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[Previsão dos Playoffs] Final da NBA: Warriors x Cavaliers

Jogo 1 – Qui.  1 de junho,  Cleveland @ Golden State, 22h (ESPN)
Jogo 2 – Dom.  4 de junho,  Cleveland @ Golden State, 21h (ESPN)
Jogo 3 – Qua. 7 de junho,  Golden State @ Cleveland, 22h (ESPN)
Jogo 4 – Sex.  9 de junho,  Golden State @ Cleveland, 22h (ESPN)
Jogo 5 * Seg. 12 de junho,  Cleveland @ Golden State, 22h (ESPN)
Jogo 6 * Qui. 15 de junho, Golden State @ Cleveland, 22h (ESPN)
Jogo 7 * Dom. 18 de junho,  Cleveland @ Golden State, 21h (ESPN)

Temporada regular: 1×1

Palpite: Golden State em 7

O cameponato deste ano foi muito bacana, uma série de histórias legais, feitos históricos e tudo mais. Mesmo assim, parece que foram meses de espera por um tira-teima histórico: a terceira final consecutiva entre Cleveland Cavaliers e Golden State Warriors.

O ponto alto do confronto é que aparentemente as duas equipes se enfrentarão em no auge da técnica e sem contratempos de lesão – nos últimos dois anos, cada vez uma equipe foi prejudicada por ausência de alguns dos seus principais jogadores. Agora, o Golden State chega mais experiente, tranquilo e com o reforço incomparável de Kevin Durant. O Cleveland também está bem, com Lebron James jogando o melhor basquete da sua carreira, Kevin Love finalmente à vontade e Kyrie Irving sendo decisivo como sempre.

Acredito que nestas condições, o pico do Warriors é ligeiramente superior ao do Cavaliers, o que faz pender a balança do favoritismo para o time californiano. É verdade que na decisão do ano passado o potencial do Golden State já era superior ao do Cleveland, mas acho que a pressão por fazer uma temporada épica, com o maior número de vitórias da história não ajudou na hora do mata-mata decisivo. Neste ano, o time veio em ritmo de cruzeiro  – e mesmo assim não perde há meses.

Kevin Durant é um reforço que não pode ser menosprezado. Até se machucar, o ala estava jogando um basquete digno de MVP, com a maior precisão e eficiência ofensiva e maior impacto defensivo da sua carreira.

No ano passado, a inoperância de Harrison Barnes foi um dos fatores que levou o Cleveland à virada – a tática de deixar o jogador descaradamente livre na intenção de anular outras ameaças mais perigosas do Warriors funcionou e, mais do que isso, perturbou o time do Golden State. Na troca de Barnes por Durant, saiu o poste para entrar o gatilho.

Curry e Durant, ao invés de dividirem a bola, estão multiplicando as oportunidades de pontuação. Os dois se encaixaram mais rápido do que se imaginava. Juntos, o time cria mais oportunidades de arremessos livres e equilibrados, o que aumenta consideravelmente as chances de acerto dos chutes.

O entrosamento tem sido benéfico até para Draymond Green, que já era decisivo na defesa, mas vem tendo um desempenho ofensivo impecável nas últimas séries.

Para que o time emplaque seu esquema com primazia, falta apenas que Klay Thompson apareça um jogo ou outro. O jogador não tem passado pelo seu melhor momento, mas é uma ameaça constante no perímetro – especialmente diante uma defesa não muito dedicada do Cleveland Cavaliers.

Esta, inclusive, é a deficiência que faz com que o time de Ohio esteja um passo atrás na disputa. O ataque não tem muitos problemas. Por mais que a defesa do Warriors seja excepcional, Kyrie Irving, Kevin Love, Lebron James são os jogadores com mais recursos técnicos para vencer a barreira adversária. Channing Frye, Kyle Korver e os demais reservas do time também são letais. Mas, no saldo, é mais difícil que a defesa do Cavs atrapalhe o ataque rival do que o contrário.

Um caminho para o Cavaliers é desacelerar o jogo com a bola na mão. Diminuir o número de posses de bola e levar as partidas em um ritmo que não favorece tanto o rival. Fechado, com posses de bola longas e marcações ‘on ball’, a ineficiência pontual da defesa do Cavs fica muito menos evidente – e chega a favorecer Tristan Thompson, Lebron James e JR Smith.

E, por fim, o que torna a disputa ainda mais imprevisível, apesar da vantagem coletiva do Warriors, é a presença de Lebron James com a camisa 23 do Cavs. Mesmo que Curry, Kyrie, Durant ou seja lá mais quem sejam excelentes, Lebron é de outro mundo. Nestes momentos, então, ele faz ainda mais diferença.

Eu acho que teremos pelo menos seis jogos. Torço muito por sete. Acho que dá Warriors.

Não desista: ainda há motivos para assistir as finais de conferência

As finais de conferência não podiam estar mais desinteressantes. No Oeste, o Golden State tem passeado em quadra desde a lesão de Kawhi Leonard, que não deve jogar hoje a noite, facilitando as coisas para o time californiano fechar a série em quatro partidas. No Leste, o Cleveland Cavaliers aplicou duas lavadas monumentais fora de casa e ontem deixou escapar mais um jogo ganho. Para piorar, o Boston Celtics não terá mais Isaiah Thomas, machucado.

Por mais que pareça uma perda de tempo parar para assistir duas séries que não estão nada competitivas, ainda há algo em jogo em cada uma delas.

Possível despedida de Manu Ginóbili – O argentino até agora não anunciou se vai se aposentar ou se volta para mais uma temporada. Ainda que algumas das últimas atuações lembrem o craque multi-campeão pelo Spurs, Manu completa 40 anos daqui dois meses e discrição da sua participação ao longo da temporada sugere que vai ser difícil o jogador enfrentar mais uma maratona de 82 jogos no campeonato que vem. Ele já se despediu da seleção e o jogo desta segunda tem boas chances de ser o último dele na NBA.

Show de Kevin Durant/Stephen Curry – A dupla de scorers do Golden State Warriors tem sido espetacular nos playoffs, especialmente na série contra o Spurs. Na primeira partida, ambos somaram mais de 70 pontos para virar um jogo que parecia perdido. Nos dois confrontos seguintes, cada vez um apareceu para acabar com a partida.

Quem será útil ao Boston ano que vem? – Um dilema toma a direção do Boston Celtics para o ano que vem. O time é excelente, tem bons jogadores para todas as posições, mas praticamente só tem uma estrela de fato – não que seja pouco, mas não é o suficiente para fazer frente aos supertimes que dominam a liga hoje. Os últimos jogos da temporada podem servir como uma peneira para definir quem será útil na próxima temporada e que papel cada jogador poderá ter. Jaylen Brown, por exemplo, tem ganhado espaço com uma defesa disciplinada e ousadia no ataque. Marcus Smart foi fundamental na única vitória do time na série, colocando em cheque o quanto mais um armador vai poder contribuir para a franquia.

(David Liam Kyle/NBAE via Getty Images)

Lebron James persegue Michael Jordan – Pode não valer mais nada, mas cada vez que Lebron James entra em quadra nos playoffs pode resultar em uma performance histórica ou render em uma jogada lendária. A aura de jogador decisivo e vencedor vem se confirmando neste ano. É neste mata-mata, também, que Lebron tem alcançado Michael Jordan em alguns atributos – já passou em roubadas de bola e está a poucos jogos de superar em pontos.

Super Kevin Love – O ala-pivô do Cleveland Cavaliers já vinha recuperando sua melhor forma técnica ao longo da temporada, com performances comparáveis aos seus tempos de Minnesota Timberwolves, mas no mata-mata Love está especialmente bem. Este deve ser o último jogo em que ele vai atuar com alguma liberdade de ação no perímetro, já que contra o Warriors a marcação de Kevin Durant e Draymond Green deve ser implacável. Uma boa oportunidade para emplacar uma statline gorda.

Quão bom no ataque um jogador tem que ser para não precisar defender?

A vida é comumente definida por grandes clichês. “O ataque ganha jogos, a defesa ganha campeonatos” é um daqueles repetidos à exaustão no esporte a ponto de sequer pensarmos a respeito dele. Já virou uma verdade absoluta que um time com um ataque letal tem boas chances de ser superado por aquele que tem uma defesa mais sólida.

Com toda a gama de informações, dados e possibilidades de análises que temos hoje, já sabemos defesas ganham, sim, campeonatos, mas na mesma medida que ataques. A história prova isso – em um histórico recente, dá para citar que o Cleveland Cavaliers do ano passado, o Miami Heat de 2013, o Dallas Mavericks de 2011, o Los Angeles Lakers de 2009 tinham defesas consideravelmente piores dos seus rivais nas finais e, mesmo assim, levaram o caneco.

Mesmo que a realidade comprove que os dois lados da quadra são de suma importância, e que mais vale que um time funcione à sua maneira do que como a cartilha dos clichês recomendam, jogadores também são reféns das ‘verdades absolutas’ dos ‘entendedores’ do esporte.

Neste caso em específico, parece que há uma tentativa exagerada de se compensar as coisas, uma vez que os jogadores que são muito bons no ataque tendem a ser mais valorizados pela torcida do que aqueles que são excelentes na defesa. Na tentativa de dar os merecidos créditos aos marcadores implacáveis, muita gente menospreza os artilheiros que são preguiçosos ‘lá atrás’.

Mas se existem tantos mitos sobre a importância exagerada de um dos lados da quadra quando se fala nos times, será que não acontece o mesmo na avaliação dos jogadores. Afinal, sem preconceitos e clichês, o quanto um jogador tem que ser bom no ataque para poder ser ruim na defesa? O quanto ele ser folgado na defesa o torna um mau jogador se ele for decisivo no ataque?

Com certeza é bem difícil QUANTIFICAR isso, afinal, por mais que existam números e estatísticas que tentem fazer isso, simplesmente não é possível medir o real impacto de um jogador em um time. É tudo uma questão de encaixe, de química com o time e do que se espera dele.

Por mais que James Harden, por exemplo, seja o principal sinônimo da NBA para um mau defensor hoje (até injustamente, diga-se, já que existem milhões de jogadores piores do que ele na hora de marcar um adversário), é óbvio que suas qualidades como pontuador e, agora, construtor de jogadas o tornam indispensável para qualquer equipe.

O esquema atual do Rockets torna seu esforço defensivo ainda mais dispensável, uma vez que o time preserva em suas rotações sempre pelo menos três jogadores bastante móveis na marcação e cobertura tanto fora quanto dentro do garrafão. Neste esquema, sempre Patrick Beverley, Eric Gordon, Trevor Ariza, Sam Dekker, Nene ou Clint Capela estão se matando na transição para tentar recuperar a bola. Neste modelo, vale mais a pena manter James Harden sempre pronto para puxar um contra ataque de três segundos do que o colocar para se esforçar além da conta na marcação.

Outro que entra na mesma cota indiscutivelmente é Isaiah Thomas. Na sua escalada de role player para all star, Thomas mostrou que é um dos mais mortais pontuadores por centímetro da história da NBA, mas que sua defesa condiz com a sua altura. Nas stats avançadas de impacto nos dois lados da quadra, o tamanho do gap de qualidade do jogador no ataque e na defesa não há precedentes. Segundo as estatísticas, não há um jogador com tanta diferença entre o impacto positivo no ataque e negativo na defesa. Mesmo assim, o Boston Celtics de hoje, que começa a ameaçar o domínio absoluto do Cleveland Cavaliers, tem Thomas como seu principal jogador. A sua figuração sem a bola é complementada sem problemas pelas qualidades de especialistas de Avery Bradley e Marcus Smart.

Mas o bicho começa a pegar quando falamos de caras que não são absolutas unanimidades. Vou pegar o exemplo do Monta Ellis. Foi “o cara” do Golden State Warriors antes do time se tornar o que é hoje. Fazia 25 pontos por jogo e era a principal estrela da equipe. No entanto, contando só os minutos que estava em quadra, nunca seu impacto positivo na frente foi superior ao seu impacto negativo na retaguarda.

Tanto é que nas últimas seis temporadas enfrenta uma queda implacável na sua minutagem em jogo e na sua participação na rotação das equipes. Neste ano, o Indiana Pacers se acertou quando ele se lesionou e embalou quando o colocou como reserva. Hoje, sua participação se resume a um escape na segunda formação do time.

Outro exemplo complicado é o de Kevin Love. Ser péssimo na marcação e soft na briga dentro do garrafão nunca foi um grande problema até as finais do ano passado. Primeiro no Timberwolves, em que ele era o líder no ataque de um time que não competia por grandes coisas – portanto, não fazia muito sentido puni-lo com menos tempo de quadra se o resto do elenco não iria ajudar -, depois no Cavaliers, onde se resumiu, no início da sua passagem, a um especialista no perímetro.

No entanto, na batalha final contra o Golden State Warriors, suas deficiências defensivas se tornaram praticamente insustentáveis. Enquanto o time perdia as primeiras partidas, Love era considerado o responsável por não ajudar o time a segurar o ataque californiano – a ponto de começar um jogo como reserva. O Cleveland virou a série e quase ninguém se lembra mais disso.

Neste ano, por outro lado, Love voltou a encontrar um protagonismo parecido com o que tinha em Minnesota. Preciso no ataque e novamente presente no garrafão, seus problemas de marcação não incomodam mais tanto assim.

No fundo, percebe-se que, na verdade, não é qualidade ofensiva de um jogador que o faz poder abrir mão dos esforços defensivos. Mas sim o seu papel na equipe e as compensações que o grupo de jogadores fazem para bancá-lo. Monta foi útil enquanto alguém defendeu por ele. Love voltou a ser assim que a defesa do Cavs não foi mais um problema. Isaiah se tornou uma estrela quando foi rodeado de bons marcadores. O próprio James Harden virou um perene candidato a MVP logo depois do Thunder abrir mão dele, também por não ser um grande defensor – o que se mostrou um erro brutal hoje. É muito mais uma questão de contexto e encaixe do que a diferença entre qualidade ofensiva e defensiva.

Trocar o pivô Jalhil Okafor tem sido uma dura tarefa para o Philadelphia 76ers. Dominados pelo modismo que os centers precisam ser ultra-versáteis e devem, necessariamente, funcionar como âncoras defensivas fizeram o jovem jogador parecer um inútil, apesar de ter um dos mais refinados jogos de low-post. Trata-se como se o jogador não fosse ter qualquer utilidade na liga por ser um marcador fraco e ter uma péssima estatística de box plus-minus (que tenta medir o impacto dos jogadores em quadra).

Acontece que, ao meu ver, saber jogar de costas para a cesta e pontuar nestas situações é uma qualidade tão importante quanto ser um preciso arremessador de três – fundamento ovacionado nos dias de hoje. E, além disso, stats avançadas nos ajudam a entender o jogo, mas não são determinantes – os mesmos dados sugerem que Kawhi Leonard, melhor defensor da liga nos dois últimos anos, não é um marcador tão bom assim.

Jahlil Okafor realmente não me parece uma peça fundamental para o Sixers, que tem um garrafão congestionado de jovens talentos, mas não me parece que se sairia mal em times com uma boa cobertura das suas deficiências – empurrar Anthony Davisd para a ala no Pelicans não seria nada mal, testar uma formação ultraofensiva no Blazer seria interessante ou apostar na evolução junto ao Bucks é uma opção. Enfim, sendo talentoso, há espaço de alguma maneira.

O que não dá é continuar repetindo e concordando com clichés. Estes sim não contribuem com quase nada.

Palpites para reservas do All Star Game

Divulgados os titulares do All Star Game do dia 19 de fevereiro, agora é o momento de especular quem deve ser reserva do jogo. A discussão tem sua importância porque o número de vezes que um jogador vai para o Jogo das Estrelas é um critério usado desde os gatilhos de contrato (‘se fulano for all star tantas vezes, seu salário aumenta em 10%’, ocupando ainda mais a folha salarial e impactando na formação dos times) até para entrada ou não no Hall da Fama.

A definição dos titulares, você sabe, é um ‘concurso de popularidade’, que neste ano teve algumas mudanças de regras e ponderações. Até por isso, os reservas são escolhidos pelos head coaches, com, em tese, critérios técnicos sobre quem está melhor na temporada.

Levando isso em conta, aqui vão os meus palpites para reservas do All Star Game (lembrando que em cada conferência devem ser escolhidos dois armadores, três alas ou pivôs e dois ‘coringas’ de qualquer posição):

LESTE

Armadores
Isaiah Thomas – Na minha opinião, foi a grande ausência entre os titulares. Além de ser um dos cinco caras mais decisivos da liga atualmente e estar carregando o time do Boston a uma briga pelo segundo lugar da conferência, Isaiah é a cara do All Star Game. Precisa ser um malabarista para sobreviver em um jogo em que os menores rivais são pelo menos 20 centímetros maiores do que ele.

John Wall – A função de ‘armador na conferência Leste’ é a que tem o mercado mais saturado na NBA atualmente. Tem muita gente boa, o que faz desta segunda escolha a mais difícil de todo o conjunto de reservas. Vou de John Wall por estar com uma temporada insana, ser o líder de um Washington Wizards em ascensão, quase imbatível em casa. Pesa aqui o fato do jogador ser um craque na defesa também, ser acrobático, rápido, atlético e ter plenas condições de dar show no jogo (ele já foi até campeão no torneio de enterradas!).

Alas/pivôs
Kevin Love
– Se tinha alguém que poderia ameaçar pintar no trio titular do frontcourt do Leste no lugar de Jimmy Butler, era Kevin Love. O jogador do Cleveland Cavaliers ressuscitou nesta temporada, voltando à forma mais parecida possível da época que era uma estrela solitária no Minnesota Timberwolves.

Paul George – George está levemente abaixo das expectativas neste ano. Talvez por conta do time não ter decolado como se esperava ou por estar em uma posição diferente dos últimos dois anos, não sei, mas a verdade é que eu imaginava que ele fosse se consolidar como segundo melhor jogadores do Leste nesta temporada. Mesmo assim, ainda merece uma vaga no jogo. Seu desempenho nos momentos decisivos da partida fazem dele um dos atletas mais ‘clutch’ da atualidade.

Paul Millsap – O ala do Atlanta Hawks é um robô. Extremamente eficiente, craque nos dois lados da quadra e líder de uma equipe que se mantém na metade de cima da zona de classificação do Leste, mesmo completamente reformulada. Quase ninguém nota, mas Millsap mantém as mesmas médias excelentes há quatro anos – e nos últimos três foi all star, logo não há porque questionar se ele vai ou não para o jogo neste ano. Ah, tudo isso TEMPERADO pelo fato de que ele é um dos nomes mais frequentes na rede de boatos de trocas da temporada. Mesmo assim, continuou bem.

Coringas
Kyle Lowry – Dependendo do critério, Lowry poderia ser titular do Leste, já que é efetivamente o cara que faz todo mundo no Toronto jogar melhor, inclusive Demar Derozan, seu colega que está no quinteto principal – a imprensa hipster dos EUA defende essa tese, inclusive. Não discordo disso, mas acho que Lowry é refém da sua eficiência discreta e de uma competição cruel na armação do Leste. Derozan tem a seu favor o fato de ser shooting guard, de ser o cestinha do time e de estar mais vezes nos ‘melhores momentos’. Neste ano, então, Demar ficou com ‘a cota do Raptors’ para ser o titular. Coloquei Lowry atrás de Wall e Thomas apenas pelo ‘fator espetáculo’.

Kemba Walker – Sim, mais um armador aqui. Kemba começou a temporada com um desempenho digno de ser titular do All Star Game, pontuando muito e carregando o Hornets para uma das melhores campanhas do Leste (na época, terceiro lugar). De dezembro em diante, o time caiu de rendimento e agora está apenas no bolo para se classificar. Em todo caso, Kemba continua sendo um baita pontuador, mais consistente que seus concorrentes pela última vaga no jogo.

Podem aparecer
Eu queria muito colocar Joel Embiid, ser humano mais maravilhoso do planeta Terra nos últimos meses. Seus números são excelentes, ele teria entrado como titular pela votação popular e seria legal ter um pivozão de ofício pra brigar com os ‘bigs’ do Oeste, mas o número restrito de partidas jogadas e os poucos minutos fazem com que ele fique com menos chances de entrar na seleção. Também acho que Jabari Parkers, ala do Milwaukee Bucks, seria um bom nome para figurar no time. Correndo por fora, Hassan Whiteside tem alguma chance, mas não é um cara que me agrade muito – caiu muito de rendimento e o time é um lixo.

OESTE

Armadores
Russell Westbrook – Não tem nem o que comentar. Principal ausência entre os titulares. Entendo que Stephen Curry tenha sido escolhido, ainda que Westbrook e Harden sejam os melhores jogadores da temporada. Curry é um dos atletas mais populares da NBA na atualidade e vem de dois anos surreais. Mas não é possível que os três estejam entre os titulares, então Westbrook é, com certeza, uma presença garantida entre os reservas.

Klay Thompson – Escolha muito difícil aqui. Naturalmente o correto seria colocar Chris Paul, mas ele está machucado e terá que ser substituído por alguém (a lesão pode fazer com que os técnicos nem o escolham, não sei). Como não há nenhuma unanimidade entre os demais armadores do Oeste, fui naquele que acho que é o mais talentoso, está no melhor time e teve performances mais impressionantes – Klay marcou 60 pontos neste ano já em uma partida.

Alas/pivôs
Demarcus Cousins
– Acho que Cousins ameaçava a posição de Anthony Davis entre os titulares, mas o desempenho de Davis nos últimos meses e suas estatísticas o garantiram entre os cinco. O pivô do Sacramento é espetacular, não existe qualquer discussão se ele merece ou não estar nesta lista. Seu único problema seria se fosse TROCADO antes do jogo para um time do Leste, já que sempre está nos boatos de trocas.

Marc Gasol – O espanhol vem tendo uma temporada espetacular. Segurou a onda do time sozinho quando todo mundo do Memphis se machucou. Pela primeira vez na carreira está com uma média superior a 20 pontos por partida e em quase todos os outros atributos está com um desempenho melhor do que em 2014/2015, quando foi titular no jogo.

Draymond Green – Questiona-se se o Golden State Warriors merece quatro jogadores entre os all stars. Acho que sim. O time vem muito forte e conta com uma concentração absurda de talentos individuais. Green é um deles. É um dos sérios candidatos a melhor defensor do ano e é um monstro em todos os aspectos do jogo.

Coringas
Gordon Hayward – É impressionante a evolução do Utah Jazz ao longo das últimas temporadas e a personificação disso é Gordon Hayward. O ala do time vem melhorando sua participação gradativamente. Um exemplo disso é que ao longo das últimas seis temporadas, sempre Hayward aumentou sua média de pontos. Além disso, ele é um defensor exemplar no time que tem a melhor marcação da liga.

Damian Lillard – Aqui eu fiquei muito na dúvida, mas coloquei o jogador que eu acho que é mais craque. Lillard é um dos jogadores com basquete mais vistosos da liga. Um talento puro. Além disso, tem anotado excelentes números.

Podem aparecer
Eu fiquei muito na dúvida entre Lillard e Mike Conley, armador do Memphis Grizzlies e jogador mais bem pago da NBA. Conley tem sido excelente, com médias superiores aos anos anteriores. Além disso, ninguém esperava que o time fosse a quarta força do Oeste. Muito disso se deve a ele. Rudy Gobert é outro nome que pode pintar, mas duvido que coloquem tantos pivôs assim na reserva – se ele entrar, Gasol sai, acho.

A maior rivalidade da NBA hoje

Não é pelos uniformes diferentes. Não é pela superestimada ‘rodada de Natal’ – que geralmente rende boas exibições individuais, mas jogos não muito pegados. Mas se você gosta de basquete você tem um compromisso imperdível hoje às 17h: assistir ao jogo mais importante da temporada até o momento, Cleveland Cavaliers x Golden State Warriors.

Não existe, nos últimos anos, rivalidade como esta. Os dois times se enfrentaram nas últimas duas finais, com uma vitória para cada lado, e tem tudo para se encontrarem novamente na série derradeira deste ano, fazendo uma inédita terceira final seguida entre duas equipes. A dupla também concentra, disparado, o maior número de excelentes jogadores da NBA, com o melhor da última década (Lebron James), o melhor dos últimos dois anos (Stephen Curry) e o último MVP que não nenhum destes dois já citados (Kevin Durant), além, claro, dos excepcionais Kyrie Irving, Kevin Love, Klay Thompson e Draymond Green.

Disputa assim, com tantas finais, títulos e craques juntos, só nos anos 80 entre Boston Celtics e Los Angeles Lakers, com três finais em quatro anos (84, 85 e 87) e contando com lendas do esporte como Larry Bird, Kevin McHale, Robert Parish, Magic Johnson e Kareem Abdul Jabbar. Depois disso, as rivalidades foram mais passageiras, menos talentosas, vitoriosas e equilibradas.

A disputa também foi esquentando nos últimos tempos e chega a este Natal no auge do ódio mutuo – o máximo que se pode atingir em um jogo de temporada regular. A começar pela virada impressionante nas finais passadas, quando o Warriors vencia por 3-1 e acabou sendo derrotado por 4-3 e o deboche pelo lado do Cavs (com direito a piadas maldosas a respeito disso na festa de Halloween organizada por Lebron) e finalizado pela chegada de Kevin Durant ao time californiano, na novela mais controversa da offseason.

Provocação de Lebron: biscoitos com as lápides de Curry e Thompson

Quem confirma tudo isso que eu disse acima são os torcedores dos dois times, que simplesmente ODEIAM uns aos outros, hahaha.

E, além de toda a batalha EMOCIONAL, os times também se enfrentam hoje na primazia técnica. O Golden State chega à partida com um jogo ofensivo mais refinado, menos dependente das bolas de três e mais envolvente entre todos os seus jogadores. Ao invés de várias cestas em que Stephen Curry e Klay Thompson batiam bola desesperadamente até que chutasse a dois metros da linha de três, a equipe agora se transformou no time que mais passa a bola na liga. Com uma proporção de assistências historicamente alta, o GSW dificilmente força um arremesso ‘ruim’ – uma característica letal quando se tem reunidos três dos melhores arremessadores da história em um só time.

A defesa, que não é tão boa quanto no ano passado, ainda conta com um Draymond Green ainda mais decisivo e com Kevin Durant marcando da melhor maneira possível em toda a sua carreira. Se o time não é tão eficiente lá atrás, tem jogado pelo menos de uma maneira mais plástica e bonita de assistir nos dois lados da quadra.

Do lado do Cavs, temos uma equipe que sabe cada vez mais administrar seus talentos – algo que só é possível em uma conferência Leste, onde o Cleveland sobra. É impressionante como o time puxa o freio de mão em partidas mais simples e joga tudo que pode quando é exigida – o que faz o time estar mais inteiro que os demais quando o bicho pega, como é o caso de hoje. O seu trio principal está jogando ainda melhor, tanto individualmente quanto juntos. Lebron dispensa qualquer análise, Kyrie está mais feroz como pontuador e Kevin Love nunca esteve tão próximo do que era em Minnesota. De negativo, apenas a baixa de JR Smith, lesionado com um dedo quebrado.

Ou seja, não é pela rodada de Natal, mas sim pela rivalidade. O jogo é imperdível!

Dois anos depois, Kevin Love volta a ser um dos melhores da liga

As duas temporadas de distância entre a chegada de Kevin Love ao Cleveland Cavaliers e as finais da NBA em junho deste ano foram cruéis para o status do jogador como uma das maiores estrelas da liga. Muita gente de memória curta se esqueceu o quão destruidor Love foi nos seus últimos anos de Minnesota Timberwolves. Por lá, era um dos atletas mais acionados da liga pelos seus companheiros e um dos jogadores com maior poderio ofensivo. Na temporada de 2011/2012, foi o líder em rebotes de toda a NBA, com 15,23 de média por jogo – a maior marca dos últimos 20 anos, desde que Dennis Rodman manteve a média de 16 rebotes por partida em 1996.

No time novo, sedento por algum êxito coletivo – nos seis anos de Timberwolves não conseguiu ir aos playoffs -, Love passou por aquele período de reconstrução do seu jogo e do seu papel em quadra. Teve que reaprender a jogar com colegas úteis, como Lebron e Kyrie, e não com um catadão de jogadores que não iriam a lugar algum. Uma mudança tão brutal que nos fez parecer que Love não era um jogador fora de série e que suas médias em Minnesota eram infladas pela falta de talento ao seu redor.

Os playoffs e as finais da última temporada, em especial os primeiros jogos da série contra o Warriors, pareciam ser a última pá de terra sobre o cadáver do Kevin Love superstar que tínhamos conhecido. Naquele momento em que o Cavs perdia por 3-1 a disputa para o Golden State, Love era considerado mais um peso morto do que um jogador do time.

Mas, como num roteiro tosco de Sessão da Tarde em que todos superam seus limites e reencontram a felicidade, Love passou um jogo no banco, jogou bem, o time voltou a vencer e ele foi campeão da NBA junto com seus amigos. Se não tinha sido o suficiente para recuperar sua moral como um dos melhores da liga, pelo menos se mostrando útil o suficiente para continuar com o time no ano seguinte – sim, em determinado momento da série ele foi colocado na vitrine para trocas!

Mais tranquilo com o título e com o foco das trocas e negociações da offseason bem longe do seu traseiro, Kevin tirou férias, pegou sol, reforçou seu visual de playboy da California e voltou à liga disposto a reassumir o posto de jogador dominante que tinha quando foi contratado pelo Cavs.

Se antes o ala-pivô tinha sido relegado ao posto de coadjuvante de luxo no Cleveland dos últimos dois anos, o primeiro mês de temporada tem mostrado um Kevin Love tão importante para o time, que faz uma campanha impecável até o momento, quando Lebron James e Kyrie Irving.

Love tem chutado mais, num volume mais próximo da época em que era uma estrela solitária do Wolves. Os 21 pontos por partida até o momento são 25% superiores às suas médias nas duas primeiras temporadas em Cleveland. Os 10 rebotes por jogo são os melhores números na atual franquia, também. A proporção de jogadas em que participa das ações do time estão a níveis próximos dos seus colegas de time que antes monopolizavam a posse da bola.

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É difícil dizer o quanto desta recuperação pode ser creditada a uma mudança de atitude do jogador, a uma adaptação ao esquema ou ao técnico – Tyronn Lue declarou que uma das suas prioridades seria envolver mais Kevin Love nas ações do time quando assumiu.

Aparentemente, pelos números e dados da presença dele em quadra, Kevin está realmente com uma atitude mais parecida com a que tinha em Minnesota – e é provável que isso tenha a maior influência na melhora em suas atuações. Apesar de estar jogando menos tempo como pivô, Love tem chutado mais vezes de dentro do garrafão (28% das vezes que arremessa) e menos de três (31%).

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Tem sido menos um simples stretch-four (aquele ala grande que fica aberto, passivo, para chutar de três) e mais um ala-pivô de ofício que arremessa de três quando tem a oportunidade, como sempre foi na sua passagem no antigo time.

Pode ter demorado mais do que o esperado, mas finalmente Kevin Love está jogando aquilo que se esperava dele quando foi contratado a peso de ouro pelo Cleveland Cavaliers.

Torcedor do Cavs quer juntar 10 milhões para convencer Love a não jogar

Um torcedor do Cleveland Cavaliers acha que tem a fórmula da vitória para seu time no jogo 6, de hoje à noite, da final da NBA contra o Golden State Warriors. Segundo ele, basta que Kevin Love não entre em quadra hoje. Para convencer o jogador a abrir mão do seu espaço na rotação da equipe, o cara decidiu fazer uma vaquinha, juntar 10 milhões de dólares para ‘comprar’ a titularidade de Love.

O torcedor, chamado Gilles Debenham, de Ohio, abriu uma campanha nesta terça-feira no site de crowdfunding GoFundMe para arrecadar os fundos, que totalizariam metade do salário anual de Kevin Love.

A campanha é tão filha da mãe com o jogador, que a foto que a ilustra é de quando Kevin Love deslocou o ombro, no início dos playoffs do ano passado, e teve que se afastar para o restante do mata-mata.

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Apesar de Gilles ter até alguma razão – o jogador sofre com um péssimo matchup contra Draymond Green e está totalmente sem confiança nesta série -, não parece que ele vá conseguir reúnir toda a grana necessária. A 24 horas do jogo, a campanha tinha angariado apenas 40 dólares – bom, fazer oito malucos pagarem alguma coisa por isso já e um feito considerável…

As consequências da troca Love-Wiggins

Há dois anos, Kevin Love desembarcou em Cleveland depois de ser trocado pelo calouro escolhido com a primeira escolha do draft daquela temporada Andrew Wiggins. Love chegava ao time para formar com Kyrie Irving e Lebron James um novo “Big Three” da NBA, nos mesmos moldes que Pierce, Garnett e Allen formaram em Boston e Lebron, Wade e Bosh formaram em Miami. Ambos, vencedores do título da liga.

Com a derrota do Cavs na final no ano passado, atrás no placar neste ano e com um desempenho médio de Kevin Love muito abaixo do seu potencial, é natural revisitar esta troca. Wiggins está em franca evolução e se mostra já um excelente jogador na defesa, atributo que faltou ao Cavs nesta série de playoffs, especialmente.

É natural, mas também é bastante oportunista. Sinceramente, na época era uma troca que fazia muito sentido para ambos os times. Wiggins parecia ser um bom jogador. Só parecia. Muito novo e com uma personalidade tímida, no estilo Kawhi Leonard, não dava para saber o que seria lapidado a partir daquele talento universitário.

Cavs tinha Lebron para a mesma posição. Shawn Marion como reserva imediato de Lebron na posição número 3. Dion Waiters como shooting guard. Wiggins não seria um titular natural logo de cara. Para piorar as coisas, o time vinha se recuperando do trauma de ter escolhido Anthony Bennett com a primeira escolha do draft anterior e o jogador nunca ter conseguido render – Bennett é, fácil, o maior bust dos últimos dez anos da liga.

Em Minnesota, Kevin Love estava dando sopa: o jogador era um talento escondido atuando pelo Timberwolves e queria mudar de ares.

Se hoje Love parece um ala inoperante e inconstante, é bom lembrar que ele já tinha sido o maior reboteiro do campeonato, três vezes All Star, o primeiro jogador desde Moses Malone, em 1982, a fazer 30 pontos e pegar 30 rebotes em um único jogo e detentor da maior sequência de jogos fazendo double-doubles (51) em toda história da NBA.

A troca fazia sentido para os dois times. Entre perder Love de graça e ter um bom prospect em troca, o Wolves escolheu ficar com a aposta que era Wiggins. Para o Cavs, ainda mais: pegaria um dos jogadores mais dominantes e criaria uma nova patota para Lebron. Forçanco um pouco a barra, o ala-pivô também tinha características ofensivas parecidas com Chris Bosh, com um passe sagaz e habilidade para chutar de fora.

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Troca de camisas: aparentemente Wiggins seria mais útil para bater o Warriors, mas isso não quer dizer que a troca não fez sentido para os dois times

Digo isso tudo para mostrar que, na verdade, é bem oportunista falar , hoje, que a troca não fez tanto sentido. Até acho que a formação do Cavs com Wiggins poderia ser mais eficiente contra o Warriors, mas na época a contratação de Love parecia um baita negócio.

Ah, vale lembrar que na mesma época se discutiu uma possível troca com o próprio Golden State. A ideia era trocar Love e por Klay Thompson e o contrato de David Lee. Só não saiu do papel porque o Wolves pediu também Harrison Barnes e Jerry West, consultor do front office do Warriors, disse que não valia a pena se livrar de Thompson. Naquele momento foi uma decisão arriscada, mas que se provou muito acertada.

Ainda que pareça claro que Love falhou no novo time e que Wiggins está no caminho para se tornar um excelente jogador na NBA, não dá para cravar que o jovem já e melhor do que o ala-pivô. Não sabemos as consequências da troca e, mesmo que a gente suspeite de algo, não acredito que o destino do Cleveland seria muito mais produtivo sem a ‘move’.

Não dá para colocar tudo isso na conta de Kevin Love.

Toda a pressão em Kevin Love

Há pouco saiu a confirmação de que Kevin Love não vai jogar a terceira partida da decisão contra o Golden State Warriors hoje à noite. O ala-pivô tomou uma cotovelada na cabeça em uma disputa de bola com Harrison Barnes e apresentou sintomas de concussão. O departamento médico do Cavs, com isso, vetou a entrada do jogador em quadra hoje, já que o protocolo de lesões deste tipo exige um intervalo mínimo de 72 horas entre o desaparecimento dos sintomas típicos da pancada e a liberação para voltar a jogar. Levando em conta o procedimento, o jogador estaria disponível apenas para a partida de sexta-feira.

Diante do desenrolar das duas primeiras partidas, do cacete que o Cavs tomou nos dois primeiros jogos e no desempenho de Kevin Love, tudo se desenha para, caso o Cleveland venha a vencer o jogo hoje, que o jogador seja eleito como o grande responsável pelas duas derrotas nos primeiros jogos.

Love não ajudou muito no ataque, não foi capaz de resgatar rebotes ofensivos e Draymond Green, seu matchup natural, teve duas excelentes apresentações até o momento na série. É fato que ele não está ajudando o time. Mas acho que é forçar muito a barra colocar tudo na conta de Kevin Love. No primeiro jogo, o banco do Cavaliers é que entregou o ouro para o banco do Golden State. No segundo, Lebron e Kyrie saíram de quadra tontos. Ir pífio na série não é uma exclusividade de Love.

Talvez até por prever isso que Love forçou a barra até o último minuto para tentar jogar. O atleta chegou a bater bola pela manhã e tentou barganhar com o DM para entrar em quadra. Mesmo assim, foi vetado.

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Se o Cavs desencantar, Love será responsabilizado pelas derrotas, mesmo que todo o time tenha jogado mal nas duas primeiras partidas.

O que eu concordo é que a sua ausência pode ajudar Tyronn Lue a tentar alguma variação que até agora não foi testada suficientemente. Acho que são duas alternativas: tentar Richard Jefferson como small forward e empurrar Lebron James para a posição 4 ou simplesmente substituir Love por Channing Frye.

A primeira formação seria uma variação mais drástica no plano de jogo do Cavs. Lebron e Green iam se matar dos dois lados da quadra e Richard Jefferson seria uma boa opção para fazer as trocas de marcação com mais agilidade. O veterano tinha sido uma grata surpresa nas três rodadas anteriores dos playoffs e fazia parte das lineups mais eficientes do Cleveland. Caso opte por Frye, a aposta seria em manter o mesmo esquema, com um jogador mais discreto no lugar de Love – Channing é uma imitação de Love menos talentosa e mais voluntariosa.

Pelo que se viu nas duas partidas em Oakland, o Cleveland terá que jogar muito melhor e, principalmente, torcer para o Golden State se atrapalhar muito mais. Mas se isso acontecer – se alguma das formações sem Love der certo -, já teremos um vilão, mesmo que Love nem tenha culpa disso.

Kevin Love em ‘playoff mode’

No final da temporada regular, começou aquele papo chato de que Lebron James estava entrando no seu ‘playoff mode’: mudou a rotina pré-jogo no vestiário, começou um novo discurso nas entrevistas, parou de postar determinadas coisas e seguir outras nas redes sociais (?) e etc. No final das contas, besteira ou não, foi a forma que ele encontrou para se concentrar para o mata-mata, quando as coisas realmente importam.

James está bem e o Cleveland Cavaliers, melhor ainda, mas quem realmente mudou da água pro vinho seu comportamento em quadra e está surpreendendo a todos é o ala-pivô Kevin Love. Nesta pós-temporada, o jogador adicionou três pontos e três rebotes a mais por jogo nas suas médias, registrando oito double-doubles em oito jogos (sua segunda melhor sequência desde que desembarcou em Cleveland).

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Nos playoffs: 3º em rebotes por jogo e 4º em cestas de três.

Também calibrou seu chute de fora (mesmo contra bons marcadores nas duas séries, como Tobias Harris e Paul Millsap/Al Horford) e liderou, com JR Smith, a tempestade de bolas de três que o Cavs tem promovido nos playoffs – o time bateu o recorde de cestas de três na história da NBA no segundo jogo contra o Atlanta Hawks.

Em dois anos de franquia, aparentemente Love tinha perdido seu status de superstar na liga, que ostentava nos tempos de Minnesota Timberwolves. Parecia apático e seu jogo tinha se ofuscado pelo domínio ofensivo de Lebron e Kyrie Irving. Em fevereiro, a dúvida que o cercava era tão grande, que o Cavs foi buscar no mercado Channing Frye, um jogador basicamente com as mesmas características que as suas, só que muito mais barato e ‘coachable’.

Paralelamente, Love foi chamado de lado pelo técnico Tyronn Lue e o comandante pediu para que o jogador chamasse mais a responsabilidade das partidas e jogasse com mais intensidade. Parece que deu certo.

A série contra o Atlanta, em especial, era chave para Love: um confronto pessoal contra um dos melhores jogadores do final da temporada e com um dos melhores desempenhos defensivos da liga, Paul Millsap. O ala do Cleveland conseguiu nadar de braçadas à frente do jogador do Hawks e os quatro jogos foram muito mais desequilibrados do que se previa.

Graças a isso – e o excelente desempenho da equipe, Cleveland foi a única equipe a varrer seus dois oponentes dos playoffs e chega para a final de conferência com alguns dias para descansar.

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