Tag: Celtics (Page 1 of 2)

A fuga para o Oeste é a chance dos times do Leste

Ao que parece, boa parte dos bons jogadores que foram trocados ou assinaram contratos com novos times correram para jogar na conferência Oeste. O titular do All Star Game do ano passado e um dos selecionados para o terceiro All NBA Team deste ano, Jimmy Butler, é a principal novidade do Minnesota Timberwolves. Também estrelar e outrora ‘segundo melhor jogador da conferência Leste’ Paul George foi para no Oklahoma City Thunder. Paul Millsap, discreto porém eficientíssimo e All Star nos últimos quatro anos no Leste, assinou contrato com o Denver Nuggets.

Além das mudanças mais significativas, confirmam esta tese Chris Paul, Jrue Holiday e Blake Griffin, que poderiam mudar de ares (e fuso horário), mas preferiram continuar ‘do lado de lá’ do mapa. Sem contar, claro, nos inúmeros jogadores bonzinhos, médios e médios-pra-ruins que fizeram a troca e congestionaram o Oeste americano, como PJ Tucker, Jeff Teague e Patrick Patterson.

De relevante no movimento contrário, apenas Gordon Hayward trocou o Utah Jazz pelo Boston Celtics. No mais, são todos jogadores do calibre de JJ Redick pra baixo – úteis, mas nada que reequilibre a ordem das coisas.

Na teoria, isso significa que os times do Oeste estão se reforçando: Rockets adicionou mais uma estrela (e boatos dão conta que pode ter Carmelo Anthony ainda), Timberwolves virou uma força, Thunder reforçou o apoio a Westbrook e Spurs deu mais profundidade ao elenco com Rudy Gay. Além disso, Clippers conseguiu repor peças, Kings e Suns mostram alguma evolução e Grizzlies tenta rejuvenescer.

Apesar de achar que o Golden State Warriors ainda é, de longe, o time mais forte da liga e que nenhuma destas negociações chegue a formar um time tão talentoso quanto o atual campeão, acredito que este movimento, na prática, seja benéfico para as maiores potências do Leste. Na verdade vou além: acho que pode ser essa a grande chance de Cleveland Cavaliers e Boston Celtics ameaçarem o reinado do Warriors.

Meu raciocínio é o seguinte: nas condições atuais, a menos que uma macumba muito braba pegue de jeito o Golden State, o time tem pouquíssimas chances de ser vencido por qualquer time. Uma das chances mais reais, ao meu ver, seria se o melhor time do Leste conseguisse chegar à final da NBA com o mando de quadra a seu favor. Com o fortalecimento dos rivais do Oeste e míngua dos times do Leste, isso pode perfeitamente acontecer.

(Winslow Townson-USA TODAY)

É de se esperar que, fora Raptors, Wizards e, talvez, Bucks, os demais times não sejam lá grandes coisas para realmente tirar vitórias, de uma maneira geral, dos dois principais times do Leste. Knicks, Nets, Pacers, Bulls e Hawks estão formando times para levar porrada. Magic e Sixers devem levar bastante chumbo ainda. Pistons, Hornets e Heat devem descolar playoffs, mas não me surpreenderia se tivessem campanhas negativas ou bem próximas do 50% de aproveitamento. Com isso, projetando classificação em um exercício puro de especulação, seria natural que os melhores times do Leste tivessem um acréscimo considerável nos seus números de vitórias – já que times das mesmas conferências jogam o dobro de vezes entre si.

Por outro lado, é de se esperar que o Warriors tenha um declínio no seu número total de vitórias enfrentando uma concorrência muito mais bem armada dia sim, dia não. Neste raciocínio esperançoso por uma competição mais imprevisível, também dá para supor, mesmo que sem base alguma, que o Warriors relaxe um pouco mais na sua corrida de temporada regular (seria a quarta perto da casa das 60 vitórias!).

Para que um dos times do Leste o passasse, seria necessário que nenhum deles entrasse no modo de piloto automático – como fez o Cavs no ano passado, entregando a primeira posição para o Celtics nas rodadas finais.

Ok, assumindo que é possível que um time da outra conferência, mesmo sendo consideravelmente pior do que o Warriors, termine na sua frente, defendo que isso pode ser decisivo para que este mesmo time mais fraco aumente bastante as suas chances de bater o GSW numa série de playoffs com o mando de quadra a seu favor.

Para começar, existe uma vantagem histórica que dá uma boa sustentação a isso. Na temporada regular, o time da casa vence 60% dos jogos. Conforme a competição avança, a vantagem de jogar no seu ginásio é mais visível. Nos playoffs, o time que joga em seu território vence dois a cada três jogos. Nas finais, são três a cada quatro.

Além disso, dá para tirar como base as últimas finais em que Golden State e Cleveland se enfrentaram. Era esperado um confronto consideravelmente equilibrado neste ano, mas as duas lavadas aplicadas pelo Warriors nos primeiros jogos, em casa, fazendo valer o mando, afundaram as pretensões do time de Lebron James e Kyrie Irving. Mais do que o 2 a 0, parecia que não havia competição e que seria necessário um esforço descomunal para que a vantagem do GSW fosse revertida.

Fosse outra a ordem dos jogos, era possível que a série começasse com pelo menos uma vitória para o Cavs, mesmo que o Warriors fosse bastante superior, o que daria uma cara diferente ao confronto – fazendo com que ele fosse até mais competitivo dali em diante.

Não há nenhuma garantia, claro, mas é uma chance das coisas serem um pouco mais equilibradas enquanto o Warriors tiver um time tão sobrenatural. Por mais que seja uma sucessão de fatores que transitam entre a vontade de uma zebra e a possibilidade real (Golden State vencer menos jogos, Cavs ou Celtics ganharem mais, que a diferença seja suficiente para que o mando seja revertido e que isso seja realmente relevante na final), é um que inegavelmente influencia o jogo.

Só falta que cada um faça a sua parte do combinado.

Não desista: ainda há motivos para assistir as finais de conferência

As finais de conferência não podiam estar mais desinteressantes. No Oeste, o Golden State tem passeado em quadra desde a lesão de Kawhi Leonard, que não deve jogar hoje a noite, facilitando as coisas para o time californiano fechar a série em quatro partidas. No Leste, o Cleveland Cavaliers aplicou duas lavadas monumentais fora de casa e ontem deixou escapar mais um jogo ganho. Para piorar, o Boston Celtics não terá mais Isaiah Thomas, machucado.

Por mais que pareça uma perda de tempo parar para assistir duas séries que não estão nada competitivas, ainda há algo em jogo em cada uma delas.

Possível despedida de Manu Ginóbili – O argentino até agora não anunciou se vai se aposentar ou se volta para mais uma temporada. Ainda que algumas das últimas atuações lembrem o craque multi-campeão pelo Spurs, Manu completa 40 anos daqui dois meses e discrição da sua participação ao longo da temporada sugere que vai ser difícil o jogador enfrentar mais uma maratona de 82 jogos no campeonato que vem. Ele já se despediu da seleção e o jogo desta segunda tem boas chances de ser o último dele na NBA.

Show de Kevin Durant/Stephen Curry – A dupla de scorers do Golden State Warriors tem sido espetacular nos playoffs, especialmente na série contra o Spurs. Na primeira partida, ambos somaram mais de 70 pontos para virar um jogo que parecia perdido. Nos dois confrontos seguintes, cada vez um apareceu para acabar com a partida.

Quem será útil ao Boston ano que vem? – Um dilema toma a direção do Boston Celtics para o ano que vem. O time é excelente, tem bons jogadores para todas as posições, mas praticamente só tem uma estrela de fato – não que seja pouco, mas não é o suficiente para fazer frente aos supertimes que dominam a liga hoje. Os últimos jogos da temporada podem servir como uma peneira para definir quem será útil na próxima temporada e que papel cada jogador poderá ter. Jaylen Brown, por exemplo, tem ganhado espaço com uma defesa disciplinada e ousadia no ataque. Marcus Smart foi fundamental na única vitória do time na série, colocando em cheque o quanto mais um armador vai poder contribuir para a franquia.

(David Liam Kyle/NBAE via Getty Images)

Lebron James persegue Michael Jordan – Pode não valer mais nada, mas cada vez que Lebron James entra em quadra nos playoffs pode resultar em uma performance histórica ou render em uma jogada lendária. A aura de jogador decisivo e vencedor vem se confirmando neste ano. É neste mata-mata, também, que Lebron tem alcançado Michael Jordan em alguns atributos – já passou em roubadas de bola e está a poucos jogos de superar em pontos.

Super Kevin Love – O ala-pivô do Cleveland Cavaliers já vinha recuperando sua melhor forma técnica ao longo da temporada, com performances comparáveis aos seus tempos de Minnesota Timberwolves, mas no mata-mata Love está especialmente bem. Este deve ser o último jogo em que ele vai atuar com alguma liberdade de ação no perímetro, já que contra o Warriors a marcação de Kevin Durant e Draymond Green deve ser implacável. Uma boa oportunidade para emplacar uma statline gorda.

[Previsão dos Playoffs] Final do Leste: Celtics x Cavaliers

Jogo 1 – Qua.  17 de maio,  Cleveland @ Boston, 21h30 (Sportv)
Jogo 2 – Sex.  19 de maio,  Cleveland @ Boston, 21h30 (Sportv)
Jogo 3 – Dom. 21 de maio,  Boston @ Cleveland, 21h30 (Sportv)
Jogo 4 – Ter.  23 de maio,  Boston @ Cleveland, 21h30 (Sportv)
Jogo 5 * Qui. 25 de maio,  Cleveland @ Boston, 21h30 (Sportv)
Jogo 6 * Sab. 27 de maio, Boston @ Cleveland, 21h30 (Sportv)
Jogo 7 * Seg. 29 de maio,  Cleveland @ Boston, 21h30 (Sportv)

Temporada regular: Cavaliers 3 x 1 Celtics

Palpite: Cavaliers em 5

A tarefa do Boston Celtics é dura. Para bater o favoritaço Cleveland Cavaliers, o time precisará vencer seu desgaste físico, parar a artilharia pesadíssima de fora do Cavs, finalmente superar algum rival na briga pelos rebotes e, acima de tudo, segurar Lebron James.

Parece cruel colocar tantos empecilhos para o avanço do líder do Leste, mas hoje parece óbvio que o Cleveland Cavaliers ficou em segundo lugar, abrindo mão do mando de quadra, para preservar seus atletas, com a crença de que bateria qualquer rival do Leste com o time inteiro. O Boston, que estava na cola, aproveitou a deixa – mas não tem todo o cacife do time de Ohio.

O primeiro ponto é que o Celtics vem de uma série muito desgastante contra o Washington Wizards. Não foram simplesmente sete partidas, mas foram todos jogos com muita luta, contra um rival muito mais forte fisicamente. Agora, enfrenta um time que não joga há mais de uma semana – o que talvez nem seja tão benéfico para o Cleveland quanto ao ritmo de jogo. Com apenas um dia de folga, o cansaço pode pesar, espacialmente numa série de playoffs em que os titulares costumam ficar mais tempo em quadra do que a média do restante do ano.

O Boston também precisa definir uma estratégia para parar o Cavs nos chutes de fora. O time de Lebron tem média de 14 cestas de três por jogo nessa pós-temporada e registra o melhor aproveitamento, acertando 49% das tentativas. Mais preocupante ainda, é que tem atiradores de todas as posições, tamanhos e características. Se o Celtics tem capacidade de sobra na defesa do perímetro, pode encontrar sérias dificuldades para marcar Kevin Love e Channing Frye, por exemplo.

E mesmo que consiga fazer cair este aproveitamento, será necessário proteger melhor o aro e recuperar mais bolas com rebotes. O Boston pega apenas 70% dos rebotes de defesa disponíveis ao longo dos jogos de mata-mata, a pior performance entre todos os times dos playoffs. Tristan Thompson, pivô do rival, por sua vez, é o segundo jogador que mais pega bolas de arremessos errados do seu próprio time. Atrás apenas de Robin Lopez, pivô do Bulls que deu muito trabalho ao Celtics.

Por fim, mesmo que tudo isso seja contornado, é preciso anestesiar o ímpeto de Lebron James. Isoladamente, não seria uma tarefa impossível – a defesa do time é boa e tem jogadores excelentes para isso, como Jae Crowder e Marcus Smart. O problema é fazer isso sem sacrificar todo o resto, sem concentrar absolutamente todos seus esforços nesta missão. E com a mínima brecha, Lebron é imparável. Sua versão nos playoffs, então, é histórica.

O Celtics é um time que tem um ataque eficiente, tem um craque em Isaiah Thomas e outros jogadores, como Al Horford e Avery Bradley, jogando o fino. Mas contra o time de Lebron, isso não deve ser o suficiente.

Um cara chamado Kelly

Não é muito comum que um cara se chame Kelly. Apesar de ser um nome unissex, da origem do nome ser masculino (segundo uma pesquisa no google), a maioria esmagadora das pessoas chamadas Kelly são mulheres (5 para cada 1 homem, mais precisamente).

No basquete, então, os Kelly são uma minoria. Apenas quatro deles pisaram em uma quadra da NBA. Kelly McCarty, que jogou expressivos dois jogos e quatro minutos pelo Denver Nuggets; Kelly Tripucka, que jogou por 10 anos e mais de 700 jogos, mas que na real se chamava Peter Kelly; Kelly Oubre, ala do Washington Wizards; e Kelly Olynyk, pivô do Boston Celtics e herói da classificação do time para a final da conferência Leste.

Mas não é só o nome que faz de Olynyk uma figura absolutamente estranha para o universo da NBA. Kelly é canadense. Apesar de um conterrâneo seu ter criado o basquete, o pessoal ‘do outro lado do muro’ não tem uma tradição de muito sucesso na liga de basquete que o Canadá divide com os EUA. Em toda a história, 29 canadenses jogaram na NBA. O melhor deles, Steve Nash, nasceu na África do Sul e é um canadense ‘importado’. O segundo mais famoso foi Ricky Fox, ala do Los Angeles Lakers de Kobe Bryant e Shaquille Oneal que é a definição do jogador coadjuvante. Aliás, sua carreira fora das quadras, como ator, é quase mais notável do que a sua participação como atleta.

O visual de Kelly Olynyk também não é dos mais dominantes no universo do basquete – seja na NBA, nas ruas ou em qualquer canto do mundo. Cabelos loiros no ombro, branquelo, faixa na cabeça, cara de cavalo, olhos claros… Olynyk tem mais estilo de personagem do filme do Adam Sandler do que de atleta profissional.

Mas apesar das chances de um cara chamado Kelly, canadense, com aquela cara, aquele estilo, jogar na NBA com algum sucesso serem mínimas, ontem foi ele, com todas estas características improváveis, que definiu a partida em favor do Boston Celtics. Foram 26 pontos em 28 minutos que esteve em quadra. 10 arremessos certos de 14 tentados. Mais do que todo o banco do Wizards. Aliás, mais do que o banco do Wizards multiplicado por cinco – os reservas do Washington foram muito mal! Mais do que John Wall, mais do que Avery Bradley.

É difícil de acreditar, mas aconteceu. E Kelly Olynyk está na final da conferência Leste.

A loteria mais importante dos últimos anos

Hoje é o dia mais interessante do calendário dos playoffs para os torcedores dos times que não se classificaram para o mata-mata. É hoje que acontece a loteria do draft, que define a ordem das escolhas dos calouros que entrarão na liga na próxima rodada. E desta vez, mais do que as demais, a loteria vai atrair todas as atenções do mundo da bola laranja: a safra de novos jogadores promete ser uma das melhores em muitos anos.

Outro fator importante desta loteria é que muitos dos times que têm boas chances de pegar as primeiras são equipes de tradição e que estão demonstrando uma evolução animadora. Philadelphia 76ers, Los Angeles Lakers e Phoenix Suns podem estar a um craque do acerto do elenco. Boston Celtics, outra franquia ultra popular, tem as maiores probabilidades, já que tem os direitos do Brooklyn Nets.

Primeiro, entenda como é o dito sorteio. O modelo é um pouco complicado, um globo com 14 bolas numeradas sorteia uma sequência de quatro números. Cada time tem um um número total de sequências (quanto pior a campanha, mais sequências o time tem). O time que for ‘dono’ daquela sequência fica com a primeira escolha. Isso é refeito para definir a segunda e a terceira escolha do draft. Impossível entender, né?

Uma analogia para facilitar as coisas: é tipo um sorteio da ‘mega sena’ em que cada time tem uma determinada quantidade de apostas. O Celtics, que tem a escolha do pior time do ano passado, tem 250 bilhetes com apostas diferentes. Suns, segundo pior, tem 199 e assim vai até o Heat, time com menor probabilidade, que tem só 5 bilhetes. Sorteiam uma sequência entre mil possíveis, o vencedor fica com a primeira escolha. Na sequência são feitos novos sorteios para definir o segundo e o terceiro colocado. Do quarto em diante, é a ordem natural de pior para melhor campanha, excluindo aqueles que já foram sorteados. Desta forma, por exemplo, o Celtics fica garantidamente com uma escolha top4, porque na pior das hipóteses não será sorteado entre os três primeiros, mas fica com a melhor escolha dos que restam.

Além disso, alguns times fizeram trocas passadas e mesmo com uma péssima campanha suas escolhas pertencem a outras franquias. É o caso do Brooklyn Nets, que cedeu sua escolha para o Boston Celtics por causa de uma troca feita em 2013. Apesar de ter ficado com a pior campanha, é o Boston Celtics que vai escolher um jogador no seu lugar. Entre os times da lottery, o New Orleans Pelicans é outro que negociou sua escolha, já que cedeu sua pick na troca que levou Demarcus Cousins ao time da Louisiana. O time só mantém sua opção de escolher um calouro se ficar entre os três primeiros.

Aliás, o Lakers é outro time que pode perder sua escolha caso não fique no top3. Por causa da troca que levou Steve Nash ao time californiano, caso o LAL fique com a quarta escolha em diante, a pick vai para o Sixers. Levando em conta as odds, o Lakers tem ‘apenas’ 46,9% de chance de manter a sua escolha. No ano passado isso já poderia ter acontecido se o time não ficasse entre os cinco primeiros, mas ficou e garantiu a escolha de Brandon Ingram.

Além de mexer com os sentimentos de algumas das maiores torcidas da NBA, a turma de calouros deste ano promete ser absurdamente talentosa. Markelle Fultz, Lonzo Ball, Malik Monk, De’Aaron Fox e Dennis Smith são armadores titulares em potencial, para ser conservador. Jayson Tatum, Jonathan Isaac e Josh Jackson são demais jogadores que carregam expectativas gigantes. Ao todo, oito jogadores de alto impacto potencial logo de cara – um volume bem incomum em qualquer draft.

Por tudo isso, o destino de muita gente e de muitos times pode mudar hoje. Tudo na conta da sorte.

Quem define o jogo 7?

Desde o começo, a série entre Boston Celtics e Washington Wizards deu todos os sinais que duraria até o jogo 7. Os dois times se matando na temporada regular, o equilíbrio dos confrontos ao longo do campeonato e a força dos elencos sugeriam isso – eu apostei nisso, inclusive. Finalmente, a expectativa se confirmou e chegamos até aqui.

Antes de tudo, fico feliz. Playoffs são legais quando acontece esse tipo de coisa, quando uma partida vai para a decisão final, quando os times vão para o tudo ou nada. A temporada passada foi excelente, mas o que fez ela entrar mesmo para a história foi a decisão do título no último minuto da última partida possível. Neste ano, por enquanto, não teve nada melhor do que esta série.

É muito difícil palpitar e, principalmente, prever o que pode acontecer num jogo 7. A atmosfera da partida é única. Mas existem alguns fatores que, a exemplo do que rolou até agora, podem ser determinantes para o sucesso de uma ou outra equipe.

John Wall e Isaiah Thomas, as duas estrelas máximas dos times, estão fazendo tudo que podem. Thomas meteu uma das maiores pontuações da história da franquia ao longo desta série e Wall acertou o arremesso salvador na partida passada. É de se esperar que joguem o tudo que podem e que as defesas adversárias concentrem seus esforços para pará-los. O fiel da balança está na performance dos colegas deles.

Da parte do Wizards, cabe a Bradley Beal ser a estrela que foi na sexta-feira. O shooting guard tem flashes de estrela no ataque e de especialista na defesa. No entanto, a falta de consistência mata seu jogo. Há partidas em que ele simplesmente não aparece.

Boa parte do sucesso do time depende do seu jogo. Beal é alto e forte para a posição. Tem um excelente chute e é uma referência na liga quando o assunto é movimentação sem a bola. Basta fazer valer tudo isso. Uma partida precisa de Otto Porter e Markieff Morris é fundamental para que a marcação dê algum espaço para Beal. Mesmo assim, é jogo para que ele engula quem estiver pela frente.

A prevalência no rebote ofensivo por parte do garrafão do Wizards, com Gortat e Morris, também é um fator fundamental para que o time se mantenha competitivo, mesmo quando as bolas não caírem.

Da parte do Boston, o peso recai sobre os ombros de Al Horford e Avery Bradley. O primeiro tem sido a válvula de escape na crianção de jogadas de meia quadra do time verde. Além disso, só ele tem talento e capacidade de incomodar o garrafão rival – Amir Johnson tem sido uma piada e Kelly Olynyk não é bom o suficiente lá dentro.

Avery Bradley, por sua vez, é o cara que tem potencial para barrar o backcourt avassalador do Washington e pontuar de fora com a bola na mão, especialmente quando Isaiah Thomas estiver atraindo as atenções da defesa rival. Ele, junto com Marcus Smart, são os mais capazes, também, de impedir as arrancadas que o Washington tem tido em todas as partidas.

Por tudo isso e pela característica que os jogos decisivos têm, a individualidade destes caras é que vai definir o resultado do jogo, mais do que os esquemas dos dois times, mais do que a prancheta dos técnicos.

Que venha mais um excelente jogo.

De volta aos anos 70

A década de 70 não foi das melhores. A pira inicial das discotecas, os hippies envelhecendo, um amontoado de roupas e cabelos de gosto duvidoso e um mar de gente que ainda não sabia lidar com uma oferta tão vasta e fácil de entorpecentes fez daqueles dez anos um período um pouco confuso da história do século 20.

A NBA não fugiu à regra e viveu dias de um embaralhado de forças nunca visto até e desde então. Foram oito campeões em dez anos, uma variedade jamais vista. O jogo não era dos melhores: as táticas eram muito embrionárias, as jogadas eram bem simples e os malabarismos que fizeram do basquete o esporte coletivo mais plástico do mundo ainda não tinham saído das quadras de rua para os jogos profissionais.

Mas se nessa zona alguém conseguiu mostrar alguma consistência no topo da liga, especialmente na conferência Leste, estes times foram Boston Celtics e Washington Wizards (na época, Baltimore/Capital/Washington Bullets), equipes que décadas depois se odeiam, formam uma das rivalidades mais tensas da NBA e se enfrentam no mais aguardado jogo 7 destes playoffs.

Mas voltemos aos anos 70, que foi a última vez que as duas equipes, juntas, dividiram os holofotes da conferência: o Boston era disparado o melhor time da história naquele momento. Vinha de uma década de 60 absolutamente dominante. Liderado por Bill Russell, o time tinha vencido 11 de 13 campeonatos até 1969.

Com a aposentadoria de Russell, a franquia deixou de ser a melhor disparada na liga e alguns rivais se aproximaram. Los Angeles Lakers, eterno vice dos anos anteriores, e Milwaukee Bucks, que tinha acabado de draftar o sucessor de Bill, Lew Alcindor/Kareem Abdul-Jabbar, se matavam no Oeste (sim, Milwaukee jogava do ‘outro lado’ dos EUA). No Leste, New York Knicks vinha com uma formação inovadora, com vários bons jogadores e um basquete coletivo muito bem jogado, e o Bullets, hoje Wizards, começava a montar uma potência.

O primeiro passo para isso foi escolher o atarracado pivô Wes Unseld. Com um black power invejável (um dos bons legados da época) e apenas 2,01 metros, Unseld era um pedaço maciço de músculos e ossos pesados. Estreou na liga como calouro do ano e MVP na mesma temporada. Nas primeiras cinco temporadas pelo Bullets, teve médias de 17 rebotes por partida. Num tempo em que a posse de bola média durava quase a metade do que dura hoje, Unseld era muito útil com passes que atravessavam a quadra.

Wes Unseld

O time também tinha Elvin Hayes, outro pivô com capacidade absurda de catar rebotes e com um talento nato para pontuar. Os dois formaram a dupla de garrafão mais dominante do basquete naquele momento.

Assim, os Bullets foram campeões uma vez, a única na história da franquia, chegaram a outras três finais, perdendo para Bucks, Warriors e Sonics. Ainda chegou a cinco semifinais de conferência até a virada dos anos 80, quando começou a decair e entrou num período de altos e baixos.

Só não foi melhor porque tinha um rival de peso. Ainda que os tempos não fossem de tanta bonança como nos anos anteriores, o Boston ainda se manteve entre os mais competitivos. O craque, agora, era John Havlicek, sexto homem nos tempos de Russell, mas que tinha sido alçado à condição de ídolo com a mudança de geração.A parceria do ala-armador com Dave Dowens e Jo Jo White rendeu ao time verde dois títulos – ainda o maior número da década, junto com Lakers – e mais quatro finais de conferência, mais do que qualquer outra franquia dos anos 70.

Apesar do domínio – dentro de um cenário de equilíbrio total da época -, os dois times só se enfrentaram uma vez naqueles anos. Na final de conferência de 1975 deu Bullets, por 4 a 2. Nos demais anos, sempre um ou outro tropeçava em um rivais mais fraco no meio do caminho.

John Havlicek

A disputa entre os dois acabou não virando uma grande rivalidade porque a NBA não era das ligas mais populares dos EUA ainda (muito abaixo do baseball e futebol americano, além de contar com a concorrência com a ABA, outro campeonato de basquete da época). A passagem também fica esquecida na história porque precedeu um dos momentos mais marcantes da história do basquete, que foi a explosão do jogo nos anos 80.

Mas não dá pra negar, mesmo assim, que foi uma briga que teve sua importância na história. Por mais que todo mundo tenha todos os motivos para lembrar o mínimo possível dos anos 70, eles foram os mais marcantes da história para o confronto entre Boston e Washington, que terá um novo capítulo escrito nesta segunda-feira.

 

Basquete, porrada e bomba

Se fosse possível planejar o roteiro de um jogo de playoff perfeito ele teria que ter alguns elementos fundamentais. Primeiro, uma atuação épica, histórica, de um jogador que supera alguma adversidade e desconta todas as suas frustrações e limitações dentro de quadra. Seria disputado ponto a ponto, com reviravoltas no placar e, no final das contas, seria decidido na prorrogação. E, até como consequência de tudo isso, de um jogo pegado do início ao fim, os dois times dariam o sangue em quadra, se odiariam, e brigariam – literalmente – até o fim.

A série entre Boston Celtics e Washington Wizards ainda não se tornou uma das grandes disputas da história do mata-mata da NBA – talvez ainda esteja longe disso -, mas até o momento é a única que reúne todas as condições para tal: Isaiah Thomas já fez uma das maiores atuações dos playoffs nos últimos anos depois de perder a irmã em um acidente de carro e o dente numa cotovelada (não são coisas comparáveis, mas você entendeu…); a série está pau a pau, com duas viradas do Boston, um jogo decidido na prorrogação e uma vitória retumbante do Wizards; e, por fim, o grande diferencial da série perante os demais confrontos, os dois times estão se matando em quadra.

O saldo da briga até agora é considerável. Para começar, Thomas já ‘beijou’ o cotovelo de Otto Porter Jr e o chão do TD Garden. Na primeira, perdeu o dente da frente. Na segunda, não sei como não perdeu de volta – vai ver a ‘janela’ foi consertada com alguma coisa bem mais resistente do que um dente original.

Markieff Morris e Al Horford também vem trocando carícias: no primeiro jogo, Morris caiu sobre o pé de Horford e torceu o tornozelo em uma lesão feia de assistir. No jogo seguinte, o ala do Wizards se embolou e empurrou o pivô celta no meio dos fotógrafos e torcedores. Ainda que defensores mais malandros coloquem o pé propositalmente para lesionar os arremessadores quando caem no chão, o histórico de Horford faz crer que a jogada foi uma fatalidade. Já a fama de Morris, que estava ‘lutando MMA’ no primeiro round do mata-mata segundo Paul Millsap, não deixa dúvidas que ele empurrou Horford para fora da quadra na maldade mesmo.

O mesmo Morris e Thomas se encrencaram também. Se xingaram, trombaram, o Estatuto da Criança e Adolescente fez vista grossa e Thomas botou Markieff pra dançar.

Entre os coadjuvantes, teve treta também. Kelly Olynyk, que já mandou Kevin Love e Robin Lopez para o departamento médico em outros confrontos, e Kelly Oubre tentaram sair na mão – o que pode render uma suspensão até -, enquanto Brandon Jennings e Terry Rozier fingiram que também sairiam até que ambos fossem expulsos.

A confusão toda da série é o desenrolar de uma rivalidade pesada que já vinha das temporadas passadas. Mal dá pra saber se começou quando o antigo técnico do Wizards Randy Wittman xingou Jae Crowder da beira da quadra ou se quando Crowder ‘tocou no nariz’ de John Wall numa discussão mais acalorada após o final de um jogo neste ano. De lá para cá, Wall e Beal já desceram o cacete em Marcus Smart, que por sua vez quebrou o nariz de Beal. Porter falou que o time do Washington jogava sujo, a turma do Wizards combinou de ir vestida de preto pra partida para o ‘funeral do Celtics’ e por aí vai.

A tendência é que as coisas fiquem ainda mais feias. Se as partidas continuarem disputadas, acho ótimo. Muito melhor do que uma lavada como Warriors e Cavaliers estão aplicando sobre Jazz e Raptors. E talvez é o que esteja faltando na série entre Spurs e Rockets.

Por mais quatro jogos assim. Enquanto todos estiverem vivos, claro.

[Previsão dos Playoffs] Semifinal do Leste: Celtics x Wizards


Jogo 1 – Dom. Abril 30 Wizards @ Celtics, 14h
Jogo 2 – Ter. Maio 2 Wizards @ Celtics, 21h
Jogo 3  – Qui. Maio 4 Celtics @ Wizards, 21h
Jogo 4 – Dom. Maio 7 Celtics @ Wizards, 19h30
Jogo 5 – Qua. Maio 10 Wizards @ Celtics, se necessário
Jogo 6 – Sex. Maio 12 Celtics @ Wizards, se necessário
Jogo 7 – Seg. Maio 15 Wizards @ Celtics, se necessário

Confrontos na temporada regular: 2×2

Palpite: Wizards em 7

De longe a semifinal de conferência mais esperada por mim. Os dois times se odeiam desde que Marcus Smart deu uma machadada na cara de Bradley Beal durante o primeiro jogo entre os times na temporada regular e que quase desencadeou em uma pancadaria generalizada enquanto jogadores tiravam satisfação uns com os outros. Desde então, os dois times só fizeram mais questão de esquentar a treta com provocações, faltas forçadas e jogo duro.

Numa série de playoffs, então, é natural que esta disputa fique ainda mais apimentada. Neste caso, apesar de eu achar um time do Boston Celtics melhor montado e mais profundo, acho que o Washington Wizards tira vantagem de um confronto mais físico. Os jogadores do time da capital americana são maiores, mais fortes e mais sujos.

No backcourt, onde os dois times concentram seus maiores talentos, John Wall é anos-luz mais talentoso na defesa do que Isaiah Thomas – enquanto o armador do Wizards mostra ser capaz de segurar o rival, Thomas não dá conta de parar Wall. Isso carrega Marcus Smat e Avery Bradley, excelentes defensores, mas que também terão que tomar conta de Bradley Beal, o melhor arremessador em quadra e mais alto dos armadores da disputa, o que lhe dá alguma vantagem no duelo dos armadores.

Os jogadores de apoio do Wizards são piores do que os do Celtics, mas são caras que compensam suas deficiências na base da porrada – Marcin Gortat e Markieff Morris sabem brigar, enquanto Al Horford, apesar de ser disparado o mais técnico dos ‘big men’ da série, é conhecido por ser ‘polido’ demais no jogo.

Apesar de ver uma vantagem grande nestes aspectos para o Wizards, acho que o Boston tem boas chances de equilibrar as coisas com uma defesa organizada. Um bom exemplo foi a série contra o Bulls: quando o time não marcou bem, tomou na cabeça, quando encaixou lá atrás, sobrou.

Espero uma guerra. E torço por sete jogos.

Um problema de garrafão

É emblemático que o melhor jogador do Boston Celtics, seja um dos menores jogadores da histórica da NBA. Isaiah Thomas não tem muito a ver com isso, mas a falta de poder do time verde dentro do garrafão tem sido decisiva para que o Chicago Bulls tenha aberto 2-0 na série inicial dos playoffs – fora de casa!

Para o delírio dos torcedores ‘old school’, que sempre lamentam que hoje o jogo se resume a um campeonato de três pontos, a série está sendo definida lá embaixo da cesta.

A deficiência do Boston Celtics em, especialmente, defender o seu aro e recuperar rebotes defensivos já era conhecida. O time tem poucos jogadores de garrafão com algum talento para guardar a cesta – Al Horford é o único que se salva – e já era, de longe, o time que menos pegava rebote a partir dos arremessos dos adversários. Nos dois primeiros jogos da série, essa fraqueza está transformando Robin Lopez no improvável melhor jogador da disputa. Só ontem, ele recuperou 5 rebotes no ataque, alguns deles em jogadas decisivas, que sacramentaram a vitória do Chicago.

Para completar, Jimmy Butler e Rajon Rondo, dois jogadores de perímetro, também são excelentes reboteiros para suas posições. Com isso, o Bulls já recuperou 22 rebotes a mais do que o Celtics em duas partidas. Na proporção de ‘rebotes ofensivos disponíveis’, o Offensive Rebound Percentage, o Chicago vem tendo uma considerável vantagem de 38% a 26% do Boston.

Para piorar, o aproveitamento nos chutes do Boston não está compensando (os times estão praticamente empatados no quesito) e a segunda unidade da equipe está sendo atropelada pelos reservas de Chicago.

Para quem lembra, foi mais ou menos assim que o Oklahoma City Thunder derrotou o San Antonio Spurs no ano passado, brigando muito lá embaixo e recuperando todas os arremessos errados possíveis. É uma tática que demanda talento, força física e uma certa ousadia, uma vez que orientar muita gente do time para isso, expõe a defesa para contra-ataques – recurso que o Boston tem de sobra, mas não tem conseguido usar.

Não acho que a série já esteja decidida, apesar de ser apenas a segunda vez na história que um oitavo colocado abre 2-0 contra um líder de conferência e do Bulls ter três jogos em casa precisando vencer só dois para fechar a série. Acho que o Boston tem muito talento e organização para se superar.

No entanto, o elenco do Celtics é bastante jovem e já está sentindo a pressão do ‘blowout’. Ontem mesmo os jogadores já tretaram com a torcida e se perderam em quadra em alguns momentos. O contraste fica ainda mais nítido diante de veteranos super rodados do Bulls como Wade e Rondo.

Daqui pra frente, as coisas precisam mudar para o Celtics. Ou a equipe será mais uma a entrar para história dos playoffs da pior maneira possível, como um dos pouquíssimos times que foram eliminados logo de cara para o oitavo colocado.

Page 1 of 2

Powered by WordPress & Theme by Anders Norén