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Os possíveis destinos de Kyrie Irving

Não sou muito afeito a isso, mas dado o terremoto causado pelo anúncio de que Kyrie Irving pediu para ser trocado e a falta de notícias na liga neste período do ano, fazer um exercício de achismo total sobre o destino do jogador pode ser divertido.

Antes de analisar quais times poderiam se interessar numa troca por Kyrie, qual deles deveriam realmente se esforçar em uma negociação e o que poderia seduzir o Cleveland Cavaliers, é preciso fazer um esclarecimento muito importante – que muita gente tem ignorado por aí: Irving NÃO TEM poder sobre o seu futuro neste contrato atual (que vai até 2019). O Cavs é que decide para onde ele vai e SE vai para algum lugar. Por mais que o jogador tenha supostamente indicado alguns destinos de sua preferência, o que vai determinar esta negociação é qual o melhor troco que o Cleveland consegue.

O fato de Carmelo Anthony estar nas conversas para trocas há algum tempo pode causar alguma confusão neste sentido. O ala do Knicks tem uma cláusula em seu contrato dizendo que ele não pode ser trocado sem sua ciência e aprovação. Na prática, ele que escolhe se e para onde pode ser negociado. Mas pouquíssimos jogador têm termos deste tipo nos seus contratos – e Kyrie não é um deles. Logo, tudo depende da conveniência e boa vontade do Cavs.

Bom, sobre as suposições a seguir, lembrem que é só um exercício completo de achismo. Como vocês verão, acho bem difícil que saia algum negócio. Portanto, todas as propostas de trocas são absolutamente hipotéticas. Ah, e não considerei trocas envolvendo três times para não entrar em um espiral infinito de possibilidades.

Vamos às hipóteses que eu considero mais realistas:

Continua no Cleveland

Por mais que o jogador tenha pedido a negociação, o time pode não seguir esta recomendação. A verdade é que não sabemos o exato teor da conversa e como anda a relação do jogador, colegas e franquia. Não se sabe o quão urgente é essa saída, por exemplo. Com as trocas de Jimmy Butler, Paul George e Chris Paul, os nomes mais interessantes disponíveis já foram realocados, reduzindo as possibilidades do Cleveland conseguir algo de valor equivalente em troca.

Mesmo em um cenário em que Kyrie quer sair para se antecipar a um movimento do Lebron no ano que vem, acho que o mais prudente seria tentar segurar o grupo junto por mais uma temporada. Ir para o tudo ou nada. Um improvável título poderia mudar as coisas de cenário, também. Não vejo muito risco para o Cleveland apostar nisso.

New York Knicks

Dentre os times preferidos de Irving, o Knicks é o menos ameaçador para o Cavs. Logo, seria mais inteligente privilegiar a franquia, caso fosse mesmo atender o pedido do armador. Também atenderia melhor a vontade de Kyrie de ser dono do time, além de formar uma dupla animadora com Kristaps Porzingis. A chance de rolar jogo aqui é convencer Carmelo a ir para Cleveland – os reports dão conta que hoje o jogador está determinado a ir para Houston.

O desafio maior seria fazer os salários baterem, já que Irving recebe menos que Anthony e o Cavs está absolutamente afogado além do limite salarial – portanto, não pode receber contratos maiores do que os que está enviando. Neste caso, precisaria envolver mais jogadores no rolo.

Coloquei aqui Iman Shumpert na negociação. Ele perdeu algum espaço no time na última temporada e seria ‘muito Knicks’ repatriar um cara desse tipo em algum momento. Mas poderia ser qualquer outro cara desse calibre.

Chicago Bulls

Bom, aqui vou seguir o raciocínio de que o Cleveland iria preferir mandar Kyrie para times que não o ameaçam. Usando como critério que Lebron James MEIO QUE MANDA no Cavs e quer jogar com seus amigos, uma troca possível seria com o Bulls pelo Dwyane Wade. Não acho que seria a negociação mais inteligente para qualquer um dos lados, mas dá para imaginar uma reunião entre os jogadores ainda saudáveis do Big3, assim como acharia bem provável o Bulls fazer algo bem incoerente com seus últimos movimentos (que no caso seria pegar mais um point guard).

Wade também recebe um salário maior do que Kyrie, o que demandaria algum ajuste para que a negociação saísse do papel. Como os contratos são mais parecidos, qualquer troco do Cavs já seria suficiente.

Denver Nuggets ou Phoenix Suns

Acho possível que o Cleveland tope conversar com algumas equipes, digamos, ‘periféricas’ da conferência Oeste. Denver e Phoenix são dois times que estão bem empenhados em se reforçar e a adição de ‘star power’ poderia elevar consideravelmente o patamar das equipes.

O Suns tem sido envolvido em várias suposições, muitas delas em trocas de três times. O nome mais cotado para sair do time, neste caso, é Eric Bledsoe. Além dele estar meio descontextualizado no atual elenco do Suns – que tem duzentos jogadores sub-21 -, acredito que teria um encaixe interessante ao lado de Lebron. Seria um downgrade para o Cavs na armação, mas também uma oportunidade de se reforçar na defesa e pensar em um esquema diferente para parar o Golden State Warriors.

Para compensar as coisas, simulei a ida de Dragan Bender para Cleveland, já que tornaria a proposta bem mais interessante para o time. Como o jogador não performou o esperado nos primeiros meses de jogo, acho que seria a aposta mais dispensável do Suns.

Vejo o Denver Nuggets mais ou menos na mesma situação. O time quer muito um armador e tem muita gente para, eventualmente, formar um pacotão para o Cavs. A vantagem aqui é que o Denver tem bastante gente nova e com contratos baratos para oferecer. Caso o front office do Cleveland sinta que é inevitável a saída de Lebron no ano que vem, seria um primeiro passo interessante para formar um elenco jovem e promissor para o futuro sem ter que passar por um traumático processo de tanking.

Ajuda o fato que Nuggets e Cavaliers já vinham se falando para uma possível troca envolvendo Kevin Love. Logo, é possível que alguns atletas do Colorado interessem ao Cavs.

Miami Heat ou Milwaukee Bucks

Seria bem irônico o desmoronamento do Cleveland passar por Miami. Por mais que eu não acredite que o Cavs vá entregar seu segundo melhor jogador para um rival assim, este é um dos destinos preferidos de Kyrie, então é preciso ao menos considerar a possibilidade.

Só consigo imaginar alguma coisa saindo aqui se o Heat mandasse Goran Dragic e algum dos seus jovens talentos. Como desprezo completamente Josh Richardson e Tyler Johnson, simulei aqui com Justise Winslow, um desejo hipster de vários times da NBA quando entrou na liga, mas que passou boa parte da última temporada lesionado. Mesmo assim, não acredito numa troca assim.

Coloco no mesmo bolo o Milwaukee Bucks porque o time é um rival direto do Cavs que seria automaticamente alçado ao posto de favorito no Leste caso Kyrie desembarcasse por lá. Considerando o fato que o time não tem armadores que sejam do mesmo nível do resto do elenco, acho que o Milwaukee gostaria de contar com Irving no time.

A pegada aqui é dar alguma juventude ao Cavs, em um esquema parecido ao que fiz com o Denver – sem que o Bucks abrisse mão das suas principais apostas para o futuro. Não acho provável, mas…

San Antonio Spurs e Minnesota Timberwolves

Por fim, fecho a lista de especulações (que saíram da minha cabeça exclusivamente) com dois dos times que completam a lista de preferências de Kyrie. Acho até plausível que o Cavs considere mandá-lo para a conferência Oeste, mas a chegada do armador a qualquer uma destas equipes poderia fazer delas rivais reais do Golden State Warriors, tirando do Cleveland o posto de segunda melhor equipe da liga.

O Minnesota tem o empecilho que Jeff Teague, novo armador do time, só pode ser trocado em dezembro – e não vejo muita possibilidade de uma negociação sair ali sem envolvê-lo. Em todo caso, dá para brincar imaginando algo meio surreal levando Andrew Wiggins ao time que o draftou há três anos. Acho que seria ruim para o Cavs e não seria algo da vontade do Wolves, mas não consigo pensar em outra coisa – o time de Minneapolis não colocaria Towns ou Butler no negócio, acho.

Fiz uma troca meio nada a ver considerando que Wiggins está negociando uma extensão gigantesca de contrato e os valores salariam podem mudar nos próximos dias.

Spurs é outro time que vem sendo cotado nas conversas. Não acho que Irving, apesar da qualidade, seja o armador dos sonhos da franquia e nem que o cenário ao lado de Kawhi seja o mais apropriado para um cara que quer ser franchise player. Em todo caso, o time parece que tem ouvido propostas por Lamarcus Aldridge e uma mudança neste sentido não seria a coisa mais absurda do mundo – apesar de muito improvável.

Por tudo dito acima, apesar das propostas, acho bem difícil que Kyrie saia já. Mas é um bom assunto para ocupar o vazio da offseason.

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A cabeça de Kyrie Irving

Os sinais já tinham sido dados há algum tempo. O mais claro deles quando Kyrie Irving desafiou a física, a lógica e a inteligência de todos ao dizer que acreditava que a Terra não era redonda, mas plana. Não é possível que a cabeça desse cara funcione normalmente.

Essa foi a única conclusão que eu consegui chegar depois de algum tempo tentando entender o pedido dele para ser trocado do Cleveland Cavaliers. Não torço para o time nem nada, mas fiquei anestesiado com a notícia. Não é nada comum um jogador deste quilate abrir mão de estar em uma das equipes mais fortes da liga. Justamente o contrário. Atletas abrem mão do protagonismo para que possam disputar títulos. Diante de algo tão surpreendente, da notícia mais bombástica da offseason, percebi que não podia escrever algo no calor do momento. Tinha que digerir o que estava rolando para tentar entender a fundo o que acontecia. Sai, bebi, falei com um monte de gente sobre isso e não consegui chegar a qualquer conclusão que não fosse: a cabeça de Kyrie funciona de um modo diferente das dos demais jogadores de hoje.

Segundo os reports, Irving quer sair da sombra de Lebron James. Quer ser o ponto focal de uma equipe. Quer uma franquia só para ele – uma ideia que vai na contramão do que as demais estrelas desta grandeza tem feito, já que a moda hoje é se reunir em supertimes. Vale lembrar que Kyrie já estava no Cavs quando Lebron e Love decidiram se juntar em Cleveland. Por mais que a gente não saiba os meandros da negociação, hoje é possível imaginar que tal reunião nunca estivesse nos planos do jogador. Na época, inclusive, o jogador já tinha assinado uma extensão contratual pelo período e valor máximo. Tinha definido que nos cinco anos seguintes, continuaria numa equipe que lutava pra não ficar entre as piores da NBA. E aparentemente ele estava bem com isso.

Ao pedir para ser trocado, Kyrie coloca seu destino nas mãos de executivos que não estão nem aí para o que ele pensa, mas apenas no que pode ser melhor para o Cavs – ou pelo menos causar menos estrago para o time. Por mais que ele tenha pedido para ir para Spurs, Wolves, Knicks ou Heat, Irving não controla seu futuro. O jogador não tem uma cláusula  de ‘no-trade’ como Carmelo Anthony, que só será envolvido em uma negociação com o seu aval. Se o Cavs quiser, Kyrie pode parar em equipes sem muitas pretensões como Magic, Mavericks, Bulls, por exemplo (dependendo apenas do que cada uma pode dar em troca).

Fazendo este pedido, Irving deixa claro que prefere ser feliz em um time pior, que ele não tem controle nenhum de qual possa ser, com talvez zero chances de vencer, do que ser o segundo jogador em um contender.

Aliás, sobre os possíveis destinos do jogador, não acredito que a franquia iria se desfazer do seu prodígio que ainda está a alcançar seu auge técnico (ele tem só 25 anos!) para reforçar um rival. Lembrem que o Cavs é um time forte (menos, mas forte) sem Kyrie (69% com ele e 68,5% sem nessa segunda passagem de Lebron no time), e até pode abrir mão dele, mas não gostaria de vê-lo jogar em outro postulante ao título. Portanto, vejo menos chances do time despachá-lo para alguns dos mais cotados. E ele deve saber dessa possibilidade.

Bom, há quem diga que a ideia de Kyrie não é jogar sozinho e que ele só quer preservar sua imagem em um eventual desmonte da equipe no ano que vem, quando supostamente Lebron James anunciaria a sua saída do time. Não acredito que seja isso. Ao pedir pra sair, Kyrie já despertou a fúria do torcedor do Cavs. Até aliviou a barra de James, que agora tem um argumento mais razoável para debandar de Cleveland caso a franquia não consiga se manter competitiva. Em última instância, Kyrie vai ser culpado pelos torcedores por ter enfraquecido o time e causado a saída do camisa 23.

Em todo caso, seja qual for o motivo, é diferente de tudo que vimos recentemente. É um movimento totalmente contrário do que o próprio Lebron fez duas vezes, do que Chris Paul pensou ao ir para Houston ou o que levou Kevin Durant para o Warriors. É um pensamento diferente, que talvez esteja além da nossa compreensão.

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Lonzo Ball era o que faltava ao Lakers

Por mais que sejam percepções alimentadas por clichês e mitos, é inegável que algumas franquias têm personalidades muito bem definidas. Os melhores times do Boston Celtics contam com talentos improváveis que tem algo a provar para o resto do mundo, o San Antonio Spurs parece ser viciado em discrição e eficiência, o Detroit Pistons tem uma aversão a grandes estrelas, que é compensada pelo jogo duro e coletivo. E por aí vai. O Los Angeles Lakers, por sua vez, tem uma característica muito simples: é movido a grandes estrelas.

Não quer dizer que o time vai bem, não quer dizer que os caras dão sempre certo, mas não existe um time do Lakers minimamente memorável que não tenha um cara diferente dos demais quando o assunto é chamar a atenção. É a gasolina do time. Ele vive disso. Se por algum motivo em algum determinado período a franquia não contou com um cara assim, esqueça: são anos que serão jogados na lixeira amarela e roxa da mediocridade.

Neste aspecto, Lonzo Ball era tudo que o Lakers precisava para ter alguma chance de mudar de rota, encerrar o processo de tanking e começar a pensar em evoluir daqui em diante. Não entro nem no mérito do quanto o menino joga – por favor, vamos com calma, Summer League não quer dizer nada e aquelas enquetes sobre quantos MVPs ele vai ganhar na carreira são uma atrocidade -, mas na capacidade que tem de atrair os holofotes.

Parece algo que acontece naturalmente com ele – e, claro, impulsionado por um pai maluco que quer muito aparecer. Só ver o buzz das últimas duas semanas: em primeiro lugar, só se falava da sua performance. Em segundo, do tênis que usava.

Lonzo surge na liga com o carimbo do Lakers na testa, assim como aconteceu com Magic Johnson e Kobe Bryant – de novo, sem comparar o jogo, mas o hype -, que mal vestiram a camisa mais vencedora da California e viraram ídolos instantâneos. Assim como acontece hoje com Ball, Magic e Kobe já eram verdadeiras estrelas antes mesmo de virarem grandes jogadores. Chamavam toda a atenção quando ainda eram adolescentes cheios de espinhas – neste caso em especial Lonzo já superou as duas lendas do Lakers, com mais acne do que qualquer jogador do time em todos os tempos.

Toda essa repercussão, aliás, confirma que finalmente o núcleo essencial do time que foi amargamento reconstruído ao longos das últimas temporadas está formado. Era este selo que faltava a D’Angelo Russell, Brandon Ingram e Julius Randle, por exemplo. Todos aparentemente com muito talento, mas insuficientes para recuperar o protagonismo que a franquia sempre esteve acostumada.

O primeiro pré-requisito foi preenchido. Agora que, com o tempo, confirme tudo que se espera dele dentro de quadra.

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Nike confirma tendências em anúncio sobre novos uniformes

Depois de muita especulação, muitos boatos e inúmeros protótipos fakes rodando por aí, a Nike resolveu saciar, mesmo que timidamente, a curiosidade dos fãs de NBA a respeito dos uniformes que a empresa produzirá para a próxima temporada. Além de soltar como será o layout da camisa do atual campeão da NBA, o Golden State Warriors, a Nike também divulgou os conceitos dos uniformes, que contam com algumas novidades.

Duas tendências esperadas se confirmam: o abandono das camisas com mangas e o fim da tradição de uniformes ‘home’ e ‘away’.

A marca, que sempre privilegiou o desempenho (às vezes em detrimento ao design), abraçou a tradição das regatas. Nas artes conceituais divulgadas pela Nike, nenhuma menção às mangas.

Este tipo de modelo era uma aposta da Adidas para fazer cortes mais ‘afáveis’ para o público em geral – que nem sempre tem o ‘shape’ e a oportunidade para usar uma regata.

No anúncio, a fabricante americana também explica que não vai se prender ao rótulo de camisas número 1, para se usar em casa, e número 2, para usar fora. Cada time mandante que defina qual modelo quer usar (agora divididos entre The Association Edition, que será a camisa branca, e The Icon Edition, que será a colorida) e o time visitante que use a outra.

Era uma tendência também. Na temporada passada acabou sendo mais comum que os times mandantes usassem suas ‘away jerseys’, contrariando a convenção de que os times da casa deveriam usar branco. Agora, essa ‘regra’ não existe mais.

Como acontecia antes também, os times poderão ter camisas alternativas. Segundo a Nike, existem dois modelos que podem ser inspirados no que a empresa chama de “mentalidade dos atletas” e outra que homenageie as cidades e comunidades em que os times estão inseridos.

Especulava-se que a divulgação dos modelos oficiais só seria feita na iminência do início da temporada, na virada de setembro para outubro, mas imagino que a Nike quis acalmar o público consumidor que vinha aterrorizada com a série de modelos desastrosos que estavam surgindo nas redes – maior parte deles alimentados por prints do Ali Express e pela criatividade e mal gosto dos falsificadores chineses.

Os demais modelos serão divulgados até o metade de setembro.

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Tentem se controlar, é só Summer League

Eu sei que é difícil se segurar ao ver um jogador tão anunciado como Lonzo Ball meter dois triple-doubles seguidos quando seu time, o Los Angeles Lakers, vem de algumas temporadas que variam entre o completo desperdício de tempo e a mediocridade. Entendo que o torcedor do Boston Celtics fica empolgadíssimo ao ter as primeiras provas de que o time não fez besteira ao trocar a primeira escolha do draft pela terceira. Da mesma forma, compreendo que os torcedores do Sacramento Kings finalmente possam ter esperança de que as coisas vão mudar vendo D’Aaron Fox em quadra por alguns minutos. Mas é sempre preciso fazer a ressalva ranzinza de que tudo isso está acontecendo em uma mera Summer League.

Para começo de conversa, é um torneio amistoso, que não vale nada. Os times estão ali testando seus jogadores jovens e vendo se conseguem pescar alguém sem contrato. As equipes não estão treinadas e basicamente os jogadores estão ali para tentar cavar algumas vagas finais nos elencos dos times principais. É praticamente uma peneira transmitida pela televisão.

Aí que a Summer League deixa de ser uma comparação boa para se tornar uma pelada ingrata: se o cara quer minimamente fazer parte de um time, ele precisa sobrar no torneio. Quem vai mal, então, podem esquecer. Vai precisar rodar muito, ter um empresário muito bom, jogar muita D-League e, eventualmente, outras Summer Leagues para poder ter uma nova chance.

E mesmo ir bem não é garantia de nada. Bryn Forbes, do San Antonio, e Donovan Mitchell, do Utah Jazz,  fizeram jogos com mais de 36 pontos nos torneios deste ano, por exemplo. Para os padrões das ligas de verão, são performances lendárias.

As dez maiores apresentações individuais da história das Summer Leagues de Las Vegas (a principal delas) pertencem a Von Wafer, Marcus Banks, Keith Bogans, Ike Diogu, Anthony Morrow e Anthony Randolph. O mais relevante deles foi Bogans, que não conseguiu ser titular em nem metade das suas partidas na NBA – e mesmo assim, sempre com bastante discrição.

Há o argumento de que mais do que os números, alguns jogadores estão se destacando pela postura, pelo arsenal de movimentos e tudo mais. É um ponto. Eu discordo – óbvio que todo mundo ali sabe jogar muito, mas será o suficiente? A vida no basquete profissional que vai responder.

Também entendo que a turma deste draft é considerada uma das mais talentosas dos últimos anos, as expectativas estão altas e o período de abstinência de jogos mais relevantes faz com que estes jogos chamem mais a atenção do que deveriam.

Outro exemplo é o draft de 2003, de Lebron James, Dwyane Wade, Carmelo Anthony e companhia. Os medianos John Salmons, Mike Dunleavy e Tayshaun Prince saíram das SL daquele ano parecendo que eram tão bons quanto os melhores jogadores daquela turma. Quando a NBA começou de verdade, todo mundo notou que não era bem assim. Melhor do que eles, até, foram os quase desconhecidos Qyntell Woods, Maciej Lampe e Zarko Cabarkapa.

Por tudo isso, a Summer League vale para matar a saudade do jogo e a curiosidade com os novatos. No mais, é uma empolgação perigosa.

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O que há de bom e de ruim nas mudanças de regras da NBA

A NBA anunciou algumas mudanças para a próxima temporada. A partir de agora, os times terão novas regras que determinam o número de tempos que cada time pode pedir ao longo da partida e as datas de início da temporada e limite para trocas foram adiantadas. Em tese, as mudanças chegam para responder algumas das reclamações de jogadores, canais que transmitem as partidas e torcedores. Na teoria, as ideias são interessantes, mas tendo em vista as tentativas mais recentes de mudanças de calendário e regras, não dá para ter muita esperança de que serão eficientes. Vamos a elas:

Início da temporada adiantado em dez dias

Desde o ano passado, a NBA vem tentando fazer com que o calendário de jogos seja menos exaustivo para jogadores e que os jogos em dias seguidos (os back to backs) sejam cada vez mais raros. Como a liga não abre mão dos 82 jogos de temporada regular – diminuir o calendário para 70, 66 ou 60 partidas representaria um corte na receita -, a proposta tem sido esticar a grade de jogos.

Para este ano, a partida de estreia da liga ficou marcada para 17 de outubro, quase dez dias mais cedo da temporada passada, que já tinha sido mais ou menos uma semana antes do que a NBA estava acostumada a abrir o calendário. No papel, é muito bom. No bolso, idem, já que abrem-se mais datas para transmissão e promoção dos jogos. Para os jogadores, os maiores prejudicados pela maratona, nem tanto: são menos férias e, na prática, não resultaram em menos lesões na temporada passada. Seguindo o exemplo do ano passado, os torcedores devem continuar tendo que assistir times reservas entrando em quadra enquanto as franquias descansam os melhores jogadores.

Prazo final de trocas adiantado para antes do All Star Game

A NBA deu três justificativas bem plausíveis para adiantar a ‘trade deadline’ em uma semana. Primeiramente, seria uma consequência natural do adiantamento do início da temporada. Segundo, que os novos jogadores teriam, agora, mais tempo para se acostumar com suas novas equipes, companheiros e comissão técnica para a disputa dos playoffs. Por último, ajudaria a promover o All Star Weekend por si só, já que nos últimos anos ele se resumia a um evento que reunia toda a imprensa e boa parte dos jogadores em uma cidade para esquentar os rumores de troca, deixando o evento em segundo plano.

Particularmente, não vejo nenhum problema na mudança. Acho bem razoável. Só penso que o problema de competitividade e falta de interesse no ASG não será resolvido apenas com isso – já que o problema ali é a falta de interesse dos jogadores.

Também não sei como ficaria o jogo caso um atleta all star de uma conferência seja trocado para outra. Joga para o time para o qual ele foi selecionado ou para aquele que ele ira jogar no restante da temporada? Também não vi nenhum esclarecimento quanto a isso.

De resto, tudo ok.

Pedidos de tempo, intervalos e atrasos

Este é um tópico que a NBA vem mexendo há algum tempo e até hoje não encontrou uma solução. Os torcedores e, principalmente, os canais de tevê que despejam uma grana bilionária na liga reclamam da duração total das partidas. De fato, um jogo de NBA que tem 48 minutos de bola quicando pode se enrolar por insuportáveis três horas. Com isso, a liga limitou o número de pedidos de tempo que cada time poderá fazer ao longo do jogo para sete. Cada equipe também deve chegar ao último quarto com no máximo quatro tempos para pedir. Nos últimos três minutos de jogo, período em que o jogo fica ainda mais enrolado, serão dois pedidos por time. Com isso, não existe mais a diferenciação entre ‘full timeout’ e 20 seconds’. Agora, todos os tempos terão 75 segundos. No pacote, também estão previstos intervalos de halftime de 15 minutos cronometrados a partir do estouro do relógio do final do segundo quarto e falta técnica para o jogador que sair da área de chute de três pontos entre um lance-livre e outro, atrasando a partida.

(Nhat V. Meyer/Bay Area News Group)

Em resumo, a NBA quer que os times tenham menos tempos para pedir nas últimas jogadas de uma partida. É bem louvável. Ouço muito de gente que não é fã do basquete ainda que os jogos da NBA são muito ‘compridos’ e que os minutos finais ‘que são os que realmente importam’ demoram uma eternidade para passar. Apesar do jogo, em tese, perder um pouco com a mudança (há menos possibilidades dos técnicos desenharem jogadas decisivas), a atração como produto final ganha com isso.

Infelizmente, é possível que o resultado final não seja tão diferente. Ano passado houve uma mudança de regra no que diz respeito às faltas intencionais e mesmo assim o ‘hack-a-shaq’ continuou existindo e os jogos continuaram com milhões de lances-livres nos seus minutos finais.

O que NÃO mudou, apesar dos pedidos

Apesar da NBA ser uma liga bem, digamos, progressista neste sentido (se comparada às outras), algumas mudanças que eram cogitadas foram negadas pelo comissário da liga neste momento. Nada de mudança na forma da loteria do draft para evitar que os times percam de propósito, nem na forma como os times se classificam para os playoffs dado o desequilíbrio entre as conferências ou expansão/relocação de franquias.

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A fuga para o Oeste é a chance dos times do Leste

Ao que parece, boa parte dos bons jogadores que foram trocados ou assinaram contratos com novos times correram para jogar na conferência Oeste. O titular do All Star Game do ano passado e um dos selecionados para o terceiro All NBA Team deste ano, Jimmy Butler, é a principal novidade do Minnesota Timberwolves. Também estrelar e outrora ‘segundo melhor jogador da conferência Leste’ Paul George foi para no Oklahoma City Thunder. Paul Millsap, discreto porém eficientíssimo e All Star nos últimos quatro anos no Leste, assinou contrato com o Denver Nuggets.

Além das mudanças mais significativas, confirmam esta tese Chris Paul, Jrue Holiday e Blake Griffin, que poderiam mudar de ares (e fuso horário), mas preferiram continuar ‘do lado de lá’ do mapa. Sem contar, claro, nos inúmeros jogadores bonzinhos, médios e médios-pra-ruins que fizeram a troca e congestionaram o Oeste americano, como PJ Tucker, Jeff Teague e Patrick Patterson.

De relevante no movimento contrário, apenas Gordon Hayward trocou o Utah Jazz pelo Boston Celtics. No mais, são todos jogadores do calibre de JJ Redick pra baixo – úteis, mas nada que reequilibre a ordem das coisas.

Na teoria, isso significa que os times do Oeste estão se reforçando: Rockets adicionou mais uma estrela (e boatos dão conta que pode ter Carmelo Anthony ainda), Timberwolves virou uma força, Thunder reforçou o apoio a Westbrook e Spurs deu mais profundidade ao elenco com Rudy Gay. Além disso, Clippers conseguiu repor peças, Kings e Suns mostram alguma evolução e Grizzlies tenta rejuvenescer.

Apesar de achar que o Golden State Warriors ainda é, de longe, o time mais forte da liga e que nenhuma destas negociações chegue a formar um time tão talentoso quanto o atual campeão, acredito que este movimento, na prática, seja benéfico para as maiores potências do Leste. Na verdade vou além: acho que pode ser essa a grande chance de Cleveland Cavaliers e Boston Celtics ameaçarem o reinado do Warriors.

Meu raciocínio é o seguinte: nas condições atuais, a menos que uma macumba muito braba pegue de jeito o Golden State, o time tem pouquíssimas chances de ser vencido por qualquer time. Uma das chances mais reais, ao meu ver, seria se o melhor time do Leste conseguisse chegar à final da NBA com o mando de quadra a seu favor. Com o fortalecimento dos rivais do Oeste e míngua dos times do Leste, isso pode perfeitamente acontecer.

(Winslow Townson-USA TODAY)

É de se esperar que, fora Raptors, Wizards e, talvez, Bucks, os demais times não sejam lá grandes coisas para realmente tirar vitórias, de uma maneira geral, dos dois principais times do Leste. Knicks, Nets, Pacers, Bulls e Hawks estão formando times para levar porrada. Magic e Sixers devem levar bastante chumbo ainda. Pistons, Hornets e Heat devem descolar playoffs, mas não me surpreenderia se tivessem campanhas negativas ou bem próximas do 50% de aproveitamento. Com isso, projetando classificação em um exercício puro de especulação, seria natural que os melhores times do Leste tivessem um acréscimo considerável nos seus números de vitórias – já que times das mesmas conferências jogam o dobro de vezes entre si.

Por outro lado, é de se esperar que o Warriors tenha um declínio no seu número total de vitórias enfrentando uma concorrência muito mais bem armada dia sim, dia não. Neste raciocínio esperançoso por uma competição mais imprevisível, também dá para supor, mesmo que sem base alguma, que o Warriors relaxe um pouco mais na sua corrida de temporada regular (seria a quarta perto da casa das 60 vitórias!).

Para que um dos times do Leste o passasse, seria necessário que nenhum deles entrasse no modo de piloto automático – como fez o Cavs no ano passado, entregando a primeira posição para o Celtics nas rodadas finais.

Ok, assumindo que é possível que um time da outra conferência, mesmo sendo consideravelmente pior do que o Warriors, termine na sua frente, defendo que isso pode ser decisivo para que este mesmo time mais fraco aumente bastante as suas chances de bater o GSW numa série de playoffs com o mando de quadra a seu favor.

Para começar, existe uma vantagem histórica que dá uma boa sustentação a isso. Na temporada regular, o time da casa vence 60% dos jogos. Conforme a competição avança, a vantagem de jogar no seu ginásio é mais visível. Nos playoffs, o time que joga em seu território vence dois a cada três jogos. Nas finais, são três a cada quatro.

Além disso, dá para tirar como base as últimas finais em que Golden State e Cleveland se enfrentaram. Era esperado um confronto consideravelmente equilibrado neste ano, mas as duas lavadas aplicadas pelo Warriors nos primeiros jogos, em casa, fazendo valer o mando, afundaram as pretensões do time de Lebron James e Kyrie Irving. Mais do que o 2 a 0, parecia que não havia competição e que seria necessário um esforço descomunal para que a vantagem do GSW fosse revertida.

Fosse outra a ordem dos jogos, era possível que a série começasse com pelo menos uma vitória para o Cavs, mesmo que o Warriors fosse bastante superior, o que daria uma cara diferente ao confronto – fazendo com que ele fosse até mais competitivo dali em diante.

Não há nenhuma garantia, claro, mas é uma chance das coisas serem um pouco mais equilibradas enquanto o Warriors tiver um time tão sobrenatural. Por mais que seja uma sucessão de fatores que transitam entre a vontade de uma zebra e a possibilidade real (Golden State vencer menos jogos, Cavs ou Celtics ganharem mais, que a diferença seja suficiente para que o mando seja revertido e que isso seja realmente relevante na final), é um que inegavelmente influencia o jogo.

Só falta que cada um faça a sua parte do combinado.

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#ChinaKlay é a melhor coisa da offseason

A offseason é um período ‘diferente’ para o noticiário da NBA. As informações relacionadas ao basquete propriamente dito não são das melhores. Flutuam entre o tracking no twitter para saber em primeira mão quem trocou de time ou renovou contrato, interpretações absolutamente precipitadas sobre as atuações nos sofríveis jogos das Summer Leagues, análises ansiosas das trocas e boatarias de negociações baseadas em fontes escusas.

Absolutamente alheio a tudo isso, vivendo em um maravilhoso mundo paralelo está Klay Thompson. O ala-armador foi ao outro lado do mundo assinar uma extensão contratual de 80 milhões de dólares por dez anos com a Anta, marca de tênis chinesa, e está tendo os melhores dias da sua vida ao cumprir seus compromissos publicitários por lá.

Tudo começou há duas semanas. Duas tentativas frustradas de enterradas de Klay viralizaram pela rede. O jogador se esforçou o mínimo possível para tentar dar um 360º e, na pior promoção possível do garoto-propaganda, se esborrachou de cara no chão. Com a maior cara de pau, Thompson assinou a bola e entregou para um dos torcedores que gritava enlouquecidamente pelo jogador.

Aparentemente, a reação da turma – os chineses são sempre os mais empolgados – ditou o tom das aparições seguintes do jogador. Klay, que não é o cara mais atento e dedicado do mundo, faz qualquer merda, de propósito ou não, e o povo vibra.

O mais fascinante desta viagem é que Klay mistura uma diversão ingênua e solitária em um mundo completamente estranho para ele com a ostentação típica de qualquer jovem multimilionário que está curtindo as férias em um lugar que ele é praticamente um semi-deus (um status que, apesar dele ser um excelente jogador, não seria desfrutado por Thompson em outro ambiente).

É louvável que ele esteja realmente aproveitando o momento. Boa parte dos jogadores participam destes compromissos somente para cumprir tabela, deixando claro que é uma obrigação e que, se pudessem escolher, estariam bem longe dali. Klay não.

De quebra, faz tudo com uma desenvoltura tosca que torna tudo ainda melhor.

https://twitter.com/roseOVERhoes/status/880572491424346112

Mas, de verdade, nada supera a ESPONTANEIDADE da comemoração dele na balada na noite seguinte à sua assinatura de contrato com a Anta, que resume meio o MOOD dessa viagem: Klay completamente frito, num pedestal à lá Michael Jordan dos chineses, regendo a galera numa empolgação surreal.

Nunca volte, Klay Thompson. O ocidente não te merece.

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Zach Randolph é o sinal da puberdade do Memphis Grizzlies

Nenhum time começa grande. Antes de virarem as superpotências históricas de hoje, Boston Celtics e Los Angeles Lakers, por exemplo, já tiveram seus momentos em que eram apenas franquias buscando seu primeiro título, tentando reconhecer seus primeiros ídolos. Hoje, 70 anos depois, colecionam campeonatos, fracassos e jogadores excepcionais.

O Memphis Grizzlies, uma das franquias mais novas da NBA, ainda não teve tempo para tudo isso. Nos seus 22 anos de história o clube conseguiu, no máximo, chegar a uma final de conferência (em 2012, quando foi varrido pelo San Antonio Spurs) e o único jogador do Hall da Fama a ter vestido sua camisa até o momento foi Allen Iverson numa passagem, digamos, não muito gloriosa da sua carreira (foram apenas três partidas dele em Memphis).

Parte desse processo de amadurecimento, o Grizzlies anunciou nesta semana que Zach Randolph será seu primeiro jogador com uma camisa aposentada pela franquia.

Zach, vocês sabem, não é nenhum craque incontestável da liga. Já teve seus dias, mas o máximo que conseguiu foi ser All Star em duas temporadas, All NBA em uma e ter sido eleito o jogador que mais evoluiu na NBA em 2004 – quando ainda defendia o Portland.

Z-Bo está longe de ser um Larry Bird ou um Magic Johnson, mas não dá para menosprezar: tendo como base o que a franquia viu até hoje, ele é uma referência do que existiu de bom com a camiseta do time.

A história de ambos, inclusive, é bem similar, o que faz da escolha emblemática. Até Randolph desembarcar em Memphis, a franquia tinha tido três viagens aos playoffs em 14 anos. A passagem mais marcante do time até então tinha sido a mudança de endereço de Vancouver, no oeste canadense, para a cidade natal de Elvis Presley.

Randolph, da mesma forma, tinha no máximo mostrado alguns flashes de talento e colecionado algumas decepções. Tinha estourado num grupo conhecido como Portland JAIL Blazers, que reunia o que tinha mais fino da bandidagem da NBA no início dos anos 2000 – Z-Bo, ‘mau elemento’ coadjuvante, foi preso fumando maconha dentro do seu cadillac.

Saiu de lá para o New York Knicks, numa passagem que durou apenas um ano e 11 jogos – foi despachado para o Clippers quando o time de NY descobriu que precisaria de espaço para tentar atrair Lebron James nas temporadas seguintes. Ao final da temporada, o Clippers o trocou pela segunda vez em menos de um ano, depois dele quebrar o maxilar de um rival aos socos – sinal de que Randolph, apesar de ser um bom jogador, não era lá muito confiável.

Chegou ao Memphis como um cara que causava mais problemas do que tinha soluções. Um ‘jogador-problema’ em uma equipe que nunca tinha conseguido nada. Da mesma forma que o Grizzlies, teve seus bons momentos, mas nada digno de nota. Mas a partir daí, a moral dos dois, time e jogador, mudou perante a liga.

Z-Bo emplacou os melhores anos da sua carreira, fez uma dobradinha poderosa com Marc Gasol e suas confusões deixaram de ser o assunto preferido da imprensa que cobria sua carreira. O Memphis Grizzlies não só deixou de ser um time medíocre, como emplacou uma sequência de sete classificações aos playoffs. Nunca foi o favorito, mas virou aquela equipe que os favoritos preferem evitar.

Time brigador e perigoso, mostrou pra NBA que podia ser perturbador jogando com posições bem definidas em quadra, sem um grande jogador ‘all around’, mas com vários especialistas de qualidade. Randolph, por sua vez, mostrou que não é preciso entrar na onda de pivôs-esguios-e-chutadores para ter espaço na NBA. Gordo, pançudo e com cara inchada, sempre se sobressaiu na técnica.

É provável que com o passar dos anos novas gerações marcantes apareçam em Memphis. Que uma delas seja vencedora. Que algum jogador seja um craque espetacular. Mas é um processo que demora. O reconhecimento a Zach Randolph e seus colegas hoje é o sinal de que isso está para acontecer.

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Não é só dinheiro

Stephen Curry completou, nas primeiras horas do período de free agency, a sua negociação com o Golden State Warriors e fechou o maior contrato da história da NBA. Serão 200 milhões de dólares por cinco anos – o primeiro jogador fora do baseball a assinar um contrato deste calibre.

Muito se especulava se Curry não poderia confirmar sua fama de bom garoto e assinar um contrato camarada com a equipe – a franquia está se metendo em uma bolha de salários que vai forçar o time a se livrar de algum dos seus principais jogadores daqui duas temporadas ou vai embarcar em um espiral perigoso de multas por ter extrapolado em muito o limite salarial da liga. O raciocínio era o seguinte: o jogador já é trilhardário e poderia assinar por um contrato abaixo do máximo para dar aliviar as coisas para o Warriors. Em troca, o time teria mais facilidade para entregar um elenco forte por mais anos.

Por mais que seja bem ingênuo pensar assim, tinha quem fizesse esse coro, engrossado pelo fato de que Kevin Durant já tinha anunciado que faria isso – e fez, assinando por 52 milhões por dois anos.

Acontece que nem sempre o assunto é ‘só’ dinheiro.

Descartando o fato de que 200 milhões é muita grana até para as pessoas mais ricas do universo, o simples fato deste ser o contrato mais gordo de toda a história da NBA, já faz com que sua assinatura tenha um valor além das cifras. É uma marca por si só.

É claro que Curry ‘poderia’ assinar por, sei lá, 160 milhões pelos mesmos cinco anos, continuar com uma grana infinita e ajudar o time, mas o papo aqui é sobre ego. É sobre ser o maior.

Numa relação parecida, é a mesma diferença entre ser MVP e ser eleito de forma unânime. O primeiro é um feito absurdo, mas o segundo é algo único.

Nem acho que ele deva esse tipo de esforço ao time. Curry já passou alguns anos subvalorizado com um contrato de 44 milhões por quatro anos, uma bagatela para os padrões atuais da NBA, especialmente se tratando de um dos jogadores mais decisivos da liga nos últimos anos. Este salário, inclusive, fez com que toda a montagem do Golden State Warriors atual fosse possível – em especial, fazer com que o time fosse um destino para Kevin Durant.

Os números de venda de camisa e materiais licenciados também comprovam que pagar alto por Curry é um investimento válido fora das quatro linhas. A camisa mais vendida da NBA pelo mundo atualmente é a 30 do Golden State.

Se era esperado algum sacrifício de Curry, ele já foi feito há algum tempo. Hoje, é mais do que merecido que ele seja o jogador mais bem pago do basquete.

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