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[Previsão 17/18] Cavaliers: mais um ano, a mesma missão

Não é porque o Cleveland Cavaliers teve uma offseason muito tumultuada, porque seus rivais do Leste e do Oeste se reforçaram substancialmente, porque uma das suas estrelas e herói do titulo saiu do time, que a missão do time para este ano se diferencia das temporadas passadas. O Cleveland Cavaliers ainda é a maior e mais real chance de tirar o título das mãos do favorito Golden State Warriors.

No que depende do próprio time, até o momento, tudo tem corrido bem e as eventuais adversidades que surgiram foram superadas com certa tranquilidade.

Kyrie Irving pediu para ser trocado? O time conseguiu um retorno excelente, muito além do que normalmente as franquias conseguem quando suas estrelas estão insatisfeitas e pedem para sair. Mesmo que Isaiah Thomas esteja machucado por um bom tempo, o time conseguiu coadjuvantes bem úteis e uma escolha de primeiro round para o ano que vem – que pode ser fundamental para convencer que Lebron James permaneça no time, por exemplo.

O Boston Celtics contratou bem durante a offseason e se transformou em uma ameaça maior na disputa pelo título de conferência? O time se desfez de quem não deu conta do recado na temporada passada – Deron Williams é o melhor exemplo – e se reforçou com jogadores que comprovadamente crescem nos momentos decisivos – Dwyane Wade.

Lebron esteve sobrecarregado na armação no ano passado? Além de Thomas e Wade, o time contratou Derrick Rose, um cara que não é mais o mais confiável do mundo para carregar um time, mas que é bastante útil pelo menos para desafogar a criação de jogadas na maratona de 82 jogos da temporada regular.

Muita coisa mudou, evoluiu em Cleveland. Mas é verdade que muito mais precisa acontecer para que o time chegue, eventualmente, em uma final contra o Golden State em igualdade de condições.

Kevin Love continuar com a sua lenta e gradual adaptação à franquia para tentar, finalmente, ser o jogador que era em Minnesota: uma ameaça constante no ataque, decisiva noite após noite, tanto de fora, como no post.

O time melhorar brutalmente sua defesa é fundamental. Uma competição apenas de quem tem o melhor ataque não é uma tática inteligente de ser usada contra o Warriors – e a final do ano passado provou isso. Jae Crowder é um bom nome para ajudar nesta missão, mas acho que os ajustes têm que ser mais estruturais – e não acho que tirar Tristan Thompson da formação titular, como se cogita, seja a melhor ideia.

Aliás, neste ponto eu ainda duvido da capacidade de Tyronn Lue de fazer o time funcionar de um jeito diferente, que não seja completamente baseado no talento individual dos seus jogadores. Aqui, o Golden State Warriors e até o Boston Celtics já provaram que têm alguma vantagem sobre o Cavs, com treinadores comprovadamente capazes em seus bancos. Lue, por enquanto, se mostrou mais um mediador de egos do que um head coach competente – conseguir montar, finalmente, uma defesa competente seria uma forma de mostrar que tem talento equiparável aos dos demais.

Por fim, o time também deve buscar a melhor campanha geral da NBA. O Oeste está muito mais carregado o que pode, em tese, fazer o Golden State ser derrotado algumas vezes mais do que está acostumado – já que enfrenta Rockets, Spurs, Thunder, Clippers, Timberwolves e cia mais frequentemente do que os times do Leste. Se o Cleveland conseguisse a melhor campanha geral da liga, chegaria em uma eventual final da NBA com o mando de quadra e teria uma ligeira vantagem contra o time da California – começar a série fora de casa, sem o mando, tem sido avassalador para Cleveland.

A ausência de Thomas na primeira metade da temporada atrapalha esse plano em especial, mas em uma conferência Leste esvaziada, o Cleveland tem todas as condições de ganhar de praticamente todo mundo daquele lado do mapa, mesmo sem sua força máxima.

As condições mudaram, o time é outro, as dificuldades também não são as mesmas. Mas a missão de tentar superar um time amplamente favorito continua. E, hoje, a equipe mais próxima de fazer isso ainda é o Cleveland Cavaliers.

Offseason
Foi animada e o time se saiu bem de algo que poderia ser desastroso. Conseguiu reverter o polêmico pedido de Kyrie Irving para ser trocado em algo positivo. Ficou com Isaiah Thomas, Jae Crowder e Ante Zizic, além da importante escolha de draft do ano que vem, originalmente do Brooklyn Nets, que pode render um excelente calouro. Ainda apostou na recuperação de Derrick Rose, que já será útil mesmo que continue sendo o jogador apático dos últimos anos, e Dwyane Wade, que apesar da idade, ainda é decisivo. De menos importante, assinou com Jose Calderson e Jeff Green, que não devem ser muito acionados, mas garantem ao time um dos elencos mais profundos da liga.

Time Provável
PG – Isaiah Thomas / Derrick Rose /Jose Calderon / Kay Felder
SG – Dwyane Wade / JR Smith / Kyle Korver / Iman Shumpert
SF – Lebron James / Richard Jefferson / Cedi Osman
PF – Kevin Love / Jae Crowder / Jeff Green
C – Tristan Thompson / Channing Frye / Ante Zizic / Walter Tavares

Expectativa
Sou fã deste time do Cavs. Não só tem qualidade, é experiente, como parece ter gana. Além de Lebron, o melhor jogador de basquete em atividade no mundo hoje, Dwyane Wade é um cara com COJONES que pode não ser tão importante em uma maratona de temporada regular, mas fará muita diferença em uma série decisiva de playoffs e Isaiah Thomas é um jogador que, magoado, parece conseguir elevar a sua capacidade de decisão. Espero que se a final dos últimos três anos for reeditada, que a briga seja um pouco melhor desta vez.

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[Previsão 17/18] Jazz: pela tradição do pick-and-roll

Hoje é praticamente sobreviver na NBA sem saber executar bem uma variedade relativamente grande de jogadas a partir do pick and roll – 1/3 de todos os movimentos de ataque começam com essa jogada na liga atualmente. Mesmo que hoje jogadores usem o movimento de forma muito mais refinada e complexa, as maiores referências no assunto ainda são dois caras que eternizaram o lance há mais de duas décadas: Karl Malone e John Stockton.

A dupla tinha as habilidades básicas necessárias para a execução do pick and roll perfeito. Stockton era um excelente passador e um arremessador com uma ótima mira, enquanto Malone era um dos jogadores mais fortes da NBA para fazer o bloqueio ao mesmo tempo que era ágil o bastante para cortar para cesta e preciso o suficiente para finalizar a jogada assim que a bola chegasse em suas mãos.

Com certeza absoluta Ricky Rubio, recém chegado ao time, e Rudy Gobert estão a anos-luz da dupla mais clássica do Jazz, mas os dois tem plenas condições de reviver a tradição da jogada em Utah de forma bastante eficiente, como nunca mais se viu por lá desde que Stockton se aposentou e Malone saiu para tentar um título pelo Lakers.

Por mais que seja tratado como um fracasso na NBA – principalmente pela diferença entre expectativa e realidade -, Rubio é um dos melhores passadores de toda a liga. Se movimenta bem pela quadra, tem um QI de basquete altíssimo e consegue enxergar os mínimos espaços para encontrar seus colegas na melhor posição para finalizar. Gobert, por sua vez, é um excelente finalizador colado ao aro – seu físico esguio, com braços enormes, ajuda muito nisso, e sua técnica tem melhorado com o tempo neste sentido também.

Nas últimas temporadas, os dois já mostraram muita eficiência na finalização de jogadas a partir de pick and roll – isso que Gobert jogou com George Hill no ano passado, um bom jogador, mas que não é um passador brilhante. Combinados agora, os dois podem formar uma dupla imparável nesse tipo de lance.

Uma preocupação seria o chute de Rubio de fora. Como não é um chutador consistente, a finalização da jogada pode ficar muito manjada. É verdade. Mas também é preciso reconhecer que o arremesso do espanhol tem evoluído com o passar do tempo, mesmo que muito lentamente.

E mais do que tudo isso, poucas duplas devem ser tão gabaritadas defensivamente para parar do armador ao pivô adversário quanto a combinação formada em Salt Lake City. Gobert é um excepcional defensor. Entre os pivôs, é o mais ágil para cobrir do perímetro ao garrafão. Rubio, um degrau abaixo, é um marcador de elite. Ambos combinados em um dos melhores esquemas defensivos devem ser suficientes para desmontar qualquer ataque da liga.

Entendo que o time vá sofrer um pouco com a saída de Gordon Hayward, seu melhor jogador dos últimos anos. Mas é verdade também que Hayward nunca fez o estilo franchise player dominante, o que o torna mais substituível, especialmente quando se tem um técnico talentoso e um time voluntarioso.

Joe Ingles não tem a qualidade de Gordon, mas tem características parecidas: cai como ala, puxa as jogadas, marca bem, é versátil. Joe Johnson, mesmo se arrastando em quadra, também faz este papel bem.

Se Rodney Hood continuar caminhando para se tornar um shooting guard confiável e Derrick Favors conseguir minimamente jogar ao lado de Gobert, acho que o Jazz tem condições de manter uma pegada parecida com a da temporada passada.

Offseason
O time perdeu dois dos seus melhores jogadores, Gordon Hayward e George Hill. Mas repôs bem o elenco com um calouro que foi uma steal do draft, Donovan Mitchell, uma estrela do basquete europeu que terá uma segunda chance na NBA, Ekpe Udoh, além, claro, de Ricky Rubio. No final das contas, o time aposta mais do que nunca na cultura da franquia, de um basquete coletivo e de muito esforço defensivo.

Time Provável
PG – Ricky Rubio / Raulzinho / Dante Exum
SG – Rodney Hood / Alex Burks /Donovan Mitchel
SF – Joe Ingles / Joe Johnson /Thabo Sefolosha
PF – Derrick Favors / Jonas Jerebko
C – Rudy Gobert /Ekpe Udoh / Tom Bradley

Expectativa
Vejo o Jazz no bolo dos times que são favoritos aos playoffs, mas entre a quinta e oitava posição. Perdeu bons jogadores, não é o time com mais talentos individuais, mas formou um núcleo que funciona coletivamente.

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[Previsão 17/18] Raptors: a oportunidade já passou?

Foi-se o tempo que o Toronto Raptors era a segunda força disparada do Leste, atrás somente do Cleveland Cavaliers. Há duas temporadas, quando isso aconteceu, o time canadense e a equipe de Lebron James brigaram cabeça a cabeça pela liderança da conferência e o Cavs acabou com uma vitória de vantagem – já o Toronto ficou com oito vitórias de folga em relação ao terceiro colocado, um gap igual ao que separava este mesmo terceiro do nono time do Leste.

Nos playoffs, o Raptors não sobrou tanto assim. Enquanto o Cavs confirmava o favoritismo e varria Deus e o mundo, o Toronto precisou de dois 4 a 3 para perder a virgindade e alcançar a primeira final de conferência da sua história. No confronto contra o Cleveland, o Raptors ainda conseguiu descolar duas vitórias para reforçar que era o único time do Leste capaz de provocar alguma dor de cabeça ao futuro campeão.

Desde então, duas offseasons e uma temporada inteira passadas, a impressão que dá é que a oportunidade do Toronto Raptors dar um passo à frente e chegar a uma final da NBA está cada vez mais distante.

O Cleveland parece que tomou corpo e, mesmo que na temporada regular tenha performances parecidas, é um dos poucos times do Leste que mostra ter cacife e culhões para enfrentar um time do Oeste em igualdade de condições em um mata-mata. Com isso, parece que se distanciou do Raptors.

Neste meio tempo, o Toronto também viu o Washington Wizards evoluir seus jogadores e mostrar o quão letal pode ser nos playoffs. Viu o Boston Celtics se reforçar, ultrapassá-lo e se transformar em um aspirante a supertime. Já sente, até, a respiração no cangote do Milwaukee Bucks, com uma turma jovem melhorando ano após ano.

Enquanto isso, pouca coisa mudou na franquia. A espinha dorsal é a mesma, baseada exclusivamente na qualidade do seu backcourt – enquanto todos os times do seu mesmo nível se reforçaram.

Dos principais jogadores, exceto por Demar Derozan, que notoriamente conseguiu evoluir e dá sinais de que pode atingir o ápice da sua qualidade técnica nesta temporada, os prognósticos mais prováveis não são os mais otimistas.

Lowry é excelente, mas chega aos 32 anos nesta temporada – uma barreira que via de regra marca a queda de rendimento de point guards – vindo de um ano em que foi atormentado por lesões.

Jonas Valanciunas, que tem só 25 anos, parece que estacionou no processo de evolução há três temporadas. Seus números não melhoraram e sua atuação em quadra diminuiu. Enquanto a NBA vê pivôs cada vez mais versáteis, o lituano cada vez mais se mostra um especialista em habilidades muito específicas, mas cada vez menos úteis.

Serge Ibaka, de 28 anos, sofre algo parecido. Parece que seu auge já passou há uns seis anos. Não é mais tão intimidador na defesa e nem tão ameaçador do perímetro.

Reservas importantes, como PJ Tucker, Cory Joseph, Patrick Patterson, não estão mais por lá. O time ainda tem um núcleo muito jovem e com algum potencial, mas poucos deles se mostram realmente preparados para contribuir de imediato. Desta forma, a sensação é que o Toronto Raptors é um time que andou muito pouco enquanto seus principais concorrentes correram atrás de reforços – como Cavs e Celtics – ou então evoluíram naturalmente – como Wizards e Bucks.

O time ainda é bom, coeso e bem treinado. Mas a distância das cabeças da conferência aumentou e a chance de surpreender parece cada vez menor.

Offseason
O time perdeu peças importantes, principalmente do banco de reservas. Patrick Patterson, PJ Tucker e Cory Joseph mudaram de ares e o time basicamente só se recompôs com calouros ou jogadores da D-League. A única contratação razoavelmente relevante foi a chegada de CJ Miles. O time também renovou com Kyle Lowry em uma negociação boa para a franquia.

Time Provável
PG – Kyle Lowry / Delon Wright / Fred VanVleet
SG – Demar Derozan / Norman Powell
SF – CJ Miles / OG Anunoby / Bruno Caboclo
PF – Serge Ibaka / Pascal Siakam / Kyle Wiltjer
C – Jonas Valanciunas / Jakob Poeltl / Lucas Bebe

Expectativa
É presença garantida nos playoffs do Leste, possivelmente com uma boa posição. Briga com o Washington Wizards e o Milwaukee Bucks para ver que fica com a terceira posição. Estatisticamente, imagino o melhor ano da carreira de Derozan.

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[Previsão 17/18] Clippers: a esperança de ser um time bom mesmo sem Chris Paul

Até 2011, não tinha discussão: o Los Angeles Clippers era o time com o histórico mais fracassado de toda a NBA. Em 40 anos de vida, contando desde a época que a franquia se chamava Buffalo Braves, passando por San Diego Clippers e, por fim, o período já em Los Angeles, não existia qualquer outro time na história da liga com um aproveitamento de vitórias tão baixo e tão poucas aparições nos playoffs. A diferença no retrospecto para o segundo pior, o Minnesota Timberwolves (time bem mais novo) era abissal e nem tinha como contestar.

Mas uma troca indiscutivelmente mudou o rumo da franquia e a colocou em uma posição estranha até aquele momento. Com a chegada de Chris Paul para tutelar, comandar e servir Blake Griffin, o Los Angeles Clippers experimentou pela primeira vez o que era ter um time que consegue ir seguidas vezes aos playoffs e se mantém como um dos favoritos por alguns anos.

A franquia, que até o momento, em quatro décadas, tinha conseguido ir a um total de sete playoffs (mesmo quando 2/3 dos times se classificavam para a pós-temporada), conseguiu emplacar seis anos consecutivos de mata-mata. Exceto pelo ano em que a NBA teve uma temporada mais curta pelo lockout, em todos os anos registrou mais 50 vitórias – algo que nunca tinha acontecido por lá.

Claro que o desenvolvimento de Blake Griffin e Deandre Jordan e a atração de free agents, algo raro para a história do Clippers, teve um impacto bastante significativo, mas é inegável que a chegada de Paul, maior armador dessa geração de jogadores, foi um marco para o segundo time de Los Angeles (a ponto de, em boa parte destes anos, se tornar o melhor time disparado da cidade).

Antes dele, mesmo os times bons que a franquia formou esbarravam em fatores intangíveis que sempre acabaram por prejudicar o time de alguma forma. Lesões, inexperiência, indisciplina… Parecia uma sina maldita que puxava o Clippers para o fundo da tabela da NBA.

Sina esta que, apesar das várias lesões, das derrotas precoces nos playoffs e do potencial que nunca foi completamente alcançado, foi abandonada ao longo da última década. Inegavelmente, o Clippers entrava todos os anos na competição como um dos melhores times da conferência, algo inimaginável antigamente.

Mas o contrato de Chris Paul acabou e, para tentar não encerrar a carreira com o asterisco de nunca ter chego a uma final de conferência, nunca ter vencido um prêmio de MVP e tudo mais, o jogador decidiu buscar um time mais forte. Para não deixar a franquia totalmente desguarnecida, ele topou um sign and trade de cavalheiros: Paul decidiu para onde iria e forçou que os dois times chegassem a um denominador comum. Foi assim que o Houston Rockets mandou meio time para Los Angeles em troca do jogador.

Com a saída de Chris Paul, o Clippers passará por um teste de fogo. Terá que mostrar que é possível sobreviver sem depender do camisa 3.

Por mais que Paul seja um atleta que muda o status de qualquer equipe, acho que o LAC tem condições de comprovar isso. O troco por Paul não foi ruim – aliás, se comparado ao que os outros times receberam ao dispensarem suas estrelas nesta offseason a contrapartida foi ótima. Lou Williams, Sam Dekker, Patrick Beverley, Montrezl Harrell e companhia, todos egressos do Rockets, engordam a rotação do time do início ao fim.

O time ainda terá uma dupla de garrafão em seu auge técnico – apesar da eventual suspeita de decadência física de Griffin. Conta, por fim, com a chegada de um ala chutador que eu não confio, mas que tem alguma moral na NBA (Danilo Gallinari) e um armador brilhante de qualidade comprovadíssima no basquete europeu (Milos Teodosic). É um grupo para se manter por cima, com certeza – especialmente se Doc Rivers não exagerar da corujice e dosar bem o quanto usa Austin Rivers em quadra.

Aliás, se as lesões – e a falta de reposição – sempre foram problema para o Clippers, a profundidade do elenco nesta temporada deve amenizar esta situação.

(Andrew Lee/Getty Images)

No entanto, é um time inteiro praticamente novo que terá que encontrar química entre 10 caras que nunca dividiram uma quadra de basquete enquanto os demais concorrentes do Oeste voam. Rivers, que deixou o cargo de executivo do time, terá que realmente se concentrar nas suas atribuições como técnico para azeitar essa turma toda.

Prevejo, por exemplo, muito trabalho para delimitar bem o quanto cada jogador terá liberdade de criação, armação e tempo carregando bola, por exemplo. O time tem dois point guards que podem ser titulares em Teodosic e Beverley, um shooting guard que gosta de armar em Rivers e mais dois alas que carregam a bola excessivamente, em Blake e Danilo. Ou se cria um sistema em que todos possam criar – e que todos entendam que nem sempre terão a bola na mão, já que ela estará com o companheiro – ou terá que segurar o ímpeto de toda essa turma elegendo um ou dois armadores de ofício.

Por enquanto, acho que o time consegue se manter no mesmo patamar, mesmo sem Chris Paul. Não acho, no entanto, que tenha bala na agulha para conseguir algo que o armador nunca conseguiu dar à franquia (uma final de conferência, por exemplo). Mais pela qualidade dos concorrentes do que pelo potencial do próprio time.

Mas se conseguir provar que é possível viver sem sofrer com a abstinência de Paul, já será meio caminho andado.

Offseason
Foram muitas mudanças. Chris Paul e Luc Mbah Moute saíram em troca de um pacotão do Houston, que além de envolver sete jogadores, ainda rendeu uma escolha de primeiro round no próximo draft. Assinou com Gallinari, que estava no Denver Nuggets, e Willie Reed, que apareceu bem no Miami Heat do ano passado. Ainda pescou Milos Teodosic, cuja alcunha era de ‘melhor jogador de basquete do mundo fora da NBA’.

Time Provável
PG – Patrick Beverley / Milos Teodosic / Jawun Evans
SG – Austin Rivers / Lou Williams / Sindarius Thornwell
SF – Danilo Gallinari / Sam Dekker / Wesley Johnson
PF – Blake Griffin / Montrezl Harrell / Brice Johnson
C – DeAndre Jordan / Willie Reed / Marshall Plumlee

Expectativa
Não imagino o Clippers com uma campanha melhor do que Warriors, Spurs, Rockets e Thunder. Deve brigar pela quinta posição com Timberwolves, Jazz e Nuggets – tem um time mais experiente e profundo que os demais, mas tem que fazer muito mais ajustes. O quarteto Teodosic-Beverley-Griffin-Jordan, se não render bons resultados, pelo menos vai gerar excelentes highlights.

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[Previsão 17/18] Wizards: o intruso mais provável do Leste

Depois de um ano de lapso técnico, mental e emocional na temporada 2015/2016, o Washingston Wizards confirmou seu lugar como terceira força na conferência Leste, atrás apenas dos estrelados Cleveland Cavaliers e Boston Celtics.

Por mais que o time tenha terminado a temporada atrás do Toronto Raptors, ter registrado a melhor campanha da conferência toda desde janeiro, a evolução de John Wall para o primeiro escalão de jogadores da liga e a canseira que o time deu no Boston Celtics na semifinal do Leste o credenciam como time mais perigoso para roubar uma vaga na final de conferência do ano que vem.

Diferente do rival direto canadense, o elenco da capital americana é muito jovem e todos seus principais jogadores tem mostrado que ainda podem melhorar de uma temporada para a outra.

Além de John Wall, Bradley Beal se mostrou capaz de atravessar uma temporada inteira sem graves lesões e Otto Porter se gabaritou ao posto de terceiro melhor jogador de elenco, digno (talvez nem tanto) de um salário colossal (o maior da franquia atualmente) por ser um dos jovens alas mais promissores dos dois lados da quadra.

O grande problema do Washington Wizards para bater Celtics e Cleveland será a falta de opções dentro do próprio elenco. Com poucos jogadores confiáveis no banco e uma rotação curta, talvez falte oxigênio para a equipe enfrentar os 82 jogos da temporada regular da NBA.

No ano passado, o time foi, disparado, o que mais tempo abusou da sua principal formação em quadra. O quinteto com Wall, Beal, Porter, Markieff Morris e Marcin Gortat jogou 1347 minutos de temporada regular. A segunda formação da NBA que jogou mais tempo junta foi a formação titular do Minnesota Timberwolves, com 879 minutos de quadra – menos de 2/3 dos cinco do Wizards.

Em um cenário hipotético de playoffs, isso não seria o maior dos problemas – nos confrontos de mata-mata, os times costumam diminuir suas rotações e tendem a carregar seus principais jogadores com mais tempo de quadra.

O problema é isso acontecer depois de um ano inteiro jogando com um rotação enxuta. Além da fadiga e das chances de lesão aumentarem consideravelmente, toda a confiança do time fica depositada em um grupo muito reduzido de jogadores.

Como o time não fez nenhuma contratação relevante para o ano – pelo contrário, perdeu jogadores -, é um problema que, no papel, é ainda mais alarmante.

Se o time passar incólume a isso – ou eventualmente conseguir se reforçar ao longo do ano -, é a zebra favorita da temporada.

Offseason
O time perdeu Brandon Jennings e Trey Burke na armação e Bojan Bogdanovic na ala. Assinou com os igualmente irrelevantes Tim Frazier e Jodie Meeks. Em resumo, nada de especial aconteceu.

Time Provável
PG – John Wall / Tim Frazier / Tomas Satoransky
SG – Bradley Beal / Jodie Meeks / Sheldon Mac
SF – Otto Porter / Kelly Oubre
PF – Markieff Morris / Jason Smith / Mike Scott / Chris McCollough
C – Marcin Gortat / Ian Mahinmi / Daniel Ochefu

Expectativa
O time deve ficar entre os quatro primeiros do Leste na temporada regular. Qualquer resultado abaixo disso, já é um desvio de rota mais grave do que o esperado. Se tudo der certo, chega nos playoffs em condições de ameaçar Boston Celtics e Cleveland Cavaliers.

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[Previsão 17/18] Thunder: antes bem acompanhado do que só

Se o problema do Oklahoma City Thunder era a falta de companhia qualificada para Russell Westbrook, Sam Presti e o front office da franquia trabalharam para encontrar uma solução. A offseason foi movimentada para a modesta cidade do Meio-Oeste americano e duas estrelas gigantescas da liga, Paul George e Carmelo Anthony, desembarcaram no aeroporto mais bizarro das cidades que abrigam times da NBA (já notaram?).

Como não é um destino comum para free agents, o time trabalhou nas oportunidades. E transformou água insalubre em vinho de primeira. Primeiro aproveitou o anúncio de Paul George, que disse estar disposto a ir para Los Angeles na próxima offseason e fez seu valor para trocas despencar, para praticamente extorquir o Indiana Pacers. Como quase ninguém na NBA estava disposto a pagar pelo aluguel de um ano do jogador, o Thunder mandou um prospecto relativamente interessante (Domantas Sabonis) e um jogador que vive no limiar entre a decepção e a esperança de ainda virar alguma coisa interessante (Victor Oladipo), com o agravante de ter o salário de uma estrela.

Depois, quase no final da inter-temporada, entrou na briga por Carmelo Anthony, que inicialmente nem estava interessado em se juntar à equipe. Mostrou que a equipe estava pensando grande e que esta seria a única equipe viável para ele disputar alguma coisa decente no próximo ano. Melo, que tinha o direito contratual de escolher para onde iria, comprou a ideia e se juntou a Paul George e Russell Westbrook. Na negociação, o OKC conseguiu se livrar de outro contrato-bigorna, de Enes Kanter.

A princípio, o plano era mostrar a Russell que o time tinha bala na agulha para se mexer e rodeá-lo de talento e, assim, fazer com que o armador assinasse a extensão contratual que estava desde o ano passado na sua gaveta. O medo era que Westbrook tivesse mais uma temporada exaustiva e sem resultados coletivos muito significativos e que isso o motivasse e buscar novos ares.

A tática deu certo e Westbrook assinou o contrato mais caro da história da liga, mais de 200 milhões pelos próximos 5 anos. Só por isso, a offseason em Oklahoma já foi exitosa. Sem contar que a renovação de Russ pode ajudar os seus colegas a se decidirem por continuar por lá. Uma coisa leva a outra.

É um desfecho bem surpreendente e positivo para uma franquia traumatizada pela saída de Kevin Durant no ano passado. A menos que a reunião dos jogadores seja desastrosa – o que acho improvável -, o baque foi superado.

Aliás, ter três jogadores deste calibre vai exigir mudanças radicais no time. De uma hora pra outra, a ‘dor de cabeça’ do técnico Billy Donovan migrou de um extremo ao outro. Antes o problema era fazer alguém dividir minimamente a responsabilidade com Russell. Agora, o desafio é dividir inteligentemente as tarefas de cada um destes caras, todos muito acostumados a dominarem a bola em seus antigos times.

Acho que não será tão complicado quanto se brinca por aí. Carmelo Anthony é fominha, mas nunca teve na NBA colegas tão talentosos, no auge, quando os dois novos companheiros. Quando jogou com gente assim, como na seleção americana, teve alguns dos melhores desempenhos na carreira. Mesmo que na liga o buraco seja mais embaixo, acho que a mudança de perfil dele quando Porzingis chegou ao Knicks é uma boa medida de como ele é capaz de se reinventar e melhorar quem joga ao seu redor.

(Mark D. Smith-USA TODAY Sports)

Paul George me parece um cara naturalmente disciplinado neste ponto – apesar da rebeldia nos momentos finais de Pacers. É excelente na defesa quando quer e tem um bom jogo sem a bola.

Por fim, Russell continua sendo o dono do time. Mesmo a concorrência pela posse da bola deve afetar menos ele do que seus colegas – aliás, imagino um impacto positivo no seu ataque, já que as defesas rivais terão que dividir suas ações entre os três (se ele já fez chover no ano passado com times inteiros o marcando, imagine agora…).

Offseason
Foi revolucionária. Além de conseguir Paul George e Carmelo Anthony mandando ‘só’ Victor Oladipo, Domantas Sabonis, Enes Kanter e Doug McDemortt, o time ainda pegou o excelente reforço Patrick Patterson, um jogador versátil e muito útil para sair do banco de reservas, e Raymond Felton, um armador experiente para os momentos que Westbrook precisar descansar.

Time Provável
PG – Russell Westbrook / Raymond Felton / Semaj Christon
SG – Andre Roberson / Alex Abrines / Terrance Fergunson
SF – Paul George / Kyle Singler / Josh Huestis
PF – Carmelo Anthony / Patrick Patterson / Jerami Grant
C – Steven Adams / Nick Collison / Dakari Johnson

Expectativa
Sem os reforços, o Thunder já mostrou ter cacife para se classificar ali para os playoffs do Oeste. Com George e Anthony, o time briga pela segunda posição na conferência com Houston Rockets e San Antonio Spurs, com a desvantagem de ter o técnico menos criativo e ter que fazer mais ajustes.

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[Previsão 17/18] Hawks: o pior time que você não vai ver jogar

Depois de muitos anos sendo uma equipe sólida, com presença garantida nos playoffs, o Atlanta Hawks finalmente partiu para a reconstrução total do seu elenco.

O time resistiu. Com uma filosofia importada do San Antonio Spurs, acreditou que era possível se reforçar, trocar as peças sem ter que entregar o ouro, sem ter que perder de propósito. Mas não há plano nem cultura de franquia que resista a uma debandada geral e a uma freguesia eterna nos playoffs. Seus principais jogadores aparentemente cansaram de perder repetidas vezes para Lebron James (seja no Cavs, seja quando ainda era do Heat) e reforçaram seus rivais. Sem bala na agulha para atrair free agents do mesmo quilate, o time partiu com algum atraso para a reconstrução total do elenco.

No ano passado já começou a limpar sua folha salarial trocando Kyle Korver por nada. Nesta offseason, continuou forte no processo: despachou Dwight Howard por uma escolha de segundo round, nem tentou renovar com Paul Millsap e ainda não fez a menor questão de entrar em um leilão por Tim Hardaway Jr. O resultado foi um time completamente esvaziado de talento.

Como nem tem muitos jovens promissores, o time precisa começar a ter a pior campanha possível pelos próximos anos para ver se consegue acumular alguma coisa útil enquanto agoniza, mais ou menos o que Lakers e Sixers fizeram nas últimas temporadas. Quanto mais jogos perdidos, melhor para o grande plano das coisas do Hawks.

Neste meio tempo, a franquia será uma peneira permanente. Os olhos da comissão técnica estarão voltados para aqueles que tiverem potencial e os jogadores, por pior que sejam, terão tempo de jogo para mostrar serviço.

Neste cenário, por exemplo, que veremos se Dennis Schroder é um armador com excelente potencial para ser pontuador também ou se é um shooting guard queimador de bola preso no corpo de um point guard minúsculo, se Taurean Prince é um defensor qualificado ou se só preenche a cota de jogadores esforçados, se John Collins é esse ala-pivô refinado com potencial de estrela hipster ou se não passa de mais uma ilusão de Summer League.

(Dale Zanine-USA TODAY Sports)

O resto do time só tem de relevante o fato de contar com um jogador que finge ser outra pessoa (Ersan Ilyasova), um dos jogadores-torcedores mais animados da liga (Kent Bazemore) e o mérito de ser o primeiro elenco da história da NBA que tem dois DeAndres (Liggins e Bembry) – DeAndre está para o basquete assim como Wendel está para o futebol, ambos nomes absolutamente incomuns na vida real, mas relativamente frequentes nos respectivos esportes.

Por mais que exista aí alguma coisa digna de nota, o Atlanta Hawks será o time mais desinteressante da temporada. Salvo alguma surpresa muito agradável, não há muita esperança de ter um jogador imperdível para se acompanhar, o time deve entrar com dezenas de formações diferentes ao longo do ano e o resultado da maioria dos jogos pode ser antecipado como uma retumbante derrota. O Hawks será ruim e nem deve ter nada de curioso que nos faça assisti-lo.

Aliás, ninguém vai ver isso. O time tem péssimas médias de público e só tem um jogo agendado para transmissão no Brasil. Melhor assim. Pra todo mundo.

Offseason
O time se desfez de tudo para ter o pior time possível, com um elenco barato, que garanta uma campanha horrível neste ano. Pegou no draft um jogador que foi um dos maiores destaques na Summer League – o que, na prática, não quer dizer muita coisa.

Time Provável
PG – Dennis Schroder / Malcolm Delaney
SG – Kent Bazemore / Marco Bellineli / John Jenkins / DeAndre Liggins
SF – Taurean Prince / DeAndre Bembry / Nicolas Brussino
PF – Ersan Ilyasova / John Collins / Luke Babbitt
C – Dewayne Dedmon / Mike Muscala / Miles Plumlee

Expectativa
Ser o pior time da temporada. A briga será dura contra o Chicago Bulls, mas eu confio que o Atlanta Hawks consegue ser ainda pior.

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[Previsão 17/18] Grizzlies: por uma nova identidade

Há sete temporadas, um Memphis Grizzlies discreto e desfalcado eliminava no primeiro round dos playoffs o San Antonio Spurs, time de melhor campanha até então naquele campeonato. O segredo para um time tecnicamente inferior eliminar a franquia que é sinônimo de basquete bonito, coletivo e bem jogado foi muita luta, muito jogo físico e muita doação. Aquilo que parece mais um clichê de torcedor de um modo geral, para o Grizzlies foi levado como uma lei fundamental desde então.

O estilo que ficou batizado como “Grit and Grind” foi a única forma do Memphis bater de frente com seus maiores rivais de conferência, com elencos muito mais badalados e estrelados.

Deu certo. O time conseguiu sete idas seguidas aos playoffs e se transformou em um dos rivais mais temidos neste período. Por melhor que fosse o time, enfrentar o Grizzlies era um tormento.

Mas a mudança de temporada pode significar o fim de uma era. O time envelheceu bastante neste período e Tony Allen e Zach Randolph, dois pilares da equipe desde aquela série contra o Spurs em 2011, mudaram de ares. Vince Carter, outro veterano que tinha se juntado à trupe e que se encaixava perfeitamente neste perfil, também vazou.

Do núcleo responsável por essa veia brigadora e raçuda, só sobraram Marc Gasol e Mike Conley. Os dois são disparados os mais talentosos desse período, mas também são os dois que, até por terem mais recursos técnicos, não são tão durões quanto os seus ex-colegas.

A provável mudança de característica torna este time uma incógnita. Além do time não ter se reforçado na mesma intensidade dos demais, a perda das referências do elenco fazem desta temporada um período de readaptação, em que o técnico David Fizdale pode tentar traçar algum novo perfil para a franquia nos próximos anos.

Por isso, acho que, depois de anos, o Memphis Grizzlies ficará fora de um mata-mata. Gasol e Conley podem até ter desempenhos individualmente mais vistosos do que nos anos passados, mas não acho que o time como um todo tenha cacife suficiente para ficar entre os oito melhores da conferência.

(Justin Ford USA TODAY Sports)

Teria alguma chance se Chandler Parsons voltasse a jogar a bola que o fez sair de Houston Rockets para ganhar uma bolada no Dallas ou se Tyreke Evans se transformasse tardiamente no cara que deu pinta que viraria ainda no seu ano de calouro. Mas é muito difícil que isso aconteça. Se os dois conseguirem ter uma temporada saudável, o time já sai no lucro.

Offseason
Perdeu Zach Randolph, Tony Allen e Vince Carter. Ganhou Tyreke Evans e Ben McLemore. Em talento, o time sai em desvantagem. No entanto, é um tímido sinal de renovação, processo pelo qual inevitavelmente o time terá que passar.

Time Provável
PG – Mike Conley / Andrew Harrison / Wade Baldwin / Mario Chalmers
SG – Ben McLemore / Tyreke Evans / Wayne Selden / Kobi Simmons
SF – Chandler Parsons / James Ennis / Dillon Brooks
PF – JaMychael Green / Ivan Rabb
C – Marc Gasol / Brandan Wright / Deyonta Davis

Expectativas
Memphis deve ser aquele time que incomoda todo mundo, belisca uns jogos importantes, mas que não tem cacife para ficar entre os oito primeiros do Oeste. Só se classifica se algo de muito errado acontecer com seus principais concorrentes de conferência.

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[Previsão 17/18] Bucks: à espera do auge de Giannis

Dentre os times que não fizeram qualquer movimento para melhorar substancialmente seu elenco para a temporada, o Milwaukee Bucks é aquele que dá mais sinais de que ainda assim vai conseguir evoluir entre um ano e outro. Não é algo lá muito comum, especialmente em um momento em que os times pulam algumas etapas reunindo estrelas nos seus elencos, mas isso deve acontecer porque o elenco reúne uma porrada de jogadores jovens que já vem evoluindo consideravelmente ao longo dos últimos anos. São vários jogadores que vêm melhorando e ganhando corpo.

Giannis Antetokounmpo é o símbolo maior disso tudo. O grego de apenas 22 anos já superou qualquer desconfiança no campeonato passado e se tornou o grande líder da equipe. Fora o apanhado de jogadores que se reuniram no Cleveland Cavaliers e Boston Celtics, ele já é o principal jogador da conferência Leste ao lado de John Wall.

A expectativa, agora, fica por conta do seu auge. Não se sabe exatamente quando será alcançado e qual é a régua desse talento todo. Será que é possível que ele vire um concorrente ao título de MVP, que seja um jogador do patamar de Lebron James e Kevin Durant? Se sim, será que isso vai acontecer já nesta temporada?

Eu acredito que Giannis será, sim, um jogador que entra na discussão dos melhores da temporada em algum momento da sua carreira, mas acho que isso não acontece já neste ano. O seu campo de evolução é imenso e ainda faltam a ele alguns elementos que fazem os melhores jogadores desta geração serem o que são.

Vejo o Giannis de hoje algo parecido com o Lebron James da primeira passagem por Cleveland: um jogador excelente, com os melhores recursos físicos disponíveis, mas que ainda precisa amadurecer um pouco.

Junto com ele, o time do Bucks ainda tem bastante coisa para ajustar. Thon Maker está evoluindo de uma tábua rasa para um jogador de basquete, Khris Middleton já se transformou em um especialista muito bom, Jabari Parker mostrou consistência para todo seu talento e Malcom Brogdon deu sinais de que pode ser bastante útil logo da sua temporada de estreia, mas o time ainda tem muito o que aprender.

O grande desafio ainda é colocar toda essa turma jogando junta, com um esquema montado e azeitado. Ano passado o time foi muito bem, mostrou pontos fortes (um contra ataque fulminante, por exemplo), mas não terá a oportunidade de repetir o desempenho nesta temporada, já que Middleton entra no time desde o início do campeonato e Jabari fica de fora (os dois com problemas de lesões, ano passado e neste).

Ao final da temporada, quando Parker voltar, é que o técnico Jason Kidd terá o elenco completo (tomara) pra valer. Isso afeta a química do time e atrasa a evolução de todos, individual e coletivamente.

Também acho que o time poderia ter ido atrás de alguma experiência para promover algum tipo de tutelagem aos garotos. Mirza Teletovic, Matthew Dellavedova, Jason Terry e Greg Monroe são os únicos jogadores de todo o quadro do time com mais de 27 anos – exceto por Terry, nenhum tem uma rodagem tão grande, com experiências muito dignas de serem compartilhadas. Uma turma mais velha para compor o banco seria bastante útil para guiar a molecada em vários momentos da temporada e, especialmente, playoffs.

Mesmo assim, é um dos cinco times realmente bons do Leste.

Offseason
O time não fez muita coisa. Está esperando que o que já existe dentro do elenco evolua espontaneamente – o que deve acontecer mesmo.

Time Provável
PG – Malcom Brogdon / Matthew Dellavedova
SG – Tony Snell / Rashad Vaughn / Sterling Brown
SF – Khris Middleton / Jabari Parker / James Young
PF – Giannis Antetokounmpo / Mirza Teletovic / DJ Wilson
C – Thon Maker / Greg Monroe / John Henson

Expectativa
Acho que briga com o Toronto Raptors pela última vaga entre os times do Leste que que terão mando de quadra no primeiro round dos playoffs.  Em todo caso, é presença garantida na pós-temporada.

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[Previsão 17/18] Pacers: quando a ressaca pós-Paul George vai passar?

Os últimos meses foram insanos. Por mais que nenhuma partida oficial tenha sido jogada de fato pela NBA, o vai e vem do mercado de jogadores foi frenético. Não tenho lembrança de uma offseason em que tantas estrelas tenham mudado de time e que tanto times tenham se fortalecido – isso comparado à monotonia dos playoffs faz com que o período de trocas e assinaturas de contratos pareça ainda mais empolgante do que efetivamente foi.

Depois desse furacão todo, as times que perderam seus principais jogadores fazem as contas da tragédia. A maioria saiu enfraquecida, mas não totalmente desguarnecida: o Utah Jazz ainda tem Rudy Gobert e um elenco coeso apesar da saída de Gordon Hayward, Kristaps Porzingis tem tudo para virar um franchise player de verdade com a troca de Carmelo Anthony e por aí vai.

Dois times saíram de fato arrasados da offseason: Chicago Bulls, que partiu para um processo agressivo de reconstrução via futuros drafts, e o Indiana Pacers, que não teve muita alternativa depois de toda a novela envolvendo Paul George.

O problema do time de Indianápolis foi que Paul George falou para quem quisesse ouvir que tinha a intenção de se juntar ao Lakers daqui uma temporada, ao final do seu contrato atual. O que parecia uma boa intenção, uma chance de fazer o Pacers capitalizar com o seu talento com uma troca, na verdade foi o que condenou qualquer negociação da franquia. Com pouco tempo de contrato restante e um destino praticamente certo ao final dele, poucos times se interessaram pelo ‘aluguel’ do seu basquete por apenas um campeonato.

Há relatos que a franquia até poderia ter pego algo melhor nos primeiros dias de offseason, mas o fato é que o time só conseguiu descolar uma contrapartida tímida, com o questionável Victor Oladipo e a promessa-não-muito-promissora Domantas Sabonis.

Com esse troco, com a saída dos medalhões Monta Ellis e Jeff Teague e a chegada de uma porrada de free agents meia boca, o Indiana é um dos times que sai do caos dos últimos meses com o futuro mais indefinido. Não se fortaleceu e nem abriu mão de tudo em busca de um futuro promissor.

O time rejuvenesceu, conseguiu calouros legais, pescou um jogador valioso em Cory Joseph, mas mesmo assim continua sendo um dos que tem a menor soma de talento atual e possibilidade de upside futuro.

Imagino que outros movimentos virão por aí. O time tem uma das cinco menores folhas salariais da liga (apesar o elefante na loja de cristais que é o contrato de Victor Oladipo) e um novo executivo para comandar o front office. Só a margem para trabalhar os contratos e trocas somada à necessidade desse cara mostrar trabalho já deve render alguma coisa – o que não quer dizer que é uma coisa boa.

O time não se mexeu muito, pois ainda está tentando se entender após a saída do seu grande jogador dos últimos anos – por mais que muita gente duvide da capacidade de George, ele levou o time a duas finais de conferência nos últimos anos e fez da franquia uma ameaça legítima ao Miami Heat de Lebron James, Dwyane Wade e Chris Bosh. É uma mistura de luto e de confusão mental sobre o que o time pode querer daqui em diante com um elenco muito mais modesto.

Em todo caso, acho que o próximo passo do Indiana é esse. Ver com o que pode contar, o que desencanta no time e partir para as compras. Quando isso acontecer, a ressaca pós-Paul George estará totalmente curada, de vez.

Offseason
Foi muito estranha, totalmente comprometida pela declaração de Paul George e por sua aproximação com o Los Angeles Lakes.  Não entendi também porque assinou com Darren Collison, um jogador que já mostrou que não é nada de especial na liga – especialmente depois de conseguir Cory Joseph, um dos melhores armadores reservas da NBA nos últimos anos. Fora isso, o time buscou dois nomes interessantes para o garrafão no draft.

Time Provável
PG – Darren Collison / Cory Joseph / Joseph Young
SG – Victor Oladipo / Lance Stephenson / Damien Wilkins
SF – Bojan Bogdanovic / Glenn Robinson III
PF – Thaddeus Young / Domantas Sabonis / TJ Leaf
C – Myles Turner / Al Jefferson / Ike Anigbogu

Expectativas
Imagino um time que não é bom o suficiente para lutar por algo, nem ruim a ponto de ser um dos piores da conferência. Deve ficar ali pela décima posição do Leste. Sem pressão e concorrência, imagino Myles Turner com números bem inflados. Talvez seja o cenário ideal para Victor Oladipo mostrar se um dia vai se tornar alguma coisa especial.

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