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EXCLUSIVO: Como pensa Marcelo Nogueira, o cara que elegeu Lamarcus e Isaiah como dois dos melhores defensores da NBA

Finalizada a temporada, passado o draft e acalmado o período inicial de trocas, a NBA divulgou os vencedores dos prêmios individuais da temporada. Como o timing era horroroso, muita gente sequer deu bola para seus vencedores e a notícia que mais repercutiu foi a de que alguém tinha colocado Isaiah Thomas entre os quatro armadores que melhor defendem na NBA.

O baixinho do Celtics é reconhecido como um dos piores marcadores da liga. Algumas estatísticas dão conta que seu impacto defensivo é quase tão prejudicial quanto sua influência no ataque é frutífera.

Hoje, um dia depois, a NBA soltou os votos por jornalista – 100 deles formam um colegiado que elege todas as categorias – e Marcelo Nogueira, jornalista argentino do diário Olé, foi descoberto pelo mundo do basquete. Ele tinha sido não apenas o autor do voto para Isaiah, bem como ele escolheu Lamarcus Aldridge como o terceiro melhor defensor de toda a NBA, ignorando Draymond Green, vencedor do prêmio, da sua lista. Duas escolhas que destoam completamente dos outros votos.

A internet caiu de pau no cara, o massacrou – tem gente atribuindo ao fato dele ser estrangeiro e etc, o que é uma bobagem sem tamanho. Mas a verdade é que as escolhas são, no mínimo, polêmicas e bem difíceis de se justificar.

Pois bem, ao invés de soltar o verbo eu resolvi conversar com Marcelo. Mandei um email pedindo para que ele justificasse suas escolhas e ele me respondeu.

Nogueira me disse que a repercussão negativa diante dos seus votos aconteceram não porque Lamarcus Aldridge, por exemplo, é um mau defensor, mas simplesmente porque ele não aparece na lista dos outros 99 jornalistas. “Na votação de Melhor Defensor temos que escolher três jogadores. Coloquei Kawhi Leonard, Rudy Gobert e Lamarcus Aldridge. Vejo nas redes sociais que se discute o voto do Aldridge e não dos demais. Imagino que seja porque estes estão na lista dos outros jornalistas e Lamarcus não”, disse Nogueira.

Ele justifica que os números de Aldridge são dignos da escolha. “Ele é um dos três melhores protetores de aro de acordo com estatísticas da temporada regular”, completou. Lamarcus é, de fato, um dos jogadores que registra a maior ‘diferença’ entre o aproveitamento do seus arremessos e dos rivais que ele marca dentro do garrafão. Enquanto ele converte 61% dos arremessos que executa dentro da área pintada, ele só permite que façam 49% dos chutes na sua defesa enquanto ele marca o rival.

Winslow Townson-USA TODAY Sports

O problema é que segundo o mesmo critério – que é o que o jogador do Spurs mais se destaca -, Draymond Green é ainda mais eficiente, o que torna um pouco incompreensível a escolha de Aldridge em detrimento de Green.

“Além disso, há elementos intangíveis”, justificou ele. De fato, nem acho que as escolham tenham que ser roboticamente explicadas por dados – e Nogueira pode ter chamado a atenção a um aspecto do jogo de Aldridge que nem todo mundo percebe.

Fazendo uma varredura na ‘carreira’ do jornalista, dá para ver que ele acompanha de perto o San Antonio Spurs – o que pode justificar estes ‘elementos intangíveis’. Compreensível, já que é a franquia que mais vezes teve argentinos usando seu uniforme. Marcelo é jornalista do Olé, diário esportivo altamente ufanista dos nossos hermanos. É natural que ele tenha se tornado um torcedor do time depois de tantos anos tendo que forçar a barra na hora de analisar seu conterrâneos jogando com a camisa preta e cinza. Além de ter colocado Kawhi como melhor defensor e Lamarcus como o terceiro, o argentino colocou Patty Mills como um dos melhores reservas da temporada.

Sobre Thomas, voto mais polêmico, Nogueira foi econômico nas justificativas e tangenciou. Disse que há alguns anos apenas um jornalista deixou Lebron James de fora da eleição de MVP e foi massacrado, mas que ele, pessoalmente, respeita a opinião de todos, assim como espera que respeitem a dele. Aliás, neste ano, Nogueira foi o único a deixar Lebron de fora do top5.

Por mais que seja difícil entender, já que Thomas coleciona as piores stats avançadas na defesa da liga, é também preciso reconhecer que estas mesmas estatísticas nos confundem muitas vezes – e servem mais para que cada um justifique suas opiniões, fazendo uma escolha dos dados que melhor convém, do que de fato para explicar algo.

Nogueira, pelo visto, cobre basquete há muitos e muitos anos. Estava nos EUA para cobrir os playoffs, já foi a várias Olimpíadas e mundiais. Alguma coisa de basquete ele sabe. Ou deveria saber.

Definitivamente eu não votaria em Lamarcus ou Isaiah para os melhores jogadores de defesa como ele fez. Aliás, acho votos bem ruins. Mas, como ele disse, é uma votação e cada um faz o que quer, seguindo suas convicções. Faz parte.

Questionei mais uma vez Marcelo sobre o fato dele ter excluído Green dos seus votos e o que ele achava das estatísticas que apontam Isaiah como um dos piores marcadores da liga. Perguntei, também, se ele pensa que será chamado no próximo ano para participar das votações – foi sua primeira vez. Nogueira não me respondeu as perguntas, apenas agradeceu a preocupação.

O anúncio mais sem sal possível

Os recordes de James Harden ou de Russell Westbrook? O impacto defensivo de Rudy Gobert dentro do garrafão, de Kawhi Leonard no perímetro ou a versatilidade de Draymond Green? A capacidade de Erik Spoelstra ou o ressurgimento de Mike D’Antoni? O fenômeno Joel Embiid ou a regularidade de Malcolm Brodgon e Dario Saric? As discussões sobre quem são os merecedores dos prêmios individuais da NBA neste ano foram das mais acirradas de todos os tempos, mas a escolha por fazer a divulgação dos awards em um show semanas depois das finais da temporada foi uma péssima decisão.

Tudo isso porque o anúncio vai ser justamente no momento em que ninguém mais se importa com os resultados. A poeira da temporada regular já baixou, a falta de competitividade dos playoffs deu um banho de água fria em todos, o draft abriu a nova temporada e a loucura da offseason já tomou o noticiário.

Não sei se é só impressão minha, mas parece que a briga jogo a jogo de Harden e Westbrook aconteceu há muito tempo. Nem lembro mais quantos mil triple doubles cada um fez, quantas partidas com mais de 30, 40 ou 50 pontos os dois emplacaram. O que é recorde de um e o que é de outro – coisa que há dois meses estava na ponta da língua dos torcedores nos seus argumentos para eleger o merecedor do MVP.

Sinceramente, nunca fui muito simpático à ideia – zzzzzz show apresentado pelo Drake zzzzz -, mas mesmo quem achou interessante concentrar o anúncio em um único dia, em um evento grandioso e tal, tem que admitir que o timming foi péssimo.

Não que a decisão sobre isso deveria ser tomada com este critério apenas, mas imagine que sensacional seria se o vencedor do MVP fosse anunciado durante a série de playoffs entre Houston e Thunder? Ou o Coach of the Year durante Rockets e Spurs? O melhor jogador de defesa justamente no encontro entre Kawhi Leonard e Draymond Green nos playoffs? Sempre foi assim e com certeza seriam fatores que fariam das disputas ainda melhores – no caso dos jogos contra o Warriors, poderiam dar alguma graça a série.

Ao longo de toda a história da liga, a forma como os prêmios eram divulgados (ao longo dos playoffs) mudou a narrativa das disputas do mata-mata. Michael Jordan querendo tirar o sangue do Utah Jazz na final após Karl Malone ser eleito o melhor jogador de 1997 numa eleição apertadíssima, Hakeem Olajuwon usando a perda do prêmio para David Robinson para aniquilar o Spurs na final de conferência e muitos outros casos que entraram para a história do basquete.

Há, ainda, outras desvantagens brutais deste modelo: com muito mais tempo entre a entrega dos votos (que acontece ao final da temporada regular) e a divulgação dos ganhadores, há muito mais chances do resultado vazar (aparentemente muita gente já sondou quem são os vencedores), além de, no futuro, permitir que o MVP, COY e etc sejam reconhecidos quando já nem estiver mais defendendo a equipe pela qual ele foi eleito (em 2010, por exemplo, se o show jé existisse, Lebron James seria anunciado como MVP DEPOIS de ter feito toda aquela cena para ir para o Miami Heat). Anticlímax total.

Que o vexame deste ano sirva de exemplo para os próximos.

NBA Awards: quem eu acho que merece e quem eu acho que vai ganhar cada prêmio

A temporada regular acabou na quarta-feira passada e os jornalistas que votam nos prêmios individuais da NBA tiveram até sexta-feira para entregar suas escolhas. Enquanto os times ainda aquecem seus motores nos playoffs, aqui vai quem eu acho que deveria ganhar cada um dos prêmios, quem eu acho que vai ganhar (são coisas diferentes) e quem vocês escolheram por meio de uma enquete que ficou aberta ao longo de três dias – aliás, muito obrigado pelas QUINHENTAS participações!

Infelizmente, a NBA mudou um pouco o ritual neste ano e só saberemos os vencedores ao final da temporada, em uma cerimônia que acontecerá em junho, dias depois das finais (antigamente os anúncios eram feitos gradativamente ao longo dos playoffs).

Mas vamos lá com os palpites e daqui dois meses nós conferimos o que foi quente e o que estava furado.

Most Improved Player

Quem eu acho que merece ganhar : Giannis Antetokounmpo
Quem eu acho que vai ganhar: Giannis Antetokounmpo
Quem vocês escolheram: Giannis Antetokounmpo

Geralmente eu acho a escolha de jogador que mais evoluiu bem fraca. Via de regra, ganha aquele cara que já estava comendo a bola no ano anterior, mas que vira titular na temporada seguinte, dobra a minutagem e, naturalmente, aumenta as estatísticas. Neste ano, não. Giannis é um cara que realmente evoluiu, independente do tempo de quadra – que se manteve praticamente o mesmo, aliás.

O Greek Freak deixou de ser uma aberração física com flashes de genialidade para se tornar o líder de um time em ascensão. Virou um all star. Foi o primeiro cara na história da liga a ficar entre os vinte maiores pontuadores, reboteiros, passadores, roubadores de bola e bloqueadores da temporada.

Nikola Jokic é um bom nome aqui, mas acho bem natural que jogadores no segundo ano tenham uma evolução significativa. É mais o curso natural das coisas do que uma escalada digna de um prêmio individual.

Defensive Player of the Year

Quem eu acho que merece ganhar: Rudy Gobert
Quem eu acho que vai ganhar: Rudy Gobert
Quem vocês escolheram: Kawhi Leonard

Sofri para fazer a minha escolha aqui. Até pouco tempo atrás estava decidido que era o ano de Draymond Green. Sem dúvidas ele está jogando muito, teve seu melhor ano defensivo da carreira e é o mais versátil defensor da NBA – o que é fundamental em um momento do jogo em que se exige que todos os jogadores façam de tudo em quadra. No entanto, acho que Rudy Gobert merece mais. O pivô francês é o grande responsável pelo Jazz ter a terceira melhor defesa da liga. Prova disso é que seu ‘defensive plus/minus’, que compara o impacto de um jogador na defesa quando está em quadra e quando está no banco, é o maior da NBA – o Golden State, dono da segunda melhor defesa, pode dividir melhor os méritos entre seus jogadores.

Rookie of the Year

Quem eu acho que merece ganhar: Dario Saric
Quem eu acho que vai ganhar: Dario Saric
Quem vocês escolheram: Joel Embiid

Joel Embiid é, sem dúvidas, o melhor jogador a estrear na NBA neste ano, mas acho injusto colocá-lo no mesmo balaio dos demais depois de ter treinado com seu time por duas temporadas. Além disso, suas restrições no tempo de jogo e a nova lesão fizeram com que ele jogasse pouquíssimos minutos no total. Saric, por sua vez, é o líder em pontos totais entre os jogadores que chegaram à NBA neste ano, além de ser o vice-líder em rebotes e assistências.

6th Man of the Year

Quem eu acho que merece ganhar: Eric Gordon
Quem eu acho que vai ganhar: Andre Iguodala
Quem vocês escolheram: Eric Gordon

Assim como o Houston Rockets, Eric Gordon teve um ano de retomada. Depois de várias temporadas sofrendo com lesões e diminuindo as expectativas que todos tinham sobre ele, finalmente Eric se encontrou como peça fundamental em um time que explore todos os seus talentos. Como James Harden é um combo guard intocável no time titular, Gordon faz muito bem o seu papel vindo do banco. Quando está em quadra, é o reserva que mais impacta o jogo.

Acho que Andre Iguodala vai acabar ganhando como um prêmio de consolação por ter sido preterido nos anos anteriores e por ter segurado a onda no período em que Kevin Durant ficou fora por lesão – e quando o Warriors emplacou sua maior sequência de vitórias na temporada. Pesa aqui também o fato do melhor momento de Gordon ter sido na primeira metade da temporada, enquanto Iguodala e Lou Williams, outro concorrente forte, terem crescido muito nas últimas partidas.

Coach of the Year

Quem eu acho que merece ganhar: Brad Stevens
Quem eu acho que vai ganhar: Mike D’Antoni
Quem vocês escolheram: Mike D’Antoni

Reconheço que a história mais empolgante da temporada seja a do técnico do Houston Rockets: pegou um time em baixa, mudou o estilo de jogar, o colocou entre os três melhores da conferência e ainda transformou seu melhor jogador em um potencial MVP. Como disse no ano passado, a combinação realmente era ótima. Mas eu relativizo um pouco o impacto de Mike por alguns motivos: o time do Rockets foi finalista do Oeste há dois anos, Harden já tinha sido ‘quase’ o MVP na mesma temporada e neste ano o time investiu no elenco. Ao meu ver, era um time já bom que foi reforçado e que apostou em um técnico bom que combinava com as características da equipe.

Acredito que Brad Stevens teve um trabalho mais importante. Na sua mão, Isaiah Thomas deixou de ser um armador que oscilava entre um bom pontuador e um jogador reserva para se transformar em uma estrela (e já não era mais um garoto). Jae Crowder e Avery Bradley também mudaram de patamar. Coletivamente, o Boston saiu do meio da tabela para se transformar em uma das melhores equipes da liga. E, por fim, roubou o primeiro lugar no Leste do Cleveland Cavaliers, algo impensável no início da temporada.

Most Valuable Player

Quem eu acho que merece ganhar: Russell Westbrook
Quem eu acho que vai ganhar: James Harden
Quem vocês escolheram: Russell Westbrook

Antes de qualquer coisa, qualquer jogador que vencer entre Russell Westbrook, James Harden, Kawhi Leonard e Lebron James vai ser merecedor do prêmio. Não é ‘ser sabonete’, mas é reconhecer que a temporada teve performances individuais absurdas, com alguns dos melhores jogadores da geração em seus auges. Mas a votação existe e só um deles sairá vencedor – ainda que exista o papo de co-MVP.

Esta votação, aliás, tem alguns vícios, algumas regras implícitas. A principal delas é a de que o MVP deve estar em uma equipe vencedora. Isso quer dizer, que o seu time tem que ser um dos melhores da temporada – historicamente, um dos dois melhores da conferência.

Acontece que os dois jogadores que mais chamaram a atenção ao longo do ano não estão em times tão bons assim. Harden levou o Rockets à terceira posição no Oeste e Westbrook chegou com o Thunder na sexta colocação. Mas até quanto esse costume é saudável para ser o fiel da balança em uma temporada tão atípica?

Ao meu ver, não é o melhor critério. O campeonato foi dominado por uma batalha estatística. Ambos quebraram dezenas de recordes. Ambos fizeram dezenas de doubles-doubles e triples-doubles (o que, pra mim, não deve ser o tira-teima também, já que as médias dos dois são muito parecidas).

Mas o meu critério vai ser o de quem foi ‘o dono’ da temporada. Neste quesito, acho que Russell Westbrook está um degrau acima de James Harden. Por mais que isso seja completamente subjetivo, é a ‘história da temporada’ que determina o MVP geralmente. A campanha de Stephen Curry ano passado foi surreal, mas foi o enredo que fez dele o primeiro MVP unânime, e não a sua supremacia sobre os demais. Neste ano, Westbrook teve os principais highlights e os game winners mais marcantes. Liderou viradas mais heroicas. Protagonizou a grande rivalidade da temporada (a treta com Kevin Durant) e mostrou que podia ser o dono do time.

Em uma disputa tão equilibrada, é o clima do campeonato que decide o meu voto – mas, em tempo, não acho nenhum absurdo Harden ganhar, já que até pouco tempo era ele o dono do meu palpite.

Acho, inclusive, que ele é que vai vencer a votação da NBA. Acredito nisso por todo aquele costume em votar no jogador de melhor campanha e pela forma como a eleição acontece – cada jornalista enumera um top 5 de jogadores e cada posição recebe uma pontuação. Nesse esquema, acho que muita gente vai colocar Kawhi em primeiro por estar no time com melhor posição na tabela. E a tendência é que estas pessoas coloquem Harden na segunda colocação. Na soma geral, Harden deve estar na primeira ou segunda colocação de quase todas as cédulas, enquanto Westbrook e Kawhi devem ficar em terceiro em vários rankings. Como já aconteceu em outros anos, acho bem possível que Westbrook seja o cara com maior número de votos como MVP, mas não termina na liderança da soma de pontos.

All NBA Team

Quem eu acho que merece ganhar:
(1) Westbrook/Harden/Lebron/Kawhi/Davis
(2) Curry/Thomas/Butler/Durant/Gobert
(3) Wall/Derozan/Giannis/Green/Gasol
Quem eu acho que vai ganhar:
(1) Westbrook/Harden/Lebron/Kawhi/Davis
(2) Curry/Thomas/Butler/Giannis/Gobert
(3) Wall/Derozan/Durant/Green/Towns
Quem vocês escolheram:
(1) Westbrook/Harden/Lebron/Kawhi/Davis
(2) Curry/Thomas/Giannis/Durant/Cousins
(3) Wall/Irving/Hayward/Green/Towns

Bom, como são muitos nomes, vou me justificar basicamente nas diferenças. Acho que o primeiro time é inquestionável, exceto pela dúvida se vão escolher Davis como pivô ou como ala, o que o faria cair para o 2nd All NBA Team.

Nos armadores, escolhi Demar Derozan para meu 3rd Team porque ele foi o cara do Toronto Raptors, quinto cestinha da temporada e deu conta do recado quando Lowry se machucou. Mais ou menos pelos mesmos motivos coloco Jimmy Butler no 2nd Team: foi a única coisa que se salvou de uma equipe completamente confusa. Gasol entra no terceiro time por ter tido alguns períodos espetaculares, como aquele mês em que o time inteiro do Memphis se machucou e ele venceu quase todos os confrontos sozinho.

Em junho a gente confere quem acertou o que!

A diferença entre a planilha e a quadra

Uma das poucas unanimidades no basquete diz respeito ao melhor jogador de todos os tempos. Uma boa maneira de comprovar essa sensação é evocar algumas estatísticas avançadas que medem a contribuição dos atletas em quadra. Ele é líder disparado nos índices de eficiência (PER), impacto ofensivo (ORTG), contribuições para vitórias no tempo que fica em quadra (Win Shares) e aproveitamento nos arremessos (True Shooting %). “Se os números não mentem”, não há como negar que Boban Marjanovic é o melhor jogador que já pisou numa quadra de basquete.

O problema aqui é que, na verdade, os números podem mentir, sim. Ainda que muita gente pense que eles são a ferramenta ideal para uma discussão objetiva, a verdade é que, como qualquer dado, informação e argumento, eles podem ser usados para nos confundir. Em um momento da NBA em que o uso das estatísticas está tão acessível, é bem comum que recortes sejam mal feitos e as discussões fiquem completamente contaminadas por eles, afinal, “contra fatos não há argumentos”.

Bom, por mais que Boban Marjanovic destroce Michael Jordan em todas estas estatísticas, é óbvio que o gigante sérvio não tem bola sequer para lamber os tênis do camisa 23. Aqui os motivos para a distorção estatística são bem óbvios: Boban jogou pouquíssimos minutos na liga (801 em dois anos), abaixo da linha do que pode ser sequer considerado, e sua amostra de tempo é minúscula, completamente incompatível com a discussão sobre os melhores jogadores da história (a título de comparação, Jordan jogou 40 mil minutos na NBA).

Foi foda achar uma foto boa do Boban porque ele quase não joga

No pouco tempo em que fica em quadra, Boban se aproveita dos seus 2,22 metros de altura para chutar todas as bolas que passam pela sua mão. Boa parte das vezes está em quadra com o jogo já decidido e enfrenta os piores reservas do rivais, o que infla seus números.

No entanto, nem sempre que a argumentação estatística entra em cena fica tão claro o que é relevante e o que não é, mas vale o alerta: forçar a barra ao evocar os chamados ‘números avançados’ é quase que uma regra.

Não que isso seja feito deliberadamente de má fé, mas na tentação de comprovar uma tese é comum se seduzir por aquela stat que parece comprovar que fulano é melhor que beltrano.

A corrida para MVP da temporada é um ótimo exemplo. Com performances individuais históricas, há números e argumentos de sobra para qualquer um que quiser eleger Russell Westbrook, James Harden, Kawhi Leonard ou qualquer outro como o melhor da temporada.

Não vou nem questionar o principal argumento da discussão, que diz respeito ao recorde de triple-doubles e a média de mais de 10 pontos, rebotes e assistências. Para começar, triple-double é apenas ‘o nome’ de um statline e, ainda que seja impressionante, não dá para dizer que isso é melhor do que uma média de 27 pontos, 11 assistências e 8 rebotes por partida – que é a média de Harden e que gera mais pontos para o time do que a média alcançada por Westbrook. As duas são insanas, históricas e ponto final. Pra mim, uma não vale mais do que a outra simplesmente porque uma se chama ‘triple-double’ e a outra não foi batizada ainda.

Vou mais no cerne da questão aqui do modismo dos analytics, que aprofundam a leitura rasa dos box scores e, em tese, medem melhor a colaboração de cada jogador em quadra – e são usados como fatos mais inquestionáveis pela turma.

Um deles é de que o San Antonio Spurs ficava com uma defesa mais vulnerável com Kawhi Leonard em quadra, ainda que ele seja indiscutivelmente o melhor jogador de defesa entre aqueles que disputam o prêmio de MVP. A cada 100 posses de bola em cada situação, o time sofre 106 pontos quando o ala está jogando e 98 quando ele está no banco. Este número, isoladamente, poderia ser suficiente para convencer alguém de que Kawhi, na verdade, não é um bom defensor. O que falta, no entanto, é explicar o contexto – os times tendem a isolar o jogador marcado por Kawhi, transformando boa parte dos lances em jogos de 4 contra 4, se aproveitando da inabilidade defensiva dos colegas de Leonard (Parker, Gasol, Lee e Aldridge ‘têm suas dificuldades’).

Na real, Kawhi é tão sobrenatural na defesa, que o simples fato dele estar em quadra faz com que os rivais desenhem um ataque inteiramente novo só para tentar diminuir seu impacto – e quando ele está no banco, os times abrem mão deste esquema.

Ainda sobre a defesa: Harden, que é considerado um dos marcadores mais relaxados da liga, é o líder em contestação dos chutes adversários na temporada. Ele foi o único jogador em toda a NBA que tentou defender mais do que mil arremessos adversários ao longo do campeonato. Os 1056 chutes de rivais marcados por ele são quase o dobro do que seu principal adversário na corrida para MVP, Russell Westbrook, que defendeu ‘apenas’ 579 arremessos.

Mas Harden não era uma mãe na defesa? Esse, inclusive, não era um dos argumentos para tirá-lo da briga pelo prêmio de melhor jogador (“afinal, uma partida é jogada dos dois lados da quadra”)? Bom, neste caso, os motivos da diferença brutal entre os dois podem ser vários: os rivais podem explorar a deficiência defensiva do barba e ‘buscar’ arremessar com a sua marcação, o Houston joga com um ritmo muito maior que os outros times, gera mais posses de bola e naturalmente seus jogadores terão números absolutos que os demais, Westbrook abriu mão da marcação de chutes para buscar rebotes ou até Harden pode não ser tão ruim defensor quanto os compilados maldosos de youtube sugerem. Enfim, mas definitivamente o volume de DFGA não é determinante para dizer se ele é melhor defensor do que os seus concorrentes.

No ataque, a principal crítica a Westbrook é que seus números são inflados pelo tempo que fica com a bola na mão, enquanto Harden seria mais eficiente em fazer o seu time jogar. Aqui, o número mágico evocado é que o armador do Rockets foi o líder em pontos feitos combinados com os pontos gerados a partir das suas assistências. No total, usando esse critério, o barba ‘criou’ 4540 pontos. Ok, é o líder da temporada, mas com apenas QUATRO pontos de vantagem perante Westbrook. Seria isso suficiente para dizer que um é mais solidário, envolve mais seus colegas e a partir daí definir o voto para MVP? Por favor…

Sem contar que o ritmo do Rockets é muito maior do que o do Thunder, o que favorece os números totais do Harden na temporada. Se levarmos em conta o número de pontos gerado por cada um deles em relação ao ‘pace’ de cada time, Westbrook toma a liderança de Harden.

Enfim, seria possível enumerar uma centena de argumentos furados. E todos eles poderiam ser contra argumentados com outros números fora de contexto. Não sou contra o avanço das estatísticas no jogo – elas nos ensinaram a enxergar coisas que o olhar viciado e ‘peladeiro’ não conseguia ver, mas qualquer estatística isolada pode ser tanto uma fotografia de um cenário, quanto o negativo dela.

Fica o alerta para não confiar cegamente em qualquer dado elaborado por aí. E o conselho para não usá-los como verdades absolutas, especialmente fora de contexto. No final das contas, não dá pra escolher o melhor jogador da temporada olhando somente para uma planilha cheia de números. É preciso confrontá-los com o que acontece em quadra. Afinal, é lá que o jogo é decidido.

O não tão seleto grupo do Hall da Fama

Tracy McGrady foi anunciado neste final de semana como o novo integrante do Hall da Fama do Basquete. Apesar de duas vezes cestinha da liga, sete vezes ser eleito para o All Star Game e para algum dos All NBA Teams, muita gente acha que dar a honra para um jogador que não teve praticamente qualquer conquista coletiva e que teve uma carreira relativamente curta seja uma concessão injusta. A mesma coisa aconteceu quando, no ano passado, Yao Ming ‘vestiu o paletó vermelho’ – como um jogador que teve oito temporadas apenas pode estar no mesmo grupo que os maiores da história?

Ainda que eu ache que tanto Yao, quanto T-Mac mereçam estar na lista de melhores do esporte de todos os tempos, entendo os questionamentos que muitos fazem sobre a facilidade que é ser escolhido. Não que seja tranquilo ser um jogador da NBA e etc, claro que não, mas jogadores ‘apenas’ muito bons acabam entrando no mesmo bolo dos lendários, o que pra muita gente é injusto.

Um exemplo que eu concordo que foi forçação de barra é Mitch Richmond. Beleza, foi um jogador bom, esteve na liga por uma porrada de anos, teve uma média excelente de pontos, foi All NBA por cinco anos seguidos, mas esteve longe de ser um mito. Mesmo no seu pico, não foi um jogador espetacular – para se ter uma ideia, o máximo que conseguiu atingir numa votação para MVP da temporada foi a 13ª posição.

Mitch está imortalizado com a gratificação mais importante do esporte do mesmo modo que Michael Jordan, Kobe Bryant, Jerry West e outros gigantes da posição.

Isso acontece porque a nomeação é baseada em critérios absolutamente subjetivos. As únicas exigências para que uma pessoa se torne elegível é ter parado de jogar, apitar ou comandar times há quatro anos ou estar envolvido com o esporte há mais de 25 anos. De resto, vai do gosto do comitê que escolhe.

Informalmente, existem duas marcas que garantem no clube: ter mais do que 20 mil pontos na NBA ou ter sido escolhido como All NBA por pelo menos seis temporadas. De todos os jogadores elegíveis que fizeram uma coisa ou outra, apenas Tom Chambers não foi escolhido para o Hall da Fama.

Em cada uma das listas, são cerca de 50 jogadores. Não bastando isso, ainda tem um monte de gente que é selecionada sem estar nem perto das duas marcas. Como Dikembe Mutombo, que ‘só’ foi três vezes da seleção do campeonato e teve pouco mais de 11 mil pontos na carreira, entre outros. Nisso, são mais de 170 jogadores que estão naquele que seria o grupo mais restrito de craques do basquete.

O ponto é que, ainda que signifique uma relativa banalização do prêmio, não dá para desconsiderar alguns fatores na eleição, que acabam ‘alargando’ seu filtro: popularidade, impacto na história de uma franquia, potencial, feitos fora da NBA e etc. São critérios que, mesmos que intangíveis ou alheios ao jogo jogado, fazem o esporte ser o que é e constroem a figura dos jogadores perante o público – ou seja, são de uma importância fundamental.

É o que sedimenta as escolhas de Yao ano passado e McGrady neste ano. Além de ter sido um excelente jogador enquanto teve saúde, o chinês foi o símbolo do atual movimento capilaridade global da liga. T-Mac, ainda que não tenha vencido nada e nem jogado por muito tempo, está lá pelo seu potencial, por ter sido a principal ameaça ao reinado de Kobe Bryant como jogador mais explosivo e letal do começo dos anos 2000.

Já são 50 e poucos anos assim e, no final das contas, nem é tão ruim que os critérios não sejam tão restritivos. O que importa é que os grandes, seja lá por qual motivo, estejam lá.

A polêmica corrida para Calouro do Ano

Não há dúvidas que o melhor jogador a estrear na liga nesta temporada foi Joel Embiid. Seus números foram excelentes, seu impacto é notório e sua personalidade é digna de todas as reverências.

Apesar disso, Embiid não é necessariamente o franco favorito para receber o prêmio de Calouro do Ano desta temporada. Ainda que nenhum estreante atual bata a marca dele de 20 pontos de média e 7 rebotes por partida, Embiid jogou com uma série de restrições de tempo. Entrou em quadra em apenas 31 jogos e por mínimos 786 minutos. Jogou menos de 20% do total de minutos do seu time no ano. Embiid foi excelente quando jogou, mas praticamente não jogou. Numa premiação que reconhece o melhor jogador de uma categoria em uma temporada inteira, o volume dos seus números são muito modestos.

Para se ter uma ideia, até hoje, o atleta que menos minutos jogou e ainda assim venceu o prêmio foi Kyrie Irving, que atuou por 1558 minutos na temporada de 2011-2012 – literalmente o dobro de Embiid. O que jogou menos proporções dos minutos da sua equipe foi Patrick Ewing, com 45% dos minutos do Knicks de 1985-1986. E o jogador com menor média de minutos foi Andre Miller, com 27 por partida – Embiid tem 25 minutos por jogo.

Mesmo que seja interessante o argumento de que Embiid foi ótimo em todos os minutos que jogou, conseguiu ser eficiente mesmo com pouco tempo de quadra, há o contraponto de que é mais fácil ser excelente por um curto período de tempo do que por um ano inteiro – e médias tendem a ser maiores com amostras menores do que com amostras mais robustas.

Este argumento fica um pouco mais concreto se a gente pegar apenas a melhor série de 31 jogos dos concorrentes de Embiid ao prêmio. Fosse assim, Dario Saric, colega de Embiid no Sixers, teria média de 16 pontos e 7 rebotes por partida (números consideravelmente mais impressionantes do que os 12 pontos e 6 rebotes que tem de média na temporada toda e bem mais próximos aos de Embiid). Malcolm Brogdon, armador do Bucks que está na disputa, também melhoraria seus números (somaria 2 pontos à média de 10 por partida e uma assistência em relação às 4 que já consegue por jogo).

Também sou meio reticente a premiar como calouro um cara que está na NBA, mesmo que sem jogar, desde 2014. Não me parece justo colocar no mesmo balaio um atleta que está desfrutando de toda a estrutura profissional de um time da liga há dois anos, treinando e aprendendo com o staff, convivendo com o grupo de jogadores, com outros, efetivamente calouros, que acabaram de vir da universidade ou da Europa.

Para quem acha que isso não faz diferença, basta comparar o corpo de Embiid quando foi draftado com o que ele tem hoje. Basta ver o tanto de treinamentos que ele teve nesse período – a ponto de virar uma piada. Neste ponto, me parece uma disputa injusta, como numa corrida entre um adolescente e um bando de crianças em que o primeiro não tem como perder.

O problema é que se riscarmos o nome do pivô do Philadelphia da lista, a disputa cai bastante de nível. Os já citados Saric e Brogdon parecem bons, mas nem se comparam a Embiid e aos jogadores que tradicionalmente ganham o prêmio. Além disso, suas médias totais da temporada figurariam entre as piores de um vencedor do prêmio de Rookie of the Year – em mais de 60 anos de NBA, só duas vezes em toda a história da liga o calouro premiado teve uma média de pontos inferior a 13 pontos por jogo, como ambos registram hoje, por exemplo.

Por tudo isso, a premiação de Calouro do Ano promete ser tão disputada quando a de MVP.

Revertendo a lógica dos MVP

Como em qualquer lugar, a NBA tem algumas convenções implícitas. Regras que não estão escritas em qualquer lugar, que não são oficiais e que mal são ‘regras’ efetivamente, mas, se olharmos em retrospectiva, são coisas que se repetem corriqueiramente.

É provável que a mais conhecida destas convenções trate do prêmio de Most Valuable Player (MVP) da temporada. Ainda que na prática seja a honra destinada ao melhor jogador da liga naquele ano, nem sempre é isso que acontece de fato. Via de regra, o ‘colégio eleitoral’ dos awards ~laureia o melhor jogador de um dos melhores times. Mesmo que alguém COMA A BOLA em uma equipe de meio de tabela, o eleito será algum jogador que teve um excelente ano em um time de excelente campanha.

Existem alguns pretextos para isso: o nome do prêmio de, numa tradução livre, Jogador Mais Valioso abre precedentes para que o escolhido seja o jogador ‘mais importante para uma caminha vitoriosa’ do que propriamente o melhor atleta da temporada; foi um critério que se moldou com o tempo, se consolidando nos anos 80, quando os melhores jogadores fatalmente estavam nos times de melhor campanha; e é dessa forma que hoje os jornalistas que votam se sentem ‘obrigados’ a votar.

Com isso, dos anos 80 para cá, somente UMA VEZ um jogador de um time fora do top 3 da sua conferência ganhou o prêmio. Em 1982, Moses Malone foi o segundo cestinha da temporada e o maior reboteiro, com médias de 31 pontos e 14 rebotes por partida. Além disso, teve sorte de pegar uma entressafra de talentos, com Abdul Jabbar já com seus melhores dias no passado e Larry Bird e Magic Johnson ainda em ascensão.

E somente em outras duas vezes um atleta que não estava entre os dois melhores foi eleito MVP. Ou seja, das últimas 37 temporadas, em 34 o cara estava em uma das duas melhores campanhas da sua conferência.

No entanto, as coisas vem se desenhando para que, ao final da disputa desta temporada, esta seja uma das poucas vezes em que esta lógica é revertida. Especialmente pelos desempenhos individuais espetaculares de Russell Westbrook e James Harden. Apesar de estarem em equipes que dificilmente figurarão entre as melhores do Oeste, já que Golden State Warriors, San Antonio Spurs e Los Angeles Clippers têm dominado a conferência, seus números são históricos. Mais do que isso, suas equipes, ainda que sem o sucesso necessário para ficar no topo da disputa, estão vencendo consideravelmente mais jogos do que perdendo e suas campanhas superam alguns prognósticos mais pessimistas do início do campeonato.

Excluindo três temporadas de Oscar Robertson, lá nos primórdios do universo dos anos 60, Harden e Westbrook são os únicos dois jogadores que ultrapassaram (por enquanto) uma média de 27 pontos, 11 assistências e 7 rebotes por jogo.

Em toda a história, só estes dois caras fizeram mais do que 20 pontos, 10 assistências e tiveram um índice de Usage Rating, que mede a participação do atleta nas jogadas totais do time, superior a 33%.

Se por um lado Russell Westbrook tem a seu favor números consideravelmente mais impressionantes que os de Harden – como uma média de triple-double – e a narrativa do abandono de Kevin Durant, o barbudo leva vantagem por ter uma campanha melhor por enquanto e também viver uma história curiosa digna de prêmio – de melhor pontuador da NBA a principal criador de jogadas da liga.

Histórias, números e trajetórias tão impressionantes que podem ameaçar candidatos mais tradicionais, como Lebron James, do soberano Cleveland Cavaliers, Kevin Durant, espetacular no Golden State Warriors, e Chris Paul, no ótimo Los Angeles Clippers. Não estivessem Russell e Harden tão sinistros, não poderiam sequer ser cogitados.

All NBA Teams não têm estrangeiros pela primeira vez neste século

Nesta semana a NBA anunciou as suas ‘seleções’ do campeonato, fruto da votação dos jornalistas que premiam o melhor jogador, melhor defensor e todos os outros ‘awards’ da temporada. Os três All NBA Teams são estes:

all nba teamPela primeira vez desde a virada do século nenhum dos três escretes conta com um estrangeiro sequer. O gringo que ficou mais próximo de figurar em uma das seleções foi o pivô dominicano Al Horford, que na votação geral ficou em 19º lugar, descontando a divisão por posições, a 27 pontos de entrar no 3rd All NBA Team.

Isso não quer dizer muita coisa, na real. Vale mais pela curiosidade mesmo. Nos últimos 15 anos sempre pelo menos dois estrangeiros estiveram entre os 15 selecionados e é inegável que cada vez a liga fica mais internacional.

O que aconteceu neste ano, acho, é que os estrangeiros mais estrelas estão envelhecendo (Nowitzki, irmãos Gasol) e os futuros craques ainda estão deixando as fraldas (Porzingis, Wiggins).

Se dá pra tirar alguma coisa disso é que a seleção americana vai estar absurda para as olimpíadas, mesmo com alguns desfalques confirmados. Mas, vá lá, isso também nem é novidade…

A diferença entre Leste e Oeste é gritante

No meio da temporada, a conferência Leste até conseguiu nos enganar um pouco. Fazia décadas que não acontecia de todos os classificados aos playoffs do Leste fecharem o ano com mais vitórias do que derrotas e a melhora de alguns times da conferência fizeram um pessoal acreditar que as coisas estavam mais equilibradas neste ano. Os playoffs mostram a besteira que esse pessoal falava – eu não caí nessa!

A diferença de percepção não ficava muito clara naquela época, mas com o afunilamento do campeonato a gente percebe melhor o quanto as campanhas, analisadas de forma despretensiosa, nos induzem ao erro.

Primeiro é preciso entender porque achávamos isso naquela época. Os times do Leste venciam mais do que estamos acostumados e, no total, eles tinham mais vitórias do que as equipes do Oeste. É uma maneira bem leviana de dizer que uma conferência é melhor do que a outra. Na época eu até alertei que as campanhas excelentes de Spurs e Warrios, com muitas vitórias sobre os times do Oeste, e as dragas do Sixers e Boston, com várias derrotas para os times do Leste, maquiavam a tabela de classificação.

Outro aspecto é que, de fato, alguns times do Leste evoluíram bastante. No entanto, isso nunca quis dizer que eles passaram a ser melhores que equipes do Oeste. Boston cresceu bastante, Miami evoluiu muito, Indiana teve a volta de Paul George e Detroit montou um time decente. No final das contas, a evolução ficava nítida se comparada ao desempenho dos rivais da mesma conferência e não aos times do Oeste.

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No Oeste, a treta alcança outro patamar

No entanto, era possível dizer que o desequilíbrio ainda existia somente olhando os elencos dos times. Exceto Cleveland Cavaliers, com Lebron e cia, e Miami, que outro time do ‘lado de cá’ conta com mais do que uma superestrela no auge da forma? Miami tem uma dupla excelente, mas em decadência. Toronto tem um bom, mas questionável duo. Indiana só tem Paul George. Carmelo, Millsap e Drummond são muito eficientes mas não tem uma companhia no mesmo nível.

Diferente dos principais times do Oeste. Curry e Green tem um elenco de primeira, Durant e Westbrook são a melhor dupla da NBA, Chris Paul/Blake Griffin e Kawhi/Lamarcus vêm logo na sequência. Além de uma multidão de outros excelentes jogadores espalhados por outras franquias.

A prova mais gritante disso é a votação para MVP deste ano: dos dez que receberam votos (cada jornalista votava nos cinco melhores jogadores do ano), oito caras defendem um time do Oeste. Nas discussões de 1st, 2nd e 3rd All NBA Team isso também vai ficar evidente, com certeza.

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Não quer dizer que o campeão será do Oeste, mas que dizer que para um time ‘do lado de lá’ ganhar o título, ele tem que ralar muito mais.

Por outro lado, são estas equipes que conseguem, ano após ano, angariar os maiores talentos. Os times do Oeste são mais fortes, conseguem chamar a atenção dos melhores jogadores (dão mais condições de lutarem pelo título, times mais competitivos) e assim continuam ainda mais fortes. É uma bola de neve que eu não sei como pode ser revertida, infelizmente.

Até que isso mude um dia, a diferença de qualidade vai ser gritante. Quase que uma primeira contra uma segunda divisão, mesmo que os números da temporada regular nos enganem.

Dos 129 jornalistas que votam os NBA Awards, só 3 são mulheres

A NBA divulgou ontem oficialmente que Stephen Curry foi eleito o MVP da temporada. A notícia já tinha sido adiantada pelo insider da ESPN Marc Stein na segunda-feira – e também não havia dúvidas de que o jogador seria eleito -, então nem tem muito o que dizer sobre o resultado em si. Ah, claro, foi unânime pela primeira vez em toda a história, mas já era de se esperar – há um mês escrevi porque Curry tinha que ser o único a receber votos para melhor jogador.

No entanto, olhando atentamente a lista em busca de alguma curiosidade ou bizarrice, notei que dos 129 jornalistas que participam das votações dos prêmios de final de temporada da NBA, apenas três são mulheres: Ramona Shelborne, que cobre o Lakers pela ESPN, Candance Buckner, que é a setorista do Indianapolis Star e Doris Burke, jornalista que compõe o time principal das coberturas ao vivo dos jogos também pela ESPN.

2013 NBA Finals - Game Five

Doris Burke é uma das três mulheres que votam para o NBA Awards

Não chega a ser surpreendente já que quando ligamos a TV para assistir um jogo os narradores e comentaristas são sempre homens. Na reportagem, eles também são a maioria esmagadora.

Institucionalmente, a NBA se diz simpática a um ambiente inclusivo – até promove há alguns anos uma campanha chamada #LeanInTogether, que inunda as transmissões oficiais dos jogos -, mas isso mostra como ainda há um longo caminho pela frente até que as coisas estejam minimamente equilibradas algum dia.

Não há dúvidas que a liga é vanguardista no assunto. A associação dos jogadores da NBA é presidida por uma mulher e a liga foi a primeira dos EUA a ter árbitras e auxiliares de treinadores mulheres. Mesmo assim, não parece suficiente para dizer que há espaço para elas na liga.

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