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O dever da torcida do Thunder é atormentar Kevin Durant hoje

Hoje é o típico dia que a torcida justifica a sua existência. Hoje é o dia que a torcida do Oklahoma City Thunder tem o dever de infernizar a vida de Kevin Durant.

Não me entendam mal: eu acho Durant espetacular e já entendi que ele tinha todo o direito de trocar de time. Foi bom para o Thunder enquanto esteve por lá, mas acabou. Sua vida agora é com outro uniforme e pronto.

Também nem acho que ele e Russell Westbrook se odeiem de verdade. Ok, os últimos dois jogos entre os times foram tensos, mas me parece mais uma tentativa de ambos fazerem moral com suas torcidas do que efetivamente um ódio mútuo – o próprio Durant falou sobre isso essa semana.

Apesar destas ponderações, deste balde de água gelada na rivalidade, acho que o papel da torcida do Thunder é fazer o máximo para implodir a moral do rival.

O único compromisso do torcedor é com o seu time. Se for necessário esquecer por alguns minutos que Durant foi o jogador mais importante da franquia nos últimos anos para desestabilizá-lo, que seja assim. Se for necessário ser injusto com sua história para aumentar as chances de vitória do OKC, que todos o façam. Mesmo aqueles que já superaram a partida do astro e entendem que o time deve seguir seu rumo devem adotar este tom. Este é o papel do cara que está na arquibancada.

De quebra, acho que Westbrook é o tipo de cara que cresce muito nestas situações, com um ginásio pegando fogo. Uma boa dose de hostilidade ao rival parece ser um bom combustível para deixar Russell ensadecido.

Hoje é o dia do torcedor do Thunder enaltecer a lealdade de Russell, que renovou contrato com a franquia assim que Durant partiu, e atormentar os rivais. Pouco importa que, na realidade, Durant não seja um traidor execrável, que ele tenha feito muito pela franquia e que ele e Westbrook nem se odeiem de verdade.

Que as homenagens e honras da casa fiquem para a próxima visita de Durant. Hoje é dia da arquibancada do Thunder odiá-lo.

O melhor jogador do melhor time

Podem falar o quanto quiser – eu mesmo falei um monte quando aconteceu -, mas não tinha lugar melhor para Kevin Durant mostrar todo o seu talento do que o Golden State Warriors. Apesar da discussão sobre o que ele deveria fazer, sobre o que cada um de nós gostaria que ele fizesse e etc de lado, o tempo tem mostrado o quanto seu jogo se encaixa perfeitamente no modelo de jogo da melhor equipe da NBA na atualidade, com melhor campanha e melhor basquete jogado.

Até era previsível que suas características fossem ajudar o time, já que o Warriors é uma equipe que cria muitas possibilidades para seus jogadores chutarem e ter mais um excelente arremessador em quadra seria naturalmente uma evolução, mas acho que ninguém imaginava que Kevin Durant conseguiria elevar seu próprio desempenho a um outro patamar em um time tão carregado de talento e com tantas estrelas para dominar a bola.

Estávamos acostumados a vê-lo jogar em um Oklahoma City Thunder que não tinha segredo quando estava com a posse de bola: ele e Russell Westbrook dominavam as ações e, no máximo, davam o último passe para alguém no post ou aberto na zona morta. Na defesa, Durant fazia seu papel dignamente, mas não chegava a ter atuações de um especialista – função que era relegada aos seus colegas.

Mas no GSW, Durant tem mostrado que é um gênio da pelota laranja. Que consegue ser decisivo mesmo quando não tem o mesmo volume de posses de bola a sua disposição e que reúne os requisitos necessários para ser um dos melhores defensores da liga.

No ataque, ele tem sido um dos jogadores mais eficientes de toda a NBA. Seu Effective Field Goal, que é uma estatística que ajusta o aproveitamento dos arremessos entre chutes de dois e três pontos, é o quarto melhor da NBA, atrás somente de DeAndre Jordan, Rudy Gobert (ambos jogam colados à cesta, então naturalmente têm um arremesso melhor) e Otto Porter (que tem feito uma temporada impressionante, mas arremessa metade do volume de bolas que Durant arrisca). É facilmente o melhor aproveitamento entre os maiores pontuadores da NBA. Na noite de ontem, contra o Oklahoma City Thunder, por exemplo, ele anotou 40 pontos com apenas 16 arremessos de quadra tentados. Um desempenho surreal!

É o líder do time em Player Efficiency Rating (estatística que mede em uma variável toda a produção do jogador em quadra) e o sexto da liga no ranking, atrás somente de jogadores que são estrelas solitárias em suas equipes. É o cestinha do time e divide a liderança nos rebotes com Draymond Green.

Na defesa, tem se mostrado um monstro. É o oitavo jogador que mais da tocos em toda a NBA na atualidade. Quando não bloqueia o chute, tem atrapalhado demais a vida dos rivais, reduzindo o aproveitamento nos chutes dos outros a 42% dentro do garrafão.

Por último, ainda que seja bem subjetivo, Durant tem chamado a responsabilidade nos principais jogos da temporada até então, o que anima o torcedor do Warriors para os playoffs que vêm pela frente. Foi decisivo contra o Thunder nas duas partidas até agora de maior pressão sobre o jogador, foi insano contra o Cleveland, até mesmo quando o seu time perdeu no minuto final.

Foram três meses do melhor Kevin Durant que poderíamos ver, até mesmo do que na temporada que foi MVP – e tenho certeza que nesta, se não fosse pelas atuações históricas de James Harden e Russell Westbrook, o ala do Warriors reconquistaria a coroa. Algo que seria muito mais difícil de fazer, neste nível, no Oklahoma City Thunder de sempre.

Também contou com a sorte e boa vontade dos seus novos colegas, que trataram de ajustar algumas coisas para melhor receber Durant. Se antes era um time que se aproveitava do talento elevadíssimo de Stephen Curry e Klay Thompson para criar chutes inesperados de três na transição e no pick and roll, hoje o time prefere passar a bola freneticamente até encontrar um de seus gatilhos livre e de frente para a cesta.

Por um lado, Klay e Steph perder algumas oportunidades de pontuar. Do outro, todos ganham condições melhores de acerto quando a bola cai em suas mãos. Um ajuste que deu muito certo, mas que poderia encontrar resistência de um ou outro jogador mais egoísta.

Hoje, o time é o que mais dá assistências por jogo (31) e que tem uma das maiores proporções de cestas assistidas na história da NBA (72%).

Ainda que não garanta nada quanto às possibilidades de título, o Golden State Warriors é o melhor time da NBA hoje – sem a sina dos recordes que distraiam a franquia no ano passado – e Kevin Durant é seu melhor jogador.

O passado é sempre melhor, mesmo que não seja de fato

Charles Barkley falou e virou notícia, mas é o típico papo que vai e vem numa insistência irritante: a NBA de hoje é fraca, os times são ruins, boas mesmos eram as equipes do passado, craques de verdade foram aqueles de gerações anteriores, aquilo que era basquete e etc.

Por mais que para mim seja óbvio que o jogo de hoje é mais completo, mais difícil, mais evoluído físico e tecnicamente (sim, tecnicamente também!), que o basquete da atualidade seja uma evolução do que foi jogado ao longo do século, a maioria esmagadora das pessoas tende a pensar que o esporte do passado é melhor do que o de hoje.

Isso acontece simplesmente porque o jogo que está na memória do cara é imbatível. Não dá para comprar uma recordação, repleta de imprecisões e de sentimentos, com o jogo nu e cru que está passando na TV neste exato momento.

Existe uma turma que adora proclamar que o basquete dos anos 90 é insuperável. Mas pense se é uma comparação justa colocar de um lado uma época em que assistir a um jogo da NBA era um evento sensacional, em que você era um pirralho deslumbrado com o basquete recém descoberto e que seu senso crítico era bastante questionável e do outro a nossa possibilidade de assistir a todos os jogos da rodada, sendo uma porrada deles ruins, depois de um dia inteiro de trabalho e em que o encantamento pelo esporte é completamente diferente.

O que as mentes saudosistas raramente se lembram é que os jogos dos anos 90 também tinham muitas coisas insuportáveis: formas de defesa que eram proibidas e limitavam os confrontos, insistência em determinados modelos de ataques, times recém-criados que eram muito mais fracos que os demais…

Sabiamente, a nossa memória evapora qualquer lembrança de um Los Angeles Clippers e Washington Bullets de 1993 – se é que existia a possibilidade de ver um jogo destes naquela época – para dar lugar aos melhores momentos de Chicago Bulls e Seattle Supersonics.

Partindo desta premissa, é perfeitamente possível imaginar que naquela época existia quem pensasse que “basquete de verdade era aquele jogado nos anos 70” e assim por diante, como se o jogo perfeito fosse aquele criado por James Naismith no final do século XIX e que, desde então, as pessoas só tivessem insistentemente tentado estragar a coisa toda. É claro que não é assim.

Não digo que não havia coisas boas, algumas delas melhores, em outros tempos. Longe disso. Mas contesto o mantra saudosista que ignora o que há de bom atualmente. Que não vê que nunca existiu um cara com o tamanho, força e habilidade de Lebron James. Que a precisão nos arremessos de Stephen Curry, no volume em que ele chuta, com a marcação que tem nos dias de hoje, é algo sem precedentes. Que voar da linha do lance livre para enterrar nos dias de hoje não é mais um evento extraordinário. Que nunca existiu um reboteiro tão bom com o tamanho de Russell Westbrook. Que Kevin Durant é uma aberração, do tamanho de Hakeem Olajuwon mas com movimentos de Tim Hardaway. Que o Golden State Warriors passa mais a bola e é mais envolvente do que o Lakers do Shotime dos anos 80.

Que, enfim, não curte o privilégio que é ver a história ser escrita diante dos nossos olhos.

 

A maior rivalidade da NBA hoje

Não é pelos uniformes diferentes. Não é pela superestimada ‘rodada de Natal’ – que geralmente rende boas exibições individuais, mas jogos não muito pegados. Mas se você gosta de basquete você tem um compromisso imperdível hoje às 17h: assistir ao jogo mais importante da temporada até o momento, Cleveland Cavaliers x Golden State Warriors.

Não existe, nos últimos anos, rivalidade como esta. Os dois times se enfrentaram nas últimas duas finais, com uma vitória para cada lado, e tem tudo para se encontrarem novamente na série derradeira deste ano, fazendo uma inédita terceira final seguida entre duas equipes. A dupla também concentra, disparado, o maior número de excelentes jogadores da NBA, com o melhor da última década (Lebron James), o melhor dos últimos dois anos (Stephen Curry) e o último MVP que não nenhum destes dois já citados (Kevin Durant), além, claro, dos excepcionais Kyrie Irving, Kevin Love, Klay Thompson e Draymond Green.

Disputa assim, com tantas finais, títulos e craques juntos, só nos anos 80 entre Boston Celtics e Los Angeles Lakers, com três finais em quatro anos (84, 85 e 87) e contando com lendas do esporte como Larry Bird, Kevin McHale, Robert Parish, Magic Johnson e Kareem Abdul Jabbar. Depois disso, as rivalidades foram mais passageiras, menos talentosas, vitoriosas e equilibradas.

A disputa também foi esquentando nos últimos tempos e chega a este Natal no auge do ódio mutuo – o máximo que se pode atingir em um jogo de temporada regular. A começar pela virada impressionante nas finais passadas, quando o Warriors vencia por 3-1 e acabou sendo derrotado por 4-3 e o deboche pelo lado do Cavs (com direito a piadas maldosas a respeito disso na festa de Halloween organizada por Lebron) e finalizado pela chegada de Kevin Durant ao time californiano, na novela mais controversa da offseason.

Provocação de Lebron: biscoitos com as lápides de Curry e Thompson

Quem confirma tudo isso que eu disse acima são os torcedores dos dois times, que simplesmente ODEIAM uns aos outros, hahaha.

E, além de toda a batalha EMOCIONAL, os times também se enfrentam hoje na primazia técnica. O Golden State chega à partida com um jogo ofensivo mais refinado, menos dependente das bolas de três e mais envolvente entre todos os seus jogadores. Ao invés de várias cestas em que Stephen Curry e Klay Thompson batiam bola desesperadamente até que chutasse a dois metros da linha de três, a equipe agora se transformou no time que mais passa a bola na liga. Com uma proporção de assistências historicamente alta, o GSW dificilmente força um arremesso ‘ruim’ – uma característica letal quando se tem reunidos três dos melhores arremessadores da história em um só time.

A defesa, que não é tão boa quanto no ano passado, ainda conta com um Draymond Green ainda mais decisivo e com Kevin Durant marcando da melhor maneira possível em toda a sua carreira. Se o time não é tão eficiente lá atrás, tem jogado pelo menos de uma maneira mais plástica e bonita de assistir nos dois lados da quadra.

Do lado do Cavs, temos uma equipe que sabe cada vez mais administrar seus talentos – algo que só é possível em uma conferência Leste, onde o Cleveland sobra. É impressionante como o time puxa o freio de mão em partidas mais simples e joga tudo que pode quando é exigida – o que faz o time estar mais inteiro que os demais quando o bicho pega, como é o caso de hoje. O seu trio principal está jogando ainda melhor, tanto individualmente quanto juntos. Lebron dispensa qualquer análise, Kyrie está mais feroz como pontuador e Kevin Love nunca esteve tão próximo do que era em Minnesota. De negativo, apenas a baixa de JR Smith, lesionado com um dedo quebrado.

Ou seja, não é pela rodada de Natal, mas sim pela rivalidade. O jogo é imperdível!

Revertendo a lógica dos MVP

Como em qualquer lugar, a NBA tem algumas convenções implícitas. Regras que não estão escritas em qualquer lugar, que não são oficiais e que mal são ‘regras’ efetivamente, mas, se olharmos em retrospectiva, são coisas que se repetem corriqueiramente.

É provável que a mais conhecida destas convenções trate do prêmio de Most Valuable Player (MVP) da temporada. Ainda que na prática seja a honra destinada ao melhor jogador da liga naquele ano, nem sempre é isso que acontece de fato. Via de regra, o ‘colégio eleitoral’ dos awards ~laureia o melhor jogador de um dos melhores times. Mesmo que alguém COMA A BOLA em uma equipe de meio de tabela, o eleito será algum jogador que teve um excelente ano em um time de excelente campanha.

Existem alguns pretextos para isso: o nome do prêmio de, numa tradução livre, Jogador Mais Valioso abre precedentes para que o escolhido seja o jogador ‘mais importante para uma caminha vitoriosa’ do que propriamente o melhor atleta da temporada; foi um critério que se moldou com o tempo, se consolidando nos anos 80, quando os melhores jogadores fatalmente estavam nos times de melhor campanha; e é dessa forma que hoje os jornalistas que votam se sentem ‘obrigados’ a votar.

Com isso, dos anos 80 para cá, somente UMA VEZ um jogador de um time fora do top 3 da sua conferência ganhou o prêmio. Em 1982, Moses Malone foi o segundo cestinha da temporada e o maior reboteiro, com médias de 31 pontos e 14 rebotes por partida. Além disso, teve sorte de pegar uma entressafra de talentos, com Abdul Jabbar já com seus melhores dias no passado e Larry Bird e Magic Johnson ainda em ascensão.

E somente em outras duas vezes um atleta que não estava entre os dois melhores foi eleito MVP. Ou seja, das últimas 37 temporadas, em 34 o cara estava em uma das duas melhores campanhas da sua conferência.

No entanto, as coisas vem se desenhando para que, ao final da disputa desta temporada, esta seja uma das poucas vezes em que esta lógica é revertida. Especialmente pelos desempenhos individuais espetaculares de Russell Westbrook e James Harden. Apesar de estarem em equipes que dificilmente figurarão entre as melhores do Oeste, já que Golden State Warriors, San Antonio Spurs e Los Angeles Clippers têm dominado a conferência, seus números são históricos. Mais do que isso, suas equipes, ainda que sem o sucesso necessário para ficar no topo da disputa, estão vencendo consideravelmente mais jogos do que perdendo e suas campanhas superam alguns prognósticos mais pessimistas do início do campeonato.

Excluindo três temporadas de Oscar Robertson, lá nos primórdios do universo dos anos 60, Harden e Westbrook são os únicos dois jogadores que ultrapassaram (por enquanto) uma média de 27 pontos, 11 assistências e 7 rebotes por jogo.

Em toda a história, só estes dois caras fizeram mais do que 20 pontos, 10 assistências e tiveram um índice de Usage Rating, que mede a participação do atleta nas jogadas totais do time, superior a 33%.

Se por um lado Russell Westbrook tem a seu favor números consideravelmente mais impressionantes que os de Harden – como uma média de triple-double – e a narrativa do abandono de Kevin Durant, o barbudo leva vantagem por ter uma campanha melhor por enquanto e também viver uma história curiosa digna de prêmio – de melhor pontuador da NBA a principal criador de jogadas da liga.

Histórias, números e trajetórias tão impressionantes que podem ameaçar candidatos mais tradicionais, como Lebron James, do soberano Cleveland Cavaliers, Kevin Durant, espetacular no Golden State Warriors, e Chris Paul, no ótimo Los Angeles Clippers. Não estivessem Russell e Harden tão sinistros, não poderiam sequer ser cogitados.

Durant escolheu o Golden State por isso

Ontem ficou muito claro porque Kevin Durant escolheu seguir sua vida na California, defendendo o Golden State Warriors. A vitória por 122 a 96 contra seu ex-time, o Oklahoma City Thunder, da forma que foi, serviu como uma prova cabal para que entendêssemos exatamente o que motivou a troca de camisa do jogador.

Foi mais do que apenas uma busca obsessiva por um título em um supertime. O que o Golden State ofereceu ao jogador, e está conseguindo cumprir, é o status de líder de um grupo vencedor. Ser peça central de uma engrenagem que funciona quase que perfeitamente.

Pela forma como Green, Curry e Thompson estão jogando, fica claro que há um esforço coletivo para que KD se sinta à vontade, faça tudo que ele fazia em Oklahoma só que dentro de um esquema já azeitado.

Pelo Thunder, mesmo que de um modo que rendia frutos, o basquete jogado era uma sucessão de tentativas heroicas dele e Westbrook em resolver a partida. No Warriors é mais do que isso: é um time vencedor, que deu certo e mostrou a Durant que ele era essencial para que todos ali pudessem dar um passo adiante.

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Entendem o que eu digo? Não é atrair o jogador a um projeto vencedor para ele se aproveitar disso, mas fazer algo que já é muito bom girar em torno dele. Além de um afago, é uma maneira inteligente de evoluir e repensar o que deu errado no time na temporada anterior, que terminou de forma decepcionante.

O jogo da madrugada desta quinta-feira foi emblemático neste aspecto. Westbrook tentou, lutou, mas no segundo período já estava claro que sua garra, sua raiva e seu talento não eram suficientes para bater a coletividade do Warriors.

Do outro lado, Durant não precisou abrir mão da sua individualidade para atropelar o ex-time. Pelo contrário, seus colegas claramente fizeram de tudo para mostrar que Kevin está totalmente confortável na nova equipe.

E, pelo visto, era isso que Kevin Durant procurava em um time de basquete.

Westbrook x Durant: o que cada um tem a provar

Hoje a noite, no último jogo da rodada, teremos um dos confrontos mais aguardados da temporada. O Golden State Warriors, de Kevin Durant e companhia, recebe o Oklahoma City Thunder, de Russell Westbrook (e basicamente só ele mesmo). Ainda que todo mundo esteja em polvorosa por causa do reencontro e das supostas tretas entre os dois, eu acho que o jogo vale menos pela eventual rivalidade entre a dupla e mais pelo que cada um tem a provar neste momento da carreira e da temporada.

Explico: ainda que eu entenda que a forma como as coisas aconteceram leve a este enredo, como se os dois se odiassem e tal, não acredito que isso seja muito real. Pelo que ambos disseram e seus colegas de time confirmaram, nunca foram melhores amigos, nunca passaram de uma dupla imparável dentro de quadra. Além do mais, cada um seguiu sua carreira e pronto, sem ódio recíproco. O desfecho, no final das contas, foi o mais conveniente para cada um: Russell finalmente teve um time só para ele e Durant garantiu uma equipe competitiva a altura do seu talento. Hoje teremos um jogo pegado, disputado entre dois times fortes do Oeste, mas nada mais do que isso necessariamente.

Acho que esse clima de ódio, treta e mágoa vai fazer mais sentido quando Durant for jogar em Oklahoma pela primeira vez, tendo que encarar a torcida que, essa sim, está com sangue nos olhos.

NBA: Playoffs-Oklahoma City Thunder at Dallas Mavericks

O que eu acho mais relevante do encontro de são dois times que têm dinâmicas completamente diferentes de jogo. De um lado é um time quase que de um cara só, que chuta 30, 40 bolas por partida e tenta provar que esse é o melhor caminho para ganhar. Do outro, uma equipe com pelo menos três caras que poderiam fazer o mesmo, mas ainda estão atrás de uma maneira de conciliar suas habilidades individuais dentro de um esquema coletivo.

Da parte do Thunder, o time ainda quer entender em qual intensidade Westbrook é saudável para o jogo da equipe. Da parte do Warriors, o quanto cada um precisa ceder em nome de uma fluidez coletiva.

Até o momento, o time de Oklahoma venceu todos os jogos – é um dos dois únicos que está invicto na NBA. Ontem, no maior desafio do time, contra o Clippers, Westbrook se concentrou em defender o perímetro com mais intensidade do que nas partidas anteriores e pontuar. O ataque se resumia em trocar passes laterais até que a bola voltasse para as mãos de Russell que, individualmente, tentava decidir as jogadas.

Ainda que o jogador esteja com uma média impressionante de assistências (10 por jogo), acho que a versão mais decisiva de Westbrook seja esta mesmo, a pontuadora letal.

Do outro lado da quadra, Durant está provando que conseguiu, até agora, transpor seu jogo para a nova equipe – e que alguns elementos do time, na verdade, é que precisam se ajustar a ele.

Klay Thompson é o melhor exemplo disso: a presença de KD parece ter aberto mais espaços para Klay receber os passes entrando no garrafão do que aberto para o chute de três – aumentou significativamente a frequência de arremessos a menos de um metro da cesta e viu seu rendimento nas tentativas de fora. Ainda que na teoria isso renda melhores oportunidades de pontuação para o jogador, Klay não parece estar confortável com a situação. Cabe um ajuste aí, ainda.

Ainda que amostra seja pequena, a melhor partida do Golden State, contra o Portland, no ano foi aquela em que Durant se preocupou menos em disputar o rebote de defesa e mais em marcar os chutes. Que carregou menos a bola no ataque e que procurou mais abrir espaços para receber livre e chutar.

Com a frequência dos jogos, Durant e seus colegas ainda vão entender se estas funções são as melhores para o Warriors deslanchar ou não.

Mesmo que o burburinho todo do jogo fique em torno da eventual rivalidade entre Kevin e Russell, a partida de hoje tem mais a mostrar sobre o papel de cada um neste novo cenário. E, aí sim, provar se as escolhas deles foram corretas.

 

Warriors atrás de uma nova identidade

Sem recordes, sem marcas a bater, sem oba-oba. A derrota na estreia do novo Golden State Warriors não é nada alarmante, mas sinaliza que o primeiro objetivo da equipe é encontrar uma nova identidade. Na primeira partida do campeonato, em casa, onde na temporada passada só foi derrotada uma vez e era quase imbatível nas últimas duas temporadas, o GSW foi derrotado com certa facilidade pelo San Antonio Spurs.

Mais preocupante do que o resultado, foi a diferença de performance em relação ao que era jogado pelo time anteriormente, com desempenhos ruins nos chutes de fora e nos rebotes, duas características muito fortes do Warriors campeão de 2015 e vice de 2016.

O time da casa arremessou 33 bolas de fora do arco e só acertou 7. Um aproveitamento que, se já é ruim nos números, fica ainda pior nas circunstâncias em que aconteceram, já que praticamente metade deles nem foram contestados pela defesa. Era de se esperar que com liberdade para pensar e agir, Curry, Thompson, Durant e Green acertassem mais – afinal, quem errava mil bolas livre era Harrison Barnes, que foi despachado da franquia.

Aproveitamento do Warriors nos arremessos de três

Aproveitamento do Warriors nos arremessos de três

O Warriors também foi massacrado nos rebotes. No geral, o Spurs agarrou 55 deles e o Golden State apenas 35. Aproveitamento baixo nos chutes e falta de rebotes é a receita certa da derrota. Nos pontos de segunda chance, gerados por rebotes ofensivos, a diferença foi ainda mais brutal: 24 a 4 para o San Antonio.

Em resumo, o Spurs até errava, mas recuperava metade das bolas no ataque. O Golden State também errava, mas não conseguia recuperar a posse da pelota.

Ainda que não dê para supervalorizar estes números – é apenas um jogo, o banco do Spurs estava muito inspirado, o do Warriors não -, indica que o Golden State precisa se acertar, especialmente para suprir a ausência de Andrew Bogut. O jogador tinha uma importância fundamental para impedir a recuperação de bola do adversário, por exemplo. Seus suplentes, Pachulia e West, pegaram 4 rebotes em 30 minutos jogados.

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A falta de rebotes no ataque também me parece um sintoma de um time que tem muitos chutadores abertos (Curry, Durant, Thompson e às vezes Green). Posicionados assim, fica quase impossível recuperar os chutes errados – e tem dias que a bola não cai mesmo.

De positivo, eu vejo a atitude assassina de Kevin Durant no novo uniforme. Se alguém imaginava uma versão mais tímida do jogador em um time estrelado (eu era um deles), estava enganado. Nos primeiros minutos de jogo, Durant ja mostrou que chegou para ser o dono do time. Chutou tudo que podia, lutou pela bola, marcou, deu toco.

Talvez seja o caso do restante do time se adaptar às novas funções. Green mesclar melhor os bloqueios no ataque para tentar livrar Thompson da marcação, se afundar no garrafão para brigar pela bola. Curry se movimentar para o fundo da quadra ao invés de transitar no topo do arco de três.

O estranhamento com os novos papéis é natural, afinal, dois titulares importantes da equipe não estão mais por lá. Dois jogadores que eram especialistas em algumas funções bem específicas.

Então, antes de qualquer coisa, o Golden State precisa se acostumar com sua nova formação. Este começo será tempo de reafirmar em alguns aspectos do jogo, reencontrar sua identidade.

Uma temporada de provação

Toda temporada tem dessas, eu sei, mas parece que esta é especial neste sentido: muitos times e jogadores entrarão em quadra para provar algo que os atormenta. Mais do que o jogo em si, uma tese precisará se confirmar, um mito terá que ser desmentido ou um tabu precisa ser quebrado. Olhando assim para a temporada, antes das coisas começarem, parece que vai haver uma redefinição de papéis a partir do que acontecer na disputa.

A principal destas histórias é a confirmação do favoritismo do Golden State Warriors. Depois de tudo que aconteceu, o time já tinha a obrigação de vencer na temporada passada sob risco de colocar em cheque todos os feitos impressionantes alcançados ao longo do ano – o principal deles, o recorde de 73 vitórias na temporada regular. O time teve números de melhor de todos os tempos e entrou na discussão sobre a melhor equipe de todos os tempos. Mas perdeu e quase tudo foi colocado por água abaixo.

Agora, o time volta a chamar toda a responsabilidade com a contratação de Kevin Durant, incontestavelmente um dos cinco melhores jogadores da atualidade. O time que já era espetacular ficou ainda melhor. Ainda por cima, atraiu Durant justamente pelas suas chances de vencer logo de cara e construir uma dinastia ao seu redor. Se não ganhar, vai parecer que muita coisa foi feita a troco de nada. Não há outra opção, só o titulo interessa para provar que tudo isso teve um propósito justificável.

Steph Curry

A outra grande história da temporada vai ser Russell Westbrook, o jogador que restou em Oklahoma, mostrar que não depende de Durant para ser competitivo. Que pode ser o líder de um time. Que o Thunder pode ser uma franquia forte, que habite o topo da tabela, com ele.

Enquanto Russell e Kevin eram uma dupla, sempre existiu a desconfiança acerca do jogo do armador. Sobre o quanto era eficiente. O quanto as stats avassaladoras faziam bem ao time e não somente a ele mesmo. Agora será possível tirar a prova.

Mas há muito mais coisas em jogo. O San Antonio Spurs vai poder mostrar se é uma franquia vencedora independente do seu maior jogador de todos os tempos, Tim Duncan, que venceu todos os cinco títulos do time. Vai poder provar se sabe fazer uma reconstrução sem recaídas, como parece.

O Los Angeles Clippers vai poder mostrar para todo mundo que unir Doc Rivers, Chris Paul, Blake Griffin e companhia forma um time vencedor, sim. Que é tão forte quanto seus principais concorrentes.

Houston Rockets precisará provar que sabe defender – ou que pode vencer sem defender. Boston Celtics, que melhorou. Dallas e Memphis, que não pioraram.

Dwight Howard tem que mostrar que ainda é útil. Anthony Davis e Joel Embiid, que são saudáveis. Curry, Durant e Thompson, que podem coexistir. Wade, Butler e Rondo idem.

Vish, tem muita coisa em jogo…

Só o Cleveland Cavaliers e Lebron James que não precisam convencer mais ninguém de nada. O Cavs já tirou o enorme peso das costas com o título da temporada passada em uma virada incrível. Lebron já se consolidou como um dos maiores da história – se alguém ainda é louco e não se convenceu disso, não vai ser mais uma campanha absoluta que vai fazer mudar de ideia.

Quem comecem as provações.

Palpites fundamentais para a temporada 2016/2017

Eu já fiz uma análise mais séria, time a time, das pretensões de cada equipe para a temporada que se inicia nesta terça-feira. Agora é a hora de palpitar na base total do achômetro mesmo. Farei aqui as minhas e vocês, concordando ou não, fazem os seus nos comentários. Ano passado fiz o mesmo e até que tive um bom aproveitamento nos acertos. Tomara que a performance se repita neste ano, haha.

Vamos lá:

  • O Brooklyn Nets não vai chegar a 20 vitórias na temporada.
  • New York Knicks se reforçou, mas vai penar para se classificar para os playoffs.
  • Dallas Mavericks não vai se classificar para os playoffs.
  • O técnico do Chicago Bulls Fred Hoiberg não termina a temporada no seu cargo.
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  • Philadelphia 76 vai melhorar, mas só vai ganhar mais jogos que o Nets.
  • Anthony Davis vai finalmente jogar mais de 80 jogos na temporada regular.
  • DeMarcus Cousins será trocado até o final da temporada. Lamarcus Aldridge termina o campeonato no Spurs.
  • Russell Westbrook vai fazer mais do que 25 triple-doubles na temporada (um recorde nos últimos 40 anos), mas não será o MVP.
    Los Angeles Lakers v Oklahoma City Thunder
  • Kristaps Porzingis e Karl Anthony Towns serão chamados para o All Star Game. Giannis Antetokounmpo não.
  • Joel Embiid vai ganhar os nossos corações, mas não o Rookie of the Year.
  • Depois de dois anos batendo na trave, Brad Stevens vai finalmente ser eleito o melhor técnico da temporada.
  • E o Boston Celtics só vai ficar atrás do Cleveland Cavaliers na Conferência Leste.
  • James Harden será o cestinha da NBA. E Kevin Durant será o maior pontuador do Golden State Warriors.
  • Pela primeira vez na história, uma final da NBA vai se repetir pelo terceiro ano consecutivo.

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