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O anúncio mais sem sal possível

Os recordes de James Harden ou de Russell Westbrook? O impacto defensivo de Rudy Gobert dentro do garrafão, de Kawhi Leonard no perímetro ou a versatilidade de Draymond Green? A capacidade de Erik Spoelstra ou o ressurgimento de Mike D’Antoni? O fenômeno Joel Embiid ou a regularidade de Malcolm Brodgon e Dario Saric? As discussões sobre quem são os merecedores dos prêmios individuais da NBA neste ano foram das mais acirradas de todos os tempos, mas a escolha por fazer a divulgação dos awards em um show semanas depois das finais da temporada foi uma péssima decisão.

Tudo isso porque o anúncio vai ser justamente no momento em que ninguém mais se importa com os resultados. A poeira da temporada regular já baixou, a falta de competitividade dos playoffs deu um banho de água fria em todos, o draft abriu a nova temporada e a loucura da offseason já tomou o noticiário.

Não sei se é só impressão minha, mas parece que a briga jogo a jogo de Harden e Westbrook aconteceu há muito tempo. Nem lembro mais quantos mil triple doubles cada um fez, quantas partidas com mais de 30, 40 ou 50 pontos os dois emplacaram. O que é recorde de um e o que é de outro – coisa que há dois meses estava na ponta da língua dos torcedores nos seus argumentos para eleger o merecedor do MVP.

Sinceramente, nunca fui muito simpático à ideia – zzzzzz show apresentado pelo Drake zzzzz -, mas mesmo quem achou interessante concentrar o anúncio em um único dia, em um evento grandioso e tal, tem que admitir que o timming foi péssimo.

Não que a decisão sobre isso deveria ser tomada com este critério apenas, mas imagine que sensacional seria se o vencedor do MVP fosse anunciado durante a série de playoffs entre Houston e Thunder? Ou o Coach of the Year durante Rockets e Spurs? O melhor jogador de defesa justamente no encontro entre Kawhi Leonard e Draymond Green nos playoffs? Sempre foi assim e com certeza seriam fatores que fariam das disputas ainda melhores – no caso dos jogos contra o Warriors, poderiam dar alguma graça a série.

Ao longo de toda a história da liga, a forma como os prêmios eram divulgados (ao longo dos playoffs) mudou a narrativa das disputas do mata-mata. Michael Jordan querendo tirar o sangue do Utah Jazz na final após Karl Malone ser eleito o melhor jogador de 1997 numa eleição apertadíssima, Hakeem Olajuwon usando a perda do prêmio para David Robinson para aniquilar o Spurs na final de conferência e muitos outros casos que entraram para a história do basquete.

Há, ainda, outras desvantagens brutais deste modelo: com muito mais tempo entre a entrega dos votos (que acontece ao final da temporada regular) e a divulgação dos ganhadores, há muito mais chances do resultado vazar (aparentemente muita gente já sondou quem são os vencedores), além de, no futuro, permitir que o MVP, COY e etc sejam reconhecidos quando já nem estiver mais defendendo a equipe pela qual ele foi eleito (em 2010, por exemplo, se o show jé existisse, Lebron James seria anunciado como MVP DEPOIS de ter feito toda aquela cena para ir para o Miami Heat). Anticlímax total.

Que o vexame deste ano sirva de exemplo para os próximos.

Durant não fugiu da história, só a escreveu à sua maneira

No dia em que Kevin Durant anunciou que se juntaria ao Golden State Warriors, eu fiz um texto aqui revoltado com a decisão. Naquele momento, eu estava triste que meu jogador preferido tinha escolhido se reunir com o time que tinha o derrotado. Que ele preferia o título a uma história que parecia ser mais fascinante.

Mas seria fascinante para quem? Para mim, sem dúvidas, seria muito mais legal ver uma dupla tipo Batman e Robin enfrentando os times superpoderosos da NBA e os derrubando um a um. Ver uma caminhada heróica de dois jogadores, dois amigos, que cresceram juntos como atletas e logo estariam prontos para conquistar a glória máxima. Mas para ele talvez fosse mais uma história digna de filme de heróis do que propriamente uma possibilidade real.

Por mais que o Oklahoma City Thunder tenha verdadeiramente ameaçado o Golden State Warriors no campeonato do ano passado, a quase vitória parece mais um ponto fora da curva, um evento circunstancial, do que uma tendência. Curry e companhia já formavam um time absurdamente bom que dificilmente seria batido por uma equipe com um basquete tão simples como aquele Thunder.

Por mais que eu ainda ache que um título não é (ou pelo menos não deveria ser) determinante para nós, torcedores, reconhecermos definitivamente se um jogador teve sucesso na sua carreira ou não, é preciso, para começo de conversa, considerar que para ele isso pode ser, sim, a coisa mais importante da sua vida. Portanto, se Durant achava tão necessário para sua carreira ser campeão e não via uma maneira disso acontecer em Oklahoma, é legítimo – por mais que eu ou você discordemos – que ele tenha ido para o Warriors.

Mas eu vou mais além nesse processo de empatia. A gente não sabe o que rola no dia a dia de um time, como são as relações dos jogadores, como eles se sentem nas organizações em que trabalham e tudo mais. Se há um ano parecia que Westbrook e Durant eram uma dupla inseparável, os relatos que sucederam a saída de Kevin do Thunder mostraram um cenário bem diferente, em que Russell era próximo de todos os jogadores do time e Durant não passava de uma referência técnica, mas com pouca afinidade com os caras na vida extra-quadra.

A sua trajetória no Warriors também mostra que seu talento pode ser muito melhor aproveitado se usado em um esquema coletivo, de muitos passes, muita movimentação sem a bola – algo que não acontecia no ex-time. Não difícil imaginar que, independente de título, Durant era um cara mais ‘realizado’ profissionalmente, que tinha mais prazer em jogar com seus colegas de Golden State do que com Westbrook.

Por mais que ele ganhe milhões e que seu trabalho seja jogar bola, existem situações que podem fazer disso uma tarefa não muito prazerosa – ou melhor, uma mudança de ares pode fazer desse trabalho muito melhor. Não digo que ser jogador de basquete deva ser encarado como um trabalho qualquer, como o meu ou o seu, mas que existem fatores muito mais corriqueiros do que nós imaginamos. E que eles influenciam a tomada de decisões.

Tudo isso para dizer que eu na época fiquei muito frustrado com a escolha, como vejo que a maioria esmagadora das pessoas ficou, mas que a gente não pode tomar como base apenas a parte da história que nós achamos que conhecemos. Mais do que isso, não podemos minimizar o feito absurdo realizado por Durant – com um super time ‘apelão’, mas contra outro super time ‘apelão’ com Lebron James, Kevin Love e Kyrie Irving. Hoje, Kevin Durant é o melhor jogador do melhor time da NBA – e um daqueles que entram na discussão para ser um dos maiores da história!

Ao ir para a Bay Area, Durant não ‘escolheu se escondeu da história’, como eu mesmo disse há quase um ano. Ele só resolveu marcar seu nome na história de outra forma – como MVP das Finais, como campeão da NBA… -, talvez diferente da que muita gente queria. E aparentemente ele está mais feliz com o desfecho do que com a nossa opinião sobre tudo isso.

Ainda vai dar jogo. Eu acho

O resultado do jogo de ontem, com o Golden State Warriors vencendo o Cleveland Cavaliers por 113 a 91 não foi dos mais animadores para quem esperava (ou torcia por) uma série equilibrada, com os times buscando a vitória ponto a ponto. Depois da lavada, a sensação é que há mais chances de acontecer o que todos temiam – uma varrida do Golden State.

Um alento para que ainda tenhamos uma série competitiva, no entanto, é a série final do ano passado: nos sete jogos entre os dois times, apenas o último teve uma diferença menor do que 11 pontos. Em dois deles, inclusive, a diferença foi igual ou superior a 30 pontos.

Isso acontece por que as duas equipes tem ataques muito fortes, baseados, principalmente nos arremessos de longa distância – e nestes casos, é comum que o ritmo e a cadência do jogo levem a uma sequência de vários acertos ou erros seguidos, decidindo a partida em poucos minutos bons ou ruins dos times.

Ontem foi mais ou menos isso que aconteceu. Especialmente na primeira metade do terceiro quarto de partida. Foram dois minutos em que o Warriors meteu 13 pontos seguidos sem resposta do Cavs, acabando com o jogo mesmo com mais de 20 minutos por jogar.

De resto, enquanto os titulares estiveram em quadra, o jogo teve um relativo equilíbrio. No primeiro quarto os dois ataques começaram mal, muito nervosos, e as duas defesas estavam muito fortes e físicas. No segundo quarto, o Warriors começou a se soltar mais e o Cavs, mais lentamente, começou a acertar suas bolas de sempre. O time do Oeste abriu dez pontos, mas o Cleveland ainda estava na partida.

Além destes dois minutos em que tudo deu certo pra um e errado para o outro, o Cleveland não cuidou bem da bola (foram 20 turnovers cometidos contra apenas 4 forçados do rival) . Isso fez com que o Warriors pudesse fazer 20 arremessos a mais do que o Cavaliers – é quase como se um time tivesse um período a mais de partida disponível para pontuar. Nestas condições, fica quase impossível vencer.

Além das condições casuais de jogo, isso também é um sintoma de um confronto entre um time que tem uma defesa muito forte e aplicada e outro que vive de lampejos defensivos. O Warriors conseguiu atrapalhar o ataque do Cavs, enquanto a defesa do Cleveland não conseguiu sequer incomodar o rival.

Mesmo assim, acho que ainda podemos ter bons jogos e uma série disputada. O ataque do Cleveland é excelente e pode muito bem emplacar sequências tão massacrantes quanto o Warriors fez no jogo 1 – fez isso no ano passado várias vezes contra o próprio Warriors, fez inúmeras vezes neste ano contra todos os rivais possíveis.

Ainda teremos uma série disputada. Eu acho.

Ninguém é insuperável

Eu não me incomodo com a discussão sobre o quão próximo – ou distante – Lebron James está de Michael Jordan na lista de melhor jogador da história da NBA. Não acho absurdo que pensem que já seja possível fazer tal comparação, bem como compreendo quem acha que ainda existe uma distância considerável entre os dois. Cada um vê o basquete com os próprios olhos e as próprias referências – é legal que pensem diferente e, principalmente, discutam.

Mas tem uma frase frequentemente repetida por algumas pessoas que faz o debate ficar pobre e burro: “nunca terá alguém melhor do que Michael Jordan”.

Parece óbvio pra mim que falar uma coisa dessas é uma barbaridade. Pelo simples fato que não temos nenhuma informação do que vai vir pela frente e porque ninguém é insuperável – e isso vale para tudo, não só para o basquete.

Se em algum momento da história do jogo um cara chegou, venceu, se destacou e sobrou perante os demais a ponto de virar um consenso, é perfeitamente possível – provável até – que isso venha a acontecer novamente.

Mas vamos ao exemplo de Jordan e o basquete. Michael é o melhor de todos por ter sido um dos mais vencedores, um dos mais revolucionários jogadores de todos os tempos. Foi, possivelmente, o melhor naquilo que fazia. Na época que fez.

É fundamental pontuar isso porque dizer ele é o grande da história é muito subjetivo. É uma avaliação intangível. Se fôssemos levar em conta os números individuais e conquistas coletivas, Bill Russell e Kareem Abdul Jabbar, por exemplo, tem um histórico mais vistoso. Mas Jordan foi a unanimidade em uma época que a NBA atingiu o seu auge de popularidade, plasticidade e qualidade.

Foi com Jordan que a NBA se consolidou como um negócio mundial e como um espetáculo de referência. Ele era o principal businessman e artista. Foi o melhor do melhor momento do basquete.

Mas isso não quer dizer que ele é insuperável. No máximo significa que será muito difícil não só que alguém seja melhor do que ele, mas que alguém consiga ser considerado melhor do que ele – são duas coisas diferentes. Para superar Jordan, o próximo melhor de todos os tempos terá que superar um mito.

Essa propaganda toda do jogo de Jordan é merecida. Foi um jogador completo, que só não bateu mais recordes individuais porque em determinados momentos da carreira se encheu o saco de ganhar – se aposentou três vezes! E quando jogou, foi insuperável. Transformou uma equipe em imbatível. E, principalmente, em comparação com seus pares, com o jogo da sua época, foi perfeito.

Mas quando alguém repete que ele ‘nunca será superado’, ‘que não tem discussão’, ‘que sempre será o maior’, a base da argumentação deixa de ser o basquete e passa a ser apenas o discurso. A retórica por ela mesma.

Lebron, por sua vez, tem o baita mérito de parecer ser o mais próximo de tudo isso: sobra no seu tempo, faz do seu time uma máquina, é o exemplo máximo da evolução física, técnica e tática do jogo. Tem a seu favor o volume de jogos, a regularidade. Ainda precisa provar que pode superar mais vezes os rivais mais fortes do seu tempo, o que naturalmente daria mais títulos a ele. É, ao meu ver, o ser humano que já chegou mais próximo da comparação com Jordan. E, quem sabe, é quem tem mais condições de superá-lo algum dia.

Jordan já foi ultrapassado por alguém? Não. Mas levando em conta a evolução do jogo, dos métodos de treinamento, da superação física e aperfeiçoamento da técnica, é muito provável que um dia alguém seja, sim, melhor, mais vitorioso e impactante do que ele foi. Da mesma forma que ele superou seu antecessores.

Porque ninguém é insuperável.

[Previsão dos Playoffs] Final da NBA: Warriors x Cavaliers

Jogo 1 – Qui.  1 de junho,  Cleveland @ Golden State, 22h (ESPN)
Jogo 2 – Dom.  4 de junho,  Cleveland @ Golden State, 21h (ESPN)
Jogo 3 – Qua. 7 de junho,  Golden State @ Cleveland, 22h (ESPN)
Jogo 4 – Sex.  9 de junho,  Golden State @ Cleveland, 22h (ESPN)
Jogo 5 * Seg. 12 de junho,  Cleveland @ Golden State, 22h (ESPN)
Jogo 6 * Qui. 15 de junho, Golden State @ Cleveland, 22h (ESPN)
Jogo 7 * Dom. 18 de junho,  Cleveland @ Golden State, 21h (ESPN)

Temporada regular: 1×1

Palpite: Golden State em 7

O cameponato deste ano foi muito bacana, uma série de histórias legais, feitos históricos e tudo mais. Mesmo assim, parece que foram meses de espera por um tira-teima histórico: a terceira final consecutiva entre Cleveland Cavaliers e Golden State Warriors.

O ponto alto do confronto é que aparentemente as duas equipes se enfrentarão em no auge da técnica e sem contratempos de lesão – nos últimos dois anos, cada vez uma equipe foi prejudicada por ausência de alguns dos seus principais jogadores. Agora, o Golden State chega mais experiente, tranquilo e com o reforço incomparável de Kevin Durant. O Cleveland também está bem, com Lebron James jogando o melhor basquete da sua carreira, Kevin Love finalmente à vontade e Kyrie Irving sendo decisivo como sempre.

Acredito que nestas condições, o pico do Warriors é ligeiramente superior ao do Cavaliers, o que faz pender a balança do favoritismo para o time californiano. É verdade que na decisão do ano passado o potencial do Golden State já era superior ao do Cleveland, mas acho que a pressão por fazer uma temporada épica, com o maior número de vitórias da história não ajudou na hora do mata-mata decisivo. Neste ano, o time veio em ritmo de cruzeiro  – e mesmo assim não perde há meses.

Kevin Durant é um reforço que não pode ser menosprezado. Até se machucar, o ala estava jogando um basquete digno de MVP, com a maior precisão e eficiência ofensiva e maior impacto defensivo da sua carreira.

No ano passado, a inoperância de Harrison Barnes foi um dos fatores que levou o Cleveland à virada – a tática de deixar o jogador descaradamente livre na intenção de anular outras ameaças mais perigosas do Warriors funcionou e, mais do que isso, perturbou o time do Golden State. Na troca de Barnes por Durant, saiu o poste para entrar o gatilho.

Curry e Durant, ao invés de dividirem a bola, estão multiplicando as oportunidades de pontuação. Os dois se encaixaram mais rápido do que se imaginava. Juntos, o time cria mais oportunidades de arremessos livres e equilibrados, o que aumenta consideravelmente as chances de acerto dos chutes.

O entrosamento tem sido benéfico até para Draymond Green, que já era decisivo na defesa, mas vem tendo um desempenho ofensivo impecável nas últimas séries.

Para que o time emplaque seu esquema com primazia, falta apenas que Klay Thompson apareça um jogo ou outro. O jogador não tem passado pelo seu melhor momento, mas é uma ameaça constante no perímetro – especialmente diante uma defesa não muito dedicada do Cleveland Cavaliers.

Esta, inclusive, é a deficiência que faz com que o time de Ohio esteja um passo atrás na disputa. O ataque não tem muitos problemas. Por mais que a defesa do Warriors seja excepcional, Kyrie Irving, Kevin Love, Lebron James são os jogadores com mais recursos técnicos para vencer a barreira adversária. Channing Frye, Kyle Korver e os demais reservas do time também são letais. Mas, no saldo, é mais difícil que a defesa do Cavs atrapalhe o ataque rival do que o contrário.

Um caminho para o Cavaliers é desacelerar o jogo com a bola na mão. Diminuir o número de posses de bola e levar as partidas em um ritmo que não favorece tanto o rival. Fechado, com posses de bola longas e marcações ‘on ball’, a ineficiência pontual da defesa do Cavs fica muito menos evidente – e chega a favorecer Tristan Thompson, Lebron James e JR Smith.

E, por fim, o que torna a disputa ainda mais imprevisível, apesar da vantagem coletiva do Warriors, é a presença de Lebron James com a camisa 23 do Cavs. Mesmo que Curry, Kyrie, Durant ou seja lá mais quem sejam excelentes, Lebron é de outro mundo. Nestes momentos, então, ele faz ainda mais diferença.

Eu acho que teremos pelo menos seis jogos. Torço muito por sete. Acho que dá Warriors.

[Previsão dos Playoffs] Final do Oeste: Warriors x Spurs

Jogo 1 – Dom.  14 de maio,  San Antonio @ Golden State, 16h30 (ESPN)
Jogo 2 – Ter.  16 de maio,  San Antonio @ Golden State, 22h (ESPN)
Jogo 3 – Sab. 20 de maio,  Golden State @ San Antonio, 22h (ESPN)
Jogo 4 – Seg.  22 de maio,  Golden State @ San Antonio, 22h (ESPN)
Jogo 5 * Qua. 24 de maio,  San Antonio @ Golden State, 22h (ESPN)
Jogo 6 * Sex. 26 de maio, Golden State @ San Antonio, 22h (ESPN)
Jogo 7 * Dom. 28 de maio,  San Antonio @ Golden State, 22h (ESPN)

Temporada regular: Spurs 2 x 1 Warriors

Palpite: Warriors em 6

O tão aguardado confronto de playoffs entre o sempre competitivo San Antonio Spurs e o recentemente dominante Golden State Warriors finalmente vai acontecer. Nos últimos dois anos, quando o time californiano despontou efetivamente como a maior força da NBA atual, os mais de 150 jogos de temporada regular funcionaram como um período de espera para quando, já no mata-mata, o GSW teria fatalmente sua real prova de fogo ao enfrentar o time texano.

Nos dois anos, o Spurs caiu no meio do caminho. Em 2015, perdeu numa série épica contra o Los Angeles Clippers. No ano passado, quando Spurs e Warriors registravam duas das melhores performances em temporadas regulares de toda a história, foi o Oklahoma City Thunder que se meteu na história. Tardou, mas aconteceu: Spurs conseguiu superar Grizzlies e Rockets para cruzar com o Warriors nos playoffs.

O contexto das coisas sugere que, infelizmente, o embate deste ano tem boas chances de ser menos equilibrado do que os hipotéticos confrontos aguardados nos anos passados. Em 2015, o Warriors não tinha alcançado seu auge ainda. Em 2016, apesar do rival estar voando, o Spurs parecia estar quase no mesmo nível. Neste ano, o Golden State se reforçou com Kevin Durant e amadureceu – deixou de lado a pira pelos recordes e passou a fazer o básico para vencer todo mundo com certa tranquilidade. Na contramão, o San Antonio perdeu Tim Duncan para o INSS e remontou seu esquema de jogo ao redor de Kawhi Leonard, que entra na série baleado com uma lesão no tornozelo.

O Warriors, mais do que nunca, tem uma defesa móvel e versátil. Tem a vantagem de poder colocar Andre Iguodala, Draymond Green, Klay Thompson ou Kevin Durant na marcação do melhor jogador rival sem medo de torrar um deles com faltas. Do outro lado, Kawhi, Jonathon Simmons e Danny Green terão que se desdobrar para parar um ataque ainda mais frenético, rápido e letal que o do Rockets, que em alguns momentos da série passada acabou com o SAS.

Os últimos 20 anos de basquete nos ensinaram que Gregg Popovich é capaz de qualquer coisa e que Manu Ginobili pode acabar com uma partida de playoff. Também não acho que o fato do Golden State ter sobrado nos playoffs até aqui e o Spurs ter sofrido bem mais seja vantagem para um ou para o outro – os rivais de cada um tinham níveis bem diferentes e nem sempre ficar uma semana descansando faz tanta diferença assim, já que o Spurs chega com mais ‘sangue no olho’ pra partida.

Mas, sem dúvida, o Warriors está em um momento melhor. Diferente dos anos anteriores, em que o nível dos dois times eram muito próximo, agora o Spurs teria que superar suas limitações e as certezas do rival para igualar a série. E essa é uma tarefa muito difícil.

Camisas irreconhecíveis

Eu aposto que quem tem mais ou menos a mesma idade que eu, na faixa dos 30 anos, vai reconhecer esta passagem: era início da década de 90, eu estava começando a acompanhar futebol com alguma consciência. Torcendo pelo humilde Coritiba, que iria enfrentar uma fila sem títulos de uma década e que só voltaria à Primeira Divisão dali alguns anos, o que mais via na tevê era um imbatível Palmeiras dominando o futebol nacional. Campeão Brasileiro, Paulista, cheio dos maiores craques da época. Tudo isso vestido com uma camisa listrada de verde e branco.

Passaram algumas temporadas, o time ainda era bom, continuou na tevê, mas mudou o uniforme para uma camisa toda verde (com algumas variações infelizes na época), que na minha cabeça de criança, que não conhecia a história do time alheio, era estranha. Isso me marcou. Mesmo hoje, sabendo que a verdadeira camisa palmeirense seja toda verde e que as listras brancas sejam só uma exceção na história do time, inconscientemente ainda me pego estranhando o time jogar com a camiseta do uniforme só com uma cor.

Acho que por isso eu fico tão incomodado quando vejo os times da NBA jogando com uniformes alternativos nos playoffs. Que porra é essa de Houston Rockets jogando mais vezes de regata preta ou camisetas cinzas com manga ao invés das tradicionais ‘jersyes’ vermelhas e brancas? Ou do Washington Wizards abrir mão por completo dos seus uniformes principais para jogar todas as partidas do mata-mata com uma camisa alternativa que homenageia o exército americano? Sem falar nos pijamas que Spurs usou vez ou outra na pós-temporada e no uniforme preto de D-League que o Milwaukee Bucks entrou em quadra na série contra o Toronto Raptors.

Com toda a visibilidade que a liga ganha quando os playoffs chegam, acho triste que os times abram mão das suas identidades por alguma jogada de marketing. Certamente, é neste período que o maior número de pessoas passam a se interessar pelo jogo, começar a acompanhar as transmissões e conhecer os times. Não consigo engolir que valha a pena promover um determinado uniforme negando toda a história de uma franquia – ainda que muitos times mudem radicalmente suas identidades visuais ao longo dos anos, infelizmente.

É provável que uma porção considerável de pessoas estejam conhecendo o Houston Rockets agora com uma camisa que não tem nada a ver com nada, enquanto há dois anos o time lotava a sua arena na final de conferência com uma camiseta escrita RED NATION – exemplo do quanto a cor vermelha é importante para o time.

Entendo que os times façam isso por dois motivos e que eles não estão ligando muito para quem não gosta. O primeiro deles é comercial, dar uma super exposição para um conjunto de uniformes e “obrigar” o torcedor mais fanático comprar umas cinco camisas por ano – ainda que o próprio Wizards tenha falhado miseravelmente nessa estratégia, já que fez um lote muito pequeno de unidades deste modelo do mata-mata, as regatas se esgotaram e agora acha que não vale a pena confeccionar novas por causa da mudança de fornecedor de materiais da Adidas para Nike daqui dois meses.

O outro é a superstição. O time usa uma vez uma camisa diferente, ganha um jogo e cai na tentação de usá-la mais vezes já que “deu sorte”. Foi por isso que o Cleveland Cavaliers foi campeão com a praticamente irreconhecível camiseta preta com mangas no ano passado.

Não há nada que possa ser feito contra isso. A grana e essa suposta forcinha extra para ganhar são maiores do que a opinião de um punhado de torcedores resistentes às mudanças. Que joguem uma vez ou outra durante a temporada regular, que inventem histórinhas para justificar isso ao longo do ano. Tudo bem, até vai. Mas nos playoffs? Não é pra mim.

NBA Awards: quem eu acho que merece e quem eu acho que vai ganhar cada prêmio

A temporada regular acabou na quarta-feira passada e os jornalistas que votam nos prêmios individuais da NBA tiveram até sexta-feira para entregar suas escolhas. Enquanto os times ainda aquecem seus motores nos playoffs, aqui vai quem eu acho que deveria ganhar cada um dos prêmios, quem eu acho que vai ganhar (são coisas diferentes) e quem vocês escolheram por meio de uma enquete que ficou aberta ao longo de três dias – aliás, muito obrigado pelas QUINHENTAS participações!

Infelizmente, a NBA mudou um pouco o ritual neste ano e só saberemos os vencedores ao final da temporada, em uma cerimônia que acontecerá em junho, dias depois das finais (antigamente os anúncios eram feitos gradativamente ao longo dos playoffs).

Mas vamos lá com os palpites e daqui dois meses nós conferimos o que foi quente e o que estava furado.

Most Improved Player

Quem eu acho que merece ganhar : Giannis Antetokounmpo
Quem eu acho que vai ganhar: Giannis Antetokounmpo
Quem vocês escolheram: Giannis Antetokounmpo

Geralmente eu acho a escolha de jogador que mais evoluiu bem fraca. Via de regra, ganha aquele cara que já estava comendo a bola no ano anterior, mas que vira titular na temporada seguinte, dobra a minutagem e, naturalmente, aumenta as estatísticas. Neste ano, não. Giannis é um cara que realmente evoluiu, independente do tempo de quadra – que se manteve praticamente o mesmo, aliás.

O Greek Freak deixou de ser uma aberração física com flashes de genialidade para se tornar o líder de um time em ascensão. Virou um all star. Foi o primeiro cara na história da liga a ficar entre os vinte maiores pontuadores, reboteiros, passadores, roubadores de bola e bloqueadores da temporada.

Nikola Jokic é um bom nome aqui, mas acho bem natural que jogadores no segundo ano tenham uma evolução significativa. É mais o curso natural das coisas do que uma escalada digna de um prêmio individual.

Defensive Player of the Year

Quem eu acho que merece ganhar: Rudy Gobert
Quem eu acho que vai ganhar: Rudy Gobert
Quem vocês escolheram: Kawhi Leonard

Sofri para fazer a minha escolha aqui. Até pouco tempo atrás estava decidido que era o ano de Draymond Green. Sem dúvidas ele está jogando muito, teve seu melhor ano defensivo da carreira e é o mais versátil defensor da NBA – o que é fundamental em um momento do jogo em que se exige que todos os jogadores façam de tudo em quadra. No entanto, acho que Rudy Gobert merece mais. O pivô francês é o grande responsável pelo Jazz ter a terceira melhor defesa da liga. Prova disso é que seu ‘defensive plus/minus’, que compara o impacto de um jogador na defesa quando está em quadra e quando está no banco, é o maior da NBA – o Golden State, dono da segunda melhor defesa, pode dividir melhor os méritos entre seus jogadores.

Rookie of the Year

Quem eu acho que merece ganhar: Dario Saric
Quem eu acho que vai ganhar: Dario Saric
Quem vocês escolheram: Joel Embiid

Joel Embiid é, sem dúvidas, o melhor jogador a estrear na NBA neste ano, mas acho injusto colocá-lo no mesmo balaio dos demais depois de ter treinado com seu time por duas temporadas. Além disso, suas restrições no tempo de jogo e a nova lesão fizeram com que ele jogasse pouquíssimos minutos no total. Saric, por sua vez, é o líder em pontos totais entre os jogadores que chegaram à NBA neste ano, além de ser o vice-líder em rebotes e assistências.

6th Man of the Year

Quem eu acho que merece ganhar: Eric Gordon
Quem eu acho que vai ganhar: Andre Iguodala
Quem vocês escolheram: Eric Gordon

Assim como o Houston Rockets, Eric Gordon teve um ano de retomada. Depois de várias temporadas sofrendo com lesões e diminuindo as expectativas que todos tinham sobre ele, finalmente Eric se encontrou como peça fundamental em um time que explore todos os seus talentos. Como James Harden é um combo guard intocável no time titular, Gordon faz muito bem o seu papel vindo do banco. Quando está em quadra, é o reserva que mais impacta o jogo.

Acho que Andre Iguodala vai acabar ganhando como um prêmio de consolação por ter sido preterido nos anos anteriores e por ter segurado a onda no período em que Kevin Durant ficou fora por lesão – e quando o Warriors emplacou sua maior sequência de vitórias na temporada. Pesa aqui também o fato do melhor momento de Gordon ter sido na primeira metade da temporada, enquanto Iguodala e Lou Williams, outro concorrente forte, terem crescido muito nas últimas partidas.

Coach of the Year

Quem eu acho que merece ganhar: Brad Stevens
Quem eu acho que vai ganhar: Mike D’Antoni
Quem vocês escolheram: Mike D’Antoni

Reconheço que a história mais empolgante da temporada seja a do técnico do Houston Rockets: pegou um time em baixa, mudou o estilo de jogar, o colocou entre os três melhores da conferência e ainda transformou seu melhor jogador em um potencial MVP. Como disse no ano passado, a combinação realmente era ótima. Mas eu relativizo um pouco o impacto de Mike por alguns motivos: o time do Rockets foi finalista do Oeste há dois anos, Harden já tinha sido ‘quase’ o MVP na mesma temporada e neste ano o time investiu no elenco. Ao meu ver, era um time já bom que foi reforçado e que apostou em um técnico bom que combinava com as características da equipe.

Acredito que Brad Stevens teve um trabalho mais importante. Na sua mão, Isaiah Thomas deixou de ser um armador que oscilava entre um bom pontuador e um jogador reserva para se transformar em uma estrela (e já não era mais um garoto). Jae Crowder e Avery Bradley também mudaram de patamar. Coletivamente, o Boston saiu do meio da tabela para se transformar em uma das melhores equipes da liga. E, por fim, roubou o primeiro lugar no Leste do Cleveland Cavaliers, algo impensável no início da temporada.

Most Valuable Player

Quem eu acho que merece ganhar: Russell Westbrook
Quem eu acho que vai ganhar: James Harden
Quem vocês escolheram: Russell Westbrook

Antes de qualquer coisa, qualquer jogador que vencer entre Russell Westbrook, James Harden, Kawhi Leonard e Lebron James vai ser merecedor do prêmio. Não é ‘ser sabonete’, mas é reconhecer que a temporada teve performances individuais absurdas, com alguns dos melhores jogadores da geração em seus auges. Mas a votação existe e só um deles sairá vencedor – ainda que exista o papo de co-MVP.

Esta votação, aliás, tem alguns vícios, algumas regras implícitas. A principal delas é a de que o MVP deve estar em uma equipe vencedora. Isso quer dizer, que o seu time tem que ser um dos melhores da temporada – historicamente, um dos dois melhores da conferência.

Acontece que os dois jogadores que mais chamaram a atenção ao longo do ano não estão em times tão bons assim. Harden levou o Rockets à terceira posição no Oeste e Westbrook chegou com o Thunder na sexta colocação. Mas até quanto esse costume é saudável para ser o fiel da balança em uma temporada tão atípica?

Ao meu ver, não é o melhor critério. O campeonato foi dominado por uma batalha estatística. Ambos quebraram dezenas de recordes. Ambos fizeram dezenas de doubles-doubles e triples-doubles (o que, pra mim, não deve ser o tira-teima também, já que as médias dos dois são muito parecidas).

Mas o meu critério vai ser o de quem foi ‘o dono’ da temporada. Neste quesito, acho que Russell Westbrook está um degrau acima de James Harden. Por mais que isso seja completamente subjetivo, é a ‘história da temporada’ que determina o MVP geralmente. A campanha de Stephen Curry ano passado foi surreal, mas foi o enredo que fez dele o primeiro MVP unânime, e não a sua supremacia sobre os demais. Neste ano, Westbrook teve os principais highlights e os game winners mais marcantes. Liderou viradas mais heroicas. Protagonizou a grande rivalidade da temporada (a treta com Kevin Durant) e mostrou que podia ser o dono do time.

Em uma disputa tão equilibrada, é o clima do campeonato que decide o meu voto – mas, em tempo, não acho nenhum absurdo Harden ganhar, já que até pouco tempo era ele o dono do meu palpite.

Acho, inclusive, que ele é que vai vencer a votação da NBA. Acredito nisso por todo aquele costume em votar no jogador de melhor campanha e pela forma como a eleição acontece – cada jornalista enumera um top 5 de jogadores e cada posição recebe uma pontuação. Nesse esquema, acho que muita gente vai colocar Kawhi em primeiro por estar no time com melhor posição na tabela. E a tendência é que estas pessoas coloquem Harden na segunda colocação. Na soma geral, Harden deve estar na primeira ou segunda colocação de quase todas as cédulas, enquanto Westbrook e Kawhi devem ficar em terceiro em vários rankings. Como já aconteceu em outros anos, acho bem possível que Westbrook seja o cara com maior número de votos como MVP, mas não termina na liderança da soma de pontos.

All NBA Team

Quem eu acho que merece ganhar:
(1) Westbrook/Harden/Lebron/Kawhi/Davis
(2) Curry/Thomas/Butler/Durant/Gobert
(3) Wall/Derozan/Giannis/Green/Gasol
Quem eu acho que vai ganhar:
(1) Westbrook/Harden/Lebron/Kawhi/Davis
(2) Curry/Thomas/Butler/Giannis/Gobert
(3) Wall/Derozan/Durant/Green/Towns
Quem vocês escolheram:
(1) Westbrook/Harden/Lebron/Kawhi/Davis
(2) Curry/Thomas/Giannis/Durant/Cousins
(3) Wall/Irving/Hayward/Green/Towns

Bom, como são muitos nomes, vou me justificar basicamente nas diferenças. Acho que o primeiro time é inquestionável, exceto pela dúvida se vão escolher Davis como pivô ou como ala, o que o faria cair para o 2nd All NBA Team.

Nos armadores, escolhi Demar Derozan para meu 3rd Team porque ele foi o cara do Toronto Raptors, quinto cestinha da temporada e deu conta do recado quando Lowry se machucou. Mais ou menos pelos mesmos motivos coloco Jimmy Butler no 2nd Team: foi a única coisa que se salvou de uma equipe completamente confusa. Gasol entra no terceiro time por ter tido alguns períodos espetaculares, como aquele mês em que o time inteiro do Memphis se machucou e ele venceu quase todos os confrontos sozinho.

Em junho a gente confere quem acertou o que!

O não tão seleto grupo do Hall da Fama

Tracy McGrady foi anunciado neste final de semana como o novo integrante do Hall da Fama do Basquete. Apesar de duas vezes cestinha da liga, sete vezes ser eleito para o All Star Game e para algum dos All NBA Teams, muita gente acha que dar a honra para um jogador que não teve praticamente qualquer conquista coletiva e que teve uma carreira relativamente curta seja uma concessão injusta. A mesma coisa aconteceu quando, no ano passado, Yao Ming ‘vestiu o paletó vermelho’ – como um jogador que teve oito temporadas apenas pode estar no mesmo grupo que os maiores da história?

Ainda que eu ache que tanto Yao, quanto T-Mac mereçam estar na lista de melhores do esporte de todos os tempos, entendo os questionamentos que muitos fazem sobre a facilidade que é ser escolhido. Não que seja tranquilo ser um jogador da NBA e etc, claro que não, mas jogadores ‘apenas’ muito bons acabam entrando no mesmo bolo dos lendários, o que pra muita gente é injusto.

Um exemplo que eu concordo que foi forçação de barra é Mitch Richmond. Beleza, foi um jogador bom, esteve na liga por uma porrada de anos, teve uma média excelente de pontos, foi All NBA por cinco anos seguidos, mas esteve longe de ser um mito. Mesmo no seu pico, não foi um jogador espetacular – para se ter uma ideia, o máximo que conseguiu atingir numa votação para MVP da temporada foi a 13ª posição.

Mitch está imortalizado com a gratificação mais importante do esporte do mesmo modo que Michael Jordan, Kobe Bryant, Jerry West e outros gigantes da posição.

Isso acontece porque a nomeação é baseada em critérios absolutamente subjetivos. As únicas exigências para que uma pessoa se torne elegível é ter parado de jogar, apitar ou comandar times há quatro anos ou estar envolvido com o esporte há mais de 25 anos. De resto, vai do gosto do comitê que escolhe.

Informalmente, existem duas marcas que garantem no clube: ter mais do que 20 mil pontos na NBA ou ter sido escolhido como All NBA por pelo menos seis temporadas. De todos os jogadores elegíveis que fizeram uma coisa ou outra, apenas Tom Chambers não foi escolhido para o Hall da Fama.

Em cada uma das listas, são cerca de 50 jogadores. Não bastando isso, ainda tem um monte de gente que é selecionada sem estar nem perto das duas marcas. Como Dikembe Mutombo, que ‘só’ foi três vezes da seleção do campeonato e teve pouco mais de 11 mil pontos na carreira, entre outros. Nisso, são mais de 170 jogadores que estão naquele que seria o grupo mais restrito de craques do basquete.

O ponto é que, ainda que signifique uma relativa banalização do prêmio, não dá para desconsiderar alguns fatores na eleição, que acabam ‘alargando’ seu filtro: popularidade, impacto na história de uma franquia, potencial, feitos fora da NBA e etc. São critérios que, mesmos que intangíveis ou alheios ao jogo jogado, fazem o esporte ser o que é e constroem a figura dos jogadores perante o público – ou seja, são de uma importância fundamental.

É o que sedimenta as escolhas de Yao ano passado e McGrady neste ano. Além de ter sido um excelente jogador enquanto teve saúde, o chinês foi o símbolo do atual movimento capilaridade global da liga. T-Mac, ainda que não tenha vencido nada e nem jogado por muito tempo, está lá pelo seu potencial, por ter sido a principal ameaça ao reinado de Kobe Bryant como jogador mais explosivo e letal do começo dos anos 2000.

Já são 50 e poucos anos assim e, no final das contas, nem é tão ruim que os critérios não sejam tão restritivos. O que importa é que os grandes, seja lá por qual motivo, estejam lá.

Ninguém merece ser co-MVP. Nem Harden, nem Westbrook.

Dias atrás, Kobe Bryant levantou a bola de que, neste ano, a NBA poderia pela primeira vez na história dar o prêmio de MVP a dois jogadores. A ideia seria agraciar James Harden e Russell Westbrook como co-MVPs, dividindo o prêmio.

Em outros prêmios isso já aconteceu: Jason Kidd e Grant Hill já foram co-Rookie of the Year, Elton Brand e Steve Francis idem, Kobe e Shaquille O’neal já dividiram o prêmio de melhores jogadores do All Star Game em um ano e etc. Em uma disputa tão acirrada como a de melhor jogador da temporada, a proposta de agraciar Harden e Westbrook ganha força neste ano.

No entanto, acho a ideia uma besteira tremenda. Não faz o menor sentido sugerir uma divisão do prêmio entre os dois.

Para começar, o critério de escolha minimiza completamente as chances disso acontecer. Em uma votação em que jornalistas escolher os cinco melhores jogadores da temporada, em ordem, e em que a cada posição uma pontuação é atribuída, é quase impossível que os dois empatem.

Nas votações mais apertadas da história (como em 90, quando Magic Johnson superou Charles Barkley e 97, quando Karl Malone bateu Michael Jordan), o MVP teve mais do que 20 pontos de votação acima do segundo colocado.

Quando esse empate aconteceu no prêmio de calouro do ano, a votação era muito mais simples e muito mais suscetível para um empate na pontuação.

A única chance de uma divisão acontecer, seria com uma canetada da NBA. No entanto, isso seria a mesma coisa do que RASGAR E JOGAR NO LIXO os critérios de escolha usados nos últimos anos. Seria uma piada.

Mas ok, mesmo imaginando que Adam Silver estivesse disposto a isso, eu acho que seria uma baita de uma sacanagem com todos os outros jogadores que ‘quase foram MVP’ no passado e, principalmente, com James Harden e Russell Westbrook.

Ainda que seja uma pena imaginar que um dos dois vá sair de mãos abanando nesta temporada, é um absurdo pensar que, se fosse dividido, uma temporada impressionante como esta carregaria para sempre um asterisco justificando que a escolha foi diferente das demais.

Em uma competição de alto nível como esta, do prêmio individual máximo da temporada, alguém TEM que ganhar. Dividir o título como consolação não serve para isso. Muito menos para dois jogadores que estão batalhando tanto para superar um ao outro. Não funciona assim.

Seja lá quem for o vencedor da votação, merece o título só para ele. Absoluto. Inquestionável. Como sempre foi.

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