Tag: Hawks (Page 2 of 2)

Roboticamente perfeito

Estes dias escrevi sobre o Atlanta Hawks e a sua caminhada para retomar a MAGIA que o time perdeu na virada da temporada passada para esta. A equipe conseguiu se acertar nos últimos jogos e embalou justamente quando é mais importante estar bem. Uma campanha embalada na reta final da temporada regular pode ser o gatilho que leva um time ao sucesso nos playoffs, especialmente em uma conferência tão equilibrada quanto a Leste.

Boa parte deste sucesso deve ser creditado à performance roboticamente perfeita de Al Horford, pivô do time. Suas atuações são muito eficientes, apesar de extremamente discretas. Não é raro assistir um jogo do Hawks e nem se dar conta que Horford fechou a partida com um double-double ou liderou o time em pontos.

O jogador é tão regular que, pasmem, nesta altura do campeonato suas médias de pontos, rebotes, arremessos feitos e assistências são exatamente as mesmas do ano passado – idênticas até nas casas decimais!

excel

A consistência absoluta do seu jogo não pode ser confundida com falta de capacidade de variar suas jogadas ou se adaptar a novas realidades. Exemplo disso, Horford acrescentou o chute de três pontos ao seu arsenal ofensivo – nos oito primeiros anos de carreira, ele meteu casuais 20 cestas de três, mas nesta temporada já acumula mais de 80. A mudança é essencial para sobreviver ao rolo compressor do small ball que aniquila quase todos os pivôs da liga.

Atlanta Hawks v New Orleans Pelicans

O camisa 15 do Atlanta Hawks acertou 80 bolas de três neste ano – quatro vezes mais do que tinha feito em toda a carreira somada

Na eminência da trade deadline deste ano, muito se falou que o Atlanta tentaria trocá-lo. Não pela falta de qualidade, mas porque Horford terá seu contrato encerrado no final da temporada e poderia estar atrás de novos ares. Ao negociá-lo para outro time, o Hawks não sairia de mãos abanando ao final do campeonato caso o jogador não queira renovar.

Na oportunidade, só não rolou nenhuma troca porque o time não conseguiu ninguém a altura do jogador. Trocar Horford por algo que não valesse a pena destruiria qualquer possibilidade de competir com os grandes nos playoffs deste ano.

Até acho que o Atlanta vai longe nos playoffs e, se o front office for realmente esperto, Horford vai acabar renovando com o time. Ele e Millsap têm tudo a ver com a franquia e é muito mais inteligente o Hawks apostar num elenco ao redor deles ao invés de se reconstruir. Caso contrário, já imagino o jogador assinando com qualquer equipe menos badalada e a transformando em contender. Discretamente. É a história da sua vida.

 

Hawks quer retomar seu mojo

Ano passado eu passei a simpatizar muito com o Atlanta Hawks. A franquia teve uma campanha impecável com 60 vitórias na temporada regular, jogando um basquete coletivo de troca de passes rápidos, com todos os jogadores aptos para chutar de fora ou bater pra dentro. Uma versatilidade linda de se assistir. A equipe estava tão azeitada que em janeiro de 2015 a NBA elegeu o time titular inteiro do Hawks como melhor jogador do Leste naquele mês – pela primeira vez este tipo de prêmio individual foi celebrado a uma equipe toda. Ao final do ano, o técnico da equipe, Mike Budenholzer, foi eleito o melhor da liga.

O time foi bem, tal, mas nos playoffs não foi páreo para o Cleveland Cavaliers. Pior: chegou cambaleando depois de séries apertadas contra um limitadíssmo Brooklyn Nets e um inexperiente Washington Wizards. Na final da conferência, foi atropelado por um time do Cavs que estava fragilizado por lesões. Com uma temporada regular tão dominante e um repertório tão vasto, não se esperava que o Hawks fosse cair com tanta dificuldade.

Neste ano, o Atlanta Hawks não começou bem – nunca chegou a ficar fora da zona de playoffs, mas não conseguiu acompanhar o ritmo de Toronto Raptors e Cleveland Cavaliers, que tomaram a dianteira da conferência. Perto da trade deadline, em fevereiro, parecia que o time estava disposto a abrir mão do atual elenco e do campeonato para tentar montar um time para o futuro. Falou-se que Jeff Teague e Al Horford poderiam ser trocados, mas as moedas de troca ofertadas não eram boas o suficientes.

Uma coisa que eu alertei no começo do ano, era que o calendário do Atlanta era o mais carregado do início da temporada em relação aos seus principais concorrentes, o que lhe conferia alguma vantagem na reta final da temporada regular. Não sei se isso teve alguma influência ou se foi a manutenção dos jogadores que deu novo ânimo à equipe, mas o time finalmente voltou a jogar fino. Acho que as duas hipóteses são bem plausíveis, já que um calendário mais leve é fundamental para manter o time fresco para os playoffs e a melhora do time após o fechamento do período de trocas é evidente – são 14 vitórias e 3 derrotas e a melhor campanha da NBA nos últimos dez jogos.

timhardaway

Atlanta é o melhor time nos últimos 10 jogos, com grandes exibições de Tim Hardaway Jr

O time também finalmente conseguiu encaixar a rotação com a ausência de DeMarre Caroll, small forward do time que partiu para Toronto na última temporada. Em fevereiro e março, o time deu mais tempo para Tim Hardaway Jr no lugar de Kent Bazemore e o primeiro passou a jogar muito bem: em cinco minutos a mais de jogo, dobrou o número de pontos e passou a acertar mais 10% dos seus arremessos (com ele em quadra a equipe aumentou, em média, 4 pontos a cada cem posses). Dennis Schroder, armador reserva, também voltou a jogar bem, depois de uma primeira metade de temporada sonolenta.

Com tudo isso, acho que o Hawks chega nos playoffs como a segunda força do Leste, quase fazendo frente ao Raptors – e mais embalado que o Cleveland. Também conseguiu se descolar de Miami Heat e Boston Celtics, o que é importante numa eventual série com mando de quadra. Atlanta Hawks está redescobrindo a mágica que encantou muita gente no ano passado. Que venham os playoffs!

Wild East – NBA de ponta-cabeça

Nos últimos 15 anos, nos acostumamos com um desequilíbrio abissal entre as conferências Leste e Oeste. Recentemente, vimos casos de que três vitórias de diferença eram suficientes para um time se classificar entre os quatro melhores do lado do pacífico ou para tira-lo dos playoffs. Uma insanidade.

Neste ano, a ferocidade da competição mudou de lado. A conferência Oeste ainda tem os três melhores times disparados da liga, mas boa parte das posições para os playoffs já estão bem definidas, com chances de uma disputa ferrenha até o final da temporada regular só para uns três times. Já no Leste, o CAOS se instalou.

Cinco vitórias separam o terceiro do oitavo colocado. Dois jogos separam o oitavo do décimo. A cada jogo, os classificados e a ordem dos finalistas muda. Os mandos de casa, idem. Nem mesmo a ponta da tabela está definida: Cleveland Cavaliers entregou alguns jogos fáceis e viu o time do Toronto Raptors crescer e ameaçar a primeira posição.

leste

Além de ter dez potenciais times com chances de pós-temporada, é impossível determinar quem seriam os favoritos nos confrontos de playoffs. Digamos que a temporada regular acabe hoje: é fácil cravar que Golden State, Spurs, Thunder e Clippers entram para passear na primeira fase do mata-mata, mas dá para dizer o mesmo nos confrontos entre Cavs e Bulls, Toronto e Indiana, Boston e Charlotte e Miami e Atlanta? Tudo pode acontecer.

Houve um ‘achatamento’ na qualidade dos times do Leste. Quem estava no topo, caiu ou não inspira tanta confiança. Cleveland não conseguiu evoluir muita coisa do time do ano passado e a diferença para os outros times diminuiu. Toronto Raptors embalou no final, mas joga cercado da desconfiança de que sempre afina nos playoffs. Hawks, que ano passado dominou boa parte da temporada, parece um time sem fôlego e que já deu o que tinha que dar.

Os demais evoluíram bem, mas ainda tem seus pontos fracos. Miami Heat conseguiu encaixar o time formado no ano passado e tem os melhores titulares dos restantes – mas sofre com a lesão de Bosh, seu melhor jogador. Boston Celtics montou uma equipe com nove titulares, mas todos sem experiência de playoffs. Pacers e Hornets oscilam entre o brilhantismo de seus principais jogadores e a morosidade dos seus coadjuvantes. Bulls ainda precisa se confirmar diante do decepcionante-mas-agora-embalado Wizards e do jovem e ainda em desenvolvimento Orlando Magic.

A briga ainda podia ser mais insana. Milwaukee Bucks tinha tudo para estar no bolo – exceto pelo fato que nunca conseguiu mostrar a que veio – e o New York Knicks por uma boa parte do campeonato lutou na parte de cima da tabela. Se neste ano não estão na briga, ano que vem podem deixar a conferência ainda mais imprevisível.

Acho isso sensacional. Apesar de a conferência não estar nivelada pelo melhor basquete do mundo (que ainda é jogado pelos melhores times do Oeste), a competitividade voltou. É impossível dizer quem enfrenta o Warriors (ou o Spurs, no caso de uma zebra) na final. Bom para a liga.

Calendário puxado no começo da temporada vai beneficiar o Atlanta Hawks

O calendário de jogos da NBA é uma desgraçada. Estou escrevendo um posto só sobre isso, que deve vir ao ar nos próximos anos RISOS. Enquanto ele não sai, só quero alertar para o calendário do Atlanta Hawks. Em 22 dias de temporada, o time da Georgia já jogou 14 vezes. Foram dois jogos a cada três dias!

Sim, é insano. A equipe não chegou a ter dois dias seguidos sem jogos  em nenhum momento da temporada – vai ter amanhã e segunda o primeiro intervalo de dois dias sem partidas – e já teve quatro back-to-back (dias seguidos com jogos). O campeonato mal começou e os caras já devem estar acabados.

Por outro lado, isso deve beneficiar o time no longo prazo. O Atlanta conseguiu se sair bem da jornada intensa de jogos por enquanto e registra a terceira melhor campanha do Leste, com 9 vitórias e 5 derrotas. Está atrás de Chicago e Cleveland, que jogaram três vezes menos. Está com um aproveitamento melhor do que outro concorrente direto, o Washington Wizards, que jogou 5 (CINCO!) partidas a menos.

Time vai ter o menor número de jogos nos últimos meses da temporada

Time vai ter o menor número de jogos nos últimos meses da temporada

Por outro lado, o Hawks vai ter um alívio justamente quando as lesões são mais frequentes e o cansaço começa a pegar. Vai ter um mês de fevereiro leve, com poucos jogos, podendo aproveitar a pausa para o All-Star Game para descansar seus jogadores. Vai ser a única equipe, entre seus concorrentes diretos, a jogar apenas seis vezes em abril. No total, de janeiro a abril, vai jogar cinco vezes a menos que seus rivais. Em resumo, deve estar mais inteiro quando os jogos começam a valer, nos playoffs.

No final das contas, o começo corrido pode ser um prêmio para o time do Atlanta ao final da temporada.

Page 2 of 2

Powered by WordPress & Theme by Anders Norén