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O dia que eu fui a um opening night da NBA

A temporada da NBA começa hoje e, como de costume, grandes clássicos foram programados pelo iluminado rapaz que faz o calendário da liga. O Cleveland Cavaliers recebe o Boston Celtics, no encontro que reúne os dois melhores times do Leste e já coloca, logo de cara, Kyrie Irving contra seu ex-time. Mais tarde, o Houston Rockets, badalado desde a chegada de Chris Paul, vai a California enfrentar o atual campeão Golden State Warriors.

Há quatro anos, eu fui a uma noite de abertura da temporada da NBA também. Não tinha todo o tempero das centenas de trocas de jogadores deste ano, mas também estava carregada de expectativas – e tinha alguns dos personagens dos jogos de hoje.

O jogo que fui era um Miami Heat e Chicago Bulls, na Florida. Lembro que paguei caro pra cacete em um ingresso e fiquei lá na quinta da American Airlines Arena. Nada que prejudicasse o espetáculo ou visibilidade, mas já dá uma boa dimensão de como o jogo era badalado.

O Heat tinha acabado de se consagrar bicampeão da NBA. A campanha anterior do time tinha sido espetacular. Lebron James, Dwyane Wade e Chris Bosh levaram o time a uma série de 27 vitórias consecutivas durante a temporada regular – a segunda mais sequência da história da NBA – e venceram o San Antonio Spurs naquela série dramática, em que Ray Allen meteu um chute salvador para levar o sexto jogo para a prorrogação depois do Miami estar perdendo por uma diferença de 13 pontos.

O jogo, mais do que a abertura da temporada, foi uma celebração em homenagem à campanha passada, a mais espetacular da história da franquia. Eu lembro que ainda era uma novidade aquela projeção em 3D no piso da quadra e fizeram uma contagem regressiva lembrando as 27 vitórias seguidas. Alucinante!

Eu fiquei meio em transe naquele momento, encantado com tudo que passaram ali e turbinado pela cerveja – era o último dia das férias, tinha como objetivo gastar os últimos dólares da viagem em bebida e estava deslumbrado por poder, novamente, ver um jogo tomando cerveja – prazer do qual somos privados aqui em boa parte dos estados nos jogos de futebol.

O jogo era contra o Chicago Bulls, o único rival à altura para uma rodada de abertura. A maior expectativa rondava Derrick Rose. O jogador tinha sofrido a lesão mais séria da sua carreira até então, que o tinha tirado de ação por uma temporada inteira. Antes da catástrofe, o Chicago tinha sido a equipe de melhor campanha na conferência.

Os times também tinham se enfrentado na semifinal de conferência da temporada anterior. Desfalcado, o Bulls perdeu para o Heat por 4 a 1.

Eu pessoalmente também estava empolgadaço por estar no meu primeiro jogo in loco da NBA e por poder torcer para um dos principais jogadores do meu time no fantasy daquele ano, o ídolo Joakim Noah.

Eu pendurado no teto da American Airlines Arena

O negócio é que tudo foi sensacional, excitante e vibrante até que, de fato, começasse. Depois de um primeiro quarto morno, o Miami Heat ativou o modo apelão e atropelou o Bulls. No meio do segundo período, o time de Lebron engatou 15 pontos seguidos e abriu o placar em 39 a 20. Pronto, mal tinha começado e o jogo já tinha acabado.

O desenrolar da temporada também foi frustrante para os envolvidos: Heat perdeu o título para o Spurs, Lebron saiu do time, Rose teve mais um ano complicado com apenas 10 partidas jogadas e o Bulls cambaleou até que Tom Thibodeau caísse duas temporadas mais tarde.

Não sei se eu sou o pé frio ou se essa é uma lição de que a expectativa da estreia pode não ser nada mais do que uma boa dose de adrenalina represada, às vezes um pouco distante do que pode acontecer de fato.

Em todo caso, foi legal – apesar do Noah ter sido um lixo, ter terminado com ridículos dois pontos e me ferrado no jogo de estreia do fantasy.

Que a temporada, essa de agora, termine tão bem quanto promete começar.

Lendas Urbanas da NBA: Ersan Ilyasova não é quem você pensa

Parece desproporcional colocar Ersan Ilyasova, ala que já rodou por seis times da NBA e nunca conseguiu se firmar como um jogador muito útil na liga, na mesma série de posts de Lendas Urbanas que tem Michael Jordan, Magic Johnson, Patrick Ewing e Lebron James (ou mais precisamente, a mãe dele). Não é. Ele está aqui justamente porque, ao contrário dos demais, sua história, apesar de bem bizarra, é definitivamente a que mais parece ser real.

O papo é que Ersan Ilyasova é, na verdade, Arsan Ilyasov, um cara nascido no Uzbequistão (e não na Turquia, como ele alega) e é três anos mais velho do que constam seus registros. A identidade de um foi criada justamente quando a do outro foi apagada.

A suspeita surgiu quando Ilyasova tinha 15 anos e começou a dominar os campeonatos turcos e europeus de basquete juvenil. Ninguém nunca tinha visto aquele moleque antes. Não só no meio do esporte, nos clubes e competições. Ninguém conhecia ele. Nem mesmo o governo turco o reconhecia. Seu pai, semanas antes, tinha procurado as autoridades para registrar o adolescente, alegando que tinha ‘esquecido’ de fazer a certidão de nascimento quando ele nasceu, quinze anos antes.

Isso era em 2002. Um mes antes, ainda no mesmo ano, um jovem de 18 anos e de nome Arsan Ilyasov tinha saído do Uzbequistão, atravessado algumas fronteiras, até desaparecer na divisa da Turquia. Nunca mais alguém ouviu qualquer notícia do rapaz.

De fato, os registros dizem que Arsan chegou à Turquia no dia 7 de agosto e no dia 19 de setembro Ersan foi registrado naquele país pelo seu suposto pai – que se chamava Semsettin Bulut e nem tinha o sobrenome Ilyasova.

(Bill Streicher-USA TODAY Sports)

A federação uzbeque de basquete levou a história à Fiba. Alegava que aquele cara já tinha jogado pela seleção do país, que tinha desaparecido e que – era o que incomodava, na real – não tinha apenas 15 anos, mas 18. A fuga de um país para o outro seria uma tática do pai do garoto para fazer com que ele se destacasse no esporte. A Fiba, no entanto, não puniu nem os turcos, nem o atleta, alegando falta de provas mais concretas.

Ninguém sabe muito bem a repercussão da história por lá. Se os EUA não dão muita bola para o resto do mundo, imagine para migrantes de países que eles mal sabem que existem, que usam alfabetos diferentes e que não parecem ser dos mais transparentes que se tem conhecimento. O caso só chegou aos americanos em 2005, quando um olheiro especializado em draft abriu toda a polêmica em um texto em um site que cobre calouros e prospectos – ressaltando que Ilyasova era um grande talento, mas que carregava uma certa desconfiança pelo passado dúbio.

De lá para cá, a polêmica sempre foi lembrada em alguns momentos da carreira do jogador e algumas evidências foram reunidas. Por exemplo, que Ilyasova sequer é um nome comum na Turquia. Outra é de que seus pais hoje moram na Criméia, região da Rússia que quer se emancipar e que abriga o povo Tártaro, que no meio do século passado se refugiou em massa no… Uzbequistão.

O interesse das pessoas, no entanto, não passa disso. No máximo, há análises falando que a renovação ou contratação de Ilyasova pode não ser tão útil já que é preciso considerar que ele talvez seja mais velho do que diz – depois de rodar quatro times em um ano e meio, Ersan jogou muito bem no Sixers, por exemplo, mas foi descartado pelo time, já que os planos da franquia são de buscar jovens talentos (e foi ponderado que ele até seria interessante aos 30 anos que diz ter, mas não aos 33 que cogita-se que tenha).

Não achei em nenhum lugar qualquer questionamento feito ao próprio jogador, nem alguma declaração dele desmentindo, explicando ou comentando a história. Se tem, está em algum registro indecifrável para nós. E mantém o mito da lenda.

Lendas Urbanas da NBA: Como Magic Johnson está vivo se é HIV positivo há 25 anos?

Para muita gente, mais chocante do que o anúncio de que tinha contraído o vírus da Aids em pleno auge da carreira é o fato de Magic Johnson, 25 anos depois, ainda estar vivo. Por não dar nenhum sinal aparente da doença, fugir do estereótipo dos portadores do vírus (especialmente naquela época em que muita gente era ignorante sobe o tema) e ter tido um filho HIV negativo mesmo depois de ter sido infectado, há uma lenda que diz que o ex-armador do Lakers foi curado após uma viagem ao Quênia, em que visitou um bruxo que trabalha com ervas terapêuticas que tirou o vírus do seu corpo.

Para entender a loucura conspiratória é preciso voltar um pouco no tempo. Magic anunciou que tinha o vírus no começo dos anos 90, quando as pessoas ainda estavam descobrindo a epidemia da Aids. Até aquele momento, para a maioria esmagadora das pessoas o HIV era um vírus exclusivo de gays e viciados em drogas. Muita gente sequer imaginava que era possível um que um atleta, homem, heterossexual pudesse ser infectado – Johnson admite que até foi por isso, por essa ignorância, que acabou contraindo o vírus, pois não achava que era necessário se proteger.

O próprio anúncio de Magic foi feito em meio a uma tensão de desconhecimento, como se ele fosse morrer por causa da doença em poucos meses ou anos. Ninguém sabia dos riscos e muito menos das consequências. E o histórico dos casos não era animador mesmo. Mas ele venceu todos estes prognósticos.

As teorias já tinham algum corpo por Magic não ser gay e por ser uma pessoa querida por todos – e muita gente se recusava a aceitar que a Aids poderia acometer qualquer pessoa e não somente aquelas de um grupo marginalizado à época. Elas ganharam mais coro ainda quando se soube que nem sua esposa, Cookie, e nem seu filho, EJ, que nasceu depois disso tudo, eram HIV positivo.

Para completar, Magic Johnson não deu nenhum sinal de abalo na sua saúde desde então. São duas décadas e meia convivendo com o vírus, mas sem sinais da doença – pelo menos para a gente, que vive à distância e não acompanha seus cuidados, hábitos e eventuais dificuldades.

Por mais que o mito sobre a Aids tenha sido esclarecido e só gente bem ignorante ainda não entende como ela funciona, que todos estão sujeitos ao perigo e tal, há um coro que pergunta: como um cara teria Aids, não passou para a mulher, teve um filho sem o vírus e continua vivendo ‘numa boa’ duas décadas e meia depois?

Uma história surgiu há algum tempo que Johnson teria viajado ao Quênia para se encontrar com um curandeiro que teria arrancado o vírus do seu corpo e por isso nunca deu nenhum sinal da doença. Um outro cara, chamado Dr. Sebi, também alega ter curado Magic Johnson – junto com John Travolta e Eddie Murphy, que eu nunca soube que tinham Aids, mas tudo bem.

O próprio Magic desmente tudo isso. Ele, como porta-voz do combate ao HIV, garante que não está curado simplesmente por não existir uma cura ainda – e de um modo bem responsável sempre alerta para o risco eminente do vírus. O lance é que Magic sempre foi um cara saudável e que, milionário que é, teve acesso aos melhores e mais desenvolvidos tratamentos que existem – é, inclusive, garoto-propaganda de um laboratório. Por fim, Magic parece fazer parte de um grupo de portadores do vírus chamado LTNP, que ficam com o HIV armazenado no corpo durante muitos anos, mas sem se manifestar. Não é um privilégio exclusivo do jogador.

Mas claro que há quem duvide de tudo isso. Como há quem ache que a Aids foi uma doença criada pelo governo americano para controlar a população e exterminar alguns grupos de pessoas. Tem de tudo no mundo. Uma pena.

Lendas Urbanas da NBA: Jordan não se aposentou, mas foi suspenso pela NBA (?)

Então tricampeão, cestinha das últimas sete temporadas, finalmente incontestável melhor jogador de basquete de todos os tempos, Michael Jordan anunciava sua aposentadoria do jogo aos 30 anos de idade. A notícia era absurda. Os motivos, praticamente incompreensíveis: a falta de desafios no basquete e o desejo de jogar baseball eram suficientes para que o jogador mais competitivo que já existiu largar mão de tudo?

Então, na coletiva de imprensa em que anunciava oficialmente sua saída de cena, Jordan é questionado se voltaria um dia a jogar basquete profissionalmente e ele responde: “se minha vontade voltar, se o Bulls precisar, se David Stern deixar, eu posso voltar, sim”. Pronto, já estava claro para alguns: Michael Jordan não estava de fato se aposentando, mas na verdade iria cumprir uma suspensão secreta por abusar das apostas e, assim que o manda-chuva da NBA permitisse, voltaria a vestir a regata do Chicago.

A teoria conspiratória tem sustentação na realidade, de fato. Michael Jordan vinha acumulando problemas associados ao seu vício em apostar grana em jogos de golfe e cartas e a pressão da imprensa por atitudes por parte da liga vinham crescendo substancialmente.

Nos meses anteriores alguns casos específicos confirmariam as suspeitas. Em 1992, a polícia prendeu um traficante chamado James “Slim” Bouler com um cheque no valor de 57 mil dólares assinado por Jordan. Meses depois, encontrou outro cheque de MJ, no valor de 108 mil dólares, na casa de Eddie Dow, um agiota assassinado – a biografia de Michael escrita por David Halberstam conta que o jogador contraiu as dívidas em uma temporada de jogatinas com os dois depois do título de 1991.

Aproveitando toda a confusão, um cara chamado Richard Esquinas escreveu um livro sobre seu vício em jogo e disse que já tinha tirado mais de 1 milhão de Jordan e que ele ainda o devia 300 mil – confirmados pelo atleta depois. A NBA, naturalmente, ficou bastante incomodada com tudo isso. Jordan era o melhor jogador da melhor época da liga. A ida do Dream Team para Barcelona, a renovação dos contratos de TV e a popularização do esporte pelo globo multiplicavam as cifras e Michael Jordan era seu garoto-propaganda absoluto.

A relação de apostas e esporte notoriamente polêmica e muitos jornalistas cobravam uma atitude da liga, que nada fazia se apoiando no fato de que Jordan nunca tinha sido pego apostando em basquete, apenas em golfe e jogos de cartas.

O estopim foi Michael ter sido visto em um cassino de Atlantic City entre um jogo e outro das finais da conferência Leste dos playoffs de 1993. A imprensa dizia que Jordan estava descontrolado. O jogador se irritava com isso e ficava ainda mais arredio. Bob Costas, comentarista da NBC, chegou a confrontar David Stern no ar, perguntando se a NBA não faria nada para frear as jogatinas de Jordan.

Stern não manifestava publicamente preocupação. Era de se entender, já que desvalorizar Jordan era fazer a NBA perder muito dinheiro. A solução seria, então, uma punição por debaixo dos panos. MJ ficaria um tempo sem jogar, a poeira iria baixar e o foco seria desviado. A ausência dele também ajudaria a liga a formar novos ídolos, já que estava carente de Larry Bird e Magic Johnson e todos os holofotes se concentravam em Michael. Passada a tempestade, Jordan poderia voltar – como voltou, de fato, um ano e meio depois.

O péssimo rendimento de Jordan no baseball é outra fonte de desconfiança da turma mais paranoica. Já que a falta de competitividade era um argumento para não jogar mais basquete, seria também para não jogar baseball – era muito bom em um e muito ruim em outro, sem competitividade em ambos.

Oficialmente – e de acordo com os relatos mais confiáveis da sua biografia e do livro de Phil Jackson, “Onze Anéis” – Jordan estava de saco cheio da imprensa e de ter sua vida importunada por tanta gente. Esta prestes a enlouquecer. Queria dar um tempo urgentemente. Perdeu a cabeça quando seu pai morreu assassinado em agosto de 1993 e repórteres transformaram o velório em um evento público – a morte do pai, aliás, segundo outras teorias malucas, teria sido um acerto de contas por causa de… apostas.

Phil Jackson, técnico do Bulls, sugeriu que o jogador ficasse uma temporada fora de cena e voltasse apenas para jogar os playoffs. Jordan, segundo Phil, disse que pensou nisso, mas que achava que não seria o suficiente. Queria descansar de vez. Não queria colocar uma data de retorno certa. Queria se aposentar mesmo.

Pelo visto, as apostas eram um problema real de Michael Jordan. O assédio da imprensa e a cobrança dela por conta deste vício, também. Mas é difícil de engolir que tudo tenha sido um mero jogo de cena.

Lendas Urbanas da NBA: A conspiração que levou Ewing ao Knicks

A história que muitos acreditam ser a verdade por trás da ida de Patrick Ewing ao New York Knicks muito possivelmente foi escrita por Gunther Schwiter, o cara que ficou conhecido como o autor do texto que denunciava o grande esquema que deu o título da Copa do Mundo de 98 para a França.

O ano era 1985 e David Stern completava um ano no cargo de comissário geral da NBA. Ele assumiu o cargo uma temporada antes com duas missões muito claras: tornar a liga mais competitiva e alavancá-la financeiramente.

A NBA não era o campeonato que temos como referência hoje, uma liga rica, mundialmente reconhecida e tudo mais. Era apenas o torneio do quarto esporte americano, mais novo de todos, com menos audiência e com a maior concentração de campeões em toda a sua existência.

Um dos maiores problemas era que dos 23 times que estavam em ação, uns seis jogavam descaradamente para perder e tentar a sorte no draft ao final da temporada. Logo, os 82 jogos da temporada regular quase não serviam para nada, já que praticamente todo mundo que estivesse interessado no mata-mata conseguia se classificar – se hoje o tanking já é chato, imagina naquela época.

O método vigente naquele momento para escolher o time que teria a primeira pick no draft era um banal ‘cara ou coroa’ entre os dois times de pior campanha no torneio anterior, um de cada conferência. Ou seja, perder de propósito era bastante recompensador e muitos times apostavam nesta estratégia para, no futuro, virarem forças dominantes como eram o Boston Celtics e o Los Angeles Lakers. Para piorar as coisas, o Houston Rockets tinha conseguido a primeira escolha em dois anos consecutivos, o que automaticamente já mudava seu patamar na liga.

Stern até vinha negociando um contrato gordo de televisão, um de seus objetivos iniciais para dar visibilidade ao basquete, mas muita gente questionava se ele se confirmaria caso, em quadra, os times continuassem sendo incentivados a perder. Para completar, um prodígio era dado como certo para a primeira escolha de 1985: Patrick Ewing, um pivô fenômeno do esporte universitário que estava pronto para colaborar imediatamente para qualquer time que o pegasse.

Para que a chegada de Ewing à competição não fosse desperdiçada em um draft mais uma vez sem graça e o hype ao seu redor não caísse em um time medíocre, Stern inventou um modelo de sorteio mais imprevisível. Naquele ano, todos os oito times que ficaram de fora dos playoffs teriam as mesmas chances de pegar a primeira escolha. Sete envelopes seriam colocados dentro de uma caixa e a ordem das escolhas seria definida a partir da sequência em que eles fossem retirados, simples assim.

O New York Knicks, por sua vez, vinha da sua pior campanha em muitos anos. Bernard King, ídolo local, tinha passado metade da temporada lesionado e o Madison Square Garden, maior palco do basquete, vinha registrando recordes negativos de público. O time de Nova York inha sido o terceiro pior time da temporada e iria para a loteria do draft ao lado de Indiana, Golden State, Clippers, Kansas City, Atlanta e Seattle.

O burburinho começou a crescer quando as regras do sorteio foram anunciadas e tomaram corpo quando o New York Times soltou um artigo dizendo que seria muito mais fácil renovar o contrato de transmissão da tevê nos termos negociados por Stern caso Ewing fosse jogar na Meca do basquete.

O cenário era perfeito para os paranoicos confabularem. A tensão que permeava o novo sistema de escolha só piorava as coisas. A dinâmica do sorteio e, pior, da divulgação do seu resultado era ainda mais cretina: valeria o sorteio feito por Stern, mas ele seria divulgado de trás para frente, da pior para a melhor posição. Um suspense tremendo para confirmar o que muita gente ‘já sabia’.

A mecânica do negócio também abriu margem para dúvidas. Os sete envelopes gigantes foram colocados em sequência, sem passar por uma conferência externa, dentro de um globo de plástico não grande o suficiente para que os papéis girassem enlouquecidamente lá dentro. Alguns deles, o escolhido, inclusive, se dobraram com o movimento. Tudo isso serviria como argumento posterior para comprovar aquilo que seria uma fraude: sem uma conferência externa, o envelope do Knicks poderia estar em uma temperatura diferente dos demais ou uma daquelas dobras era, na verdade, uma marcação para indicar a Stern qual das cartelas deveria escolher.

Para piorar as coisas, David segura dois envelopes de uma vez, em uma fração de segundos nota que pegou mais do que deveria e descarta um deles. O escolhido, óbvio, é o do New York Knicks.

Olhando bem o acontecido, eu diria que tem que ser muito maluco para achar que tudo ali foi calculado. Toda a sucessão de eventos parece bem casual e a ‘sorte’ de Stern e da NBA de Ewing cair bem na franquia em que ele seria melhor aproveitado comercialmente não passa de um acaso e do resultado de um formado de sorteio bem ruim – tanto é que em 1987 o esquema teve algumas alterações, fazendo com que apenas as três primeiras escolhas fossem decididas na escolha aleatória dos envelopes e em 1989 o método foi completamente abandonado de vez.

A NBA também não foi salva exclusivamente pela dobradinha Knicks e Ewing – principalmente se comparados ao impacto da Nike, das tevês, da abertura da NBA para o mundo e, principalmente, de Michael Jordan. Mas é claro que é muito mais legal perpetuar uma história como essa.

Lendas Urbanas da NBA: Delonte West e a mãe de Lebron James

Nenhuma história está absolutamente imune das fantasias de quem as viveu e de quem as conta. Todo grande feito tem aquela pitada de exagero que faz dele algo quase sobrenatural. Que faz as conquistas deixarem o plano mundano e virarem algo épico. Faz parte. Elevando isso a outros patamares, eu tenho um fascínio especial por aquelas lendas urbanas que povoam o imaginário dos torcedores ao longo dos anos. Mais do que saber se Jordan estava mesmo com a cabeça explodindo de febre naquele jogo da final de 20 anos atrás, eu gosto das histórias que mostram toda a criatividade da turma, que alimentam teorias da conspiração e que, na maior parte das vezes, têm relevância zero para o jogo. E o melhor de tudo: nunca vamos saber se foram reais ou não, já que interessa mais a todos perpetuar as lendas do que esclarecê-las.

Aproveitando que não acontece absolutamente nada na liga neste período e preparando o terreno para o que está por vir (semana que vem começo a postar as previsões para a temporada, time a time), lanço uma série de cinco posts com lendas que cercam a NBA. Começo com uma clássica: o lindo caso de amor entre Delonte West e a mãe do seu colega de time Lebron James.

A história foi deflagrada durante os playoffs do Leste de 2010, logo após a eliminação do Cleveland Cavaliers diante o Boston Celtics. O time de Lebron e Delonte tinha sido a equipe de melhor campanha da conferência e o camisa 23 vinha comendo a bola, como de costume. A série chegou a estar 2 a 1 para o time de Ohio até que James estranhamente desmoronou tecnicamente em quadra e não conseguiu segurar a reação do Celtics, que fechou a disputa em 4 a 2.

A justificativa é que entre um jogo e outro Lebron descobriu o que supostamente todos sabiam em Cleveland: sua mãe Gloria estava desfrutando dos prazeres da carne com seu colega Delonte West.

Um blog soltou a notícia alguns dias após a eliminação do Cavs. O autor da postagem, Terez Owens, que se diz o número 1 em fofocas relacionadas a esportes, disse que sua fonte era um confiável rapaz cujo tio trabalhava na arena do Cleveland e conhecia todos da franquia. Segundo ele, James descobriu o romance antes do jogo 4 e ficou arrasado. O acontecido teria também dividido o vestiário do Cavs, destruindo a química do elenco.

Nenhuma das partes se pronunciou logo de cara e, como toda gozação pra cima de Lebron, a história cresceu. Diziam até que Dan Gilbert, dono do Cavs, confirmava o caso – apesar dele nunca ter se pronunciado publicamente sobre isso.

No final das contas, a única pessoa que deu a cara a tapa para dizer que rolava um affair entre Delonte e Gloria foi o ex-jogador do Houston Rockets e, na época, comentarista da ESPN Radio, Calvin Murphy, que não tinha absolutamente nada a ver com o Cleveland, West ou James – e tem em sua ficha corrida a acusação de ter abusado cinco das suas quatorze filhas que teve com nove mulheres diferentes…

Segundo o blogueiro que soltou a informação, Lebron James o processou pela história, mas a merda já estava feita: todo mundo atribuía a queda de rendimento de James e a eliminação do Cavs à história.

O contexto e o preconceito da turma só piorava as coisas. Delonte West era aquele maloqueiro assumido. Seu estilo podrão dentro e fora das quadras casam perfeitamente com a história. O papel de Gloria no enredo da vida de Lebron também reforçavam a fantasia da torcida mais troglodita, machista e intransigente: foi mãe solteira ainda na adolescência, criou o garoto prodígio sozinha e teria encontrado conforto nos braços de um novo bad boy. Era mais fácil acreditar nisso do que no vacilo em quadra do herói supostamente infalível.

A lenda esteve em alta ainda por um tempo considerável. Chegou ao nível de, com a saída de Lebron para o Miami Heat, justificarem a contratação de Delonte West pelo Boston Celtics como uma arma secreta para, em um eventual confronto nos playoffs, a presença do ‘padrasto’ intimidar James (o confronto existiu, mas o Heat saiu vitorioso com boas atuações de Lebron).

Alguns anos depois, Delonte West veio a público dizer que nada tinha acontecido, que a história não tinha pé nem cabeça e que nunca se envolveu com a mãe de Lebron.

O técnico do Denver Nuggets, Mike Malone, que na época era assistente do Cavs, também já deu sua versão sobre o caso, alegando que os números de Lebron nem caíram tanto na série e que a derrota tinha mais a ver com a casca dura do Celtics, com uma virada reveladora no jogo cinco e com uma lesão no cotovelo do então MVP do que com qualquer abalo psicológico de James.

Mesmo assim, a lenda resiste e muita gente vai viver e morrer acreditando que Delonte era o pai que Lebron nunca quis ter, mas teve.

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