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[Previsão 17/18] Knicks: os dois últimos dramas

Não tem como a temporada que está para começar ser mais enrolada, mais dramática do que a última para o New York Knicks. Isso não é necessariamente uma boa notícia. Só não é tão trágico quanto foram os últimos meses da franquia: assinatura com veteranos contestados, as invenções de Phil Jackson, o sumiço de Derrick Rose, a briga de Jackson e Carmelo Anthony, a insatisfação de Kristaps Porzingis… É difícil bater um roteiro tão caótico quanto este, mesmo.

A saída de Jackson e de Rose já solucionou boa parte dos problemas do time. Agora, a franquia só precisa solucionar duas coisas que ainda estão pendentes para que siga adiante: resolver o pedido de Carmelo Anthony para ser trocado e acalmar Porzingis.

O primeiro nó esta mais perto de ser desatado. O jogador, que tem uma cláusula contratual que permite que ele só seja negociado com a equipe que quiser, já manifestou a vontade de se unir a James Harden e Chris Paul no Houston Rockets. O impasse é que o Knicks ainda não encontrou uma compensação que valha a pena. Mesmo que isso venha se arrastando há meses, a direção do NY pelo menos tem um norte aqui. Na pior das hipóteses, vai se desfazer de seu jogador por um pack de menor valor.

A outra treta é um pouco mais delicada. Kristaps é o futuro da equipe e deveria estar mais tranquilo agora que Phil Jackson se foi. Não é o que alguns insiders dizem. Correm os boatos que Porzingis e o técnico Jeff Hornacek não nutrem um sentimento, digamos, de carinho mútuo. O problema seria a diferença de personalidades e a forma que o comandante encontrou de reafirmar sua liderança perante o elenco, repreendendo Porzingis de mais e seus colegas de menos, o que incomodou o letão.

Se for só isso mesmo, eu acho uma puta besteira. Coisa de técnico novo e jogador inexperiente. No entanto, não dá para saber ao certo. Se o desentendimento realmente existe e se desenrolar ao longo da temporada, o front office precisará fazer algo para não prejudicar o desenvolvimento do seu time.

(Nathaniel S. Butler/NBAE via Getty Images)

Isso solucionado, o Knicks estaria em condições de se desenvolver em um time interessante para os próximos anos, com a vantagem de ter jovens jogadores que já entregam bons resultados, como Willy Hernangomez, um achado.

Offseason
Foi um período em que o Knicks não concretizou muita coisa. Tentou muito trocar Carmelo Anthony, mas não fechou nenhum negócio que interessasse ao time e ao jogador – que tem o poder de veto. Na prática, apostou em Tim Hardaway Jr – um ‘move’ que tem tudo para dar errado, mas que, vá lá, tem alguma chance mínima ainda de surpreender, visto que ele foi razoavelmente bem no Atlanta Hawks.

Time Provável
PG – Ron Baker/ Frank Ntilikina/ Ramon Sessions
SG – Tim Hardaway Jr/ Courtney Lee
SF – Carmelo Anthony/Lance Thomas
PF – Kristaps Porzingis/ Michael Beasley/ Mindaugas Kuzminskas
C – Willy Hernangomez/ Joakim Noah/ Kyle O’Quinn

Expectativas
Existem algumas condicionantes que ainda podem alterar o provável desempenho do Knicks neste ano. Se Carmelo ficar para jogar o que sabe, o time pode brigar pelas últimas vagas de playoffs até. O mesmo pode acontecer se o troco pelo jogador for bom para contribuir de imediato. No entanto, brigar por uma vaga no final dos playoffs talvez não seja a melhor opção para o planejamento a médio prazo e talvez o time escolha tentar subir algumas posições no draft do ano que vem com uma campanha ruim nesta temporada.

Lendas Urbanas da NBA: A conspiração que levou Ewing ao Knicks

A história que muitos acreditam ser a verdade por trás da ida de Patrick Ewing ao New York Knicks muito possivelmente foi escrita por Gunther Schwiter, o cara que ficou conhecido como o autor do texto que denunciava o grande esquema que deu o título da Copa do Mundo de 98 para a França.

O ano era 1985 e David Stern completava um ano no cargo de comissário geral da NBA. Ele assumiu o cargo uma temporada antes com duas missões muito claras: tornar a liga mais competitiva e alavancá-la financeiramente.

A NBA não era o campeonato que temos como referência hoje, uma liga rica, mundialmente reconhecida e tudo mais. Era apenas o torneio do quarto esporte americano, mais novo de todos, com menos audiência e com a maior concentração de campeões em toda a sua existência.

Um dos maiores problemas era que dos 23 times que estavam em ação, uns seis jogavam descaradamente para perder e tentar a sorte no draft ao final da temporada. Logo, os 82 jogos da temporada regular quase não serviam para nada, já que praticamente todo mundo que estivesse interessado no mata-mata conseguia se classificar – se hoje o tanking já é chato, imagina naquela época.

O método vigente naquele momento para escolher o time que teria a primeira pick no draft era um banal ‘cara ou coroa’ entre os dois times de pior campanha no torneio anterior, um de cada conferência. Ou seja, perder de propósito era bastante recompensador e muitos times apostavam nesta estratégia para, no futuro, virarem forças dominantes como eram o Boston Celtics e o Los Angeles Lakers. Para piorar as coisas, o Houston Rockets tinha conseguido a primeira escolha em dois anos consecutivos, o que automaticamente já mudava seu patamar na liga.

Stern até vinha negociando um contrato gordo de televisão, um de seus objetivos iniciais para dar visibilidade ao basquete, mas muita gente questionava se ele se confirmaria caso, em quadra, os times continuassem sendo incentivados a perder. Para completar, um prodígio era dado como certo para a primeira escolha de 1985: Patrick Ewing, um pivô fenômeno do esporte universitário que estava pronto para colaborar imediatamente para qualquer time que o pegasse.

Para que a chegada de Ewing à competição não fosse desperdiçada em um draft mais uma vez sem graça e o hype ao seu redor não caísse em um time medíocre, Stern inventou um modelo de sorteio mais imprevisível. Naquele ano, todos os oito times que ficaram de fora dos playoffs teriam as mesmas chances de pegar a primeira escolha. Sete envelopes seriam colocados dentro de uma caixa e a ordem das escolhas seria definida a partir da sequência em que eles fossem retirados, simples assim.

O New York Knicks, por sua vez, vinha da sua pior campanha em muitos anos. Bernard King, ídolo local, tinha passado metade da temporada lesionado e o Madison Square Garden, maior palco do basquete, vinha registrando recordes negativos de público. O time de Nova York inha sido o terceiro pior time da temporada e iria para a loteria do draft ao lado de Indiana, Golden State, Clippers, Kansas City, Atlanta e Seattle.

O burburinho começou a crescer quando as regras do sorteio foram anunciadas e tomaram corpo quando o New York Times soltou um artigo dizendo que seria muito mais fácil renovar o contrato de transmissão da tevê nos termos negociados por Stern caso Ewing fosse jogar na Meca do basquete.

O cenário era perfeito para os paranoicos confabularem. A tensão que permeava o novo sistema de escolha só piorava as coisas. A dinâmica do sorteio e, pior, da divulgação do seu resultado era ainda mais cretina: valeria o sorteio feito por Stern, mas ele seria divulgado de trás para frente, da pior para a melhor posição. Um suspense tremendo para confirmar o que muita gente ‘já sabia’.

A mecânica do negócio também abriu margem para dúvidas. Os sete envelopes gigantes foram colocados em sequência, sem passar por uma conferência externa, dentro de um globo de plástico não grande o suficiente para que os papéis girassem enlouquecidamente lá dentro. Alguns deles, o escolhido, inclusive, se dobraram com o movimento. Tudo isso serviria como argumento posterior para comprovar aquilo que seria uma fraude: sem uma conferência externa, o envelope do Knicks poderia estar em uma temperatura diferente dos demais ou uma daquelas dobras era, na verdade, uma marcação para indicar a Stern qual das cartelas deveria escolher.

Para piorar as coisas, David segura dois envelopes de uma vez, em uma fração de segundos nota que pegou mais do que deveria e descarta um deles. O escolhido, óbvio, é o do New York Knicks.

Olhando bem o acontecido, eu diria que tem que ser muito maluco para achar que tudo ali foi calculado. Toda a sucessão de eventos parece bem casual e a ‘sorte’ de Stern e da NBA de Ewing cair bem na franquia em que ele seria melhor aproveitado comercialmente não passa de um acaso e do resultado de um formado de sorteio bem ruim – tanto é que em 1987 o esquema teve algumas alterações, fazendo com que apenas as três primeiras escolhas fossem decididas na escolha aleatória dos envelopes e em 1989 o método foi completamente abandonado de vez.

A NBA também não foi salva exclusivamente pela dobradinha Knicks e Ewing – principalmente se comparados ao impacto da Nike, das tevês, da abertura da NBA para o mundo e, principalmente, de Michael Jordan. Mas é claro que é muito mais legal perpetuar uma história como essa.

Os possíveis destinos de Kyrie Irving

Não sou muito afeito a isso, mas dado o terremoto causado pelo anúncio de que Kyrie Irving pediu para ser trocado e a falta de notícias na liga neste período do ano, fazer um exercício de achismo total sobre o destino do jogador pode ser divertido.

Antes de analisar quais times poderiam se interessar numa troca por Kyrie, qual deles deveriam realmente se esforçar em uma negociação e o que poderia seduzir o Cleveland Cavaliers, é preciso fazer um esclarecimento muito importante – que muita gente tem ignorado por aí: Irving NÃO TEM poder sobre o seu futuro neste contrato atual (que vai até 2019). O Cavs é que decide para onde ele vai e SE vai para algum lugar. Por mais que o jogador tenha supostamente indicado alguns destinos de sua preferência, o que vai determinar esta negociação é qual o melhor troco que o Cleveland consegue.

O fato de Carmelo Anthony estar nas conversas para trocas há algum tempo pode causar alguma confusão neste sentido. O ala do Knicks tem uma cláusula em seu contrato dizendo que ele não pode ser trocado sem sua ciência e aprovação. Na prática, ele que escolhe se e para onde pode ser negociado. Mas pouquíssimos jogador têm termos deste tipo nos seus contratos – e Kyrie não é um deles. Logo, tudo depende da conveniência e boa vontade do Cavs.

Bom, sobre as suposições a seguir, lembrem que é só um exercício completo de achismo. Como vocês verão, acho bem difícil que saia algum negócio. Portanto, todas as propostas de trocas são absolutamente hipotéticas. Ah, e não considerei trocas envolvendo três times para não entrar em um espiral infinito de possibilidades.

Vamos às hipóteses que eu considero mais realistas:

Continua no Cleveland

Por mais que o jogador tenha pedido a negociação, o time pode não seguir esta recomendação. A verdade é que não sabemos o exato teor da conversa e como anda a relação do jogador, colegas e franquia. Não se sabe o quão urgente é essa saída, por exemplo. Com as trocas de Jimmy Butler, Paul George e Chris Paul, os nomes mais interessantes disponíveis já foram realocados, reduzindo as possibilidades do Cleveland conseguir algo de valor equivalente em troca.

Mesmo em um cenário em que Kyrie quer sair para se antecipar a um movimento do Lebron no ano que vem, acho que o mais prudente seria tentar segurar o grupo junto por mais uma temporada. Ir para o tudo ou nada. Um improvável título poderia mudar as coisas de cenário, também. Não vejo muito risco para o Cleveland apostar nisso.

New York Knicks

Dentre os times preferidos de Irving, o Knicks é o menos ameaçador para o Cavs. Logo, seria mais inteligente privilegiar a franquia, caso fosse mesmo atender o pedido do armador. Também atenderia melhor a vontade de Kyrie de ser dono do time, além de formar uma dupla animadora com Kristaps Porzingis. A chance de rolar jogo aqui é convencer Carmelo a ir para Cleveland – os reports dão conta que hoje o jogador está determinado a ir para Houston.

O desafio maior seria fazer os salários baterem, já que Irving recebe menos que Anthony e o Cavs está absolutamente afogado além do limite salarial – portanto, não pode receber contratos maiores do que os que está enviando. Neste caso, precisaria envolver mais jogadores no rolo.

Coloquei aqui Iman Shumpert na negociação. Ele perdeu algum espaço no time na última temporada e seria ‘muito Knicks’ repatriar um cara desse tipo em algum momento. Mas poderia ser qualquer outro cara desse calibre.

Chicago Bulls

Bom, aqui vou seguir o raciocínio de que o Cleveland iria preferir mandar Kyrie para times que não o ameaçam. Usando como critério que Lebron James MEIO QUE MANDA no Cavs e quer jogar com seus amigos, uma troca possível seria com o Bulls pelo Dwyane Wade. Não acho que seria a negociação mais inteligente para qualquer um dos lados, mas dá para imaginar uma reunião entre os jogadores ainda saudáveis do Big3, assim como acharia bem provável o Bulls fazer algo bem incoerente com seus últimos movimentos (que no caso seria pegar mais um point guard).

Wade também recebe um salário maior do que Kyrie, o que demandaria algum ajuste para que a negociação saísse do papel. Como os contratos são mais parecidos, qualquer troco do Cavs já seria suficiente.

Denver Nuggets ou Phoenix Suns

Acho possível que o Cleveland tope conversar com algumas equipes, digamos, ‘periféricas’ da conferência Oeste. Denver e Phoenix são dois times que estão bem empenhados em se reforçar e a adição de ‘star power’ poderia elevar consideravelmente o patamar das equipes.

O Suns tem sido envolvido em várias suposições, muitas delas em trocas de três times. O nome mais cotado para sair do time, neste caso, é Eric Bledsoe. Além dele estar meio descontextualizado no atual elenco do Suns – que tem duzentos jogadores sub-21 -, acredito que teria um encaixe interessante ao lado de Lebron. Seria um downgrade para o Cavs na armação, mas também uma oportunidade de se reforçar na defesa e pensar em um esquema diferente para parar o Golden State Warriors.

Para compensar as coisas, simulei a ida de Dragan Bender para Cleveland, já que tornaria a proposta bem mais interessante para o time. Como o jogador não performou o esperado nos primeiros meses de jogo, acho que seria a aposta mais dispensável do Suns.

Vejo o Denver Nuggets mais ou menos na mesma situação. O time quer muito um armador e tem muita gente para, eventualmente, formar um pacotão para o Cavs. A vantagem aqui é que o Denver tem bastante gente nova e com contratos baratos para oferecer. Caso o front office do Cleveland sinta que é inevitável a saída de Lebron no ano que vem, seria um primeiro passo interessante para formar um elenco jovem e promissor para o futuro sem ter que passar por um traumático processo de tanking.

Ajuda o fato que Nuggets e Cavaliers já vinham se falando para uma possível troca envolvendo Kevin Love. Logo, é possível que alguns atletas do Colorado interessem ao Cavs.

Miami Heat ou Milwaukee Bucks

Seria bem irônico o desmoronamento do Cleveland passar por Miami. Por mais que eu não acredite que o Cavs vá entregar seu segundo melhor jogador para um rival assim, este é um dos destinos preferidos de Kyrie, então é preciso ao menos considerar a possibilidade.

Só consigo imaginar alguma coisa saindo aqui se o Heat mandasse Goran Dragic e algum dos seus jovens talentos. Como desprezo completamente Josh Richardson e Tyler Johnson, simulei aqui com Justise Winslow, um desejo hipster de vários times da NBA quando entrou na liga, mas que passou boa parte da última temporada lesionado. Mesmo assim, não acredito numa troca assim.

Coloco no mesmo bolo o Milwaukee Bucks porque o time é um rival direto do Cavs que seria automaticamente alçado ao posto de favorito no Leste caso Kyrie desembarcasse por lá. Considerando o fato que o time não tem armadores que sejam do mesmo nível do resto do elenco, acho que o Milwaukee gostaria de contar com Irving no time.

A pegada aqui é dar alguma juventude ao Cavs, em um esquema parecido ao que fiz com o Denver – sem que o Bucks abrisse mão das suas principais apostas para o futuro. Não acho provável, mas…

San Antonio Spurs e Minnesota Timberwolves

Por fim, fecho a lista de especulações (que saíram da minha cabeça exclusivamente) com dois dos times que completam a lista de preferências de Kyrie. Acho até plausível que o Cavs considere mandá-lo para a conferência Oeste, mas a chegada do armador a qualquer uma destas equipes poderia fazer delas rivais reais do Golden State Warriors, tirando do Cleveland o posto de segunda melhor equipe da liga.

O Minnesota tem o empecilho que Jeff Teague, novo armador do time, só pode ser trocado em dezembro – e não vejo muita possibilidade de uma negociação sair ali sem envolvê-lo. Em todo caso, dá para brincar imaginando algo meio surreal levando Andrew Wiggins ao time que o draftou há três anos. Acho que seria ruim para o Cavs e não seria algo da vontade do Wolves, mas não consigo pensar em outra coisa – o time de Minneapolis não colocaria Towns ou Butler no negócio, acho.

Fiz uma troca meio nada a ver considerando que Wiggins está negociando uma extensão gigantesca de contrato e os valores salariam podem mudar nos próximos dias.

Spurs é outro time que vem sendo cotado nas conversas. Não acho que Irving, apesar da qualidade, seja o armador dos sonhos da franquia e nem que o cenário ao lado de Kawhi seja o mais apropriado para um cara que quer ser franchise player. Em todo caso, o time parece que tem ouvido propostas por Lamarcus Aldridge e uma mudança neste sentido não seria a coisa mais absurda do mundo – apesar de muito improvável.

Por tudo dito acima, apesar das propostas, acho bem difícil que Kyrie saia já. Mas é um bom assunto para ocupar o vazio da offseason.

O Phil Jackson de antes e o Phil Jackson de hoje

Phil Jackson é um dos caras mais vencedores da NBA. Foram dois títulos como jogador do New York Knicks, seis como técnico do Chicago Bulls e outros cinco no comando do Los Angeles Lakers. Não existe na folha corrida de personalidades da liga alguém com um currículo tão avassalador quanto o dele. E todas estas vitórias vieram marcadas com alguns selos. Enquanto jogador, Jackson era o símbolo máximo de um time que representava a inovação do basquete, a velocidade, a colaboração em quadra, a multiplicação de tarefas. Um hippie liberal por convicção ainda jovem, Phil Jackson se transformou em um Mestre Zen quando treinador – uma característica fundamental para lidar com tantas estrelas ao mesmo tempo (Michael Jordan e Scottie Pippen, Kobe Bryant e Shaquille O’neal, por exemplo).

Nesta semana, este cara que já foi tão tranquilo, com uma cabeça tão arejada de novas ideias, tão bom na gestão de pessoas foi demitido do posto de presidente do New York Knicks. Além da franquia enquanto organização ser uma zona completa, Jackson foi degolado por aplicar uma filosofia justamente contrária a tudoaquilo que sempre vendeu como essencial para o basquete. O Phil Jackson do Knicks, que falhou miseravelmente, era um senhor retrógrado, de cabeça dura e que foi péssimo na lida com seus melhores jogadores.

Algumas passagens deste período de três temporadas junto do Knicks foram emblemáticas para mostrar que o Phil Jackson de hoje pouco tem a ver com aquele de antes. Ao tentar impor goela abaixo que Derek Fisher era um cara com calibre para ser técnico pelo simples fato de ter sido seu armador por anos, sem qualquer experiência ou indício comprovado de vocação para o cargo, Jackson mostrou que achava que sua simples benção seria suficiente para fazer as coisas virarem. O mesmo quando desistiu de Fisher (que teve a pior campanha como técnico da história da franquia) e colocou o fantoche Kurt Rambis, um dos caras mais desastrosos a comandar times à beira da quadra. O cúmulo foi quando Jackson ventilou a possibilidade dele comandar a equipe do banco de reservas nas partidas do Madison Square Garden e Rambis acompanhar os times mas viagens. O resultado era um grupo de jogadores insatisfeitos e confusos diante da soberba.

Jackson também conseguiu cagar com o clima da equipe e irritar os dois maiores ídolos recentes do Knicks. Primeiro com Carmelo Anthony, ao forçar a barra para o jogador ficar insatisfeito a ponto de cogitar pedir para ser trocado, falando que o futuro do time seria melhor sem Melo – é preciso explicar que o jogador tem uma cláusula que pode vetar as trocas (coisa que Jackson incluiu no contrato de renovação do atleta!), portanto, ele só sairia do Knicks se quisesse. Depois com Kristaps Porzingis, ao ventilar uma troca com o jogador com os outros times – por mais que tenha pedido um retorno bem alto.

Aliás, foi escolher Kristaps Porzingis que deu sobrevida a Jackson, que já vinha fazendo uma série de negociações bem questionáveis. Mas ao acertar na escolha do letão, muita gente achou que Jackson tinha um plano secreto de salvação da franquia. Plano este que consistiu na assinatura de um contrato de quatro anos e 72 milhões de dólares com Joakim Noah, um pivô que mal consegue entrar em quadra atualmente; a contratação de um Derrick Rose completamente desinteressado, a ponto de um dia simplesmente não aparecer no ginásio para jogar; e se livrar de jogadores com uma certa utilidade na liga (JR Smith, Iman Shumpert, Tyson Chandler, Tim Hardaway, Raymond Felton, Robin Lopez) por trocos irrelevantes. Diante disso, a escolha por Porzingis parece mais um golpe de sorte do que uma atitude pensada.

Por tudo isso, eu até acho irrelevante a insistência no triângulo ofensivo como esquema de jogo. Claro que é um indício ruim que um presidente de franquia baseie todas as suas decisões em um estilo de jogo apenas, mas os conceitos do triângulo mudaram o basquete há algum tempo de tal modo que muitos times e jogadores da liga bebem desta fonte, mesmo sem saber – o que não faz dele, isoladamente, um problema.

Como o Knicks é um desastre total, até uma decisão acertada como esta foi feita da pior maneira possível. Ao invés de se livrar de Jackson no começo da offseason, o time esperou que ele escolhesse um jogador no draft do seu gosto (deixando passar jogadores, digamos, mais populares) e se livrou de Phil a poucos dias do começo do período de assinaturas de novos contratos. Seja lá quem vier, terá pouco tempo para tomar ciência de tudo e planejar a equipe para o ano que vem.

Mas é fato que não dava para continuar com Phil Jackson. Pelo menos não este senhor teimoso, antiquado e cheio de ideias erradas – bem diferente daquele Phil Jackson multicampeão.

O Knicks de hoje é o karma de Carmelo Anthony

A cada momento me parece que uma mudança de ares é o único caminho saudável para a carreira de Carmelo Anthony.

O melancólico jogo de ontem, com quatro prorrogações e a derrota do Knicks, soa como um sinal disso. Partida em Atlanta com arbitragem caseira e mesmo assim o Knicks conseguiu sobreviver por quase 70 minutos. Foram 23 mudanças de liderança no placar e 21 empates. Por parte do time de Nova York, dos dez caras que entraram em quadra, quatro foram eliminados por falta (Carmelo um deles) e outros dois ficaram pendurados. Nos últimos segundos do quarto overtime, Courtney Lee, um dos poucos titulares sobreviventes, teve a chance de empatar a partida duas vezes, mas foi vencido pela imprecisão e pelo cansaço.

O Knicks fez muita merda nas últimas semanas e a franquia está uma zona completa, mas mesmo quando o time luta, se esforça e se doa, a coisa não tem ido pra frente.

Ainda que seja Derrick Rose o cara mais descompromissado com a franquia, que Joakim Noah esteja totalmente aquém do que já jogou e até Kristaps Porzingis que tenha oscilado tremendamente (o que é normal para um jogador jovem, diga-se), é sobre Carmelo Anthony que recaem maior parte das críticas.

Até entendo que ele seja o líder da equipe e tudo mais, mas o time não chegou a esse ponto por causa dele.

Por conta dos seus 32 anos e da natural queda no atleticismo, é normal que seu jogo mude. A explosão nas infiltrações desapareceu, é verdade, mas Melo continua dando conta do jogo de perímetro, continua eficiente na briga pelo rebote e até mostrou uma qualidade desconhecida na troca de passes com a chegada de Porzingis ao time.

Ano passado, quando a torcida estava empolgada com o então calouro, Anthony foi até enaltecido por estas mudanças. O problema foi que neste ano o Knicks pretensamente formou um time de medalhões (um ‘supertime’, como batizado por Derrick Rose, à sua maneira, com tudo que há de negativo nisso).

Desde que a coisa desandou, a partir do Natal, e o Knicks emendou a péssima sequência de 5 vitórias e 15 derrotas, caindo na classificação,  vigília sobre Carmelo aumentou. As críticas de que ele não se esforça, não decide e não quer saber mais de basquete são frequentes. É raro que alguém diga que, na verdade, neste período o jogador tenha aumentado sua média de pontos para 25 por jogo e o Knicks tenha melhorado quando ele está em quadra (diferente de Rose e Kristaps, que acumulam mais pontos sofridos do que feitos quando estão jogando).

Além disso, partiu das mãos deles o chute da vitória contra o Hornets e a cesta do empate no tempo normal contra o Hawks, ontem. Mesmo no lamaçal, é ele quem decide.

Não defendo que o futuro da franquia vá ser melhor com ele. Realmente o time tem que cercar Porzingis de talento para os próximos anos. Mas, nesta temporada, não me parece que a culpa do naufrágio do Knicks seja dele. Dentro das suas limitações, Carmelo tem sido o melhor jogador do time – mesmo que não exista este reconhecimento.

Por último, também acho bem injusto que ele seja crucificado por ter escolhido ficar em Nova York por todos estes anos. Raramente vou condenar um cara por lealdade a uma camisa. Além disso, Carmelo apostou na evolução do time e na capacidade de Phil Jackson montar um time competitivo – o que não aconteceu.

Diante disso, acho que Carmelo tem mais a perder ficando no Knicks do que o Knicks ficando com Carmelo. Essa zona toda, me parece um karma pela insistência dele numa franquia que às vezes parece não ter jeito. É hora de uma mudança de ares.

A novela New York Knicks

Bastou uma sequência ruins de jogos, com 8 derrotas em 9 partidas, que o New York Knicks voltou aos noticiários pelo que lhe é característico nas últimas décadas: muita treta, muita crise e pouco basquete.

Depois de atingir o surreal 4º posto na Conferência Leste por um breve momento, o time embarcou em uma má fase. Três derrotas seguidas, lesão de Kristaps Porzingis, sequência de derrotas ampliada para seis jogos, queda no rendimento de Carmelo Anthony… A coisa estava feia, mas ficou horrorosa quando o téncico Jeff Hornacek decidiu colocar o armador titular Derrick Rose no banco nos períodos finais das partidas. O jogador não curtiu e, segundo insiders, os dois discutiram feio.

Dias depois, ontem, o jogador não deu as caras na partida. O Knicks entrou em quadra com Brandon Jennings, armador reserva, sem sequer saber o paradeiro do seu titular. O time tomou um pau, Carmelo foi expulso da partida, Phil Jackson se recusou a falar com qualquer pessoa e, ao final do jogo, staff, comissão técnica e jogadores declararam que não faziam ideia do paradeiro de Rose, que na manhã do mesmo dia tinha ido treinar normalmente, sem dar qualquer indício ou justificativa que não estaria apto a jogar algumas horas mais tarde.

Apenas Joakim Noah, colega de Derrick desde os tempos de Bulls, apareceu para dizer que o jogador tinha falado com ele, “estava OK e sem correr qualquer risco” – já que alguns mais desesperados temiam que algo grave tivesse acontecido com o desaparecido Rose.

Mais tarde, apareceu a informação de que o jogador teria ido a Chicago tratar de assuntos pessoais, mas que não tinha avisado ninguém. No dia seguinte, sem dar qualquer explicação, Rose aparece de uniforme para treinar com o time, como se nada tivesse acontecido. Knicks convoca uma coletiva, diz que vai multar o jogador. Ele, dando uma de louco, disse que precisava ir para casa ver sua mãe (?). Se limitou a dizer que precisava de “espaço”. História difícil de engolir quando é tão simples fazer uma ligação ou mandar uma mensagem avisando alguém do ocorrido…

Rose (camisa 25) no treino do Knicks como se nada tivesse acontecido

Toda a novela e, pior, a falta de justificativas convincentes de todas as partes só depõem contra o Knicks e Derrick Rose. Por mais que obviamente qualquer pessoa tenha o direito de colocar sua família ou problemas pessoais a frente de qualquer outra responsabilidade, a falta de informações no dia do jogo e, principalmente, no dia seguinte, só aumentam as desconfianças de que o clima no elenco é bom o suficiente para tirar o time do buraco e de que o nível de profissionalismo exigido na franquia é mínimo.

Lembrando que uma das principais críticas associadas a Carmelo Anthony, principal jogador do time nas últimas temporadas, é que se importa mais com “New York” do que com o “Knicks” – suas atenções estariam voltadas à badalação da cidade e não ao basquetebol. Se a franquia não se incomoda com seus principais jogadores dando de ombros para o jogo, fica difícil pensar em um futuro vitorioso.

Também só confirmam que Derrick Rose é um jogador descompromissado que nunca mais vai render nem perto do que suas expectivas apontam. Sua falta de dedicação não vai compensar seus problemas de lesão.

O problema para ambos, Rose e Knicks, neste caso, é que todos os planos vão indo por água abaixo conforme a novela toda vai se prolongando. A franquia, da forma como foi montada neste ano, esperava resultados imediatos. E da forma como as coisas andam, isso se torna cada vez mais difícil.

De quebra, o Knicks pode notar que Rose não é útil nem para seus planos a curto prazo e nem para seu projeto de futuro. Se o jogador fazia juras de amor à camisa azul no começo da temporada, hoje seu futuro está cada vez mais incerto como membro do time.

Um drama digno de New York Knicks.

[Previsão 16/17] Knicks: a soma de todos os fracassos

Um supertime com um MVP, 14 seleções para o All Star Game, um melhor jogador de defesa da liga, um diretor com 11 títulos e um técnico promissor. Pode dar errado? Com certeza pode, afinal, este é o New York Knicks.

Não sou do tipo que acredita em tabus, mas essa é uma franquia que ainda precisa provar que pode dar certo quando cria grandes expectativas. Até hoje, sempre que o Knicks ensaiou fazer algo grande para a temporada, a decepção foi ainda maior – e, para confirmar esta tese, seus dois únicos títulos foram com elencos recheados de bons coadjuvantes.

O enredo fica ainda mais dramático por se tratar de uma série de jogadores desacreditados unidos. Rose tem o peso do rótulo de ‘pior MVP de todos os tempos’, Carmelo é a superestrela mais desacreditada da liga e as inúmeras lesões transformaram Noah em um jogador mais folclórico do que eficiente nas últimas temporadas. Tudo isso, sob uma das camisas mais pesadas e menos vitoriosas da NBA.

Mas sabe aquela lei da matemática que ‘menos com menos dá mais’? É a grande esperança do Knicks.

Offseason
À sua maneira, o time caprichou nas contratações. Além de Derrick Rose e Joakim Noah, Courtney Lee chegou para ser o titular na posição número 2 e Brandon Jennings para ser o armador reserva (ou titular, caso Rose tenha algum dos seus típicos problemas de lesão). Sem dúvidas é o time mais renomado da Era Phil Jackson em Nova York.

Time Provável
PG – Derrick Rose / Brandon Jennings
SG – Courtney Lee / Sasha Vujacic
SF – Carmelo Anthony / Lance Thomas
PF – Kristaps Porzingis / Kyle OQuinn
C – Joakim Noah / Guillermo Hernangomez

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Em 2010 esse time seria imbatível

 

Expectativa
Todo aquele preâmbulo serve para ficar no muro. Eu não sei se eu quero acreditar e, ao mesmo tempo, me prevenir além da conta, mas eu acho que pode dar certo, apesar dos riscos de fiasco serem imensos. Há dois motivos para esperança de playoffs: Kristaps Porzingis ainda melhor e uma conferência Leste com oito times lutando pelas últimas quatro vagas do mata-mata.

Parceria entre C&A e NBA é uma boa para os fãs

Chega nesta quinta (22) às lojas da C&A a nova linha popular de produtos da NBA, fruto de uma parceira entre as duas marcas. A princípio são alguns modelos de camisetas, regatas e bermudas temáticas que estarão à venda por preços bem mais baixos do que as tradicionais camisas dos times.

Os modelos são nessa linha (da pra ver todos no site da C&A):

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Aparentemente, as bermudas variam de R$ 70 a R$80, as regatas saem por R$ 70 e as t-shirts ficam por R$ 40. Uma boa alternativa às camisas vendidas por R$ 200 e cacetada.

Há peças do Miami Heat, Golden State Warriors, Los Angeles Lakers, Cleveland Cavaliers, Chicago Bulls, Brooklyn Nets e New York Knicks, que são algumas das franquias mais populares por aqui.

Independente de você gostar ou não dos modelos (particularmente achei as camisetas legais, as bermudas mais ou menos e as regatas meio amadores demais), só de ter estes produtos originais à disposição e a um bom preço já é um grande avanço. É mais uma prova (além dos Global Games, loja da NBA no Rio e etc) de que a liga americana está de olho no tamanho e na assiduidade do mercado brasileiro.

Se o resultado comercial for bom, certamente NBA e outras marcas pensarão em novas ações e parcerias para o público brasileiro – além da mesma parceria entre C&A e liga render peças de outros times. Bacana, não?

Bulls, Knicks e a segunda chance de Rose

A offseason começou quente! Ainda não foi oficializado junto à liga, mas se Adrian Wojnarowski cravou é porque é quente: Derrick Rose foi trocado para o New York Knicks. A temporada de trocas nem começou oficialmente, mas Chicago Bulls e Knicks já trataram de fechar uma blockbuster. O negócio envolve a ida de Rose, Justin Holiday e uma escolha de segundo round no ano que vem para Nova York. Em troca, Chicago recebe Robin Lopez, Jose Calderon e Jerian Grant.

Eu não vou analisar todas as trocas individualmente, a minha ideia é falar somente das mais significativas, mas esta aqui não dava para deixar passar. Basicamente esta troca já nos dá uma das grandes histórias da próxima temporada: duas das estrelas mais desacreditadas desta geração se reúnem em um time historicamente desacreditado. Só por isso, independente da troca dar certo ou não, eu já gostei muito do negócio.

Mas, analisando a troca e a perspectiva futura dos envolvidos, eu acho que existe uma chance bacana de dar bem certo para todo mundo. O New York Knicks tem espaço para assinar algum jogador interessante nesta offseason, mas nunca que pegaria Kevin Durant. No melhor cenário possível, ficaria com Mike Conley, que é um bom jogador, mas não o suficiente para elevar o status da franquia de imediato. Com o elenco que estava, não valia a pena tentar Dwight Howard, Al Horford ou Joakim Noah, já que o time estava bem carregado de jogadores no garrafão.

Ir atrás de Rose resolve bem a offseason do time e direciona quem serão os próximos alvos da franquia. Mandou Calderon, um armador já veterano que não rende mais o suficiente para ser titular em um time meia boca, e abriu mão de Robin Lopez, um pivô bom, e Jerian Grant, um armador que vai para seu segundo ano de NBA. Agora, o time já conseguiu um armador titular de calibre e tem espaço para buscar, se quiser, um dos pivôs veteranos que estão dando sopa no mercado. Imagina se pega Dwight Howard, outro cara que perdeu completamente o crédito ao longo dos últimos anos e que todo mundo duvida que ainda possa render alguma coisa? Que história!

Sobre Derrick e seu futuro no time. Ele já jogou muito, era um insano, craque, MVP mais novo da história, mas depois de todas as lesões que teve na carreira, joga com o freio de mão puxado. Parece psicológico. Não dá para confiar que ele possa carregar um time nas costas, que era o que se esperava dele em Chicago – Jimmy Butler já era o melhor jogador, mas seu estilo low-profile não é de quem carrega uma franquia, ainda mais sob a sombra do que Rose já tinha sido para a franquia.

No Knicks, Rose chega para ser o terceiro jogador do time. Carmelo ainda é o líder e Porzingis é o futuro do time. O ex-MVP é um cano de escape, apenas a terceira opção do time. Quem sabe assim, sem toda aquela pressão, Rose volte a ser mais constante – não acredito que vá ser um craque novamente, mas pode deixar de ser um peso para ser um jogador que contribua.

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Knicks anunciou a troca nas redes sociais na tarde desta quarta-feira

O desafio vai ser fazer o armador jogar sem a bola na mão. Carmelo é o típico cara que monopoliza o domínio da bola e Rose sempre se mostrou meio preguiçoso para aparecer ‘off the ball’. Mesmo assim, sendo bem otimista, acho que é a chance de reunir veteranos com orgulho ferido e montar um time competitivo para a temporada – e como disse acima, torço demais para que Dwight chegue para completar o cenário perfeito de ‘all in’ da franquia. Essa reunião seria a cara do Knicks dos últimos 20 anos, só que com alguma chance de dar certo. Estou confiante nisso.

Sob o aspecto do Chicago Bulls, acho que era inevitável. Rose era uma bigorna de 20 milhões de dólares ao ano no meio da sala em Illinois. Não dava para ele assumir outro papel no time. Tinha que voltar a ser aquele MVP de antes ou sair fora. O time vai se desmanchar e o único que deve ficar é Jimmy Butler, que já tinha criticado publicamente a falta de comprometimento de Rose com o time.

Com o excesso de armadores no mercado e a falta de credibilidade de Rose, parecia difícil o Bulls conseguir algo decente em troca. Diante deste cenário, a troca não foi ruim. Robin Lopez é uma reedição mais saudável de Joakim Noah e Jose Calderon é um armador que pode contribuir de imediato. Muita gente se animou com Jerian Grant, mas eu sinceramente não espero muita coisa do jogador. Só está em seu segundo ano na liga e já vai fazer 24 anos (mesma idade de Kyrie Irving, para ter ideia). É a hora da reconstrução do elenco. Pode ser que mais trocas pintem para o time até a hora do draft.

Knicks sem triângulos e com Hornacek

A contratação de Jeff Hornacek é a melhor notícia que a torcida do New York Knicks poderia ter neste momento. Não tanto pela qualidade do técnico, que não parecia a melhor opção para o time, mas sim pelo que a escolha representa: o fim da ‘ditadura dos triângulos’ e da curta porém desastrosa Era Rambis no time.

Desde que Phil Jackson foi anunciado como presidente do Knicks muito se falou e pouco se viu em quadra. A presença do multicampeão deveria atrair grandes estrelas para o Madison Square Garden e formar um time que iria brigar pelo título da conferência Leste. Como contrapartida por levar esta ‘grife’ à franquia, Jackson exigiu que as coisas deveriam seguir dentro das suas convicções. A principal delas: o esquema dos triângulos que aplicou nas dinastias vitoriosas do Chicago Bulls e do Los Angeles Lakers.

A verdade é que a moral de Phil Jackson só foi suficiente para renovar o contrato de Carmelo Anthony e angariar os úteis-porém-nada-estrelares Robin Lopez e Arron Afflalo. Ao mesmo tempo, para reafirmar suas convicções contratou Derek Fisher como técnico, mesmo sem ter qualquer experiência parecida e, depois que o demitiu sem mais nem menos, promoveu o auxiliar Kurt Rambis ao posto de head coach.

O problema é que Fisher pareceu ser lá grande coisa, Rambis é horrível e o time só melhorou timidamente por conta da chegada do calouro Kristaps Porzingis. Jackson insistia que o time só deveria jogar no esquema dos triângulos que ninguém conseguia entender muito bem como funcionava – ou tinham a certeza de que funcionava mal.

Aqui vale um parêntesis. Phil Jackson é um cara que ganhou muito coisa, sempre foi excelente para administrar os egos dos seus times e montou verdadeiras máquinas. Mas, ao meu ver, hoje ele é um cara bem dispensável. Ele não abre mão de um esquema que deu certo só em supertimes e há 15 anos, quando o basquete era outro. Os triângulos, jogo que posiciona os pivôs no topo do garrafão, exige muitos passes, chutes longos certeiros e jogo de meia quadra, era adequado para o esporte da década de 90. Hoje a história é outra.

Enfim, temporada acabada, parecia que Jackson iria efetivar Rambis por ser um dos únicos caras na face da terra que ainda topava jogar nesse ritmo. Apavorado com a possibilidade do interino continuar, Carmelo até se posicionou falando das suas preferências.

Surpreendentemente, do nada, Jeff Hornacek foi anunciado. O treinador teve um excelente ano de estreia no Phoenix Suns. A equipe era cotada para ser uma das quatro últimas da tabela e Hornacek conseguiu carregar o time a uma campanha de 48 vitórias. Conseguiu isso ainda com um elenco totalmente desequilibrado, com três point guards potenciais titulares e uma sére de free agents nas outras posições. Ele conseguiu isso com um basquete de contra-ataque insano e correria total. Maior parte das posses de bola daquele time eram queimadas quando ainda restavam mais de 15 segundos para arremessar no cronômetro. A campanha rendeu a Hornacek a segunda colocação na votação para melhor técnico da temporada.

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Talvez nem fosse o melhor nome, mas Hornacek é a certeza de que os triângulos e Rambis deixarão de assombrar a franquia

No ano seguinte, uma série de lesões e falta de comando no vestiário fizeram com que o treinador fosse demitido. Mas se vale como consolo, o time foi ainda pior com seu sucessor Earl Watson.

Acho até que tinha coisa melhor no mercado (Frank Vogel) e que a correria pregada por Hornacek seja prejudicial para o desenvolvimento de Porzingis – acredito que teria invariavelmente que jogar como pivô mais tempo, o que não acho que seja a melhor das ideias -, mas somente por garantir que a sua chegada representa uma quebra no legado de Jackson e seu triângulo no jogo do time, já acho que as coisas melhoraram muito de figura em Nova York.

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