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#ChinaKlay é a melhor coisa da offseason

A offseason é um período ‘diferente’ para o noticiário da NBA. As informações relacionadas ao basquete propriamente dito não são das melhores. Flutuam entre o tracking no twitter para saber em primeira mão quem trocou de time ou renovou contrato, interpretações absolutamente precipitadas sobre as atuações nos sofríveis jogos das Summer Leagues, análises ansiosas das trocas e boatarias de negociações baseadas em fontes escusas.

Absolutamente alheio a tudo isso, vivendo em um maravilhoso mundo paralelo está Klay Thompson. O ala-armador foi ao outro lado do mundo assinar uma extensão contratual de 80 milhões de dólares por dez anos com a Anta, marca de tênis chinesa, e está tendo os melhores dias da sua vida ao cumprir seus compromissos publicitários por lá.

Tudo começou há duas semanas. Duas tentativas frustradas de enterradas de Klay viralizaram pela rede. O jogador se esforçou o mínimo possível para tentar dar um 360º e, na pior promoção possível do garoto-propaganda, se esborrachou de cara no chão. Com a maior cara de pau, Thompson assinou a bola e entregou para um dos torcedores que gritava enlouquecidamente pelo jogador.

Aparentemente, a reação da turma – os chineses são sempre os mais empolgados – ditou o tom das aparições seguintes do jogador. Klay, que não é o cara mais atento e dedicado do mundo, faz qualquer merda, de propósito ou não, e o povo vibra.

O mais fascinante desta viagem é que Klay mistura uma diversão ingênua e solitária em um mundo completamente estranho para ele com a ostentação típica de qualquer jovem multimilionário que está curtindo as férias em um lugar que ele é praticamente um semi-deus (um status que, apesar dele ser um excelente jogador, não seria desfrutado por Thompson em outro ambiente).

É louvável que ele esteja realmente aproveitando o momento. Boa parte dos jogadores participam destes compromissos somente para cumprir tabela, deixando claro que é uma obrigação e que, se pudessem escolher, estariam bem longe dali. Klay não.

De quebra, faz tudo com uma desenvoltura tosca que torna tudo ainda melhor.

https://twitter.com/roseOVERhoes/status/880572491424346112

Mas, de verdade, nada supera a ESPONTANEIDADE da comemoração dele na balada na noite seguinte à sua assinatura de contrato com a Anta, que resume meio o MOOD dessa viagem: Klay completamente frito, num pedestal à lá Michael Jordan dos chineses, regendo a galera numa empolgação surreal.

Nunca volte, Klay Thompson. O ocidente não te merece.

Klay Thompson lá e cá

Uma das grandes dúvidas que surgiram quando Kevin Durant desembarcou na California era como o Golden State Warriors funcionaria com mais um arremessador em quadra. Antes do ala, o time já tinha que jogar em um ritmo insano para que todos seus jogadores (Stephen Curry e Klay Thompson em maior medida, Draymond Green em menor) tivessem bolas suficientes para arremessar. Com Durant, o time teria que correr ainda mais ou então todos teriam que abrir mão de alguns de seus chutes.

A temporada regular foi de adaptação. Durant, como um bom recém-chegado, passou a chutar três bolas a menos do que estava acostumado no Thunder – o que foi compensado por um aproveitamento muito melhor, com mais jogadas de catch and shoot do que isolations. Curry fez seu sacrifício também e cortou, em média, dois arremessos de seu repertório. O mesmo fez Draymond Green.

Somente o papel de Klay Thompson ficou imaculado em um primeiro momento: apenas uma diferença decimal nas médias de chutes, acertos e pontos de um ano para o outro, de uma precisão robótica.

A temporada regular caminhou, o Golden State Warriors foi se acertando e só não funcionou como um grande treinamento ideal para a pós-temporada porque Durant se lesionou por uns 20 jogos. De resto, o time conseguiu emplacar e melhorar seu sistema de jogo e definir bem o papel de cada um dentro do esquema mais fluído da liga.

Isso funciona bem na temporada regular, mas geralmente é um cenário que muda nos playoffs. No mata-mata geralmente os melhores jogadores ficam mais tempo em quadra, chamam mais a responsabilidade e são, naturalmente, mais acionados. Como os confrontos são em série, ajustes específicos também são desenhados, redefinindo um pouco as funções de cada um em quadra.

Assim, Kevin Durant e Stephen Curry passaram a dominar mais a bola. Isso significa menos posses para os demais jogadores, especialmente se o ritmo do time continua o mesmo – é o caso do Warriors, que já tinha um dos esquemas mais rápidos da liga e se manteve assim, com uma média de 100 posses de bola por partida.

Aí que pegou para Klay Thompson: o shooting guard passou a chutar uma média de três bolas a menos por partida, a maior diferença registrada no time. E chutadores como ele tendem a sofrer com um volume menor de oportunidades – foi o caso, já que seu aproveitamento caiu para 36% ao longo do mata-mata.

Seria trágico se o ‘splash brother’ fosse única e exclusivamente um arremessador. Mas, para a sorte de Klay e do GSW, não é o caso. Thompson é um defensor implacável no perímetro. Sua vantagem é de ser alto para a posição (2,01m) e mesmo assim ter uma excelente movimentação lateral. Consegue marcar os armadores rivais – muito melhor do que Curry faria, por exemplo – e dá conta dos alas maiores nas trocas do pick and roll.

Contra o Cleveland Cavaliers, sua presença é fundamental: consegue ser o marcador principal de Kyrie Irving, o point guard que melhor dribla na NBA, e ainda cair na troca com Kevin Love e Lebron James. Possivelmente nenhum outro jogador de backcourt da NBA tem a capacidade de fazer estas duas coisas tão bem.

O primeiro jogo da série entre os dois times mostrou que mesmo péssimo no ataque – não errou só chutes difíceis, mas perdeu bolas a dois palmos da cesta -, Klay é indispensável para ajudar a segurar o ataque feroz do Cavs.

O aproveitamento dos rivais enquanto Thompson estava na marcação foi pífio: 11%. Foram nove arremessos na cara de Klay e só um acerto – foi aquela cesta espírita de Kyrie Irving, caindo no chão, para três pontos e mais a falta. De resto, o ala-armador do Warriors foi impecável: forçou dois air ball de Kevin Love, parou Kyrie em quatro bolas, JR Smith em outra e ainda fez Lebron errar na única bandeja em que caíram juntos – e a infiltração de James é, estatisticamente, o arremesso mais seguro da NBA.

Foi, também, o jogador que mais recuperou bolas perdidas para os dois lados: 6 – ajudando não só o Cleveland perder posses (foram 20 no total), bem como o Golden State a ter ínfimos 4 turnovers.

É claro que Klay seria mais útil se estivesse fazendo suas bolas de sempre. Cedo ou tarde, o Golden State também vai precisar dele no ataque – e até por sua capacidade de ser um bom pontuador, o Cleveland não poderá abrir mão de marcá-lo mesmo que a série ruim dele continue. Mas mesmo quando Klay não consegue decidir lá, é um jogador importante cá.

Palpites para reservas do All Star Game

Divulgados os titulares do All Star Game do dia 19 de fevereiro, agora é o momento de especular quem deve ser reserva do jogo. A discussão tem sua importância porque o número de vezes que um jogador vai para o Jogo das Estrelas é um critério usado desde os gatilhos de contrato (‘se fulano for all star tantas vezes, seu salário aumenta em 10%’, ocupando ainda mais a folha salarial e impactando na formação dos times) até para entrada ou não no Hall da Fama.

A definição dos titulares, você sabe, é um ‘concurso de popularidade’, que neste ano teve algumas mudanças de regras e ponderações. Até por isso, os reservas são escolhidos pelos head coaches, com, em tese, critérios técnicos sobre quem está melhor na temporada.

Levando isso em conta, aqui vão os meus palpites para reservas do All Star Game (lembrando que em cada conferência devem ser escolhidos dois armadores, três alas ou pivôs e dois ‘coringas’ de qualquer posição):

LESTE

Armadores
Isaiah Thomas – Na minha opinião, foi a grande ausência entre os titulares. Além de ser um dos cinco caras mais decisivos da liga atualmente e estar carregando o time do Boston a uma briga pelo segundo lugar da conferência, Isaiah é a cara do All Star Game. Precisa ser um malabarista para sobreviver em um jogo em que os menores rivais são pelo menos 20 centímetros maiores do que ele.

John Wall – A função de ‘armador na conferência Leste’ é a que tem o mercado mais saturado na NBA atualmente. Tem muita gente boa, o que faz desta segunda escolha a mais difícil de todo o conjunto de reservas. Vou de John Wall por estar com uma temporada insana, ser o líder de um Washington Wizards em ascensão, quase imbatível em casa. Pesa aqui o fato do jogador ser um craque na defesa também, ser acrobático, rápido, atlético e ter plenas condições de dar show no jogo (ele já foi até campeão no torneio de enterradas!).

Alas/pivôs
Kevin Love
– Se tinha alguém que poderia ameaçar pintar no trio titular do frontcourt do Leste no lugar de Jimmy Butler, era Kevin Love. O jogador do Cleveland Cavaliers ressuscitou nesta temporada, voltando à forma mais parecida possível da época que era uma estrela solitária no Minnesota Timberwolves.

Paul George – George está levemente abaixo das expectativas neste ano. Talvez por conta do time não ter decolado como se esperava ou por estar em uma posição diferente dos últimos dois anos, não sei, mas a verdade é que eu imaginava que ele fosse se consolidar como segundo melhor jogadores do Leste nesta temporada. Mesmo assim, ainda merece uma vaga no jogo. Seu desempenho nos momentos decisivos da partida fazem dele um dos atletas mais ‘clutch’ da atualidade.

Paul Millsap – O ala do Atlanta Hawks é um robô. Extremamente eficiente, craque nos dois lados da quadra e líder de uma equipe que se mantém na metade de cima da zona de classificação do Leste, mesmo completamente reformulada. Quase ninguém nota, mas Millsap mantém as mesmas médias excelentes há quatro anos – e nos últimos três foi all star, logo não há porque questionar se ele vai ou não para o jogo neste ano. Ah, tudo isso TEMPERADO pelo fato de que ele é um dos nomes mais frequentes na rede de boatos de trocas da temporada. Mesmo assim, continuou bem.

Coringas
Kyle Lowry – Dependendo do critério, Lowry poderia ser titular do Leste, já que é efetivamente o cara que faz todo mundo no Toronto jogar melhor, inclusive Demar Derozan, seu colega que está no quinteto principal – a imprensa hipster dos EUA defende essa tese, inclusive. Não discordo disso, mas acho que Lowry é refém da sua eficiência discreta e de uma competição cruel na armação do Leste. Derozan tem a seu favor o fato de ser shooting guard, de ser o cestinha do time e de estar mais vezes nos ‘melhores momentos’. Neste ano, então, Demar ficou com ‘a cota do Raptors’ para ser o titular. Coloquei Lowry atrás de Wall e Thomas apenas pelo ‘fator espetáculo’.

Kemba Walker – Sim, mais um armador aqui. Kemba começou a temporada com um desempenho digno de ser titular do All Star Game, pontuando muito e carregando o Hornets para uma das melhores campanhas do Leste (na época, terceiro lugar). De dezembro em diante, o time caiu de rendimento e agora está apenas no bolo para se classificar. Em todo caso, Kemba continua sendo um baita pontuador, mais consistente que seus concorrentes pela última vaga no jogo.

Podem aparecer
Eu queria muito colocar Joel Embiid, ser humano mais maravilhoso do planeta Terra nos últimos meses. Seus números são excelentes, ele teria entrado como titular pela votação popular e seria legal ter um pivozão de ofício pra brigar com os ‘bigs’ do Oeste, mas o número restrito de partidas jogadas e os poucos minutos fazem com que ele fique com menos chances de entrar na seleção. Também acho que Jabari Parkers, ala do Milwaukee Bucks, seria um bom nome para figurar no time. Correndo por fora, Hassan Whiteside tem alguma chance, mas não é um cara que me agrade muito – caiu muito de rendimento e o time é um lixo.

OESTE

Armadores
Russell Westbrook – Não tem nem o que comentar. Principal ausência entre os titulares. Entendo que Stephen Curry tenha sido escolhido, ainda que Westbrook e Harden sejam os melhores jogadores da temporada. Curry é um dos atletas mais populares da NBA na atualidade e vem de dois anos surreais. Mas não é possível que os três estejam entre os titulares, então Westbrook é, com certeza, uma presença garantida entre os reservas.

Klay Thompson – Escolha muito difícil aqui. Naturalmente o correto seria colocar Chris Paul, mas ele está machucado e terá que ser substituído por alguém (a lesão pode fazer com que os técnicos nem o escolham, não sei). Como não há nenhuma unanimidade entre os demais armadores do Oeste, fui naquele que acho que é o mais talentoso, está no melhor time e teve performances mais impressionantes – Klay marcou 60 pontos neste ano já em uma partida.

Alas/pivôs
Demarcus Cousins
– Acho que Cousins ameaçava a posição de Anthony Davis entre os titulares, mas o desempenho de Davis nos últimos meses e suas estatísticas o garantiram entre os cinco. O pivô do Sacramento é espetacular, não existe qualquer discussão se ele merece ou não estar nesta lista. Seu único problema seria se fosse TROCADO antes do jogo para um time do Leste, já que sempre está nos boatos de trocas.

Marc Gasol – O espanhol vem tendo uma temporada espetacular. Segurou a onda do time sozinho quando todo mundo do Memphis se machucou. Pela primeira vez na carreira está com uma média superior a 20 pontos por partida e em quase todos os outros atributos está com um desempenho melhor do que em 2014/2015, quando foi titular no jogo.

Draymond Green – Questiona-se se o Golden State Warriors merece quatro jogadores entre os all stars. Acho que sim. O time vem muito forte e conta com uma concentração absurda de talentos individuais. Green é um deles. É um dos sérios candidatos a melhor defensor do ano e é um monstro em todos os aspectos do jogo.

Coringas
Gordon Hayward – É impressionante a evolução do Utah Jazz ao longo das últimas temporadas e a personificação disso é Gordon Hayward. O ala do time vem melhorando sua participação gradativamente. Um exemplo disso é que ao longo das últimas seis temporadas, sempre Hayward aumentou sua média de pontos. Além disso, ele é um defensor exemplar no time que tem a melhor marcação da liga.

Damian Lillard – Aqui eu fiquei muito na dúvida, mas coloquei o jogador que eu acho que é mais craque. Lillard é um dos jogadores com basquete mais vistosos da liga. Um talento puro. Além disso, tem anotado excelentes números.

Podem aparecer
Eu fiquei muito na dúvida entre Lillard e Mike Conley, armador do Memphis Grizzlies e jogador mais bem pago da NBA. Conley tem sido excelente, com médias superiores aos anos anteriores. Além disso, ninguém esperava que o time fosse a quarta força do Oeste. Muito disso se deve a ele. Rudy Gobert é outro nome que pode pintar, mas duvido que coloquem tantos pivôs assim na reserva – se ele entrar, Gasol sai, acho.

A maior rivalidade da NBA hoje

Não é pelos uniformes diferentes. Não é pela superestimada ‘rodada de Natal’ – que geralmente rende boas exibições individuais, mas jogos não muito pegados. Mas se você gosta de basquete você tem um compromisso imperdível hoje às 17h: assistir ao jogo mais importante da temporada até o momento, Cleveland Cavaliers x Golden State Warriors.

Não existe, nos últimos anos, rivalidade como esta. Os dois times se enfrentaram nas últimas duas finais, com uma vitória para cada lado, e tem tudo para se encontrarem novamente na série derradeira deste ano, fazendo uma inédita terceira final seguida entre duas equipes. A dupla também concentra, disparado, o maior número de excelentes jogadores da NBA, com o melhor da última década (Lebron James), o melhor dos últimos dois anos (Stephen Curry) e o último MVP que não nenhum destes dois já citados (Kevin Durant), além, claro, dos excepcionais Kyrie Irving, Kevin Love, Klay Thompson e Draymond Green.

Disputa assim, com tantas finais, títulos e craques juntos, só nos anos 80 entre Boston Celtics e Los Angeles Lakers, com três finais em quatro anos (84, 85 e 87) e contando com lendas do esporte como Larry Bird, Kevin McHale, Robert Parish, Magic Johnson e Kareem Abdul Jabbar. Depois disso, as rivalidades foram mais passageiras, menos talentosas, vitoriosas e equilibradas.

A disputa também foi esquentando nos últimos tempos e chega a este Natal no auge do ódio mutuo – o máximo que se pode atingir em um jogo de temporada regular. A começar pela virada impressionante nas finais passadas, quando o Warriors vencia por 3-1 e acabou sendo derrotado por 4-3 e o deboche pelo lado do Cavs (com direito a piadas maldosas a respeito disso na festa de Halloween organizada por Lebron) e finalizado pela chegada de Kevin Durant ao time californiano, na novela mais controversa da offseason.

Provocação de Lebron: biscoitos com as lápides de Curry e Thompson

Quem confirma tudo isso que eu disse acima são os torcedores dos dois times, que simplesmente ODEIAM uns aos outros, hahaha.

E, além de toda a batalha EMOCIONAL, os times também se enfrentam hoje na primazia técnica. O Golden State chega à partida com um jogo ofensivo mais refinado, menos dependente das bolas de três e mais envolvente entre todos os seus jogadores. Ao invés de várias cestas em que Stephen Curry e Klay Thompson batiam bola desesperadamente até que chutasse a dois metros da linha de três, a equipe agora se transformou no time que mais passa a bola na liga. Com uma proporção de assistências historicamente alta, o GSW dificilmente força um arremesso ‘ruim’ – uma característica letal quando se tem reunidos três dos melhores arremessadores da história em um só time.

A defesa, que não é tão boa quanto no ano passado, ainda conta com um Draymond Green ainda mais decisivo e com Kevin Durant marcando da melhor maneira possível em toda a sua carreira. Se o time não é tão eficiente lá atrás, tem jogado pelo menos de uma maneira mais plástica e bonita de assistir nos dois lados da quadra.

Do lado do Cavs, temos uma equipe que sabe cada vez mais administrar seus talentos – algo que só é possível em uma conferência Leste, onde o Cleveland sobra. É impressionante como o time puxa o freio de mão em partidas mais simples e joga tudo que pode quando é exigida – o que faz o time estar mais inteiro que os demais quando o bicho pega, como é o caso de hoje. O seu trio principal está jogando ainda melhor, tanto individualmente quanto juntos. Lebron dispensa qualquer análise, Kyrie está mais feroz como pontuador e Kevin Love nunca esteve tão próximo do que era em Minnesota. De negativo, apenas a baixa de JR Smith, lesionado com um dedo quebrado.

Ou seja, não é pela rodada de Natal, mas sim pela rivalidade. O jogo é imperdível!

Klay Thompson e a amnésia do chute

Nos últimos anos, o Golden State Warriors irritou muita gente com um estilo meio monotemático de se jogar basquete, abusando dos arremessos de três pontos. Goste você ou não, é compreensível a insistência da franquia nisso. Dois dos melhores arremessadores da formam o backcourt do time, Stephen Curry e Klay Thompson. A qualidade é tamanha que, mesmo com quase uma década de carreira pela frente, ambos já figuram nas discussões sobre melhores chutadores de longe de todos os tempos. Nas últimas três temporadas, os dois fizeram dobradinha como os que mais acertaram arremessos de fora do arco e, mesmo com um volume brutal de chutes, ostentam excelentes índices de acerto, em patamares próximos aos melhores da história.

A nova temporada começou e, ao mesmo tempo que Curry continua um ‘ignorante’ no fundamento, liderando a liga, Klay Thompson não tem conseguido manter o ritmo. O mau momento do ala armador fica ainda mais flagrante um dia depois de seu colega bater o recorde de cestas de três feitas em uma só partida. Só ontem, Curry meteu 13 bolas em 17 tentativas. Nos sete primeiros jogos do ano, Klay fez 11 cestas de três em 53 arremessos.

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Thompson continua tentando bastante (é o quarto jogador que mais chutou de três no ano) e, com a presença de Kevin Durant, tem arremessado muito mais livre do que está habituado – segundo o tracking de arremessos do site da NBA, 60% dos seus chutes são feitos sem um marcador colado no seu cangote (isto é, com mais de 1,2 metro de espaço) e mesmo assim seu aproveitamento baixíssimo.

Para ter uma boa comparação, ano passado, quando arremessava menos livre, teve aproveitamento de 42% de longe. Neste ano, são 20%. Menos da metade.

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Sinceramente, não sei como isso pode ser explicado. O jogador e o técnico do time, Steve Kerr, afirmam que ainda é cedo e que logo as coisas vão voltar ao normal. Até acredito que sim. Mas, por enquanto, parece que Klay esqueceu como se arremessa.

 

 

Warriors atrás de uma nova identidade

Sem recordes, sem marcas a bater, sem oba-oba. A derrota na estreia do novo Golden State Warriors não é nada alarmante, mas sinaliza que o primeiro objetivo da equipe é encontrar uma nova identidade. Na primeira partida do campeonato, em casa, onde na temporada passada só foi derrotada uma vez e era quase imbatível nas últimas duas temporadas, o GSW foi derrotado com certa facilidade pelo San Antonio Spurs.

Mais preocupante do que o resultado, foi a diferença de performance em relação ao que era jogado pelo time anteriormente, com desempenhos ruins nos chutes de fora e nos rebotes, duas características muito fortes do Warriors campeão de 2015 e vice de 2016.

O time da casa arremessou 33 bolas de fora do arco e só acertou 7. Um aproveitamento que, se já é ruim nos números, fica ainda pior nas circunstâncias em que aconteceram, já que praticamente metade deles nem foram contestados pela defesa. Era de se esperar que com liberdade para pensar e agir, Curry, Thompson, Durant e Green acertassem mais – afinal, quem errava mil bolas livre era Harrison Barnes, que foi despachado da franquia.

Aproveitamento do Warriors nos arremessos de três

Aproveitamento do Warriors nos arremessos de três

O Warriors também foi massacrado nos rebotes. No geral, o Spurs agarrou 55 deles e o Golden State apenas 35. Aproveitamento baixo nos chutes e falta de rebotes é a receita certa da derrota. Nos pontos de segunda chance, gerados por rebotes ofensivos, a diferença foi ainda mais brutal: 24 a 4 para o San Antonio.

Em resumo, o Spurs até errava, mas recuperava metade das bolas no ataque. O Golden State também errava, mas não conseguia recuperar a posse da pelota.

Ainda que não dê para supervalorizar estes números – é apenas um jogo, o banco do Spurs estava muito inspirado, o do Warriors não -, indica que o Golden State precisa se acertar, especialmente para suprir a ausência de Andrew Bogut. O jogador tinha uma importância fundamental para impedir a recuperação de bola do adversário, por exemplo. Seus suplentes, Pachulia e West, pegaram 4 rebotes em 30 minutos jogados.

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A falta de rebotes no ataque também me parece um sintoma de um time que tem muitos chutadores abertos (Curry, Durant, Thompson e às vezes Green). Posicionados assim, fica quase impossível recuperar os chutes errados – e tem dias que a bola não cai mesmo.

De positivo, eu vejo a atitude assassina de Kevin Durant no novo uniforme. Se alguém imaginava uma versão mais tímida do jogador em um time estrelado (eu era um deles), estava enganado. Nos primeiros minutos de jogo, Durant ja mostrou que chegou para ser o dono do time. Chutou tudo que podia, lutou pela bola, marcou, deu toco.

Talvez seja o caso do restante do time se adaptar às novas funções. Green mesclar melhor os bloqueios no ataque para tentar livrar Thompson da marcação, se afundar no garrafão para brigar pela bola. Curry se movimentar para o fundo da quadra ao invés de transitar no topo do arco de três.

O estranhamento com os novos papéis é natural, afinal, dois titulares importantes da equipe não estão mais por lá. Dois jogadores que eram especialistas em algumas funções bem específicas.

Então, antes de qualquer coisa, o Golden State precisa se acostumar com sua nova formação. Este começo será tempo de reafirmar em alguns aspectos do jogo, reencontrar sua identidade.

[Previsão 16/17] Warriors: só o título interessa

Eu já escrevi há algum tempo aqui o quanto acho que a chegada de Kevin Durant ao Golden State Warriors consegue ser bombástica e cirúrgica ao mesmo tempo. O ala é um dos melhores jogadores do mundo. Ofensivamente ele é praticamente imparável. Defensivamente, quando quer, é monstruoso. E entra em um time que consegue trabalhar como nenhum outro para deixar seus arremessadores em excelentes condições e para defender intensamente o perímetro. Ainda que eu tenha torcido meu nariz quilométrico para a escolha de Durant, eu acho que não tinha lugar melhor para ele se encaixar.

A forma como as coisas se desenrolaram ano passado também serviu como um aprendizado para o GSW: bater todos os recordes possíveis, se tornar um time quase imbatível e cair de forma avassaladora na final é uma narrativa que vai martelar na cabeça dos jogadores para sempre. Se isso for usado para o bem, a equipe só tende a melhorar.

Não que o time vá bater o recorde insano de 73 vitórias na temporada regular. Acho até que é mais provável que pegue um pouco mais leve ao longo dos meses para chegar aos playoffs correndo menos riscos – as lesões de Curry no mata-mata também assustaram o time.

O histórico, inclusive, confirma esta tese. Dos últimos dez times que venceram 67 jogos ou mais ao longo da história, nove caíram de rendimento na temporada seguinte. Não necessariamente ficaram piores, mas é normal levar uma temporada com mais calma tentando se preservar para um mata-mata mais seguro.

Assim como o Spurs, ainda que em outra medida, o Golden State vai ter que se acostumar a jogar sem Andrew Bogut. Mesmo jogando poucos minutos, o pivô australiano era quem fechava a defesa dentro do garrafão para o time. Zaza Pachulia, o substituto, não tem a mesma habilidade na cobertura e na proteção do aro. Draymond Green vai ter que cobrir esta lacuna, com a ajuda de Durant. Não chega a ser um grande problema, mas é o único problema que me vem à mente.

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Há quem fale também em guerra de egos. Não acho que será um problema agora. É sempre difícil dissertar sobre a personalidade de um jogador que a gente só acompanha à distância, mas Durant parece ser um cara fácil de lidar e consciente do papel que tem que desempenhar para encaixar no time. Palpite puro, mas é a minha impressão.

Lá na frente, se o negócio desandar, pode ser que aconteça mesmo. Não existe harmonia que resista à frustração das expectativas – mas daí já é especular além do limite aceitável.

Por conta de tudo isso, não dá para esperar nada menos do que o favoritismo absoluto ao título da NBA.

Offseason
Warriors foi o grande vencedor da temporada de assinatura de free agents. Conseguiu fisgar o craque do ano, contra vários prognósticos. Ainda se saiu relativamente bem quando teve que bolar uma ‘engenharia dos salários’ para acomodar Durant na sua folha de pagamento – conseguiu Zaza Pachulia por ínfimos (na NBA de hoje) 2 milhões de dólares.

Time Provável
PG – Stephen Curry / Shaun Livingston
SG – Klay Thompson / Ian Clark
SF – Kevin Durant / Andre Iguodala
PF – Draymond Green / David West
C – Zaza Pachulia / Anderson Varejão / Javale Mcgee

Expectativa
Atual recordista de vitórias em uma única temporada da NBA, time do MVP dos dois últimos anos e equipe que arregimentou o principal jogador da offseason. Só o título interessa, não?

Encaixe quase perfeito para um time quase imbatível

Eu já falei aqui que me decepcionei com a escolha de Kevin Durant de se juntar ao Golden State Warriors. Fosse eu, faria diferente. Mas, sei lá também, ele sabe o que faz da vida e agora a escolha já foi tomada. Resta aos torcedores dos outros 29 times secarem o time de São Francisco porque, ao meu ver, Durant leva ao Golden State exatamente o que o time precisava para se tornar quase imbatível. Para a tristeza de muitos e alegria de alguns, a equipe vira uma máquina.

É difícil fazer um prognóstico mais detalhado sem saber o desfecho da negociação de Andre Bogut, que deve ser trocado, e, principalmente, como o time vai encontrar um pivô para recompor seu quinteto titular. Mas independente disso, já dá para imaginar que a death lineup do Warriors será ainda mais filhadaputamente mortal com Kevin no lugar do CRAQUE INCOMPREENDIDO Harrison Barnes.

Bom, para resumir tudo, só relembro aqui que o Warriors perdeu por um jogo e Barnes chutou 9 de 29 nos arremessos de três – a maioria esmagadora deles livres. Tivesse só um braço de Kevin Durant no lugar, eu garanto que o dobro de bolas cairiam nas mesmas condições.

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Fodeu pra todo mundo galera, corram enquanto ainda há tempo

Mas é isso, eu não vejo um time mais forte na história do que esse quinteto do Warriors. Fãs do Bulls dos anos 90, Lakers e Boston dos anos 80 que me perdoem, mas o GSW do ano passado já estava na conversa para ser tão bom quanto esses e agora adicionou o maior pontuador nato que o basquete tem nesta geração (e tão bom quanto Jordan e Chamberlain nisso, tanto é que tem a terceira média na história em pontos por partida na carreira).

Para se ter uma ideia do poder de fogo, o GSW da próxima temporada reúne os jogadores que ganharam os últimos três títulos de MVP e cinco dos últimos sete títulos de cestinha da temporada.

Não vejo como a combinação possa dar errado. Durant tem as características do time, tanto no ataque quanto na defesa. É a alternativa para carregar a bola que foi Draymond Green nas últimas duas temporadas, mas com mais talento. É um chutador sensacional como os colegas Stephen  Curry e Klay Thompson. Longilíneo o suficiente para desafogar Green e Iguodala na defesa.

Também não imagino que vá faltar bola para este time, pois imagino que Klay Thompson é um jogador que pode se dar muito bem como spot up shooter (aquele jogador que se movimenta sem a bola em busca do melhor espaço para arremessar) e não é um cara que precisa segurar a bola para aparecer no jogo. O mesmo eu penso de Draymond Green, que é ainda melhor fazendo o trabalho sujo no weak side (lado da quadra em que a bola não está), com bloqueios fora da bola justamente para Thompson ou para a dupla Durant/Curry.

Seja lá quem o time for usar como pivô titular, imagino um encaixe perfeito de Durant neste time e, veja só, é um dos melhores jogadores se encaixando perfeitamente na melhor equipe da atualidade (aquela que bateu o recorde histórico de vitórias em uma temporada…).

Mesmo assim, o time não é imbatível. Spurs acabou de assinar com Pau Gasol, um jogador que parece que deveria ter ido para San Antonio há dez mil anos pelo seu estilo de jogo, e Cleveland Cavaliers mostrou que é um time que pode se superar num embate de playoff contra uma equipe mais forte.

Resta esperar. Mas a próxima temporada vai ser Golden State Warriors contra a rapa.

Em defesa do Warriors: nem tudo se resume a um título

Não estou querendo minimizar o título do Cleveland Cavaliers. A equipe foi a melhor possível na sua conferência na temporada regular, foi devastadora nos playoffs do Leste e virou uma série de maneira história. O Cavs é o grande e merecido campeão deste ano. Mas eu quero chamar a atenção para a equipe que perdeu e que será muito mais contestada do que merece simplesmente por ter sido derrotada na final do campeonato.

Eu acho que é algo que está na definição do esporte – os times e atletas jogam para vencer -, mas que a cultura americana eleva a níveis um pouco reducionistas: tudo se justifica pela vitória e nada tem valor na derrota. A discussão da grandeza dos jogadores se inicia na contagem de títulos. Uma equipe só pode ter sido foda se venceu campeonatos.

Eu discordo. Acho que os feitos partem das grandes histórias, que se tornam ainda maiores se consagrados com os títulos. Bom, tudo isso para dizer que o fato de ter perdido um jogo 7 no último minuto não faz este time do Golden State Warriors uma merda, uma equipe “que nem pegaria playoffs nos anos 80 e 90”. Se por um acaso o arremesso de Irving não tivesse caído, na posse seguinte Curry tivesse metido uma cesta e o Warriors fosse o campeão, eu continuaria achando a caminhada do Cleveland sensacional, Lebron James ainda seria o melhor jogador desta geração, Irving ainda seria um endiabrado e etc.

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JR Smith e Matthew Dellavedova são campeões, mas e dai?

A verdade é que o Warriors das últimas duas temporadas é um time sensacional, que bateu uma porrada de recordes e que mudou alguns conceitos do jogo para sempre (pode ser mais importante ser um time baixo e móvel do que alto, arremessos longos da linha de três são muito melhores do que arremessos longos valendo dois pontos e etc). Eu discordo veementemente de que a campanha recordista de 73 vitórias não importa sem o título: para sempre TODOS os times da NBA vão jogar meses atrás deste recorde, até que alguém consiga batê-lo.

Sobre esse lance de resumir TUDO ao título, vale lembrar que Matthew Dellavedova foi campeão e Charles Barkley não. JR Smith tem uma foto com o troféu e Kevin Durant e Chris Paul ainda não tem. Allen Iverson, Elgin Baylor, Reggie Miller e Karl Malone tiveram uma carreira sensacional, vitoriosa e são dos melhores de todos os tempos mesmo sem um anel.

Fazendo todas estas ressalvas contra aqueles caras que adoram se odiar e menosprezar o jogo que assistem, eu vejo o resultado de ontem com bons olhos. Um time que parecia imbatível, caiu. Há dois meses, parecia que o campeonato já estava decidido. Hoje, temos a certeza de que ano que vem uns seis times têm plenas condições de lutar pelo título, mesmo que um desponte na temporada regular. É por isso que este esporte é sensacional. Pena que acabou por este ano.

Mudar a distância da linha de três pontos é uma besteira

O ~polemiquinho dono do Dallas Mavericks Mark Cuban deu a ideia (e muita gente comprou) de aumentar a distância da linha de três. Segundo ele, os jogadores chegaram a um nível de precisão em que seria necessário mover a linha uns dois passos para trás para dificultar o acerto, espaçar o jogo próximo à cesta e dar mais opções ofensivas para as equipes.

Primeiro é preciso entender o momento. Realmente, nunca se chutou tanto de fora. Com o crescimento dos analytics, as comissões técnicas criaram a convicção de que só existem dois tipo de arremessos que valem o risco de serem feitos: bandejas e enterradas fáceis ou chutes de três.

Seriam os únicos dois casos em que a recompensa vale o risco de arremessar a bola e perder a sua possa no caso de um erro. No primeiro caso, em mais de 70% das tentativas o time consegue os dois pontos. No segundo, em 35% das vezes o time consegue sair com três pontos. Com isso, aniquilou-se os arremessos longos de dois pontos, que têm um aproveitamento de acerto parecido com os chutes de três, mas com uma recompensa menor – afinal, o ataque sai com dois pontos ao invés dos três.

pontos por arremesso

Parece muito óbvio ao se falar assim, mas por décadas a ideia de ataque da NBA foi diferente. Nos anos 90 e 80, quando o basquete americano tomou a forma que conhecemos hoje, boa parte do jogo era baseado nos jump shots – isso porque o garrafão era uma área mais inóspita, digamos assim, para as infiltrações e os arremessos de três eram considerados alternativas desesperadas para pontuar.

Assim, a proporção de arremessos de três tem crescido ano após ano. Hoje 28% das tentativas de arremessos acontecem de trás da linha, o dobro da média dos anos 90 e dez vezes mais do que nos anos 80, quando a linha foi criada e colocada em quadra.

arremessos de tres

Proporção dos arremessos de três em comparação com o total de chutes ao longo dos anos

Durante três temporadas nos anos 90, a linha de três ficou menor. A NBA aproximou a marca e deixou na mesma distância da linha dos campeonatos universitários e do basquete mundial. Só nestes anos, a proporção de chutes de três teve um salto. A liga, no entanto, recuou da decisão e afastou a linha novamente em 1997.

Bom, tendo este cenário todo bem claro, eu posso dizer que acho uma tremenda besteira mover a linha de três pontos. Como qualquer esporte, o basquete tem seus modismos. Com eles, algumas convicções – que depois de alguns anos vemos que boa parte delas eram furadas. Hoje a impressão que temos é que os caras conseguem meter bolas de qualquer ponto da quadra. Acho uma tese furada. Primeiro que estamos ‘contaminados’ pelos arremessos mirabolantes de Curry, Lillard e outra meia dúzia de gatos pingados que estão em uma temporada excepcional, mas esquecemos o quão difícil é converter este tipo de arremesso. Segundo que para cada cesta daquelas, há uma série de tentativas frustradas (exceto Curry, que mantém um bom aproveitamento quase do meio da quadra). As porcentagens comprovam que o aproveitamento destes chutes tem se mantido na média histórica dos últimos 20 anos – por que então só agora mudaríamos a distância da linha, se os acertos são os mesmos?

É preciso lembrar que qualquer mudança neste sentido proporciona uma mudança brutal no jogo, com possibilidade de transformarmos o jogo inteiro. Será que vale a pena? Nos anos 90, na era de ouro dos pivôs, todos os times jogavam com dois ‘seven footers’, ou seja, dois grandalhões com mais de 2,10 plantados de baixo da cesta. O jogo se resumia a passar a bola pra esses caras, que giravam e metiam a bola na caçapa. Shaquille Oneal era o Curry daquela geração: imparável. Em um determinado momento cogitou-se aumentar a altura do aro para dificultar o trabalho destes caras, que na ponta do pé já conseguiam colocar a bola na cesta.

Por uma obra divina que trouxe lucidez a todos naquele momento, não fizeram isso. O basquete sobreviveu 100 anos com o aro na mesma altura e uma mudança deste tipo impactaria em uma mudança total na mecânica de chute, no posicionamento dos rebotes, na plástica das jogadas e tudo mais. O esporte seria transformado completamente – e por preciosismo, já que hoje a convicção de que se deve jogar com dois pivôs mudou e ninguém mais fala em aumentar a altura do aro.

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Só Curry tem um aproveitamento decente do meio da quadra: vale a pena mudar a regra por causa de um jogador?

A tese de que o jogo está muito previsível, só com duas jogadas, também é furada para mim. Nunca houve uma variação tão grande de jogo de contra-ataque e jogo de meia quadra – enquanto antes a NBA só jogasse ou de um jeito ou de outro. Nunca os pivôs precisaram sair tanto do garrafão para marcar outros pivôs que chutam de fora ou cobrir pick’n’roll – espaçando o jogo para alas e armadores infiltrarem.

Ao meu ver, existem regras e situações que são muito mais urgentes para que sejam revisadas, como o abuso das faltas sem a bola nos jogadores com baixo aproveitamento nos arremessos da linha de lance-livre. Isso atrapalha muito mais o jogo do que a chuva de chutes de três – que, além de tudo, ainda são empolgantes e bacanas de assistir.

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