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No #Fera: James Harden bate recorde pessoal de pontos em partida quase perfeita

James Harden bate recorde pessoal de pontos em partida quase perfeita

[Previsão 17/18] Rockets: o objetivo é coexistir

Não parece inteligente tirar as bolas das mãos do jogador que mais distribuiu assistências na temporada passada, justamente na sua estreia como armador principal do time. Também não parece uma boa ideia abrir mão do seu banco de reservas inteiro quando ele é o que mais faz pontos por minuto em quadra.

No entanto, burrice seria deixar passar a chance de ter Chris Paul no time, um dos melhores armadores de todos os tempos e o mais talentoso desta geração. Paul queria ir para Houston e o time fez o que foi possível para acomodá-lo na equipe – nem que isso significasse abrir mão de dois grandes trunfos que fizeram do Rockets uma das melhores equipes da temporada passada.

A aposta de que mesmo mudando a fórmula as coisas vão funcionar se baseia na capacidade comprovada de James Harden, Mike D’Antoni e do próprio Paul, aliada à necessidade dos três em provarem que podem ser mais do que bons jogadores de temporada regular.

Hoje, se há um elo entre as três figuras, é a falta de sucesso na hora de decidir. Chris Paul, apesar de ser um jogadores excelente, de ter jogador por uma equipe ótima nos últimos sete anos, nunca alcançou sequer uma final de conferência. D’Antoni já sucumbiu algumas vezes no mata-mata depois de montar equipes que sobravam na temporada regular. Harden, com uma moral levemente mais preservada, teve viagens decepcionantes aos playoffs, como as de quatro e dois anos atrás pelo Rockets.

A sede pelo cala boca dos críticos deve servir de motivação para que todos se esforcem ao máximo para que tudo dê certo – até porque todos trabalharam duro para que esse encontro acontecesse.

Confio também na inteligência dos três. Harden mostrou ser mais do que um talento nato no ano passado ao moldar seu jogo para se transformar em um criador de jogadas – não só para ele, algo que já fazia muito bem, mas para seus colegas. Chris Paul sempre foi esse cara, apesar de não ter lidado muito bem algumas vezes que precisou dividir a bola no Clippers. E D’Antoni, que chegou com a moral estraçalhada na franquia ano passado, teve um dos melhores desempenhos entre os técnicos de toda a liga.

Até na divisão da minutagem, o comandante foi muito esperto. Espalhou o tempo de quadra de Harden, Patrick Beverley e Eric Gordon de um modo que o time sempre tivesse dois do trio em quadra, mas raramente todos juntos. Assim, o Hoston tinha um backcourt letal, bom na distribuição e eficiente no chute em quase todos os minutos de partida. Uma formula parecida, mas potencializada, deve ser utilizada agora.

Ter Harden e Paul no elenco não significa ter a dupla o tempo inteiro jogando junta. Mas quer dizer que o jogo inteiro o time pode ter um armador fenomenal criando jogadas. Mesmo que os dois comecem juntos, a minutagem dos dois nos quartos intermediários de partida podem ser mais bem distribuídos. Assim, não é preciso tirar muito a bola da mão de ninguém e ainda se garante um nível altíssimo de jogo o tempo inteiro de partida.

A dupla também casa muito bem com a cultura tática que o Houston Rockets tem consolidado com o passar dos anos. O time, por meio da figura do seu general manager, tem a convicção de que só vale a pena chutar a bola quando se está colado na cesta ou atrás da linha dos três pontos.

Tanto Harden (que já provou isso ano passado), como Paul são jogadores que são muito eficientes para chutar de fora e, ao mesmo tempo, conseguem atrair as atenções dos marcadores para distribuir a bola para quem está aberto para o chute de fora. Também são excelentes na execução do pick and roll, arma exaustivamente usada para abastecer Clint Capela e Nene no garrafão – o que ajudou muito Harden a ser o líder em assistências na temporada passada.

Offseason
O time se mexeu bem. Apesar de abrir mão de duzentos jogadores (meia dúzia deles bem útil) para ficar com Chris Paul, o time assinou com jogadores importantes que casam bem no modo de jogar da franquia, como Luc Mbah Moute e PJ Tucker. Perdeu a chance de buscar Carmelo Anthony ao oferecer um troco muito minguado para o Knicks.

Time Provável
PG – Chris Paul / Bobby Brown / Isaiah Taylor / Georginho
SG – James Harden / Eric Gordon / Tim Quarterman
SF – Trevor Ariza / PJ Tucker
PF – Ryan Anderson / Luc Mbah Moute / Cameron Oliver
C – Clint Capela / Nene / Tarik Black / Chinanu Onuaku

Expetativas
Imagino este time como o segundo melhor do Oeste, ultrapassando o San Antonio Spurs. Em uma eventual disputa de playoffs, acho que a defesa preocupa, mas a divisão de tarefas de James Harden com Chris Paul deve ajudar o time a ser mais perigoso em uma série de mata-mata.

 

Muitos egos para um só time

O pedido de Kyrie Irving para ser trocado surpreendeu a quase todo mundo. Eu, por exemplo, escrevi aqui que não conseguia entender a cabeça do jogador. Muita gente, assim como eu, ficou sem compreender nada. Mas, no fundo, não deveria ser assim. O fim traumático do relacionamento de estrelas que dividem o mesmo time é frequênte. Na verdade, é mais comum que supertimes terminem com cada um indo para um canto em uns três ou quatro anos do que eles irem se desmanchando naturalmente, sem ressentimentos.

O roteiro quase sempre segue a mesma linha: dois ou três jogadores se reúnem para tentar ganhar, os egos inflam, alguém fica decepcionado com a repercussão das coisas e os caras brigam. As principais histórias parecem uma versão realmente interessante daquela poesia: Penny Hardaway tretou com Shaquille O’Neal (no Magic) que tretou com Kobe Bryant (no Lakers) que tretou com Dwight Howard (também no Lakers) que tretou com James Harden (no Rockets) que agora se juntou a Chris Paul e sabe lá até quando estarão ‘de bem’.

Mas é bem isso mesmo. Shaq e Penny Hardaway formavam a dupla mais empolgante da NBA. Um era o jogador mais dominante do esporte, o outro era o principal candidato a substituir Michael Jordan – que tinha se aposentado pela primeira vez. Em três temporadas, o casamento acabou com O’neal forçando a barra para fugir do companheiro.

No time seguinte, foi a vez de Kobe Bryant, uma estrela emergente, dar o ultimato. Os dois venceram três campeonatos seguidos, mas no último deles a situação já estava insustentável. A dupla ainda se manteve junta por mais duas temporadas, mas não resistiu à derrota para o Detroit Pistons – quando estavam acompanhados de Karl Malone e Gary Payton numa parceria que deu errado para todos os envolvidos.

Anos mais tarde, Kobe também não aguentou a união com Dwight Howard. Mesmo machucado, o jogador infernizou o pivô – que não tem a melhor cabeça do mundo – até o final da temporada. Resultado, na temporada seguinte Dwight saiu praticamente fugido de Los Angeles para Houston, encerrando uma parceria que foi anunciada como a ‘nova dinastia do Lakers’.

No Rockets, Howard também passou perrengue. Na última temporada, com o time implodindo, Harden e o pivô não conseguiam mais conviver. Parecia que nenhum dos dois mais queria jogar, só queriam, em quadra, mostrar que o motivo do insucesso do time era a presença do outro no elenco.

Mas os casos vão além dessa ciranda: Stephon Marbury não quis mais jogar com Kevin Garnett no Timberwolves, Ray Allen se desentendeu com o restante da turma em Boston, Sottie Pippen e Charles Barkley não se aguentavam mais em Houston… Todas as parcerias começaram muito bem, se diziam muito promissoras (algumas até de fato deram resultados excelentes), mas em algumas temporadas simplesmente evaporaram em meio à guerra de egos.

Levando em conta o principal motivo que faz com que estes caras se reúnam – ganhar um título -, a dissolução do Cleveland Cavaliers atual deveria ser ainda menos impressionante. O time já foi campeão em condições bem desfavoráveis, valorizando a conquista de cada um – Kyrie Irving especialmente, já que foi o autor da cesta do título.

Uma vez que a missão tenha sido cumprida, nada mais segura o jogador junto aos outros. No máximo, a sede por outros títulos – que pode ser menor do que a vontade de ser o melhor jogador em outro time, tomando outros ares. Em um cenário em que o roubo do título do Golden State Warriors parece uma tarefa cada vez mais difícil, é bem plausível que estes caras precisem de outras motivações para jogar.

Pela frequência tão intensa de desavenças entre estrelas é de se louvar supertimes que duraram mais do que a média. Não é comum times ficarem quase uma década juntos, como Los Angeles Lakers e Boston Celtics dos anos 80. Ainda que ambos tenham enfrentados alguns problemas de relacionamentos (Magic foi fritado pelos colegas no começo da sua carreira e Cedric Maxwell chegou a fazer a coisa desandar no Celtics em determinado momento), os núcleos principais de cada time conseguiram resistir ao tempo.

O mesmo dá para dizer do Chicago Bulls dos anos 90, que era uma bomba relógio ambulante, mas que conseguiu conter os ânimos dos jogadores por um bom período – talvez a grande virtude de Phil Jackson, técnico do time na época.

No momento, o Golden State Warriors é o grande exemplo. A exceção que confirma a regra. Não só Klay Thompson, Draymond Green, Andre Iguodala e companhia toparam manter os papéis de coadjuvantes de Stephen Curry em nome de uma sequência de temporadas vitoriosas, como Kevin Durant, uma estrela ainda maior, se juntou ao time – e sempre que pode, enaltece o clima entre os jogadores.

O quanto essa lua de mel vai durar é uma incógnita, mas ao que tudo indica a relação está saudável o suficiente para que não seja possível imaginar um desmanche no time, como é o que parece que vai acontecer com o Cleveland Cavaliers e que tantas vezes já rolou ao longo da história.

Chris Paul e James Harden podem jogar juntos?

Acabou de ser confirmada a troca que leva Chris Paul para o Houston Rockets. O jogador avisou a direção do Los Angeles Clippers que assinaria contrato com o time do Texas e, para que o time não saísse sem nada em troca com o final do contrato, acabou chegando a um acordo com Paul de que assinaria por mais um ano com o jogador e imediatamente o mandaria para Houston em troca de Patrick Beverley, Lou Williams, Sam Dekker e uma escolha de primeiro round do próximo draft.

A negociação saiu barato para o Rockets, é muito verdade, mas diante da possibilidade de uma debandada geral do time – capitaneada por Paul, mas já indicada por Blake Griffin e nas sondagens de troca de Deandre Jordan – era o que dava para fazer já que CP3 tinha escolhido seu destino. Era conseguir alguma coisa do Houston ou sair sem nada.

A grande questão agora é saber como Chris Paul e James Harden, dois jogadores que dominam a posse de bola enquanto estão em quadra, vão jogar juntos.

Mesmo quando era um shooting guard ainda, James Harden já era um cara que carregava as bolas além da conta. Na posição antiga, era um ‘buraco negro’ (recebia a bola, quebrava o ritmo e partia para a cesta quando bem entendia). Na nova, nesta temporada, era quem ditava a velocidade de um esquema insano de contra-ataques.

Chris Paul, da mesma forma, nunca jogou sem a bola na mão. Se notabilizou como O MELHOR armador clássico da liga. É um cara que carrega as bolas, chama as jogadas e alterna o ritmo como um comandante do time. Quase que todos os movimentos em quadra estão condicionados aos seus atos.

Os dois lideraram a liga em porcentagem das assistências totais dos seus times e estão há anos no topo da liga em ‘usage rating’. Harden nunca jogou com um armador de nível parecido – o melhor foi Russell Westbrook, que não era ainda nem sombra do que é hoje. Chris Paul também nunca teve um colega na armação tão capaz e centralizador – o mais próximo disso foi dividir a bola com o ‘peladeiro’ Jamal Crawford.

Mas do jeito que as coisas se desenharam, é de se esperar, no mínimo, que ambos estejam muito empenhados para que isso dê certo.

Paul escolheu o Rockets e disse que iria para lá sabendo que o time é de Harden e joga de uma maneira bem característica. Mais do que isso, abriu mão de 11 milhões de dólares na negociação – poderia abocanhar um contrato muito maior se tivesse assinado como free agent com qualquer franquia.

O barba seguiu a mesma linha. Reports dão conta que Harden trabalhou intensamente nos bastidores para convencer Chris a ir para o seu time e, paralelamente, para que o front office do Rockets se mexesse para que a negociação saísse do papel. Fez tudo isso sabendo que Chris Paul é um armador que joga com a bola nas suas mãos o tempo todo.

Digo isso porque qualquer análise que considere as características de ambos deve ser ponderada pela vontade que os dois mostraram em jogar juntos. Logo, é provável que se esforcem para que dê certo, mesmo cada um precise mudar sua maneira de se comportar em quadra.

Na prática – e levando esta ponderação em consideração -, imagino um Chris Paul razoavelmente menos ativo e influente. Pode até ser um desperdício contratar o jogador para emplacar a correria promovida por Mike D’Antoni e ficar ao lado de Harden enquanto ele bate bola, mas confio que o armador é inteligente o suficiente para poder se sair bem neste tipo de situação. No último ano de Vinny Del Negro como técnico do Clippers (segundo de Paul pela franquia), o time era um dos mais rápidos da liga e um dos que mais fazia pontos em contra-ataques. Chris Paul é bom para isso também.

Ambos também são excelentes chutadores. Isso é essencial para que ambos tenham oportunidades de se movimentarem fora da bola e terem melhor chances ainda de arremessar de fora.

Por fim, tirar a bola das mãos de Harden é fundamental em alguns momentos, já que foi o líder disparado em desperdícios de bola na temporada. Ele deve entender isso, já que pediu a adição de Paul ao time.

Será necessário um período de ajuste, com certeza, mas acho que ambos estão dispostos a ceder. E ambos são bons o suficientes para que possam jogar em papéis significativamente diferentes.

Reputação recuperada

O retorno de Mike D’Antoni à NBA no ano passado parecia o atestado do fracasso. Ora eleito o melhor técnico da liga, ora comandante de time com melhor campanha e das franquias mais tradicionais do país, agora ele voltava a trabalhar com um cargo menor na comissão técnica do pior time do campeonato em anos, o Philadelphia 76ers.

O enredo decadente era óbvio: os últimos trabalhos tinham sido trágicos. Uma passagem de quatro anos pelo New York Knicks, numa época que a franquia pensou que daria a volta por cima com a chegada de Carmelo Anthony mas que acabou com apenas uma ida aos playoffs e um ultimato do jogador de que não continuaria no time com Mike como técnico; e outra pelo Los Angeles Lakers, na última formação pretensamente galática do time, com Kobe Bryant, Steve Nash, Pau Gasol e Dwight Howard, mas que resultou na segunda pior campanha da franquia em toda a sua história até então.

A conclusão na época, três temporadas atrás, era de que Mike D’Anthony estava ultrapassado. Que seu trabalho, avaliado como unidimensional, estava manjado: um time que concentra todos seus esforços no ataque, nas posses de bola curtas, no pick and roll e nas bolas de três era legal e tal, mas não bom o bastante para ser campeão. Mesmo quando deu certo, diziam, o estilo tinha suas limitações e a equipe se tornava presa fácil nos playoffs.

Lendo hoje, parece bizarro imaginar que este tipo de crítica faça algum sentido. Com alguns ajustes, o estilo imposto por D’Antoni há dez anos se tornou não só uma tendência no basquete de hoje, mas uma referência para os melhores times em atividade – e os dois últimos campeões, rejeitando qualquer rótulo de que o estilo seja característico de equipes perdedoras.

Apesar desta redenção parcial, o reconhecimento de que talvez os insucessos passados estivessem mais relacionados a elencos descomprometidos ou baleados fisicamente veio nesta temporada. Numa união perfeita de talento dos seus jogadores e de um esquema que sabe tirar o melhor de cada um, Mike D’Antoni fez de um Houston Rockets desacreditado e decadente uma nova força na liga.

Montou um ataque poderosíssimo, refez James Harden como um MVP, ressuscitou Eric Gordon, rejuvenesceu Nene, reciclou Ryan Anderson e transformou o Rockets em uma equipe temida por qualquer time da NBA. É, mais uma vez, como há mais de uma década, um dos favoritos ao prêmio de melhor técnico da liga por tudo isso. Até conseguiu montar uma defesa mediana, sua principal dificuldade nos tempos de Phoenix Suns – será que por um problema dele ou pelas características de um time que tinha como principais jogadores Steve Nash e Amare Stoudemire, reconhecidamente péssimos marcadores?

O resultado da partida de ontem foi acachapante e decretou a eliminação do Houston e D’Antoni nos playoffs, mas vale lembrar que a disputa foi contra um excelente San Antonio Spurs, que tem à beira da quadra o melhor técnico da história do basquete, Gregg Popovich. E que a derrota de ontem foi maiúscula, mas praticamente na mesma proporção que a vitória conquistada pelo mesmo Rockets contra o mesmo Spurs no primeiro jogo da série. No final das contas, tomar 4-2 da equipe de segunda melhor campanha da NBA na semifinal da conferência Oeste é um trabalho bem digno para quem ‘estava acabado’.

Não foi neste ano que ele finalmente ganhou alguma coisa. Mas o título é para poucos. Seu estilo de jogo já ganhou troféus. Mais do que isso, ganhou a liga inteira e sua reputação foi merecidamente restabelecida.

Camisas irreconhecíveis

Eu aposto que quem tem mais ou menos a mesma idade que eu, na faixa dos 30 anos, vai reconhecer esta passagem: era início da década de 90, eu estava começando a acompanhar futebol com alguma consciência. Torcendo pelo humilde Coritiba, que iria enfrentar uma fila sem títulos de uma década e que só voltaria à Primeira Divisão dali alguns anos, o que mais via na tevê era um imbatível Palmeiras dominando o futebol nacional. Campeão Brasileiro, Paulista, cheio dos maiores craques da época. Tudo isso vestido com uma camisa listrada de verde e branco.

Passaram algumas temporadas, o time ainda era bom, continuou na tevê, mas mudou o uniforme para uma camisa toda verde (com algumas variações infelizes na época), que na minha cabeça de criança, que não conhecia a história do time alheio, era estranha. Isso me marcou. Mesmo hoje, sabendo que a verdadeira camisa palmeirense seja toda verde e que as listras brancas sejam só uma exceção na história do time, inconscientemente ainda me pego estranhando o time jogar com a camiseta do uniforme só com uma cor.

Acho que por isso eu fico tão incomodado quando vejo os times da NBA jogando com uniformes alternativos nos playoffs. Que porra é essa de Houston Rockets jogando mais vezes de regata preta ou camisetas cinzas com manga ao invés das tradicionais ‘jersyes’ vermelhas e brancas? Ou do Washington Wizards abrir mão por completo dos seus uniformes principais para jogar todas as partidas do mata-mata com uma camisa alternativa que homenageia o exército americano? Sem falar nos pijamas que Spurs usou vez ou outra na pós-temporada e no uniforme preto de D-League que o Milwaukee Bucks entrou em quadra na série contra o Toronto Raptors.

Com toda a visibilidade que a liga ganha quando os playoffs chegam, acho triste que os times abram mão das suas identidades por alguma jogada de marketing. Certamente, é neste período que o maior número de pessoas passam a se interessar pelo jogo, começar a acompanhar as transmissões e conhecer os times. Não consigo engolir que valha a pena promover um determinado uniforme negando toda a história de uma franquia – ainda que muitos times mudem radicalmente suas identidades visuais ao longo dos anos, infelizmente.

É provável que uma porção considerável de pessoas estejam conhecendo o Houston Rockets agora com uma camisa que não tem nada a ver com nada, enquanto há dois anos o time lotava a sua arena na final de conferência com uma camiseta escrita RED NATION – exemplo do quanto a cor vermelha é importante para o time.

Entendo que os times façam isso por dois motivos e que eles não estão ligando muito para quem não gosta. O primeiro deles é comercial, dar uma super exposição para um conjunto de uniformes e “obrigar” o torcedor mais fanático comprar umas cinco camisas por ano – ainda que o próprio Wizards tenha falhado miseravelmente nessa estratégia, já que fez um lote muito pequeno de unidades deste modelo do mata-mata, as regatas se esgotaram e agora acha que não vale a pena confeccionar novas por causa da mudança de fornecedor de materiais da Adidas para Nike daqui dois meses.

O outro é a superstição. O time usa uma vez uma camisa diferente, ganha um jogo e cai na tentação de usá-la mais vezes já que “deu sorte”. Foi por isso que o Cleveland Cavaliers foi campeão com a praticamente irreconhecível camiseta preta com mangas no ano passado.

Não há nada que possa ser feito contra isso. A grana e essa suposta forcinha extra para ganhar são maiores do que a opinião de um punhado de torcedores resistentes às mudanças. Que joguem uma vez ou outra durante a temporada regular, que inventem histórinhas para justificar isso ao longo do ano. Tudo bem, até vai. Mas nos playoffs? Não é pra mim.

O maior massacre dos playoffs

O confronto entre San Antonio Spurs e Houston Rockets tinha tudo para ser o mais equilibrado dos playoffs até aqui. Ironicamente, foi o maior massacre de todas as partidas do mata-mata deste ano. O time vermelho (que estava de preto) massacrou o rival do Texas: 126 a 99 fora de casa. E só não foi mais porque o Houston levou a partida em banho-maria na sua metade final – na volta do intervalo, o Rockets estava com praticamente o dobro de pontos do Spurs.

Vi muita gente falando ~nas redes sociais~ que vitória por 1 ou por 30 pontos valem a mesma coisa numa série de playoffs, que contam como 1×0 da mesma forma. Numa análise bem fria, isso é verdade. No entanto, o genocídio cometido na quadra do AT&T Center tem uma influência brutal no desenrolar do confronto.

Para começo de conversa, o nó aplicado por Mike D’Antoni foi surpreendente. Por mais que existisse o risco do Houston emplacar seu jogo corrido e acertar tudo de fora, ninguém com o mínimo de sanidade imaginava que a vitória seria tão tranquila. James Harden e companhia expuseram todas as fraquezas de San Antonio ao longo dos 48 minutos de jogo.

(Mark Sobhani/NBAE via Getty Images)

Para começo de conversa, ficou claro que o Spurs não pode jogar com tantos defensores fracos de pick and roll. A maioria esmagadora das cestas do Houston saiu de jogadas que começavam com um corta na cabeça do garrafão e Harden soltava a bola no jogador do bloqueio (Clint Capela para a enterrada ou Ryan Anderson para o chute de fora) ou distribuía para outro jogador aberto na lateral (Eric Gordon ou Trevor Ariza), livre por causa da dobra de marcação. Nisso, David Lee e Pau Gasol pareciam juvenis, correndo atrás de Harden e sem tempo de reação para recuperar a posição marcando um segundo jogador.

Lamarcus Aldridge e Tony Parker também estiveram muito mal. O primeiro mostrou não ter velocidade para acompanhar Trevor Ariza e o segundo foi totalmente apagado no ataque e na defesa. Danny Green e Kawhi Leonard não foram capazes de, sozinhos, parar o arsenal do Rockets. O primeiro, para completar, também não acertou nada.

O Houston, por sua vez, emplacou 22 bolas de três e seis jogadores com mais de dez pontos. Das 40 cestas que fez, 30 foram assistidas.

É preciso ponderar que este primeiro jogo teve o que o Houston pode oferecer de melhor e o que pode acontecer de mais desastroso para o San Antonio – uma combinação improvável de se repetir. Mesmo assim, é um sinal muito claro de que o time de D’Antoni começou mais preparado a série do que a equipe de Gregg Popovich.

[Previsão dos Playoffs] Semifinal do Oeste: Spurs x Rockets


Jogo 1 – Seg. Maio 1 Rockets @ Spurs, 22h30
Jogo 2 – Qua. Maio 3 Rockets @ Spurs, 22h30
Jogo 3  – Qui. Maio 5 Spurs @ Rockets, 22h30
Jogo 4 – Dom. Maio 7 Spurs @ Rockets, 22h
Jogo 5 – Qua. Maio 9 Rockets @ Spurs, se necessário
Jogo 6 – Sex. Maio 11 Spurs @ Rockets, se necessário
Jogo 7 – Seg. Maio 14 Rockets @ Spurs, se necessário

Confrontos na temporada regular: 3×1

Palpite: Spurs em 7

É a disputa de nível mais alto das quatro semifinais, já que reúne os únicos dois times que, ao meu ver, têm alguma chance de entrar de penetra na final da NBA.

Prevejo uma disputa longa e muito equilibrada. Os dois times têm pontos fortes muito distintos e, ao mesmo tempo, armas para neutralizar as vantagens do rival. O Houston Rockets, por exemplo, é muito difícil de se vencer quando seus jogadores estão com a mão calibrada – é o time que mais chuta de três na liga. Ao mesmo tempo, o San Antonio tem excelentes defensores e um esquema que deixa poucos espaços livres para o arremesso.

O San Antonio Spurs, do outro lado, consegue variar seu jogo como poucos times. Via de regra, ataca lentamente, com inteligência, muitos passes e baseado na versatilidade de Kawhi Leonard. Mas tem qualidade no garrafão e bons chutadores de fora. Ao mesmo tempo, a transição insana do Rockets e o ritmo acelerado do time podem quebrar o ritmo cadenciado do rival do Texas.

Os pontos-chave do confronto são três, ao meu ver. Danny Green vai se capaz de desacelerar James Harden? Ou Gregg Popovich vai colocar Kawhi Leonard sob o risco de carregá-lo de faltas (o Barba é o maior cavador de faltas da liga na atualidade)? Difícil saber qual tática será mais eficiente e qual vai comprometer menos outros aspectos do jogo, como, por exemplo, preservar as pernas e o pulmão de Leonard no ataque.

O encaixe do pick and roll do Houston e a defesa do Spurs nestas jogadas também são pontos cruciais. David Lee e Pau Gasol não são bons defensores e conseguem ser ainda piores na hora de subir para a cabeça do garrafão e trocar no momento do bloqueio. Da mesma forma que Enes Kanter pareceu um inútil completo na série do Rockets contra o Thunder, Gasol e Lee correm o risco de não poderem jogar muitos minutos para que o Spurs não sofra com isso. A solução do Spurs seria dar muitos minutos a Dewayne Deadmon, que defende bem este tipo de jogada, mas que não acrescenta nada no ataque.

Por fim, qual será o matchup de Kawhi Leonard e como a defesa do Houston vai se sair. Trevor Ariza é o defensor mais indicado para a situação, mas o ‘pinball’ ofensivo do Spurs é tão frenético que muitas vezes Leonard vai acabar sobrando para James Harden, Ryan Anderson e outros jogadores do Houston que não são tao talentosos na marcação.

Sinceramente, não acho absurdo que o Rockets passe, uma vez que tem talento de sobra para vencer qualquer time, mas escolho o Spurs única e exclusivamente pelo mando de quadra – que é o critério de desempate que escolhi. Minha única surpresa seria ver uma série decidida em menos de seis jogos.

[Previsão dos Playoffs] Primeiro round do Oeste

Já soltei aqui os meus palpites do Leste. Agora é a vez de mostrar quais serão os confrontos da conferência Oeste, quem venceu os duelos da temporada regular e o que dá para esperar de cada matchup. Confere aí:

1º Golden State Warriors x 8º Portland Trial Blazers

Jogo 1 – Dom.  Abril 16  Portland @ Golden State, 16h30
Jogo 2 – Qua.  Abril 19  Portland @ Golden State, 23h30
Jogo 3 – Sab. Abril 22  Golden State @ Portland, 23h30
Jogo 4 – Seg.  Abril 24  Golden State @ Portland, 23h30
Jogo 5 * Qua. Abril 26  Portland @ Golden State, a definir
Jogo 6 * Sex. Abril 28  Golden State @ Portland, a definir
Jogo 7 * Dom. Abril 30  Portland @ Golden State, a definir

Confrontos na temporada regular: 4×0

Palpite: Warriors em 4 jogos

O time do Blazers é guerreiro, cresceu na reta final, buscou a vaga que estava com o Denver Nuggets, mas não vai ser páreo para o Golden State Warriors completo. O argumento é simples: ano passado o Blazers era melhor, o Warriors pior, estava baleado com a lesão do Curry e mesmo assim o time da California não teve muitas dificuldades para superar o rival. Neste ano, a tendência é que a fatura seja liquidada ainda mais cedo, já que o Warriors conseguiu gerenciar melhor o tempo de jogo dos seus atletas ao longo do ano e chega para o mata-mata em um grande momento.

A série serve para o Golden State encontrar a melhor forma de Kevin Durant, que volta de lesão.

2º San Antonio Spurs x 7º Memphis Grizzlies

Jogo 1 – Sab. Abril 15  Memphis @ San Antonio, 21h
Jogo 2 – Seg. Abril 17  Memphis @ San Antonio, 22h30
Jogo 3 – Qui. Abril 20  San Antonio @ Memphis, 22h30
Jogo 4 – Sab. Abril 22  San Antonio @ Memphis, 21h
Jogo 5 * Ter. Abril 25  Memphis @ San Antonio,  a definir
Jogo 6 * Qui. Abril 27  San Antonio @ Memphis, a definir
Jogo 7 * Sab. Abril 29  Memphis @ San Antonio, a definir

Confrontos na temporada regular: 2×2

Palpite: Spurs em 6

Os embates do Oeste parece que foram escolhidos todos sob medida. Neste caso, é o Spurs contra um time que sempre sonhou em ser o Spurs. As propostas têm suas semelhanças e imagino que o Memphis poderia ter uma melhor sorte contra qualquer outro rival. Contra o Spurs, no entanto, não imagino qualquer possibilidade de sucesso. A criatura não vai superar o criador.

Grizzlies tem como arma a possibilidade de puxar seus pivôs para fora do garrafão e causar algum desconforto em Pau Gasol, Lamarcus Aldridge e David Lee, mas a cobertura feita por Kawhi Leonard e Danny Green é inteligente o suficiente para neutralizar essa tentativa.

A segunda unidade do Spurs também tem tudo para massacrar os reservas do Memphis, dando mais tranquilidades aos titulares.

3º Houston Rockets x 6º Oklahoma City Thunder

Jogo 1 – Dom. Abril 16  Oklahoma City @ Houston, 22h
Jogo 2 – Qua. Abril 19  Oklahoma City @ Houston, 21h
Jogo 3 – Sex. Abril 21  Houston @ Oklahoma City, 22h30
Jogo 4 – Dom. Abril 23  Houston @ Oklahoma City, 16h30
Jogo 5 * Ter. Abril 25  Oklahoma City @ Houston, a definir
Jogo 6 * Qui. Abril 27  Houston @ Oklahoma City, a definir
Jogo 7 * Sab. Abril 29  Oklahoma City @ Houston, a definir

Confrontos na temporada regular: 3×1

Palpite: Thunder em 7

De verdade, qualquer aposta em sete jogos é uma loteria só. Meu palpite se baseia em algumas coisas. A primeira delas é que Russell Westbrook está em um outro nível nas últimas partidas, levemente acima do que James Harden tem feito. Confio também na capacidade do armador do Thunder em entrar numa série com mais sangue no olho do que o barba – os playoffs do ano passado servem como exemplo.

Outra coisa que confio é na capacidade do OKC atrapalhar a vida de Harden. Billy Donovan se mostrou um bom estrategista no ano passado para neutralizar os pontos fortes dos rivais em séries de playoffs. Andre Roberson, por exemplo, é o jogador contra o qual Harden tem o pior aproveitamento da sua carreira nos arremessos (30%).

Por último, penso um pouco diferente da grande maioria das pessoas que argumenta que o elenco do Thunder é um catadão de perebas. Acho o time bem decente, com um talento bem comparável ao do Rockets. E a série é uma boa oportunidade para que eles mostrem isso.

Em todo caso, não espero nada menos do que uma guerra em quadra!

4º Los Angeles Clippers x 5º Utah Jazz

Jogo 1 – Sab. Abril 15  Utah @ L.A. Clippers, 23h30
Jogo 2 – Ter. Abril 18  Utah @ L.A. Clippers, 23h30
Jogo 3 – Sex. Abril 21  L.A. Clippers @ Utah, 23h
Jogo 4 – Dom. Abril 23  L.A. Clippers @ Utah,  22h
Jogo 5 * Ter. Abril 25  Utah @ L.A. Clippers, a definir
Jogo 6 * Sex. Abril 28  L.A. Clippers @ Utah, a definir
Jogo 7 * Dom. Abril 30  Utah @ L.A. Clippers, a definir

Confrontos na temporada regular: 3×1

Palpite: Clippers em 6

Outro confronto que promete ser muito equilibrado. Aposto no Clippers pela experiência do time e pela capacidade do time jogar bem com Chris Paul em quadra. São 10 vitórias e apenas 2 derrotas nas últimas partidas, quando o time remontou sua formação principal.

O quinteto titular, aliás, tem uma performance de elite: pontua e defende como o Golden State Warriors, em média.

Jazz é uma equipe excelente, se posta de uma forma que pode fazer jogo duro contra qualquer rival, mas não vejo talentos individuais tão capazes quanto os do rival. Em todo caso, Quin Snyder e seus comandados sairão mais cascudos da série, mesmo com a derrota.

A complexidade do pick-and-roll

Karl Malone para como uma tábua na cabeça do garrafão esperando que John Stockton passe como uma flecha rente a ele. Na mesma fração de segundos que o armador adversário se choca bruscamente em seu corpo, dando algum espaço para que Stockton pense sem marcação, Malone corre para perto da cesta com os braços levantados esperando a bola. O passe sai preciso e com uma virada de corpo, o ala-pivô do Utah Jazz enterra livre da sombra do marcador adversário, que ficou no meio do caminho sem saber se cobria Stockton ou se acompanhava Malone.

Não foram eles que criaram o pick and roll, mas Stockton e Malone o imortalizaram ao executá-lo milhares de vezes com uma perfeição ímpar na história da NBA aquele aquele momento.

Duas décadas e meia mais tarde, o corta-luz do pivô na intermediária da quadra para dar espaço ao armador e a corrida para receber a bola deixou de ser um ‘signature move’ da dupla do Utah Jazz  para se tornar a jogada mais utilizada no basquete.

Hoje, segundo o monitoramento estatístico da própria NBA, 33% das jogadas de ataque iniciam com um pick and roll – o dobro do que acontecia há dez anos, quando o tracking começou a ser feito.

A grosso modo, pode parecer uma simplificação do esporte, uma vez que uma única jogada dentre as infinitas variáveis domina um terço das ações com a bola.

Não é bem assim. Se antes este movimento tinha suas limitações de ações – basicamente se resumiam a um corte para o arremesso ou um passe no jogador que penetrava o garrafão. Uma prova da complexidade da jogada é que uma boa proporção dos melhores executores ou defensores do pick and roll são os jogadores reconhecidamente como os mais inteligentes da liga.

Diferente de antigamente, hoje os times tem se tornado especialistas na movimentação sem a bola para receber um passe que começa neste tipo de jogada.

Os alas, se movimentam sem a bola cortando em direção à cesta ou se posicionando nas brechas para receber o passe livres – e os times mantém sempre um ‘sharp shooter’ que saiba correr inteligentemente sem a bola para, rapidamente, se mexer da maneira apropriada criando uma opção de passe para o armador.

Os pivôs, mais do que nunca, estão aptos a abrirem para o chute de três depois do corte no marcador. Na defesa, a mesma coisa. Aquele ‘center’ que funcionava apenas como uma âncora defensiva se torna presa fácil na hora do corte, deixando muito espaço para o arremesso adversário ou sendo muito lento na cobertura.

Os armadores, então, estão cada vez mais hábeis para chutar enquanto driblam, logo após o bloqueio. A partir do momento que o adversário dá uma mínima brecha depois do bloqueio, o cara com a bola já tem condições de chutar e ameaçar o outro time. Por isso, as coberturas têm que ser muito mais rápidas – quase instintivas, o que, de certa forma, abre espaço para os demais jogadores na quadra.

Enfim, uma infinidade de variáveis que não eram comuns até 10, 15 anos atrás.

Hoje, é praticamente inviável ter sucesso na NBA sem saber executar um pick and roll com qualidade – Stephen Curry/Kevin Durant e Draymond Green fazem com maestria, Lebron James tem uma variável mortal no Cavs, James Harden se tornou o maior passador da NBA baseado seu jogo nos cortes dos pivôs.

Claro que não deixa de ser um modismo, mas é um hábito muito mais eficiente e bem trabalhado dos que o jogo bruto de costas pra cesta dos anos 90 e as jogadas de isolamento dos principais jogadores do time dos anos 2000.

E quem acha que é muito simples, dificilmente vai ganhar alguma coisa na liga por um bom tempo.

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