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Os dois calouros de Los Angeles

A primeira rodada da NBA mostrou porque essa turma de calouros chegou tão badalada no draft. Seis dos jovens mais falados que estrearam entre terça e ontem já chegaram na liga profissional anotando mais de 10 pontos, três deles fizeram duplo-duplo. Não lembro de uma classe de draft que tenha começado tão bem.

Isso que ainda faltam dois dos calouros que, de maneiras completamente opostas, despertam as maiores das expectativas. Lonzo Ball, do Los Angeles Lakers, e Milos Teodosic, do Los Angeles Clippers, se enfrentam hoje de madrugada para darem a primeira de muitas respostas se vão conseguir corresponder tudo que se espera deles.

O calouro do Lakers parece um predestinado. Jogou em UCLA, a universidade local, e tem a pinta de estrela que qualquer jogador que pretende fazer sucesso no maior time do Oeste da NBA tem que ter. Tudo isso reforçado pela lingua solta do seu pai, Lavar Ball, que faz questão de dizer que, sim, Lonzo ser armador do Lakers já estava desenhado como seu destino quando os deuses do esporte o tocaram em outra encarnação.

Mas não é só a ladainha de Lavar que faz da chegada de Lonzo ao Lakers uma coisa quase que mística. O jogador surgiu no ápice do processo de reconstrução do time, justamente durante um hiato de estrelato do time que mais viveu de estrelas em toda a história da liga. Calhou do Lakers ter a segunda escolha, o Boston e o Philadelphia trocarem a primeira e a terceira posição e Ball se garantir como o armador que, se todo o plano der certo, vai carregar a franquia angelina pela próxima década.

Inegavelmente, parece o cara certo na hora certa. E até por isso todos os holofotes possíveis estão sobre ele. O antigo projeto de franchise players do Lakers, D’Angelo Russell, foi trocado justamente pela direção da franquia entender que ele não tinha o cacife para assumir este papel – algo que apostam que Ball tem. Uma responsabilidade que cai como uma bigorna nas costas de um garoto que nunca jogou uma partida profissional.

Do outro lado da quadra, onze anos mais velho, há treze jogando como profissional e com a banca de ter sido melhor jogador do mundo fora da NBA até poucos meses atrás, Milos Teodosic chega do outro lado do Atlântico para estrear pelo Los Angeles Clippers.

O sérvio não vai chegar com a mesma pressão de público e mídia de Lonzo, já que chega em um Clippers reformulado, mais discreto e já com dono (Blake Griffin) mas enfrentará a necessidade de defender a sua reputação.

Por mais que seja conhecida a dificuldade de jogadores escolados no basquete europeu se adaptarem de imediato nos Estados Unidos, Teodosic chega com a fama de ser o melhor de todos há alguns anos.

Ele também encontra um cenário divido no Clippers. Um exímio passador como ele é a peça chave para um time com tantos finalizadores, como Danilo Gallinari, Blake Griffin e Deandre Jordan. Ao mesmo tempo, Gallo, Blake, Austin Rivers, Patrick Beverley e Lou Williams adoram carregar a bola, criar seus próprios arremessos e organizar o jogo cada um à sua maneira, algo que aniquila o potencial de um organizador nato como Milos.

Além de tudo isso, chega com a responsabilidade de substituir o melhor armador nato da NBA na última década, Chris Paul. Mais até, foi o jogador que conseguiu, por um breve momento, mudar o status da franquia. Deixou de ser o pior time da história da liga para ser uma presença constante nos playoffs.

Dois jogadores com responsabilidades diferentes, mas com tamanhos parecidos, que hoje começam a ser colocadas à prova.

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Anticlímax de abertura

As altas expectativas para o começo da temporada não tinham como ser frustradas de maneira mais acachapante. Por mais que os dois jogos tenham sido disputados até a última posse de bola, com um equilíbrio surpreendentemente positivo – especialmente no caso de Golden State Warriors e Houston Rockets – a imagem da lesão de Gordon Hayward foi o que marcou a noite de abertura da temporada.

Se você ainda não viu o que aconteceu, recomendo que nem veja o lance, mas saiba que o ala do Boston Celtics, maior contratação via free agency da temporada, se lesionou feio ainda no primeiro quarto de partida, quando tentava pegar a bola em uma ponte aérea lançada por Kyrie Irving. A imagem foi chocante. O jogador caiu de um jeito estranho e, ao tentar se levantar, viu seu pé virado para o sentido contrário do que deveria. Horrível!

Foi tão pesado que a transmissão oficial nem mostrou direito Hayward sendo atendido e retirado de quadra – ao contrário do Sportv, que repetiu algumas vezes o lance, reexibiu várias vezes a lesão de Paul George de três anos atrás, até que todos os telespectadores ficassem de estômago embrulhado.

Toda a animação pela partida de estreia, pela formação de uma nova rivalidade, pelo campeonato que se iniciava se derreteu com a lesão. O clima de aflição e preocupação que tomou a quadra, as arquibancadas e depois reverberou por todo o universo da NBA foi dominante.

(divulgação/Boston Celtics)

Por alguns segundos, jogadores do Boston Celtics se abraçaram, como quem tentava recuperar forças para voltar à quadra e continuar jogando com a mesma intensidade – o que só conseguiram fazer a partir do terceiro quarto, quase meia hora depois, mas com garra suficiente para tirar uma vantagem de 18 pontos, virar a partida e levar o jogo ponto a ponto até o minuto final, quando Lebron James decidiu a parada.

O foda da situação não é só a lesão em si, terrível, mas todo o contexto. O Boston se reformulou por completo para tentar se transformar na próxima potência da NBA e Gordon foi a grande aposta do time para este projeto – Kyrie, a grande estrela, chegou por um acaso do destino.

O casamento entre Celtics e Hayward também foi uma aposta para as duas partes. Uma aposta com concessões de ambos. O ala abriu mão de ser a estrela do Utah Jazz, time onde jogou sua carreira inteira, para ser parte da engrenagem do novo time. O Boston se desfez de Avery Bradley, condenou sua folha salarial, trocou o elenco inteiro também para acomodar Gordon. O jogo de ontem era o primeiro passo de tudo isso que estava planejado.

Não sei o quanto isso pode ser adiado. A equipe se mostrou muito aguerrida e as principais apostas de Danny Ainge (Jaylen Brown, Jayson Tatum e Terry Rozier) se saíram muito bem. O time pareceu muito encaixado, apesar de estar jogando uma partida de verdade pela primeira vez juntos.

A preocupação maior fica em relação à saúde de Hayward. O primeiro report é de que ele quebrou o tornozelo, mas a imagem dá a entender que ele teve lesões nos ligamentos (atualização: não teve). É possível que não volte a jogar nesta temporada. Espero que, quando voltar, seja lá quando for, esteja bem e renovado.

Espero, também, que a segunda noite de basquete seja mais tranquila.

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Palpites fundamentais para a temporada 2017/2018

Já virou tradição aqui no blog eu fazer este post de palpites para a temporada. Não são previsões tão sérias (como as que fiz, time a time) e nem todas elas têm a ver com o basquete jogado na quadra. É mais uma série de chutes sobre o que eu acho que pode rolar ao longo do ano, o que eu gostaria que acontecesse e o que possivelmente não vai rolar, mas que eu quero ser o primeiro a dizer que pode acontecer. Já fiz isso nas últimas duas temporadas e tive até que um aproveitamento bom nos acertos – e você pode conferir a prestação de contas de 2016 e 2017 para comprovar o que eu falei de besteira também.

Enfim, vamos aos chutes:

  • Isaiah Thomas só vai voltar a jogar perto do All Star Game, em fevereiro do ano que vem.
  • Mas o backcourt com Derrick Rose e Dwyane Wade vai encaixar tão bem que o torcedor do Cavs não vai ter pressa para que Thomas volte.
  • Houston Rockets e Oklahoma City Thunder ficarão na frente do San Antonio Spurs na temporada regular.
  • Chicago Bulls não vai ficar nem em último, nem em penúltimo no Leste.
  • New Orleans Pelicans vai se classificar para os playoffs.
  • Los Angeles Lakers não vai nem ameaçar se classificar.
  • Lonzo Ball será o Calouro do Ano em uma votação apertada.
  • Milos Teodosic vai empolgar mais do que Markelle Fultz e Jayson Tatum.
  • Marc Gasol será trocado no meio da temporada. Demarcus Cousins não.
  • Joel Embiid jogará mais do que 70 jogos.
  • Orlando Magic e Detroit Pistons terminam a temporada na frente do Philadelphia 76ers, que não irá aos playoffs.
  • New York Knicks será a piada da NBA. Vai acabar a lua de mel entre a torcida do time e Kristaps Porzingis.
  • James Harden será o cestinha da temporada. Kyrie Irving e Demar Derozan ficarão no top 5.
  • O título de MVP da temporada será disputado cabeça a cabeça entre Kevin Durant e Lebron James.
  • E o título da NBA, mais uma vez, será decidido entre Golden State Warriors e Cleveland Cavaliers.
  • Desta vez, em sete jogos.

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[Previsão 17/18] Brasileiros na NBA: cada vez mais discretos

Alguns leitores me questionaram por não ter falado dos brasileiros nas análises dos times em que cada um deles joga. Não foi desatenção, não. Foi proposital. Os motivos são dois. Primeiro que, via de regra, eles são irrelevantes para suas equipes. Segundo que preferi fazer um post só deles. Da forma como os posts sobre os times foram feitos, eu teria que dar uma importância desproporcional para eles se fosse citá-los.

É duro admitir que esta deve ser a temporada em que os jogadores do Brasil terão a participação mais discreta desde que Nene foi draftado, em 2002, e reabriu a porteira da liga para os compatriotas.

A temporada passada já foi nessa linha. Ainda que 9 jogadores daqui tenham entrado em quadra (o maior número), nunca eles jogaram tão pouco. Na média, cada um deles jogou 564 minutos. Nene, o que mais jogou e, ficou 1198 minutos em quadra. Caboclo, o que menos jogou, teve 40 minutos.

Acho que esse cálculo é uma boa medida pois mostra que, mesmo que vários times tivessem brasileiros, eles eram totalmente irrelevantes em sua maioria. No máximo eram reservas úteis.

O número é mais baixo do que de anos em que o Brasil teve vários jogadores que assinaram contratos temporários – e acabaram jogando pouquíssimos minutos. O que contrabalanceava era que outros jogadores eram bem participativos em suas equipes (Leandrinho no Suns, Nene em Denver, Splitter no Spurs, Varejão no Cavs).

Essa geração está já no final de carreira e os seus substitutos não vingaram. Tiago já cogita se aposentar, Varejão e Leandrinho não conseguiram contrato, Huertas fez as malas para voltar à Espanha.

Na outra ponta, a coisa parece pior agora do que era há uma ou duas temporadas. No Raptors, Lucas Nogueira saiu do time titular no meio do campeonato para esquentar o fundo do banco canadense. Desde que Serge Ibaka chegou ao time, o pivô brasileiro foi praticamente descartado. Entrou em quadra em dez jogos apenas. Jogou 6 minutos por partida desde então.

O problema ali é a falta de confiança que o jogador desperta na comissão técnica. A defesa não é inteligente o suficiente para um jogador com seu físico e o ataque é limitado. Bebê também tem um sério problema de perder a bola uma vez a cada cinco posses em que ele é envolvido – uma média absurdamente alta.

Para este ano, seu envolvimento com o time deve ser quase nulo, já que a concorrência só tem crescido. Os jovens Jakob Poeltl e Pascal Siakam estão com mais moral que ele no time, por exemplo.

Mesmo time, mesmo problema com Bruno Caboclo. O jogador mal entrou em quadra pelo time desde que foi draftado, apesar das altas expectativas que o time tem (ou tinha) com o “Brazilian Kevin Durant”. Quando jogou, foi péssimo – o que até tem que ser ponderado, já que não há sequência.

Quando foi escolhido, um jornalista de Toronto brincou que ele estava “a dois anos de estar a dois anos de estar pronto para a NBA”. No caso, o tempo tem passado e Bruno parece que não está tão perto do amadurecimento que estava previsto – por mais que o horizonte fosse confusamente distante.

Os últimos meses pioraram a condição do jogador. Teve um surto jogando pela Seleção Brasileira e abandonou o time por ter sido colocado no banco de reservas durante um jogo. O caso deflagrou alguns problemas comportamentais do atleta, que parece que já vinham acontecendo pela franquia do Raptors na G-League.

Pela pré-temporada, justamente quando até os piores jogadores que existem vão bem, Caboclo foi tenebroso. Ao longo de quatro jogos, fez três cestas em 17 arremessos. Cometeu sete turnovers.

Por mais que, em tese, as negociações da offseason tenham favorecido sua posição no plantel, seu desempenho recente não é animador o suficiente para cavar um lugar cativo na rotação. A menos que o staff do Toronto insista muito nele até pegar ritmo e mostrar algo de bom, é provável que não tempo significativo de jogo na temporada.

Raulzinho está em uma situação um pouco melhor. Ele seria, mais uma vez, o terceiro armador do Utah Jazz apenas, assim como na temporada passada. Mas a lesão de Dante Exum, que deve tirá-lo de ação por vários meses, alçou o brasileiro a reserva imediato de Ricky Rubio. Deve, então, ter uma minutagem parecida com a da temporada de estreia, que conseguiu ser titular em vários jogos.

A única coisa que preocupa aqui é que Raulzinho vive uma curva descendente no Jazz – quando o normal seria o contrário. Começou bem, era titular e, pouco a pouco, foi perdendo espaço. No primeiro ano, o técnico Quin Snyder chegou a buscar um armador no mercado no meio da temporada, tamanha a desconfiança em relação ao brasileiro. Ano passado, jogou metade dos minutos da primeira temporada. Não fosse a lesão do australiano Exum, Raulzinho teria dificuldades para cavar espaço na rotação.

Os outros dois brasileiros que estão na liga são os únicos que devem ter algum destaque, ainda que cada qual tenha suas ressalvas. Cristiano Felicio renovou contrato com o Bulls e é o reserva imediato de Robin Lopez. Mesmo que ainda esteja no banco, Felicio está aos poucos ganhando espaço. Triplicou seu tempo de jogo ano passado e tem tudo para jogar ainda mais agora.

O triste é que o Bulls é um dos piores times da liga atualmente. Por mais que vá muito bem, se destaque e tudo mais, dificilmente alguma coisa decente sairá dali. E como seu vínculo com o time é de quatro anos, a perspectiva é sofrer em Chicago por um bom tempo.

O lado bom disso é que o time tem boas chances de promovê-lo a titular com o passar o tempo. Como o time não vai disputar nada mesmo, seria sensato colocar os caras mais jovens para rodar em quadra ao invés de insistir em um veterano como Lopez. Meu palpite é que ele passará a começar as partidas na segunda metade do campeonato.

Nene também tem sua importância no Houston Rockets. É reserva de Clint Capela, mas é um dos jogadores mais seguros da segunda unidade da equipe – aliás, a formação reserva do Rockets é uma das melhores e mais eficientes da NBA toda. Ao mesmo tempo que é um jogador importante em um dos melhores times da liga, é possível que ele seja poupado, tenha seus minutos reduzidor durante a temporada regular, já que sempre teve problemas de lesão, já tem 35 anos e se machucou na reta final dos playoffs passados.

Georginho, garoto jovem e promissor que chegou a assinar com o Houston para a temporada, foi dispensado pelo time na data limite para que os jogadores desprotegidos fossem descartados sem ônus para as franquias. Pode até pintar em algum time ao longo do ano, mas vai ter que mendigar poucos e preciosos minutos de jogo.

No final das contas, o retrato dos brasileiros na NBA não é animadora. A maioria dos veteranos não tem mais espaço em nenhum time e os mais novos ainda não conseguiram mostrar que podem jogar la liga. Salvo raras exceções.

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[Previsão 17/18] Confira a análise de todos os times para a temporada!

Foi um mês com posts todos os dias sobre como cada time entra para a temporada que se inicia. Se perdeu algum, vale a pena ler. Se já leu, guarda aí para jogar na minha cara quando a previsão se confirmar completamente errada.

Na briga pelo título

Golden State Warriors: para confirmar seu lugar na história

Cleveland Cavaliers: mais um ano, a mesma missão

Houston Rockets: o objetivo é coexistir

Boston Celtics: supertime em formação

Lutam por finais de conferência

San Antonio Spurs: a cultura é suficiente?

Washington Wizards: o intruso mais provável do Leste

Toronto Raptors: a oportunidade já passou?

Oklahoma City Thunder: antes bem acompanhado do que só

Devem se garantir nos playoffs

Milwaukee Bucks: à espera do auge de Giannis

Los Angeles Clippers: a esperança de ser um time bom mesmo sem Chris Paul

Miami Heat: nas mãos de Spoelstra

Minnesota Timberwolves: não há mais desculpas para não deslanchar

Brigam pelos playoffs

Utah Jazz: pela tradição do pick and roll

Denver Nuggets: discretamente, um time de playoffs

Portland Trail Blazers: a fuga da inércia

New Orleans Pelicans: o teste da contracultura do basquete

Memphis Grizzlies: por uma nova identidade

Charlotte Hornets: a insistência vale a pena?

Detroit Pistons: a soma de vários erros de avaliação

Philadelphia 76ers: o confronto da expectativa com a realidade

Orlando Magic: é devagar que se vai a lugar nenhum

Sem chances de playoffs

Dallas Mavericks: filosofia colocada à prova

Los Angeles Lakers: a esperança (e a pressão) chamada Lonzo Ball

Indiana Pacers: quando a ressaca pós-Paul George vai passar?

Sacramento Kings: choque de gerações

New York Knicks: os dois últimos dramas

Brooklyn Nets: o novo sentido da curva

Phoenix Suns: garotos em uma liga de adultos

Chicago Bulls: em busca da pior campanha possível

Atlanta Hawks: o pior time que você não vai ver jogar

 

[Previsão 17/18] Warriors: para confirmar seu lugar na história

Se você leu os outros trinta previews daqui do blog, você já deve estar meio cansado de ler que é quase impossível que algum time consiga bater o Golden State Warriors. Todos os times que se reforçaram e todos aqueles que já eram muito bons sempre foram analisados com a ressalva de que nada era o bastante para bater o atual campeão. E a verdade é essa: em condições normais de saúde, caso não aconteça uma ebulição inesperada no elenco, é muito difícil que o Golden State Warriors não termine o ano como o campeão da NBA.

Tudo que os outros times estão tentando fazer é correr atrás do GSW, que já era excelente nos outros anos e melhorou ainda mais com a chegada de Kevin Durant, um dos jogadores mais espetaculares da NBA atual. O encaixe foi perfeito, melhor do que era possível se imaginar, e as finais do campeonato passado mostraram como os outros times estavam a anos-luz do time do técnico Steve Kerr.

Nestas condições, claro, só a vitória interessa à franquia. E ela será fundamental para sedimentar melhor que lugar este time do Warriors ocupará no rol dos maiores times de todos os tempos.

Depois da campanha de 73 vitórias em uma temporada regular, o recorde histórico, muita gente se precipitou em dizer que aquele Warriors era a melhor equipe de todos os tempos. Outros também erraram a mão ao menosprezar o time depois da derrota para o Cleveland Cavaliers nas finais do mesmo ano.

No fundo, tudo isso só provou o quão é errado é tentar avaliar definitivamente qualquer coisa enquanto ela ainda acontece. Hoje é óbvio ver que o time não era o melhor de todos os tempos, visto que, tecnicamente, melhorou bastante com a chegada de Kevin Durant. É também evidente que não era qualquer porcaria e só perdeu para o Cleveland Cavaliers porque o time de Lebron James também é excelente.

Que a formação de Stephen Curry, Klay Thompson, Draymond Green e companhia sobra no jogo de hoje em dia é fácil dizer, mas fica difícil convencer alguém que este time pode ser tão bom quanto foi o Los Angelers Lakers cinco vezes campeão nos anos 80. Ou que seria páreo para o Bulls duas vezes tricampeão dos anos 90. Só não coloco o Boston dos anos 60 aqui porque o jogo era muito diferente, mas só aí dá para ter uma ideia de quantos times já foram realmente muito dominantes nas suas respectivas épocas – algo que o Warriors parece ser, mas ainda precisa confirmar, visto os outros exemplos históricos.

Agora, o que falta ao Warriors é registrar tudo que tem feito em quadra, jogo após jogo, em marcos históricos. Vitórias e mais vitórias. Títulos atrás de títulos. E, assim que tudo isso acabar, a gente contabiliza os feitos.

Claro que pode dar alguma merda nesse meio tempo. Um ou mais jogadores lesionados na reta final do campeonato seria arrebatador. Alguém se revoltar, tipo Kyrie Irving, e a química do grupo se abalar é algo possível, apesar de bem improvável. Mas o time tem elenco suficiente para amenizar qualquer evento sinistro deste tipo.

Em um exercício de abstração total, imagino também que o time ainda se sinta motivado o suficiente para manter a pegada dos últimos anos. Alguma desatenção, distração por achar as coisas ‘fáceis demais’ – como em algum momento aconteceu com o Bulls há vinte anos – pode vir, sim, mas acho que seria um problema mais provável para os próximos anos, não agora.

Offseason
Moderada mas precisa. O time foi atrás de jogadores que, de acordo com os números, encaixam perfeitamente no esquema de Kerr. Nick Young e Ormi Casspi são especialistas no chute e tem seus melhores aproveitamentos, nos maiores patamares da liga, nas situações de arremesso que o Warriors mais cria (chute de fora, aberto após o passe). O Warriors também draftou um jogador que dá a pinta de ser muito útil e voluntarioso, pronto para colaborar desde já, que é Jordan Bell.

Time Provável
PG – Stephen Curry / Shaun Livingston
SG – Klay Thompson / Patrick McCaw / Nick Young
SF – Kevin Durant / Andre Iguodala /Omri Casspi
PF – Draymond Green / David West / Jordan Bell / Kevon Looney
C – Zaza Pachulia / Javale McGee

Expectativa
Mais um ano sendo o melhor time da temporada, mais uma final da NBA. É, disparado, o time com mais chances de título. São todos contra o Golden State Warriors.

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[Previsão 17/18] Spurs: a cultura é suficiente?

Dos times mais fortes da NBA, daqueles seis ou sete que têm alguma chance de ganhar uma final de conferência e chegar a uma final da NBA, apenas dois não se reforçaram nada com all stars: o atual campeão da liga, Golden State Warriors, que já reúne o maior número de bons jogadores que é possível, e o San Antonio Spurs.

Não é por isso que imagino que o time vá, pela primeira primeira vez em 20 anos, com uma campanha com menos de 50 vitórias. Com a cultura mais vencedora e bem estabelecida de toda a NBA, o time de Gregg Popovich não precisa de grandes nomes para se manter no topo. Mas ficar entre os três primeiros do Oeste, chegar a uma final de conferência é suficiente para este time?

Eu entendo que as coisas devem ser relativizadas quando se joga na mesma época que o Golden State Warriors, um time dominante e praticamente imbatível quando saudável, mas talvez fosse o time que menos precisasse se esforçar para equiparar forças com o time de Stephen Curry e Kevin Durant. Algum reforço de peso bem encaixado no time mais bem montado da NBA, com talvez o melhor técnico da história, teria boas chances de formar uma equipe capaz de bater de ser tão ameaçadora quando o Warriors.

Alguns boatos até seguiram essa linha. Kyrie Irving teria dito que o Spurs era um de seus destinos favoritos quando pediu para ser trocado. Dwyane Wade teria pensado no time quando rescindiu com o Bulls. Chris Paul sempre foi um nome ventilado por lá. Mas a franquia conseguiu, no máximo, assinar com Rudy Gay, um cara que sempre teve todas as habilidades para ser um bom jogador de basquete, mas que tem a fama de piorar todos os times pelos quais passa.

Qualquer um destes nomes com certeza daria esperanças maiores para que a franquia conseguisse chegar mais longe desta vez – por mais que a última grande contratação do Spurs, Lamarcus Aldridge, tenha sua passagem questionada.

Ainda que seja uma amostra pequena, o time texano aniquilou o Warriors nos playoffs nos minutos em que teve Kawhi Leonard jogando com saúde. Ter algum outro jogador para carregar o piano com ele poderia ser letal.

As opções existentes no elenco estão fazendo hora extra na liga já e podem pifar a qualquer momento. Tony Parker já bateu os pinos na temporada passada. Gasol e Ginóbili rondam os 40 anos, idade limite para boa parte dos atletas.

A única chance que existe do time superar as expectativas é se seu pacote de apostas finalmente desencantar. Dejounte Murray, Kyle Anderson e companhia têm evoluído bem, mas não parecem prontos para assumir essa responsabilidade e responder tão bem logo nesta temporada – se é que um dia se transformarão nisso tudo.

Por mais que o time ainda seja excelente, tenha um dos melhores jogadores do jogo, seja muito bem montado, me parece que existem outros postulantes mais perigosos ao papel de carrascos do Warriors.

Offseason
Muito se falou no time como destino de alguns dos principais nomes do período, mas acabou que perdeu mais do que ganhou. Deixou Jonathon Simmons ir para Orlando tentar a vida, não renovou com David Lee e abriu mão de renovar com Dewayne Dedmon. Joffrey Lauvergne e Rudy Gay chegaram e vão precisar do toque de Midas de Popovich para que possam contribuir de verdade.

Time Provável
PG – Tony Parker / Patty Mills / Dejounte Murray / Derrick White
SG – Danny Green / Manu Ginobili / Bryn Forbes / Brandon Paul
SF – Kawhi Leonard / Rudy Gay / Kyle Anderson / Jaron Blossongame
PF – Lamarcus Aldridge / Davis Bertans
C – Pau Gasol / Joffrey Lauvergne

Expectativa
Spurs deve ser top 3 no Oeste. Talvez fique em segundo, talvez em quarto, mas vai rondar o topo da conferência por toda a temporada regular. Vai sobreviver bem nas primeiras fases dos playoffs, mas não vejo com bala na agulha para surpreender além de uma eventual final de conferência.

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[Previsão 17/18] Rockets: o objetivo é coexistir

Não parece inteligente tirar as bolas das mãos do jogador que mais distribuiu assistências na temporada passada, justamente na sua estreia como armador principal do time. Também não parece uma boa ideia abrir mão do seu banco de reservas inteiro quando ele é o que mais faz pontos por minuto em quadra.

No entanto, burrice seria deixar passar a chance de ter Chris Paul no time, um dos melhores armadores de todos os tempos e o mais talentoso desta geração. Paul queria ir para Houston e o time fez o que foi possível para acomodá-lo na equipe – nem que isso significasse abrir mão de dois grandes trunfos que fizeram do Rockets uma das melhores equipes da temporada passada.

A aposta de que mesmo mudando a fórmula as coisas vão funcionar se baseia na capacidade comprovada de James Harden, Mike D’Antoni e do próprio Paul, aliada à necessidade dos três em provarem que podem ser mais do que bons jogadores de temporada regular.

Hoje, se há um elo entre as três figuras, é a falta de sucesso na hora de decidir. Chris Paul, apesar de ser um jogadores excelente, de ter jogador por uma equipe ótima nos últimos sete anos, nunca alcançou sequer uma final de conferência. D’Antoni já sucumbiu algumas vezes no mata-mata depois de montar equipes que sobravam na temporada regular. Harden, com uma moral levemente mais preservada, teve viagens decepcionantes aos playoffs, como as de quatro e dois anos atrás pelo Rockets.

A sede pelo cala boca dos críticos deve servir de motivação para que todos se esforcem ao máximo para que tudo dê certo – até porque todos trabalharam duro para que esse encontro acontecesse.

Confio também na inteligência dos três. Harden mostrou ser mais do que um talento nato no ano passado ao moldar seu jogo para se transformar em um criador de jogadas – não só para ele, algo que já fazia muito bem, mas para seus colegas. Chris Paul sempre foi esse cara, apesar de não ter lidado muito bem algumas vezes que precisou dividir a bola no Clippers. E D’Antoni, que chegou com a moral estraçalhada na franquia ano passado, teve um dos melhores desempenhos entre os técnicos de toda a liga.

Até na divisão da minutagem, o comandante foi muito esperto. Espalhou o tempo de quadra de Harden, Patrick Beverley e Eric Gordon de um modo que o time sempre tivesse dois do trio em quadra, mas raramente todos juntos. Assim, o Hoston tinha um backcourt letal, bom na distribuição e eficiente no chute em quase todos os minutos de partida. Uma formula parecida, mas potencializada, deve ser utilizada agora.

Ter Harden e Paul no elenco não significa ter a dupla o tempo inteiro jogando junta. Mas quer dizer que o jogo inteiro o time pode ter um armador fenomenal criando jogadas. Mesmo que os dois comecem juntos, a minutagem dos dois nos quartos intermediários de partida podem ser mais bem distribuídos. Assim, não é preciso tirar muito a bola da mão de ninguém e ainda se garante um nível altíssimo de jogo o tempo inteiro de partida.

A dupla também casa muito bem com a cultura tática que o Houston Rockets tem consolidado com o passar dos anos. O time, por meio da figura do seu general manager, tem a convicção de que só vale a pena chutar a bola quando se está colado na cesta ou atrás da linha dos três pontos.

Tanto Harden (que já provou isso ano passado), como Paul são jogadores que são muito eficientes para chutar de fora e, ao mesmo tempo, conseguem atrair as atenções dos marcadores para distribuir a bola para quem está aberto para o chute de fora. Também são excelentes na execução do pick and roll, arma exaustivamente usada para abastecer Clint Capela e Nene no garrafão – o que ajudou muito Harden a ser o líder em assistências na temporada passada.

Offseason
O time se mexeu bem. Apesar de abrir mão de duzentos jogadores (meia dúzia deles bem útil) para ficar com Chris Paul, o time assinou com jogadores importantes que casam bem no modo de jogar da franquia, como Luc Mbah Moute e PJ Tucker. Perdeu a chance de buscar Carmelo Anthony ao oferecer um troco muito minguado para o Knicks.

Time Provável
PG – Chris Paul / Bobby Brown / Isaiah Taylor / Georginho
SG – James Harden / Eric Gordon / Tim Quarterman
SF – Trevor Ariza / PJ Tucker
PF – Ryan Anderson / Luc Mbah Moute / Cameron Oliver
C – Clint Capela / Nene / Tarik Black / Chinanu Onuaku

Expetativas
Imagino este time como o segundo melhor do Oeste, ultrapassando o San Antonio Spurs. Em uma eventual disputa de playoffs, acho que a defesa preocupa, mas a divisão de tarefas de James Harden com Chris Paul deve ajudar o time a ser mais perigoso em uma série de mata-mata.

 

[Previsão 17/18] Celtics: supertime em formação

Há quatro anos, quando o Boston Celtics mandou Paul Pierce, Kevin Garnett e Jason Terry para o Brooklyn Nets em troca de infinitas escolhas de draft de primeiro round, o maior campeão da história da NBA começou a se preparar para o futuro. O plano de Danny Ainge, general manager da franquia, era reestruturar a franquia do zero, formar um núcleo sólido e reerguer o time em alguns anos.

O plano ficou ainda melhor quando em pouco tempo o Nets virou pó e aquelas escolhas de draft passaram a valer ouro. Em tempos que franquias passaram a se esforçar descaradamente para perder e subir na tábua de seleção dos calouros, o Boston tinha uma condição única: podia tentar ganhar, ir se reforçando que, mesmo assim, só dependia do fracasso natural do Brooklyn para pescar novos talentos via draft.

Com esta e outras negociações, o Celtics escolheu oito jogadores de primeiro round em quatro anos. Ainda pegou outros dez jogadores de segundo round do draft. Paralelamente, ainda foi trabalhando bem nas trocas e assinatura de free agents. Com a promessa de ter um time forte para o presente e ainda melhor para o futuro, pegou Al Horford do Atlanta Hawks, trocou um cacho de bananas por Isaiah Thomas e, pouco a pouco, foi montando um time sólido, pronto para um dia estourar.

Se por um lado o time de fato começava a responder, a ganhar e dar bons resultados, a torcida passou a ter a sensação que aquele plano mirabolante de se tornar uma superpotência via draft não estava saindo exatamente como tinha sido desenhado. James Young, Terry Rozier, RJ Hunter, todos selecionados no draft, não vingaram. Outros vários ainda nem tinham pisado numa quadra da NBA. Jaylen Brown, o melhor calouro de todos, ainda era uma aposta para o futuro.

Até que nesta offseason surgiram as oportunidades para o time tentar subir de patamar de fato. Primeiro veio o sorteio do draft que deu a primeira escolha ao time – que, interessado em Jayson Tatum, trocou com o Philadelphia 76ers pela terceira escolha e uma pick futura. Depois, a boa vontade de Gordon Hayward, um dos principais jogadores sem contrato neste ano, em assinar com o time do seu antigo técnico dos tempos de universidade. Por fim, o pedido de Kyrie Irving para ser trocado, que casou perfeitamente com a falta de convicção do Celtics quando ao futuro de Isaiah Thomas.

(Jim Davis/Globe Staff)

O time pode não ser uma potência tão óbvia quanto Cleveland, Golden State, Oklahoma ou Houston, que reúnem estrelas consagradas sob o mesmo teto, mas é, sem dúvidas, um excelente projeto de supertime. Kyrie Irving é espetacular e vai ter toda a chance de provar se pode carregar ou não um time como referência técnica da equipe. Gordon Hayward e Al Horford são excelentes complementos a Kyrie – fazem o estilo coadjuvantes, mas são dos jogadores mais eficientes que existem no jogo hoje. Sou muito fã de Marcus Smart, que agora terá mais tempo de quadra e terá uma responsabilidade gigantesca de ser o capitão da defesa do perímetro do time. Por fim, o elenco ficou ligeiramente mais liberado para que Jaylen Brown e Jayson Tatum mostrem porque foram draftados em posições tão privilegiadas.

(John Tlumacki/The Boston Globe)

Eu vejo no Boston de hoje um pouco da estrutura do Golden State Warriors de uns anos atrás: um time que foi muito bem amarrado com escolhas cirúrgicas de calouros (Stephen Curry, Klay Thompson, Draymond Green, Harrison Barnes), mas que cresceu como uma potência com jogadores consagrados (David Lee, Andre Iguodala, Andrew Bogut, Monta Ellis).

Acho, no entanto, que este ainda não é o ano do Boston. Por mais que o time já seja bom, o elenco foi sensivelmente modificado. Da equipe que fechou a temporada passada, só sobraram Jaylen Brown, Al Horford, Terry Rozier ae Marcus Smart. De resto, todo mundo é recém-chegado. Vai tempo até que o excelente Brad Stevens consiga dar uma cara e um padrão ao grupo.

Como a conferência Leste é uma teta, o time deve ficar nas cabeças, mas ainda acho que não chega maduro o suficiente para derrotar, eventualmente, Cleveland Cavaliers ou, na melhor das hipóteses, o campeão do Oeste. Mas tudo bem, o plano do Boston é maior e mais duradouro do que isso.

Offseason
Foi intensa. Começou trocando a primeira escolha do draft em um movimento ousado. O time tinha a convicção de que Jayson Tatum seria mais útil e foi atrás do jogador. Assinou com Gordon Hayward e, para isso, precisou mandar Avery Bradley para o Pistons e pegar Marcus Morris. Também mandou meio time para o Cleveland Cavaliers para ficar com Kyrie Irving. Viu 11 jogadores saírem do elenco e contratou 12.

Time Provável
PG – Kyrie Irving / Marcus Smart / Kadeem Allen
SG – Jaylen Brown / Terry Rozier / Abdel Nader
SF – Gordon Hayward / Jayson Tatum / Semi Olejeye
PF – Marcus Morris / Guerschon Yabusele
C – Al Horford / Aaron Baynes

Expectativa
Por mais que o time já seja bom, não vejo ainda como postulante ao título. É o primeiro na fila das zebras. Fora isso, prevejo uma equipe tentando encontrar sua identidade, formando seus calouros e segundo-anistas. Deve chegar à final de conferência.

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[Previsão 17/18] Cavaliers: mais um ano, a mesma missão

Não é porque o Cleveland Cavaliers teve uma offseason muito tumultuada, porque seus rivais do Leste e do Oeste se reforçaram substancialmente, porque uma das suas estrelas e herói do titulo saiu do time, que a missão do time para este ano se diferencia das temporadas passadas. O Cleveland Cavaliers ainda é a maior e mais real chance de tirar o título das mãos do favorito Golden State Warriors.

No que depende do próprio time, até o momento, tudo tem corrido bem e as eventuais adversidades que surgiram foram superadas com certa tranquilidade.

Kyrie Irving pediu para ser trocado? O time conseguiu um retorno excelente, muito além do que normalmente as franquias conseguem quando suas estrelas estão insatisfeitas e pedem para sair. Mesmo que Isaiah Thomas esteja machucado por um bom tempo, o time conseguiu coadjuvantes bem úteis e uma escolha de primeiro round para o ano que vem – que pode ser fundamental para convencer que Lebron James permaneça no time, por exemplo.

O Boston Celtics contratou bem durante a offseason e se transformou em uma ameaça maior na disputa pelo título de conferência? O time se desfez de quem não deu conta do recado na temporada passada – Deron Williams é o melhor exemplo – e se reforçou com jogadores que comprovadamente crescem nos momentos decisivos – Dwyane Wade.

Lebron esteve sobrecarregado na armação no ano passado? Além de Thomas e Wade, o time contratou Derrick Rose, um cara que não é mais o mais confiável do mundo para carregar um time, mas que é bastante útil pelo menos para desafogar a criação de jogadas na maratona de 82 jogos da temporada regular.

Muita coisa mudou, evoluiu em Cleveland. Mas é verdade que muito mais precisa acontecer para que o time chegue, eventualmente, em uma final contra o Golden State em igualdade de condições.

Kevin Love continuar com a sua lenta e gradual adaptação à franquia para tentar, finalmente, ser o jogador que era em Minnesota: uma ameaça constante no ataque, decisiva noite após noite, tanto de fora, como no post.

O time melhorar brutalmente sua defesa é fundamental. Uma competição apenas de quem tem o melhor ataque não é uma tática inteligente de ser usada contra o Warriors – e a final do ano passado provou isso. Jae Crowder é um bom nome para ajudar nesta missão, mas acho que os ajustes têm que ser mais estruturais – e não acho que tirar Tristan Thompson da formação titular, como se cogita, seja a melhor ideia.

Aliás, neste ponto eu ainda duvido da capacidade de Tyronn Lue de fazer o time funcionar de um jeito diferente, que não seja completamente baseado no talento individual dos seus jogadores. Aqui, o Golden State Warriors e até o Boston Celtics já provaram que têm alguma vantagem sobre o Cavs, com treinadores comprovadamente capazes em seus bancos. Lue, por enquanto, se mostrou mais um mediador de egos do que um head coach competente – conseguir montar, finalmente, uma defesa competente seria uma forma de mostrar que tem talento equiparável aos dos demais.

Por fim, o time também deve buscar a melhor campanha geral da NBA. O Oeste está muito mais carregado o que pode, em tese, fazer o Golden State ser derrotado algumas vezes mais do que está acostumado – já que enfrenta Rockets, Spurs, Thunder, Clippers, Timberwolves e cia mais frequentemente do que os times do Leste. Se o Cleveland conseguisse a melhor campanha geral da liga, chegaria em uma eventual final da NBA com o mando de quadra e teria uma ligeira vantagem contra o time da California – começar a série fora de casa, sem o mando, tem sido avassalador para Cleveland.

A ausência de Thomas na primeira metade da temporada atrapalha esse plano em especial, mas em uma conferência Leste esvaziada, o Cleveland tem todas as condições de ganhar de praticamente todo mundo daquele lado do mapa, mesmo sem sua força máxima.

As condições mudaram, o time é outro, as dificuldades também não são as mesmas. Mas a missão de tentar superar um time amplamente favorito continua. E, hoje, a equipe mais próxima de fazer isso ainda é o Cleveland Cavaliers.

Offseason
Foi animada e o time se saiu bem de algo que poderia ser desastroso. Conseguiu reverter o polêmico pedido de Kyrie Irving para ser trocado em algo positivo. Ficou com Isaiah Thomas, Jae Crowder e Ante Zizic, além da importante escolha de draft do ano que vem, originalmente do Brooklyn Nets, que pode render um excelente calouro. Ainda apostou na recuperação de Derrick Rose, que já será útil mesmo que continue sendo o jogador apático dos últimos anos, e Dwyane Wade, que apesar da idade, ainda é decisivo. De menos importante, assinou com Jose Calderson e Jeff Green, que não devem ser muito acionados, mas garantem ao time um dos elencos mais profundos da liga.

Time Provável
PG – Isaiah Thomas / Derrick Rose /Jose Calderon / Kay Felder
SG – Dwyane Wade / JR Smith / Kyle Korver / Iman Shumpert
SF – Lebron James / Richard Jefferson / Cedi Osman
PF – Kevin Love / Jae Crowder / Jeff Green
C – Tristan Thompson / Channing Frye / Ante Zizic / Walter Tavares

Expectativa
Sou fã deste time do Cavs. Não só tem qualidade, é experiente, como parece ter gana. Além de Lebron, o melhor jogador de basquete em atividade no mundo hoje, Dwyane Wade é um cara com COJONES que pode não ser tão importante em uma maratona de temporada regular, mas fará muita diferença em uma série decisiva de playoffs e Isaiah Thomas é um jogador que, magoado, parece conseguir elevar a sua capacidade de decisão. Espero que se a final dos últimos três anos for reeditada, que a briga seja um pouco melhor desta vez.

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