Tag: Atlanta (Page 1 of 2)

[Previsão 17/18] Hawks: o pior time que você não vai ver jogar

Depois de muitos anos sendo uma equipe sólida, com presença garantida nos playoffs, o Atlanta Hawks finalmente partiu para a reconstrução total do seu elenco.

O time resistiu. Com uma filosofia importada do San Antonio Spurs, acreditou que era possível se reforçar, trocar as peças sem ter que entregar o ouro, sem ter que perder de propósito. Mas não há plano nem cultura de franquia que resista a uma debandada geral e a uma freguesia eterna nos playoffs. Seus principais jogadores aparentemente cansaram de perder repetidas vezes para Lebron James (seja no Cavs, seja quando ainda era do Heat) e reforçaram seus rivais. Sem bala na agulha para atrair free agents do mesmo quilate, o time partiu com algum atraso para a reconstrução total do elenco.

No ano passado já começou a limpar sua folha salarial trocando Kyle Korver por nada. Nesta offseason, continuou forte no processo: despachou Dwight Howard por uma escolha de segundo round, nem tentou renovar com Paul Millsap e ainda não fez a menor questão de entrar em um leilão por Tim Hardaway Jr. O resultado foi um time completamente esvaziado de talento.

Como nem tem muitos jovens promissores, o time precisa começar a ter a pior campanha possível pelos próximos anos para ver se consegue acumular alguma coisa útil enquanto agoniza, mais ou menos o que Lakers e Sixers fizeram nas últimas temporadas. Quanto mais jogos perdidos, melhor para o grande plano das coisas do Hawks.

Neste meio tempo, a franquia será uma peneira permanente. Os olhos da comissão técnica estarão voltados para aqueles que tiverem potencial e os jogadores, por pior que sejam, terão tempo de jogo para mostrar serviço.

Neste cenário, por exemplo, que veremos se Dennis Schroder é um armador com excelente potencial para ser pontuador também ou se é um shooting guard queimador de bola preso no corpo de um point guard minúsculo, se Taurean Prince é um defensor qualificado ou se só preenche a cota de jogadores esforçados, se John Collins é esse ala-pivô refinado com potencial de estrela hipster ou se não passa de mais uma ilusão de Summer League.

(Dale Zanine-USA TODAY Sports)

O resto do time só tem de relevante o fato de contar com um jogador que finge ser outra pessoa (Ersan Ilyasova), um dos jogadores-torcedores mais animados da liga (Kent Bazemore) e o mérito de ser o primeiro elenco da história da NBA que tem dois DeAndres (Liggins e Bembry) – DeAndre está para o basquete assim como Wendel está para o futebol, ambos nomes absolutamente incomuns na vida real, mas relativamente frequentes nos respectivos esportes.

Por mais que exista aí alguma coisa digna de nota, o Atlanta Hawks será o time mais desinteressante da temporada. Salvo alguma surpresa muito agradável, não há muita esperança de ter um jogador imperdível para se acompanhar, o time deve entrar com dezenas de formações diferentes ao longo do ano e o resultado da maioria dos jogos pode ser antecipado como uma retumbante derrota. O Hawks será ruim e nem deve ter nada de curioso que nos faça assisti-lo.

Aliás, ninguém vai ver isso. O time tem péssimas médias de público e só tem um jogo agendado para transmissão no Brasil. Melhor assim. Pra todo mundo.

Offseason
O time se desfez de tudo para ter o pior time possível, com um elenco barato, que garanta uma campanha horrível neste ano. Pegou no draft um jogador que foi um dos maiores destaques na Summer League – o que, na prática, não quer dizer muita coisa.

Time Provável
PG – Dennis Schroder / Malcolm Delaney
SG – Kent Bazemore / Marco Bellineli / John Jenkins / DeAndre Liggins
SF – Taurean Prince / DeAndre Bembry / Nicolas Brussino
PF – Ersan Ilyasova / John Collins / Luke Babbitt
C – Dewayne Dedmon / Mike Muscala / Miles Plumlee

Expectativa
Ser o pior time da temporada. A briga será dura contra o Chicago Bulls, mas eu confio que o Atlanta Hawks consegue ser ainda pior.

Siga agora o Dois Dribles no twitter!

O técnico e o executivo

Doc Rivers deixará de ser ‘presidente das operações de basquete’ do Los Angeles Clippers para se dedicar única e exclusivamente à função de técnico da equipe. Há algumas semanas, o mesmo aconteceu com Mike Budenholzer no Atlanta Hawks. As decisões são acertadas: não acho saudável que uma pessoa concentre tanto poder para decidir os rumos de uma franquia.

O acumulo de funções faz sentido até um ponto. É verdade que não há sinergia maior entre comissão e front office se o chefe de ambos é a mesma pessoa. Incontestável que a situação também não deixa margem para dúvidas sobre quem é o responsável real pelo sucesso ou fracasso da montagem e execução do elenco. Mas, ao meu ver, as vantagens param por aí. De resto, o clube só tem a ganhar quando são duas pessoas em cada um dos postos.

Vou usar um exemplo bem oportunista, mas que é o mais didático possível. Quem está mais errado: o executivo Doc Rivers que contrata o filho, com histórico duvidoso na liga, ou o técnico Doc Rivers, que o coloca para jogar mais do que o próprio elenco acha saudável (a ponto de, dizem, ser um dos motivos pelos quais Chris Paul se encheu da franquia)?

Sempre odiei Austin Rivers e, admito, me surpreendi com sua evolução nas últimas duas temporadas, mas considerando que sua qualidade ainda é questionável, imagino fossem presidente e técnico do time pessoas diferentes, a escolha por assinar com o jogador e colocá-lo em quadra não seria tão contestada (para dizer o mínimo) – afinal, teria passado pelo crivo de duas pessoas e pelo menos uma delas não seria o pai do cara. Ou, caso contrário, nem aconteceria: Austin não seria contratado ou seria ignorado pelo técnico.

(Jerome Miron-USA TODAY)

Dá para falar o mesmo dos milhares de ‘role players’ veteranos que em determinado momento assinaram com o time. Glen Davis, Paul Pierce, Josh Smith, Lance Stephenson… chegaram, cada qual em seu momento, como ‘a peça que faltava’ para o time deslanchar e na melhor dos cenários não conseguiram ajudar em quase nada a equipe – boa parte deles chegou a atrapalhar, na real.

No Atlanta, a situação de Budenholzer tem suas coincidências com a de Rivers: como executivo, ele não foi capaz de capitalizar com as saídades de Jeff Teague, Paul Millsap e Al Horford, apostou mal em Dwight Howard e só conseguiu um trocado muito baixo…

Tanto Doc, quanto Mike fizeram trabalhos interessantes, mas falharam na hora na tarefa de fazer com que Hawks e Clippers se tornassem ameaças reais aos seus principais concorrentes. O time da Georgia se confirmou como freguês fácil do Cleveland Cavaliers e a equipe californiana nunca conseguiu passar da segunda rodada dos playoffs. Agora, enfrentarão reformulações nos seus elencos e suas pretensões – e só uma parte disso continuará nas mãos de Rivers e Budenholzer.

No fundo, eu não acho que um cara seja tão pica a ponto do time precisar tanto dos seus serviços nas duas funções. A única exceção que eu posso aceitar é para Gregg Popovich, que vem conduzindo as duas funções com sucesso há quinhentos anos no San Antonio Spurs e é possivelmente o cara que mais entende de basquete na face da Terra – mas, mesmo neste caso, acho conceitualmente errado.

Não me parece certo nem eficiente que o cara que avalia o trabalho do treinador seja o próprio treinador, por exemplo. Que ele seja chefe dele mesmo. Este é um tipo de papel que pode funcionar numa atividade em que, sei lá, o cara só depende dele para mostrar seu talento, produzir seu trabalho. Mas numa função em que você gerencia um monte de gente, media vários egos complicados e tudo mais? Uma atividade que é essencialmente conjunta? Não rola.

Acho que os donos de times – que não são caras que entendem da coisa, mas enfim – se tocaram disso e estão, aos poucos, se livrando das figuras super-controladoras. Phil Jackson passou no RH do Knicks mês passado (era presidente do time e queria impor suas convicções à comissão técnica) e Pat Riley cada vez apita menos nas decisões de dentro de quadra diante de um Erik Spoelstra com cada vez mais moral. Stan Van Gundy, que ainda acumula as funções no Detroit Pistons, não está com essa bola toda depois que o time ficou de fora dos playoffs e viu seus dois principais jogadores – e duas maiores apostas – terem temporadas decepcionantes. O técnico ou o executivo, não sei qual dos dois, está em estado de alerta. Logo, logo pinta alguém para dividir o trabalho com Stan.

E é assim que tem que ser: cada um com sua função, com sua cabeça, colaborando e cobrando o sucesso do outro.

Dwight de graça

No momento em que apertaram o botão de reset da NBA e todos os times apareceram no mercado trocando, sondando e negociando, o Atlanta Hawks mandou Dwight Howard para o Charlotte Hornets junto com uma escolha de segundo round e recebeu os completamente inexpressivos Miles Plumlee, Marco Belinelli e a escolha 41 do draft. Na prática, o ex-melhor jogador de defesa da liga, múltiplas vezes All NBA Team e All Star saiu de graça para um rival de divisão, confirmando a impressionante queda de valor e moral de Howard perante os times na NBA de hoje.

É espantoso. Desde que saiu de Orlando, Dwight caiu num espiral decadente que não para nunca. Apesar de ter tido uma temporada bem decente, saiu quase que fugido do Lakers – por conta da treta com Kobe Bryant -, foi completamente excluído no Houston e terminou sua passagem no Atlanta Hawks por baixo, sendo pouquíssimo aproveitado nas últimas partidas dos playoffs. Agora, no fundo do poço, foi envolvido em uma negociação que tem como único e exclusivo objetivo livrar seus 47 milhões de salários restantes pelos próximos dois anos da folha de pagamento da franquia.

(Brett Davis-USA TODAY Sports)

A última temporada regular de Dwight Howard até parecia animadora diante do cenário de queda vertiginosa que vem passando. Teve a melhor média de rebotes desde a última temporada com o Magic, registrou o melhor offensive rating da sua carreira e conseguiu jogar o maior número de partidas numa temporada nos últimos quatro anos. O problema é que não parecia parte do time.

O jogador era frequentemente relegado dos momentos decisivos da equipe – foi usado muito menos do que a sua média de minutos nos playoffs, por exemplo. Fora das principais rotações, reclamou e criou uma bola de neve de problema. Além disso, não tinha nada a ver com o esquema de ‘pace and space’ do Hawks. A saída era uma questão de tempo.

Segundo Kevin Arnovitz, da ESPN, o Atlanta terminou a temporada já sondando possíveis trocas com o jogador, mas ouviu da maior parte dos times que Dwight não valia mais do que uma escolha de segundo round e alguns jogadores não muito úteis que pudessem bater os salários.

No fim, parece que o Charlotte Hornets foi a única franquia que topou o abacaxi.

Dá para suspeitar os motivos. Steve Clifford, técnico do time, era auxiliar de Stan Van Gundy no Orlando Magic que foi finalista da NBA com Dwight Howard como sua principal estrela. Aquela equipe jogava com um esquema muito característico em que quatro jogadores atuavam abertos, todos com excelente chute de três, e Dwight no centro do garrafão. A tática funcionava pois abria espaço para o pivô atacar sem muito congestionamento – algo que ajuda jogadores sem muito recurso técnico – e Howard ainda  brigava quase que sozinho pela recuperação de bolas erradas dos seus colegas.

Temporada passada o Hornets tentou reabilitar Roy Hibbert, outro jogador que passou por um processo de decadência parecido com o de Howard, mas a experiência não deu certo. Agora a tentativa vai ser com um jogador minimamente mais talentoso.

Por mais que eu ainda ache Howard útil, entendo que não dá para confiar que vá funcionar. O declínio físico e um jogo ancorado em habilidades tão específicas – e em desuso – fazem de Dwight um cara descartável em boa parte dos esquemas. E é por isso que atualmente ele não tem quase valor algum para a liga.

[Previsão dos Playoffs] Primeiro round do Leste

Agora vamos ao que interessa. Depois de seis meses de uma maratona quase que infinita de jogos, ‘o campeonato de verdade’ começa neste sábado. Confira aqui os dias dos jogos, os retrospectos dos confrontos ao longo da temporada e um breve palpite do que pode rolar ao longo da série:

1º Boston Celtics x 8º Chicago Bulls

Jogo 1 – Dom.  Abril 16  Chicago @ Boston, 20h30
Jogo 2 – Ter.  Abril 18  Chicago @ Boston, 20h
Jogo 3 – Sex.  Abril 21  Boston @ Chicago, 19h
Jogo 4 – Dom.  Abril 23  Boston @ Chicago, 19h30
Jogo 5 * Qua.  Abril 26  Chicago @ Boston, a definir
Jogo 6 * Sex.  Abril 28  Boston @ Chicago, a definir
Jogo 7 * Dom.  Abril 30  Chicago @ Boston, a definir

Confrontos na temporada regular: 2 x 2

Palpite: Celtics em 5 jogos

Os dois times vêm de temporadas absolutamente opostas: enquanto o Boston conseguiu ‘roubar’ a primeira posição do Cavs no Leste de maneira minimamente surpreendente (um segundo lugar era bem plausível, mas a liderança não era uma aposta segura), o Chicago enfrentou sérios problemas ao longo de todo o ano e só conseguiu a última vaga para os playoffs no desempate com o Miami Heat.

Ainda que estranhamente o Bulls tenha um retrospecto muito bom contra os melhores times da NBA – e o Celtics está neste grupo -, não imagino que possa acontecer uma zebra aqui. O Boston enfrentou suas maiores dificuldades contra times que contam com um garrafão forte ofensivamente, o que é praticamente a antítese do Chicago. Exceto Isaiah Thomas, o time verde tem alguns dos melhores marcadores de perímetro e tem boas chances de anular a única válvula de escape confiável do rival, Jimmy Butler.

Numa série de vários jogos seguidos, a capacidade do técnico tende a ficar mais evidente e até hoje não existe qualquer indício de que Fred Hoiberg tenha um talento comparável ao de Brad Stevens.

2º Cleveland Cavaliers x 7º Indiana Pacers

Jogo 1 – Sab.  Abril 15  Indiana @ Cleveland, 16h
Jogo 2 – Seg.  Abril 17  Indiana @ Cleveland, 20h
Jogo 3 – Qui. Abril 20  Cleveland @ Indiana, 20h
Jogo 4 – Dom. Abril 23  Cleveland @ Indiana, 14h
Jogo 5 * Ter. Abril 25  Indiana @ Cleveland, a definir
Jogo 6 * Qui. Abril 27  Cleveland @ Indiana, a definir
Jogo 7 * Sab. Abril 29  Indiana @ Cleveland, a definir

Confrontos na temporada regular: 3 x 1

Palpite: Cavaliers em 4

É verdade que provavelmente o Cavs está no seu pior momento da temporada e o Pacers em seu melhor. Verdade também que o Indiana tem talento bruto acima da sua posição da tabela. E, por último, também é real que Paul George é uma máquina que cresce em momentos de decisão. Mesmo assim, acho que o time de Nate McMillan não tem organização e defesa suficientes para parar o Cleveland.

Pelo que se viu ao longo dos últimos jogos da temporada regular, quando Lebron e companhia querem jogar de verdade, o time é outro, bem mais parecido com aquele dos playoffs passado do que com este que tem perdido uma pancada de jogos fáceis.

Já que não tem muita chance do Indiana passar, a expectativa fica por conta do duelo George x James, com o tempero das encheções de saco de Lance Stephenson.

3º Toronto Raptors x 6º Milwaukee Bucks

Jogo 1 – Sab.  Abril 15  Milwaukee @ Toronto, 18h30
Jogo 2 – Ter.  Abril 18  Milwaukee @ Toronto, 20h
Jogo 3 – Qui. Abril 20  Toronto @ Milwaukee, 20h
Jogo 4 – Sab.  Abril 22  Toronto @ Milwaukee, 16h
Jogo 5 * Seg.  Abril 24  Milwaukee @ Toronto, 20h
Jogo 6 * Qui. Abril 27  Toronto @ Milwaukee, a definir
Jogo 7 * Sab.  Abril 29  Milwaukee @ Toronto,  a definir

Confrontos na temporada regular: 3 x 1

Palpite: Raptors em 7

Para falar bem a verdade, dizer que essa série vai para sete jogos é mais um desejo do que um chute. Acredito que o Raptors tem experiência e talento de sobra para superar o Bucks recheado de novatos na pós-temporada.

O grande trunfo do Milwaukee na temporada é que Giannis é muito difícil de se marcar. Mas o Toronto é uma equipe que está vacinada contra isso: tem excelentes defensores em todos os cantos da quadra, especialmente Kyle Lowry, PJ Tucker e Serge Ibaka.

O único problema que eu vejo no time canadense é a falta de tempo de jogo do seu quinteto mais talentoso, já que Tucker e Ibaka chegaram no meio da temporada, justamente quando Lowry se machucou. O time terá que se acertar com o pau comendo, o que é um risco.

4º Washington Wizards x 5º Atlanta Hawks

Jogo 1 – Dom.  Abril 16  Atlanta @ Washington, 14h
Jogo 2 – Qua.  Abril 19  Atlanta @ Washington, 20h
Jogo 3 – Sab. Abril 22  Washington @ Atlanta, 18h30
Jogo 4 – Seg. Abril 24  Washington @ Atlanta, 21h
Jogo 5 * Qua. Abril 26  Atlanta @ Washington, a definir
Jogo 6 * Sex. Abril 28  Washington @ Atlanta, a definir
Jogo 7 * Dom. Abril 30  Atlanta @ Washington, a definir

Confrontos na temporada regular: 3 x 1

Palpite: Wizards em 6

Eu gosto do time do Atlanta, ainda confio em Dwight Howard e amo Paul Millsap, mas acho que o Washington demora no máximo seis partidas para nocautear Hawks. O Wizards encontrou uma formação muito eficiente para jogar contra times médios nesta temporada – que é o caso do Atlanta – e só deve enfrentar maiores dificuldades quando o rival estiver em uma noite atipicamente inspirada.

O maior problema pro time da Geórgia é que não tem como parar a dupla de armadores do Washington. Dennis Schroder não tem cacife para parar Wall ou Beal. Jose Calderson e Malcolm Delaney, seus reservsa, idem. Para isso, terá que abrir mão do poder de fogo e abusar de Thabo Sefolosha, Kent Bazemore e Taurean Prince, bons defensores. Enfim, a capacidade do Hawks para esse matchup é um lençol curto sem solução.

Por último, torço muito por um confronto entre Washington e Boston, uma das maiores rivalidades da NBA atual, na próxima fase.

Amanhã posto os palpites do Oeste!

O imprescindível Paul Millsap

A maneira mais eficiente de se mostrar fundamental é na ausência. E é neste espaço de três jogos em que não entrou em quadra que Paul Millsap está provando que é, talvez ao lado de Russell Westbrook e James Harden, o jogador mais imprescindível para seu time nesta temporada.

Há vinte dias, o Atlanta Hawks era a nova/velha aposta de ameaça ao Cleveland Cavaliers, a frente de rivais como Toronto Raptors, Charlotte Hornets e Boston Celtics. Apesar de ano após ano se confirmar como uma das melhores equipes do Leste, neste ano o time mudou e testava uma nova maneira de jogar, tentando, principalmente, solucionar a principal carência das últimas temporadas, que era garantir rebotes. A nova formação com Dwight Howard e sem Al Horford estava se mostrando eficiente e tudo parecia melhor do que antes.

Até que a coisa desandou. O time perdeu três seguidas, venceu o Indiana e, diante do Utah Jazz, Paul Millsap se lesionou. O jogador ainda continuou jogando e entrou em quadra nas duas partidas seguintes (contra Lakers e Warriors) com o quadril gritando, mas como o time tinha voltado a perder estes três jogos, a comissão decidiu tratar a lesão do seu melhor jogador. Daí que o bicho pegou de vez.

paul-millsap

As partidas em que Millsap não entrou em quadra, o Atlanta Hawks teve o pior desempenho de toda a liga. Perdeu para o Phoenix Suns, que é um dos lanternas da NBA no momento, e foi surrado por Detroit Pistons e Toronto Raptors, quando tomou uma diferença acumulada de 80 (OITENTA!!!) pontos nas duas partidas – a maior em dois jogos seguidos na temporada entre todos os times.

A ausência do ala-pivô explica boa parte deste desempenho horrível do time. Em pouco mais de três anos no Hawks, Millsap se mostrou um dos jogadores mais eficientes da liga, apesar de quase nenhum holofote. Seu jogo é discreto, mas comparável ao das maiores estrelas da liga.

Excelente reboteiro para seu tamanho e fenomenal bloqueador de chutes, Millsap é um dos melhores defensores da NBA. Ano passado foi eleito para o segundo time de defesa da liga, atrás somente de Kawhi Leonard e Draymond Green na votação entre os alas. Foi, inclusive, o líder em Defensive Win Share da temporada no ano passado, estatística que tenta medir a impacto defensivo do jogador nas vitórias do seu time.

No ataque, ele é completo. Pode armar como um point guard e, ainda assim, chuta próximo dos 35% da linha de três. Foi o maior pontuador do time nos últimos três anos.

Ainda que Lebron James, Kawhi Leonard e Kevin Durant, por exemplo, sejam jogador mais talentosos do que ele, não consigo imaginar que suas equipes agonizem tanto nas suas ausências do que como o Atlanta Hawks está sofrendo sem Millsap. Até mesmo o Pelicans, que praticamente só tem Anthony Davis, não se saiu tão mal sem o seu principal jogador.

Pelo que vimos até agora, Paul Millsap não será considerado para a corrida de Most Valuable Player (Jogador Mais Valioso), mas já é disparado o ‘Jogador Mais Fundamental’ do ano.

O povo não gosta de vencer, gosta é de comer de graça

Quem vê até pensa que os 20 mil torcedores que lotam a Quicken Loans Arena todos os jogos do Cleveland Cavaliers querem ver o Lebron James, Kyrie Irving e companhia defendendo o título da NBA. Nada disso. Isso está só no pacote. O que o povo realmente quer é comida de graça!

Durante esta semana, o Cavs recebeu o Hawks e levou o primeiro pau da temporada. Perdeu por 110 a 106 em casa. O time começou bem atrás no placar e nos minutos finais tentou buscar a vitória, sem sucesso. Apesar da recuperação ao longo da partida, o que realmente levou a turma ao delírio nas arquibancadas foi Dwight Howard errar dois lances-livres seguidos nos minutos finais do jogo – e não exatamente porque isso não faria o Atlanta abrir vantagem na contagem, mas por causa de uma promoção local garante uma porção de seis nuggets de graça para cada vez que um adversário perder os dois arremessos no quarto período.

goodman

A promoção é comum e acontece em vários ginásios com suas devidas adaptações. Ano passado, por exemplo, na corrida acirrada pelas últimas vagas nos playoffs, Wizards, Bulls e Jazz fizeram ações parecidas. Cada vez que um jogador errasse dois chutes seguidos da linha no quarto tempo, todos ganhariam sanduíches de graça.

A ideia é maravilhosa. Cada vez que um jogador adversário perde o primeiro chute, a torcida inteira fica completamente alucinada com a possibilidade de um segundo erro e, consequentemente, ganhar comida de graça.

Dá até um ânimo quando o time está atrás no placar. Quando geralmente a torcida já está mais afim de ir embora sem pegar muito trânsito, a promoção mantém na arquibancada o pessoal mais desvairado.

Depois deste jogo ai de cima, John Wall até falou que a torcida parece mais empolgada com a possibilidade do sanduíche de graça do que com a vitória do time sobre um rival que disputa uma vaga direta no mata-mata:

E parece que esta histeria coletiva ajuda o time em quadra – ou melhor, prejudica o rival. No ano passado, quando estes três times fizeram campanhas deste tipo, o aproveitamento dos adversários nos lances-livres caiu ligeiramente. Enquanto a média da liga é de 75% de aproveitamento, os rivais de Bulls, Jazz e Knicks acertaram 71%.

A diferença é pequena, mas todo mundo ganha – mesmo que o time perca em quadra.

[Previsão 16/17] Hawks: para manter a escrita

Esta temporada vai ser crucial para o Atlanta Hawks. O time não deve brigar por título, não vai fazer qualquer grande reformulação ou coisa do gênero, mas vai ser o ano em que tiraremos a prova se conseguiu implementar de fato uma ‘cultura da franquia’. Nos mesmos moldes que o San Antonio Spurs faz na NBA há duas décadas, o Hawks tenta emplacar um modelo de time de seja blindado a trocas de elenco, a estrelismos individuais ou modismos, mas baseado em uma filosofia de basquete coletivo, discreto e eficiente.

Até o momento tem dado certo: o ex-auxiliar do Spurs Mike Budenholzer conseguiu manter o time nos playoffs desde a sua chegada, elevou a franquia à melhor do Leste há dois anos e, nas últimas temporadas, só perdeu para o Cavs de Lebron na conferência.

No entanto, este ano será chave porque a franquia fez uma troca arriscada na sua espinha dorsal. Não renovou com Al Horford, pivô com discrição e eficiência características do time, e trouxe para seu lugar o ‘polêmico’ Dwight Howard, conhecido por ser um jogador abalado psicologicamente e infantil.

O estrelismo de D12 não condiz com a tal filosofia que faz do Hawks o time que há mais tempo se classifica para os playoffs no Leste (dez anos, atrás somente no Spurs na liga toda). Talvez a sua chegada em baixa ajude a cultura do time prevalecer – e até dar uma nova guinada na carreira do jogador.

dwight-howard-atlanta-hawks-nba

Offseason
Além da troca de Horford por Howard, o time despachou o armador titular Jeff Teague e promoveu o alemão Dennis Schroeder para a posição. Trouxe Jarrett Jack e Malcolm Delaney para a suplência na posição.

Time Provável
PG – Dennis Schroeder / Jarrett Jack / Malcolm Delaney
SG – Kyle Korver / Tim Hardaway Jr / Thabo Sefolosha
SF – Kent Bazemore / Mike Scott
PF – Paul Millsap / Mike Muscala / Kris Humphries
C – Dwight Howard / Tiago Splitter

Expectativa
Apesar dos riscos que existem de não dar certo, Paul Millsap é craque suficiente para segurar a barra do time junto com os colegas menos badalados. O natural é ir aos playoffs mais uma vez.

 

Dwight Howard só quer ser amado de volta

Eu tinha achado um pouco estranho que o Atlanta Hawks tenha oferecido um contrato alto para Dwight Howard ser seu novo pivô para os próximos três anos. O jogador vai receber 70 milhões do time para as próximas três temporadas e vai substituir Al Horford, que embarcou para Boston depois de nove anos com o Hawks.

Não só pela grana (Bleacher Report tinha feito uma pesquisa com os donos dos times e eles disseram que Dwight não valia mais do que 15 milhões ao ano), mas pelo desfecho do negócio. À primeira vista Dwight teria encaixes melhores em outras franquias, com a sua tão reclamada maior participação ofensiva – o que fez ele abrir mão de 23,3 milhões por mais uma temporada com o Rockets, já que lá, ao lado de Harden, chegou à sua pior média de toques na bola por partida em toda a sua carreira. Imaginava que o ideal para ele seria acertar com o Dallas Mavericks ou Portland Trial Blazers.

Mas não, foi para o Atlanta Hawks, time de sua cidade natal, mas que pelo que jogou nos últimos anos não tem a menor relação com o jogo de Dwight. Howard não tem arremesso e fica imóvel dentro do garrafão como se tivesse uma bigorna amarrada no calcanhar – uma mudança brutal se comparado ao estilo de jogo de Al Horford, que até aprendeu a chutar de três nesta última temporada.

No entanto, pensando melhor, tentando entender o plano do Hawks mais profundamente, acho que pode dar certo.

O grande problema de Dwight é psicológico. Ele é um trintão que quer ser amado. De nada adiantaria ele ir para uma franquia em que o encaixe do seu jogo seria mais óbvio mas, ao mesmo tempo, ele teria os mesmos problemas que encontrou em Houston – não seria o foco ofensivo, seria só uma peça importante, mas não fundamental. O problema dele no Rockets não foi um relativo mau desempenho, mas a diferença enorme entre o que ele esperava ser e o que ele realmente foi.

jsc-0569

Descontando a diferença de idade dele e de saúde, Dwight foi brilhante quando era o jogador mais cortejado de um time, rodeado por atletas que trabalhavam como operários para mostrar que ele era a grande estrela do Orlando (finalista da NBA). No Lakers e no Rockets, à sombra de Kobe e Harden, o pivô foi se encolhendo até desaparecer. Seria assim jogando ao lado de Nowitzki, Lillard ou qualquer cara que já é dono do time.

Só por isso, acho que o ambiente em Atlanta já é favorável a Howard. A ‘cultura organizacional’ do time é assim. Paul Millsap é excelente, mas não é necessariamente uma estrela expansiva. Dennis Schroeder ainda quer provar seu talento. Kent Bazemore é a definição do trabalho duro em pessoa.

Uma boa medida de como o Hawks é um time de formigas-operárias foi quando o time emplacou uma sequencia impressionante de vitórias em janeiro do ano passado e a NBA elegeu os cinco titulares da equipe como “Player of the Month”, algo inédito. Se existe a chance de Dwight se reabilitar, é num lugar como esse.

 

 

Um a um

Hoje a bola sobe para iniciar a série entre Cleveland Cavaliers e Atlanta Hawks. Apesar do Cleveland ter engatado a sua melhor forma justamente nos playoffs e o Atlanta não estar na mesma toada do ano passado, quando foi o melhor time do Leste, eu estou bastante animado para um confronto competitivo entre os dois times. Na verdade, o que mais me intriga é o duelo entre dois jogadores: Paul Millsap x Kevin Love.

Ano passado este confronto nem rolou quando os times se enfrentaram nos playoffs. Love se machucou e não enfrentou o Hawks. Mesmo sem ele, o Cavs passeou na série – Lebron James quase meteu uma média de triple-double mesmo sendo marcado por um excelente especialista em defesa, DeMarre Carroll.

NBA: Atlanta Hawks at Cleveland Cavaliers

Matchup decisivo: Kevin Love x Paul Millsap

Mesmo que tivesse rolado, o contexto de cada um desses caras é bem peculiar hoje. Kevin Love vem de altos e baixos nesta temporada, mas nos playoffs encontrou seu espaço no time. Nos quatro primeiros jogos dos playoffs deste ano, Love meteu quatro double-doubles, fez 20 pontos ou mais em duas partidas e deu sinais de que pode ser decisivo como sempre foi em Minnesota – coisa rara nesta passagem de dois anos com o Cavs.

Do outro lado, um dos jogadores mais subestimados da liga. Paul Millsap é discreto, mas muito eficiente no ataque e um dos melhores jogadores de defesa em atividade. Já distribuiu 16 tocos nos seis primeiros jogos do mata-mata, roubou sete bolas e registra um defensive rating de 91 pontos a cada 100 posses de bola, uma excelente média.

O cruzamento dos dois jogadores nesta fase do campeonato é crucial: se Love quer se mostrar verdadeiramente útil para o Cleveland daqui para frente, terá que superar a tenacidade e regularidade de Millsap. Love vive a pressão do Cavs ter ido atrás de jogadores para sua posição e manter a boa fase seria fundamental para definir seu futuro junto ao time. Falhar agora, poderia, em um cenário pessimista, fazer com que Kevin entrasse em um espiral de desconfiança parecido com o que Dwight Howard se meteu nos últimos anos – em quatro temporadas deixou de ser um jogador excepcional e virou um estorvo.

Se o Hawks, por outro lado, quer avançar e surpreender a todos, é Paul Millsap que precisa se superar. O jogador tem sido um dos melhores da liga nos dois lados da quadra, mas custa fazer com que seja notado. Na melhor das hipóteses, uma classificação pode ser o desempenho necessário para que o Atlanta tenha cacife para recrutar mais jogadores na offseason e cercar Millsap do talento necessário para se tornar um postulante ao título do Leste.

Na disputa individual, se fosse um campeonato de um a um, eu apostaria em Millsap. Mais completo e dedicado, ele teria todas as condições de anular Love e ainda liderar o ataque do time. Mas do outro lado o Cavs tem Lebron James e Kyrie Irving. A backcourt do Hawks vai se dedicar inteiramente a tentar parar os dois jogadores, mas os armadores do Atlanta não são lá grandes defensores. Além disso, Lebron é um extraterrestre e pará-lo em playoffs é uma tarefa praticamente impossível. Na série, então, Cavs deve levar.

Mas a batalha entre os dois power forwards dos dois times pode definir a moral que cada um dos jogadores terá perante a liga para a próxima temporada.

 

Este foi o primeiro round mais desequilibrado da história

É nos playoffs que a porra toda começa a valer de verdade, quando o pau come e qualquer detalhe pode decidir uma série, não é mesmo? Mais ou menos. Acabado o primeiro round do mata-mata, realmente vimos confrontos mais físicos, estrelas aparecendo e etc, mas, definitivamente, não foram disputas efetivamente pau a pau: a primeira rodada deste ano foi, na verdade, a mais desequilibrada da história! Desde que os playoffs têm um formato parecido com o atual (minimamente comparável com o que temos hoje, com oito times de cada lado e etc, a partir de 84) nunca vimos uma diferença de pontos tão grande definindo as partidas. Em média, os vencedores dos confrontos fecharam as partidas com uma vantagem de 14,3 pontos.

Algumas partidas exemplificam exatamente como foram os confrontos. O retrato perfeito destes jogos foi o jogo 7 entre Miami Heat e Charlotte Hornets de ontem. Apesar da série ter ido até a última partida, o jogo final que fechou a disputa foi um baile do time da Florida, que venceu por 32 pontos de vantagem – uma das cinco maiores diferenças já registradas em jogos 7 em todos os tempos. Dos 42 jogos, só sete foram decididos por três pontos ou menos, o que mostra que as partidas, via de regra, não foram lá muito emocionantes.

Não existe uma relação direta nisso, mas a esperança que resta é que, com séries tão ~elásticas, o filtro dos playoffs tenha finalmente selecionado os melhores times e que isso renda disputas mais emocionantes daqui pra frente.

Sem título

Nas duas temporadas com maiores médias de diferenças de pontos nos primeiros rounds – excluindo a atual – tivemos boas semifinais de conferência, com metade de dos confrontos indo para o jogo 7. Em 2008, a diferença média foi de 13,4 e na rodada seguinte Boston x Cleveland e San Antonio x New Orleans (na época ainda era Hornets) foram até a última partida. Em 2009, a mesma coisa: média também de 13,4 no primeiro round e nas semifinais de conferência Lakers x Houston e Boston x Orlando levaram a disputa até o sétimo jogo.

Apesar de estar esperançoso, não tenho tanta certeza que isso possa acontecer neste ano. Eu tinha uma expectativa de um confronto mais equilibrado entre Thunder e Spurs, mas o primeiro jogo da série foi um vareio sem precedentes. Golden State e Porland também não dá para esperar muito equilíbrio. Se for pra ser pau a pau, os cansados Toronto e Miami têm mais chances de levar a disputa até a última partida. Não apostaria o mesmo para Atlanta e Cleveland.

Espero estar errado – e que tenhamos jogos mais equilibrados e emocionantes daqui pra frente.

 

Page 1 of 2

Powered by WordPress & Theme by Anders Norén