Tag: Bulls (Page 1 of 2)

Butler e a troca de status de Bulls e Wolves

Não sou do tipo de cara que se empolga muito com o draft. Nessa época do ano, parece que os 60 jogadores selecionados terão alguma influência nos times pelos quais foram escolhidos – quando, na verdade, uma boa parte sequer acaba jogando por estas equipes e apenas alguns do grupo terão algum impacto no meio ‘dos adultos’. Mas eu gosto quando acontecem trocas, especialmente quando jogadores excelentes são envolvidos. Ontem, para a minha alegria, Jimmy Butler, All Star titular, All NBA e um dos melhores jogadores da posição, foi trocado pelo Chicago Bulls para o Minnesota Timberwolves.

A negociação faz com que os times quase que automaticamente invertam os papéis na liga: a chegada de Butler deve ser o gatilho para que o Minnesota finalmente brigue na parte de cima da tabela e o troco recebido pelo Bulls é a esperança de que a franquia se reinvente para os próximos anos.

Desde que Tom Thibodeau foi anunciado no Timberwolves, Jimmy Butler já era sondado para se mudar para o meio-oeste americano. Foi sob o comando de Thibs que Butler se tornou o Most Improved Player da NBA em 2015, por exemplo. E com um primeiro ano em que o técnico penou para construir uma defesa sólida – sua marca característica -, alguma coisa precisava ser feita.

O Wolves, então, escolheu tentar vencer agora. Abriu mão de dois talentos auxiliares ao seu núcleo principal de Andrew Wiggins e Karl Anthony Towns para buscar algum atleta que já estivesse em seu auge. Que pudesse chegar e ajudar a equipe já, tanto no ataque, quanto na defesa.

(Gary Dineen/NBAE via Getty Images)

Na hora de decidir o que devia abrir mão, com certeza pesaram algumas coisas: mesmo com toda a má vontade da franquia com Ricky Rubio, Kris Dunn não conseguiu se mostrar mais eficiente que o espanhol; a melhora dos resultados do time depois da lesão de Zach Lavine; e a impossibilidade da franquia em draftar Jonathan Isaac, seu sonho de consumo na sétima posição – o jogador foi escolhido pelo Orlando Magic na sexta pick.

Agora, o Timberwolves tem um dos dez melhores quintetos titulares da NBA, facilmente, com Rubio, Butler, Wiggins, Dieng e Towns e não tem mais desculpas para não se classificar aos playoffs, mesmo na conferência Oeste. É um time com futuro, mas com possibilidades reais de bons resultados para já.

O Chicago Bulls, por sua vez, desistiu de vez de tentar qualquer coisa a curto prazo. Apostou na reconstrução. A princípio, parece que o time abriu mão da sua estrela por um trocado não muito valioso – boa parte da torcida achou que foi uma cagada, em português claro. Não foi. Dentro das possibilidades, o Chicago saiu com um núcleo jovem e comprovadamente talentoso.

É claro que ninguém ali se compara a Jimmy Butler e nem deve render o que o jogador rendia em um futuro próximo, mas há boas oportunidades de evolução em várias frentes.

Zach Lavine tem se mostrado um jogador muito bom. Ninguém assiste jogos do Timberwolves e, quando assiste, Wiggins e Towns são naturalmente os jogadores mais vistosos, mas Lavine é um excelente chutador de três pontos, tem uma capacidade atlética impressionante e recursos técnicos para ser um two-way player de destaque na liga. Com mais tempo com a bola na mão e envolvimento na rotação, não é difícil imaginar que ele emplaque logo uma temporada de 20 pontos por jogo.

Kris Dunn pode não ter tido um ano muito animador na sua estreia, mas vale lembrar que no momento do draft ele era considerado um dos jogadores de maior potencial da turma – o melhor defensor, principalmente. Agora, com um time  quase que só para ele, as coisas podem deslanchar.

Para completar, o Bulls pegou o jogador que, a princípio, tem o melhor chute deste draft. Lauri Markkanen é o retrato do pivô que os times procuram: alto, esguio e com range para arremessar de qualquer lugar da quadra. Uma aposta que não tem como não ser útil.

Claro que é frustrante para a torcida perder seu melhor jogador com a pretensa promessa de que as coisas melhorarão no futuro. Pode não dar certo mesmo, é verdade, mas não me parece que Chicago tivesse outra escolha. O time podia manter Butler por mais um ano e descolar uma oitava vaga sofrida nos playoffs, mas sem qualquer chance de ir além, só adiaria o processo de dar um passo atrás para tentar dar outros à frente.

A troca de Butler faz os times trocarem de status. O Chicago, que ano passado montou um trio para tentar ter resultados imediatos, assume o posto de franquia em evolução, que aposta em uma reconstrução a longo prazo. O Timberwolves, por sua vez, pula algumas etapas do seu processo, abre mão de alguns talentos futuros para tentar alguma coisa já nesta temporada.

A offseason está animada – mais do que a média – e é provável que mais times façam o mesmo, reconfigurando os papéis de cada um para a próxima temporada.

O maior arremesso de todos: The Shot

Há 28 anos, Michael Jordan fazia a cesta mais importante da sua carreira até aquele momento. Faltavam três segundos para acabar o jogo, o Chicago Bulls estava um ponto atrás no placar do último jogo da série de primeiro round contra o Cleveland Cavaliers. Jordan corre para receber o lateral entre dois jogadores rivais, bate bola até a cabeça do garrafão e salta para o chute com um segundo restando no relógio. Num movimento meio Dadá Maravilha, MJ parece que plana por uma fração de tempo, ‘retarda’ sua queda ao chão para ganhar espaço e arremessa no último centésimo antes de seu pé tocar a quadra novamente. Acerta o arremesso e faz a ÚNICA cesta da história no estouro do cronômetro em um último jogo de uma série eliminatória.

Por todo esse drama, este é conhecido como The Shot, ‘O ARREMESSO’, com uma ênfase brutal no artigo definido que explica que este é o chute mais importante já convertido – mais até que aquele que o mesmo Jordan meteu sobre Byron Russell contra o Jazz, já que aquele podia ser errado que o Bulls teria mais um jogo para tentar o título caso perdesse a partida.

É muito comum que o Chicago Bulls de Jordan hoje seja lembrado como um time super dominante e quase invencível. Foi mesmo a partir do momento que venceu seu primeiro título em 1991. Mas até lá, a franquia e o próprio Jordan eram bastante contestados, por uma suposta falta de capacidade de definição de jogos e vencer partidas importantes. ‘The Shot’ foi um grande marco para que esta impressão começasse a mudar.

Em 1989, Boston Celtics, Los Angeles Lakers e Detroit Pistons ainda eram os grandes times da liga. Chicago e Cleveland eram duas equipes emergentes que buscavam bater os rivais mais vencedores do momento. Na temporada regular, o Cavs, por sua vez, tinha vencido todos os seis jogos contra o Bulls e terminado o campeonato com a terceira melhor campanha no Leste – o Chicago ficou com a sexta.

Neste ano, as duas equipes-sensação da temporada se enfrentaram logo no primeiro round dos playoffs (que na época era uma série de cinco jogos). O jogo anterior já tinha ido para a prorrogação Jordan tinha feito 50 pontos, mas o Bulls havia sido derrotado – confirmando a tese na época de que Jordan era um jogador com marcas individuais impressionantes, mas falhava como um vencedor.

Na derradeira partida, veio a resposta num confronto de equilíbrio foi brutal. A três minutos do final, o jogo estava empatado em 90 a 90 e teve uma dezena de trocas de liderança até o apito do cronômetro. Jordan, que terminou com 44 pontos a partida, fez 6 nestes últimos minutos de jogo. Craig Ehlo, reserva do Cavs, vinha se transformando no herói improvável da partida, com 24 pontos, 8 deles nos últimos três minutos e uma cesta a 4 segundos do final da partida. Mas, coitado, ao invés de entrar para a história por isso, ficou marcado por ser o cara que tentou bloquear o arremesso derradeiro de Jordan – e aparecer nas milhões de reprises se lamentando, enquanto Michael Jordan dava o soco no ar mais famoso do basquete.

Um problema de garrafão

É emblemático que o melhor jogador do Boston Celtics, seja um dos menores jogadores da histórica da NBA. Isaiah Thomas não tem muito a ver com isso, mas a falta de poder do time verde dentro do garrafão tem sido decisiva para que o Chicago Bulls tenha aberto 2-0 na série inicial dos playoffs – fora de casa!

Para o delírio dos torcedores ‘old school’, que sempre lamentam que hoje o jogo se resume a um campeonato de três pontos, a série está sendo definida lá embaixo da cesta.

A deficiência do Boston Celtics em, especialmente, defender o seu aro e recuperar rebotes defensivos já era conhecida. O time tem poucos jogadores de garrafão com algum talento para guardar a cesta – Al Horford é o único que se salva – e já era, de longe, o time que menos pegava rebote a partir dos arremessos dos adversários. Nos dois primeiros jogos da série, essa fraqueza está transformando Robin Lopez no improvável melhor jogador da disputa. Só ontem, ele recuperou 5 rebotes no ataque, alguns deles em jogadas decisivas, que sacramentaram a vitória do Chicago.

Para completar, Jimmy Butler e Rajon Rondo, dois jogadores de perímetro, também são excelentes reboteiros para suas posições. Com isso, o Bulls já recuperou 22 rebotes a mais do que o Celtics em duas partidas. Na proporção de ‘rebotes ofensivos disponíveis’, o Offensive Rebound Percentage, o Chicago vem tendo uma considerável vantagem de 38% a 26% do Boston.

Para piorar, o aproveitamento nos chutes do Boston não está compensando (os times estão praticamente empatados no quesito) e a segunda unidade da equipe está sendo atropelada pelos reservas de Chicago.

Para quem lembra, foi mais ou menos assim que o Oklahoma City Thunder derrotou o San Antonio Spurs no ano passado, brigando muito lá embaixo e recuperando todas os arremessos errados possíveis. É uma tática que demanda talento, força física e uma certa ousadia, uma vez que orientar muita gente do time para isso, expõe a defesa para contra-ataques – recurso que o Boston tem de sobra, mas não tem conseguido usar.

Não acho que a série já esteja decidida, apesar de ser apenas a segunda vez na história que um oitavo colocado abre 2-0 contra um líder de conferência e do Bulls ter três jogos em casa precisando vencer só dois para fechar a série. Acho que o Boston tem muito talento e organização para se superar.

No entanto, o elenco do Celtics é bastante jovem e já está sentindo a pressão do ‘blowout’. Ontem mesmo os jogadores já tretaram com a torcida e se perderam em quadra em alguns momentos. O contraste fica ainda mais nítido diante de veteranos super rodados do Bulls como Wade e Rondo.

Daqui pra frente, as coisas precisam mudar para o Celtics. Ou a equipe será mais uma a entrar para história dos playoffs da pior maneira possível, como um dos pouquíssimos times que foram eliminados logo de cara para o oitavo colocado.

[Previsão dos Playoffs] Primeiro round do Leste

Agora vamos ao que interessa. Depois de seis meses de uma maratona quase que infinita de jogos, ‘o campeonato de verdade’ começa neste sábado. Confira aqui os dias dos jogos, os retrospectos dos confrontos ao longo da temporada e um breve palpite do que pode rolar ao longo da série:

1º Boston Celtics x 8º Chicago Bulls

Jogo 1 – Dom.  Abril 16  Chicago @ Boston, 20h30
Jogo 2 – Ter.  Abril 18  Chicago @ Boston, 20h
Jogo 3 – Sex.  Abril 21  Boston @ Chicago, 19h
Jogo 4 – Dom.  Abril 23  Boston @ Chicago, 19h30
Jogo 5 * Qua.  Abril 26  Chicago @ Boston, a definir
Jogo 6 * Sex.  Abril 28  Boston @ Chicago, a definir
Jogo 7 * Dom.  Abril 30  Chicago @ Boston, a definir

Confrontos na temporada regular: 2 x 2

Palpite: Celtics em 5 jogos

Os dois times vêm de temporadas absolutamente opostas: enquanto o Boston conseguiu ‘roubar’ a primeira posição do Cavs no Leste de maneira minimamente surpreendente (um segundo lugar era bem plausível, mas a liderança não era uma aposta segura), o Chicago enfrentou sérios problemas ao longo de todo o ano e só conseguiu a última vaga para os playoffs no desempate com o Miami Heat.

Ainda que estranhamente o Bulls tenha um retrospecto muito bom contra os melhores times da NBA – e o Celtics está neste grupo -, não imagino que possa acontecer uma zebra aqui. O Boston enfrentou suas maiores dificuldades contra times que contam com um garrafão forte ofensivamente, o que é praticamente a antítese do Chicago. Exceto Isaiah Thomas, o time verde tem alguns dos melhores marcadores de perímetro e tem boas chances de anular a única válvula de escape confiável do rival, Jimmy Butler.

Numa série de vários jogos seguidos, a capacidade do técnico tende a ficar mais evidente e até hoje não existe qualquer indício de que Fred Hoiberg tenha um talento comparável ao de Brad Stevens.

2º Cleveland Cavaliers x 7º Indiana Pacers

Jogo 1 – Sab.  Abril 15  Indiana @ Cleveland, 16h
Jogo 2 – Seg.  Abril 17  Indiana @ Cleveland, 20h
Jogo 3 – Qui. Abril 20  Cleveland @ Indiana, 20h
Jogo 4 – Dom. Abril 23  Cleveland @ Indiana, 14h
Jogo 5 * Ter. Abril 25  Indiana @ Cleveland, a definir
Jogo 6 * Qui. Abril 27  Cleveland @ Indiana, a definir
Jogo 7 * Sab. Abril 29  Indiana @ Cleveland, a definir

Confrontos na temporada regular: 3 x 1

Palpite: Cavaliers em 4

É verdade que provavelmente o Cavs está no seu pior momento da temporada e o Pacers em seu melhor. Verdade também que o Indiana tem talento bruto acima da sua posição da tabela. E, por último, também é real que Paul George é uma máquina que cresce em momentos de decisão. Mesmo assim, acho que o time de Nate McMillan não tem organização e defesa suficientes para parar o Cleveland.

Pelo que se viu ao longo dos últimos jogos da temporada regular, quando Lebron e companhia querem jogar de verdade, o time é outro, bem mais parecido com aquele dos playoffs passado do que com este que tem perdido uma pancada de jogos fáceis.

Já que não tem muita chance do Indiana passar, a expectativa fica por conta do duelo George x James, com o tempero das encheções de saco de Lance Stephenson.

3º Toronto Raptors x 6º Milwaukee Bucks

Jogo 1 – Sab.  Abril 15  Milwaukee @ Toronto, 18h30
Jogo 2 – Ter.  Abril 18  Milwaukee @ Toronto, 20h
Jogo 3 – Qui. Abril 20  Toronto @ Milwaukee, 20h
Jogo 4 – Sab.  Abril 22  Toronto @ Milwaukee, 16h
Jogo 5 * Seg.  Abril 24  Milwaukee @ Toronto, 20h
Jogo 6 * Qui. Abril 27  Toronto @ Milwaukee, a definir
Jogo 7 * Sab.  Abril 29  Milwaukee @ Toronto,  a definir

Confrontos na temporada regular: 3 x 1

Palpite: Raptors em 7

Para falar bem a verdade, dizer que essa série vai para sete jogos é mais um desejo do que um chute. Acredito que o Raptors tem experiência e talento de sobra para superar o Bucks recheado de novatos na pós-temporada.

O grande trunfo do Milwaukee na temporada é que Giannis é muito difícil de se marcar. Mas o Toronto é uma equipe que está vacinada contra isso: tem excelentes defensores em todos os cantos da quadra, especialmente Kyle Lowry, PJ Tucker e Serge Ibaka.

O único problema que eu vejo no time canadense é a falta de tempo de jogo do seu quinteto mais talentoso, já que Tucker e Ibaka chegaram no meio da temporada, justamente quando Lowry se machucou. O time terá que se acertar com o pau comendo, o que é um risco.

4º Washington Wizards x 5º Atlanta Hawks

Jogo 1 – Dom.  Abril 16  Atlanta @ Washington, 14h
Jogo 2 – Qua.  Abril 19  Atlanta @ Washington, 20h
Jogo 3 – Sab. Abril 22  Washington @ Atlanta, 18h30
Jogo 4 – Seg. Abril 24  Washington @ Atlanta, 21h
Jogo 5 * Qua. Abril 26  Atlanta @ Washington, a definir
Jogo 6 * Sex. Abril 28  Washington @ Atlanta, a definir
Jogo 7 * Dom. Abril 30  Atlanta @ Washington, a definir

Confrontos na temporada regular: 3 x 1

Palpite: Wizards em 6

Eu gosto do time do Atlanta, ainda confio em Dwight Howard e amo Paul Millsap, mas acho que o Washington demora no máximo seis partidas para nocautear Hawks. O Wizards encontrou uma formação muito eficiente para jogar contra times médios nesta temporada – que é o caso do Atlanta – e só deve enfrentar maiores dificuldades quando o rival estiver em uma noite atipicamente inspirada.

O maior problema pro time da Geórgia é que não tem como parar a dupla de armadores do Washington. Dennis Schroder não tem cacife para parar Wall ou Beal. Jose Calderson e Malcolm Delaney, seus reservsa, idem. Para isso, terá que abrir mão do poder de fogo e abusar de Thabo Sefolosha, Kent Bazemore e Taurean Prince, bons defensores. Enfim, a capacidade do Hawks para esse matchup é um lençol curto sem solução.

Por último, torço muito por um confronto entre Washington e Boston, uma das maiores rivalidades da NBA atual, na próxima fase.

Amanhã posto os palpites do Oeste!

Alguém vai sobrar

São três times e apenas duas vagas. Isso para ser definido em apenas um jogo. A rodada final da temporada regular, nesta quarta-feira, vai ter ares de decisão de campeonato para Indiana Pacers, Chicago Bulls e Miami Heat.

Os três times jogam em casa e os dois primeiros, Pacers e Bulls, precisam vencer para se garantir entre os oito melhores do Leste. O Heat, além de fazer o seu papel, precisa secar um dos rivais para retomar um posto no mata-mata.

Cada um dos times vai enfrentar um drama para tentar se garantir nos playoffs.O Miami Heat, a princípio, é o que tem o pior cenário por depender do revés de um dos outros dois. Por outro lado, é o time que, de um modo geral, enfrenta menos pressão: com uma equipe completamente desmantelada, maior parte das pessoas dava como certo que a franquia só faria figuração nesta temporada. O time encontrou um monte de jogadores com muita vontade de jogar e Erik Spoelstra definiu um modelo de jogo que fez o time emplacar uma sequência de vitórias digna dos melhores times do campeonato – só o Warriors emplacou um ‘streak’ mais longo. Só estar ali disputando alguma coisa até o final da temporada já é um puta feito da equipe.

Tem a vantagem de jogar contra o Washington Wizards, que não luta por mais nada na última rodada – ainda que empate com o Raports, perde no critério de desempate.

Em condições levemente mais favoráveis, encontra-se o Chicago Bulls. O time joga em casa contra a equipe mais desprezível da NBA na atualidade, o Brooklyn Nets, que tem apenas 20 vitórias na temporada. O grande problema aqui é que o histórico do Bulls contra times ruins é péssimo – enquanto a campanha contra as equipes boas é positiva. Quer dizer que, só por causa disso, o time vai perder? Claro que não, mas o retrospecto deve servir de alerta.

Por fim, o Indiana Pacers enfrenta o Atlanta Hawks, que vem de uma boa sequência, já está garantido no mata-mata e é bem provável que não ofereça muitas resistências. O grande lance aqui é o Pacers emplacar uma vitória com o que tem de melhor – o time entrou na temporada com expectativas em alta, mas viveu uma montanha-russa ao longo da competição, sem a menor consistência ao longo do ano. Este jogo, aliás, terá transmissão da ESPN!

Dado o momento dos times e tudo que Jimmy Butler e Paul George têm jogado, o meu palpite é que Miami vai pagar o pato. Acho que os três times vencem suas partidas finais, com Indiana garantindo a 7ª colocação e Chicago a 8ª, com uma campanha exatamente igual a do Heat, mas com o time da Florida perdendo no desempate. Vale ficar de olho!

Quase todo piti é exagerado

Parece que é combinado. A um mês da data limite para trocas, jogadores de times ruins, estrelas de franquias que lutam pelo time e atletas renegados soltam o verbo manifestando suas insatisfações. Semana passada foi emblemática: Lebron James, Dwyane Wade, Jimmy Butler e Rajon Rondo abriram a boca para reclamar de algo.

É legítimo e não teria problema nenhum se fosse feito de outra forma. O problema é a maneira que muitos jogadores tentam resolver as coisas: dando piti publicamente pela mídia.

Antes de qualquer coisa, eu faço a ponderação que a gente não sabe o que é tratado internamente. Pode ser que nos meses que precedem o desabafo para a imprensa sejam de intensa negociação com comissão técnica, front office e colegas de time. Realmente, não temos como saber.

Mesmo assim, acho irritante essa choradeira toda. Na maioria esmagadora das vezes me parece mais um sintoma de alguém que está tentando transferir a sua responsabilidade do que de um sujeito que quer realmente solucionar algo.

A começar por Lebron James. É o maior GM informal da liga. Força a barra para o time assinar com seus camaradas, para que demita o técnico, para que o elenco se reforce. OK, é um status adquirido. Mas não é exagero chorar por um armador reserva como se isso fosse a coisa mais fundamental do planeta quando o front office do Cavs é uma extensão direta das suas vontades?

Detalhe que o time já se sujeita a se reformular inteiro para buscar Kevin Love no Timberwolves, a assinar contratos de um ano com ele mesmo para garantir equipes competitivas todas as temporadas e a renovar seus colegas de time (JR Smith e Tristan Thompson, clientes do seu mesmo empresário) por fortunas. O que mais ele quer?

Além do que o Cleveland Cavaliers é uma equipe que já tem um dos elencos mais fortes da liga em uma conferência em que a franquia tem a confortável condição de levar em ritmo de cruzeiro. Se Lebron tem razão em fazer isso, todos seus concorrentes do Leste teriam o mesmo direito.

Não é porque o time não tem o veterano que Lebron quer na armação que o time perdeu para o Sacramento Kings e para o New Orleand Pelicans sem Anthony Davis.

Dwayne Wade é outro que não está lá muito em condições de jogar seus colegas aos leões. Depois de uma derrota, falou que só ele e Jimmy Butler jogam no time do Bulls, que só os dois se importam com os resultados das partidas, jogando toda a responsabilidade dos recentes resultados ruins nos jovens jogadores do Bulls.

Nos dias seguintes, os seus colegas comentaram que Wade não era uma presença muito constante nos treinos do time e Butler, que endossou as críticas do veterano, fez sua pior partida da carreira com apenas uma cesta em 13 arremessos tentados – duas coisas que também não são lá muito exemplares pros demais.

Rajon Rondo, por sua vez, jogou merda no ventilador ao postar nas suas redes sociais que exemplos de verdade eram os seus veteranos no tempo de Boston Celtics, que não procuravam a imprensa para expor seus colegas e resolviam seus problemas internamente e na quadra. No caso dele, não que ele esteja muito preocupado com o sucesso do Bulls, mas possivelmente viu na treta toda uma possibilidade de recuperar os minutos perdidos na rotação ou melar o ambiente de vez e forçar uma troca para um time onde tenha mais espaço.

Todos estes caras são escolados, sabem que qualquer peido fora de hora vira uma bomba. Uma declaração dessas não é um descuido. É uma jogada premeditada. Mas dificilmente tem resultados práticos mais eficientes do que os estragos causados dentro do time.

Não vejo um armador veterano e sem time sendo tão útil assim para o Cleveland Cavaliers no momento, que vá fazer muito mais do que os caras que estão por lá já fazem. Não imagino o Chicago Bulls dando uma virada brutal daqui em diante. Tenho certeza que se Rondo for pra outro time, não vai assumir a titularidade de uma equipe vencedora e retomar o status de estrela.

No fundo, é só um bando de marmanjo chorando diante de uma dúzia de microfones.

Sim, eles sabem arremessar

O jogo estava 101 a 99 para o Bulls e, em uma bola espirrada para a zona morta, Dwayne Wade encaçapou uma bola de três pontos a 26 segundos do final do jogo, dizimando qualquer chance do Boston Celtics vencer a partida. Foi um cala boca geral. Não só pelo chute em si que deu a vitória ao Chicago na estreia do jogador pela equipe, mas por o que aquela cesta representava: com uma atuação impecável nos chutes de longe, Rondo, Wade e Butler mostraram que podem, sim, arremessar de fora.

Havia uma desconfiança geral – minha, inclusive – de que o time estaria limitado a jogadas individuais, penetrações e ‘iso’ dos seus principais jogadores. Todas as críticas quanto à montagem do elenco se concentravam nesta deficiência dos jogadores. Isso porque o trio nunca foi muito afeito a chutar bolas de trás do arco e, sempre que Rondo, Butler e Wade tentaram fazer isso em grande escala, tiveram aproveitamentos ruins.

O desempenho na estreia, no entanto, contrariou o retrospecto. Somados, eles acertaram 9 de 14 arremessos de três pontos, com impressionantes 64% de aproveitamento.

w768xh576_gettyimages-618675380

Para se ter uma ideia da evolução do desempenho, na carreira, os três geralmente acertam menos do que a metade do que acertaram ontem. Wade, por exemplo, fez quatro cestas do tipo no jogo, enquanto na temporada passada inteira, em 74 jogos, ele fez sete.

Me parece claro que houve uma recomendação para que os três arriscassem os arremessos sempre que encontrassem uma oportunidade – especialmente Butler e Wade. Se eles mostrarem consistência nestas jogadas, é uma tática inteligente, que torna o ataque do Bulls bastante imprevisível.

Foi só a estreia, mas foi surpreendente.

[Previsão 16/17] Bulls: um trio sem três

Eu poderia replicar o post que eu fiz no momento em que Dwyane Wade assinou com o Chicago Bulls dizendo que seria muito estranho ver este time jogar. O ponto principal é a falta de hábito e habilidade dos três jogadores titulares da armação ou laterais da equipe em chutar de três, justamente em um momento em que a liga toda converge para arremessar o máximo possível de trás do arco.

A última vez que eu disse isso, apareceu um monte de gente me xingando, falando que eles sabem, sim, arremessar de longe e blablabla. Infelizmente essa turma está enganada. Óbvio que EVENTUALMENTE Rondo e, principalmente, Butler e Wade acertam seus chutes. Que em um jogo ou outro esquentam a mão e saem com um bom aproveitamento. Mas esse não é o negócio deles. Pelo menos não no nível de perfeição que a liga joga atualmente.

dwyane-wade-li-ning-way-of-wade-4-bulls_cdjqio

No ano passado, os três juntos acertaram 133 chutes de três – sozinhos, 30 jogadores conseguiram fazer mais cestas do que o trio somado. Em aproveitamento, Rondo teve 36% e Butler 32%, números abaixo do aceitável para um chutador razoável de fora. Wade, então, foi risível, com 16% de acerto.

O time não se resume a isso, claro. Afinal, os três têm inúmeras outras qualidades (visão de jogo acima da média, capacidade defensiva de primeira e etc) e o Chicago tem outros jogadores que podem arremessar de longe (Mirotic, McDermott, Valentine), mas jogar desta forma é contrariar uma das principais tendências da NBA atual.

E mesmo achando estranho, não tenho certeza se é bom ou ruim. É diferente, um experimento, digamos, interessante. Para os saudosistas que amam o basquete dos anos 90, é até um time a se simpatizar, já que o trio vai abusar dos chutes longos de dois pontos e quebrar o pau no garrafão com várias infiltrações.

Offseason
O verão do Bulls também foi estranho. Quando se livrou de Rose, Noah e Gasol, parecia que um rebuild forte viria pela frente. A tendência seria apostar em jogadores jovens e tentar transformar a franquia para o futuro. Não foi o que aconteceu. O time assinou com o veterano Dwyane Wade, que apesar da idade ainda é capaz de liderar uma franquia aos playoffs, e com o armador Rajon Rondo, que já não está mais no seu auge, mas ainda tem alguma lenha para queimar.

Time provável
PG – Rajon Rondo / Jerian Grant
SG – Dwayne Wade / Denzel Valentine
SF – Jimmy Butler / Doug McDermott / Tony Snell
PF – Nikola Mirotic / Bobby Portis / Taj Gibson
C – Robin Lopez / Cristiano Felicio

Expectativa
A chegada de Wade e Rondo, aliada a troca por Robin Lopez, deve dar um gás para o Bulls voltar aos playoffs. Não vejo o time sofrendo para se classificar, mas também não considero como um dos favoritos para o título no Leste.

 

Parceria entre C&A e NBA é uma boa para os fãs

Chega nesta quinta (22) às lojas da C&A a nova linha popular de produtos da NBA, fruto de uma parceira entre as duas marcas. A princípio são alguns modelos de camisetas, regatas e bermudas temáticas que estarão à venda por preços bem mais baixos do que as tradicionais camisas dos times.

Os modelos são nessa linha (da pra ver todos no site da C&A):

cea

Aparentemente, as bermudas variam de R$ 70 a R$80, as regatas saem por R$ 70 e as t-shirts ficam por R$ 40. Uma boa alternativa às camisas vendidas por R$ 200 e cacetada.

Há peças do Miami Heat, Golden State Warriors, Los Angeles Lakers, Cleveland Cavaliers, Chicago Bulls, Brooklyn Nets e New York Knicks, que são algumas das franquias mais populares por aqui.

Independente de você gostar ou não dos modelos (particularmente achei as camisetas legais, as bermudas mais ou menos e as regatas meio amadores demais), só de ter estes produtos originais à disposição e a um bom preço já é um grande avanço. É mais uma prova (além dos Global Games, loja da NBA no Rio e etc) de que a liga americana está de olho no tamanho e na assiduidade do mercado brasileiro.

Se o resultado comercial for bom, certamente NBA e outras marcas pensarão em novas ações e parcerias para o público brasileiro – além da mesma parceria entre C&A e liga render peças de outros times. Bacana, não?

Felicio mostrou que tomou a decisão correta

Há pouco mais de um mês, Cristiano Felicio abdicou da sua convocação para as olimpíadas para ficar nos Estados Unidos treinando e jogando pelo time do Chicago Bulls na Summer League. Um mês depois,  campeão e um dos destaques da competição, Felicio mostrou que tomou a decisão correta quando abriu mão dos jogos olímpicos.

Basicamente o que um jogador busca ao entrar em quadra nos torneios de verão é ganhar moral com seu time e a comissão técnica. Felicio é o jogador que possivelmente mais tirou proveito disso neste período.

Ele e Bobby Portis foram os jogadores que mais se destacaram no time que venceu a Summer League de Las Vegas, com a diferença que Portis já tinha contrato de calouro garantido e foi titular em uma boa porção de jogos do Chicago na temporada passada – para ele, o torneio era só uma confirmação do seu status como jovem revelação.


Já Felicio era um cara que parecia que seria usado pelo Bulls na próxima temporada, mas que teria que demonstrar muita evolução e dedicação para subir na rotação. Lembrando que ele não tem o hype dos jogadores universitários e é só mais um do bolo de pivôs do time – a ponto de escreverem seu nome errado na camisa em uma das partidas.

Com o desempenho excelente – confirmado por um aproveitamento absurdo nos chutes e uma boa porção de rebotes -, me parece óbvio que ele estará na rotação do time, mesmo que com uma participação modesta.

Na seleção, por outro lado, Felicio até seria útil, mas não seria páreo para a experiência e calibre internacional de Nene e Varejão. Ficar um mês no Brasil treinando para não ser uma peça fundamental e ainda perder a chance de garantir seu lugar na NBA – o primeiro passo da sua carreira na liga – seria pedir demais para o garoto.

Em tempo, também não seria justo pedir para que ele se juntasse ao grupo agora, como vi em alguns lugares. Este é o tipo de concessão que se faz a um fora de série, que mudaria a forma do Brasil jogar. Não é o caso de Cristiano. Seria uma falta de consideração com seus colegas de seleção – alguns, inclusive, que treinaram e foram cortados.

No final das contas, a escolha foi a ideal para Felicio e pode ser a melhor pra o Brasil, que precisa tanto de uma renovação e que vai contar com um jogador mais gabaritado para as próximas competições

Page 1 of 2

Powered by WordPress & Theme by Anders Norén