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Lendas Urbanas da NBA: Jordan não se aposentou, mas foi suspenso pela NBA (?)

Então tricampeão, cestinha das últimas sete temporadas, finalmente incontestável melhor jogador de basquete de todos os tempos, Michael Jordan anunciava sua aposentadoria do jogo aos 30 anos de idade. A notícia era absurda. Os motivos, praticamente incompreensíveis: a falta de desafios no basquete e o desejo de jogar baseball eram suficientes para que o jogador mais competitivo que já existiu largar mão de tudo?

Então, na coletiva de imprensa em que anunciava oficialmente sua saída de cena, Jordan é questionado se voltaria um dia a jogar basquete profissionalmente e ele responde: “se minha vontade voltar, se o Bulls precisar, se David Stern deixar, eu posso voltar, sim”. Pronto, já estava claro para alguns: Michael Jordan não estava de fato se aposentando, mas na verdade iria cumprir uma suspensão secreta por abusar das apostas e, assim que o manda-chuva da NBA permitisse, voltaria a vestir a regata do Chicago.

A teoria conspiratória tem sustentação na realidade, de fato. Michael Jordan vinha acumulando problemas associados ao seu vício em apostar grana em jogos de golfe e cartas e a pressão da imprensa por atitudes por parte da liga vinham crescendo substancialmente.

Nos meses anteriores alguns casos específicos confirmariam as suspeitas. Em 1992, a polícia prendeu um traficante chamado James “Slim” Bouler com um cheque no valor de 57 mil dólares assinado por Jordan. Meses depois, encontrou outro cheque de MJ, no valor de 108 mil dólares, na casa de Eddie Dow, um agiota assassinado – a biografia de Michael escrita por David Halberstam conta que o jogador contraiu as dívidas em uma temporada de jogatinas com os dois depois do título de 1991.

Aproveitando toda a confusão, um cara chamado Richard Esquinas escreveu um livro sobre seu vício em jogo e disse que já tinha tirado mais de 1 milhão de Jordan e que ele ainda o devia 300 mil – confirmados pelo atleta depois. A NBA, naturalmente, ficou bastante incomodada com tudo isso. Jordan era o melhor jogador da melhor época da liga. A ida do Dream Team para Barcelona, a renovação dos contratos de TV e a popularização do esporte pelo globo multiplicavam as cifras e Michael Jordan era seu garoto-propaganda absoluto.

A relação de apostas e esporte notoriamente polêmica e muitos jornalistas cobravam uma atitude da liga, que nada fazia se apoiando no fato de que Jordan nunca tinha sido pego apostando em basquete, apenas em golfe e jogos de cartas.

O estopim foi Michael ter sido visto em um cassino de Atlantic City entre um jogo e outro das finais da conferência Leste dos playoffs de 1993. A imprensa dizia que Jordan estava descontrolado. O jogador se irritava com isso e ficava ainda mais arredio. Bob Costas, comentarista da NBC, chegou a confrontar David Stern no ar, perguntando se a NBA não faria nada para frear as jogatinas de Jordan.

Stern não manifestava publicamente preocupação. Era de se entender, já que desvalorizar Jordan era fazer a NBA perder muito dinheiro. A solução seria, então, uma punição por debaixo dos panos. MJ ficaria um tempo sem jogar, a poeira iria baixar e o foco seria desviado. A ausência dele também ajudaria a liga a formar novos ídolos, já que estava carente de Larry Bird e Magic Johnson e todos os holofotes se concentravam em Michael. Passada a tempestade, Jordan poderia voltar – como voltou, de fato, um ano e meio depois.

O péssimo rendimento de Jordan no baseball é outra fonte de desconfiança da turma mais paranoica. Já que a falta de competitividade era um argumento para não jogar mais basquete, seria também para não jogar baseball – era muito bom em um e muito ruim em outro, sem competitividade em ambos.

Oficialmente – e de acordo com os relatos mais confiáveis da sua biografia e do livro de Phil Jackson, “Onze Anéis” – Jordan estava de saco cheio da imprensa e de ter sua vida importunada por tanta gente. Esta prestes a enlouquecer. Queria dar um tempo urgentemente. Perdeu a cabeça quando seu pai morreu assassinado em agosto de 1993 e repórteres transformaram o velório em um evento público – a morte do pai, aliás, segundo outras teorias malucas, teria sido um acerto de contas por causa de… apostas.

Phil Jackson, técnico do Bulls, sugeriu que o jogador ficasse uma temporada fora de cena e voltasse apenas para jogar os playoffs. Jordan, segundo Phil, disse que pensou nisso, mas que achava que não seria o suficiente. Queria descansar de vez. Não queria colocar uma data de retorno certa. Queria se aposentar mesmo.

Pelo visto, as apostas eram um problema real de Michael Jordan. O assédio da imprensa e a cobrança dela por conta deste vício, também. Mas é difícil de engolir que tudo tenha sido um mero jogo de cena.

Muitos egos para um só time

O pedido de Kyrie Irving para ser trocado surpreendeu a quase todo mundo. Eu, por exemplo, escrevi aqui que não conseguia entender a cabeça do jogador. Muita gente, assim como eu, ficou sem compreender nada. Mas, no fundo, não deveria ser assim. O fim traumático do relacionamento de estrelas que dividem o mesmo time é frequênte. Na verdade, é mais comum que supertimes terminem com cada um indo para um canto em uns três ou quatro anos do que eles irem se desmanchando naturalmente, sem ressentimentos.

O roteiro quase sempre segue a mesma linha: dois ou três jogadores se reúnem para tentar ganhar, os egos inflam, alguém fica decepcionado com a repercussão das coisas e os caras brigam. As principais histórias parecem uma versão realmente interessante daquela poesia: Penny Hardaway tretou com Shaquille O’Neal (no Magic) que tretou com Kobe Bryant (no Lakers) que tretou com Dwight Howard (também no Lakers) que tretou com James Harden (no Rockets) que agora se juntou a Chris Paul e sabe lá até quando estarão ‘de bem’.

Mas é bem isso mesmo. Shaq e Penny Hardaway formavam a dupla mais empolgante da NBA. Um era o jogador mais dominante do esporte, o outro era o principal candidato a substituir Michael Jordan – que tinha se aposentado pela primeira vez. Em três temporadas, o casamento acabou com O’neal forçando a barra para fugir do companheiro.

No time seguinte, foi a vez de Kobe Bryant, uma estrela emergente, dar o ultimato. Os dois venceram três campeonatos seguidos, mas no último deles a situação já estava insustentável. A dupla ainda se manteve junta por mais duas temporadas, mas não resistiu à derrota para o Detroit Pistons – quando estavam acompanhados de Karl Malone e Gary Payton numa parceria que deu errado para todos os envolvidos.

Anos mais tarde, Kobe também não aguentou a união com Dwight Howard. Mesmo machucado, o jogador infernizou o pivô – que não tem a melhor cabeça do mundo – até o final da temporada. Resultado, na temporada seguinte Dwight saiu praticamente fugido de Los Angeles para Houston, encerrando uma parceria que foi anunciada como a ‘nova dinastia do Lakers’.

No Rockets, Howard também passou perrengue. Na última temporada, com o time implodindo, Harden e o pivô não conseguiam mais conviver. Parecia que nenhum dos dois mais queria jogar, só queriam, em quadra, mostrar que o motivo do insucesso do time era a presença do outro no elenco.

Mas os casos vão além dessa ciranda: Stephon Marbury não quis mais jogar com Kevin Garnett no Timberwolves, Ray Allen se desentendeu com o restante da turma em Boston, Sottie Pippen e Charles Barkley não se aguentavam mais em Houston… Todas as parcerias começaram muito bem, se diziam muito promissoras (algumas até de fato deram resultados excelentes), mas em algumas temporadas simplesmente evaporaram em meio à guerra de egos.

Levando em conta o principal motivo que faz com que estes caras se reúnam – ganhar um título -, a dissolução do Cleveland Cavaliers atual deveria ser ainda menos impressionante. O time já foi campeão em condições bem desfavoráveis, valorizando a conquista de cada um – Kyrie Irving especialmente, já que foi o autor da cesta do título.

Uma vez que a missão tenha sido cumprida, nada mais segura o jogador junto aos outros. No máximo, a sede por outros títulos – que pode ser menor do que a vontade de ser o melhor jogador em outro time, tomando outros ares. Em um cenário em que o roubo do título do Golden State Warriors parece uma tarefa cada vez mais difícil, é bem plausível que estes caras precisem de outras motivações para jogar.

Pela frequência tão intensa de desavenças entre estrelas é de se louvar supertimes que duraram mais do que a média. Não é comum times ficarem quase uma década juntos, como Los Angeles Lakers e Boston Celtics dos anos 80. Ainda que ambos tenham enfrentados alguns problemas de relacionamentos (Magic foi fritado pelos colegas no começo da sua carreira e Cedric Maxwell chegou a fazer a coisa desandar no Celtics em determinado momento), os núcleos principais de cada time conseguiram resistir ao tempo.

O mesmo dá para dizer do Chicago Bulls dos anos 90, que era uma bomba relógio ambulante, mas que conseguiu conter os ânimos dos jogadores por um bom período – talvez a grande virtude de Phil Jackson, técnico do time na época.

No momento, o Golden State Warriors é o grande exemplo. A exceção que confirma a regra. Não só Klay Thompson, Draymond Green, Andre Iguodala e companhia toparam manter os papéis de coadjuvantes de Stephen Curry em nome de uma sequência de temporadas vitoriosas, como Kevin Durant, uma estrela ainda maior, se juntou ao time – e sempre que pode, enaltece o clima entre os jogadores.

O quanto essa lua de mel vai durar é uma incógnita, mas ao que tudo indica a relação está saudável o suficiente para que não seja possível imaginar um desmanche no time, como é o que parece que vai acontecer com o Cleveland Cavaliers e que tantas vezes já rolou ao longo da história.

Os possíveis destinos de Kyrie Irving

Não sou muito afeito a isso, mas dado o terremoto causado pelo anúncio de que Kyrie Irving pediu para ser trocado e a falta de notícias na liga neste período do ano, fazer um exercício de achismo total sobre o destino do jogador pode ser divertido.

Antes de analisar quais times poderiam se interessar numa troca por Kyrie, qual deles deveriam realmente se esforçar em uma negociação e o que poderia seduzir o Cleveland Cavaliers, é preciso fazer um esclarecimento muito importante – que muita gente tem ignorado por aí: Irving NÃO TEM poder sobre o seu futuro neste contrato atual (que vai até 2019). O Cavs é que decide para onde ele vai e SE vai para algum lugar. Por mais que o jogador tenha supostamente indicado alguns destinos de sua preferência, o que vai determinar esta negociação é qual o melhor troco que o Cleveland consegue.

O fato de Carmelo Anthony estar nas conversas para trocas há algum tempo pode causar alguma confusão neste sentido. O ala do Knicks tem uma cláusula em seu contrato dizendo que ele não pode ser trocado sem sua ciência e aprovação. Na prática, ele que escolhe se e para onde pode ser negociado. Mas pouquíssimos jogador têm termos deste tipo nos seus contratos – e Kyrie não é um deles. Logo, tudo depende da conveniência e boa vontade do Cavs.

Bom, sobre as suposições a seguir, lembrem que é só um exercício completo de achismo. Como vocês verão, acho bem difícil que saia algum negócio. Portanto, todas as propostas de trocas são absolutamente hipotéticas. Ah, e não considerei trocas envolvendo três times para não entrar em um espiral infinito de possibilidades.

Vamos às hipóteses que eu considero mais realistas:

Continua no Cleveland

Por mais que o jogador tenha pedido a negociação, o time pode não seguir esta recomendação. A verdade é que não sabemos o exato teor da conversa e como anda a relação do jogador, colegas e franquia. Não se sabe o quão urgente é essa saída, por exemplo. Com as trocas de Jimmy Butler, Paul George e Chris Paul, os nomes mais interessantes disponíveis já foram realocados, reduzindo as possibilidades do Cleveland conseguir algo de valor equivalente em troca.

Mesmo em um cenário em que Kyrie quer sair para se antecipar a um movimento do Lebron no ano que vem, acho que o mais prudente seria tentar segurar o grupo junto por mais uma temporada. Ir para o tudo ou nada. Um improvável título poderia mudar as coisas de cenário, também. Não vejo muito risco para o Cleveland apostar nisso.

New York Knicks

Dentre os times preferidos de Irving, o Knicks é o menos ameaçador para o Cavs. Logo, seria mais inteligente privilegiar a franquia, caso fosse mesmo atender o pedido do armador. Também atenderia melhor a vontade de Kyrie de ser dono do time, além de formar uma dupla animadora com Kristaps Porzingis. A chance de rolar jogo aqui é convencer Carmelo a ir para Cleveland – os reports dão conta que hoje o jogador está determinado a ir para Houston.

O desafio maior seria fazer os salários baterem, já que Irving recebe menos que Anthony e o Cavs está absolutamente afogado além do limite salarial – portanto, não pode receber contratos maiores do que os que está enviando. Neste caso, precisaria envolver mais jogadores no rolo.

Coloquei aqui Iman Shumpert na negociação. Ele perdeu algum espaço no time na última temporada e seria ‘muito Knicks’ repatriar um cara desse tipo em algum momento. Mas poderia ser qualquer outro cara desse calibre.

Chicago Bulls

Bom, aqui vou seguir o raciocínio de que o Cleveland iria preferir mandar Kyrie para times que não o ameaçam. Usando como critério que Lebron James MEIO QUE MANDA no Cavs e quer jogar com seus amigos, uma troca possível seria com o Bulls pelo Dwyane Wade. Não acho que seria a negociação mais inteligente para qualquer um dos lados, mas dá para imaginar uma reunião entre os jogadores ainda saudáveis do Big3, assim como acharia bem provável o Bulls fazer algo bem incoerente com seus últimos movimentos (que no caso seria pegar mais um point guard).

Wade também recebe um salário maior do que Kyrie, o que demandaria algum ajuste para que a negociação saísse do papel. Como os contratos são mais parecidos, qualquer troco do Cavs já seria suficiente.

Denver Nuggets ou Phoenix Suns

Acho possível que o Cleveland tope conversar com algumas equipes, digamos, ‘periféricas’ da conferência Oeste. Denver e Phoenix são dois times que estão bem empenhados em se reforçar e a adição de ‘star power’ poderia elevar consideravelmente o patamar das equipes.

O Suns tem sido envolvido em várias suposições, muitas delas em trocas de três times. O nome mais cotado para sair do time, neste caso, é Eric Bledsoe. Além dele estar meio descontextualizado no atual elenco do Suns – que tem duzentos jogadores sub-21 -, acredito que teria um encaixe interessante ao lado de Lebron. Seria um downgrade para o Cavs na armação, mas também uma oportunidade de se reforçar na defesa e pensar em um esquema diferente para parar o Golden State Warriors.

Para compensar as coisas, simulei a ida de Dragan Bender para Cleveland, já que tornaria a proposta bem mais interessante para o time. Como o jogador não performou o esperado nos primeiros meses de jogo, acho que seria a aposta mais dispensável do Suns.

Vejo o Denver Nuggets mais ou menos na mesma situação. O time quer muito um armador e tem muita gente para, eventualmente, formar um pacotão para o Cavs. A vantagem aqui é que o Denver tem bastante gente nova e com contratos baratos para oferecer. Caso o front office do Cleveland sinta que é inevitável a saída de Lebron no ano que vem, seria um primeiro passo interessante para formar um elenco jovem e promissor para o futuro sem ter que passar por um traumático processo de tanking.

Ajuda o fato que Nuggets e Cavaliers já vinham se falando para uma possível troca envolvendo Kevin Love. Logo, é possível que alguns atletas do Colorado interessem ao Cavs.

Miami Heat ou Milwaukee Bucks

Seria bem irônico o desmoronamento do Cleveland passar por Miami. Por mais que eu não acredite que o Cavs vá entregar seu segundo melhor jogador para um rival assim, este é um dos destinos preferidos de Kyrie, então é preciso ao menos considerar a possibilidade.

Só consigo imaginar alguma coisa saindo aqui se o Heat mandasse Goran Dragic e algum dos seus jovens talentos. Como desprezo completamente Josh Richardson e Tyler Johnson, simulei aqui com Justise Winslow, um desejo hipster de vários times da NBA quando entrou na liga, mas que passou boa parte da última temporada lesionado. Mesmo assim, não acredito numa troca assim.

Coloco no mesmo bolo o Milwaukee Bucks porque o time é um rival direto do Cavs que seria automaticamente alçado ao posto de favorito no Leste caso Kyrie desembarcasse por lá. Considerando o fato que o time não tem armadores que sejam do mesmo nível do resto do elenco, acho que o Milwaukee gostaria de contar com Irving no time.

A pegada aqui é dar alguma juventude ao Cavs, em um esquema parecido ao que fiz com o Denver – sem que o Bucks abrisse mão das suas principais apostas para o futuro. Não acho provável, mas…

San Antonio Spurs e Minnesota Timberwolves

Por fim, fecho a lista de especulações (que saíram da minha cabeça exclusivamente) com dois dos times que completam a lista de preferências de Kyrie. Acho até plausível que o Cavs considere mandá-lo para a conferência Oeste, mas a chegada do armador a qualquer uma destas equipes poderia fazer delas rivais reais do Golden State Warriors, tirando do Cleveland o posto de segunda melhor equipe da liga.

O Minnesota tem o empecilho que Jeff Teague, novo armador do time, só pode ser trocado em dezembro – e não vejo muita possibilidade de uma negociação sair ali sem envolvê-lo. Em todo caso, dá para brincar imaginando algo meio surreal levando Andrew Wiggins ao time que o draftou há três anos. Acho que seria ruim para o Cavs e não seria algo da vontade do Wolves, mas não consigo pensar em outra coisa – o time de Minneapolis não colocaria Towns ou Butler no negócio, acho.

Fiz uma troca meio nada a ver considerando que Wiggins está negociando uma extensão gigantesca de contrato e os valores salariam podem mudar nos próximos dias.

Spurs é outro time que vem sendo cotado nas conversas. Não acho que Irving, apesar da qualidade, seja o armador dos sonhos da franquia e nem que o cenário ao lado de Kawhi seja o mais apropriado para um cara que quer ser franchise player. Em todo caso, o time parece que tem ouvido propostas por Lamarcus Aldridge e uma mudança neste sentido não seria a coisa mais absurda do mundo – apesar de muito improvável.

Por tudo dito acima, apesar das propostas, acho bem difícil que Kyrie saia já. Mas é um bom assunto para ocupar o vazio da offseason.

Butler e a troca de status de Bulls e Wolves

Não sou do tipo de cara que se empolga muito com o draft. Nessa época do ano, parece que os 60 jogadores selecionados terão alguma influência nos times pelos quais foram escolhidos – quando, na verdade, uma boa parte sequer acaba jogando por estas equipes e apenas alguns do grupo terão algum impacto no meio ‘dos adultos’. Mas eu gosto quando acontecem trocas, especialmente quando jogadores excelentes são envolvidos. Ontem, para a minha alegria, Jimmy Butler, All Star titular, All NBA e um dos melhores jogadores da posição, foi trocado pelo Chicago Bulls para o Minnesota Timberwolves.

A negociação faz com que os times quase que automaticamente invertam os papéis na liga: a chegada de Butler deve ser o gatilho para que o Minnesota finalmente brigue na parte de cima da tabela e o troco recebido pelo Bulls é a esperança de que a franquia se reinvente para os próximos anos.

Desde que Tom Thibodeau foi anunciado no Timberwolves, Jimmy Butler já era sondado para se mudar para o meio-oeste americano. Foi sob o comando de Thibs que Butler se tornou o Most Improved Player da NBA em 2015, por exemplo. E com um primeiro ano em que o técnico penou para construir uma defesa sólida – sua marca característica -, alguma coisa precisava ser feita.

O Wolves, então, escolheu tentar vencer agora. Abriu mão de dois talentos auxiliares ao seu núcleo principal de Andrew Wiggins e Karl Anthony Towns para buscar algum atleta que já estivesse em seu auge. Que pudesse chegar e ajudar a equipe já, tanto no ataque, quanto na defesa.

(Gary Dineen/NBAE via Getty Images)

Na hora de decidir o que devia abrir mão, com certeza pesaram algumas coisas: mesmo com toda a má vontade da franquia com Ricky Rubio, Kris Dunn não conseguiu se mostrar mais eficiente que o espanhol; a melhora dos resultados do time depois da lesão de Zach Lavine; e a impossibilidade da franquia em draftar Jonathan Isaac, seu sonho de consumo na sétima posição – o jogador foi escolhido pelo Orlando Magic na sexta pick.

Agora, o Timberwolves tem um dos dez melhores quintetos titulares da NBA, facilmente, com Rubio, Butler, Wiggins, Dieng e Towns e não tem mais desculpas para não se classificar aos playoffs, mesmo na conferência Oeste. É um time com futuro, mas com possibilidades reais de bons resultados para já.

O Chicago Bulls, por sua vez, desistiu de vez de tentar qualquer coisa a curto prazo. Apostou na reconstrução. A princípio, parece que o time abriu mão da sua estrela por um trocado não muito valioso – boa parte da torcida achou que foi uma cagada, em português claro. Não foi. Dentro das possibilidades, o Chicago saiu com um núcleo jovem e comprovadamente talentoso.

É claro que ninguém ali se compara a Jimmy Butler e nem deve render o que o jogador rendia em um futuro próximo, mas há boas oportunidades de evolução em várias frentes.

Zach Lavine tem se mostrado um jogador muito bom. Ninguém assiste jogos do Timberwolves e, quando assiste, Wiggins e Towns são naturalmente os jogadores mais vistosos, mas Lavine é um excelente chutador de três pontos, tem uma capacidade atlética impressionante e recursos técnicos para ser um two-way player de destaque na liga. Com mais tempo com a bola na mão e envolvimento na rotação, não é difícil imaginar que ele emplaque logo uma temporada de 20 pontos por jogo.

Kris Dunn pode não ter tido um ano muito animador na sua estreia, mas vale lembrar que no momento do draft ele era considerado um dos jogadores de maior potencial da turma – o melhor defensor, principalmente. Agora, com um time  quase que só para ele, as coisas podem deslanchar.

Para completar, o Bulls pegou o jogador que, a princípio, tem o melhor chute deste draft. Lauri Markkanen é o retrato do pivô que os times procuram: alto, esguio e com range para arremessar de qualquer lugar da quadra. Uma aposta que não tem como não ser útil.

Claro que é frustrante para a torcida perder seu melhor jogador com a pretensa promessa de que as coisas melhorarão no futuro. Pode não dar certo mesmo, é verdade, mas não me parece que Chicago tivesse outra escolha. O time podia manter Butler por mais um ano e descolar uma oitava vaga sofrida nos playoffs, mas sem qualquer chance de ir além, só adiaria o processo de dar um passo atrás para tentar dar outros à frente.

A troca de Butler faz os times trocarem de status. O Chicago, que ano passado montou um trio para tentar ter resultados imediatos, assume o posto de franquia em evolução, que aposta em uma reconstrução a longo prazo. O Timberwolves, por sua vez, pula algumas etapas do seu processo, abre mão de alguns talentos futuros para tentar alguma coisa já nesta temporada.

A offseason está animada – mais do que a média – e é provável que mais times façam o mesmo, reconfigurando os papéis de cada um para a próxima temporada.

O maior arremesso de todos: The Shot

Há 28 anos, Michael Jordan fazia a cesta mais importante da sua carreira até aquele momento. Faltavam três segundos para acabar o jogo, o Chicago Bulls estava um ponto atrás no placar do último jogo da série de primeiro round contra o Cleveland Cavaliers. Jordan corre para receber o lateral entre dois jogadores rivais, bate bola até a cabeça do garrafão e salta para o chute com um segundo restando no relógio. Num movimento meio Dadá Maravilha, MJ parece que plana por uma fração de tempo, ‘retarda’ sua queda ao chão para ganhar espaço e arremessa no último centésimo antes de seu pé tocar a quadra novamente. Acerta o arremesso e faz a ÚNICA cesta da história no estouro do cronômetro em um último jogo de uma série eliminatória.

Por todo esse drama, este é conhecido como The Shot, ‘O ARREMESSO’, com uma ênfase brutal no artigo definido que explica que este é o chute mais importante já convertido – mais até que aquele que o mesmo Jordan meteu sobre Byron Russell contra o Jazz, já que aquele podia ser errado que o Bulls teria mais um jogo para tentar o título caso perdesse a partida.

É muito comum que o Chicago Bulls de Jordan hoje seja lembrado como um time super dominante e quase invencível. Foi mesmo a partir do momento que venceu seu primeiro título em 1991. Mas até lá, a franquia e o próprio Jordan eram bastante contestados, por uma suposta falta de capacidade de definição de jogos e vencer partidas importantes. ‘The Shot’ foi um grande marco para que esta impressão começasse a mudar.

Em 1989, Boston Celtics, Los Angeles Lakers e Detroit Pistons ainda eram os grandes times da liga. Chicago e Cleveland eram duas equipes emergentes que buscavam bater os rivais mais vencedores do momento. Na temporada regular, o Cavs, por sua vez, tinha vencido todos os seis jogos contra o Bulls e terminado o campeonato com a terceira melhor campanha no Leste – o Chicago ficou com a sexta.

Neste ano, as duas equipes-sensação da temporada se enfrentaram logo no primeiro round dos playoffs (que na época era uma série de cinco jogos). O jogo anterior já tinha ido para a prorrogação Jordan tinha feito 50 pontos, mas o Bulls havia sido derrotado – confirmando a tese na época de que Jordan era um jogador com marcas individuais impressionantes, mas falhava como um vencedor.

Na derradeira partida, veio a resposta num confronto de equilíbrio foi brutal. A três minutos do final, o jogo estava empatado em 90 a 90 e teve uma dezena de trocas de liderança até o apito do cronômetro. Jordan, que terminou com 44 pontos a partida, fez 6 nestes últimos minutos de jogo. Craig Ehlo, reserva do Cavs, vinha se transformando no herói improvável da partida, com 24 pontos, 8 deles nos últimos três minutos e uma cesta a 4 segundos do final da partida. Mas, coitado, ao invés de entrar para a história por isso, ficou marcado por ser o cara que tentou bloquear o arremesso derradeiro de Jordan – e aparecer nas milhões de reprises se lamentando, enquanto Michael Jordan dava o soco no ar mais famoso do basquete.

Um problema de garrafão

É emblemático que o melhor jogador do Boston Celtics, seja um dos menores jogadores da histórica da NBA. Isaiah Thomas não tem muito a ver com isso, mas a falta de poder do time verde dentro do garrafão tem sido decisiva para que o Chicago Bulls tenha aberto 2-0 na série inicial dos playoffs – fora de casa!

Para o delírio dos torcedores ‘old school’, que sempre lamentam que hoje o jogo se resume a um campeonato de três pontos, a série está sendo definida lá embaixo da cesta.

A deficiência do Boston Celtics em, especialmente, defender o seu aro e recuperar rebotes defensivos já era conhecida. O time tem poucos jogadores de garrafão com algum talento para guardar a cesta – Al Horford é o único que se salva – e já era, de longe, o time que menos pegava rebote a partir dos arremessos dos adversários. Nos dois primeiros jogos da série, essa fraqueza está transformando Robin Lopez no improvável melhor jogador da disputa. Só ontem, ele recuperou 5 rebotes no ataque, alguns deles em jogadas decisivas, que sacramentaram a vitória do Chicago.

Para completar, Jimmy Butler e Rajon Rondo, dois jogadores de perímetro, também são excelentes reboteiros para suas posições. Com isso, o Bulls já recuperou 22 rebotes a mais do que o Celtics em duas partidas. Na proporção de ‘rebotes ofensivos disponíveis’, o Offensive Rebound Percentage, o Chicago vem tendo uma considerável vantagem de 38% a 26% do Boston.

Para piorar, o aproveitamento nos chutes do Boston não está compensando (os times estão praticamente empatados no quesito) e a segunda unidade da equipe está sendo atropelada pelos reservas de Chicago.

Para quem lembra, foi mais ou menos assim que o Oklahoma City Thunder derrotou o San Antonio Spurs no ano passado, brigando muito lá embaixo e recuperando todas os arremessos errados possíveis. É uma tática que demanda talento, força física e uma certa ousadia, uma vez que orientar muita gente do time para isso, expõe a defesa para contra-ataques – recurso que o Boston tem de sobra, mas não tem conseguido usar.

Não acho que a série já esteja decidida, apesar de ser apenas a segunda vez na história que um oitavo colocado abre 2-0 contra um líder de conferência e do Bulls ter três jogos em casa precisando vencer só dois para fechar a série. Acho que o Boston tem muito talento e organização para se superar.

No entanto, o elenco do Celtics é bastante jovem e já está sentindo a pressão do ‘blowout’. Ontem mesmo os jogadores já tretaram com a torcida e se perderam em quadra em alguns momentos. O contraste fica ainda mais nítido diante de veteranos super rodados do Bulls como Wade e Rondo.

Daqui pra frente, as coisas precisam mudar para o Celtics. Ou a equipe será mais uma a entrar para história dos playoffs da pior maneira possível, como um dos pouquíssimos times que foram eliminados logo de cara para o oitavo colocado.

[Previsão dos Playoffs] Primeiro round do Leste

Agora vamos ao que interessa. Depois de seis meses de uma maratona quase que infinita de jogos, ‘o campeonato de verdade’ começa neste sábado. Confira aqui os dias dos jogos, os retrospectos dos confrontos ao longo da temporada e um breve palpite do que pode rolar ao longo da série:

1º Boston Celtics x 8º Chicago Bulls

Jogo 1 – Dom.  Abril 16  Chicago @ Boston, 20h30
Jogo 2 – Ter.  Abril 18  Chicago @ Boston, 20h
Jogo 3 – Sex.  Abril 21  Boston @ Chicago, 19h
Jogo 4 – Dom.  Abril 23  Boston @ Chicago, 19h30
Jogo 5 * Qua.  Abril 26  Chicago @ Boston, a definir
Jogo 6 * Sex.  Abril 28  Boston @ Chicago, a definir
Jogo 7 * Dom.  Abril 30  Chicago @ Boston, a definir

Confrontos na temporada regular: 2 x 2

Palpite: Celtics em 5 jogos

Os dois times vêm de temporadas absolutamente opostas: enquanto o Boston conseguiu ‘roubar’ a primeira posição do Cavs no Leste de maneira minimamente surpreendente (um segundo lugar era bem plausível, mas a liderança não era uma aposta segura), o Chicago enfrentou sérios problemas ao longo de todo o ano e só conseguiu a última vaga para os playoffs no desempate com o Miami Heat.

Ainda que estranhamente o Bulls tenha um retrospecto muito bom contra os melhores times da NBA – e o Celtics está neste grupo -, não imagino que possa acontecer uma zebra aqui. O Boston enfrentou suas maiores dificuldades contra times que contam com um garrafão forte ofensivamente, o que é praticamente a antítese do Chicago. Exceto Isaiah Thomas, o time verde tem alguns dos melhores marcadores de perímetro e tem boas chances de anular a única válvula de escape confiável do rival, Jimmy Butler.

Numa série de vários jogos seguidos, a capacidade do técnico tende a ficar mais evidente e até hoje não existe qualquer indício de que Fred Hoiberg tenha um talento comparável ao de Brad Stevens.

2º Cleveland Cavaliers x 7º Indiana Pacers

Jogo 1 – Sab.  Abril 15  Indiana @ Cleveland, 16h
Jogo 2 – Seg.  Abril 17  Indiana @ Cleveland, 20h
Jogo 3 – Qui. Abril 20  Cleveland @ Indiana, 20h
Jogo 4 – Dom. Abril 23  Cleveland @ Indiana, 14h
Jogo 5 * Ter. Abril 25  Indiana @ Cleveland, a definir
Jogo 6 * Qui. Abril 27  Cleveland @ Indiana, a definir
Jogo 7 * Sab. Abril 29  Indiana @ Cleveland, a definir

Confrontos na temporada regular: 3 x 1

Palpite: Cavaliers em 4

É verdade que provavelmente o Cavs está no seu pior momento da temporada e o Pacers em seu melhor. Verdade também que o Indiana tem talento bruto acima da sua posição da tabela. E, por último, também é real que Paul George é uma máquina que cresce em momentos de decisão. Mesmo assim, acho que o time de Nate McMillan não tem organização e defesa suficientes para parar o Cleveland.

Pelo que se viu ao longo dos últimos jogos da temporada regular, quando Lebron e companhia querem jogar de verdade, o time é outro, bem mais parecido com aquele dos playoffs passado do que com este que tem perdido uma pancada de jogos fáceis.

Já que não tem muita chance do Indiana passar, a expectativa fica por conta do duelo George x James, com o tempero das encheções de saco de Lance Stephenson.

3º Toronto Raptors x 6º Milwaukee Bucks

Jogo 1 – Sab.  Abril 15  Milwaukee @ Toronto, 18h30
Jogo 2 – Ter.  Abril 18  Milwaukee @ Toronto, 20h
Jogo 3 – Qui. Abril 20  Toronto @ Milwaukee, 20h
Jogo 4 – Sab.  Abril 22  Toronto @ Milwaukee, 16h
Jogo 5 * Seg.  Abril 24  Milwaukee @ Toronto, 20h
Jogo 6 * Qui. Abril 27  Toronto @ Milwaukee, a definir
Jogo 7 * Sab.  Abril 29  Milwaukee @ Toronto,  a definir

Confrontos na temporada regular: 3 x 1

Palpite: Raptors em 7

Para falar bem a verdade, dizer que essa série vai para sete jogos é mais um desejo do que um chute. Acredito que o Raptors tem experiência e talento de sobra para superar o Bucks recheado de novatos na pós-temporada.

O grande trunfo do Milwaukee na temporada é que Giannis é muito difícil de se marcar. Mas o Toronto é uma equipe que está vacinada contra isso: tem excelentes defensores em todos os cantos da quadra, especialmente Kyle Lowry, PJ Tucker e Serge Ibaka.

O único problema que eu vejo no time canadense é a falta de tempo de jogo do seu quinteto mais talentoso, já que Tucker e Ibaka chegaram no meio da temporada, justamente quando Lowry se machucou. O time terá que se acertar com o pau comendo, o que é um risco.

4º Washington Wizards x 5º Atlanta Hawks

Jogo 1 – Dom.  Abril 16  Atlanta @ Washington, 14h
Jogo 2 – Qua.  Abril 19  Atlanta @ Washington, 20h
Jogo 3 – Sab. Abril 22  Washington @ Atlanta, 18h30
Jogo 4 – Seg. Abril 24  Washington @ Atlanta, 21h
Jogo 5 * Qua. Abril 26  Atlanta @ Washington, a definir
Jogo 6 * Sex. Abril 28  Washington @ Atlanta, a definir
Jogo 7 * Dom. Abril 30  Atlanta @ Washington, a definir

Confrontos na temporada regular: 3 x 1

Palpite: Wizards em 6

Eu gosto do time do Atlanta, ainda confio em Dwight Howard e amo Paul Millsap, mas acho que o Washington demora no máximo seis partidas para nocautear Hawks. O Wizards encontrou uma formação muito eficiente para jogar contra times médios nesta temporada – que é o caso do Atlanta – e só deve enfrentar maiores dificuldades quando o rival estiver em uma noite atipicamente inspirada.

O maior problema pro time da Geórgia é que não tem como parar a dupla de armadores do Washington. Dennis Schroder não tem cacife para parar Wall ou Beal. Jose Calderson e Malcolm Delaney, seus reservsa, idem. Para isso, terá que abrir mão do poder de fogo e abusar de Thabo Sefolosha, Kent Bazemore e Taurean Prince, bons defensores. Enfim, a capacidade do Hawks para esse matchup é um lençol curto sem solução.

Por último, torço muito por um confronto entre Washington e Boston, uma das maiores rivalidades da NBA atual, na próxima fase.

Amanhã posto os palpites do Oeste!

Alguém vai sobrar

São três times e apenas duas vagas. Isso para ser definido em apenas um jogo. A rodada final da temporada regular, nesta quarta-feira, vai ter ares de decisão de campeonato para Indiana Pacers, Chicago Bulls e Miami Heat.

Os três times jogam em casa e os dois primeiros, Pacers e Bulls, precisam vencer para se garantir entre os oito melhores do Leste. O Heat, além de fazer o seu papel, precisa secar um dos rivais para retomar um posto no mata-mata.

Cada um dos times vai enfrentar um drama para tentar se garantir nos playoffs.O Miami Heat, a princípio, é o que tem o pior cenário por depender do revés de um dos outros dois. Por outro lado, é o time que, de um modo geral, enfrenta menos pressão: com uma equipe completamente desmantelada, maior parte das pessoas dava como certo que a franquia só faria figuração nesta temporada. O time encontrou um monte de jogadores com muita vontade de jogar e Erik Spoelstra definiu um modelo de jogo que fez o time emplacar uma sequência de vitórias digna dos melhores times do campeonato – só o Warriors emplacou um ‘streak’ mais longo. Só estar ali disputando alguma coisa até o final da temporada já é um puta feito da equipe.

Tem a vantagem de jogar contra o Washington Wizards, que não luta por mais nada na última rodada – ainda que empate com o Raports, perde no critério de desempate.

Em condições levemente mais favoráveis, encontra-se o Chicago Bulls. O time joga em casa contra a equipe mais desprezível da NBA na atualidade, o Brooklyn Nets, que tem apenas 20 vitórias na temporada. O grande problema aqui é que o histórico do Bulls contra times ruins é péssimo – enquanto a campanha contra as equipes boas é positiva. Quer dizer que, só por causa disso, o time vai perder? Claro que não, mas o retrospecto deve servir de alerta.

Por fim, o Indiana Pacers enfrenta o Atlanta Hawks, que vem de uma boa sequência, já está garantido no mata-mata e é bem provável que não ofereça muitas resistências. O grande lance aqui é o Pacers emplacar uma vitória com o que tem de melhor – o time entrou na temporada com expectativas em alta, mas viveu uma montanha-russa ao longo da competição, sem a menor consistência ao longo do ano. Este jogo, aliás, terá transmissão da ESPN!

Dado o momento dos times e tudo que Jimmy Butler e Paul George têm jogado, o meu palpite é que Miami vai pagar o pato. Acho que os três times vencem suas partidas finais, com Indiana garantindo a 7ª colocação e Chicago a 8ª, com uma campanha exatamente igual a do Heat, mas com o time da Florida perdendo no desempate. Vale ficar de olho!

Quase todo piti é exagerado

Parece que é combinado. A um mês da data limite para trocas, jogadores de times ruins, estrelas de franquias que lutam pelo time e atletas renegados soltam o verbo manifestando suas insatisfações. Semana passada foi emblemática: Lebron James, Dwyane Wade, Jimmy Butler e Rajon Rondo abriram a boca para reclamar de algo.

É legítimo e não teria problema nenhum se fosse feito de outra forma. O problema é a maneira que muitos jogadores tentam resolver as coisas: dando piti publicamente pela mídia.

Antes de qualquer coisa, eu faço a ponderação que a gente não sabe o que é tratado internamente. Pode ser que nos meses que precedem o desabafo para a imprensa sejam de intensa negociação com comissão técnica, front office e colegas de time. Realmente, não temos como saber.

Mesmo assim, acho irritante essa choradeira toda. Na maioria esmagadora das vezes me parece mais um sintoma de alguém que está tentando transferir a sua responsabilidade do que de um sujeito que quer realmente solucionar algo.

A começar por Lebron James. É o maior GM informal da liga. Força a barra para o time assinar com seus camaradas, para que demita o técnico, para que o elenco se reforce. OK, é um status adquirido. Mas não é exagero chorar por um armador reserva como se isso fosse a coisa mais fundamental do planeta quando o front office do Cavs é uma extensão direta das suas vontades?

Detalhe que o time já se sujeita a se reformular inteiro para buscar Kevin Love no Timberwolves, a assinar contratos de um ano com ele mesmo para garantir equipes competitivas todas as temporadas e a renovar seus colegas de time (JR Smith e Tristan Thompson, clientes do seu mesmo empresário) por fortunas. O que mais ele quer?

Além do que o Cleveland Cavaliers é uma equipe que já tem um dos elencos mais fortes da liga em uma conferência em que a franquia tem a confortável condição de levar em ritmo de cruzeiro. Se Lebron tem razão em fazer isso, todos seus concorrentes do Leste teriam o mesmo direito.

Não é porque o time não tem o veterano que Lebron quer na armação que o time perdeu para o Sacramento Kings e para o New Orleand Pelicans sem Anthony Davis.

Dwayne Wade é outro que não está lá muito em condições de jogar seus colegas aos leões. Depois de uma derrota, falou que só ele e Jimmy Butler jogam no time do Bulls, que só os dois se importam com os resultados das partidas, jogando toda a responsabilidade dos recentes resultados ruins nos jovens jogadores do Bulls.

Nos dias seguintes, os seus colegas comentaram que Wade não era uma presença muito constante nos treinos do time e Butler, que endossou as críticas do veterano, fez sua pior partida da carreira com apenas uma cesta em 13 arremessos tentados – duas coisas que também não são lá muito exemplares pros demais.

Rajon Rondo, por sua vez, jogou merda no ventilador ao postar nas suas redes sociais que exemplos de verdade eram os seus veteranos no tempo de Boston Celtics, que não procuravam a imprensa para expor seus colegas e resolviam seus problemas internamente e na quadra. No caso dele, não que ele esteja muito preocupado com o sucesso do Bulls, mas possivelmente viu na treta toda uma possibilidade de recuperar os minutos perdidos na rotação ou melar o ambiente de vez e forçar uma troca para um time onde tenha mais espaço.

Todos estes caras são escolados, sabem que qualquer peido fora de hora vira uma bomba. Uma declaração dessas não é um descuido. É uma jogada premeditada. Mas dificilmente tem resultados práticos mais eficientes do que os estragos causados dentro do time.

Não vejo um armador veterano e sem time sendo tão útil assim para o Cleveland Cavaliers no momento, que vá fazer muito mais do que os caras que estão por lá já fazem. Não imagino o Chicago Bulls dando uma virada brutal daqui em diante. Tenho certeza que se Rondo for pra outro time, não vai assumir a titularidade de uma equipe vencedora e retomar o status de estrela.

No fundo, é só um bando de marmanjo chorando diante de uma dúzia de microfones.

Sim, eles sabem arremessar

O jogo estava 101 a 99 para o Bulls e, em uma bola espirrada para a zona morta, Dwayne Wade encaçapou uma bola de três pontos a 26 segundos do final do jogo, dizimando qualquer chance do Boston Celtics vencer a partida. Foi um cala boca geral. Não só pelo chute em si que deu a vitória ao Chicago na estreia do jogador pela equipe, mas por o que aquela cesta representava: com uma atuação impecável nos chutes de longe, Rondo, Wade e Butler mostraram que podem, sim, arremessar de fora.

Havia uma desconfiança geral – minha, inclusive – de que o time estaria limitado a jogadas individuais, penetrações e ‘iso’ dos seus principais jogadores. Todas as críticas quanto à montagem do elenco se concentravam nesta deficiência dos jogadores. Isso porque o trio nunca foi muito afeito a chutar bolas de trás do arco e, sempre que Rondo, Butler e Wade tentaram fazer isso em grande escala, tiveram aproveitamentos ruins.

O desempenho na estreia, no entanto, contrariou o retrospecto. Somados, eles acertaram 9 de 14 arremessos de três pontos, com impressionantes 64% de aproveitamento.

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Para se ter uma ideia da evolução do desempenho, na carreira, os três geralmente acertam menos do que a metade do que acertaram ontem. Wade, por exemplo, fez quatro cestas do tipo no jogo, enquanto na temporada passada inteira, em 74 jogos, ele fez sete.

Me parece claro que houve uma recomendação para que os três arriscassem os arremessos sempre que encontrassem uma oportunidade – especialmente Butler e Wade. Se eles mostrarem consistência nestas jogadas, é uma tática inteligente, que torna o ataque do Bulls bastante imprevisível.

Foi só a estreia, mas foi surpreendente.

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