Author: Pedro Brodbeck (Page 2 of 22)

[Previsão 17/18] Nets: o novo sentido da curva

Assim como no ano passado, vou fazer uma série de previsões, time por time, para a temporada que começará daqui algumas semanas (um mês e pouquinho). A ideia aqui é a mesma da vez passada. Não pretendo cravar nenhuma campanha (seria um chute completo), mas passar, de forma sucinta, pelas principais negociações da offseason de cada time, avaliar a formação provável para a temporada, ponderar as maiores dificuldades e desafios e, enfim, palpitar sobre qual deve ser o papel daquele time ao longo do ano.

O rito será o mesmo também: do pior time da temporada passada para o melhor. Por isso, a primeira previsão é do Brooklyn Nets. A franquia chega para a disputa em uma situação intrigante. Continua sendo uma das piores equipes da NBA e deve fechar a temporada com, sei lá, uma das quatro piores campanhas do Leste na temporada, mas contra todos os prognósticos possíveis tem conseguido se livrar da maldição que foi aquela troca comprometedora com o Boston Celtics de alguns anos atrás, quando pegou Kevin Garnett e Paul Pierce e alienou todas suas escolhas de primeiro round de draft pelos próximos quinhentos anos (quatro, na verdade).

Nas últimas duas offseasons, a impressão que dava era que o Nets teve seu futuro desperdiçado e que só conseguiria alguma coisa minimamente decente passados todos os anos de martírio sem suas escolhas de draft mais os anos em que continuaria ruim, mas, daí sim, com calouros. Em um cálculo realista, teria uma década inteira perdida até começar a atrair free agents e ter jogadores talentosos no elenco.

O time, no entanto, trabalhou surpreendentemente bem. Fez trocas cirúrgicas nas últimas temporadas para conseguir jogadores úteis e garimpou calouros interessantes com o pouco que tinha à disposição. Negociou contratos ruins, aceitou pegar outros piores ainda e, por isso, foi recompensado pelas outras equipes com atletas bons, mas em baixa – o que é altamente recomendável se fazer segundo qualquer cartilha de mercado, mesmo que seja da NBA – ou com escolhas de draft, algo que faltava ao time.

Dos últimos dois anos, só Rondae Hollis-Jefferson se mantém nos planos da equipe. Todos os outros jogadores foram negociados. Para um time que não tinha qualquer perspectiva de futuro, não é nada mal sair com D’Angelo Russell (segunda escolha do draft de três anos atrás), Caris LeVert, Jarrett Allen e o próprio Rondae Hollis-Jefferson.

Se o time ainda não tem chances de ir aos playoffs, pelo menos já adiantou a curva de recuperação em alguns anos. Uma boa perspectiva para um time que tinha o futuro condenado.

Nets se mexeu tanto, que só Hollis-Jefferson sobrou do time de dois anos atrás

Offseason
A intertemporada em Brooklyn foi mais um capítulo no processo de retomada do time. A principal negociação foi pegar Russell do Lakers (junto com Timofey Mozgov) e mandar Brook Lopez para Los Angeles. Lopez é um excelente jogador, um pontuador letal, mas não fazia sentido no Nets. D’Angelo, com todas as dúvidas que pairam sobre seu jogo, ainda é um jogador que tem uma carreira inteira pela frente, inclusive com a possibilidade de virar, em uma hipótese otimista, um legítimo franchise player.

Fora isso, o time ainda aceitou ficar com Demarre Carroll e seu contrato horroroso. Com isso, ganhou um ala útil e uma escolha de segundo round – um presente oferecido pelo Toronto para quem topasse ficar com a bigorna. Por fim, negociou com o Portland para pegar Allan Crabbe, jogador que saiu com um salário completamente inflado da offseason passada justamente porque o Nets ofereceu um contrato imenso para ele, que foi coberto pelo Blazers. Agora que o time do Oregon viu a besteira que foi dar tanto dinheiro para Crabbe, decidiu shoppar o jogador. O Nets topou – com a vantagem de ter um ano a menos para pagar o ala-armador.

Time Provável
PG – D’Angelo Russell / Jeremy Lin / Spencer Dinwiddie / Isaiah Whitehead
SG – Allan Crabbe / Caris LeVert / Sean Kilpatrick
SF – Rondae Hollis-Jefferson / Demarre Carroll
PF –  Trevor Booker / Quincy Acy
C – Timofey Mozgov / Jarrett Allen

O time está muito mais carregado na armação do que no front court. Por mais que a princípio Russell e Crabbe sejam as opções mais indicadas para começar nas posições 1 e 2 do time, Jeremy Lin pode pintar no time titular ou, na pior das hipóteses, ser daqueles reservas que jogam quase 30 minutos por jogo. RHJ, Carroll e Booker são versáteis o suficiente para que a formação do time seja bem variada ao longo dos jogos.

Expectativa
O time vai continuar sendo um dos piores da NBA e isso vai continuar não servindo em nada para eles – a escolha agora é do Cleveland Cavaliers. Mesmo que não seja o melhor cenário do mundo, pelo menos a equipe tem mais incentivos para tentar ser um time melhor ao invés de entregar o ouro esperando um bom calouro no ano seguinte. Com a recente evolução, pelo menos não deve mais ser o último colocado.

Lendas Urbanas da NBA: Ersan Ilyasova não é quem você pensa

Parece desproporcional colocar Ersan Ilyasova, ala que já rodou por seis times da NBA e nunca conseguiu se firmar como um jogador muito útil na liga, na mesma série de posts de Lendas Urbanas que tem Michael Jordan, Magic Johnson, Patrick Ewing e Lebron James (ou mais precisamente, a mãe dele). Não é. Ele está aqui justamente porque, ao contrário dos demais, sua história, apesar de bem bizarra, é definitivamente a que mais parece ser real.

O papo é que Ersan Ilyasova é, na verdade, Arsan Ilyasov, um cara nascido no Uzbequistão (e não na Turquia, como ele alega) e é três anos mais velho do que constam seus registros. A identidade de um foi criada justamente quando a do outro foi apagada.

A suspeita surgiu quando Ilyasova tinha 15 anos e começou a dominar os campeonatos turcos e europeus de basquete juvenil. Ninguém nunca tinha visto aquele moleque antes. Não só no meio do esporte, nos clubes e competições. Ninguém conhecia ele. Nem mesmo o governo turco o reconhecia. Seu pai, semanas antes, tinha procurado as autoridades para registrar o adolescente, alegando que tinha ‘esquecido’ de fazer a certidão de nascimento quando ele nasceu, quinze anos antes.

Isso era em 2002. Um mes antes, ainda no mesmo ano, um jovem de 18 anos e de nome Arsan Ilyasov tinha saído do Uzbequistão, atravessado algumas fronteiras, até desaparecer na divisa da Turquia. Nunca mais alguém ouviu qualquer notícia do rapaz.

De fato, os registros dizem que Arsan chegou à Turquia no dia 7 de agosto e no dia 19 de setembro Ersan foi registrado naquele país pelo seu suposto pai – que se chamava Semsettin Bulut e nem tinha o sobrenome Ilyasova.

(Bill Streicher-USA TODAY Sports)

A federação uzbeque de basquete levou a história à Fiba. Alegava que aquele cara já tinha jogado pela seleção do país, que tinha desaparecido e que – era o que incomodava, na real – não tinha apenas 15 anos, mas 18. A fuga de um país para o outro seria uma tática do pai do garoto para fazer com que ele se destacasse no esporte. A Fiba, no entanto, não puniu nem os turcos, nem o atleta, alegando falta de provas mais concretas.

Ninguém sabe muito bem a repercussão da história por lá. Se os EUA não dão muita bola para o resto do mundo, imagine para migrantes de países que eles mal sabem que existem, que usam alfabetos diferentes e que não parecem ser dos mais transparentes que se tem conhecimento. O caso só chegou aos americanos em 2005, quando um olheiro especializado em draft abriu toda a polêmica em um texto em um site que cobre calouros e prospectos – ressaltando que Ilyasova era um grande talento, mas que carregava uma certa desconfiança pelo passado dúbio.

De lá para cá, a polêmica sempre foi lembrada em alguns momentos da carreira do jogador e algumas evidências foram reunidas. Por exemplo, que Ilyasova sequer é um nome comum na Turquia. Outra é de que seus pais hoje moram na Criméia, região da Rússia que quer se emancipar e que abriga o povo Tártaro, que no meio do século passado se refugiou em massa no… Uzbequistão.

O interesse das pessoas, no entanto, não passa disso. No máximo, há análises falando que a renovação ou contratação de Ilyasova pode não ser tão útil já que é preciso considerar que ele talvez seja mais velho do que diz – depois de rodar quatro times em um ano e meio, Ersan jogou muito bem no Sixers, por exemplo, mas foi descartado pelo time, já que os planos da franquia são de buscar jovens talentos (e foi ponderado que ele até seria interessante aos 30 anos que diz ter, mas não aos 33 que cogita-se que tenha).

Não achei em nenhum lugar qualquer questionamento feito ao próprio jogador, nem alguma declaração dele desmentindo, explicando ou comentando a história. Se tem, está em algum registro indecifrável para nós. E mantém o mito da lenda.

Lendas Urbanas da NBA: Como Magic Johnson está vivo se é HIV positivo há 25 anos?

Para muita gente, mais chocante do que o anúncio de que tinha contraído o vírus da Aids em pleno auge da carreira é o fato de Magic Johnson, 25 anos depois, ainda estar vivo. Por não dar nenhum sinal aparente da doença, fugir do estereótipo dos portadores do vírus (especialmente naquela época em que muita gente era ignorante sobe o tema) e ter tido um filho HIV negativo mesmo depois de ter sido infectado, há uma lenda que diz que o ex-armador do Lakers foi curado após uma viagem ao Quênia, em que visitou um bruxo que trabalha com ervas terapêuticas que tirou o vírus do seu corpo.

Para entender a loucura conspiratória é preciso voltar um pouco no tempo. Magic anunciou que tinha o vírus no começo dos anos 90, quando as pessoas ainda estavam descobrindo a epidemia da Aids. Até aquele momento, para a maioria esmagadora das pessoas o HIV era um vírus exclusivo de gays e viciados em drogas. Muita gente sequer imaginava que era possível um que um atleta, homem, heterossexual pudesse ser infectado – Johnson admite que até foi por isso, por essa ignorância, que acabou contraindo o vírus, pois não achava que era necessário se proteger.

O próprio anúncio de Magic foi feito em meio a uma tensão de desconhecimento, como se ele fosse morrer por causa da doença em poucos meses ou anos. Ninguém sabia dos riscos e muito menos das consequências. E o histórico dos casos não era animador mesmo. Mas ele venceu todos estes prognósticos.

As teorias já tinham algum corpo por Magic não ser gay e por ser uma pessoa querida por todos – e muita gente se recusava a aceitar que a Aids poderia acometer qualquer pessoa e não somente aquelas de um grupo marginalizado à época. Elas ganharam mais coro ainda quando se soube que nem sua esposa, Cookie, e nem seu filho, EJ, que nasceu depois disso tudo, eram HIV positivo.

Para completar, Magic Johnson não deu nenhum sinal de abalo na sua saúde desde então. São duas décadas e meia convivendo com o vírus, mas sem sinais da doença – pelo menos para a gente, que vive à distância e não acompanha seus cuidados, hábitos e eventuais dificuldades.

Por mais que o mito sobre a Aids tenha sido esclarecido e só gente bem ignorante ainda não entende como ela funciona, que todos estão sujeitos ao perigo e tal, há um coro que pergunta: como um cara teria Aids, não passou para a mulher, teve um filho sem o vírus e continua vivendo ‘numa boa’ duas décadas e meia depois?

Uma história surgiu há algum tempo que Johnson teria viajado ao Quênia para se encontrar com um curandeiro que teria arrancado o vírus do seu corpo e por isso nunca deu nenhum sinal da doença. Um outro cara, chamado Dr. Sebi, também alega ter curado Magic Johnson – junto com John Travolta e Eddie Murphy, que eu nunca soube que tinham Aids, mas tudo bem.

O próprio Magic desmente tudo isso. Ele, como porta-voz do combate ao HIV, garante que não está curado simplesmente por não existir uma cura ainda – e de um modo bem responsável sempre alerta para o risco eminente do vírus. O lance é que Magic sempre foi um cara saudável e que, milionário que é, teve acesso aos melhores e mais desenvolvidos tratamentos que existem – é, inclusive, garoto-propaganda de um laboratório. Por fim, Magic parece fazer parte de um grupo de portadores do vírus chamado LTNP, que ficam com o HIV armazenado no corpo durante muitos anos, mas sem se manifestar. Não é um privilégio exclusivo do jogador.

Mas claro que há quem duvide de tudo isso. Como há quem ache que a Aids foi uma doença criada pelo governo americano para controlar a população e exterminar alguns grupos de pessoas. Tem de tudo no mundo. Uma pena.

Confira a lista de jogos transmitidos pela ESPN na próxima temporada

A pouco mais de um mês do início da temporada da NBA, a ESPN divulgou a lista de jogos que irá transmitir na temporada regular. Segundo o anúncio da própria emissora, é praticamente o mesmo número de jogos do ano passado, aumentando de 131 para 134 – apesar de eu, contando a lista divulgada, só ter visto 125 jogos de temporada regular.

O canal vai ter os direitos de transmitir, ainda, com exclusividade as decisões do Leste e as finais da NBA. A Sportv deve ter direito às finais do Oeste – as duas emissoras têm os direitos revezados ano a ano.

Uma desvantagem perante o ano passado é que nesta temporada alguns times não terão qualquer transmissão pela ESPN, segundo a lista deles. Outros dez vão ter menos de dez jogos exibidos. As torcidas de Bulls, Mavericks, Suns e Knicks, grandes no Brasil, se ferraram. Pelo menos achei inteligente passar mais jogos de Timberwolves e Lakers, dois times interessantes para este ano. Enfim, isso ao menos justifica minha assinatura do League Pass sem peso na consciência.

A lista completa dos jogos você confere no site deles, neste link aqui. Quando a Sportv anunciar as suas transmissões, eu ressuscito a página do blog com o calendário geral, ok?

De esporte a ícone da cultura pop: como a NBA passou a vestir as pessoas

Sem sombra de dúvidas o que mais me fascina no basquete é o universo de coisas que extrapolam o jogo que acontece na quadra e toma proporções gigantescas, afetando a vida de milhões de pessoas que sequer assistem o esporte. Não que seja uma exclusividade do mundo da bola laranja, mas a equação resultante da história do jogo, sua ligação com a cultura urbana e o potencial de marketing super bem explorado pela NBA fazem com que o basquete seja o melhor exemplo desta gigantesca teia de influências.

Uma boa medida do tamanho monstruoso deste impacto é que já faz um bom tempo que as camisas regatas dos times e os calções largos de jogo não são itens para uso exclusivo do jogo. Já fazem parte do dia-a-dia. Até para quem não joga basquete, os modelos são bacanas de serem usados. Para quem joga, então, nem se fala.

O enredo que levou a isso não foi dos mais tranquilos. O basquete é um esporte relativamente novo, inventado na virada do século passado, e demorou uns 50 anos para emplacar de fato como um jogo sério, com ligas profissionais. Mesmo depois disso, dos anos 50 até o começo dos anos 80, era visto como um jogo menor. Esse atraso somado a todo o preconceito racial e social que foi explícito por muitos anos, os atletas não eram bem vistos. Suas roupas e seus artigos esportivos, idem.

A coisa começou a mudar com a popularização global da NBA no final dos anos 80 e com o ‘boom’ do hip hop no começo dos anos 90. O rap virou uma música que era tocada nas rádios, o basquete um jogo transmitido em todos os países. Jogadores e cantores, maiores embaixadores deste estilo, se transformaram alguns dos maiores ícones da cultura pop. Viraram os garotos propagandas das grandes marcas, alguns até astros de cinema.

Para se ter uma ideia a influência destes caras na moda de uma maneira geral, a escolha de Michael Jordan de não usar mais aqueles shorts apertando a virilha e escolher por bermudas mais largas e compridas mudou o figurino do esporte para sempre. Desde então, os uniformes mudaram e o estilo no mundo todo acompanhou essa tendência – até o futebol, outro esporte, adotou calções maiores nos anos seguintes.

O bastão de Michael Jordan foi passado para Kobe Bryant, Shaquille O’Neal, Kevin Garnett e, principalmente neste aspecto, Allen Iverson, que era o retrato do orgulho do hip hop e do streetball onde quer que fosse. Hoje, o estilo do basquete é totalmente mainstream. É até tendência.

A própria natureza do esporte colabora. Faz com que a o basquete seja um produto ‘vestível’ do no dia-a-dia. Diferente do futebol, futebol americano e qualquer outro jogo, não existem chuteiras de travas, capacetes e outros artefatos não usuais para o cotidiano.

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E com o tempo, os calções largos, moletons com capuz, as regatas de jogo, os tênis de quadra saíram dos guetos para tomar o mundo. Hoje, é sinônimo de estilo, que invade a vida das pessoas sem a mancha do preconceito.

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Lendas Urbanas da NBA: Jordan não se aposentou, mas foi suspenso pela NBA (?)

Então tricampeão, cestinha das últimas sete temporadas, finalmente incontestável melhor jogador de basquete de todos os tempos, Michael Jordan anunciava sua aposentadoria do jogo aos 30 anos de idade. A notícia era absurda. Os motivos, praticamente incompreensíveis: a falta de desafios no basquete e o desejo de jogar baseball eram suficientes para que o jogador mais competitivo que já existiu largar mão de tudo?

Então, na coletiva de imprensa em que anunciava oficialmente sua saída de cena, Jordan é questionado se voltaria um dia a jogar basquete profissionalmente e ele responde: “se minha vontade voltar, se o Bulls precisar, se David Stern deixar, eu posso voltar, sim”. Pronto, já estava claro para alguns: Michael Jordan não estava de fato se aposentando, mas na verdade iria cumprir uma suspensão secreta por abusar das apostas e, assim que o manda-chuva da NBA permitisse, voltaria a vestir a regata do Chicago.

A teoria conspiratória tem sustentação na realidade, de fato. Michael Jordan vinha acumulando problemas associados ao seu vício em apostar grana em jogos de golfe e cartas e a pressão da imprensa por atitudes por parte da liga vinham crescendo substancialmente.

Nos meses anteriores alguns casos específicos confirmariam as suspeitas. Em 1992, a polícia prendeu um traficante chamado James “Slim” Bouler com um cheque no valor de 57 mil dólares assinado por Jordan. Meses depois, encontrou outro cheque de MJ, no valor de 108 mil dólares, na casa de Eddie Dow, um agiota assassinado – a biografia de Michael escrita por David Halberstam conta que o jogador contraiu as dívidas em uma temporada de jogatinas com os dois depois do título de 1991.

Aproveitando toda a confusão, um cara chamado Richard Esquinas escreveu um livro sobre seu vício em jogo e disse que já tinha tirado mais de 1 milhão de Jordan e que ele ainda o devia 300 mil – confirmados pelo atleta depois. A NBA, naturalmente, ficou bastante incomodada com tudo isso. Jordan era o melhor jogador da melhor época da liga. A ida do Dream Team para Barcelona, a renovação dos contratos de TV e a popularização do esporte pelo globo multiplicavam as cifras e Michael Jordan era seu garoto-propaganda absoluto.

A relação de apostas e esporte notoriamente polêmica e muitos jornalistas cobravam uma atitude da liga, que nada fazia se apoiando no fato de que Jordan nunca tinha sido pego apostando em basquete, apenas em golfe e jogos de cartas.

O estopim foi Michael ter sido visto em um cassino de Atlantic City entre um jogo e outro das finais da conferência Leste dos playoffs de 1993. A imprensa dizia que Jordan estava descontrolado. O jogador se irritava com isso e ficava ainda mais arredio. Bob Costas, comentarista da NBC, chegou a confrontar David Stern no ar, perguntando se a NBA não faria nada para frear as jogatinas de Jordan.

Stern não manifestava publicamente preocupação. Era de se entender, já que desvalorizar Jordan era fazer a NBA perder muito dinheiro. A solução seria, então, uma punição por debaixo dos panos. MJ ficaria um tempo sem jogar, a poeira iria baixar e o foco seria desviado. A ausência dele também ajudaria a liga a formar novos ídolos, já que estava carente de Larry Bird e Magic Johnson e todos os holofotes se concentravam em Michael. Passada a tempestade, Jordan poderia voltar – como voltou, de fato, um ano e meio depois.

O péssimo rendimento de Jordan no baseball é outra fonte de desconfiança da turma mais paranoica. Já que a falta de competitividade era um argumento para não jogar mais basquete, seria também para não jogar baseball – era muito bom em um e muito ruim em outro, sem competitividade em ambos.

Oficialmente – e de acordo com os relatos mais confiáveis da sua biografia e do livro de Phil Jackson, “Onze Anéis” – Jordan estava de saco cheio da imprensa e de ter sua vida importunada por tanta gente. Esta prestes a enlouquecer. Queria dar um tempo urgentemente. Perdeu a cabeça quando seu pai morreu assassinado em agosto de 1993 e repórteres transformaram o velório em um evento público – a morte do pai, aliás, segundo outras teorias malucas, teria sido um acerto de contas por causa de… apostas.

Phil Jackson, técnico do Bulls, sugeriu que o jogador ficasse uma temporada fora de cena e voltasse apenas para jogar os playoffs. Jordan, segundo Phil, disse que pensou nisso, mas que achava que não seria o suficiente. Queria descansar de vez. Não queria colocar uma data de retorno certa. Queria se aposentar mesmo.

Pelo visto, as apostas eram um problema real de Michael Jordan. O assédio da imprensa e a cobrança dela por conta deste vício, também. Mas é difícil de engolir que tudo tenha sido um mero jogo de cena.

Lendas Urbanas da NBA: A conspiração que levou Ewing ao Knicks

A história que muitos acreditam ser a verdade por trás da ida de Patrick Ewing ao New York Knicks muito possivelmente foi escrita por Gunther Schwiter, o cara que ficou conhecido como o autor do texto que denunciava o grande esquema que deu o título da Copa do Mundo de 98 para a França.

O ano era 1985 e David Stern completava um ano no cargo de comissário geral da NBA. Ele assumiu o cargo uma temporada antes com duas missões muito claras: tornar a liga mais competitiva e alavancá-la financeiramente.

A NBA não era o campeonato que temos como referência hoje, uma liga rica, mundialmente reconhecida e tudo mais. Era apenas o torneio do quarto esporte americano, mais novo de todos, com menos audiência e com a maior concentração de campeões em toda a sua existência.

Um dos maiores problemas era que dos 23 times que estavam em ação, uns seis jogavam descaradamente para perder e tentar a sorte no draft ao final da temporada. Logo, os 82 jogos da temporada regular quase não serviam para nada, já que praticamente todo mundo que estivesse interessado no mata-mata conseguia se classificar – se hoje o tanking já é chato, imagina naquela época.

O método vigente naquele momento para escolher o time que teria a primeira pick no draft era um banal ‘cara ou coroa’ entre os dois times de pior campanha no torneio anterior, um de cada conferência. Ou seja, perder de propósito era bastante recompensador e muitos times apostavam nesta estratégia para, no futuro, virarem forças dominantes como eram o Boston Celtics e o Los Angeles Lakers. Para piorar as coisas, o Houston Rockets tinha conseguido a primeira escolha em dois anos consecutivos, o que automaticamente já mudava seu patamar na liga.

Stern até vinha negociando um contrato gordo de televisão, um de seus objetivos iniciais para dar visibilidade ao basquete, mas muita gente questionava se ele se confirmaria caso, em quadra, os times continuassem sendo incentivados a perder. Para completar, um prodígio era dado como certo para a primeira escolha de 1985: Patrick Ewing, um pivô fenômeno do esporte universitário que estava pronto para colaborar imediatamente para qualquer time que o pegasse.

Para que a chegada de Ewing à competição não fosse desperdiçada em um draft mais uma vez sem graça e o hype ao seu redor não caísse em um time medíocre, Stern inventou um modelo de sorteio mais imprevisível. Naquele ano, todos os oito times que ficaram de fora dos playoffs teriam as mesmas chances de pegar a primeira escolha. Sete envelopes seriam colocados dentro de uma caixa e a ordem das escolhas seria definida a partir da sequência em que eles fossem retirados, simples assim.

O New York Knicks, por sua vez, vinha da sua pior campanha em muitos anos. Bernard King, ídolo local, tinha passado metade da temporada lesionado e o Madison Square Garden, maior palco do basquete, vinha registrando recordes negativos de público. O time de Nova York inha sido o terceiro pior time da temporada e iria para a loteria do draft ao lado de Indiana, Golden State, Clippers, Kansas City, Atlanta e Seattle.

O burburinho começou a crescer quando as regras do sorteio foram anunciadas e tomaram corpo quando o New York Times soltou um artigo dizendo que seria muito mais fácil renovar o contrato de transmissão da tevê nos termos negociados por Stern caso Ewing fosse jogar na Meca do basquete.

O cenário era perfeito para os paranoicos confabularem. A tensão que permeava o novo sistema de escolha só piorava as coisas. A dinâmica do sorteio e, pior, da divulgação do seu resultado era ainda mais cretina: valeria o sorteio feito por Stern, mas ele seria divulgado de trás para frente, da pior para a melhor posição. Um suspense tremendo para confirmar o que muita gente ‘já sabia’.

A mecânica do negócio também abriu margem para dúvidas. Os sete envelopes gigantes foram colocados em sequência, sem passar por uma conferência externa, dentro de um globo de plástico não grande o suficiente para que os papéis girassem enlouquecidamente lá dentro. Alguns deles, o escolhido, inclusive, se dobraram com o movimento. Tudo isso serviria como argumento posterior para comprovar aquilo que seria uma fraude: sem uma conferência externa, o envelope do Knicks poderia estar em uma temperatura diferente dos demais ou uma daquelas dobras era, na verdade, uma marcação para indicar a Stern qual das cartelas deveria escolher.

Para piorar as coisas, David segura dois envelopes de uma vez, em uma fração de segundos nota que pegou mais do que deveria e descarta um deles. O escolhido, óbvio, é o do New York Knicks.

Olhando bem o acontecido, eu diria que tem que ser muito maluco para achar que tudo ali foi calculado. Toda a sucessão de eventos parece bem casual e a ‘sorte’ de Stern e da NBA de Ewing cair bem na franquia em que ele seria melhor aproveitado comercialmente não passa de um acaso e do resultado de um formado de sorteio bem ruim – tanto é que em 1987 o esquema teve algumas alterações, fazendo com que apenas as três primeiras escolhas fossem decididas na escolha aleatória dos envelopes e em 1989 o método foi completamente abandonado de vez.

A NBA também não foi salva exclusivamente pela dobradinha Knicks e Ewing – principalmente se comparados ao impacto da Nike, das tevês, da abertura da NBA para o mundo e, principalmente, de Michael Jordan. Mas é claro que é muito mais legal perpetuar uma história como essa.

Lendas Urbanas da NBA: Delonte West e a mãe de Lebron James

Nenhuma história está absolutamente imune das fantasias de quem as viveu e de quem as conta. Todo grande feito tem aquela pitada de exagero que faz dele algo quase sobrenatural. Que faz as conquistas deixarem o plano mundano e virarem algo épico. Faz parte. Elevando isso a outros patamares, eu tenho um fascínio especial por aquelas lendas urbanas que povoam o imaginário dos torcedores ao longo dos anos. Mais do que saber se Jordan estava mesmo com a cabeça explodindo de febre naquele jogo da final de 20 anos atrás, eu gosto das histórias que mostram toda a criatividade da turma, que alimentam teorias da conspiração e que, na maior parte das vezes, têm relevância zero para o jogo. E o melhor de tudo: nunca vamos saber se foram reais ou não, já que interessa mais a todos perpetuar as lendas do que esclarecê-las.

Aproveitando que não acontece absolutamente nada na liga neste período e preparando o terreno para o que está por vir (semana que vem começo a postar as previsões para a temporada, time a time), lanço uma série de cinco posts com lendas que cercam a NBA. Começo com uma clássica: o lindo caso de amor entre Delonte West e a mãe do seu colega de time Lebron James.

A história foi deflagrada durante os playoffs do Leste de 2010, logo após a eliminação do Cleveland Cavaliers diante o Boston Celtics. O time de Lebron e Delonte tinha sido a equipe de melhor campanha da conferência e o camisa 23 vinha comendo a bola, como de costume. A série chegou a estar 2 a 1 para o time de Ohio até que James estranhamente desmoronou tecnicamente em quadra e não conseguiu segurar a reação do Celtics, que fechou a disputa em 4 a 2.

A justificativa é que entre um jogo e outro Lebron descobriu o que supostamente todos sabiam em Cleveland: sua mãe Gloria estava desfrutando dos prazeres da carne com seu colega Delonte West.

Um blog soltou a notícia alguns dias após a eliminação do Cavs. O autor da postagem, Terez Owens, que se diz o número 1 em fofocas relacionadas a esportes, disse que sua fonte era um confiável rapaz cujo tio trabalhava na arena do Cleveland e conhecia todos da franquia. Segundo ele, James descobriu o romance antes do jogo 4 e ficou arrasado. O acontecido teria também dividido o vestiário do Cavs, destruindo a química do elenco.

Nenhuma das partes se pronunciou logo de cara e, como toda gozação pra cima de Lebron, a história cresceu. Diziam até que Dan Gilbert, dono do Cavs, confirmava o caso – apesar dele nunca ter se pronunciado publicamente sobre isso.

No final das contas, a única pessoa que deu a cara a tapa para dizer que rolava um affair entre Delonte e Gloria foi o ex-jogador do Houston Rockets e, na época, comentarista da ESPN Radio, Calvin Murphy, que não tinha absolutamente nada a ver com o Cleveland, West ou James – e tem em sua ficha corrida a acusação de ter abusado cinco das suas quatorze filhas que teve com nove mulheres diferentes…

Segundo o blogueiro que soltou a informação, Lebron James o processou pela história, mas a merda já estava feita: todo mundo atribuía a queda de rendimento de James e a eliminação do Cavs à história.

O contexto e o preconceito da turma só piorava as coisas. Delonte West era aquele maloqueiro assumido. Seu estilo podrão dentro e fora das quadras casam perfeitamente com a história. O papel de Gloria no enredo da vida de Lebron também reforçavam a fantasia da torcida mais troglodita, machista e intransigente: foi mãe solteira ainda na adolescência, criou o garoto prodígio sozinha e teria encontrado conforto nos braços de um novo bad boy. Era mais fácil acreditar nisso do que no vacilo em quadra do herói supostamente infalível.

A lenda esteve em alta ainda por um tempo considerável. Chegou ao nível de, com a saída de Lebron para o Miami Heat, justificarem a contratação de Delonte West pelo Boston Celtics como uma arma secreta para, em um eventual confronto nos playoffs, a presença do ‘padrasto’ intimidar James (o confronto existiu, mas o Heat saiu vitorioso com boas atuações de Lebron).

Alguns anos depois, Delonte West veio a público dizer que nada tinha acontecido, que a história não tinha pé nem cabeça e que nunca se envolveu com a mãe de Lebron.

O técnico do Denver Nuggets, Mike Malone, que na época era assistente do Cavs, também já deu sua versão sobre o caso, alegando que os números de Lebron nem caíram tanto na série e que a derrota tinha mais a ver com a casca dura do Celtics, com uma virada reveladora no jogo cinco e com uma lesão no cotovelo do então MVP do que com qualquer abalo psicológico de James.

Mesmo assim, a lenda resiste e muita gente vai viver e morrer acreditando que Delonte era o pai que Lebron nunca quis ter, mas teve.

Até quando Isaiah Thomas será rejeitado?

Nem que seja timidamente, nem que seja uma breve desconfiança, mas absolutamente todo mundo duvida ou já duvidou das capacidades de Isaiah Thomas. A rejeição ao seu tamanho, à sua defesa, ao seu jogo é uma tônica na sua carreira. A ameaça do Cleveland Cavaliers de voltar a troca e a atitude do Boston Celtics em ceder à pressão e juntar mais uma escolha de segundo round de 2020 ao pacote da negociação são apenas dois exemplos disso.

O que eu me pergunto é: o que Thomas precisará fazer para que a gente pare de desconfiar dele? Até quando faremos isso?

Que ele tenha sido a última escolha do draft, mesmo com números muito melhores nos três anos de universidade do que dezenas de outros armadores que tentaram entrar na NBA, é compreensível – seus 1,75 m podem sobreviver a um torneio universitário, mas parecem risíveis para uma liga de homens adultos.

Eu também entendo que, mesmo sendo uma grata surpresa nos dois primeiros anos na liga e ter sido o jogador mais produtivo da equipe na sua terceira temporada, o Sacramento Kings tenha escolhido trocá-lo por um calouro que nunca pisou numa quadra da NBA por acharque Thomas não era bom o suficiente para liderar a retomada da franquia – por mais que essa reviravolta ainda não tenha acontecido no time californiano e Isaiah tenha se tornado All Star e All NBA alguns anos depois.

Na época, não discordei e também não lembro de muita gente criticando o fato de Thomas ser reserva do Phoenix Suns, sua nova equipe, atrás de Eric Bledsoe e Goran Dragic, apesar de ter o maior Player Efficiency Rating (PER) de todo o time, ter uma pontuação quase tão boa quanto as dos titulares com quase 10 minutos a menos de jogo de média e ter um impacto ofensivo consideravelmente maior do que todos os titulares (maior Offensive Rating). Mesmo com estes números, o Suns se livrou dele para prestigiar Eric Bledsoe e para conseguir Brandon Knight – por mais que nenhum dos dois tenha conseguido jogar mais de 66 partidas em uma temporada e o Suns não tenha superado a marca de 24 vitórias em um ano desde então.

Muita gente também achou que era normal que Thomas fosse reserva do Boston Celtics, time que o acolheu, mesmo sendo o cestinha da equipe e mesmo que o time tenha se recuperado de uma campanha ruim desde a sua chegada (estava com 21 vitórias e 30 derrotas até a troca e teve 20 vitórias e 11 derrotas depois disso). Afinal, o consenso era de que Isaiah era bom, mas só para cumprir determinadas tarefas em quadra, para aproveitar a correria dos times reservas, para infernizar o final do jogo e não para ser o craque da franquia – por mais que já fosse.

(AP Photo/Elise Amendola)

Duas temporadas se passaram, Isaiah virou o favorito dos torcedores do Boston Celtics, se consolidou como o melhor jogador da equipe de melhor campanha na conferência, se confirmou como uma das mais letais ameaças ofensivas da liga e até demonstrou todo o seu comprometimento com o jogo ao entrar em quadra no mesmo dia da confirmação da morte da sua irmã mais nova em um trágico acidente de carro. Fez absolutamente tudo que se espera de uma estrela inquestionável. E mesmo quando era para ele nunca mais ser questionado, uma densa nuvem de dúvida segue pairando sobre sua cabeça.

Primeiro, o Boston Celtics abre mão do jogador por Kyrie Irving, o colocando em um pacote volumoso, em que, na cabeça dos executivos dos dois times envolvidos, foi preciso incluir Jae Crowder, um pivô calouro e uma valiosa escolha de primeiro round do ano que vem para que ‘as qualidades fossem equiparadas’ – por mais que Thomas tenha jogado muito mais que Irving na última temporada.

Depois, o Cleveland Cavaliers reclama que o ‘pack’ não foi bom o bastante, que Thomas pode estar bichado e que precisa de ainda mais contrapartidas para assumir o risco de ficar com o jogador – choradeira atendida pelo Boston, que envia mais uma escolha de draft.

Entendo que Thomas esteja machucado e não duvido que a lesão possa ser séria, mas é impressionante o tanto de vezes que Isaiah foi rejeitado, duvidado, questionado ao longo da sua carreira, mesmo que em absolutamente todas as oportunidades ele tenha provado que merecia um tratamento mais respeitoso. Tenha mostrado que sempre foi menosprezado injustamente.

Diante disso, não consigo imaginar o que ele precisa fazer para que finalmente um dia seja tratado como um jogador do quilate que é – o terceiro maior pontuador da liga, o nono mais preciso nos chutes, um dos doze all stars do Leste e um dos quinze all NBA da liga toda na temporada passada.

O lado bom disso, é que a desconfiança parece ser uma gasolina do jogo do armador. Que ele nos prove mais uma vez que todos estavam errados. E, se fizer isso, que seja a última vez que duvidemos dele.

Cavs pode barganhar na troca Irving-Thomas, mas não deveria tentar

É verdade que o Cleveland Cavaliers pode pedir uma revisão da troca que envolve Isaiah Thomas e Kyrie Irving se a saúde do armador que era do Celtics estiver comprometida – Isaiah está com uma lesão no quadril e, segundo exames médicos realizados pelo Cavs, seu rendimento poderia ser abalado nos próximos anos por conta do ocorrido. Segundo Adrian Wojnarowski, da ESPN, o time de Lebron James teria pedido mais jogadores para completar a negociação, sob ameaça de cancelar a troca.

O Cleveland pode, realmente, fazer este tipo de ameaça, mas não vejo mais do que um blefe irresponsável ou um boato mal contado. Mesmo que Thomas esteja baleado, o Cavs tem muito a perder cancelando o acordo. Por mais que ficar com um jogador machucado seja um pepino, seria um negócio ainda pior voltar tudo como estava uma semana atrás – e é isso que aconteceria caso o Celtics se recusasse a mandar Jaylen Brown ou Jayson Tatum, os dois jogadores que o Cavs sonha envolver no bolo.

Digo isso por vários motivos. Para começo de conversa, Kyrie Irving teria que voltar ao elenco ainda mais insatisfeito e deslocado. Como não há nenhum clima para ele ficar em Cleveland, o jogador teria que ser trocado por qualquer coisa. Se as propostas já eram ruins antes, agora seriam ainda mais indecentes. Seu valor de mercado seria ridículo se comparado ao seu basquete.

Fora isso, o time perderia elementos que fizeram da troca um achado surreal para a franquia do Ohio. Perderia um coadjuvante muito bom com um contrato sensacional (Jae Crowder), um prospecto que pode vir a ser interessante (Ante Zizic) e um ativo fundamental (escolha de primeiro round do Nets do ano que vem) diante da possibilidade da saída de Lebron James e a necessidade de se reformular por completo.

Por tudo isso que foi colocado no pacote por Irving, vale a dúvida quanto a saúde de Thomas. Se ele se recuperar bem, é uma troca inimaginável diante das circunstâncias. Se não, pelo menos é um jogador com apenas um ano de contrato.

No fundo, eu não duvido que tudo isso faça parte de um jogo do front office para abalar as pretensões de Isaiah buscar um contrato máximo na próxima offseason. Para a diretoria do Cavs é interessante que o armador chegue jogando, mas sem toda aquela moral perante o resto da liga – o que forçaria a franquia a abrir mão dele ou gastar tudo o que não tem para mantê-lo.

Tem quem cubra o Cleveland e diga que é mais ou menos por aí e que, na verdade, ninguém no clube queira pedir este ou aquele jogador a mais na negociação – pois sabe-se que há um risco de colocar tudo a perder.

Trocas envolvendo jogadores seriamente lesionados já foram canceladas em outras oportunidades, é verdade, mas em nenhuma destas vezes jogadores tão importantes estavam nestas negociações – e as situações dos dois times também não seriam tão profundamente afetadas por elas.

Ter Isaiah Thomas machucado em seu elenco não seria bom, mas arriscar voltar a troca seria ainda pior para o Cleveland.

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