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#Fera: A temporada de trocas está aberta, mas o que deve acontecer de fato?

A temporada de rumores de troca está aberta. O que deve acontecer?

No #Fera: Memphis demitiu seu técnico para nos lembrar que os jogadores mandam na NBA

Memphis demitiu seu técnico para nos lembrar que os jogadores mandam na NBA

[Previsão 17/18] Grizzlies: por uma nova identidade

Há sete temporadas, um Memphis Grizzlies discreto e desfalcado eliminava no primeiro round dos playoffs o San Antonio Spurs, time de melhor campanha até então naquele campeonato. O segredo para um time tecnicamente inferior eliminar a franquia que é sinônimo de basquete bonito, coletivo e bem jogado foi muita luta, muito jogo físico e muita doação. Aquilo que parece mais um clichê de torcedor de um modo geral, para o Grizzlies foi levado como uma lei fundamental desde então.

O estilo que ficou batizado como “Grit and Grind” foi a única forma do Memphis bater de frente com seus maiores rivais de conferência, com elencos muito mais badalados e estrelados.

Deu certo. O time conseguiu sete idas seguidas aos playoffs e se transformou em um dos rivais mais temidos neste período. Por melhor que fosse o time, enfrentar o Grizzlies era um tormento.

Mas a mudança de temporada pode significar o fim de uma era. O time envelheceu bastante neste período e Tony Allen e Zach Randolph, dois pilares da equipe desde aquela série contra o Spurs em 2011, mudaram de ares. Vince Carter, outro veterano que tinha se juntado à trupe e que se encaixava perfeitamente neste perfil, também vazou.

Do núcleo responsável por essa veia brigadora e raçuda, só sobraram Marc Gasol e Mike Conley. Os dois são disparados os mais talentosos desse período, mas também são os dois que, até por terem mais recursos técnicos, não são tão durões quanto os seus ex-colegas.

A provável mudança de característica torna este time uma incógnita. Além do time não ter se reforçado na mesma intensidade dos demais, a perda das referências do elenco fazem desta temporada um período de readaptação, em que o técnico David Fizdale pode tentar traçar algum novo perfil para a franquia nos próximos anos.

Por isso, acho que, depois de anos, o Memphis Grizzlies ficará fora de um mata-mata. Gasol e Conley podem até ter desempenhos individualmente mais vistosos do que nos anos passados, mas não acho que o time como um todo tenha cacife suficiente para ficar entre os oito melhores da conferência.

(Justin Ford USA TODAY Sports)

Teria alguma chance se Chandler Parsons voltasse a jogar a bola que o fez sair de Houston Rockets para ganhar uma bolada no Dallas ou se Tyreke Evans se transformasse tardiamente no cara que deu pinta que viraria ainda no seu ano de calouro. Mas é muito difícil que isso aconteça. Se os dois conseguirem ter uma temporada saudável, o time já sai no lucro.

Offseason
Perdeu Zach Randolph, Tony Allen e Vince Carter. Ganhou Tyreke Evans e Ben McLemore. Em talento, o time sai em desvantagem. No entanto, é um tímido sinal de renovação, processo pelo qual inevitavelmente o time terá que passar.

Time Provável
PG – Mike Conley / Andrew Harrison / Wade Baldwin / Mario Chalmers
SG – Ben McLemore / Tyreke Evans / Wayne Selden / Kobi Simmons
SF – Chandler Parsons / James Ennis / Dillon Brooks
PF – JaMychael Green / Ivan Rabb
C – Marc Gasol / Brandan Wright / Deyonta Davis

Expectativas
Memphis deve ser aquele time que incomoda todo mundo, belisca uns jogos importantes, mas que não tem cacife para ficar entre os oito primeiros do Oeste. Só se classifica se algo de muito errado acontecer com seus principais concorrentes de conferência.

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Zach Randolph é o sinal da puberdade do Memphis Grizzlies

Nenhum time começa grande. Antes de virarem as superpotências históricas de hoje, Boston Celtics e Los Angeles Lakers, por exemplo, já tiveram seus momentos em que eram apenas franquias buscando seu primeiro título, tentando reconhecer seus primeiros ídolos. Hoje, 70 anos depois, colecionam campeonatos, fracassos e jogadores excepcionais.

O Memphis Grizzlies, uma das franquias mais novas da NBA, ainda não teve tempo para tudo isso. Nos seus 22 anos de história o clube conseguiu, no máximo, chegar a uma final de conferência (em 2012, quando foi varrido pelo San Antonio Spurs) e o único jogador do Hall da Fama a ter vestido sua camisa até o momento foi Allen Iverson numa passagem, digamos, não muito gloriosa da sua carreira (foram apenas três partidas dele em Memphis).

Parte desse processo de amadurecimento, o Grizzlies anunciou nesta semana que Zach Randolph será seu primeiro jogador com uma camisa aposentada pela franquia.

Zach, vocês sabem, não é nenhum craque incontestável da liga. Já teve seus dias, mas o máximo que conseguiu foi ser All Star em duas temporadas, All NBA em uma e ter sido eleito o jogador que mais evoluiu na NBA em 2004 – quando ainda defendia o Portland.

Z-Bo está longe de ser um Larry Bird ou um Magic Johnson, mas não dá para menosprezar: tendo como base o que a franquia viu até hoje, ele é uma referência do que existiu de bom com a camiseta do time.

A história de ambos, inclusive, é bem similar, o que faz da escolha emblemática. Até Randolph desembarcar em Memphis, a franquia tinha tido três viagens aos playoffs em 14 anos. A passagem mais marcante do time até então tinha sido a mudança de endereço de Vancouver, no oeste canadense, para a cidade natal de Elvis Presley.

Randolph, da mesma forma, tinha no máximo mostrado alguns flashes de talento e colecionado algumas decepções. Tinha estourado num grupo conhecido como Portland JAIL Blazers, que reunia o que tinha mais fino da bandidagem da NBA no início dos anos 2000 – Z-Bo, ‘mau elemento’ coadjuvante, foi preso fumando maconha dentro do seu cadillac.

Saiu de lá para o New York Knicks, numa passagem que durou apenas um ano e 11 jogos – foi despachado para o Clippers quando o time de NY descobriu que precisaria de espaço para tentar atrair Lebron James nas temporadas seguintes. Ao final da temporada, o Clippers o trocou pela segunda vez em menos de um ano, depois dele quebrar o maxilar de um rival aos socos – sinal de que Randolph, apesar de ser um bom jogador, não era lá muito confiável.

Chegou ao Memphis como um cara que causava mais problemas do que tinha soluções. Um ‘jogador-problema’ em uma equipe que nunca tinha conseguido nada. Da mesma forma que o Grizzlies, teve seus bons momentos, mas nada digno de nota. Mas a partir daí, a moral dos dois, time e jogador, mudou perante a liga.

Z-Bo emplacou os melhores anos da sua carreira, fez uma dobradinha poderosa com Marc Gasol e suas confusões deixaram de ser o assunto preferido da imprensa que cobria sua carreira. O Memphis Grizzlies não só deixou de ser um time medíocre, como emplacou uma sequência de sete classificações aos playoffs. Nunca foi o favorito, mas virou aquela equipe que os favoritos preferem evitar.

Time brigador e perigoso, mostrou pra NBA que podia ser perturbador jogando com posições bem definidas em quadra, sem um grande jogador ‘all around’, mas com vários especialistas de qualidade. Randolph, por sua vez, mostrou que não é preciso entrar na onda de pivôs-esguios-e-chutadores para ter espaço na NBA. Gordo, pançudo e com cara inchada, sempre se sobressaiu na técnica.

É provável que com o passar dos anos novas gerações marcantes apareçam em Memphis. Que uma delas seja vencedora. Que algum jogador seja um craque espetacular. Mas é um processo que demora. O reconhecimento a Zach Randolph e seus colegas hoje é o sinal de que isso está para acontecer.

Playoffs em looping eterno

Por mais que cada ano seja um campeonato novo na NBA, algumas coisas parecem se repetir em um looping eterno. Sinceramente, não sei explicar. Particularmente eu não acredito em ‘peso de camisa’, que tal time ou jogador ‘afinam’ e etc. Acredito na coincidência, no azar e na sorte, mas algumas coisas insistem em sinistramente se repetir todos os anos.

Não importa o que acontecer, por exemplo, o Cleveland Cavaliers vai varrer qualquer intruso da conferência Leste. A menos que seja algum time que consistentemente reafirmou seu ‘merecimento’ na pós-temporada ao longo de todo o ano, invariavelmente o Cavs vai passar por cima – independente da fase do time, do clima, do número de jogadores à disposição ou lesionados. Foi assim ano passado, quando dizimou o Detroit Pistons e o Atlanta Hawks, e neste ano contra o Indiana Pacers.

Também parece que todo ano o Toronto Raptors vai penar para passar toda e qualquer rodada dos playoffs, das mais iniciais às mais avançadas. Em 2014 perdeu em um 4 a 3 melancólico na primeira fase, em 2015 foi varrido pelo Washington Wizards mesmo com a vantagem do mando de quadra e na temporada passada passou dos dois primeiros rounds, contra Pacers e Heat, levando a disputa até o sétimo jogo. Neste ano, contra o ‘juvenil’ (porém talentoso) Milwaukee Bucks, as dificuldades parecem ser as mesmas e a série está empatada em 2-2, apesar do time canadense ter um elenco muito qualificado e milhares de quilômetros mais rodado que o rival.

Neste caso, o que se repete é a falta de consistência dos seus melhores jogadores. Demar Derozan e Kyle Lowry, ainda que estejam entre as cinco melhores duplas de armadores da NBA de qualquer pessoa, parecem incapazes de jogarem bem ao mesmo tempo em partidas de playoffs. Uma coincidência triste para a franquia, que se bate para derrotar times mais fracos mesmo quando o Raptors deveria sobrar na disputa.

Do outro lado do mapa, algumas coisas também parecem funcionar como um ponteiro do relógio  – que passa o tempo e no dia seguinte, no mesmo horário, estará marcando, naturalmente, a mesma hora. A primeira delas é que Damian Lillard vai jogar tudo que pode e vai endurecer o confronto que for. Se tiver uma brecha, vai descolar uma vitória aqui ou ali contra um rival muito mais forte e, até, com sorte, se classificar (2014 contra o Houston e ano passado contra o Clippers, por exemplo).

Neste ano, assim como no passado, o Portland Trail Blazers tem conseguido jogar de igual para igual contra o Golden State Warriors em muitos momentos da partida, especialmente escorado no desempenho de Lillard e CJ McCollum. Mas uma dupla não é suficiente para derrotar o melhor time da liga – apesar de em alguns momentos dar indícios de que os jogos podem ser equilibrados.

Entra ano, sai ano, o Spurs vai jogar o fino sem ninguém notar e o Grizzlies vai pegar pesado e engrossar para o rival. Ano sim, ano não, os dois vão se enfrentar e, num choque de realidades, vai sair faísca.

Por último, é batata: alguém do Clippers vai se machucar e reduzir à migalhas as chances do time de ir a uma final de conferência. Quando não é Chris Paul, é Blake Griffin. Em regra, na verdade, os dois vão se lesionar. Não é urucubaca – aliás, torço muito para que o armador fique inteiro neste ano – mas tem sido assim nos últimos cinco anos, infelizmente.  É triste, uma vez que todo ano, também, a franquia começa a temporada como uma das mais talentosas da liga e uma das apostas para melar os planos dos favoritos. No entanto, quando os playoffs começam, alguma maldição desgraçada ronda por lá.

Isso que os playoffs começaram há pouco mais de uma semana e o primeiro round ainda está na metade para a maioria dos times. Com o passar dos jogos, certamente algumas histórias vão se repetir, mesmo que não tenha uma explicação lógica para isso acontecer. No que mais você aposta?

[Previsão dos Playoffs] Primeiro round do Oeste

Já soltei aqui os meus palpites do Leste. Agora é a vez de mostrar quais serão os confrontos da conferência Oeste, quem venceu os duelos da temporada regular e o que dá para esperar de cada matchup. Confere aí:

1º Golden State Warriors x 8º Portland Trial Blazers

Jogo 1 – Dom.  Abril 16  Portland @ Golden State, 16h30
Jogo 2 – Qua.  Abril 19  Portland @ Golden State, 23h30
Jogo 3 – Sab. Abril 22  Golden State @ Portland, 23h30
Jogo 4 – Seg.  Abril 24  Golden State @ Portland, 23h30
Jogo 5 * Qua. Abril 26  Portland @ Golden State, a definir
Jogo 6 * Sex. Abril 28  Golden State @ Portland, a definir
Jogo 7 * Dom. Abril 30  Portland @ Golden State, a definir

Confrontos na temporada regular: 4×0

Palpite: Warriors em 4 jogos

O time do Blazers é guerreiro, cresceu na reta final, buscou a vaga que estava com o Denver Nuggets, mas não vai ser páreo para o Golden State Warriors completo. O argumento é simples: ano passado o Blazers era melhor, o Warriors pior, estava baleado com a lesão do Curry e mesmo assim o time da California não teve muitas dificuldades para superar o rival. Neste ano, a tendência é que a fatura seja liquidada ainda mais cedo, já que o Warriors conseguiu gerenciar melhor o tempo de jogo dos seus atletas ao longo do ano e chega para o mata-mata em um grande momento.

A série serve para o Golden State encontrar a melhor forma de Kevin Durant, que volta de lesão.

2º San Antonio Spurs x 7º Memphis Grizzlies

Jogo 1 – Sab. Abril 15  Memphis @ San Antonio, 21h
Jogo 2 – Seg. Abril 17  Memphis @ San Antonio, 22h30
Jogo 3 – Qui. Abril 20  San Antonio @ Memphis, 22h30
Jogo 4 – Sab. Abril 22  San Antonio @ Memphis, 21h
Jogo 5 * Ter. Abril 25  Memphis @ San Antonio,  a definir
Jogo 6 * Qui. Abril 27  San Antonio @ Memphis, a definir
Jogo 7 * Sab. Abril 29  Memphis @ San Antonio, a definir

Confrontos na temporada regular: 2×2

Palpite: Spurs em 6

Os embates do Oeste parece que foram escolhidos todos sob medida. Neste caso, é o Spurs contra um time que sempre sonhou em ser o Spurs. As propostas têm suas semelhanças e imagino que o Memphis poderia ter uma melhor sorte contra qualquer outro rival. Contra o Spurs, no entanto, não imagino qualquer possibilidade de sucesso. A criatura não vai superar o criador.

Grizzlies tem como arma a possibilidade de puxar seus pivôs para fora do garrafão e causar algum desconforto em Pau Gasol, Lamarcus Aldridge e David Lee, mas a cobertura feita por Kawhi Leonard e Danny Green é inteligente o suficiente para neutralizar essa tentativa.

A segunda unidade do Spurs também tem tudo para massacrar os reservas do Memphis, dando mais tranquilidades aos titulares.

3º Houston Rockets x 6º Oklahoma City Thunder

Jogo 1 – Dom. Abril 16  Oklahoma City @ Houston, 22h
Jogo 2 – Qua. Abril 19  Oklahoma City @ Houston, 21h
Jogo 3 – Sex. Abril 21  Houston @ Oklahoma City, 22h30
Jogo 4 – Dom. Abril 23  Houston @ Oklahoma City, 16h30
Jogo 5 * Ter. Abril 25  Oklahoma City @ Houston, a definir
Jogo 6 * Qui. Abril 27  Houston @ Oklahoma City, a definir
Jogo 7 * Sab. Abril 29  Oklahoma City @ Houston, a definir

Confrontos na temporada regular: 3×1

Palpite: Thunder em 7

De verdade, qualquer aposta em sete jogos é uma loteria só. Meu palpite se baseia em algumas coisas. A primeira delas é que Russell Westbrook está em um outro nível nas últimas partidas, levemente acima do que James Harden tem feito. Confio também na capacidade do armador do Thunder em entrar numa série com mais sangue no olho do que o barba – os playoffs do ano passado servem como exemplo.

Outra coisa que confio é na capacidade do OKC atrapalhar a vida de Harden. Billy Donovan se mostrou um bom estrategista no ano passado para neutralizar os pontos fortes dos rivais em séries de playoffs. Andre Roberson, por exemplo, é o jogador contra o qual Harden tem o pior aproveitamento da sua carreira nos arremessos (30%).

Por último, penso um pouco diferente da grande maioria das pessoas que argumenta que o elenco do Thunder é um catadão de perebas. Acho o time bem decente, com um talento bem comparável ao do Rockets. E a série é uma boa oportunidade para que eles mostrem isso.

Em todo caso, não espero nada menos do que uma guerra em quadra!

4º Los Angeles Clippers x 5º Utah Jazz

Jogo 1 – Sab. Abril 15  Utah @ L.A. Clippers, 23h30
Jogo 2 – Ter. Abril 18  Utah @ L.A. Clippers, 23h30
Jogo 3 – Sex. Abril 21  L.A. Clippers @ Utah, 23h
Jogo 4 – Dom. Abril 23  L.A. Clippers @ Utah,  22h
Jogo 5 * Ter. Abril 25  Utah @ L.A. Clippers, a definir
Jogo 6 * Sex. Abril 28  L.A. Clippers @ Utah, a definir
Jogo 7 * Dom. Abril 30  Utah @ L.A. Clippers, a definir

Confrontos na temporada regular: 3×1

Palpite: Clippers em 6

Outro confronto que promete ser muito equilibrado. Aposto no Clippers pela experiência do time e pela capacidade do time jogar bem com Chris Paul em quadra. São 10 vitórias e apenas 2 derrotas nas últimas partidas, quando o time remontou sua formação principal.

O quinteto titular, aliás, tem uma performance de elite: pontua e defende como o Golden State Warriors, em média.

Jazz é uma equipe excelente, se posta de uma forma que pode fazer jogo duro contra qualquer rival, mas não vejo talentos individuais tão capazes quanto os do rival. Em todo caso, Quin Snyder e seus comandados sairão mais cascudos da série, mesmo com a derrota.

A garantia é Marc Gasol

Parecia que o pesadelo estava voltando. Assim como na temporada passada, quando, na reta final,  Memphis Grizzlies teve mais da metade do seu time fora de ação por lesões, a segunda quinzena de novembro foi tenebrosa para o time do Tennessee: Chandler Parsons machucou seu joelho de porcelana no dia 19, James Ennis sentiu a panturrilha na partida seguinte e, uma semana mais tarde, Vince Carter e Mike Conley também se lesionaram. Para completar, a mãe de Zach Randolph faleceu e ele ficou sete jogos afastado.

Se o time já não tinha o grupo de jogadores mais profundo da NBA e a disputa na conferência Oeste é das coisas mais selvagens que temos por aí, o desfecho mais provável para a franquia neste ínterim em que aguardaria seus jogadores baleados seria uma sequência deplorável de derrotas.

Curiosamente, é justamente o contrário que está acontecendo. Foi neste período que o Grizzlies emplacou sua segunda melhor sequência na temporada. Não que o time fique melhor sem um punhado dos seus melhores jogadores, não é isso, mas desde então Marc Gasol, pivô da equipe, simplesmente passou a jogar no mais alto nível possível.

São cinco vitórias seguidas (tudo bem, quatro delas em casa e apenas dois jogos contra supostos concorrentes por uma vaga nos playoffs) e um título de melhor jogador da semana. Neste meio tempo, Gasol tem sido soberano, tanto na defesa, onde habitualmente já é brilhante, quanto no ataque, onde também é bom, mas geralmente divide a responsabilidade com seus colegas. São 26 pontos, 7 rebotes, 5 assistências e 2 tocos de média nestas cinco partidas. Cinco jogos ganhos sem firula, com no máximo cinco pontos de vantagem diante do Sixers.

Eu sempre fui muito fã do seu jogo, de uma discrição digna de um Tim Duncan. Assim como o gênio do Spurs, Marc fundamentou seu jogo em uma defesa impecável baseada na técnica e no posicionamento, sem abusar do jogo físico e do atleticismo – uma virtude bem incomum. Com a bola na mão, o espanhol sempre teve um jogo de post eficiente mesclado com um bom range nos arremessos, que foi ~pimpado agora com chutes de três. De fora do arco, Gasol já foi decisivo um bocado de vezes e ostenta um excelente aproveitamento de 44% na temporada. Para completar, tem visão de jogo de um armador.

Todo este arsenal teve que ser usado exaustivamente no período, já que seu colegas de time neste período foram os ‘D-leaguers’ JaMychal Green, Andrew Harrison, Troy Williams e Troy Daniels, além do útil-porém-limitado Tony Allen.

Apesar de todas estas qualidades de Gasol – sim, eu sou um paga pau dele -, o estilo de jogo do Grizzlies não privilegia o individualismo dos seus atletas. De um modo geral, isso é bom, já que abre um leque imenso de possibilidades à franquia todos os jogos. Mas, por outro lado, não nos ajuda a lembrar como alguns de seus jogadores são tão bons quando exigidos – coloco Conley e Randolph no mesmo balaio, ainda que em patamares diferentes.

Agora o Memphis pega uma sequência fuderosa que muito provavelmente vai botar um fim a este momento vitorioso do time. Em quatro dias, eles enfrentam o Warriors uma vez e o Cavs outras duas. Em todo caso, o time conseguiu minimizar os danos de um período completamente desfalcado. E o mérito é quase todo de Marc Gasol.

Grizzlies, Bucks e Mavs não vão mais se hospedar em hotéis de Donald Trump

Uma porrada de jogadores e técnicos se manifestaram negativamente sobre a eleição de Donald Trump como novo presidente dos Estados Unidos, na semana passada. No entanto, não passavam de manifestações públicas que, na prática, não tem grandes desdobramentos. Agora a coisa está um pouco mais objetiva: os times do Dallas Mavericks, Milwaukee Bucks e Memphis Grizzlies não ficarão mais hospedados em hotéis que sejam batizados com o nome do futuro presidente americanos em suas viagens para Nova York e Chicago. A decisão se baseia no fato de que as franquias não querem ter suas marcas associadas a Trump.

Os dirigentes estudam também que seus times deixem de se hospedar em hotéis dele em Washington, Miami e Toronto (estes não tem “Trump” nos seus nomes).

Os times geralmente fazem suas reservas em agosto, quando a NBA divulga o calendário para toda a temporada. Desde que o Nets mudou oficialmente sua sede de New Jersey para Brooklyn, o Trump SoHo se tornou o hotel mais usado pelas franquias da liga. Com o boicote anunciado por alguns times, o hotel pode perder seu posto.

mark-cuban

Além de um movimento de insatisfação bem dominante no meio do basquete, o ato é também político. Marc Lasry, dono do Bucks, foi um dos maiores doadores das campanhas de Obama e Hillary. Mark Cuban, dono do Mavs, se manifestou dezenas de vezes contra Trump ao longo da campanha e chegou a ir a um debate entre os candidatos como convidado do Partido Democrata.

Em todo caso, há um choque na relação da comunidade do basquete com o presidente americano. Há um claro movimento de afastamento com a troca de Obama para Trump, seja pelo perfil das figuras, seja pelas opiniões de cada um.

 

[Previsão 16/17] Grizzlies: o poder da insistência

Longevidade, consistência e competência são características frequentemente atribuídas ao San Antonio Spurs. Justo, afinal a franquia estabeleceu um padrão de trabalho que garantiu a ida aos playoffs ao longo das últimas 20 temporadas. O sucesso é tão grande, que várias franquias tentaram copiar o modelo, geralmente sem muito sucesso. Mas há dois times que conseguiram, cada qual à sua maneira, estabelecer uma filosofia parecida. Uma é o Atlanta Hawks (quando chegar a vez deles, falarei a respeito). A outra, é o Memphis Grizzlies.

Há alguns anos o time do Tennessee montou um front office cheio de nerds e decidiu montar a franquia ao redor de jogadores discretos, sem badalação, mas extremamente eficientes em alguns atributos específicos. Trocou bem, draftou melhor ainda e formou o quarteto titular mais longevo da NBA. Não existem quatro jogadores que estejam há mais tempo juntos do que Mike Conley, Tony Allen, Zach Randolph e Marc Gasol.

Desde 2010, o time só varia uma ou outra escalação. E desde aquele ano vai aos playoffs em todas as temporadas (feito que só Memphis, Atlanta e San Antonio conseguiram. Alguma coincidência?)

O quarteto é o que joga junto há mais tempo na NBA

O quarteto é o que joga junto há mais tempo na NBA

Para a próxima temporada, o time mais uma vez insiste na mesma fórmula. Deu um voto de confiança a Conley – renovando com ele pelo maior salário da história da NBA! – e apostou na recuperação física de Allen e Gasol. Foi atrás de um titular que supre a maior carência do time, os arremessos de três. A grande lacuna do time fica por conta do banco, pouco confiável.

Se não conta com grandes novidades para brigar por título, Grizzlies volta para a liga com aquilo que tem garantido a competitividade da franquia há um bom tempo.

Offseason
O time despachou duzentos jogadores que estavam na franquia só para completar o elenco quando uma enxurrada de lesões acometeu o elenco. Não farão falta. Por outro lado, pegou Chandler Parsons, bom ala que vem de uma temporada ruim, mas chega para completar o esquema do time. Uma baixa significativa é a saída do técnico Dave Joerger.

Time Provável
PG – Mike Conley / Wade BaldwinSG – Tony Allen / James Ennis / Vince Carter
SF – Chandler Parsons /
PF – Zach Randolph / Jamychal Green
C – Marc Gasol / Brandan Wright

Expectativa
Memphis vem com um núcleo sólido e rodado. Não deve ter tranquilidade para garantir a vaga nos playoffs, mas está em vantagem na briga com times mais inexperientes que estão crescendo. Mais do que os outros, depende da saúde do time titular.

Os três jogos que levaram Memphis Grizzlies ao Hall da Fama

Na semana passada, dez jogadores ou personalidades ligadas ao basquete foram eleitas para integrar o Hall da Fama – uma delas foi Yao Ming, como você leu aqui. Até a escolha deste ano, o Memphis Grizzlies era uma das únicas três equipes que nunca tiveram um jogador selecionado para a lista mais seleta da bola ao cesto (junto com Minnesota Timberwolves e New Orleans Pelicans). Mas a eleição de Allen Iverson encerrou a sina do time do Tennessee.

“Oi? Iverson no Memphis?”. Pois é, quase ninguém lembra que o Pequeno Notável jogou por lá. Natural, já que foram apenas TRÊS jogos na última temporada de Iverson na NBA. Mesmo sendo um período quase insignificante para a carreira do jogador, teve lá sua relevância para a história da franquia, que deixa Wolves e Pelicans para trás como os dois únicos times ‘imaculados’ de jogadores no Hall da Fama.

Vamos então aos jogos, que tiveram suas peculiaridades:

2/11/2009 – Grizzlies vs Kings

Iverson começa no banco na partida em Sacramento. Era apenas a quartapartida da temporada e The Answer tinha acabado de assinar com o Memphis, para completar uma backcourt até então promissora, formada por Mike Conley (a aposta que deu certo) e OJ Mayo (a que deu errado). Foram 18 minutos em quadra, nove arremessos e 11 pontos e uma assistência. O time perdeu.

4/11/2009 – Grizzlies vs Warriors

Mais uma vez Iverson sai do banco em uma partida fora de casa, desta vez contra o Warriors. O armador vai bem e assume a posição de Conley na segunda metade da partida. A equipe perdeu por 113 a 105, mas Iverson jogou 27 minutos, fez 18 pontos e liderou o time com sete assistências. Enquanto esteve em quadra, a partida foi equilibrada. O jogo também marcou a primeira vitória da carreira do então calouro Stephen Curry, conhece? O atual MVP fez sete pontos na oportunidade.

6/11/2009 – Grizzlies vs Lakers

O último jogo de Iverson pela equipe do Memphis foi mais uma derrota na roadtrip californiana do time. Mais uma vez reserva (só a décima vez em toda a carreira), o baixinho não foi bem. Nos 21 minutos em quadra, o time do Grizzlies viu a vantagem do Lakers aumentar em 13 pontos. Iverson marcou apenas oito. Acostumado a disputar cesta a cesta o título de pontuador da temporada com Kobe Bryant nos velhos tempos, desta vez o armador do Lakers foi soberado: anotou 41.

Quando a equipe voltou para Memphis, Iverson foi comunicado que não seria mais usado pelo time. Uma semana depois, time e jogador concordaram em terminar o contrato de um ano e 3 milhões de dólares. Na época, dizia-se que o Knicks tinha interesse em assinar com ele, nas o negócio não deu em nada e o jogador anunciou que iria se aposentar. Ele voltou atrás da decisão no mês seguinte, quando assinou com o 76ers para um sprint final na carreira – jogou mais 25 jogos igualmente medíocres.

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