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Durant não fugiu da história, só a escreveu à sua maneira

No dia em que Kevin Durant anunciou que se juntaria ao Golden State Warriors, eu fiz um texto aqui revoltado com a decisão. Naquele momento, eu estava triste que meu jogador preferido tinha escolhido se reunir com o time que tinha o derrotado. Que ele preferia o título a uma história que parecia ser mais fascinante.

Mas seria fascinante para quem? Para mim, sem dúvidas, seria muito mais legal ver uma dupla tipo Batman e Robin enfrentando os times superpoderosos da NBA e os derrubando um a um. Ver uma caminhada heróica de dois jogadores, dois amigos, que cresceram juntos como atletas e logo estariam prontos para conquistar a glória máxima. Mas para ele talvez fosse mais uma história digna de filme de heróis do que propriamente uma possibilidade real.

Por mais que o Oklahoma City Thunder tenha verdadeiramente ameaçado o Golden State Warriors no campeonato do ano passado, a quase vitória parece mais um ponto fora da curva, um evento circunstancial, do que uma tendência. Curry e companhia já formavam um time absurdamente bom que dificilmente seria batido por uma equipe com um basquete tão simples como aquele Thunder.

Por mais que eu ainda ache que um título não é (ou pelo menos não deveria ser) determinante para nós, torcedores, reconhecermos definitivamente se um jogador teve sucesso na sua carreira ou não, é preciso, para começo de conversa, considerar que para ele isso pode ser, sim, a coisa mais importante da sua vida. Portanto, se Durant achava tão necessário para sua carreira ser campeão e não via uma maneira disso acontecer em Oklahoma, é legítimo – por mais que eu ou você discordemos – que ele tenha ido para o Warriors.

Mas eu vou mais além nesse processo de empatia. A gente não sabe o que rola no dia a dia de um time, como são as relações dos jogadores, como eles se sentem nas organizações em que trabalham e tudo mais. Se há um ano parecia que Westbrook e Durant eram uma dupla inseparável, os relatos que sucederam a saída de Kevin do Thunder mostraram um cenário bem diferente, em que Russell era próximo de todos os jogadores do time e Durant não passava de uma referência técnica, mas com pouca afinidade com os caras na vida extra-quadra.

A sua trajetória no Warriors também mostra que seu talento pode ser muito melhor aproveitado se usado em um esquema coletivo, de muitos passes, muita movimentação sem a bola – algo que não acontecia no ex-time. Não difícil imaginar que, independente de título, Durant era um cara mais ‘realizado’ profissionalmente, que tinha mais prazer em jogar com seus colegas de Golden State do que com Westbrook.

Por mais que ele ganhe milhões e que seu trabalho seja jogar bola, existem situações que podem fazer disso uma tarefa não muito prazerosa – ou melhor, uma mudança de ares pode fazer desse trabalho muito melhor. Não digo que ser jogador de basquete deva ser encarado como um trabalho qualquer, como o meu ou o seu, mas que existem fatores muito mais corriqueiros do que nós imaginamos. E que eles influenciam a tomada de decisões.

Tudo isso para dizer que eu na época fiquei muito frustrado com a escolha, como vejo que a maioria esmagadora das pessoas ficou, mas que a gente não pode tomar como base apenas a parte da história que nós achamos que conhecemos. Mais do que isso, não podemos minimizar o feito absurdo realizado por Durant – com um super time ‘apelão’, mas contra outro super time ‘apelão’ com Lebron James, Kevin Love e Kyrie Irving. Hoje, Kevin Durant é o melhor jogador do melhor time da NBA – e um daqueles que entram na discussão para ser um dos maiores da história!

Ao ir para a Bay Area, Durant não ‘escolheu se escondeu da história’, como eu mesmo disse há quase um ano. Ele só resolveu marcar seu nome na história de outra forma – como MVP das Finais, como campeão da NBA… -, talvez diferente da que muita gente queria. E aparentemente ele está mais feliz com o desfecho do que com a nossa opinião sobre tudo isso.

Dono da quadra

Kevin Durant tem sido, disparado, o melhor jogador das finais da NBA até o momento. Na série com o maior número de all stars dos últimos 30 e poucos anos, o jogador tem o feito de ser o cestinha, o maior bloqueador, o terceiro reboteiro e o segundo com mais assistência entre todos os jogadores dos dois times. Tem decidido os jogos a favor do Golden State Warriors fazendo de tudo um pouco na quadra.

Ao longo da carreira, o jogador já tinha mostrado toda a sua versatilidade: era o armador do Thunder e do próprio Warriors em muitas posses de bola, tem um dos melhores chutes da liga como um bom ala-armador e sabe cair no post como um ala deve fazer. No esquema do Warriors, Durant também se mostrou um bom protetor de aro no garrafão, especialmente cobrindo os jogadores marcados por Draymond Green. Seus 2,10 m e quilômetros de braços já indicavam que ele não encontraria problemas com a nova função.

(Nathaniel S. Butler/NBAE via Getty Images)

E ontem veio a confirmação. No terceiro quarto, com Green carregado de faltas, Steve Kerr colocou Kevin Durant como pivô do time. O jogador já tinha caído várias vezes na posição em trocas defensivas, mas nunca tinha sido escalado como pivô de fato na formação, só com alas menores e armadores ao seu redor. E ele dominou o jogo no único papel do jogo que nunca tinha desempenhado em larga escala.

Na formação Curry, Livingston, Thompson, Iguodala e ele, o Golden State emplatou 14 pontos em cinco minutos e levou a vantagem do jogo a 13, mesmo com Kevin Love e Channing Frye do outro lado, dois jogadores muito mais acostumados com a função.

Defensivamente Durant foi dominante no garrafão.

Os seus números no jogo mostram bem sua atuação eclética. Durant esteve a duas roubadas de bola de fazer um ‘5×5’ – ter pelo menos cinco pontos, rebotes, assistências, roubadas e tocos.

Durant é a cara de uma NBA que busca cada vez mais jogadores versáteis, móveis e leves. Não só tem tudo a ver com o small ball – apesar de não ter nada de ‘small’ no seu tamanho -, como tem o físico que os jogadores buscam nos dias de hoje – coisa inimaginável há 25 anos, quando a força física era um atributo fundamental para o jogo e os jogadores pesados tiravam vantagem dos demais.

A série vai para Cleveland e o time de Ohio precisa, acima de tudo, encontrar uma forma de parar Durant. No ano passado, a reviravolta aconteceu quando o Cavs notou que poderia abrir mão da marcação de Harrison Barnes e Andre Iguodala para anular Stephen Curry, Klay Thompson e Draymond Green.

Com Durant, isso não é possível. Para batê-lo, é preciso encontrar uma forma diferente de jogar. Que ninguém descobriu qual é até agora.

[Previsão dos Playoffs] Final da NBA: Warriors x Cavaliers

Jogo 1 – Qui.  1 de junho,  Cleveland @ Golden State, 22h (ESPN)
Jogo 2 – Dom.  4 de junho,  Cleveland @ Golden State, 21h (ESPN)
Jogo 3 – Qua. 7 de junho,  Golden State @ Cleveland, 22h (ESPN)
Jogo 4 – Sex.  9 de junho,  Golden State @ Cleveland, 22h (ESPN)
Jogo 5 * Seg. 12 de junho,  Cleveland @ Golden State, 22h (ESPN)
Jogo 6 * Qui. 15 de junho, Golden State @ Cleveland, 22h (ESPN)
Jogo 7 * Dom. 18 de junho,  Cleveland @ Golden State, 21h (ESPN)

Temporada regular: 1×1

Palpite: Golden State em 7

O cameponato deste ano foi muito bacana, uma série de histórias legais, feitos históricos e tudo mais. Mesmo assim, parece que foram meses de espera por um tira-teima histórico: a terceira final consecutiva entre Cleveland Cavaliers e Golden State Warriors.

O ponto alto do confronto é que aparentemente as duas equipes se enfrentarão em no auge da técnica e sem contratempos de lesão – nos últimos dois anos, cada vez uma equipe foi prejudicada por ausência de alguns dos seus principais jogadores. Agora, o Golden State chega mais experiente, tranquilo e com o reforço incomparável de Kevin Durant. O Cleveland também está bem, com Lebron James jogando o melhor basquete da sua carreira, Kevin Love finalmente à vontade e Kyrie Irving sendo decisivo como sempre.

Acredito que nestas condições, o pico do Warriors é ligeiramente superior ao do Cavaliers, o que faz pender a balança do favoritismo para o time californiano. É verdade que na decisão do ano passado o potencial do Golden State já era superior ao do Cleveland, mas acho que a pressão por fazer uma temporada épica, com o maior número de vitórias da história não ajudou na hora do mata-mata decisivo. Neste ano, o time veio em ritmo de cruzeiro  – e mesmo assim não perde há meses.

Kevin Durant é um reforço que não pode ser menosprezado. Até se machucar, o ala estava jogando um basquete digno de MVP, com a maior precisão e eficiência ofensiva e maior impacto defensivo da sua carreira.

No ano passado, a inoperância de Harrison Barnes foi um dos fatores que levou o Cleveland à virada – a tática de deixar o jogador descaradamente livre na intenção de anular outras ameaças mais perigosas do Warriors funcionou e, mais do que isso, perturbou o time do Golden State. Na troca de Barnes por Durant, saiu o poste para entrar o gatilho.

Curry e Durant, ao invés de dividirem a bola, estão multiplicando as oportunidades de pontuação. Os dois se encaixaram mais rápido do que se imaginava. Juntos, o time cria mais oportunidades de arremessos livres e equilibrados, o que aumenta consideravelmente as chances de acerto dos chutes.

O entrosamento tem sido benéfico até para Draymond Green, que já era decisivo na defesa, mas vem tendo um desempenho ofensivo impecável nas últimas séries.

Para que o time emplaque seu esquema com primazia, falta apenas que Klay Thompson apareça um jogo ou outro. O jogador não tem passado pelo seu melhor momento, mas é uma ameaça constante no perímetro – especialmente diante uma defesa não muito dedicada do Cleveland Cavaliers.

Esta, inclusive, é a deficiência que faz com que o time de Ohio esteja um passo atrás na disputa. O ataque não tem muitos problemas. Por mais que a defesa do Warriors seja excepcional, Kyrie Irving, Kevin Love, Lebron James são os jogadores com mais recursos técnicos para vencer a barreira adversária. Channing Frye, Kyle Korver e os demais reservas do time também são letais. Mas, no saldo, é mais difícil que a defesa do Cavs atrapalhe o ataque rival do que o contrário.

Um caminho para o Cavaliers é desacelerar o jogo com a bola na mão. Diminuir o número de posses de bola e levar as partidas em um ritmo que não favorece tanto o rival. Fechado, com posses de bola longas e marcações ‘on ball’, a ineficiência pontual da defesa do Cavs fica muito menos evidente – e chega a favorecer Tristan Thompson, Lebron James e JR Smith.

E, por fim, o que torna a disputa ainda mais imprevisível, apesar da vantagem coletiva do Warriors, é a presença de Lebron James com a camisa 23 do Cavs. Mesmo que Curry, Kyrie, Durant ou seja lá mais quem sejam excelentes, Lebron é de outro mundo. Nestes momentos, então, ele faz ainda mais diferença.

Eu acho que teremos pelo menos seis jogos. Torço muito por sete. Acho que dá Warriors.

Não desista: ainda há motivos para assistir as finais de conferência

As finais de conferência não podiam estar mais desinteressantes. No Oeste, o Golden State tem passeado em quadra desde a lesão de Kawhi Leonard, que não deve jogar hoje a noite, facilitando as coisas para o time californiano fechar a série em quatro partidas. No Leste, o Cleveland Cavaliers aplicou duas lavadas monumentais fora de casa e ontem deixou escapar mais um jogo ganho. Para piorar, o Boston Celtics não terá mais Isaiah Thomas, machucado.

Por mais que pareça uma perda de tempo parar para assistir duas séries que não estão nada competitivas, ainda há algo em jogo em cada uma delas.

Possível despedida de Manu Ginóbili – O argentino até agora não anunciou se vai se aposentar ou se volta para mais uma temporada. Ainda que algumas das últimas atuações lembrem o craque multi-campeão pelo Spurs, Manu completa 40 anos daqui dois meses e discrição da sua participação ao longo da temporada sugere que vai ser difícil o jogador enfrentar mais uma maratona de 82 jogos no campeonato que vem. Ele já se despediu da seleção e o jogo desta segunda tem boas chances de ser o último dele na NBA.

Show de Kevin Durant/Stephen Curry – A dupla de scorers do Golden State Warriors tem sido espetacular nos playoffs, especialmente na série contra o Spurs. Na primeira partida, ambos somaram mais de 70 pontos para virar um jogo que parecia perdido. Nos dois confrontos seguintes, cada vez um apareceu para acabar com a partida.

Quem será útil ao Boston ano que vem? – Um dilema toma a direção do Boston Celtics para o ano que vem. O time é excelente, tem bons jogadores para todas as posições, mas praticamente só tem uma estrela de fato – não que seja pouco, mas não é o suficiente para fazer frente aos supertimes que dominam a liga hoje. Os últimos jogos da temporada podem servir como uma peneira para definir quem será útil na próxima temporada e que papel cada jogador poderá ter. Jaylen Brown, por exemplo, tem ganhado espaço com uma defesa disciplinada e ousadia no ataque. Marcus Smart foi fundamental na única vitória do time na série, colocando em cheque o quanto mais um armador vai poder contribuir para a franquia.

(David Liam Kyle/NBAE via Getty Images)

Lebron James persegue Michael Jordan – Pode não valer mais nada, mas cada vez que Lebron James entra em quadra nos playoffs pode resultar em uma performance histórica ou render em uma jogada lendária. A aura de jogador decisivo e vencedor vem se confirmando neste ano. É neste mata-mata, também, que Lebron tem alcançado Michael Jordan em alguns atributos – já passou em roubadas de bola e está a poucos jogos de superar em pontos.

Super Kevin Love – O ala-pivô do Cleveland Cavaliers já vinha recuperando sua melhor forma técnica ao longo da temporada, com performances comparáveis aos seus tempos de Minnesota Timberwolves, mas no mata-mata Love está especialmente bem. Este deve ser o último jogo em que ele vai atuar com alguma liberdade de ação no perímetro, já que contra o Warriors a marcação de Kevin Durant e Draymond Green deve ser implacável. Uma boa oportunidade para emplacar uma statline gorda.

Eles não precisam ser amigos

O Washington Wizards entrou na temporada regular cercado de dúvidas quanto ao seu real potencial. O time vinha de uma sequência estranha. Em 2014-2015, teve uma campanha animadora nos playoffs e, não fosse por uma lesão de Wall, tinha boas chances de alcançar uma final de conferência. Na temporada seguinte, a decepcionante décima colocação e não ida ao mata mata.

A história que era usada como álibi para a inconstância do time e sobretudo de John Wall e Bradley Beal, promissora dupla de armadores da franquia, era a de que os dois não se bicavam. De fato, frustrados com tudo que rolava na equipe, os dois trocaram alfinetadas públicas. Wall reclamou da baixa frequência de Beal, atormentado por lesões, no time. Beal, por sua vez, se incomodou com o domínio absoluto de Wall na posse da bola. Ficou famosa a frase que os dois tinham “tendência a não se gostar”. Como quase sempre acontece, a treta e os resultados ruins foram diretamente ligados.

Agora o time voltou a ganhar, emplacou a melhor sequência de vitórias em casa na temporada e já registra a melhor campanha da NBA desde janeiro. Não só está próximo de se garantir matematicamente nos playoffs, como é o time que atualmente mais ameaça o reinado do Cleveland Cavaliers na liderança do Leste. E, claro, muita gente tenta atribuir a uma suposta sintonia entre Beal e Wall fora da quadra.

Sinceramente não tenho como dizer se os dois são amigos, se não são. O meu ponto é que, dadas as declarações dos jogadores, dado o histórico de caras que declaradamente se odiavam mas jogavam muito, a amizade entre estrelas do mesmo time como receita do sucesso é uma balela. Apesar de ser muito bonito para os torcedores acreditarem naquilo e para a imprensa criar um enredo, é quase sempre irrelevante se jogadores dividem quarto, se jantam juntos, trocam mensagens ou se sequer se suportam.

Apesar do exemplo mais clássico disso ser a dupla Kobe Bryant e Shaquille Oneal, acho errado colocá-los no mesmo balaio. Ambos figuram possivelmente entre o top 10 da NBA em todos os tempos. Mesmo que um boicotasse o outro, as coisas dariam certo no Lakers. Mesmo no auge do ódio mutuo, o time foi tricampeão. Sem comparação.

Vou trabalhar com exemplos mais ‘terrenos’. Rajon Rondo e Ray Allen também não se gostavam. Um nunca foi muito fã do outro em quadra e, para completar, uma vez Allen disse que Doc Rivers e Danny Ainge não gostavam de Rondo e por isso iriam tentar trocar a dupla para Phoenix. Rondo não gostou, achou que Ray estava inventando alguma coisa para se livrar da negociação e a coisa melou de vez entre os dois. Mesmo assim, em quadra, em cinco anos de parceria, o Boston foi campeão uma vez, vice outra e chegou à final de conferência em mais uma. Rondo foi o jogador que mais deu assistências neste período e Ray Allen era o principal alvo dos seus passes.

Até ano passado, Kevin Durant e Russell Westbrook formavam a dupla mais talentosa da NBA. Por terem entrado na liga mais ou menos na mesma época, terem crescido como profissionais juntos e não terem muito mais colegas de qualidade ao redor, presumia-se que os dois eram muito próximos, quase irmãos. A revelação de que os dois nunca foram nada mais do que ‘colegas de trabalho’ se deu depois que Durant saiu do time. Muita gente achou absurdo que o ala ‘só’ mandou uma mensagem no celular de Russell avisando que deixaria o time, mas, apesar das rusgas ‘institucionais’ da separação, ambos confirmaram que nunca foram muito próximos fora da quadra. Mesmo assim, a parceria funcionou bem, no limite máximo dos seus talentos, independente deles serem super amigos ou só jogarem juntos.

Voltado ao Wizards, ao meu ver, é mais correto dizer que o time passou ganhar por outros motivos mais claros, como a habilidade do técnico Scott Brooks em transformar bons prospectos em jogadores de verdade, como Kelly Oubre e Otto Porter, e filtrar o elenco em uma rotação mais enxuta e eficiente. O time também passou a ter o ataque iniciado por mais jogadores, ao invés de concentrar todas as decisões em Wall – que, por outro lado, se tornou uma opção mais eficaz nos arremessos. A criatividade de Beal na armação do pick and roll, uma referência no fundamento entre os shooting guards, também passou a ser explorada com mais frequência. Com isso, a dupla alcançou o melhor momento da carreira individual e coletivamente – independente de serem amigos ou não.

Não é raro vermos a associação da melhora no rendimento a uma suposta amizade que estaria florescendo entre ambos. Eles não são bobos de negar, claro, mas o fato de Beal já ter reclamado que basicamente SÓ PERGUNTAM ISSO a ele é uma pista de que definitivamente não é a isso que eles creditam esta evolução.

Não digo que problemas de vestiário não influenciam na performance de um time. É claro que sim. Mas não ser amigo de alguém não é problema algum. Atletas jogam para ganhar, fazer seu trabalho, e não amar uns aos outros, amar uma camisa. Pouco importa com quem eles vão com a cara se jogarem tudo que sabem.

Beal, Wall, Shaq, Kobe, Rondo, Allen e companhia são as provas disso.

A falta que Durant faz

Desde que Zaza Pachulia caiu sobre a perna de Kevin Durant, fazendo o ala do Golden State Warriors ficar de fora por algumas semanas, o time tem passado pelo seu pior momento na temporada. São cinco derrotas, apenas duas vitórias e um desempenho que coloca em risco a primeira colocação do time na conferência Oeste – o San Antonio Spurs está a uma vitória de igualar a campanha do Warriors.

A última vez que o time entrou em uma sequência dessas em temporada regular foi em novembro de 2013, quando a equipe ainda ensaiava ser a potência que é hoje – viria a terminar a temporada com 51 vitórias e ser eliminado para o Los Angeles Clippers na primeira rodada dos playoffs com Mark Jackson de técnico, David Lee de titular, com um Draymond Green ainda bem discreto e Stephen Curry longe de ser MVP.

Acontece que a partir daí o Golden State se transformou em uma equipe praticamente imbatível, sendo indiscutivelmente o melhor time da liga – sem Kevin Durant. Não é estranho, então, que o time decaia tanto por conta da sua ausência?

Não é. Não que o Warriors tenha se transformado em uma equipe ruim sem ele e que vá continuar com uma campanha tão cambaleante até que KD volte – de fato o calendário nestas últimas sete partidas foi pesado -, mas toda e qualquer equipe tem que ter um período de adaptação às mudanças para que jogue no máximo do seu potencial.

De maneira até inesperada, a entrada de Kevin Durant no time no início da temporada fez do Warriors um time mais solidário (atualmente tem mais de 70% das cestas servidas com assistências) e mais enérgico na defesa (mesmo sem Harrison Barnes e Andrew Bogut, dois jogadores importantes na função). Sem ele, a equipe precisa reaprender a não depender do jogador nos dois lados da quadra, uma tarefa bastante difícil se tratando de um jogador do tamanho de um pivo, drible de um armador e que vinha tendo um desempenho digno de MVP.

E, por mais urubu que possa parecer, a contratação de Durant no meio do ano passado não era, necessariamente, para melhorar o time – com uma campanha de 73 vitórias e uma corrida nas finais até o jogo 7 não tem muito o que ir além -, mas sim criar uma margem de segurança para não piorar, especialmente para o caso de alguém se lesionar. Ironicamente, foi o próprio que se machucou.

Para a temporada regular, ainda que seja um golpe que o time tenha sentido, não chega a ser algo aterrorizante: o time pode perder a primeira colocação e o mando de quadra para o San Antonio Spurs, mas nada além disso. O que o time precisa, mesmo, é de Durant de volta para os playoffs – as projeções mais otimistas dizem que ele volta na última semana da campanha regular.

Lá, no mata-mata, do jeito que o time vinha jogando, só Durant pode recolocar o time ao patamar de intocável. Sem ele, o tempo é muito curto para o time reaprender a jogar de uma maneira tão superior aos demais.

O dever da torcida do Thunder é atormentar Kevin Durant hoje

Hoje é o típico dia que a torcida justifica a sua existência. Hoje é o dia que a torcida do Oklahoma City Thunder tem o dever de infernizar a vida de Kevin Durant.

Não me entendam mal: eu acho Durant espetacular e já entendi que ele tinha todo o direito de trocar de time. Foi bom para o Thunder enquanto esteve por lá, mas acabou. Sua vida agora é com outro uniforme e pronto.

Também nem acho que ele e Russell Westbrook se odeiem de verdade. Ok, os últimos dois jogos entre os times foram tensos, mas me parece mais uma tentativa de ambos fazerem moral com suas torcidas do que efetivamente um ódio mútuo – o próprio Durant falou sobre isso essa semana.

Apesar destas ponderações, deste balde de água gelada na rivalidade, acho que o papel da torcida do Thunder é fazer o máximo para implodir a moral do rival.

O único compromisso do torcedor é com o seu time. Se for necessário esquecer por alguns minutos que Durant foi o jogador mais importante da franquia nos últimos anos para desestabilizá-lo, que seja assim. Se for necessário ser injusto com sua história para aumentar as chances de vitória do OKC, que todos o façam. Mesmo aqueles que já superaram a partida do astro e entendem que o time deve seguir seu rumo devem adotar este tom. Este é o papel do cara que está na arquibancada.

De quebra, acho que Westbrook é o tipo de cara que cresce muito nestas situações, com um ginásio pegando fogo. Uma boa dose de hostilidade ao rival parece ser um bom combustível para deixar Russell ensadecido.

Hoje é o dia do torcedor do Thunder enaltecer a lealdade de Russell, que renovou contrato com a franquia assim que Durant partiu, e atormentar os rivais. Pouco importa que, na realidade, Durant não seja um traidor execrável, que ele tenha feito muito pela franquia e que ele e Westbrook nem se odeiem de verdade.

Que as homenagens e honras da casa fiquem para a próxima visita de Durant. Hoje é dia da arquibancada do Thunder odiá-lo.

O melhor jogador do melhor time

Podem falar o quanto quiser – eu mesmo falei um monte quando aconteceu -, mas não tinha lugar melhor para Kevin Durant mostrar todo o seu talento do que o Golden State Warriors. Apesar da discussão sobre o que ele deveria fazer, sobre o que cada um de nós gostaria que ele fizesse e etc de lado, o tempo tem mostrado o quanto seu jogo se encaixa perfeitamente no modelo de jogo da melhor equipe da NBA na atualidade, com melhor campanha e melhor basquete jogado.

Até era previsível que suas características fossem ajudar o time, já que o Warriors é uma equipe que cria muitas possibilidades para seus jogadores chutarem e ter mais um excelente arremessador em quadra seria naturalmente uma evolução, mas acho que ninguém imaginava que Kevin Durant conseguiria elevar seu próprio desempenho a um outro patamar em um time tão carregado de talento e com tantas estrelas para dominar a bola.

Estávamos acostumados a vê-lo jogar em um Oklahoma City Thunder que não tinha segredo quando estava com a posse de bola: ele e Russell Westbrook dominavam as ações e, no máximo, davam o último passe para alguém no post ou aberto na zona morta. Na defesa, Durant fazia seu papel dignamente, mas não chegava a ter atuações de um especialista – função que era relegada aos seus colegas.

Mas no GSW, Durant tem mostrado que é um gênio da pelota laranja. Que consegue ser decisivo mesmo quando não tem o mesmo volume de posses de bola a sua disposição e que reúne os requisitos necessários para ser um dos melhores defensores da liga.

No ataque, ele tem sido um dos jogadores mais eficientes de toda a NBA. Seu Effective Field Goal, que é uma estatística que ajusta o aproveitamento dos arremessos entre chutes de dois e três pontos, é o quarto melhor da NBA, atrás somente de DeAndre Jordan, Rudy Gobert (ambos jogam colados à cesta, então naturalmente têm um arremesso melhor) e Otto Porter (que tem feito uma temporada impressionante, mas arremessa metade do volume de bolas que Durant arrisca). É facilmente o melhor aproveitamento entre os maiores pontuadores da NBA. Na noite de ontem, contra o Oklahoma City Thunder, por exemplo, ele anotou 40 pontos com apenas 16 arremessos de quadra tentados. Um desempenho surreal!

É o líder do time em Player Efficiency Rating (estatística que mede em uma variável toda a produção do jogador em quadra) e o sexto da liga no ranking, atrás somente de jogadores que são estrelas solitárias em suas equipes. É o cestinha do time e divide a liderança nos rebotes com Draymond Green.

Na defesa, tem se mostrado um monstro. É o oitavo jogador que mais da tocos em toda a NBA na atualidade. Quando não bloqueia o chute, tem atrapalhado demais a vida dos rivais, reduzindo o aproveitamento nos chutes dos outros a 42% dentro do garrafão.

Por último, ainda que seja bem subjetivo, Durant tem chamado a responsabilidade nos principais jogos da temporada até então, o que anima o torcedor do Warriors para os playoffs que vêm pela frente. Foi decisivo contra o Thunder nas duas partidas até agora de maior pressão sobre o jogador, foi insano contra o Cleveland, até mesmo quando o seu time perdeu no minuto final.

Foram três meses do melhor Kevin Durant que poderíamos ver, até mesmo do que na temporada que foi MVP – e tenho certeza que nesta, se não fosse pelas atuações históricas de James Harden e Russell Westbrook, o ala do Warriors reconquistaria a coroa. Algo que seria muito mais difícil de fazer, neste nível, no Oklahoma City Thunder de sempre.

Também contou com a sorte e boa vontade dos seus novos colegas, que trataram de ajustar algumas coisas para melhor receber Durant. Se antes era um time que se aproveitava do talento elevadíssimo de Stephen Curry e Klay Thompson para criar chutes inesperados de três na transição e no pick and roll, hoje o time prefere passar a bola freneticamente até encontrar um de seus gatilhos livre e de frente para a cesta.

Por um lado, Klay e Steph perder algumas oportunidades de pontuar. Do outro, todos ganham condições melhores de acerto quando a bola cai em suas mãos. Um ajuste que deu muito certo, mas que poderia encontrar resistência de um ou outro jogador mais egoísta.

Hoje, o time é o que mais dá assistências por jogo (31) e que tem uma das maiores proporções de cestas assistidas na história da NBA (72%).

Ainda que não garanta nada quanto às possibilidades de título, o Golden State Warriors é o melhor time da NBA hoje – sem a sina dos recordes que distraiam a franquia no ano passado – e Kevin Durant é seu melhor jogador.

O passado é sempre melhor, mesmo que não seja de fato

Charles Barkley falou e virou notícia, mas é o típico papo que vai e vem numa insistência irritante: a NBA de hoje é fraca, os times são ruins, boas mesmos eram as equipes do passado, craques de verdade foram aqueles de gerações anteriores, aquilo que era basquete e etc.

Por mais que para mim seja óbvio que o jogo de hoje é mais completo, mais difícil, mais evoluído físico e tecnicamente (sim, tecnicamente também!), que o basquete da atualidade seja uma evolução do que foi jogado ao longo do século, a maioria esmagadora das pessoas tende a pensar que o esporte do passado é melhor do que o de hoje.

Isso acontece simplesmente porque o jogo que está na memória do cara é imbatível. Não dá para comprar uma recordação, repleta de imprecisões e de sentimentos, com o jogo nu e cru que está passando na TV neste exato momento.

Existe uma turma que adora proclamar que o basquete dos anos 90 é insuperável. Mas pense se é uma comparação justa colocar de um lado uma época em que assistir a um jogo da NBA era um evento sensacional, em que você era um pirralho deslumbrado com o basquete recém descoberto e que seu senso crítico era bastante questionável e do outro a nossa possibilidade de assistir a todos os jogos da rodada, sendo uma porrada deles ruins, depois de um dia inteiro de trabalho e em que o encantamento pelo esporte é completamente diferente.

O que as mentes saudosistas raramente se lembram é que os jogos dos anos 90 também tinham muitas coisas insuportáveis: formas de defesa que eram proibidas e limitavam os confrontos, insistência em determinados modelos de ataques, times recém-criados que eram muito mais fracos que os demais…

Sabiamente, a nossa memória evapora qualquer lembrança de um Los Angeles Clippers e Washington Bullets de 1993 – se é que existia a possibilidade de ver um jogo destes naquela época – para dar lugar aos melhores momentos de Chicago Bulls e Seattle Supersonics.

Partindo desta premissa, é perfeitamente possível imaginar que naquela época existia quem pensasse que “basquete de verdade era aquele jogado nos anos 70” e assim por diante, como se o jogo perfeito fosse aquele criado por James Naismith no final do século XIX e que, desde então, as pessoas só tivessem insistentemente tentado estragar a coisa toda. É claro que não é assim.

Não digo que não havia coisas boas, algumas delas melhores, em outros tempos. Longe disso. Mas contesto o mantra saudosista que ignora o que há de bom atualmente. Que não vê que nunca existiu um cara com o tamanho, força e habilidade de Lebron James. Que a precisão nos arremessos de Stephen Curry, no volume em que ele chuta, com a marcação que tem nos dias de hoje, é algo sem precedentes. Que voar da linha do lance livre para enterrar nos dias de hoje não é mais um evento extraordinário. Que nunca existiu um reboteiro tão bom com o tamanho de Russell Westbrook. Que Kevin Durant é uma aberração, do tamanho de Hakeem Olajuwon mas com movimentos de Tim Hardaway. Que o Golden State Warriors passa mais a bola e é mais envolvente do que o Lakers do Shotime dos anos 80.

Que, enfim, não curte o privilégio que é ver a história ser escrita diante dos nossos olhos.

 

A maior rivalidade da NBA hoje

Não é pelos uniformes diferentes. Não é pela superestimada ‘rodada de Natal’ – que geralmente rende boas exibições individuais, mas jogos não muito pegados. Mas se você gosta de basquete você tem um compromisso imperdível hoje às 17h: assistir ao jogo mais importante da temporada até o momento, Cleveland Cavaliers x Golden State Warriors.

Não existe, nos últimos anos, rivalidade como esta. Os dois times se enfrentaram nas últimas duas finais, com uma vitória para cada lado, e tem tudo para se encontrarem novamente na série derradeira deste ano, fazendo uma inédita terceira final seguida entre duas equipes. A dupla também concentra, disparado, o maior número de excelentes jogadores da NBA, com o melhor da última década (Lebron James), o melhor dos últimos dois anos (Stephen Curry) e o último MVP que não nenhum destes dois já citados (Kevin Durant), além, claro, dos excepcionais Kyrie Irving, Kevin Love, Klay Thompson e Draymond Green.

Disputa assim, com tantas finais, títulos e craques juntos, só nos anos 80 entre Boston Celtics e Los Angeles Lakers, com três finais em quatro anos (84, 85 e 87) e contando com lendas do esporte como Larry Bird, Kevin McHale, Robert Parish, Magic Johnson e Kareem Abdul Jabbar. Depois disso, as rivalidades foram mais passageiras, menos talentosas, vitoriosas e equilibradas.

A disputa também foi esquentando nos últimos tempos e chega a este Natal no auge do ódio mutuo – o máximo que se pode atingir em um jogo de temporada regular. A começar pela virada impressionante nas finais passadas, quando o Warriors vencia por 3-1 e acabou sendo derrotado por 4-3 e o deboche pelo lado do Cavs (com direito a piadas maldosas a respeito disso na festa de Halloween organizada por Lebron) e finalizado pela chegada de Kevin Durant ao time californiano, na novela mais controversa da offseason.

Provocação de Lebron: biscoitos com as lápides de Curry e Thompson

Quem confirma tudo isso que eu disse acima são os torcedores dos dois times, que simplesmente ODEIAM uns aos outros, hahaha.

E, além de toda a batalha EMOCIONAL, os times também se enfrentam hoje na primazia técnica. O Golden State chega à partida com um jogo ofensivo mais refinado, menos dependente das bolas de três e mais envolvente entre todos os seus jogadores. Ao invés de várias cestas em que Stephen Curry e Klay Thompson batiam bola desesperadamente até que chutasse a dois metros da linha de três, a equipe agora se transformou no time que mais passa a bola na liga. Com uma proporção de assistências historicamente alta, o GSW dificilmente força um arremesso ‘ruim’ – uma característica letal quando se tem reunidos três dos melhores arremessadores da história em um só time.

A defesa, que não é tão boa quanto no ano passado, ainda conta com um Draymond Green ainda mais decisivo e com Kevin Durant marcando da melhor maneira possível em toda a sua carreira. Se o time não é tão eficiente lá atrás, tem jogado pelo menos de uma maneira mais plástica e bonita de assistir nos dois lados da quadra.

Do lado do Cavs, temos uma equipe que sabe cada vez mais administrar seus talentos – algo que só é possível em uma conferência Leste, onde o Cleveland sobra. É impressionante como o time puxa o freio de mão em partidas mais simples e joga tudo que pode quando é exigida – o que faz o time estar mais inteiro que os demais quando o bicho pega, como é o caso de hoje. O seu trio principal está jogando ainda melhor, tanto individualmente quanto juntos. Lebron dispensa qualquer análise, Kyrie está mais feroz como pontuador e Kevin Love nunca esteve tão próximo do que era em Minnesota. De negativo, apenas a baixa de JR Smith, lesionado com um dedo quebrado.

Ou seja, não é pela rodada de Natal, mas sim pela rivalidade. O jogo é imperdível!

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