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#Fera: A troca por Okafor prova que o Nets que é o time mais atento do mercado

A troca por Okafor prova que o Nets que é o time mais atento do mercado

[Previsão 17/18] 76ers: o confronto da expectativa com a realidade

Adiado por um ano e com a adição de mais um provável super talento, o projeto de renovação do Philadelphia 76ers finalmente chegou ao seu ponto alto: aquele momento em que todos os calouros que o time queria foram reunidos e que agora precisam começar a jogar juntos para ver se formam um time realmente bom.

Individualmente falando, a equipe é muito empolgante. Markelle Fultz é considerado o melhor jogador do melhor draft dos últimos anos. Espera-se que Ben Simmons seja uma miniatura de Lebron James. Joel Embiid, no pouco tempo que jogou, mostrou ser um cara com excelentes recursos. Mas e juntos? Difícil saber o que vai sair dali.

A filosofia do time neste processo convicto de renovação sempre foi de buscar o maior talento disponível no draft na altura em que estiveram. Não condeno. Acho que, de maneira geral, é assim que tem que se fazer. O problema é que essa tática usada em exaustão talvez não resulte em um time tão bom, tão coeso a ponto de ter valido tanto tempo de ruindade.

Fultz é um armador no estilo combo guard que, em essência, joga com a bola na mão boa parte do tempo. Ben Simmons é um projeto de point-forward que também precisa dominar a bola. Embiid, quando jogou, se mostrou um buraco-negro (dos melhores que existem), em que todas as jogadas acabam nele prendendo a bola e arremessando. Até Dario Saric, mais discreto de todos, apareceu bem de fato quando teve mais ação no comando do ataque. Vai ter bola pra todo esse povo, super inexperiente, talvez sem toda a calma que ainda vão acumular ao longo da carreira, aparecer? E quando um deles não ‘performar’ tudo aquilo que se espera?Afinal só existe uma laranja no jogo…

Sem falar que o time já teve que se desfazer de Nerlens Noel e escancaradamente tentou despachar Jahlil Okafor pelo simples fato de ter selecionado muitos jogadores da mesma posição em drafts recentes – só aí, já dá pra ver que teve pelo menos uma temporada se esforçando para perder ‘desperdiçada’.

No papel, o time é empolgante, mas na prática ainda há muito a se trabalhar. A formação de um elenco talentoso é só parte do processo. Colocar esse povo para jogar, amadurecer e dividir méritos e responsabilidades é uma tarefa dura.

Offseason
O time fez certo. Conseguiu quem queria no draft e fez uma contratação cirúrgica de um veterano. JJ Redick é experiente, joga na posição mais carente da liga hoje e é um cara que sabe ser um excelente coadjuvante – mesmo que, para isso, tenha dado um caminhão de dinheiro ao jogador.

Time Provável
PG – Markelle Fultz / TJ McConnel / Jerryd Bayless
SG – JJ Redick / Nik Stauskas / Timothe Luwawu
SF – Ben Simmons / Robert Covington / Justin Anderson
PF – Dario Saric / Amir Johnson / James Michael McAdoo
C – Joel Embiid / Richaun Holmes / Jahlil Okafor

Expectativa
Há quem acredite que este time possa já brigar pelos playoffs. Acho muito otimismo com um time que dois dos principais caras sequer pisaram em uma quadra da NBA para um jogo oficial. Fazer este time jogar junto o ano inteiro e encontrar um padrão é um objetivo real e honesto, ao meu ver. Se conseguir isso agora, ano que vem dá para pensar seriamente em playoffs.

Quão bom no ataque um jogador tem que ser para não precisar defender?

A vida é comumente definida por grandes clichês. “O ataque ganha jogos, a defesa ganha campeonatos” é um daqueles repetidos à exaustão no esporte a ponto de sequer pensarmos a respeito dele. Já virou uma verdade absoluta que um time com um ataque letal tem boas chances de ser superado por aquele que tem uma defesa mais sólida.

Com toda a gama de informações, dados e possibilidades de análises que temos hoje, já sabemos defesas ganham, sim, campeonatos, mas na mesma medida que ataques. A história prova isso – em um histórico recente, dá para citar que o Cleveland Cavaliers do ano passado, o Miami Heat de 2013, o Dallas Mavericks de 2011, o Los Angeles Lakers de 2009 tinham defesas consideravelmente piores dos seus rivais nas finais e, mesmo assim, levaram o caneco.

Mesmo que a realidade comprove que os dois lados da quadra são de suma importância, e que mais vale que um time funcione à sua maneira do que como a cartilha dos clichês recomendam, jogadores também são reféns das ‘verdades absolutas’ dos ‘entendedores’ do esporte.

Neste caso em específico, parece que há uma tentativa exagerada de se compensar as coisas, uma vez que os jogadores que são muito bons no ataque tendem a ser mais valorizados pela torcida do que aqueles que são excelentes na defesa. Na tentativa de dar os merecidos créditos aos marcadores implacáveis, muita gente menospreza os artilheiros que são preguiçosos ‘lá atrás’.

Mas se existem tantos mitos sobre a importância exagerada de um dos lados da quadra quando se fala nos times, será que não acontece o mesmo na avaliação dos jogadores. Afinal, sem preconceitos e clichês, o quanto um jogador tem que ser bom no ataque para poder ser ruim na defesa? O quanto ele ser folgado na defesa o torna um mau jogador se ele for decisivo no ataque?

Com certeza é bem difícil QUANTIFICAR isso, afinal, por mais que existam números e estatísticas que tentem fazer isso, simplesmente não é possível medir o real impacto de um jogador em um time. É tudo uma questão de encaixe, de química com o time e do que se espera dele.

Por mais que James Harden, por exemplo, seja o principal sinônimo da NBA para um mau defensor hoje (até injustamente, diga-se, já que existem milhões de jogadores piores do que ele na hora de marcar um adversário), é óbvio que suas qualidades como pontuador e, agora, construtor de jogadas o tornam indispensável para qualquer equipe.

O esquema atual do Rockets torna seu esforço defensivo ainda mais dispensável, uma vez que o time preserva em suas rotações sempre pelo menos três jogadores bastante móveis na marcação e cobertura tanto fora quanto dentro do garrafão. Neste esquema, sempre Patrick Beverley, Eric Gordon, Trevor Ariza, Sam Dekker, Nene ou Clint Capela estão se matando na transição para tentar recuperar a bola. Neste modelo, vale mais a pena manter James Harden sempre pronto para puxar um contra ataque de três segundos do que o colocar para se esforçar além da conta na marcação.

Outro que entra na mesma cota indiscutivelmente é Isaiah Thomas. Na sua escalada de role player para all star, Thomas mostrou que é um dos mais mortais pontuadores por centímetro da história da NBA, mas que sua defesa condiz com a sua altura. Nas stats avançadas de impacto nos dois lados da quadra, o tamanho do gap de qualidade do jogador no ataque e na defesa não há precedentes. Segundo as estatísticas, não há um jogador com tanta diferença entre o impacto positivo no ataque e negativo na defesa. Mesmo assim, o Boston Celtics de hoje, que começa a ameaçar o domínio absoluto do Cleveland Cavaliers, tem Thomas como seu principal jogador. A sua figuração sem a bola é complementada sem problemas pelas qualidades de especialistas de Avery Bradley e Marcus Smart.

Mas o bicho começa a pegar quando falamos de caras que não são absolutas unanimidades. Vou pegar o exemplo do Monta Ellis. Foi “o cara” do Golden State Warriors antes do time se tornar o que é hoje. Fazia 25 pontos por jogo e era a principal estrela da equipe. No entanto, contando só os minutos que estava em quadra, nunca seu impacto positivo na frente foi superior ao seu impacto negativo na retaguarda.

Tanto é que nas últimas seis temporadas enfrenta uma queda implacável na sua minutagem em jogo e na sua participação na rotação das equipes. Neste ano, o Indiana Pacers se acertou quando ele se lesionou e embalou quando o colocou como reserva. Hoje, sua participação se resume a um escape na segunda formação do time.

Outro exemplo complicado é o de Kevin Love. Ser péssimo na marcação e soft na briga dentro do garrafão nunca foi um grande problema até as finais do ano passado. Primeiro no Timberwolves, em que ele era o líder no ataque de um time que não competia por grandes coisas – portanto, não fazia muito sentido puni-lo com menos tempo de quadra se o resto do elenco não iria ajudar -, depois no Cavaliers, onde se resumiu, no início da sua passagem, a um especialista no perímetro.

No entanto, na batalha final contra o Golden State Warriors, suas deficiências defensivas se tornaram praticamente insustentáveis. Enquanto o time perdia as primeiras partidas, Love era considerado o responsável por não ajudar o time a segurar o ataque californiano – a ponto de começar um jogo como reserva. O Cleveland virou a série e quase ninguém se lembra mais disso.

Neste ano, por outro lado, Love voltou a encontrar um protagonismo parecido com o que tinha em Minnesota. Preciso no ataque e novamente presente no garrafão, seus problemas de marcação não incomodam mais tanto assim.

No fundo, percebe-se que, na verdade, não é qualidade ofensiva de um jogador que o faz poder abrir mão dos esforços defensivos. Mas sim o seu papel na equipe e as compensações que o grupo de jogadores fazem para bancá-lo. Monta foi útil enquanto alguém defendeu por ele. Love voltou a ser assim que a defesa do Cavs não foi mais um problema. Isaiah se tornou uma estrela quando foi rodeado de bons marcadores. O próprio James Harden virou um perene candidato a MVP logo depois do Thunder abrir mão dele, também por não ser um grande defensor – o que se mostrou um erro brutal hoje. É muito mais uma questão de contexto e encaixe do que a diferença entre qualidade ofensiva e defensiva.

Trocar o pivô Jalhil Okafor tem sido uma dura tarefa para o Philadelphia 76ers. Dominados pelo modismo que os centers precisam ser ultra-versáteis e devem, necessariamente, funcionar como âncoras defensivas fizeram o jovem jogador parecer um inútil, apesar de ter um dos mais refinados jogos de low-post. Trata-se como se o jogador não fosse ter qualquer utilidade na liga por ser um marcador fraco e ter uma péssima estatística de box plus-minus (que tenta medir o impacto dos jogadores em quadra).

Acontece que, ao meu ver, saber jogar de costas para a cesta e pontuar nestas situações é uma qualidade tão importante quanto ser um preciso arremessador de três – fundamento ovacionado nos dias de hoje. E, além disso, stats avançadas nos ajudam a entender o jogo, mas não são determinantes – os mesmos dados sugerem que Kawhi Leonard, melhor defensor da liga nos dois últimos anos, não é um marcador tão bom assim.

Jahlil Okafor realmente não me parece uma peça fundamental para o Sixers, que tem um garrafão congestionado de jovens talentos, mas não me parece que se sairia mal em times com uma boa cobertura das suas deficiências – empurrar Anthony Davisd para a ala no Pelicans não seria nada mal, testar uma formação ultraofensiva no Blazer seria interessante ou apostar na evolução junto ao Bucks é uma opção. Enfim, sendo talentoso, há espaço de alguma maneira.

O que não dá é continuar repetindo e concordando com clichés. Estes sim não contribuem com quase nada.

Ruído anunciado no ‘processo’

Depois de anos com times medonhos e derrotas propositais, o Philadelphia 76ers voltou a ter algo parecido com um time de basquete. Uma boa parte disso se deve ao fato de que Joel Embiid é um ser humano maravilhoso com um talento ainda maior do que se imaginava dele (ou até imaginávamos, mas tínhamos esquecido depois de dois anos afastado por lesões) e outra parte porque o front office finalmente resolveu montar uma equipe com as mínimas características de um time de basquete.

Diferente dos anos anteriores, houve uma preocupação mínima com a formação titular, banco e o equilíbrio entre as posições. Exemplo disso foi a assinatura com o armador espanhol Sergio Rodriguez, um trintão, e a troca pelo ala turco Ersan Ilyasova, que também é um veterano já. Fosse nos anos anteriores, a franquia teria privilegiado o potencial talento em detrimento de uma formação mais fluída.

No entanto, o ‘processo’ enfrentou seu primeiro problema desde que esta curva ascendente se deu. Como já era de se esperar, não há lugar para todos os jogadores draftados recentemente na formação do Sixers. Com a política de sempre pegar o jogador de maior potencial, independente da posição, o jovem garrafão do time se congestionou.

Isso não era um grande problema diante da falta de saúde de boa parte de seus jogadores, que faziam um rodízio natural na formação titular diante das baixas. Agora, com quase todos saudáveis, não há minutos para todo mundo.

No momento, o preterido é Nerlens Noel. Voltando de lesão, o jogador jogou 10 e 8 minutos em duas partidas. Em outras duas, nem entrou em quadra. Depois de jogar tão pouco tempo, Noel reclamou que ele era ‘muito bom para jogar só 8 minutos por jogo’. Mesmo com a reclamação, o técnico Brett Brown disse que ele só terá minutos quando ‘Embiid ou Okafor estiverem fora de ação’ e que ‘se sente mal mesmo por Richaun Holmes‘, que é o quarto pivô do time.

Um dos dois jogadores está com seus dias contados em Philadelphia

Em outros momentos, no entanto, o ‘excluído’ foi Jahlil Okafor, calouro-problema da temporada passada, que foi deliberadamente colocado na vitrine nesta offseason. Sem ofertas decentes e na dúvida se Embiid iria aguentar o tranco, o time recuou.

O congestionamento todo nem leva em conta a presença de Ben Simmons na rotação – apesar da vontade de usá-lo como armador, sua posição de ofício, por enquanto, ainda é ala – e considerando Dario Saric como um ala menor – ainda que seu lugar no mundo ideal seja como ala-pivô.

Os problemas dessa tática – de pegar o melhor jogador independente da posição – são vários. Primeiro que compromete a evolução dos atletas. O ideal é colocar esse povo para jogar o máximo de tempo possível enquanto os resultados não são tão importantes. Brown até passou a colocar Okafor e Embiid juntos na formação titular – ainda que maior parte do tempo não dividam tempo de quadra -, mas a escalação com um de pivô e outro improvisado como ala tem sido a campeã de turnovers por minuto do time e piora consideravelmente a defesa do time.

Segundo, que diante das reclamações e da flagrante impossibilidade de satisfazer todos, o valor dos jogadores despenca. Se mostrar desesperado para se desfazer de um jogador é fatal no mercado da bola. Então mesmo que consiga passar Noel ou Okafor para frente, é muito possível que a moeda de troca não seja lá tão valiosa. E, daí, vai ter valido a pena ter perdido um ano inteiro lá atrás por um punhado de jogadores não muito bons? Afinal, uma temporada ruim rendeu a escolha de Noel e outra se transformou em Okafor.

O ideal seria trocar um dos dois por um jogador de perímetro, um ala-armador de preferência – justamente a posição mais escassa de talento na NBA atualmente – e convencer o atleta que ficasse a integrar a segunda unidade da formação. No ‘trade machine’ e na teoria a solução é fácil. Na prática, um abacaxi complicado.

Não há uma saída 100% satisfatória para este problema. Agir rápido para minimizar os danos, acalmar os ânimos, mostrar confiança para quem ficar e montar um time azeitado para o futuro é emergencial para manter o tal ‘processo’ na rota.

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