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Dono da quadra

Kevin Durant tem sido, disparado, o melhor jogador das finais da NBA até o momento. Na série com o maior número de all stars dos últimos 30 e poucos anos, o jogador tem o feito de ser o cestinha, o maior bloqueador, o terceiro reboteiro e o segundo com mais assistência entre todos os jogadores dos dois times. Tem decidido os jogos a favor do Golden State Warriors fazendo de tudo um pouco na quadra.

Ao longo da carreira, o jogador já tinha mostrado toda a sua versatilidade: era o armador do Thunder e do próprio Warriors em muitas posses de bola, tem um dos melhores chutes da liga como um bom ala-armador e sabe cair no post como um ala deve fazer. No esquema do Warriors, Durant também se mostrou um bom protetor de aro no garrafão, especialmente cobrindo os jogadores marcados por Draymond Green. Seus 2,10 m e quilômetros de braços já indicavam que ele não encontraria problemas com a nova função.

(Nathaniel S. Butler/NBAE via Getty Images)

E ontem veio a confirmação. No terceiro quarto, com Green carregado de faltas, Steve Kerr colocou Kevin Durant como pivô do time. O jogador já tinha caído várias vezes na posição em trocas defensivas, mas nunca tinha sido escalado como pivô de fato na formação, só com alas menores e armadores ao seu redor. E ele dominou o jogo no único papel do jogo que nunca tinha desempenhado em larga escala.

Na formação Curry, Livingston, Thompson, Iguodala e ele, o Golden State emplatou 14 pontos em cinco minutos e levou a vantagem do jogo a 13, mesmo com Kevin Love e Channing Frye do outro lado, dois jogadores muito mais acostumados com a função.

Defensivamente Durant foi dominante no garrafão.

Os seus números no jogo mostram bem sua atuação eclética. Durant esteve a duas roubadas de bola de fazer um ‘5×5’ – ter pelo menos cinco pontos, rebotes, assistências, roubadas e tocos.

Durant é a cara de uma NBA que busca cada vez mais jogadores versáteis, móveis e leves. Não só tem tudo a ver com o small ball – apesar de não ter nada de ‘small’ no seu tamanho -, como tem o físico que os jogadores buscam nos dias de hoje – coisa inimaginável há 25 anos, quando a força física era um atributo fundamental para o jogo e os jogadores pesados tiravam vantagem dos demais.

A série vai para Cleveland e o time de Ohio precisa, acima de tudo, encontrar uma forma de parar Durant. No ano passado, a reviravolta aconteceu quando o Cavs notou que poderia abrir mão da marcação de Harrison Barnes e Andre Iguodala para anular Stephen Curry, Klay Thompson e Draymond Green.

Com Durant, isso não é possível. Para batê-lo, é preciso encontrar uma forma diferente de jogar. Que ninguém descobriu qual é até agora.

EXCLUSIVO: Fiba mantém punição e Brasil fica de fora das eliminatórias da Copa do Mundo de Basquete

Em uma reunião do Comitê Central da Fiba, ficou decidido hoje que a punição à Confederação Brasileira de Basquete (CBB) será estendida até junho, tirando o Brasil das eliminatórias da Copa do Mundo de Basquete, que será realizada na China em 2019. A informação foi repassada em primeira mão ao Dois Dribles.

A decisão tira o Brasil da disputa porque o sorteio das datas e dos confrontos das eliminatórias acontece no próximo domingo, dia 7 de maio, em Guangzhou. Com a punição, o time brasileiro não estará no pote. Os jogos começam em novembro deste ano e acontecem até fevereiro de 2018, em datas fechadas pela federação internacional (numa iniciativa inédita no basquete, mas que já é usada nas eliminatórias da Copa do Mundo de Futebol).

Apesar da Fiba ter determinado o modelo de classificação sem prever equipes convidadas (uma prática comum até o último mundial, em que o Brasil, inclusive, foi convidado), o processo das eliminatórias não está totalmente claro, abrindo margem para alguma alteração futura. No entanto, a estrutura da classificatória teria que ser alterado, diferente do já planejado.

Na próxima reunião, devem decidir se o Brasil pode participar ou não da Copa América (que define vaga nas olimpíadas).

A primeira suspensão da Fiba para a CBB aconteceu em novembro. De acordo com a federação internacional, a confederação não estava cumprindo plenamente com suas obrigações como uma federação nacional nos termos dos estatutos gerais aplicáveis e ainda precisa de reestruturação. Desde então, a Fiba tem reconsiderado a situação da entidade, mas não voltou atrás da decisão, mesmo com a nova gestão da CBB. Em fevereiro, o veto foi mantido até maio, por exemplo.

Há coisas que não se pede

Por mais que você queira muito, que seja quase incontrolável, a lei do universo diz que tem algumas coisas que não se pede. Uma delas é pedir para a produção do Shaqtin’ a Fool para não entrar no programa que seleciona as jogadas mais vergonhosas da liga.

https://twitter.com/MikeGoldFool/status/814117267852185600

Pois um dos jogadores que é ‘indiscutivelmente um dos 5 melhores da liga’ fez este pedido. Quer dizer, seu agente fez este pedido para a produção do programa – o que é ainda mais constrangedor.

Na boa, é pior ser mais um entre milhares que já viraram piada – e depois caíram no esquecimento – ou ser O CARA QUE NÃO SABE BRINCAR que pediu para ser poupado da trollagem?

O bullying escolar, onde as crianças gerem suas próprias leis maldosas, nos ensinou a duras penas que o primeiro passo para uma brincadeira virar um tormento é levá-la muito a sério.

Javale McGee, maior protagonista do quadro em todos os tempos, é um exemplo a ser seguido. Apesar de ser achincalhado em todas as edições do programa praticamente, ele aprendeu a rir das próprias besteiras. Além de ter superado as críticas voltando a jogar bem, alcançou o patamar de MITO para o torcedor de basquete justamente pelas jogadas ‘pouco inteligentes’.

Neste ano, rolou dele tentar dar a saída de bola depois de uma cesta do seu próprio time. Depois que se tocou do lapso mental que estava tendo, voltou para a defesa rindo dele mesmo. Depois do jogo, o próprio postou um vídeo dos colegas de Golden State se cagando de rir no vestiário. Pronto, com bom humor e humildade, fez uma cagada e ainda saiu por cima.

A sorte do tal ‘top 5’ é que a produção do programa manteve sua identidade preservada. Por mais que existam suspeitas (foi na mesma semana que Kevin Durant se enroscou com Richard Jefferson no momento decisivo do clássico entre Warriors e Cavs e terminou o jogo de quatro no chão), ninguém sabe realmente quem é o medroso.

O quadro até tem um “Golden Ticket” que qualquer jogador pode usar quando não quiser ser zoado em rede nacional. Segundo as regras do programa, é só o atleta que acha que será zoado postar o ticket no seu twitter assumindo publicamente que não quer entrar na brincadeira que ele será poupado – ano passado Larry Nance Jr fez uma cesta contra, usou o “Golden Ticket” e ganhou um passe livre eterno.

O feio, nesse caso, é acionar algum engravatado para limpar a própria barra. Recorrer a alguém para não ser exposto quando, na verdade, todos estão sujeitos à piada.

É feio não saber brincar.

Entre o orgulho e a cesta

O aproveitamento medíocre de alguns jogadores na linha do lance livre é um dos maiores mistérios do jogo de basquete. Muita gente adora berrar que estes jogadores teriam que treinar mais (ainda que sejam os que mais treinam), a liga mudou algumas regras para que eles vão com menos frequência à ‘linha da caridade’, há quem diga que o problema é de capacidade motora, irreversível, ou que é uma questão de confiança, passível de tratamento. Não há um consenso de fato.

A única certeza neste caso é que, quando o chute convencional não favorece, existe uma outra forma de arremessar mais eficiente e menos ortodoxa: o chamado arremesso de ‘lavadeira’.

Ao invés de lançar a bola da maneira convencional, por cima da cabeça, o jogador segura a pelota com as duas mãos simetricamente posicionadas entre as pernas e joga a bola de baixo para cima. Muita gente já estudou o tema e garante que esta é a maneira mais eficaz de mandar a bola para dentro da cesta quando o jogo está parado – durante a partida é diferente porque existe marcação, a distância pode ser bem maior e etc.

Um dos melhores arremessadores de todos os tempos era adepto da ‘técnica’. Rick Barry, líder em aproveitamento dali em seis temporadas dos anos 70, batia lances livres desta forma. Wilt Chamberlain, um dos maiores cestinhas da história da liga, tentava amenizar sua deficiência batendo as penalidades da mesma forma.

Recentemente, a maior prova da eficácia do chute de lavadeira é Chinanu Onuaku, jogador draftado esta temporada pelo Houston Rockets e que atualmente joga na D-League. Ao aderir ao movimento, Onuaku melhorou dos 54% de acerto na liga universitária, quando arremessava do modo convencional, para 87% de aproveitamento, chutando a bola de baixo para cima.

E porque os figurões que são péssimos no fundamento não tentam o mesmo? Porque o movimento é visto como vergonhoso por boa parte da comunidade basqueteira. A justificativa geral é de que é ‘humilhante’ arremessar ‘como uma menina’.

É uma bobagem, com certeza, mas é preciso contextualizar. O basquete, na sua essência, é um esporte baseado no desafio individual, na supremacia de um jogadores perante seu marcador. Ainda que existam times, táticas, jogadas e tudo mais, não há jogo coletivo mais propício para uma batalha entre dois atletas do que o basquete. O drible que deixa o outro no chão, o contra ataque que faz o rival se perder no meio do caminho, a enterrada na cara do marcador: o basquete é um ato de provocação ao adversário.

Tudo isso em um cenário que o estilo das coisas, a plástica das jogadas e a leveza dos movimentos vale, muitas vezes, mais do que o desfecho das coisas. Eu, que sou ruim no lance livre, nunca tive coragem de arremessar estilo lavadeira na pelada, imagine um profissional, que jogou a infância inteira nas quadras dos EUA, fazer isso na NBA?

Não é nenhuma apologia à ruindade, mas só uma reflexão de que é preciso ter um desprendimento tibetano para engolir todo o orgulho do mundo e, naquele ambiente, fazer isso.

Mais de uma vez Rick Barry se colocou à disposição de craques que eram péssimos nos lances livres para ensinar e aperfeiçoar a técnica do arremesso de cima para baixo. Foi sumariamente desprezado. Shaquille O’Neal certo dia disse que preferia errar todos seus arremessos a chutar de outra maneira, Dwight Howard já disse que ‘está bom do jeito que está’ e, assim pro diante, ninguém se dobra à mecânica esquisita.

No final das contas é uma briga entre o orgulho e a eficiência. E em número de adeptos, o orgulho ainda ganha de lavada.

 

Kevin Johnson, ex all star, podia perfeitamente ser o prefeito da sua cidade

A fama nunca foi muito boa, mas em função de todos os acontecimentos recentes os políticos brasileiros atingiram os níveis mais baixos de moral perante a população e a opinião pública – com toda a razão. Em tempos de eleições municipais, então, lembramos que boa parte dos caras que mandam na porra toda são as piores figuram que existem à disposição. Não sou daquele tipo “apolítico” (sic), mas tem horas que parece que quanto mais tranqueira for, mais aptidão pra vida política o camarada tem.

Nessas horas, serve como alento saber que não é uma exclusividade tupiniquim ter seres de conduta questionável ocupando estes postos. Kevin Johnson, armador estrela do Phoenix Suns dos anos 90 e três vezes All Star, aprontou mais uma para nos lembrar disso.

Foi Johnson entrar para a vida pública que as maracutaias começaram a aparecer

Foi Johnson entrar para a vida política que as maracutaias começaram a aparecer

Em um evento em Sacramento, cidade onde o ex-jogador é prefeito pelo segundo mandato seguido, um manifestante resolveu protestar não ‘muy’ pacificamente e meteu uma tortada na cara de Johnson. Como manda a cartilha das pessoas despreparadas para ocupar cargos públicos (leitura obrigatória para boa parte dos políticos), o ex jogador respondeu jogando o indivíduo no chão e desferindo uma série de socos na sua cara. Segundo testemunhas, entre cinco e dez porradas repetidas na cabeça do infeliz.

Não bastasse o absurdo de um prefeito, ex-atleta de basquete, reagir dessa forma a um ataque (que também não é certo, óbvio) e moer a cara de um sósia do Thom Yorke – e se ele for realmente igual ao vocalista do Radiohead, é uma tentativa de homicídio -, Johnson ainda saiu da treta tranquilamente e voltou para casa, enquanto o manifestante foi preso (ÓBVIO).

Achei ele a cara do Thom Yorke, do Radiohead.

Achei ele a cara do Thom Yorke, do Radiohead.

Esta foi mais uma passagem da ‘polêmica’ biografia pública de Johnson. A mais pesada delas surgiu logo quando saiu candidato pela primeira vez: uma mulher veio a público dizer que recebeu 230 mil dólares para não levar para frente a denúncia de que tinha sido abusada sexualmente por Kevin quando ele ainda jogava. Na época que aconteceu o abuso, Johnson alegou que tinha apenas ‘abraçado’ a vítima e tudo ficou por isso mesmo.

Fora isso, Johnson tem algumas práticas bem conhecidas pelos nossos políticos: usou dinheiro público para pagar viagens pessoais e de funcionários particulares, gastou indevidamente fundos vindos do governo federal e ainda teve problemas com investimentos imobiliários na cidade onde ele mesmo é prefeito (?).

E aí? Também reconheceu uma série de ‘Kevin Johnsons’ aí na campanha da sua cidade?

 

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