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Lendas Urbanas da NBA: Delonte West e a mãe de Lebron James

Nenhuma história está absolutamente imune das fantasias de quem as viveu e de quem as conta. Todo grande feito tem aquela pitada de exagero que faz dele algo quase sobrenatural. Que faz as conquistas deixarem o plano mundano e virarem algo épico. Faz parte. Elevando isso a outros patamares, eu tenho um fascínio especial por aquelas lendas urbanas que povoam o imaginário dos torcedores ao longo dos anos. Mais do que saber se Jordan estava mesmo com a cabeça explodindo de febre naquele jogo da final de 20 anos atrás, eu gosto das histórias que mostram toda a criatividade da turma, que alimentam teorias da conspiração e que, na maior parte das vezes, têm relevância zero para o jogo. E o melhor de tudo: nunca vamos saber se foram reais ou não, já que interessa mais a todos perpetuar as lendas do que esclarecê-las.

Aproveitando que não acontece absolutamente nada na liga neste período e preparando o terreno para o que está por vir (semana que vem começo a postar as previsões para a temporada, time a time), lanço uma série de cinco posts com lendas que cercam a NBA. Começo com uma clássica: o lindo caso de amor entre Delonte West e a mãe do seu colega de time Lebron James.

A história foi deflagrada durante os playoffs do Leste de 2010, logo após a eliminação do Cleveland Cavaliers diante o Boston Celtics. O time de Lebron e Delonte tinha sido a equipe de melhor campanha da conferência e o camisa 23 vinha comendo a bola, como de costume. A série chegou a estar 2 a 1 para o time de Ohio até que James estranhamente desmoronou tecnicamente em quadra e não conseguiu segurar a reação do Celtics, que fechou a disputa em 4 a 2.

A justificativa é que entre um jogo e outro Lebron descobriu o que supostamente todos sabiam em Cleveland: sua mãe Gloria estava desfrutando dos prazeres da carne com seu colega Delonte West.

Um blog soltou a notícia alguns dias após a eliminação do Cavs. O autor da postagem, Terez Owens, que se diz o número 1 em fofocas relacionadas a esportes, disse que sua fonte era um confiável rapaz cujo tio trabalhava na arena do Cleveland e conhecia todos da franquia. Segundo ele, James descobriu o romance antes do jogo 4 e ficou arrasado. O acontecido teria também dividido o vestiário do Cavs, destruindo a química do elenco.

Nenhuma das partes se pronunciou logo de cara e, como toda gozação pra cima de Lebron, a história cresceu. Diziam até que Dan Gilbert, dono do Cavs, confirmava o caso – apesar dele nunca ter se pronunciado publicamente sobre isso.

No final das contas, a única pessoa que deu a cara a tapa para dizer que rolava um affair entre Delonte e Gloria foi o ex-jogador do Houston Rockets e, na época, comentarista da ESPN Radio, Calvin Murphy, que não tinha absolutamente nada a ver com o Cleveland, West ou James – e tem em sua ficha corrida a acusação de ter abusado cinco das suas quatorze filhas que teve com nove mulheres diferentes…

Segundo o blogueiro que soltou a informação, Lebron James o processou pela história, mas a merda já estava feita: todo mundo atribuía a queda de rendimento de James e a eliminação do Cavs à história.

O contexto e o preconceito da turma só piorava as coisas. Delonte West era aquele maloqueiro assumido. Seu estilo podrão dentro e fora das quadras casam perfeitamente com a história. O papel de Gloria no enredo da vida de Lebron também reforçavam a fantasia da torcida mais troglodita, machista e intransigente: foi mãe solteira ainda na adolescência, criou o garoto prodígio sozinha e teria encontrado conforto nos braços de um novo bad boy. Era mais fácil acreditar nisso do que no vacilo em quadra do herói supostamente infalível.

A lenda esteve em alta ainda por um tempo considerável. Chegou ao nível de, com a saída de Lebron para o Miami Heat, justificarem a contratação de Delonte West pelo Boston Celtics como uma arma secreta para, em um eventual confronto nos playoffs, a presença do ‘padrasto’ intimidar James (o confronto existiu, mas o Heat saiu vitorioso com boas atuações de Lebron).

Alguns anos depois, Delonte West veio a público dizer que nada tinha acontecido, que a história não tinha pé nem cabeça e que nunca se envolveu com a mãe de Lebron.

O técnico do Denver Nuggets, Mike Malone, que na época era assistente do Cavs, também já deu sua versão sobre o caso, alegando que os números de Lebron nem caíram tanto na série e que a derrota tinha mais a ver com a casca dura do Celtics, com uma virada reveladora no jogo cinco e com uma lesão no cotovelo do então MVP do que com qualquer abalo psicológico de James.

Mesmo assim, a lenda resiste e muita gente vai viver e morrer acreditando que Delonte era o pai que Lebron nunca quis ter, mas teve.

Até quando Isaiah Thomas será rejeitado?

Nem que seja timidamente, nem que seja uma breve desconfiança, mas absolutamente todo mundo duvida ou já duvidou das capacidades de Isaiah Thomas. A rejeição ao seu tamanho, à sua defesa, ao seu jogo é uma tônica na sua carreira. A ameaça do Cleveland Cavaliers de voltar a troca e a atitude do Boston Celtics em ceder à pressão e juntar mais uma escolha de segundo round de 2020 ao pacote da negociação são apenas dois exemplos disso.

O que eu me pergunto é: o que Thomas precisará fazer para que a gente pare de desconfiar dele? Até quando faremos isso?

Que ele tenha sido a última escolha do draft, mesmo com números muito melhores nos três anos de universidade do que dezenas de outros armadores que tentaram entrar na NBA, é compreensível – seus 1,75 m podem sobreviver a um torneio universitário, mas parecem risíveis para uma liga de homens adultos.

Eu também entendo que, mesmo sendo uma grata surpresa nos dois primeiros anos na liga e ter sido o jogador mais produtivo da equipe na sua terceira temporada, o Sacramento Kings tenha escolhido trocá-lo por um calouro que nunca pisou numa quadra da NBA por acharque Thomas não era bom o suficiente para liderar a retomada da franquia – por mais que essa reviravolta ainda não tenha acontecido no time californiano e Isaiah tenha se tornado All Star e All NBA alguns anos depois.

Na época, não discordei e também não lembro de muita gente criticando o fato de Thomas ser reserva do Phoenix Suns, sua nova equipe, atrás de Eric Bledsoe e Goran Dragic, apesar de ter o maior Player Efficiency Rating (PER) de todo o time, ter uma pontuação quase tão boa quanto as dos titulares com quase 10 minutos a menos de jogo de média e ter um impacto ofensivo consideravelmente maior do que todos os titulares (maior Offensive Rating). Mesmo com estes números, o Suns se livrou dele para prestigiar Eric Bledsoe e para conseguir Brandon Knight – por mais que nenhum dos dois tenha conseguido jogar mais de 66 partidas em uma temporada e o Suns não tenha superado a marca de 24 vitórias em um ano desde então.

Muita gente também achou que era normal que Thomas fosse reserva do Boston Celtics, time que o acolheu, mesmo sendo o cestinha da equipe e mesmo que o time tenha se recuperado de uma campanha ruim desde a sua chegada (estava com 21 vitórias e 30 derrotas até a troca e teve 20 vitórias e 11 derrotas depois disso). Afinal, o consenso era de que Isaiah era bom, mas só para cumprir determinadas tarefas em quadra, para aproveitar a correria dos times reservas, para infernizar o final do jogo e não para ser o craque da franquia – por mais que já fosse.

(AP Photo/Elise Amendola)

Duas temporadas se passaram, Isaiah virou o favorito dos torcedores do Boston Celtics, se consolidou como o melhor jogador da equipe de melhor campanha na conferência, se confirmou como uma das mais letais ameaças ofensivas da liga e até demonstrou todo o seu comprometimento com o jogo ao entrar em quadra no mesmo dia da confirmação da morte da sua irmã mais nova em um trágico acidente de carro. Fez absolutamente tudo que se espera de uma estrela inquestionável. E mesmo quando era para ele nunca mais ser questionado, uma densa nuvem de dúvida segue pairando sobre sua cabeça.

Primeiro, o Boston Celtics abre mão do jogador por Kyrie Irving, o colocando em um pacote volumoso, em que, na cabeça dos executivos dos dois times envolvidos, foi preciso incluir Jae Crowder, um pivô calouro e uma valiosa escolha de primeiro round do ano que vem para que ‘as qualidades fossem equiparadas’ – por mais que Thomas tenha jogado muito mais que Irving na última temporada.

Depois, o Cleveland Cavaliers reclama que o ‘pack’ não foi bom o bastante, que Thomas pode estar bichado e que precisa de ainda mais contrapartidas para assumir o risco de ficar com o jogador – choradeira atendida pelo Boston, que envia mais uma escolha de draft.

Entendo que Thomas esteja machucado e não duvido que a lesão possa ser séria, mas é impressionante o tanto de vezes que Isaiah foi rejeitado, duvidado, questionado ao longo da sua carreira, mesmo que em absolutamente todas as oportunidades ele tenha provado que merecia um tratamento mais respeitoso. Tenha mostrado que sempre foi menosprezado injustamente.

Diante disso, não consigo imaginar o que ele precisa fazer para que finalmente um dia seja tratado como um jogador do quilate que é – o terceiro maior pontuador da liga, o nono mais preciso nos chutes, um dos doze all stars do Leste e um dos quinze all NBA da liga toda na temporada passada.

O lado bom disso, é que a desconfiança parece ser uma gasolina do jogo do armador. Que ele nos prove mais uma vez que todos estavam errados. E, se fizer isso, que seja a última vez que duvidemos dele.

Cavs pode barganhar na troca Irving-Thomas, mas não deveria tentar

É verdade que o Cleveland Cavaliers pode pedir uma revisão da troca que envolve Isaiah Thomas e Kyrie Irving se a saúde do armador que era do Celtics estiver comprometida – Isaiah está com uma lesão no quadril e, segundo exames médicos realizados pelo Cavs, seu rendimento poderia ser abalado nos próximos anos por conta do ocorrido. Segundo Adrian Wojnarowski, da ESPN, o time de Lebron James teria pedido mais jogadores para completar a negociação, sob ameaça de cancelar a troca.

O Cleveland pode, realmente, fazer este tipo de ameaça, mas não vejo mais do que um blefe irresponsável ou um boato mal contado. Mesmo que Thomas esteja baleado, o Cavs tem muito a perder cancelando o acordo. Por mais que ficar com um jogador machucado seja um pepino, seria um negócio ainda pior voltar tudo como estava uma semana atrás – e é isso que aconteceria caso o Celtics se recusasse a mandar Jaylen Brown ou Jayson Tatum, os dois jogadores que o Cavs sonha envolver no bolo.

Digo isso por vários motivos. Para começo de conversa, Kyrie Irving teria que voltar ao elenco ainda mais insatisfeito e deslocado. Como não há nenhum clima para ele ficar em Cleveland, o jogador teria que ser trocado por qualquer coisa. Se as propostas já eram ruins antes, agora seriam ainda mais indecentes. Seu valor de mercado seria ridículo se comparado ao seu basquete.

Fora isso, o time perderia elementos que fizeram da troca um achado surreal para a franquia do Ohio. Perderia um coadjuvante muito bom com um contrato sensacional (Jae Crowder), um prospecto que pode vir a ser interessante (Ante Zizic) e um ativo fundamental (escolha de primeiro round do Nets do ano que vem) diante da possibilidade da saída de Lebron James e a necessidade de se reformular por completo.

Por tudo isso que foi colocado no pacote por Irving, vale a dúvida quanto a saúde de Thomas. Se ele se recuperar bem, é uma troca inimaginável diante das circunstâncias. Se não, pelo menos é um jogador com apenas um ano de contrato.

No fundo, eu não duvido que tudo isso faça parte de um jogo do front office para abalar as pretensões de Isaiah buscar um contrato máximo na próxima offseason. Para a diretoria do Cavs é interessante que o armador chegue jogando, mas sem toda aquela moral perante o resto da liga – o que forçaria a franquia a abrir mão dele ou gastar tudo o que não tem para mantê-lo.

Tem quem cubra o Cleveland e diga que é mais ou menos por aí e que, na verdade, ninguém no clube queira pedir este ou aquele jogador a mais na negociação – pois sabe-se que há um risco de colocar tudo a perder.

Trocas envolvendo jogadores seriamente lesionados já foram canceladas em outras oportunidades, é verdade, mas em nenhuma destas vezes jogadores tão importantes estavam nestas negociações – e as situações dos dois times também não seriam tão profundamente afetadas por elas.

Ter Isaiah Thomas machucado em seu elenco não seria bom, mas arriscar voltar a troca seria ainda pior para o Cleveland.

O melhor troco possível por Kyrie Irving

É difícil fazer render uma troca quando uma estrela pede para sair do time. Por melhor que seja o cara, é complicado conseguir alguém que pague o preço que aquele jogador efetivamente vale. Desesperado com a possibilidade de desvalorização do seu ativo, o time até então dono do contrato do jogador geralmente acaba aceitando a proposta ‘menos pior’.

Era assim que se encaminhava o pedido de Kyrie Irving para ser trocado. O Cleveland Cavaliers sonhava com alguma coisa tipo Kristaps Porzingis, mas tinha em mãos algo mais parecido com Eric Bledsoe. Os trocos oferecidos eram tão indecentes que cogitava-se que o time de Lebron iria começar a temporada com Irving. Era melhor levar alguns meses de clima péssimo no vestiário do que desvalorizar o segundo melhor jogador do elenco. Diante do eminente enfraquecimento da equipe depois da saída de Kyrie, o abandono de Lebron James era considerado certo. E, daí, pronto: voltariam os anos de mediocridade do Cavs.

Eis que, do nada, a franquia se acerta com Boston Celtics, maior rival do Cleveland na conferência Leste, e consegue o impossível: negocia Kyrie Irving por um pacote que, pasmem, pode até MELHORAR o time. Estão nele Isaiah Thomas, Jae Crowder, Ante Zizic e a escolha do Brooklyn Nets do próximo draft.

Elsa/Getty Images

Mesmo no pior momento possível, o Cleveland conseguiu transformar Irving em um dos melhores armadores de toda a NBA, em um ala extremamente útil com um contrato excelente, em um pivô alguma coisa promissora e em uma escolha top5 da próxima seleção de calouros.

A troca de Irving por Thomas tinha sido ventilada há algumas semanas, mas descartada logo de cara por ser uma negociação muito difícil para o time de Ohio – o Boston Celtics se mostrou duro na queda nas possíveis trocas cogitadas ao longo dos últimos meses e parecia difícil que a equipe despacharia seu melhor jogador. Isso descontando a situação frágil em que o Cleveland se encontrava, como já descrito anteriormente.

Para o acerto do Cavs, eu imagino que o time melhora, apesar de Kyrie ser o melhor nome da troca. Isaiah é um dos melhores jogadores no ataque em toda a liga. Crowder tem o perfil do banco do Cleveland. A equipe ganha profundidade e versatilidade.

Isso tudo não quer dizer que o Boston piorou. Apesar de ser uma troca surpreendente, fica claro que o time partiu para uma nova fase, apostando em jogadores de renome.

Para a franquia, a troca de Isaiah resolve algumas dores de cabeça da direção. Thomas se tornaria free agent ao final da temporada e pediria um contrato máximo, o que praticamente descartaria qualquer possibilidade do Celtics tentar buscar mais alguma estrela no mercado.

Até Kyrie, que parecia que ia abrir mão de tentar vencer com o seu pedido maluco para sair do Cavs, se deu bem: será o melhor jogador de uma das melhores equipes da liga.

Mas, mesmo que agora conte com um time titular poderoso, ainda terá que bater o Cleveland Cavaliers, que, surpreendentemente, conseguiu, de uma maneira incrível, ficar ainda melhor.

Muitos egos para um só time

O pedido de Kyrie Irving para ser trocado surpreendeu a quase todo mundo. Eu, por exemplo, escrevi aqui que não conseguia entender a cabeça do jogador. Muita gente, assim como eu, ficou sem compreender nada. Mas, no fundo, não deveria ser assim. O fim traumático do relacionamento de estrelas que dividem o mesmo time é frequênte. Na verdade, é mais comum que supertimes terminem com cada um indo para um canto em uns três ou quatro anos do que eles irem se desmanchando naturalmente, sem ressentimentos.

O roteiro quase sempre segue a mesma linha: dois ou três jogadores se reúnem para tentar ganhar, os egos inflam, alguém fica decepcionado com a repercussão das coisas e os caras brigam. As principais histórias parecem uma versão realmente interessante daquela poesia: Penny Hardaway tretou com Shaquille O’Neal (no Magic) que tretou com Kobe Bryant (no Lakers) que tretou com Dwight Howard (também no Lakers) que tretou com James Harden (no Rockets) que agora se juntou a Chris Paul e sabe lá até quando estarão ‘de bem’.

Mas é bem isso mesmo. Shaq e Penny Hardaway formavam a dupla mais empolgante da NBA. Um era o jogador mais dominante do esporte, o outro era o principal candidato a substituir Michael Jordan – que tinha se aposentado pela primeira vez. Em três temporadas, o casamento acabou com O’neal forçando a barra para fugir do companheiro.

No time seguinte, foi a vez de Kobe Bryant, uma estrela emergente, dar o ultimato. Os dois venceram três campeonatos seguidos, mas no último deles a situação já estava insustentável. A dupla ainda se manteve junta por mais duas temporadas, mas não resistiu à derrota para o Detroit Pistons – quando estavam acompanhados de Karl Malone e Gary Payton numa parceria que deu errado para todos os envolvidos.

Anos mais tarde, Kobe também não aguentou a união com Dwight Howard. Mesmo machucado, o jogador infernizou o pivô – que não tem a melhor cabeça do mundo – até o final da temporada. Resultado, na temporada seguinte Dwight saiu praticamente fugido de Los Angeles para Houston, encerrando uma parceria que foi anunciada como a ‘nova dinastia do Lakers’.

No Rockets, Howard também passou perrengue. Na última temporada, com o time implodindo, Harden e o pivô não conseguiam mais conviver. Parecia que nenhum dos dois mais queria jogar, só queriam, em quadra, mostrar que o motivo do insucesso do time era a presença do outro no elenco.

Mas os casos vão além dessa ciranda: Stephon Marbury não quis mais jogar com Kevin Garnett no Timberwolves, Ray Allen se desentendeu com o restante da turma em Boston, Sottie Pippen e Charles Barkley não se aguentavam mais em Houston… Todas as parcerias começaram muito bem, se diziam muito promissoras (algumas até de fato deram resultados excelentes), mas em algumas temporadas simplesmente evaporaram em meio à guerra de egos.

Levando em conta o principal motivo que faz com que estes caras se reúnam – ganhar um título -, a dissolução do Cleveland Cavaliers atual deveria ser ainda menos impressionante. O time já foi campeão em condições bem desfavoráveis, valorizando a conquista de cada um – Kyrie Irving especialmente, já que foi o autor da cesta do título.

Uma vez que a missão tenha sido cumprida, nada mais segura o jogador junto aos outros. No máximo, a sede por outros títulos – que pode ser menor do que a vontade de ser o melhor jogador em outro time, tomando outros ares. Em um cenário em que o roubo do título do Golden State Warriors parece uma tarefa cada vez mais difícil, é bem plausível que estes caras precisem de outras motivações para jogar.

Pela frequência tão intensa de desavenças entre estrelas é de se louvar supertimes que duraram mais do que a média. Não é comum times ficarem quase uma década juntos, como Los Angeles Lakers e Boston Celtics dos anos 80. Ainda que ambos tenham enfrentados alguns problemas de relacionamentos (Magic foi fritado pelos colegas no começo da sua carreira e Cedric Maxwell chegou a fazer a coisa desandar no Celtics em determinado momento), os núcleos principais de cada time conseguiram resistir ao tempo.

O mesmo dá para dizer do Chicago Bulls dos anos 90, que era uma bomba relógio ambulante, mas que conseguiu conter os ânimos dos jogadores por um bom período – talvez a grande virtude de Phil Jackson, técnico do time na época.

No momento, o Golden State Warriors é o grande exemplo. A exceção que confirma a regra. Não só Klay Thompson, Draymond Green, Andre Iguodala e companhia toparam manter os papéis de coadjuvantes de Stephen Curry em nome de uma sequência de temporadas vitoriosas, como Kevin Durant, uma estrela ainda maior, se juntou ao time – e sempre que pode, enaltece o clima entre os jogadores.

O quanto essa lua de mel vai durar é uma incógnita, mas ao que tudo indica a relação está saudável o suficiente para que não seja possível imaginar um desmanche no time, como é o que parece que vai acontecer com o Cleveland Cavaliers e que tantas vezes já rolou ao longo da história.

A fuga para o Oeste é a chance dos times do Leste

Ao que parece, boa parte dos bons jogadores que foram trocados ou assinaram contratos com novos times correram para jogar na conferência Oeste. O titular do All Star Game do ano passado e um dos selecionados para o terceiro All NBA Team deste ano, Jimmy Butler, é a principal novidade do Minnesota Timberwolves. Também estrelar e outrora ‘segundo melhor jogador da conferência Leste’ Paul George foi para no Oklahoma City Thunder. Paul Millsap, discreto porém eficientíssimo e All Star nos últimos quatro anos no Leste, assinou contrato com o Denver Nuggets.

Além das mudanças mais significativas, confirmam esta tese Chris Paul, Jrue Holiday e Blake Griffin, que poderiam mudar de ares (e fuso horário), mas preferiram continuar ‘do lado de lá’ do mapa. Sem contar, claro, nos inúmeros jogadores bonzinhos, médios e médios-pra-ruins que fizeram a troca e congestionaram o Oeste americano, como PJ Tucker, Jeff Teague e Patrick Patterson.

De relevante no movimento contrário, apenas Gordon Hayward trocou o Utah Jazz pelo Boston Celtics. No mais, são todos jogadores do calibre de JJ Redick pra baixo – úteis, mas nada que reequilibre a ordem das coisas.

Na teoria, isso significa que os times do Oeste estão se reforçando: Rockets adicionou mais uma estrela (e boatos dão conta que pode ter Carmelo Anthony ainda), Timberwolves virou uma força, Thunder reforçou o apoio a Westbrook e Spurs deu mais profundidade ao elenco com Rudy Gay. Além disso, Clippers conseguiu repor peças, Kings e Suns mostram alguma evolução e Grizzlies tenta rejuvenescer.

Apesar de achar que o Golden State Warriors ainda é, de longe, o time mais forte da liga e que nenhuma destas negociações chegue a formar um time tão talentoso quanto o atual campeão, acredito que este movimento, na prática, seja benéfico para as maiores potências do Leste. Na verdade vou além: acho que pode ser essa a grande chance de Cleveland Cavaliers e Boston Celtics ameaçarem o reinado do Warriors.

Meu raciocínio é o seguinte: nas condições atuais, a menos que uma macumba muito braba pegue de jeito o Golden State, o time tem pouquíssimas chances de ser vencido por qualquer time. Uma das chances mais reais, ao meu ver, seria se o melhor time do Leste conseguisse chegar à final da NBA com o mando de quadra a seu favor. Com o fortalecimento dos rivais do Oeste e míngua dos times do Leste, isso pode perfeitamente acontecer.

(Winslow Townson-USA TODAY)

É de se esperar que, fora Raptors, Wizards e, talvez, Bucks, os demais times não sejam lá grandes coisas para realmente tirar vitórias, de uma maneira geral, dos dois principais times do Leste. Knicks, Nets, Pacers, Bulls e Hawks estão formando times para levar porrada. Magic e Sixers devem levar bastante chumbo ainda. Pistons, Hornets e Heat devem descolar playoffs, mas não me surpreenderia se tivessem campanhas negativas ou bem próximas do 50% de aproveitamento. Com isso, projetando classificação em um exercício puro de especulação, seria natural que os melhores times do Leste tivessem um acréscimo considerável nos seus números de vitórias – já que times das mesmas conferências jogam o dobro de vezes entre si.

Por outro lado, é de se esperar que o Warriors tenha um declínio no seu número total de vitórias enfrentando uma concorrência muito mais bem armada dia sim, dia não. Neste raciocínio esperançoso por uma competição mais imprevisível, também dá para supor, mesmo que sem base alguma, que o Warriors relaxe um pouco mais na sua corrida de temporada regular (seria a quarta perto da casa das 60 vitórias!).

Para que um dos times do Leste o passasse, seria necessário que nenhum deles entrasse no modo de piloto automático – como fez o Cavs no ano passado, entregando a primeira posição para o Celtics nas rodadas finais.

Ok, assumindo que é possível que um time da outra conferência, mesmo sendo consideravelmente pior do que o Warriors, termine na sua frente, defendo que isso pode ser decisivo para que este mesmo time mais fraco aumente bastante as suas chances de bater o GSW numa série de playoffs com o mando de quadra a seu favor.

Para começar, existe uma vantagem histórica que dá uma boa sustentação a isso. Na temporada regular, o time da casa vence 60% dos jogos. Conforme a competição avança, a vantagem de jogar no seu ginásio é mais visível. Nos playoffs, o time que joga em seu território vence dois a cada três jogos. Nas finais, são três a cada quatro.

Além disso, dá para tirar como base as últimas finais em que Golden State e Cleveland se enfrentaram. Era esperado um confronto consideravelmente equilibrado neste ano, mas as duas lavadas aplicadas pelo Warriors nos primeiros jogos, em casa, fazendo valer o mando, afundaram as pretensões do time de Lebron James e Kyrie Irving. Mais do que o 2 a 0, parecia que não havia competição e que seria necessário um esforço descomunal para que a vantagem do GSW fosse revertida.

Fosse outra a ordem dos jogos, era possível que a série começasse com pelo menos uma vitória para o Cavs, mesmo que o Warriors fosse bastante superior, o que daria uma cara diferente ao confronto – fazendo com que ele fosse até mais competitivo dali em diante.

Não há nenhuma garantia, claro, mas é uma chance das coisas serem um pouco mais equilibradas enquanto o Warriors tiver um time tão sobrenatural. Por mais que seja uma sucessão de fatores que transitam entre a vontade de uma zebra e a possibilidade real (Golden State vencer menos jogos, Cavs ou Celtics ganharem mais, que a diferença seja suficiente para que o mando seja revertido e que isso seja realmente relevante na final), é um que inegavelmente influencia o jogo.

Só falta que cada um faça a sua parte do combinado.

Não desista: ainda há motivos para assistir as finais de conferência

As finais de conferência não podiam estar mais desinteressantes. No Oeste, o Golden State tem passeado em quadra desde a lesão de Kawhi Leonard, que não deve jogar hoje a noite, facilitando as coisas para o time californiano fechar a série em quatro partidas. No Leste, o Cleveland Cavaliers aplicou duas lavadas monumentais fora de casa e ontem deixou escapar mais um jogo ganho. Para piorar, o Boston Celtics não terá mais Isaiah Thomas, machucado.

Por mais que pareça uma perda de tempo parar para assistir duas séries que não estão nada competitivas, ainda há algo em jogo em cada uma delas.

Possível despedida de Manu Ginóbili – O argentino até agora não anunciou se vai se aposentar ou se volta para mais uma temporada. Ainda que algumas das últimas atuações lembrem o craque multi-campeão pelo Spurs, Manu completa 40 anos daqui dois meses e discrição da sua participação ao longo da temporada sugere que vai ser difícil o jogador enfrentar mais uma maratona de 82 jogos no campeonato que vem. Ele já se despediu da seleção e o jogo desta segunda tem boas chances de ser o último dele na NBA.

Show de Kevin Durant/Stephen Curry – A dupla de scorers do Golden State Warriors tem sido espetacular nos playoffs, especialmente na série contra o Spurs. Na primeira partida, ambos somaram mais de 70 pontos para virar um jogo que parecia perdido. Nos dois confrontos seguintes, cada vez um apareceu para acabar com a partida.

Quem será útil ao Boston ano que vem? – Um dilema toma a direção do Boston Celtics para o ano que vem. O time é excelente, tem bons jogadores para todas as posições, mas praticamente só tem uma estrela de fato – não que seja pouco, mas não é o suficiente para fazer frente aos supertimes que dominam a liga hoje. Os últimos jogos da temporada podem servir como uma peneira para definir quem será útil na próxima temporada e que papel cada jogador poderá ter. Jaylen Brown, por exemplo, tem ganhado espaço com uma defesa disciplinada e ousadia no ataque. Marcus Smart foi fundamental na única vitória do time na série, colocando em cheque o quanto mais um armador vai poder contribuir para a franquia.

(David Liam Kyle/NBAE via Getty Images)

Lebron James persegue Michael Jordan – Pode não valer mais nada, mas cada vez que Lebron James entra em quadra nos playoffs pode resultar em uma performance histórica ou render em uma jogada lendária. A aura de jogador decisivo e vencedor vem se confirmando neste ano. É neste mata-mata, também, que Lebron tem alcançado Michael Jordan em alguns atributos – já passou em roubadas de bola e está a poucos jogos de superar em pontos.

Super Kevin Love – O ala-pivô do Cleveland Cavaliers já vinha recuperando sua melhor forma técnica ao longo da temporada, com performances comparáveis aos seus tempos de Minnesota Timberwolves, mas no mata-mata Love está especialmente bem. Este deve ser o último jogo em que ele vai atuar com alguma liberdade de ação no perímetro, já que contra o Warriors a marcação de Kevin Durant e Draymond Green deve ser implacável. Uma boa oportunidade para emplacar uma statline gorda.

[Previsão dos Playoffs] Final do Leste: Celtics x Cavaliers

Jogo 1 – Qua.  17 de maio,  Cleveland @ Boston, 21h30 (Sportv)
Jogo 2 – Sex.  19 de maio,  Cleveland @ Boston, 21h30 (Sportv)
Jogo 3 – Dom. 21 de maio,  Boston @ Cleveland, 21h30 (Sportv)
Jogo 4 – Ter.  23 de maio,  Boston @ Cleveland, 21h30 (Sportv)
Jogo 5 * Qui. 25 de maio,  Cleveland @ Boston, 21h30 (Sportv)
Jogo 6 * Sab. 27 de maio, Boston @ Cleveland, 21h30 (Sportv)
Jogo 7 * Seg. 29 de maio,  Cleveland @ Boston, 21h30 (Sportv)

Temporada regular: Cavaliers 3 x 1 Celtics

Palpite: Cavaliers em 5

A tarefa do Boston Celtics é dura. Para bater o favoritaço Cleveland Cavaliers, o time precisará vencer seu desgaste físico, parar a artilharia pesadíssima de fora do Cavs, finalmente superar algum rival na briga pelos rebotes e, acima de tudo, segurar Lebron James.

Parece cruel colocar tantos empecilhos para o avanço do líder do Leste, mas hoje parece óbvio que o Cleveland Cavaliers ficou em segundo lugar, abrindo mão do mando de quadra, para preservar seus atletas, com a crença de que bateria qualquer rival do Leste com o time inteiro. O Boston, que estava na cola, aproveitou a deixa – mas não tem todo o cacife do time de Ohio.

O primeiro ponto é que o Celtics vem de uma série muito desgastante contra o Washington Wizards. Não foram simplesmente sete partidas, mas foram todos jogos com muita luta, contra um rival muito mais forte fisicamente. Agora, enfrenta um time que não joga há mais de uma semana – o que talvez nem seja tão benéfico para o Cleveland quanto ao ritmo de jogo. Com apenas um dia de folga, o cansaço pode pesar, espacialmente numa série de playoffs em que os titulares costumam ficar mais tempo em quadra do que a média do restante do ano.

O Boston também precisa definir uma estratégia para parar o Cavs nos chutes de fora. O time de Lebron tem média de 14 cestas de três por jogo nessa pós-temporada e registra o melhor aproveitamento, acertando 49% das tentativas. Mais preocupante ainda, é que tem atiradores de todas as posições, tamanhos e características. Se o Celtics tem capacidade de sobra na defesa do perímetro, pode encontrar sérias dificuldades para marcar Kevin Love e Channing Frye, por exemplo.

E mesmo que consiga fazer cair este aproveitamento, será necessário proteger melhor o aro e recuperar mais bolas com rebotes. O Boston pega apenas 70% dos rebotes de defesa disponíveis ao longo dos jogos de mata-mata, a pior performance entre todos os times dos playoffs. Tristan Thompson, pivô do rival, por sua vez, é o segundo jogador que mais pega bolas de arremessos errados do seu próprio time. Atrás apenas de Robin Lopez, pivô do Bulls que deu muito trabalho ao Celtics.

Por fim, mesmo que tudo isso seja contornado, é preciso anestesiar o ímpeto de Lebron James. Isoladamente, não seria uma tarefa impossível – a defesa do time é boa e tem jogadores excelentes para isso, como Jae Crowder e Marcus Smart. O problema é fazer isso sem sacrificar todo o resto, sem concentrar absolutamente todos seus esforços nesta missão. E com a mínima brecha, Lebron é imparável. Sua versão nos playoffs, então, é histórica.

O Celtics é um time que tem um ataque eficiente, tem um craque em Isaiah Thomas e outros jogadores, como Al Horford e Avery Bradley, jogando o fino. Mas contra o time de Lebron, isso não deve ser o suficiente.

Um cara chamado Kelly

Não é muito comum que um cara se chame Kelly. Apesar de ser um nome unissex, da origem do nome ser masculino (segundo uma pesquisa no google), a maioria esmagadora das pessoas chamadas Kelly são mulheres (5 para cada 1 homem, mais precisamente).

No basquete, então, os Kelly são uma minoria. Apenas quatro deles pisaram em uma quadra da NBA. Kelly McCarty, que jogou expressivos dois jogos e quatro minutos pelo Denver Nuggets; Kelly Tripucka, que jogou por 10 anos e mais de 700 jogos, mas que na real se chamava Peter Kelly; Kelly Oubre, ala do Washington Wizards; e Kelly Olynyk, pivô do Boston Celtics e herói da classificação do time para a final da conferência Leste.

Mas não é só o nome que faz de Olynyk uma figura absolutamente estranha para o universo da NBA. Kelly é canadense. Apesar de um conterrâneo seu ter criado o basquete, o pessoal ‘do outro lado do muro’ não tem uma tradição de muito sucesso na liga de basquete que o Canadá divide com os EUA. Em toda a história, 29 canadenses jogaram na NBA. O melhor deles, Steve Nash, nasceu na África do Sul e é um canadense ‘importado’. O segundo mais famoso foi Ricky Fox, ala do Los Angeles Lakers de Kobe Bryant e Shaquille Oneal que é a definição do jogador coadjuvante. Aliás, sua carreira fora das quadras, como ator, é quase mais notável do que a sua participação como atleta.

O visual de Kelly Olynyk também não é dos mais dominantes no universo do basquete – seja na NBA, nas ruas ou em qualquer canto do mundo. Cabelos loiros no ombro, branquelo, faixa na cabeça, cara de cavalo, olhos claros… Olynyk tem mais estilo de personagem do filme do Adam Sandler do que de atleta profissional.

Mas apesar das chances de um cara chamado Kelly, canadense, com aquela cara, aquele estilo, jogar na NBA com algum sucesso serem mínimas, ontem foi ele, com todas estas características improváveis, que definiu a partida em favor do Boston Celtics. Foram 26 pontos em 28 minutos que esteve em quadra. 10 arremessos certos de 14 tentados. Mais do que todo o banco do Wizards. Aliás, mais do que o banco do Wizards multiplicado por cinco – os reservas do Washington foram muito mal! Mais do que John Wall, mais do que Avery Bradley.

É difícil de acreditar, mas aconteceu. E Kelly Olynyk está na final da conferência Leste.

A loteria mais importante dos últimos anos

Hoje é o dia mais interessante do calendário dos playoffs para os torcedores dos times que não se classificaram para o mata-mata. É hoje que acontece a loteria do draft, que define a ordem das escolhas dos calouros que entrarão na liga na próxima rodada. E desta vez, mais do que as demais, a loteria vai atrair todas as atenções do mundo da bola laranja: a safra de novos jogadores promete ser uma das melhores em muitos anos.

Outro fator importante desta loteria é que muitos dos times que têm boas chances de pegar as primeiras são equipes de tradição e que estão demonstrando uma evolução animadora. Philadelphia 76ers, Los Angeles Lakers e Phoenix Suns podem estar a um craque do acerto do elenco. Boston Celtics, outra franquia ultra popular, tem as maiores probabilidades, já que tem os direitos do Brooklyn Nets.

Primeiro, entenda como é o dito sorteio. O modelo é um pouco complicado, um globo com 14 bolas numeradas sorteia uma sequência de quatro números. Cada time tem um um número total de sequências (quanto pior a campanha, mais sequências o time tem). O time que for ‘dono’ daquela sequência fica com a primeira escolha. Isso é refeito para definir a segunda e a terceira escolha do draft. Impossível entender, né?

Uma analogia para facilitar as coisas: é tipo um sorteio da ‘mega sena’ em que cada time tem uma determinada quantidade de apostas. O Celtics, que tem a escolha do pior time do ano passado, tem 250 bilhetes com apostas diferentes. Suns, segundo pior, tem 199 e assim vai até o Heat, time com menor probabilidade, que tem só 5 bilhetes. Sorteiam uma sequência entre mil possíveis, o vencedor fica com a primeira escolha. Na sequência são feitos novos sorteios para definir o segundo e o terceiro colocado. Do quarto em diante, é a ordem natural de pior para melhor campanha, excluindo aqueles que já foram sorteados. Desta forma, por exemplo, o Celtics fica garantidamente com uma escolha top4, porque na pior das hipóteses não será sorteado entre os três primeiros, mas fica com a melhor escolha dos que restam.

Além disso, alguns times fizeram trocas passadas e mesmo com uma péssima campanha suas escolhas pertencem a outras franquias. É o caso do Brooklyn Nets, que cedeu sua escolha para o Boston Celtics por causa de uma troca feita em 2013. Apesar de ter ficado com a pior campanha, é o Boston Celtics que vai escolher um jogador no seu lugar. Entre os times da lottery, o New Orleans Pelicans é outro que negociou sua escolha, já que cedeu sua pick na troca que levou Demarcus Cousins ao time da Louisiana. O time só mantém sua opção de escolher um calouro se ficar entre os três primeiros.

Aliás, o Lakers é outro time que pode perder sua escolha caso não fique no top3. Por causa da troca que levou Steve Nash ao time californiano, caso o LAL fique com a quarta escolha em diante, a pick vai para o Sixers. Levando em conta as odds, o Lakers tem ‘apenas’ 46,9% de chance de manter a sua escolha. No ano passado isso já poderia ter acontecido se o time não ficasse entre os cinco primeiros, mas ficou e garantiu a escolha de Brandon Ingram.

Além de mexer com os sentimentos de algumas das maiores torcidas da NBA, a turma de calouros deste ano promete ser absurdamente talentosa. Markelle Fultz, Lonzo Ball, Malik Monk, De’Aaron Fox e Dennis Smith são armadores titulares em potencial, para ser conservador. Jayson Tatum, Jonathan Isaac e Josh Jackson são demais jogadores que carregam expectativas gigantes. Ao todo, oito jogadores de alto impacto potencial logo de cara – um volume bem incomum em qualquer draft.

Por tudo isso, o destino de muita gente e de muitos times pode mudar hoje. Tudo na conta da sorte.

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