Para não deixar a franquia totalmente desguarnecida, ele topou um sign and trade de cavalheiros: Paul decidiu para onde iria e forçou que os dois times chegassem a um denominador comum. Foi assim que o Houston Rockets mandou meio time para Los Angeles em troca do jogador.

Com a saída de Chris Paul, o Clippers passará por um teste de fogo. Terá que mostrar que é possível sobreviver sem depender do camisa 3.

Por mais que Paul seja um atleta que muda o status de qualquer equipe, acho que o LAC tem condições de comprovar isso. O troco por Paul não foi ruim – aliás, se comparado ao que os outros times receberam ao dispensarem suas estrelas nesta offseason a contrapartida foi ótima. Lou Williams, Sam Dekker, Patrick Beverley, Montrezl Harrell e companhia, todos egressos do Rockets, engordam a rotação do time do início ao fim.

O time ainda terá uma dupla de garrafão em seu auge técnico – apesar da eventual suspeita de decadência física de Griffin. Conta, por fim, com a chegada de um ala chutador que eu não confio, mas que tem alguma moral na NBA (Danilo Gallinari) e um armador brilhante de qualidade comprovadíssima no basquete europeu (Milos Teodosic). É um grupo para se manter por cima, com certeza – especialmente se Doc Rivers não exagerar da corujice e dosar bem o quanto usa Austin Rivers em quadra.

Aliás, se as lesões – e a falta de reposição – sempre foram problema para o Clippers, a profundidade do elenco nesta temporada deve amenizar esta situação.

(Andrew Lee/Getty Images)

No entanto, é um time inteiro praticamente novo que terá que encontrar química entre 10 caras que nunca dividiram uma quadra de basquete enquanto os demais concorrentes do Oeste voam. Rivers, que deixou o cargo de executivo do time, terá que realmente se concentrar nas suas atribuições como técnico para azeitar essa turma toda.

Prevejo, por exemplo, muito trabalho para delimitar bem o quanto cada jogador terá liberdade de criação, armação e tempo carregando bola, por exemplo. O time tem dois point guards que podem ser titulares em Teodosic e Beverley, um shooting guard que gosta de armar em Rivers e mais dois alas que carregam a bola excessivamente, em Blake e Danilo. Ou se cria um sistema em que todos possam criar – e que todos entendam que nem sempre terão a bola na mão, já que ela estará com o companheiro – ou terá que segurar o ímpeto de toda essa turma elegendo um ou dois armadores de ofício.

Por enquanto, acho que o time consegue se manter no mesmo patamar, mesmo sem Chris Paul. Não acho, no entanto, que tenha bala na agulha para conseguir algo que o armador nunca conseguiu dar à franquia (uma final de conferência, por exemplo). Mais pela qualidade dos concorrentes do que pelo potencial do próprio time.

Mas se conseguir provar que é possível viver sem sofrer com a abstinência de Paul, já será meio caminho andado.

Offseason
Foram muitas mudanças. Chris Paul e Luc Mbah Moute saíram em troca de um pacotão do Houston, que além de envolver sete jogadores, ainda rendeu uma escolha de primeiro round no próximo draft. Assinou com Gallinari, que estava no Denver Nuggets, e Willie Reed, que apareceu bem no Miami Heat do ano passado. Ainda pescou Milos Teodosic, cuja alcunha era de ‘melhor jogador de basquete do mundo fora da NBA’.

Time Provável
PG – Patrick Beverley / Milos Teodosic / Jawun Evans
SG – Austin Rivers / Lou Williams / Sindarius Thornwell
SF – Danilo Gallinari / Sam Dekker / Wesley Johnson
PF – Blake Griffin / Montrezl Harrell / Brice Johnson
C – DeAndre Jordan / Willie Reed / Marshall Plumlee

Expectativa
Não imagino o Clippers com uma campanha melhor do que Warriors, Spurs, Rockets e Thunder. Deve brigar pela quinta posição com Timberwolves, Jazz e Nuggets – tem um time mais experiente e profundo que os demais, mas tem que fazer muito mais ajustes. O quarteto Teodosic-Beverley-Griffin-Jordan, se não render bons resultados, pelo menos vai gerar excelentes highlights.

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[Previsão 17/18] Wizards: o intruso mais provável do Leste

Depois de um ano de lapso técnico, mental e emocional na temporada 2015/2016, o Washingston Wizards confirmou seu lugar como terceira força na conferência Leste, atrás apenas dos estrelados Cleveland Cavaliers e Boston Celtics.

Por mais que o time tenha terminado a temporada atrás do Toronto Raptors, ter registrado a melhor campanha da conferência toda desde janeiro, a evolução de John Wall para o primeiro escalão de jogadores da liga e a canseira que o time deu no Boston Celtics na semifinal do Leste o credenciam como time mais perigoso para roubar uma vaga na final de conferência do ano que vem.

Diferente do rival direto canadense, o elenco da capital americana é muito jovem e todos seus principais jogadores tem mostrado que ainda podem melhorar de uma temporada para a outra.

Além de John Wall, Bradley Beal se mostrou capaz de atravessar uma temporada inteira sem graves lesões e Otto Porter se gabaritou ao posto de terceiro melhor jogador de elenco, digno (talvez nem tanto) de um salário colossal (o maior da franquia atualmente) por ser um dos jovens alas mais promissores dos dois lados da quadra.

O grande problema do Washington Wizards para bater Celtics e Cleveland será a falta de opções dentro do próprio elenco. Com poucos jogadores confiáveis no banco e uma rotação curta, talvez falte oxigênio para a equipe enfrentar os 82 jogos da temporada regular da NBA.

No ano passado, o time foi, disparado, o que mais tempo abusou da sua principal formação em quadra. O quinteto com Wall, Beal, Porter, Markieff Morris e Marcin Gortat jogou 1347 minutos de temporada regular. A segunda formação da NBA que jogou mais tempo junta foi a formação titular do Minnesota Timberwolves, com 879 minutos de quadra – menos de 2/3 dos cinco do Wizards.

Em um cenário hipotético de playoffs, isso não seria o maior dos problemas – nos confrontos de mata-mata, os times costumam diminuir suas rotações e tendem a carregar seus principais jogadores com mais tempo de quadra.

O problema é isso acontecer depois de um ano inteiro jogando com um rotação enxuta. Além da fadiga e das chances de lesão aumentarem consideravelmente, toda a confiança do time fica depositada em um grupo muito reduzido de jogadores.

Como o time não fez nenhuma contratação relevante para o ano – pelo contrário, perdeu jogadores -, é um problema que, no papel, é ainda mais alarmante.

Se o time passar incólume a isso – ou eventualmente conseguir se reforçar ao longo do ano -, é a zebra favorita da temporada.

Offseason
O time perdeu Brandon Jennings e Trey Burke na armação e Bojan Bogdanovic na ala. Assinou com os igualmente irrelevantes Tim Frazier e Jodie Meeks. Em resumo, nada de especial aconteceu.

Time Provável
PG – John Wall / Tim Frazier / Tomas Satoransky
SG – Bradley Beal / Jodie Meeks / Sheldon Mac
SF – Otto Porter / Kelly Oubre
PF – Markieff Morris / Jason Smith / Mike Scott / Chris McCollough
C – Marcin Gortat / Ian Mahinmi / Daniel Ochefu

Expectativa
O time deve ficar entre os quatro primeiros do Leste na temporada regular. Qualquer resultado abaixo disso, já é um desvio de rota mais grave do que o esperado. Se tudo der certo, chega nos playoffs em condições de ameaçar Boston Celtics e Cleveland Cavaliers.

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[Previsão 17/18] Thunder: antes bem acompanhado do que só

Se o problema do Oklahoma City Thunder era a falta de companhia qualificada para Russell Westbrook, Sam Presti e o front office da franquia trabalharam para encontrar uma solução. A offseason foi movimentada para a modesta cidade do Meio-Oeste americano e duas estrelas gigantescas da liga, Paul George e Carmelo Anthony, desembarcaram no aeroporto mais bizarro das cidades que abrigam times da NBA (já notaram?).

Como não é um destino comum para free agents, o time trabalhou nas oportunidades. E transformou água insalubre em vinho de primeira. Primeiro aproveitou o anúncio de Paul George, que disse estar disposto a ir para Los Angeles na próxima offseason e fez seu valor para trocas despencar, para praticamente extorquir o Indiana Pacers. Como quase ninguém na NBA estava disposto a pagar pelo aluguel de um ano do jogador, o Thunder mandou um prospecto relativamente interessante (Domantas Sabonis) e um jogador que vive no limiar entre a decepção e a esperança de ainda virar alguma coisa interessante (Victor Oladipo), com o agravante de ter o salário de uma estrela.

Depois, quase no final da inter-temporada, entrou na briga por Carmelo Anthony, que inicialmente nem estava interessado em se juntar à equipe. Mostrou que a equipe estava pensando grande e que esta seria a única equipe viável para ele disputar alguma coisa decente no próximo ano. Melo, que tinha o direito contratual de escolher para onde iria, comprou a ideia e se juntou a Paul George e Russell Westbrook. Na negociação, o OKC conseguiu se livrar de outro contrato-bigorna, de Enes Kanter.

A princípio, o plano era mostrar a Russell que o time tinha bala na agulha para se mexer e rodeá-lo de talento e, assim, fazer com que o armador assinasse a extensão contratual que estava desde o ano passado na sua gaveta. O medo era que Westbrook tivesse mais uma temporada exaustiva e sem resultados coletivos muito significativos e que isso o motivasse e buscar novos ares.

A tática deu certo e Westbrook assinou o contrato mais caro da história da liga, mais de 200 milhões pelos próximos 5 anos. Só por isso, a offseason em Oklahoma já foi exitosa. Sem contar que a renovação de Russ pode ajudar os seus colegas a se decidirem por continuar por lá. Uma coisa leva a outra.

É um desfecho bem surpreendente e positivo para uma franquia traumatizada pela saída de Kevin Durant no ano passado. A menos que a reunião dos jogadores seja desastrosa – o que acho improvável -, o baque foi superado.

Aliás, ter três jogadores deste calibre vai exigir mudanças radicais no time. De uma hora pra outra, a ‘dor de cabeça’ do técnico Billy Donovan migrou de um extremo ao outro. Antes o problema era fazer alguém dividir minimamente a responsabilidade com Russell. Agora, o desafio é dividir inteligentemente as tarefas de cada um destes caras, todos muito acostumados a dominarem a bola em seus antigos times.

Acho que não será tão complicado quanto se brinca por aí. Carmelo Anthony é fominha, mas nunca teve na NBA colegas tão talentosos, no auge, quando os dois novos companheiros. Quando jogou com gente assim, como na seleção americana, teve alguns dos melhores desempenhos na carreira. Mesmo que na liga o buraco seja mais embaixo, acho que a mudança de perfil dele quando Porzingis chegou ao Knicks é uma boa medida de como ele é capaz de se reinventar e melhorar quem joga ao seu redor.

(Mark D. Smith-USA TODAY Sports)

Paul George me parece um cara naturalmente disciplinado neste ponto – apesar da rebeldia nos momentos finais de Pacers. É excelente na defesa quando quer e tem um bom jogo sem a bola.

Por fim, Russell continua sendo o dono do time. Mesmo a concorrência pela posse da bola deve afetar menos ele do que seus colegas – aliás, imagino um impacto positivo no seu ataque, já que as defesas rivais terão que dividir suas ações entre os três (se ele já fez chover no ano passado com times inteiros o marcando, imagine agora…).

Offseason
Foi revolucionária. Além de conseguir Paul George e Carmelo Anthony mandando ‘só’ Victor Oladipo, Domantas Sabonis, Enes Kanter e Doug McDemortt, o time ainda pegou o excelente reforço Patrick Patterson, um jogador versátil e muito útil para sair do banco de reservas, e Raymond Felton, um armador experiente para os momentos que Westbrook precisar descansar.

Time Provável
PG – Russell Westbrook / Raymond Felton / Semaj Christon
SG – Andre Roberson / Alex Abrines / Terrance Fergunson
SF – Paul George / Kyle Singler / Josh Huestis
PF – Carmelo Anthony / Patrick Patterson / Jerami Grant
C – Steven Adams / Nick Collison / Dakari Johnson

Expectativa
Sem os reforços, o Thunder já mostrou ter cacife para se classificar ali para os playoffs do Oeste. Com George e Anthony, o time briga pela segunda posição na conferência com Houston Rockets e San Antonio Spurs, com a desvantagem de ter o técnico menos criativo e ter que fazer mais ajustes.

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[Previsão 17/18] Hawks: o pior time que você não vai ver jogar

Depois de muitos anos sendo uma equipe sólida, com presença garantida nos playoffs, o Atlanta Hawks finalmente partiu para a reconstrução total do seu elenco.

O time resistiu. Com uma filosofia importada do San Antonio Spurs, acreditou que era possível se reforçar, trocar as peças sem ter que entregar o ouro, sem ter que perder de propósito. Mas não há plano nem cultura de franquia que resista a uma debandada geral e a uma freguesia eterna nos playoffs. Seus principais jogadores aparentemente cansaram de perder repetidas vezes para Lebron James (seja no Cavs, seja quando ainda era do Heat) e reforçaram seus rivais. Sem bala na agulha para atrair free agents do mesmo quilate, o time partiu com algum atraso para a reconstrução total do elenco.

No ano passado já começou a limpar sua folha salarial trocando Kyle Korver por nada. Nesta offseason, continuou forte no processo: despachou Dwight Howard por uma escolha de segundo round, nem tentou renovar com Paul Millsap e ainda não fez a menor questão de entrar em um leilão por Tim Hardaway Jr. O resultado foi um time completamente esvaziado de talento.

Como nem tem muitos jovens promissores, o time precisa começar a ter a pior campanha possível pelos próximos anos para ver se consegue acumular alguma coisa útil enquanto agoniza, mais ou menos o que Lakers e Sixers fizeram nas últimas temporadas. Quanto mais jogos perdidos, melhor para o grande plano das coisas do Hawks.

Neste meio tempo, a franquia será uma peneira permanente. Os olhos da comissão técnica estarão voltados para aqueles que tiverem potencial e os jogadores, por pior que sejam, terão tempo de jogo para mostrar serviço.

Neste cenário, por exemplo, que veremos se Dennis Schroder é um armador com excelente potencial para ser pontuador também ou se é um shooting guard queimador de bola preso no corpo de um point guard minúsculo, se Taurean Prince é um defensor qualificado ou se só preenche a cota de jogadores esforçados, se John Collins é esse ala-pivô refinado com potencial de estrela hipster ou se não passa de mais uma ilusão de Summer League.

(Dale Zanine-USA TODAY Sports)

O resto do time só tem de relevante o fato de contar com um jogador que finge ser outra pessoa (Ersan Ilyasova), um dos jogadores-torcedores mais animados da liga (Kent Bazemore) e o mérito de ser o primeiro elenco da história da NBA que tem dois DeAndres (Liggins e Bembry) – DeAndre está para o basquete assim como Wendel está para o futebol, ambos nomes absolutamente incomuns na vida real, mas relativamente frequentes nos respectivos esportes.

Por mais que exista aí alguma coisa digna de nota, o Atlanta Hawks será o time mais desinteressante da temporada. Salvo alguma surpresa muito agradável, não há muita esperança de ter um jogador imperdível para se acompanhar, o time deve entrar com dezenas de formações diferentes ao longo do ano e o resultado da maioria dos jogos pode ser antecipado como uma retumbante derrota. O Hawks será ruim e nem deve ter nada de curioso que nos faça assisti-lo.

Aliás, ninguém vai ver isso. O time tem péssimas médias de público e só tem um jogo agendado para transmissão no Brasil. Melhor assim. Pra todo mundo.

Offseason
O time se desfez de tudo para ter o pior time possível, com um elenco barato, que garanta uma campanha horrível neste ano. Pegou no draft um jogador que foi um dos maiores destaques na Summer League – o que, na prática, não quer dizer muita coisa.

Time Provável
PG – Dennis Schroder / Malcolm Delaney
SG – Kent Bazemore / Marco Bellineli / John Jenkins / DeAndre Liggins
SF – Taurean Prince / DeAndre Bembry / Nicolas Brussino
PF – Ersan Ilyasova / John Collins / Luke Babbitt
C – Dewayne Dedmon / Mike Muscala / Miles Plumlee

Expectativa
Ser o pior time da temporada. A briga será dura contra o Chicago Bulls, mas eu confio que o Atlanta Hawks consegue ser ainda pior.

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