Tag: Cavaliers (Page 1 of 7)

A fuga para o Oeste é a chance dos times do Leste

Ao que parece, boa parte dos bons jogadores que foram trocados ou assinaram contratos com novos times correram para jogar na conferência Oeste. O titular do All Star Game do ano passado e um dos selecionados para o terceiro All NBA Team deste ano, Jimmy Butler, é a principal novidade do Minnesota Timberwolves. Também estrelar e outrora ‘segundo melhor jogador da conferência Leste’ Paul George foi para no Oklahoma City Thunder. Paul Millsap, discreto porém eficientíssimo e All Star nos últimos quatro anos no Leste, assinou contrato com o Denver Nuggets.

Além das mudanças mais significativas, confirmam esta tese Chris Paul, Jrue Holiday e Blake Griffin, que poderiam mudar de ares (e fuso horário), mas preferiram continuar ‘do lado de lá’ do mapa. Sem contar, claro, nos inúmeros jogadores bonzinhos, médios e médios-pra-ruins que fizeram a troca e congestionaram o Oeste americano, como PJ Tucker, Jeff Teague e Patrick Patterson.

De relevante no movimento contrário, apenas Gordon Hayward trocou o Utah Jazz pelo Boston Celtics. No mais, são todos jogadores do calibre de JJ Redick pra baixo – úteis, mas nada que reequilibre a ordem das coisas.

Na teoria, isso significa que os times do Oeste estão se reforçando: Rockets adicionou mais uma estrela (e boatos dão conta que pode ter Carmelo Anthony ainda), Timberwolves virou uma força, Thunder reforçou o apoio a Westbrook e Spurs deu mais profundidade ao elenco com Rudy Gay. Além disso, Clippers conseguiu repor peças, Kings e Suns mostram alguma evolução e Grizzlies tenta rejuvenescer.

Apesar de achar que o Golden State Warriors ainda é, de longe, o time mais forte da liga e que nenhuma destas negociações chegue a formar um time tão talentoso quanto o atual campeão, acredito que este movimento, na prática, seja benéfico para as maiores potências do Leste. Na verdade vou além: acho que pode ser essa a grande chance de Cleveland Cavaliers e Boston Celtics ameaçarem o reinado do Warriors.

Meu raciocínio é o seguinte: nas condições atuais, a menos que uma macumba muito braba pegue de jeito o Golden State, o time tem pouquíssimas chances de ser vencido por qualquer time. Uma das chances mais reais, ao meu ver, seria se o melhor time do Leste conseguisse chegar à final da NBA com o mando de quadra a seu favor. Com o fortalecimento dos rivais do Oeste e míngua dos times do Leste, isso pode perfeitamente acontecer.

(Winslow Townson-USA TODAY)

É de se esperar que, fora Raptors, Wizards e, talvez, Bucks, os demais times não sejam lá grandes coisas para realmente tirar vitórias, de uma maneira geral, dos dois principais times do Leste. Knicks, Nets, Pacers, Bulls e Hawks estão formando times para levar porrada. Magic e Sixers devem levar bastante chumbo ainda. Pistons, Hornets e Heat devem descolar playoffs, mas não me surpreenderia se tivessem campanhas negativas ou bem próximas do 50% de aproveitamento. Com isso, projetando classificação em um exercício puro de especulação, seria natural que os melhores times do Leste tivessem um acréscimo considerável nos seus números de vitórias – já que times das mesmas conferências jogam o dobro de vezes entre si.

Por outro lado, é de se esperar que o Warriors tenha um declínio no seu número total de vitórias enfrentando uma concorrência muito mais bem armada dia sim, dia não. Neste raciocínio esperançoso por uma competição mais imprevisível, também dá para supor, mesmo que sem base alguma, que o Warriors relaxe um pouco mais na sua corrida de temporada regular (seria a quarta perto da casa das 60 vitórias!).

Para que um dos times do Leste o passasse, seria necessário que nenhum deles entrasse no modo de piloto automático – como fez o Cavs no ano passado, entregando a primeira posição para o Celtics nas rodadas finais.

Ok, assumindo que é possível que um time da outra conferência, mesmo sendo consideravelmente pior do que o Warriors, termine na sua frente, defendo que isso pode ser decisivo para que este mesmo time mais fraco aumente bastante as suas chances de bater o GSW numa série de playoffs com o mando de quadra a seu favor.

Para começar, existe uma vantagem histórica que dá uma boa sustentação a isso. Na temporada regular, o time da casa vence 60% dos jogos. Conforme a competição avança, a vantagem de jogar no seu ginásio é mais visível. Nos playoffs, o time que joga em seu território vence dois a cada três jogos. Nas finais, são três a cada quatro.

Além disso, dá para tirar como base as últimas finais em que Golden State e Cleveland se enfrentaram. Era esperado um confronto consideravelmente equilibrado neste ano, mas as duas lavadas aplicadas pelo Warriors nos primeiros jogos, em casa, fazendo valer o mando, afundaram as pretensões do time de Lebron James e Kyrie Irving. Mais do que o 2 a 0, parecia que não havia competição e que seria necessário um esforço descomunal para que a vantagem do GSW fosse revertida.

Fosse outra a ordem dos jogos, era possível que a série começasse com pelo menos uma vitória para o Cavs, mesmo que o Warriors fosse bastante superior, o que daria uma cara diferente ao confronto – fazendo com que ele fosse até mais competitivo dali em diante.

Não há nenhuma garantia, claro, mas é uma chance das coisas serem um pouco mais equilibradas enquanto o Warriors tiver um time tão sobrenatural. Por mais que seja uma sucessão de fatores que transitam entre a vontade de uma zebra e a possibilidade real (Golden State vencer menos jogos, Cavs ou Celtics ganharem mais, que a diferença seja suficiente para que o mando seja revertido e que isso seja realmente relevante na final), é um que inegavelmente influencia o jogo.

Só falta que cada um faça a sua parte do combinado.

Warriors não tem que temer a sombra do 3 a 1

A vitória do Cleveland Cavaliers na partida de sexta-feira deu mais do que uma sobrevida à série final da NBA. Retomou um placar que não traz as melhores lembranças ao torcedor do Golden State Warriors. Ano passado, o time da Bay Area vencia pelos mesmos 3 a 1 quando deixou o rival do Leste virar a contagem – a primeira vez na história nestas condições.

A virada foi motivo de chacota o ano inteiro e serve como um argumento para os mais otimistas de que as coisas ainda podem mudar drasticamente na final deste ano. Por mais que ~matematicamente exista esta possibilidade mesmo, as condições deste ano fazem com que uma eventual vitória do Cavs em sete jogos seja uma tarefa praticamente impossível, muito mais complicada do que na temporada passada.

Para começo de conversa, na verdade o Cleveland precisa reverter uma vantagem que começou em 3 a 0, algo que nunca aconteceu na história dos playoffs – não só em finais, como a virada do ano passado. É algo muito, mas muito difícil de acontecer em qualquer circunstância. Especialmente contra o time do Golden State Warriors, que não perde quatro partidas seguidas desde março de 2013.

Para se ter uma ideia de quanto tempo isso não acontece com o time, naquela época o técnico do Warriors era Mark Jackson, o segundo melhor jogador do elenco era David Lee e Draymond Green era um calouro vindo do segundo round com 3 pontos e 3 rebotes de média. Richard Jefferson fazia parte do time e Andre Iguodala ainda nem tinha sido contratado.

Se isso não rola desde que o Golden State era um time ainda em formação, imagine hoje, com Kevin Durant jogando em um patamar de MVP e com uma formação no seu auge. Bem difícil de se imaginar.

Também é preciso olhar para os quatro jogos que já aconteceram na série. Em dois deles o Cavs simplesmente não teve chance de vencer. Em outro a disputa foi pau a pau e no último tudo deu certo para Lebron e companhia. Para vencer o Warriors, é preciso que o último caso se repita por mais três vezes, o que é bastante improvável.

Não que o Cleveland não tenha capacidade de fazer mais jogos com mais de 20 cestas de três e tudo mais, mas é preciso lembrar que um a performance de um time não depende apenas dele, mas da sua capacidade versus a habilidade do rival em atrapalhá-lo, algo que o Golden State faz com primazia. É bem possível que o Cavs consiga mais um jogo muito bom enquanto o Golden State não tenha reação, pode acontecer até duas vezes, mas é difícil imaginar isso acontecendo mais três vezes em sequência.

Por fim, o jogo 5 acontece em Oakland, casa do Warriors, ainda com um clima relativamente tranquilo para os mandantes. Ano passado também deveria ter sido assim, não fosse a ausência de Draymond Green – melhor jogador do Golden State naquelas finais. Uma pressão bem diferente caso a série se encaminhe para um jogo 6 em Cleveland ou para uma partida derradeira com a competição empatada.

A história já nos ensinou que o imponderável toma conta das finais, que tabus são quebrados quando ninguém espera e que não dá para duvidar de Lebron James. Mas o 3 a 1 deste ano é bem diferente do 3 a 1 do ano passado.

Um resultado conveniente – e nada mais do que isso

Se ainda parece muito provável que o título do Golden State Warriors é só uma questão de tempo, a vitória do Cleveland Cavaliers foi bastante útil para confirmar e renovar algumas convicções sobre a série, os times e jogadores envolvidos.

Golden State Warriors não é imbatível
O time finalmente perdeu depois de muito tempo (meses!). É ainda um fato que o Warriors é a melhor equipe da liga, tem o melhor grupo de jogadores e o estilo de jogo mais eficiente nos dois lados da quadra, mas uma noite ou outra nem tudo vai dar certo para eles – nos últimos jogos ficou marcada a impressão exagerada de que nunca mais alguém poderia bater este time junto numa série de playoffs. Vai ser difícil, mas pode acontecer, sim. Nem mesmo a ida de Kevin Durant faz do time invencível – uma conclusão que talvez não faça muito mais sentido para o campeonato deste ano, mas importante para a competitividade das próximas temporadas.

Cleveland Cavaliers também é um supertime
Foram 49 pontos marcados no primeiro quarto e 86 até o intervalo, duas marcas inéditas para as finais da NBA e das maiores na história da liga em qualquer situação. Um aproveitamento nos chutes insano, um volume de jogo surreal. Não se faz isso por acaso. O Cavs também é um time com muito talento reunido. Seu trio de estrelas é um dos melhores da liga na década, seu banco reúne vários bons jogadores que só se juntaram à franquia para tentar ganhar um título também. O resultado é um time excelente – que esquecemos por um tempo o quão bom era por causa da sequência de derrotas para o Golden State.

Cavs se torna competitivo acertando seu jogo de sempre
A diferença de qualidade entre os dois times existe, mas não é tão gritante quanto os três primeiros jogos fizeram parecer. Até agora, o Cleveland não tinha conseguido mostrar algumas das suas principais ferramentas, como uma artilharia pesada da linha dos três pontos. Conseguiu no jogo 4. O time acertou 7 de 12 arremessos da zona morta, de onde vinha tendo um aproveitamento pífio na série final. Foi mais físico no ataque, forçando a ida para a linha de lance livre. Conseguiu recuperar mais rebotes ofensivos. Forçou turnovers do rival. Conseguiu se desvencilhar da defesa do Warriors no perímetro. Enfim, jogou como deve jogar.

Lebron James para a história
Nas estatísticas, Lebron James já tem feito uma performance monstruosa. Anotou mais um triple-double, confirmando sua média na final com mais de 10 rebotes, assistências e pontos por partida – primeira vez na história – e ultrapassando Magic Johnson no número total de vezes que alguém atingiu este statline em jogos de final, com 9. Mas mais do que isso, protagonizou uma daquelas jogadas que entrará para a história da NBA, assim como foi aquele toco em Andre Iguodala no ano passado, mas que ainda não tinha sido feita na disputa deste ano: deu um passe para si mesmo, jogando a bola na tabela, para enterrar no meio da defesa do GSW. O lance é genial porque não foi apenas plástico. Foi um recurso mesmo. Ao infiltrar e segurar a bola para passar, viu que nenhum companheiro seu estava livre. Em uma fração mínima de segundos viu a brecha de jogar a bola na tabela para ele mesmo fazer a cesta. Uma jogada que, com certeza, vai figurar nos tapes de melhores de todos os tempos das finais.

Ainda não acho que o resultado de sexta sirva para mais coisas além disso. Na prática, e mais importante de todos, ainda não é suficiente para que o título do Warriors seja ameaçado.

Um problema na zona morta

Mesmo que hoje já pareça claro que o título do Golden State Warriors é só uma questão de um ou dois jogos, é preciso reconhecer que o Cleveland Cavaliers apresentou alguma evolução dos jogos 1 e 2 para o jogo 3. Fora toda a qualidade ofensiva e defensiva do Warriors, todo o poder de decisão de Kevin Durant, tudo que Stephen Curry está jogando e a qualidade defensiva de Klay Thompson, o Cleveland não estava jogando o seu melhor basquete – e é até natural que as virtudes do GSW façam com que isso aconteça com seus rivais.

Nos dois primeiros jogos da série, a timidez de Kyrie Irving e os coadjuvantes do Cavs foi um problema claro. A falta de convicção se era necessário desacelerar ou não também não ajudou. Mas quando o time resolveu apostar no ataque agudo em transição e Kyrie apareceu para decidir, o jogo foi pau a pau. Decidido em detalhes.

Um destes detalhes foi a falta de eficiência do time nas bolas da zona morta. No jogo em Cleveland, o Golden State Warriors acertou 5 dos 7 arremessos do canto da quadra. O Cleveland Cavaliers meteu 2 de 18.

A disparidade é emblemática: o Cavs tentou muito dali justamente porque pintaram várias oportunidades excelentes ao longo da partida, com jogadores completamente livres – fruto de trocas de passes e contra ataques eficientes do time, tirando a defesa do GSW da bola -, mas mesmo assim JR Smith, Kevin Love, Kyrie Irving, Deron Williams e os demais não se cansaram de errar.

A falta de eficiência neste tipo de chute nesta época do ano explica muito sobre a dificuldade do time em ter jogos parelhos com o Warriors. Primeiro que os chutes dali são naturalmente, por essência, mais ‘fáceis’ que os demais – a linha é mais próxima da cesta e muitas vezes a bola chega antes do marcador, com mais espaço para quem chuta.

Segundo que esta tinha sido uma arma amplamente usada com muita eficiência pelo Cleveland ao longo de toda a temporada. A equipe foi a única de todas as 30 da NBA a arremessar mais de 10 bolas por jogo da zona morta e a fazer mais do que quatro cestas, em média, por partida dali. Tinha o mérito de ter o sétimo maior aproveitamento (40,8%) num volume brutalmente superior aos demais.

Nas finais contra o Warriors, o desempenho despencou. Continuou chutando mais de 10 bolas por partida dali (foram 34), mas acertou residuais 8 tentativas, com um aproveitamento pífio de 23,5%. No último jogo que fosse, se tivesse acertado duas ou três bolas a mais – teve mais chances do que isso completamente livre e ainda assim teria um desempenho médio muito abaixo do normal – o resultado da partida teria chances imensas de ser outro.

Neste caso, repito, nem acho que seja mérito da defesa do Warriors, pois o Cavs teve muitas chances sem marcação, em que a marcação do GSW não conseguiu acompanhar a troca de passes ou que chegou muito atrasada. Foi deficiência dos jogadores do Cleveland mesmo.

Se a batalha da série final já seria difícil para Lebron e companhia fazendo o que estão acostumados, ficou impossível de ser superada com esse tipo de erro.

Eu, pessoalmente, não consigo pensar o que causou isso. Só sei que custou boa parte da competitividade das finais.

Golden State Warriors é isso aí

Os 180 segundos finais de partida resumem todo o poder de fogo do Golden State Warriors de hoje: o time estava perdendo, a torcida estava ensandecida, Kyrie Irving vinha jogando tudo que não tinha jogado na série inteira, mas bastaram algumas posses para que a partida fosse decidida em favor do time californiano.

É sempre assim. Tem sido com o Cleveland, foi com o Spurs e seria contra qualquer outro rival. Não importa o que façam, o quão bem joguem, que tudo dê certo. A facilidade com que o Warriors pontua e se mantém vivo no jogo é surreal. E ao longo de 48 minutos de partida, em algum momento, o time vai abrir uma sequência de pontos, ficar sem tomar e desgarrar no placar.

Nas primeiras duas partidas da série isso tinha acontecido no terceiro quarto, quando em ambas as oportunidades meteu mais de 30 pontos, fez run de alguns minutos pontuando sem resposta do rival e abriu vantagens de uns 15 pontos.

No último jogo a coisa só ficou um pouco mais emocionante porque a sequência matadora veio nos minutos finais. O Cavs estava com a maior chance em toda a série de reequilibrar a disputa, vencendo por 113 a 107 a três minutos do final da partida. Aí então o GSW meteu 9 pontos sem resposta do Cleveland, que confirmaram o 3 a 0 na série e deixam o Cavs respirando por aparelhos na final do campeonato.

Foi cagada do Cleveland, claro, pois podia ter matado o jogo se acertasse uma porção mínima dos inúmeros arremessos de três que teve livre, mas o time cansou de desperdiçar bolas da zona morta que geralmente acerta. Mas é algo que tem que sempre ser contabilizado nas partidas contra o Warriors: se você não aproveitar toda e qualquer oportunidade de pontuar fácil, a conta será cobrada em algum momento da partida.

O aproveitamento nos tiros de longe mostra como o Golden State não deixa escapar suas chances de emplacar bolas que sobram mais fáceis, enquanto o Cavs queima muitas destas oportunidades. O campeão do Oeste meteu 16 de 33 tentativas, enquanto a equipe do Leste dez 12 de 44.

(David Liam Kyle/NBAE via Getty Images)

Kyrie Irving e Kevin Love, juntos, saíram de quadra com o pífio aproveitamento de 1-14 nos chutes de fora do arco. Kyle Korver, especialista nestes lances (na teoria, ao menos), foi 2-6 de três. Iman Shumpert, Deron Williams e Richard Jefferson não acertaram nenhuma das cinco tentativas.

Do outro lado, Kevin Durant, Klay Thompson e Stephen Curry, juntos,  acertaram 15 de 27 arremessos de fora. Cada um dos três saiu com mais de 50% de aproveitamento neste tipo de chute – foi uma destas cestas no minuto final, de Durant, que virou a partida em favor do Warriors, inclusive depois de um erro de Kyrie Irving num step back.

Com tantos chutadores tão bons e tão afinados, é sempre necessário saber que em algum momento o Warriors vai pontuar e defender muito. Para batê-los, é preciso fazer a diferença – uma diferença, de preferência, grande – no restante do jogo. Mas isso ninguém consegue. Por isso eles estão invictos nos playoffs. Com boas chances de continuarem assim até que ergam a taça.

A falta que Kyrie Irving faz

Para que exista o mínimo de competitividade nas próximas partidas da série final entre Golden State Warriors e Cleveland Cavaliers, Kyrie Irving precisa aparecer mais para o seu time. Até agora, o jogador não tem sido eficiente no ataque e tem se atrapalhado na defesa.

A impressão é a seguinte: com um time recheado de estrelas, o Golden State joga fácil, tranquilo, e pontua ao natural. Mesmo que não tenha uma partida excelente de todos os seus jogadores, o ataque flui e a defesa não passa muitos apuros. Já o Cleveland parece que precisa fazer absolutamente tudo certo, suar, se matar em todas as posses de bola que tem para apenas acompanhar o ritmo do Warriors. Um descuido mínimo é suficiente para o GSW abrir e acabar com o jogo.

Boa parte desta sensação se dá pela ineficiência de Kyrie Irving nos primeiros dois jogos da série. O raciocínio é primário. O Cleveland tem três jogadores realmente confiáveis no seu ataque, um a menos do que o Warriors. E um deles não está rendendo o máximo que pode.

O statline de Kyrie nem é tão ruim. Foram 24 pontos em uma partida e 19 na outra. Mas, por mais cruel que seja dizer isso, não é o bastante para bater o melhor time da liga.

O problema aqui é que Irving não tem sido eficiente como o Cavs precisa. Ele foi o segundo jogador com mais arremessos de quadra em toda a série, contando os dois times, mas é o quarto em pontos (apenas um à frente o quinto, Kevin Love). Só conseguiu ir para a linha de lance livre três vezes em 75 minutos de partida.

É o que tem o segundo pior índice de offensive rating entre os oito jogadores mais ativos na rotação do Cleveland (a cada 100 posses de bola que ele está em quadra, o time marca apenas 90 pontos).

Na defesa, como é de costume, Kyrie tem se perdido em várias trocas. Ele não é um mau defensor quando está marcando o jogador com a bola, mas é o mais desatento entre os dez titulares da disputa para vigiar seu jogador quando ele não está participando ativamente da jogada.

Seguidas vezes nas duas partidas Stephen Curry aparecia completamente livre do outro lado da quadra para o arremesso enquanto Kyrie corria atrasado ou flutuava atravessando o garrafão.

Por mais que seja difícil medir o impacto disso no jogo, seu defensive rating (o quanto o time leva de pontos a cada 100 posses em que o jogador está em quadra) é disparado o pior dos jogadores da rotação do Cavs, com 124 pontos sofridos.

No ano passado, Kyrie passou por uma situação parecida. Seus dois primeiros jogos contra o Warriors foram sofríveis. No segundo encontro, especialmente: fez 10 pontos e o time levou uma diferença de 26 pontos enquanto ele esteve na partida. No jogo três, no entanto, Irving explodiu e fez 30 pontos.

Foi também quando Tristan Thompson e JR Smith passaram a jogar melhor – com as atenções divididas, naturalmente Irving tem mais oportunidades para fazer suas bolas. Neste ano, os coadjuvantes do Cavs também não tem ajudado, dificultando a vida do jogador.

Mas enquanto ele não aparecer para jogar e, principalmente, decidir – como fez no jogo 7 do ano passado, por exemplo -, o Cleveland Cavaliers não tem chances.

Ainda vai dar jogo. Eu acho

O resultado do jogo de ontem, com o Golden State Warriors vencendo o Cleveland Cavaliers por 113 a 91 não foi dos mais animadores para quem esperava (ou torcia por) uma série equilibrada, com os times buscando a vitória ponto a ponto. Depois da lavada, a sensação é que há mais chances de acontecer o que todos temiam – uma varrida do Golden State.

Um alento para que ainda tenhamos uma série competitiva, no entanto, é a série final do ano passado: nos sete jogos entre os dois times, apenas o último teve uma diferença menor do que 11 pontos. Em dois deles, inclusive, a diferença foi igual ou superior a 30 pontos.

Isso acontece por que as duas equipes tem ataques muito fortes, baseados, principalmente nos arremessos de longa distância – e nestes casos, é comum que o ritmo e a cadência do jogo levem a uma sequência de vários acertos ou erros seguidos, decidindo a partida em poucos minutos bons ou ruins dos times.

Ontem foi mais ou menos isso que aconteceu. Especialmente na primeira metade do terceiro quarto de partida. Foram dois minutos em que o Warriors meteu 13 pontos seguidos sem resposta do Cavs, acabando com o jogo mesmo com mais de 20 minutos por jogar.

De resto, enquanto os titulares estiveram em quadra, o jogo teve um relativo equilíbrio. No primeiro quarto os dois ataques começaram mal, muito nervosos, e as duas defesas estavam muito fortes e físicas. No segundo quarto, o Warriors começou a se soltar mais e o Cavs, mais lentamente, começou a acertar suas bolas de sempre. O time do Oeste abriu dez pontos, mas o Cleveland ainda estava na partida.

Além destes dois minutos em que tudo deu certo pra um e errado para o outro, o Cleveland não cuidou bem da bola (foram 20 turnovers cometidos contra apenas 4 forçados do rival) . Isso fez com que o Warriors pudesse fazer 20 arremessos a mais do que o Cavaliers – é quase como se um time tivesse um período a mais de partida disponível para pontuar. Nestas condições, fica quase impossível vencer.

Além das condições casuais de jogo, isso também é um sintoma de um confronto entre um time que tem uma defesa muito forte e aplicada e outro que vive de lampejos defensivos. O Warriors conseguiu atrapalhar o ataque do Cavs, enquanto a defesa do Cleveland não conseguiu sequer incomodar o rival.

Mesmo assim, acho que ainda podemos ter bons jogos e uma série disputada. O ataque do Cleveland é excelente e pode muito bem emplacar sequências tão massacrantes quanto o Warriors fez no jogo 1 – fez isso no ano passado várias vezes contra o próprio Warriors, fez inúmeras vezes neste ano contra todos os rivais possíveis.

Ainda teremos uma série disputada. Eu acho.

[Previsão dos Playoffs] Final da NBA: Warriors x Cavaliers

Jogo 1 – Qui.  1 de junho,  Cleveland @ Golden State, 22h (ESPN)
Jogo 2 – Dom.  4 de junho,  Cleveland @ Golden State, 21h (ESPN)
Jogo 3 – Qua. 7 de junho,  Golden State @ Cleveland, 22h (ESPN)
Jogo 4 – Sex.  9 de junho,  Golden State @ Cleveland, 22h (ESPN)
Jogo 5 * Seg. 12 de junho,  Cleveland @ Golden State, 22h (ESPN)
Jogo 6 * Qui. 15 de junho, Golden State @ Cleveland, 22h (ESPN)
Jogo 7 * Dom. 18 de junho,  Cleveland @ Golden State, 21h (ESPN)

Temporada regular: 1×1

Palpite: Golden State em 7

O cameponato deste ano foi muito bacana, uma série de histórias legais, feitos históricos e tudo mais. Mesmo assim, parece que foram meses de espera por um tira-teima histórico: a terceira final consecutiva entre Cleveland Cavaliers e Golden State Warriors.

O ponto alto do confronto é que aparentemente as duas equipes se enfrentarão em no auge da técnica e sem contratempos de lesão – nos últimos dois anos, cada vez uma equipe foi prejudicada por ausência de alguns dos seus principais jogadores. Agora, o Golden State chega mais experiente, tranquilo e com o reforço incomparável de Kevin Durant. O Cleveland também está bem, com Lebron James jogando o melhor basquete da sua carreira, Kevin Love finalmente à vontade e Kyrie Irving sendo decisivo como sempre.

Acredito que nestas condições, o pico do Warriors é ligeiramente superior ao do Cavaliers, o que faz pender a balança do favoritismo para o time californiano. É verdade que na decisão do ano passado o potencial do Golden State já era superior ao do Cleveland, mas acho que a pressão por fazer uma temporada épica, com o maior número de vitórias da história não ajudou na hora do mata-mata decisivo. Neste ano, o time veio em ritmo de cruzeiro  – e mesmo assim não perde há meses.

Kevin Durant é um reforço que não pode ser menosprezado. Até se machucar, o ala estava jogando um basquete digno de MVP, com a maior precisão e eficiência ofensiva e maior impacto defensivo da sua carreira.

No ano passado, a inoperância de Harrison Barnes foi um dos fatores que levou o Cleveland à virada – a tática de deixar o jogador descaradamente livre na intenção de anular outras ameaças mais perigosas do Warriors funcionou e, mais do que isso, perturbou o time do Golden State. Na troca de Barnes por Durant, saiu o poste para entrar o gatilho.

Curry e Durant, ao invés de dividirem a bola, estão multiplicando as oportunidades de pontuação. Os dois se encaixaram mais rápido do que se imaginava. Juntos, o time cria mais oportunidades de arremessos livres e equilibrados, o que aumenta consideravelmente as chances de acerto dos chutes.

O entrosamento tem sido benéfico até para Draymond Green, que já era decisivo na defesa, mas vem tendo um desempenho ofensivo impecável nas últimas séries.

Para que o time emplaque seu esquema com primazia, falta apenas que Klay Thompson apareça um jogo ou outro. O jogador não tem passado pelo seu melhor momento, mas é uma ameaça constante no perímetro – especialmente diante uma defesa não muito dedicada do Cleveland Cavaliers.

Esta, inclusive, é a deficiência que faz com que o time de Ohio esteja um passo atrás na disputa. O ataque não tem muitos problemas. Por mais que a defesa do Warriors seja excepcional, Kyrie Irving, Kevin Love, Lebron James são os jogadores com mais recursos técnicos para vencer a barreira adversária. Channing Frye, Kyle Korver e os demais reservas do time também são letais. Mas, no saldo, é mais difícil que a defesa do Cavs atrapalhe o ataque rival do que o contrário.

Um caminho para o Cavaliers é desacelerar o jogo com a bola na mão. Diminuir o número de posses de bola e levar as partidas em um ritmo que não favorece tanto o rival. Fechado, com posses de bola longas e marcações ‘on ball’, a ineficiência pontual da defesa do Cavs fica muito menos evidente – e chega a favorecer Tristan Thompson, Lebron James e JR Smith.

E, por fim, o que torna a disputa ainda mais imprevisível, apesar da vantagem coletiva do Warriors, é a presença de Lebron James com a camisa 23 do Cavs. Mesmo que Curry, Kyrie, Durant ou seja lá mais quem sejam excelentes, Lebron é de outro mundo. Nestes momentos, então, ele faz ainda mais diferença.

Eu acho que teremos pelo menos seis jogos. Torço muito por sete. Acho que dá Warriors.

Trilogia para salvar os playoffs

Os playoffs não foram nada empolgantes. Tudo muito previsível, muitas lavadas, algumas varridas e uma dose bem tímida de emoção. O cúmulo deste ano é que a temporada regular, uma maratona interminável que se arrasta por meses a fio, pode ter sido mais empolgante do que os três primeiros rounds do mata-mata. Mas a esperança é que tudo isso seja recompensado nas próximas duas semanas de disputa entre Golden State Warriors e Cleveland Cavaliers.

É a primeira vez que dois times se enfrentam três vezes seguidas nas finais da NBA, num prenúncio do que pode vir a ser lembrado no futuro como uma das grandes rivalidades de todos os tempos, como foi Boston Celtics x Los Angeles Lakers nos anos 60 e 80, Lakers x Knicks nos anos 70 e Bulls x Jazz nos anos 90.

Até o enredo para que os dois times se enfrentassem neste ano parece que foi cuidadosamente escrito para que esta final funcionasse como um tira-teima definitivo. Há dois anos o Golden State Warriors venceu um Cleveland Cavaliers desfalcado, mas com Lebron James endiabrado, numa das melhores performances individuais da história das finais. Ano passado foi a vez do troco do Cavs, completo, vencer de virada o GSW, que tinha batido todos os recordes possíveis de vitórias, mas que chegou na finalíssima com Stephen Curry baleado e que perdeu Draymond Green, suspenso, em um jogo chave.

Emocionalmente, esta final acontece numa paridade mais justa do que as duas últimas. Lógico que seria bom para Golden State e Cleveland vencer mais um título, mas o esquema do primeiro já se afirmou como uma tendência e a sina do segundo de nunca vencer nada já escorreu pelo ralo. Ambos, já tiraram o peso das suas costas quando ganharam seus respectivos anéis.

Agora, os dois times chegam reforçados (o Golden State ainda mais, com a chegada de Kevin Durant, discutivelmente o segundo melhor jogador de basquete da atualidade), inteiros e no auge da confiança. A princípio, se tudo correr bem, será a prova definitiva, dentro de quadra, de qual time é melhor.

E mesmo que a série comece eventualmente desequilibrada, que um time abra 2 a 0 logo de cara, que os primeiros jogos sejam de lava para um dos lados, o histórico das equipes e do confronto nos dão alento que nada estará definido até que Cavs ou Warriors vençam quatro partidas – ano passado serve como exemplo, quando o Golden State teve duas vitórias fáceis logo de cara, chegou a abrir 3 a 1 e mesmo assim a disputa acabou só sendo definida no último minuto do jogo 7.

Aliás, tudo o que se espera é que a série seja novamente decidida no último minuto do jogo 7.

Não desista: ainda há motivos para assistir as finais de conferência

As finais de conferência não podiam estar mais desinteressantes. No Oeste, o Golden State tem passeado em quadra desde a lesão de Kawhi Leonard, que não deve jogar hoje a noite, facilitando as coisas para o time californiano fechar a série em quatro partidas. No Leste, o Cleveland Cavaliers aplicou duas lavadas monumentais fora de casa e ontem deixou escapar mais um jogo ganho. Para piorar, o Boston Celtics não terá mais Isaiah Thomas, machucado.

Por mais que pareça uma perda de tempo parar para assistir duas séries que não estão nada competitivas, ainda há algo em jogo em cada uma delas.

Possível despedida de Manu Ginóbili – O argentino até agora não anunciou se vai se aposentar ou se volta para mais uma temporada. Ainda que algumas das últimas atuações lembrem o craque multi-campeão pelo Spurs, Manu completa 40 anos daqui dois meses e discrição da sua participação ao longo da temporada sugere que vai ser difícil o jogador enfrentar mais uma maratona de 82 jogos no campeonato que vem. Ele já se despediu da seleção e o jogo desta segunda tem boas chances de ser o último dele na NBA.

Show de Kevin Durant/Stephen Curry – A dupla de scorers do Golden State Warriors tem sido espetacular nos playoffs, especialmente na série contra o Spurs. Na primeira partida, ambos somaram mais de 70 pontos para virar um jogo que parecia perdido. Nos dois confrontos seguintes, cada vez um apareceu para acabar com a partida.

Quem será útil ao Boston ano que vem? – Um dilema toma a direção do Boston Celtics para o ano que vem. O time é excelente, tem bons jogadores para todas as posições, mas praticamente só tem uma estrela de fato – não que seja pouco, mas não é o suficiente para fazer frente aos supertimes que dominam a liga hoje. Os últimos jogos da temporada podem servir como uma peneira para definir quem será útil na próxima temporada e que papel cada jogador poderá ter. Jaylen Brown, por exemplo, tem ganhado espaço com uma defesa disciplinada e ousadia no ataque. Marcus Smart foi fundamental na única vitória do time na série, colocando em cheque o quanto mais um armador vai poder contribuir para a franquia.

(David Liam Kyle/NBAE via Getty Images)

Lebron James persegue Michael Jordan – Pode não valer mais nada, mas cada vez que Lebron James entra em quadra nos playoffs pode resultar em uma performance histórica ou render em uma jogada lendária. A aura de jogador decisivo e vencedor vem se confirmando neste ano. É neste mata-mata, também, que Lebron tem alcançado Michael Jordan em alguns atributos – já passou em roubadas de bola e está a poucos jogos de superar em pontos.

Super Kevin Love – O ala-pivô do Cleveland Cavaliers já vinha recuperando sua melhor forma técnica ao longo da temporada, com performances comparáveis aos seus tempos de Minnesota Timberwolves, mas no mata-mata Love está especialmente bem. Este deve ser o último jogo em que ele vai atuar com alguma liberdade de ação no perímetro, já que contra o Warriors a marcação de Kevin Durant e Draymond Green deve ser implacável. Uma boa oportunidade para emplacar uma statline gorda.

Page 1 of 7

Powered by WordPress & Theme by Anders Norén