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Lendas Urbanas da NBA: Delonte West e a mãe de Lebron James

Nenhuma história está absolutamente imune das fantasias de quem as viveu e de quem as conta. Todo grande feito tem aquela pitada de exagero que faz dele algo quase sobrenatural. Que faz as conquistas deixarem o plano mundano e virarem algo épico. Faz parte. Elevando isso a outros patamares, eu tenho um fascínio especial por aquelas lendas urbanas que povoam o imaginário dos torcedores ao longo dos anos. Mais do que saber se Jordan estava mesmo com a cabeça explodindo de febre naquele jogo da final de 20 anos atrás, eu gosto das histórias que mostram toda a criatividade da turma, que alimentam teorias da conspiração e que, na maior parte das vezes, têm relevância zero para o jogo. E o melhor de tudo: nunca vamos saber se foram reais ou não, já que interessa mais a todos perpetuar as lendas do que esclarecê-las.

Aproveitando que não acontece absolutamente nada na liga neste período e preparando o terreno para o que está por vir (semana que vem começo a postar as previsões para a temporada, time a time), lanço uma série de cinco posts com lendas que cercam a NBA. Começo com uma clássica: o lindo caso de amor entre Delonte West e a mãe do seu colega de time Lebron James.

A história foi deflagrada durante os playoffs do Leste de 2010, logo após a eliminação do Cleveland Cavaliers diante o Boston Celtics. O time de Lebron e Delonte tinha sido a equipe de melhor campanha da conferência e o camisa 23 vinha comendo a bola, como de costume. A série chegou a estar 2 a 1 para o time de Ohio até que James estranhamente desmoronou tecnicamente em quadra e não conseguiu segurar a reação do Celtics, que fechou a disputa em 4 a 2.

A justificativa é que entre um jogo e outro Lebron descobriu o que supostamente todos sabiam em Cleveland: sua mãe Gloria estava desfrutando dos prazeres da carne com seu colega Delonte West.

Um blog soltou a notícia alguns dias após a eliminação do Cavs. O autor da postagem, Terez Owens, que se diz o número 1 em fofocas relacionadas a esportes, disse que sua fonte era um confiável rapaz cujo tio trabalhava na arena do Cleveland e conhecia todos da franquia. Segundo ele, James descobriu o romance antes do jogo 4 e ficou arrasado. O acontecido teria também dividido o vestiário do Cavs, destruindo a química do elenco.

Nenhuma das partes se pronunciou logo de cara e, como toda gozação pra cima de Lebron, a história cresceu. Diziam até que Dan Gilbert, dono do Cavs, confirmava o caso – apesar dele nunca ter se pronunciado publicamente sobre isso.

No final das contas, a única pessoa que deu a cara a tapa para dizer que rolava um affair entre Delonte e Gloria foi o ex-jogador do Houston Rockets e, na época, comentarista da ESPN Radio, Calvin Murphy, que não tinha absolutamente nada a ver com o Cleveland, West ou James – e tem em sua ficha corrida a acusação de ter abusado cinco das suas quatorze filhas que teve com nove mulheres diferentes…

Segundo o blogueiro que soltou a informação, Lebron James o processou pela história, mas a merda já estava feita: todo mundo atribuía a queda de rendimento de James e a eliminação do Cavs à história.

O contexto e o preconceito da turma só piorava as coisas. Delonte West era aquele maloqueiro assumido. Seu estilo podrão dentro e fora das quadras casam perfeitamente com a história. O papel de Gloria no enredo da vida de Lebron também reforçavam a fantasia da torcida mais troglodita, machista e intransigente: foi mãe solteira ainda na adolescência, criou o garoto prodígio sozinha e teria encontrado conforto nos braços de um novo bad boy. Era mais fácil acreditar nisso do que no vacilo em quadra do herói supostamente infalível.

A lenda esteve em alta ainda por um tempo considerável. Chegou ao nível de, com a saída de Lebron para o Miami Heat, justificarem a contratação de Delonte West pelo Boston Celtics como uma arma secreta para, em um eventual confronto nos playoffs, a presença do ‘padrasto’ intimidar James (o confronto existiu, mas o Heat saiu vitorioso com boas atuações de Lebron).

Alguns anos depois, Delonte West veio a público dizer que nada tinha acontecido, que a história não tinha pé nem cabeça e que nunca se envolveu com a mãe de Lebron.

O técnico do Denver Nuggets, Mike Malone, que na época era assistente do Cavs, também já deu sua versão sobre o caso, alegando que os números de Lebron nem caíram tanto na série e que a derrota tinha mais a ver com a casca dura do Celtics, com uma virada reveladora no jogo cinco e com uma lesão no cotovelo do então MVP do que com qualquer abalo psicológico de James.

Mesmo assim, a lenda resiste e muita gente vai viver e morrer acreditando que Delonte era o pai que Lebron nunca quis ter, mas teve.

‘Old Faces, Fresh Cuts’: designer troca cabelo das lendas da NBA

Estilo e basquete são coisas praticamente indissociáveis. De bom gosto ou não, não dá para negar que os caras da NBA estão anos-luz a frente de qualquer outra classe de atletas ou celebridades. O corte de cabelo deles é o melhor exemplo disso. Seja a careca brilhante de Michael Jordan, os mullets de Larry Bird, o afro de Julius Erving ou até o feroz high top fade do insosso Iman Shumpert: todos estão carregadíssimos de personalidade. O banho, corte e tosa dos jogadores são uma referência para a legião de fãs.

Nessa pegada, o designer gráfico e artista digital Tyson Beck fez um trabalho brilhante chamado ‘Old Faces, Fresh Cuts’. Pegou fotos de jogadores clássicos da história da liga e colocou uns penteados diferentes, mais atuais – nenhum dos caras jamais usou um cabelo desses, o que praticamente dá uma nova alma a cada um deles. O resultado é hilário.

Ufa! Mas valeu a pena, né?

Entenda como funciona quando a NBA resolve aumentar o número de times

A história da volta do Seattle Supersonics voltou à tona depois que Adam Silver, o manda-chuva da NBA, falou em uma entrevista à CJ McCollum no Players Tribune, disse que o aumento no número de franquias na liga em algum momento do futuro é inevitável e que naturalmente o time do extremo noroeste americano seria levado em consideração quando isso acontecesse.

Sinceramente eu não sou tão otimista quanto boa parte das pessoas e, talvez por isso, não achei que a fala de Silver foi tão animadora. Ao meu ver, ele quis dizer que esportivamente a liga ainda não está preparada para isso (em linhas gerais, disse que muita gente já reclama que apenas um time é realmente bom, que falta jogadores bons para todas as 30 equipes e que trazer mais duas franquias para liga iria pulverizar ainda mais este talento), mas que mercadologicamente, sim, é normal que em algum momento, sabe-se lá quando, isso aconteça.

E que quando for para rolar, obviamente Seattle seria uma das favoritos – nem faria sentido que não fosse, uma vez que a franquia é tradicional, a torcida local está órfã e os problemas com arena estão sendo solucionados. Mas com certeza não é algo para um futuro muito próximo não.

Mesmo assim, é legal contar como acontece este processo – ou, mais concretamente, como foi a última vez que a NBA aumentou o número de times.

Há 15 anos, Charlotte sofreu uma pancada na sua relação com a liga. A franquia, que tinha sido líder em presença de público no seu ginásio na virada dos anos 80 para 90, enfrentava uma crise de popularidade. Diante da situação, a NBA ordenou que uma nova arena fosse construída para o clube. A franquia recorreu à prefeitura, que recusou usar dinheiro o público para a obra. Sem o ginásio, a liga obrigou o time a mudar de cidade.

Isso aconteceu em maio de 2002, com mudança confirmada para a temporada seguinte. Mal o New Orleans Hornets tinha estreado o novo endereço, a NBA cedeu à pressão de que teria que devolver um time à cidade de Charlotte, uma Meca do basquete universitário e que já sentia falta de uma franquia profissional. Desta vez, com um novo escudo e uma nova direção, que assumiria o compromisso de erguer uma arena nova. Em dezembro, um grupo de empresários disposto a comprar uma vaga na liga e pagar por uma arena nova apareceu e a NBA confirmou que aumentaria o número de times de 29 para 30 dali dois anos, incorporando o Charlotte Bobcats.

Logo após a final do campeonato de 2004, a liga agendou o draft de expansão para que o Bobcats completasse seu elenco. Ele funciona da seguinte maneira: como seria muito desequilibrado fazer com que o time preenchesse seu plantel somente com free agents, a liga determinou que cada franquia poderia proteger 8 dos seus  jogadores. Todos os demais – ou seja, aqueles que não estivessem protegidos – poderiam ser escolhidos pelo time de Charlotte. A nova franquia, por sua vez, não poderia pegar mais de um jogador de cada time e teria que escolher pelo menos 14 caras.

Os times deixaram desprotegidos, geralmente, jogadores ruins mesmo ou aqueles cujos contratos era muito ruins. No draft de expansão, o Bobcats pegou de relevante Gerald Wallace, que era um reserva promissor do Sacramento Kings. No total, tirou 19 jogadores dos seus times e usou boa parte deles para trocar por picks de draft ou outros jogadores (Zaza Pachulia foi um deles, que virou uma escolha de segundo round).

No draft de calouros, o time tinha a quarta escolha garantida do draft (as três primeiras foram definidas na loteria normal premiando os times com pior campanha no ano anterior). Na noite da escolha, o time trocou para subir para a segunda posição e escolheu Emeka Okafor, que seria um dos principais jogadores da breve história da franquia.

Nos primeiros anos, a NBA também determinou que o limite salarial do time seria consideravelmente mais baixo que o dos demais times. Na primeira offseason, o Bobcats podia gastar apenas 66% do salary cap dos demais times. Na segunda offseason, seria 75%, até que na terceira temporada teria igualdade de condições com os demais. Isso foi feito para que a franquia não entrasse no período de assinaturas de contratos em vantagem perante os outros times com muito espaço na folha salarial para atrair os principais nomes do mercado, despejando uma grana absurda em uns dois nomes de peso – enquanto as demais franquias estavam sufocadas em suas folhas salariais.

Desta forma, o processo de renascimento da franquia se baseia, principalmente, em jogadores jovens ou free agents meia boca. No caso do Bobcats, o time demorou seis temporadas para conseguir ter uma campanha com mais vitórias do que derrotas.

Em uma eventual entrada do time de Seattle, o rito seria basicamente o mesmo. O que mudaria de lá para cá é a forma de ‘aceitação’ da nova franquia – na época foi mais uma decisão arbitrária da NBA aliada a um consenso de que a liga deveria crescer -, que depende da boa vontade dos atuais 30 donos entenderem que precisam aumentar a quantidade de equipes, mesmo que isso implique em dividir ainda mais o bolo da grana que entra atualmente.

Além disso, é de se esperar que o draft de expansão fosse mais parecido com o que aconteceu em 95, quando Toronto Raptors e Vancouver Grizzlies entraram na competição – aparentemente, a disposição atual da liga é aumentar para 32 times, quando isso acontecer.

Neste caso, há um sorteio para decidir quem tem a chance de escolher primeiro e depois os times podem pegar dois jogadores cada em sequência (por exemplo, primeiro Toronto escolheu um jogador, depois Vancouver dois, daí Toronto mais dois e etc). É de se imaginar que a quantidade de jogadores protegidos seja diferente, já que os elencos aumentaram de lá para cá.

Uma coisa que não faço ideia de como funcionaria é em relação aos jogadores que hoje estão em times da D-League – especialmente agora que a NBA planeja fortalecer o vínculo dos atletas da liga de desenvolvimento com contratos que prevem a ida e volta mais fácil entre as franquias principais e associadas.

Mas como a coisa ainda deve demorar algumas temporadas para acontecer, há muito tempo para se pensar nas adaptações deste formato. Só espero, de verdade, que quando isso acontecer, Seattle esteja de verdade na lista de cidades confirmadas para a expansão.

#ChinaKlay é a melhor coisa da offseason

A offseason é um período ‘diferente’ para o noticiário da NBA. As informações relacionadas ao basquete propriamente dito não são das melhores. Flutuam entre o tracking no twitter para saber em primeira mão quem trocou de time ou renovou contrato, interpretações absolutamente precipitadas sobre as atuações nos sofríveis jogos das Summer Leagues, análises ansiosas das trocas e boatarias de negociações baseadas em fontes escusas.

Absolutamente alheio a tudo isso, vivendo em um maravilhoso mundo paralelo está Klay Thompson. O ala-armador foi ao outro lado do mundo assinar uma extensão contratual de 80 milhões de dólares por dez anos com a Anta, marca de tênis chinesa, e está tendo os melhores dias da sua vida ao cumprir seus compromissos publicitários por lá.

Tudo começou há duas semanas. Duas tentativas frustradas de enterradas de Klay viralizaram pela rede. O jogador se esforçou o mínimo possível para tentar dar um 360º e, na pior promoção possível do garoto-propaganda, se esborrachou de cara no chão. Com a maior cara de pau, Thompson assinou a bola e entregou para um dos torcedores que gritava enlouquecidamente pelo jogador.

Aparentemente, a reação da turma – os chineses são sempre os mais empolgados – ditou o tom das aparições seguintes do jogador. Klay, que não é o cara mais atento e dedicado do mundo, faz qualquer merda, de propósito ou não, e o povo vibra.

O mais fascinante desta viagem é que Klay mistura uma diversão ingênua e solitária em um mundo completamente estranho para ele com a ostentação típica de qualquer jovem multimilionário que está curtindo as férias em um lugar que ele é praticamente um semi-deus (um status que, apesar dele ser um excelente jogador, não seria desfrutado por Thompson em outro ambiente).

É louvável que ele esteja realmente aproveitando o momento. Boa parte dos jogadores participam destes compromissos somente para cumprir tabela, deixando claro que é uma obrigação e que, se pudessem escolher, estariam bem longe dali. Klay não.

De quebra, faz tudo com uma desenvoltura tosca que torna tudo ainda melhor.

https://twitter.com/roseOVERhoes/status/880572491424346112

Mas, de verdade, nada supera a ESPONTANEIDADE da comemoração dele na balada na noite seguinte à sua assinatura de contrato com a Anta, que resume meio o MOOD dessa viagem: Klay completamente frito, num pedestal à lá Michael Jordan dos chineses, regendo a galera numa empolgação surreal.

Nunca volte, Klay Thompson. O ocidente não te merece.

O bom e o mau exemplo

Em toda a história da NBA, apenas três times varreram três times até alcançar a final do campeonato: o Los Angeles Lakers de 1989, o mesmo Lakers de 2001 e o Golden State Warriors deste ano.

Levando em conta única e exclusivamente o que aconteceu na série final, contra o vencedor do Leste, os dois Lakers são exemplos completamente distintos do que pode acontecer com o Warriors atual.

O time de 1989 era uma máquina. Chegava à sua oitava final em dez anos. Era a terceira consecutiva depois de um bicampeonato. Tinha vencido cinco títulos da NBA neste período. Apesar de ser o segundo período mais vitorioso da história de um time de basquete americano, atrás somente do domínio do Boston Celtics nos anos 50 e 60, o grande legado do time foi ter emplacado um estilo de jogo diferente, baseado no improviso. Prezava pela velocidade, em uma época em que o jogo começava a ficar cada vez mais lento e cadenciado. E diferente da correria das décadas passadas, pregava o envolvimento coletivo de todos em quadra, com troca de passes e movimentação intensa sem a bola. Foi batizado, conhecido e mundialmente reconhecido como “showtime”.

A turma de Magic Johnson, James Worthy e Kareem Abdul Jabbar já estava junta há um bom tempo, tinha conquistado de tudo e naquele ano, pela enésima vez, impunha seu estilo de jogo perante os rivais. Varreu sem dó Blazers, Sonics e Suns.

Com tempo de sobra enquanto esperava a definição do rival do Leste, resolveu se preparar para o pior. No ano anterior, tinha vencido do Detroit Pistons em sete partidas, sofrendo com o jogo brutal do rival. Como o time de Michigan era o favorito para reeditar a final, o Los Angeles Lakers resolveu treinar por uma semana para a pancadaria que se anunciava. A ideia era ajustar o ‘showtime’ para a pegada ‘bad boy’ do Pistons.

A experiência foi tão desastrosa, que Magic Johnson e Byron Scott se machucaram nas preparações – pesadíssimas e que nada tinham a ver com o que o Lakers estava acostumado – e o time angelino foi varrido pelo rival do Leste, mesmo sendo a primeira franquia da história a chegar às finais passando por três rounds invicto.

Já o time de 2001 teve melhor sorte. Apesar de também imbatível nos playoffs, o arranjo com Shaquille Oneal e Kobe Bryant tinha muitas diferenças se comparado com o escrete ‘purple&gold’ de 89: era um time ainda em evolução e ainda estava afirmando o esquema dos ‘triângulos ofensivos’ de Phil Jackson. O treinador havia sido contratado há duas temporadas para tentar impor o modelo que tinha sido dominante nos tempos de Chicago Bulls, além de mediar os talentos e, principalmente, os egos de Kobe e Shaq.

A caminhada até as finais foi bem mais desafiadora: ao invés de times muito jovens e inexperientes, como encontrou a equipe de 89, os rivais do Lakers da virada do milênio foram cascudos. Um Portland que, apesar do sétimo lugar na temporada regular, teve 50 vitórias. O elenco era veteraníssimo: dez jogadores tinham nove anos ou mais de liga, além de Avrydas Sabonis, que estava na NBA há menos tempo, mas já tinha ganhado o mundo por clubes soviéticos e espanhóis.

Depois, foi o Sacramento Kings, principal rival daquele Lakers. Chris Webber, Doug Christie, Peja Stojakovic e Vlade Divac formavam o grupo mais marcante da história recente da franquia, que possivelmente só não descolou um título porque enfrentou a dupla Kobe e Shaq por três anos consecutivos (e em duas vezes levou a disputa até a última partida da série).

Por fim, a caminhada para o título do Oeste foi finalizada contra o San Antonio Spurs, com a dupla Tim Duncan e David Robinson. O time texano estava nos primeiros anos do seu período mais vencedor e naquela temporada tinha registrado a melhor campanha da conferência – foi também o primeiro time nestas condições a ser varrido dos playoffs.

Na final, o Lakers enfretou o Philadelphia 76ers, que tinha única e tão somente Allen Iverson no seu elenco – naquela época, possivelmente o jogador mais decisivo do planeta, mas que não podia confiar muito na colaboração ofensiva dos seus colegas.

O Sixers surpreendeu a todos e venceu o Lakers em Los Angeles na partida inaugural da série. Mas foi só isso. Apesar dos esforços do Pequeno Notável, o LAL sobrou nos jogos seguintes e confirmou o favoritismo com um 4-1 convincente.

O Golden State Warriors chega à final em condições que podem ser comparadas aos dois Lakers. Assim como o time de 89, mostra uma identidade de jogo marcante, muito coletivo e que se impõe na NBA de hoje. Também passou por um caminho relativamente simples ao longo dos playoffs e, para seu azar, vai enfrentar uma equipe muito forte na final. E, comparando com o time de 2001, também foi bem sucedido ao colocar dois dos maiores talentos jogando juntos sem problemas e tem como principal objetivo na final parar um dos caras mais imparáveis da história do basquete.

Mas mais do que estas coincidências, deve olhas para os exemplos. Um passou o rodo, apesar do baque inicial de perder uma partida para um rival reconhecidamente mais fraco. Impôs seu estilo, reforçou seu ritmo. Outro, apesar da experiência e da qualidade, caiu na pilha do rival. Não conseguiu segurar e foi varrido. Ambos tinham sobrevivido tranquilamente nos playoffs até então. Um venceu e outro perdeu.

Acho muito difícil que o Golden State reviva exatamente uma das situações. Ambas tiveram resultados bem extremos. Mas, ainda assim, os dois casos servem de exemplo. Qual deles o Warriors vai seguir?

Lonzo, Kobe e o Lakers

Quem acompanha o basquete universitário com mais atenção garante que esta é uma das melhores turmas dos últimos anos. Seria comparável com a de 2003, que revelou Lebron James, Dwyane Wade, Chris Bosh e Carmelo Anthony. Mesmo sem terem jogado uma partida profissional sequer, Markelle Futlz, Malik Monk, Jayson Tatum e companhia já estão na boca do povo e são tratados como os salvadores de algumas franquias.

Por bons e péssimos motivos, o mais falado deles é Lonzo Ball. O point guard de UCLA mistura um corpo de ala-armador com uma visão de jogo de veterano, um zelo incomum com a bola e uma capacidade única de definir na transição. É, discutivelmente, o melhor jogador da turma. Além dos atributos impressionantes do seu jogo, Lonzo tem um pai falastrão que, ansioso, quer fazer da sua prole – são três filhos – super estrelas do basquete.

A última de Lavar Ball, pai do universitário, foi dizer que não vai calar a boca até que o filho seja um jogador do Los Angeles Lakers. Na cabeça dele, faz todo o sentido: a família é de LA, Lonzo foi uma estrela da universidade local e o Lakers está com a segunda escolha do draft. O plano de Ball é fazer do garoto o novo franchise player do maior time da NBA.

Lonzo e Lavar Ball

A declaração é antipática e pretensiosa. Primeiro que sugere que o jogador não aceitaria jogar com outra camisa, quando na verdade a escolha não é dele. Segundo que coloca um atleta universitário no papel de principal aposta de um time recheado de jovens talentos que, teoricamente, estariam na sua frente na linha sucessória do reinado angelino.

Por mais que pareça hoje que Lavar Ball, o pai, seja um boçal sem precedentes, esta tática é antiga. Ele não foi o primeiro a forçar a barra nesse sentido. Aliás, se serve como alento, uma outra vez que isso aconteceu com o mesmo Los Angeles Lakers, o jovem jogador acabou se transformando em um dos maiores – talvez o maior – jogadores de todos os tempos da franquia.

Era a virada de 1995 para 1996 e um adolescente da Philadelphia começava a chamar a atenção do universo basqueteiro norte-americano. O draft se aproximava e os jogos da Lower Merion High School passaram a ser frequentados por olheiros, general managers e técnicos da NBA. Apesar de ainda estar na escola, o jovem Kobe Bryant já era cobiçado por algumas equipes profissionais.

O maior empecilho era o seguinte: menos de meia dúzia de jogadores tinham pulado a universidade para jogar na NBA e todos eles eram alas ou pivôs. A avaliação era que um jogador de perímetro teria ainda mais dificuldades de render na liga logo de cara e que os fundamentos do basquete universitário poderiam fazer falta. Outro problema era que Kevin Garnett, outro adolescente que tinha entrado na NBA há um ano, apesar de mostrar muito talento, tinha deixado claro que não estava física e tecnicamente pronto para a competição profissional.

Um time mostrava mais interesse que os demais. O New Jersey Nets estava com a oitava escolha no draft e tinha um front office reformulado, afim de reconstruir a franquia, escolher uma estrela em potencial e sair da sombra do New York Knicks. John Nash, general manager, e John Calipari, técnico, se encantaram por Kobe e decidiram que ele era a escolha mais indicada daquela safra de calouros carregada de talentos – em um clima parecido com o deste ano.

Os dois viram alguns jogos e resolveram conversar com o pai de Kobe, Joe Bryant, para formalizar o interesse. Joe gostou da ideia e se convenceu que seria o melhor destino para o jogador – New Jersey fica a menos de 1h30 de carro da Philadelphia e era uma franquia que poderia dar tempo de jogo ao jovem logo de cara, a principal exigência do pai de Kobe.

Kobe e seu pai, Joe Bryant

O interesse do Nets era fundamental também para que Kobe decidisse não ir mesmo para a universidade. O jogador tinha medo de ser rejeitado de alguma maneira ou de chegar a um time sem garantias de que teria um tratamento especial.

Na manhã seguinte, no dia do draft, Nash recebeu uma ligação do agente de Kobe, Arn Tellem. O representante disse que o jogador tinha mudado de ideia e que não queria ser draftado pelo Nets. Deu a desculpa que Kobe tinha pensado melhor e que não queria jogar perto da casa dos pais, que estava com medo da pressão. Ao mesmo tempo, Joe Bryant ligou para Calipari, técnico do Nets, dizendo que o filho não jogaria pela equipe de New Jersey. Que caso fosse escolhido, iria abrir mão da NBA para jogar na Itália.

Para se certificar da ameaça, os dois passaram a ligar para colegas de outros times com escolhas próximas no draft para saber se tinham sofrido algum tipo de ameaça parecida. Isiah Thomas, executivo do Toronto Raptors na época, disse que o agente de Kobe tinha o alertado que o jogador não iria jogar no Canadá e que não deveria ser escolhido na segunda posição pela franquia. Mike Dunleavy, do Milwaukee Bucks, disse que Joe Bryant tinha rejeitado que o filho participasse do work out do time, pois já estava acertado com uma outra franquia.

A verdade é que, horas depois que o Nets confirmou o interesse para a família de Kobe, Jerry West, general manager do Lakers, também sinalizou que estava interessado no jogador. O problema é que o time de Los Angeles só tinha a 24ª escolha. West prometeu, então, que iria conseguir ‘subir’ na ordem do draft e pegar Kobe o quanto antes. Paralelamente, West estava a procura de um time que quisesse Vlade Divac, pivô do time, de graça. A ideia era limpar a folha salarial do time para tentar assinar com Shaquille Oneal pelo maior contrato possível.

O Charlotte Hornets aceitou a negociação e topou mandar sua 13ª escolha em troca do iugoslavo. Bastava, agora, a West, Tellem e o pai de Kobe ‘assediar’ as 12 franquias que estavam na frente da lista para que não escolhessem o jogador, frustrando os planos dos três. Até o momento do draft, então, eles fizeram lobby com quase todos os interessados, dizendo que Kobe não aceitaria jogar pelos demais times.

Nash e Calipari, do Nets, até pensaram em se arriscar, achando que o blefe jamais se concretizaria. Mas pesava o fato de que os donos do time preferiam que um jogador mais experiente fosse escolhido. Então o Nets pegou Kerry Kittles, jogador da mesma posição de Kobe, mas que tinha passado um tempo de provação no basquete universitário.

A história toda do draft de Kobe Bryant está no livro “Boys Among Men: How the Prep-to-Pro Generation Redefined the NBA and Sparked a Basketball Revolution”, que relembra as passagens dos jogadores que pularam a universidade para jogar na NBA – as histórias boas e as tristes.

Ainda que Lavar Ball, pai de Lonzo Ball, já tenha se mostrado bem mais insuportável que Joe Bryant – dizendo que os filhos vão revolucionar o jogo e que ele próprio ganharia de Michael Jordan num jogo de basquete -, algumas passagens têm suas semelhanças: quando decidiu ir para a NBA, Kobe fez um anúncio cheio de marra, com um circo imenso montado e transmissão pela TV; o jogador também estava caçando um contrato milionário de alguma marca de tênis antes da estreia, além de chegar à NBA cercado de empresas de marketing e entretenimento que cuidavam da sua imagem ainda quando era adolescente; e Joe Bryant também acertou a ida ao Lakers com a condição de que a franquia ajudasse o jogador a ser All Star logo no seu segundo ano na liga – o que aconteceu.

Não é um bom sinal. Por mais que Kobe tenha se tornado uma lenda, ele teve que jogar muita bola para que seu talento se tornasse mais notável do que sua marra. Hoje fica difícil lembrar, mas nos primeiros vários anos da sua carreira, Kobe esteve longe de ser uma unanimidade. E o principal motivo, foi o estrelismo.

No caso de Lonzo Ball, quis o destino que a franquia visada pela família do rapaz fosse justamente a segunda na ordem do draft – e é justamente essa a posição em que ele sempre foi cogitado. Apesar de ser chato o pai dele forçar a barra, o Lakers escolhê-lo seria a sequência natural das coisas.

Kobe, há 20 anos, superou a fama ruim. Mais do que isso, virou uma lenda. Lonzo Ball vai conseguir?

O maior arremesso de todos: The Shot

Há 28 anos, Michael Jordan fazia a cesta mais importante da sua carreira até aquele momento. Faltavam três segundos para acabar o jogo, o Chicago Bulls estava um ponto atrás no placar do último jogo da série de primeiro round contra o Cleveland Cavaliers. Jordan corre para receber o lateral entre dois jogadores rivais, bate bola até a cabeça do garrafão e salta para o chute com um segundo restando no relógio. Num movimento meio Dadá Maravilha, MJ parece que plana por uma fração de tempo, ‘retarda’ sua queda ao chão para ganhar espaço e arremessa no último centésimo antes de seu pé tocar a quadra novamente. Acerta o arremesso e faz a ÚNICA cesta da história no estouro do cronômetro em um último jogo de uma série eliminatória.

Por todo esse drama, este é conhecido como The Shot, ‘O ARREMESSO’, com uma ênfase brutal no artigo definido que explica que este é o chute mais importante já convertido – mais até que aquele que o mesmo Jordan meteu sobre Byron Russell contra o Jazz, já que aquele podia ser errado que o Bulls teria mais um jogo para tentar o título caso perdesse a partida.

É muito comum que o Chicago Bulls de Jordan hoje seja lembrado como um time super dominante e quase invencível. Foi mesmo a partir do momento que venceu seu primeiro título em 1991. Mas até lá, a franquia e o próprio Jordan eram bastante contestados, por uma suposta falta de capacidade de definição de jogos e vencer partidas importantes. ‘The Shot’ foi um grande marco para que esta impressão começasse a mudar.

Em 1989, Boston Celtics, Los Angeles Lakers e Detroit Pistons ainda eram os grandes times da liga. Chicago e Cleveland eram duas equipes emergentes que buscavam bater os rivais mais vencedores do momento. Na temporada regular, o Cavs, por sua vez, tinha vencido todos os seis jogos contra o Bulls e terminado o campeonato com a terceira melhor campanha no Leste – o Chicago ficou com a sexta.

Neste ano, as duas equipes-sensação da temporada se enfrentaram logo no primeiro round dos playoffs (que na época era uma série de cinco jogos). O jogo anterior já tinha ido para a prorrogação Jordan tinha feito 50 pontos, mas o Bulls havia sido derrotado – confirmando a tese na época de que Jordan era um jogador com marcas individuais impressionantes, mas falhava como um vencedor.

Na derradeira partida, veio a resposta num confronto de equilíbrio foi brutal. A três minutos do final, o jogo estava empatado em 90 a 90 e teve uma dezena de trocas de liderança até o apito do cronômetro. Jordan, que terminou com 44 pontos a partida, fez 6 nestes últimos minutos de jogo. Craig Ehlo, reserva do Cavs, vinha se transformando no herói improvável da partida, com 24 pontos, 8 deles nos últimos três minutos e uma cesta a 4 segundos do final da partida. Mas, coitado, ao invés de entrar para a história por isso, ficou marcado por ser o cara que tentou bloquear o arremesso derradeiro de Jordan – e aparecer nas milhões de reprises se lamentando, enquanto Michael Jordan dava o soco no ar mais famoso do basquete.

Sacanagem e provocação: porque Bucks x Raptors é a melhor série dos playoffs

O arremesso no segundo final da prorrogação de Marc Gasol foi uma boa tentativa. A treta entre Paul Millsap e Markieff Morris é um argumento válido. As viradas nos jogos entre Utah Jazz e Clippers são legais, assim como a disputa entre James Harden e Russell Westbrook. Mas, pra mim, nada ganha de uma boa sacanagem entre os times. Por isso, a série entre Toronto Raptors e Milwaukee Bucks é a melhor dos playoffs neste primeiro round de confrontos.

A iniciativa partiu do pessoal do Bucks assim que a série chegou a Milwaukee, no jogo 3. Na introdução do Raptors ao jogo, o ginásio botou para tocar a música tema do Barney, um dinossauro roxo não muito inteligente que interage com a criançada.

No intervalo da partida, uma das atrações foi um campeonato de enterradas de torcedores e, numa delas, uma menina chutava a boca um dinossauro inflável antes de finalizar sua ‘manobra’.

Para completar, o mascote do time verde mostrou durante os intervalos uma série de cartazes avacalhando com o Toronto, falando que eles não conseguem vencer três jogos seguidos, que são presas fáceis dentro e fora de casa e que não conseguem emendar uma sequência de 4 quartos decentes.

A turma na arquibancada, óbvio, DELIROU com tudo isso. Se empolgou a ponto de, com a vitória do time encaminhada, cantar “Bucks in 6”, provocando o rival como se o time fosse fechar a série dos Raptors, um time que tem fama de desperdiçar o mando de quadra no mata-mata.

A soma de provocações rendeu uma resposta do Raptors, apimentando a série. Primeiro que o time entrou em quadra com sangue nos olhos e buscou uma vitória fora de casa no jogo 4. Depois da partida, o twitter do Toronto postou um bambi patinando em alusão à escorregada dentro de casa do Bucks.

Ontem, no jogo 5, agora em no Canadá, foi a vez a torcida local cantar “Raptors in 6” enquanto o time emplacava uma vitória de mais de 10 pontos de vantagem sobre o rival. Dentro de quadra, por fim, Jonas Valanciunas e Greg Monroe trocaram umas bordoadas enquanto brigavam por rebote.

A série volta para Milwaukee na quinta. Sob risco de ser eliminado, imagino que o pessoal do Bucks vá partir para as provocações de pior/melhor gosto. Tomara!

Playoffs em looping eterno

Por mais que cada ano seja um campeonato novo na NBA, algumas coisas parecem se repetir em um looping eterno. Sinceramente, não sei explicar. Particularmente eu não acredito em ‘peso de camisa’, que tal time ou jogador ‘afinam’ e etc. Acredito na coincidência, no azar e na sorte, mas algumas coisas insistem em sinistramente se repetir todos os anos.

Não importa o que acontecer, por exemplo, o Cleveland Cavaliers vai varrer qualquer intruso da conferência Leste. A menos que seja algum time que consistentemente reafirmou seu ‘merecimento’ na pós-temporada ao longo de todo o ano, invariavelmente o Cavs vai passar por cima – independente da fase do time, do clima, do número de jogadores à disposição ou lesionados. Foi assim ano passado, quando dizimou o Detroit Pistons e o Atlanta Hawks, e neste ano contra o Indiana Pacers.

Também parece que todo ano o Toronto Raptors vai penar para passar toda e qualquer rodada dos playoffs, das mais iniciais às mais avançadas. Em 2014 perdeu em um 4 a 3 melancólico na primeira fase, em 2015 foi varrido pelo Washington Wizards mesmo com a vantagem do mando de quadra e na temporada passada passou dos dois primeiros rounds, contra Pacers e Heat, levando a disputa até o sétimo jogo. Neste ano, contra o ‘juvenil’ (porém talentoso) Milwaukee Bucks, as dificuldades parecem ser as mesmas e a série está empatada em 2-2, apesar do time canadense ter um elenco muito qualificado e milhares de quilômetros mais rodado que o rival.

Neste caso, o que se repete é a falta de consistência dos seus melhores jogadores. Demar Derozan e Kyle Lowry, ainda que estejam entre as cinco melhores duplas de armadores da NBA de qualquer pessoa, parecem incapazes de jogarem bem ao mesmo tempo em partidas de playoffs. Uma coincidência triste para a franquia, que se bate para derrotar times mais fracos mesmo quando o Raptors deveria sobrar na disputa.

Do outro lado do mapa, algumas coisas também parecem funcionar como um ponteiro do relógio  – que passa o tempo e no dia seguinte, no mesmo horário, estará marcando, naturalmente, a mesma hora. A primeira delas é que Damian Lillard vai jogar tudo que pode e vai endurecer o confronto que for. Se tiver uma brecha, vai descolar uma vitória aqui ou ali contra um rival muito mais forte e, até, com sorte, se classificar (2014 contra o Houston e ano passado contra o Clippers, por exemplo).

Neste ano, assim como no passado, o Portland Trail Blazers tem conseguido jogar de igual para igual contra o Golden State Warriors em muitos momentos da partida, especialmente escorado no desempenho de Lillard e CJ McCollum. Mas uma dupla não é suficiente para derrotar o melhor time da liga – apesar de em alguns momentos dar indícios de que os jogos podem ser equilibrados.

Entra ano, sai ano, o Spurs vai jogar o fino sem ninguém notar e o Grizzlies vai pegar pesado e engrossar para o rival. Ano sim, ano não, os dois vão se enfrentar e, num choque de realidades, vai sair faísca.

Por último, é batata: alguém do Clippers vai se machucar e reduzir à migalhas as chances do time de ir a uma final de conferência. Quando não é Chris Paul, é Blake Griffin. Em regra, na verdade, os dois vão se lesionar. Não é urucubaca – aliás, torço muito para que o armador fique inteiro neste ano – mas tem sido assim nos últimos cinco anos, infelizmente.  É triste, uma vez que todo ano, também, a franquia começa a temporada como uma das mais talentosas da liga e uma das apostas para melar os planos dos favoritos. No entanto, quando os playoffs começam, alguma maldição desgraçada ronda por lá.

Isso que os playoffs começaram há pouco mais de uma semana e o primeiro round ainda está na metade para a maioria dos times. Com o passar dos jogos, certamente algumas histórias vão se repetir, mesmo que não tenha uma explicação lógica para isso acontecer. No que mais você aposta?

Um maravilhoso mês de terror com King Cake Baby

Não sou um cara que gosta muito de mascotes. Acho uma brincadeira boba e que só faz sentido para o povo lá dos EUA que nasce, cresce e se reproduz cercado de mascotes para tudo. Pra mim, não é um treco muito divertido.

No entanto, gosto muito que alguns deles são uns seres que fazem questão de ser desagradáveis e de praticar bullying da pior espécie com os torcedores e jogadores rivais. Pra mim, só assim eles justificam suas respectivas existências.

Partindo desta premissa, o meu preferido é o King Cake Baby, do New Orleans Pelicans. Um bebe maldito de plástico com uma cara de alucinado, umas fraldas largas e uma irritante coroinha equilibrada numa cabeça imensa que tem como única função na terra aterrorizar o máximo de pessoas possíveis.

Para a minha infelicidade, King Cake Baby é um mascote temporário. Ele surge nas semanas que antecedem o Mardi Gras, carnaval de New Orleans que tem uma estética meio bizarra e assustadora. A festa também preserva como tradição um bolo gigante (o tal King Cake) em que um dos pedaços carrega uma imagem de um bebê – numa vibe bolo de Santo Antônio, quem tira a fatia com o bebê, terá sorte dali em diante.

A turma do Pelicans usou, então, uma figura que era para ser um sinal de coisas boas e meteu uma roupagem de lazarenta e atitude desgraçada. O mascote é de tão mau gosto que ele foge à regra e costuma aterrorizar até os próprios torcedores da franquia.

Por sorte, a torcida do Pelicans já está vacinada. Ao longo do ano, o time tem como mascote Pierre, the Pelican, que até o ano passado também tinha um visual assustador – neste caso, involuntariamente, a ponto da franquia fazer algumas alterações no seu ‘shape’.

Mas nada horripilante se comparado ao pior bebê do mundo.

Nunca mude, King Cake Baby!

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