Tag: Kobe Bryant (Page 1 of 2)

[Previsão 17/18] Lakers: a esperança (e a pressão) chamada Lonzo Ball

A história do Los Angeles Lakers tem uma marca bem definida: a franquia é feita de grandes estrelas. Com a aposentadoria de Kobe Bryant, o time parecia desorientado no seu processo de reconstrução. Tinha bons valores, finalmente encontrou um técnico que parece decente, mas não parecia ter aquele jogador com banca suficiente para carregar o fardo de super estrela da equipe.

Dos garotos mais talentosos do time, D’Angelo Russell era o que melhor vestia a capa da responsabilidade. Ao mesmo tempo, nunca conseguiu convencer a todos de que ele era esse cara mesmo. Foi aí que meteram o botão shuffle em LA e decidiram que precisaram repensar os planos da equipe. Isso aconteceu justamente com a chegada de Magic Johnson, atro-mor da história da franquia, para comandar o front office.

Magic, armador lendário da liga, parece que tinha a mesma desconfiança em relação a Russell e entendeu que não seria ao seu redor a construção de um novo Lakers, pós-Kobe. Trocou D’Angelo com a promessa de trazer algum craque na próxima offseason e draftou o calouro Lonzo Ball, jogador mais hypado da liga no momento sem sequer ter pisado em quadra ainda.

Como a vinda de um Lebron James, Paul George ou sei lá de mais quem ainda é só uma promessa para daqui um ano, o projeto mais real de craque que o Lakers aposta para o momento é o seu calouro.

Por um lado, a experiência será válida. Lonzo chega com toda a pressão possível sobre seus ombros num teste de fogo para ver se tem cacife para um dia ser uma lenda da franquia, como seu pai diz que é.

Por outro, pode ser que essa mesma pressão seja um limitador do talento de um garoto tão jovem que ainda tem uma carreira inteira pela frente.

Offseason
O time abriu mão de D’Angelo Russell e Timofey Mozgov em troca de Brook Lopez e espaço na folha salarial em um futuro próximo. Lopez é um excelente jogador no ataque, um dos melhores pontuadores no garrafão, que agora resolveu chutar de fora. Não sei se o time pretende ficar com ele por mais tempo, mas ao menos por essa temporada, tem tudo para ser o cestinha do time e formar uma dupla divertida com Julius Randle.

(Elsa/Getty Images)

Time Provável
PG – Lonzo Ball/Tyler Ennis
SG – Kentavious Caldwell-Pope/ Jordan Clarkson/Josh Hart
SF- Brandon Ingram/ Luol Deng / Corey Brewer
PF- Julius Randle /Larry Nance Jr / Kyle Kuzma
C- Brook Lopez/ Ivica Zubac

Expectativas
É de se esperar um time mais competitivo em quadra, mas não muito acima na tabela do que se viu no ano passado. A regra desta temporada é essa: no Oeste, só vai se dar bem quem for muito bom. Não é ainda o caso do Lakers. Individualmente, dá para esperar muita pressão sobre Lonzo Ball – e caso ele corresponda minimamente isso, dá pra imaginar que ele seja um dos grandes personagens da temporada.

‘Old Faces, Fresh Cuts’: designer troca cabelo das lendas da NBA

Estilo e basquete são coisas praticamente indissociáveis. De bom gosto ou não, não dá para negar que os caras da NBA estão anos-luz a frente de qualquer outra classe de atletas ou celebridades. O corte de cabelo deles é o melhor exemplo disso. Seja a careca brilhante de Michael Jordan, os mullets de Larry Bird, o afro de Julius Erving ou até o feroz high top fade do insosso Iman Shumpert: todos estão carregadíssimos de personalidade. O banho, corte e tosa dos jogadores são uma referência para a legião de fãs.

Nessa pegada, o designer gráfico e artista digital Tyson Beck fez um trabalho brilhante chamado ‘Old Faces, Fresh Cuts’. Pegou fotos de jogadores clássicos da história da liga e colocou uns penteados diferentes, mais atuais – nenhum dos caras jamais usou um cabelo desses, o que praticamente dá uma nova alma a cada um deles. O resultado é hilário.

Ufa! Mas valeu a pena, né?

Muitos egos para um só time

O pedido de Kyrie Irving para ser trocado surpreendeu a quase todo mundo. Eu, por exemplo, escrevi aqui que não conseguia entender a cabeça do jogador. Muita gente, assim como eu, ficou sem compreender nada. Mas, no fundo, não deveria ser assim. O fim traumático do relacionamento de estrelas que dividem o mesmo time é frequênte. Na verdade, é mais comum que supertimes terminem com cada um indo para um canto em uns três ou quatro anos do que eles irem se desmanchando naturalmente, sem ressentimentos.

O roteiro quase sempre segue a mesma linha: dois ou três jogadores se reúnem para tentar ganhar, os egos inflam, alguém fica decepcionado com a repercussão das coisas e os caras brigam. As principais histórias parecem uma versão realmente interessante daquela poesia: Penny Hardaway tretou com Shaquille O’Neal (no Magic) que tretou com Kobe Bryant (no Lakers) que tretou com Dwight Howard (também no Lakers) que tretou com James Harden (no Rockets) que agora se juntou a Chris Paul e sabe lá até quando estarão ‘de bem’.

Mas é bem isso mesmo. Shaq e Penny Hardaway formavam a dupla mais empolgante da NBA. Um era o jogador mais dominante do esporte, o outro era o principal candidato a substituir Michael Jordan – que tinha se aposentado pela primeira vez. Em três temporadas, o casamento acabou com O’neal forçando a barra para fugir do companheiro.

No time seguinte, foi a vez de Kobe Bryant, uma estrela emergente, dar o ultimato. Os dois venceram três campeonatos seguidos, mas no último deles a situação já estava insustentável. A dupla ainda se manteve junta por mais duas temporadas, mas não resistiu à derrota para o Detroit Pistons – quando estavam acompanhados de Karl Malone e Gary Payton numa parceria que deu errado para todos os envolvidos.

Anos mais tarde, Kobe também não aguentou a união com Dwight Howard. Mesmo machucado, o jogador infernizou o pivô – que não tem a melhor cabeça do mundo – até o final da temporada. Resultado, na temporada seguinte Dwight saiu praticamente fugido de Los Angeles para Houston, encerrando uma parceria que foi anunciada como a ‘nova dinastia do Lakers’.

No Rockets, Howard também passou perrengue. Na última temporada, com o time implodindo, Harden e o pivô não conseguiam mais conviver. Parecia que nenhum dos dois mais queria jogar, só queriam, em quadra, mostrar que o motivo do insucesso do time era a presença do outro no elenco.

Mas os casos vão além dessa ciranda: Stephon Marbury não quis mais jogar com Kevin Garnett no Timberwolves, Ray Allen se desentendeu com o restante da turma em Boston, Sottie Pippen e Charles Barkley não se aguentavam mais em Houston… Todas as parcerias começaram muito bem, se diziam muito promissoras (algumas até de fato deram resultados excelentes), mas em algumas temporadas simplesmente evaporaram em meio à guerra de egos.

Levando em conta o principal motivo que faz com que estes caras se reúnam – ganhar um título -, a dissolução do Cleveland Cavaliers atual deveria ser ainda menos impressionante. O time já foi campeão em condições bem desfavoráveis, valorizando a conquista de cada um – Kyrie Irving especialmente, já que foi o autor da cesta do título.

Uma vez que a missão tenha sido cumprida, nada mais segura o jogador junto aos outros. No máximo, a sede por outros títulos – que pode ser menor do que a vontade de ser o melhor jogador em outro time, tomando outros ares. Em um cenário em que o roubo do título do Golden State Warriors parece uma tarefa cada vez mais difícil, é bem plausível que estes caras precisem de outras motivações para jogar.

Pela frequência tão intensa de desavenças entre estrelas é de se louvar supertimes que duraram mais do que a média. Não é comum times ficarem quase uma década juntos, como Los Angeles Lakers e Boston Celtics dos anos 80. Ainda que ambos tenham enfrentados alguns problemas de relacionamentos (Magic foi fritado pelos colegas no começo da sua carreira e Cedric Maxwell chegou a fazer a coisa desandar no Celtics em determinado momento), os núcleos principais de cada time conseguiram resistir ao tempo.

O mesmo dá para dizer do Chicago Bulls dos anos 90, que era uma bomba relógio ambulante, mas que conseguiu conter os ânimos dos jogadores por um bom período – talvez a grande virtude de Phil Jackson, técnico do time na época.

No momento, o Golden State Warriors é o grande exemplo. A exceção que confirma a regra. Não só Klay Thompson, Draymond Green, Andre Iguodala e companhia toparam manter os papéis de coadjuvantes de Stephen Curry em nome de uma sequência de temporadas vitoriosas, como Kevin Durant, uma estrela ainda maior, se juntou ao time – e sempre que pode, enaltece o clima entre os jogadores.

O quanto essa lua de mel vai durar é uma incógnita, mas ao que tudo indica a relação está saudável o suficiente para que não seja possível imaginar um desmanche no time, como é o que parece que vai acontecer com o Cleveland Cavaliers e que tantas vezes já rolou ao longo da história.

Lonzo, Kobe e o Lakers

Quem acompanha o basquete universitário com mais atenção garante que esta é uma das melhores turmas dos últimos anos. Seria comparável com a de 2003, que revelou Lebron James, Dwyane Wade, Chris Bosh e Carmelo Anthony. Mesmo sem terem jogado uma partida profissional sequer, Markelle Futlz, Malik Monk, Jayson Tatum e companhia já estão na boca do povo e são tratados como os salvadores de algumas franquias.

Por bons e péssimos motivos, o mais falado deles é Lonzo Ball. O point guard de UCLA mistura um corpo de ala-armador com uma visão de jogo de veterano, um zelo incomum com a bola e uma capacidade única de definir na transição. É, discutivelmente, o melhor jogador da turma. Além dos atributos impressionantes do seu jogo, Lonzo tem um pai falastrão que, ansioso, quer fazer da sua prole – são três filhos – super estrelas do basquete.

A última de Lavar Ball, pai do universitário, foi dizer que não vai calar a boca até que o filho seja um jogador do Los Angeles Lakers. Na cabeça dele, faz todo o sentido: a família é de LA, Lonzo foi uma estrela da universidade local e o Lakers está com a segunda escolha do draft. O plano de Ball é fazer do garoto o novo franchise player do maior time da NBA.

Lonzo e Lavar Ball

A declaração é antipática e pretensiosa. Primeiro que sugere que o jogador não aceitaria jogar com outra camisa, quando na verdade a escolha não é dele. Segundo que coloca um atleta universitário no papel de principal aposta de um time recheado de jovens talentos que, teoricamente, estariam na sua frente na linha sucessória do reinado angelino.

Por mais que pareça hoje que Lavar Ball, o pai, seja um boçal sem precedentes, esta tática é antiga. Ele não foi o primeiro a forçar a barra nesse sentido. Aliás, se serve como alento, uma outra vez que isso aconteceu com o mesmo Los Angeles Lakers, o jovem jogador acabou se transformando em um dos maiores – talvez o maior – jogadores de todos os tempos da franquia.

Era a virada de 1995 para 1996 e um adolescente da Philadelphia começava a chamar a atenção do universo basqueteiro norte-americano. O draft se aproximava e os jogos da Lower Merion High School passaram a ser frequentados por olheiros, general managers e técnicos da NBA. Apesar de ainda estar na escola, o jovem Kobe Bryant já era cobiçado por algumas equipes profissionais.

O maior empecilho era o seguinte: menos de meia dúzia de jogadores tinham pulado a universidade para jogar na NBA e todos eles eram alas ou pivôs. A avaliação era que um jogador de perímetro teria ainda mais dificuldades de render na liga logo de cara e que os fundamentos do basquete universitário poderiam fazer falta. Outro problema era que Kevin Garnett, outro adolescente que tinha entrado na NBA há um ano, apesar de mostrar muito talento, tinha deixado claro que não estava física e tecnicamente pronto para a competição profissional.

Um time mostrava mais interesse que os demais. O New Jersey Nets estava com a oitava escolha no draft e tinha um front office reformulado, afim de reconstruir a franquia, escolher uma estrela em potencial e sair da sombra do New York Knicks. John Nash, general manager, e John Calipari, técnico, se encantaram por Kobe e decidiram que ele era a escolha mais indicada daquela safra de calouros carregada de talentos – em um clima parecido com o deste ano.

Os dois viram alguns jogos e resolveram conversar com o pai de Kobe, Joe Bryant, para formalizar o interesse. Joe gostou da ideia e se convenceu que seria o melhor destino para o jogador – New Jersey fica a menos de 1h30 de carro da Philadelphia e era uma franquia que poderia dar tempo de jogo ao jovem logo de cara, a principal exigência do pai de Kobe.

Kobe e seu pai, Joe Bryant

O interesse do Nets era fundamental também para que Kobe decidisse não ir mesmo para a universidade. O jogador tinha medo de ser rejeitado de alguma maneira ou de chegar a um time sem garantias de que teria um tratamento especial.

Na manhã seguinte, no dia do draft, Nash recebeu uma ligação do agente de Kobe, Arn Tellem. O representante disse que o jogador tinha mudado de ideia e que não queria ser draftado pelo Nets. Deu a desculpa que Kobe tinha pensado melhor e que não queria jogar perto da casa dos pais, que estava com medo da pressão. Ao mesmo tempo, Joe Bryant ligou para Calipari, técnico do Nets, dizendo que o filho não jogaria pela equipe de New Jersey. Que caso fosse escolhido, iria abrir mão da NBA para jogar na Itália.

Para se certificar da ameaça, os dois passaram a ligar para colegas de outros times com escolhas próximas no draft para saber se tinham sofrido algum tipo de ameaça parecida. Isiah Thomas, executivo do Toronto Raptors na época, disse que o agente de Kobe tinha o alertado que o jogador não iria jogar no Canadá e que não deveria ser escolhido na segunda posição pela franquia. Mike Dunleavy, do Milwaukee Bucks, disse que Joe Bryant tinha rejeitado que o filho participasse do work out do time, pois já estava acertado com uma outra franquia.

A verdade é que, horas depois que o Nets confirmou o interesse para a família de Kobe, Jerry West, general manager do Lakers, também sinalizou que estava interessado no jogador. O problema é que o time de Los Angeles só tinha a 24ª escolha. West prometeu, então, que iria conseguir ‘subir’ na ordem do draft e pegar Kobe o quanto antes. Paralelamente, West estava a procura de um time que quisesse Vlade Divac, pivô do time, de graça. A ideia era limpar a folha salarial do time para tentar assinar com Shaquille Oneal pelo maior contrato possível.

O Charlotte Hornets aceitou a negociação e topou mandar sua 13ª escolha em troca do iugoslavo. Bastava, agora, a West, Tellem e o pai de Kobe ‘assediar’ as 12 franquias que estavam na frente da lista para que não escolhessem o jogador, frustrando os planos dos três. Até o momento do draft, então, eles fizeram lobby com quase todos os interessados, dizendo que Kobe não aceitaria jogar pelos demais times.

Nash e Calipari, do Nets, até pensaram em se arriscar, achando que o blefe jamais se concretizaria. Mas pesava o fato de que os donos do time preferiam que um jogador mais experiente fosse escolhido. Então o Nets pegou Kerry Kittles, jogador da mesma posição de Kobe, mas que tinha passado um tempo de provação no basquete universitário.

A história toda do draft de Kobe Bryant está no livro “Boys Among Men: How the Prep-to-Pro Generation Redefined the NBA and Sparked a Basketball Revolution”, que relembra as passagens dos jogadores que pularam a universidade para jogar na NBA – as histórias boas e as tristes.

Ainda que Lavar Ball, pai de Lonzo Ball, já tenha se mostrado bem mais insuportável que Joe Bryant – dizendo que os filhos vão revolucionar o jogo e que ele próprio ganharia de Michael Jordan num jogo de basquete -, algumas passagens têm suas semelhanças: quando decidiu ir para a NBA, Kobe fez um anúncio cheio de marra, com um circo imenso montado e transmissão pela TV; o jogador também estava caçando um contrato milionário de alguma marca de tênis antes da estreia, além de chegar à NBA cercado de empresas de marketing e entretenimento que cuidavam da sua imagem ainda quando era adolescente; e Joe Bryant também acertou a ida ao Lakers com a condição de que a franquia ajudasse o jogador a ser All Star logo no seu segundo ano na liga – o que aconteceu.

Não é um bom sinal. Por mais que Kobe tenha se tornado uma lenda, ele teve que jogar muita bola para que seu talento se tornasse mais notável do que sua marra. Hoje fica difícil lembrar, mas nos primeiros vários anos da sua carreira, Kobe esteve longe de ser uma unanimidade. E o principal motivo, foi o estrelismo.

No caso de Lonzo Ball, quis o destino que a franquia visada pela família do rapaz fosse justamente a segunda na ordem do draft – e é justamente essa a posição em que ele sempre foi cogitado. Apesar de ser chato o pai dele forçar a barra, o Lakers escolhê-lo seria a sequência natural das coisas.

Kobe, há 20 anos, superou a fama ruim. Mais do que isso, virou uma lenda. Lonzo Ball vai conseguir?

Eles não precisam ser amigos

O Washington Wizards entrou na temporada regular cercado de dúvidas quanto ao seu real potencial. O time vinha de uma sequência estranha. Em 2014-2015, teve uma campanha animadora nos playoffs e, não fosse por uma lesão de Wall, tinha boas chances de alcançar uma final de conferência. Na temporada seguinte, a decepcionante décima colocação e não ida ao mata mata.

A história que era usada como álibi para a inconstância do time e sobretudo de John Wall e Bradley Beal, promissora dupla de armadores da franquia, era a de que os dois não se bicavam. De fato, frustrados com tudo que rolava na equipe, os dois trocaram alfinetadas públicas. Wall reclamou da baixa frequência de Beal, atormentado por lesões, no time. Beal, por sua vez, se incomodou com o domínio absoluto de Wall na posse da bola. Ficou famosa a frase que os dois tinham “tendência a não se gostar”. Como quase sempre acontece, a treta e os resultados ruins foram diretamente ligados.

Agora o time voltou a ganhar, emplacou a melhor sequência de vitórias em casa na temporada e já registra a melhor campanha da NBA desde janeiro. Não só está próximo de se garantir matematicamente nos playoffs, como é o time que atualmente mais ameaça o reinado do Cleveland Cavaliers na liderança do Leste. E, claro, muita gente tenta atribuir a uma suposta sintonia entre Beal e Wall fora da quadra.

Sinceramente não tenho como dizer se os dois são amigos, se não são. O meu ponto é que, dadas as declarações dos jogadores, dado o histórico de caras que declaradamente se odiavam mas jogavam muito, a amizade entre estrelas do mesmo time como receita do sucesso é uma balela. Apesar de ser muito bonito para os torcedores acreditarem naquilo e para a imprensa criar um enredo, é quase sempre irrelevante se jogadores dividem quarto, se jantam juntos, trocam mensagens ou se sequer se suportam.

Apesar do exemplo mais clássico disso ser a dupla Kobe Bryant e Shaquille Oneal, acho errado colocá-los no mesmo balaio. Ambos figuram possivelmente entre o top 10 da NBA em todos os tempos. Mesmo que um boicotasse o outro, as coisas dariam certo no Lakers. Mesmo no auge do ódio mutuo, o time foi tricampeão. Sem comparação.

Vou trabalhar com exemplos mais ‘terrenos’. Rajon Rondo e Ray Allen também não se gostavam. Um nunca foi muito fã do outro em quadra e, para completar, uma vez Allen disse que Doc Rivers e Danny Ainge não gostavam de Rondo e por isso iriam tentar trocar a dupla para Phoenix. Rondo não gostou, achou que Ray estava inventando alguma coisa para se livrar da negociação e a coisa melou de vez entre os dois. Mesmo assim, em quadra, em cinco anos de parceria, o Boston foi campeão uma vez, vice outra e chegou à final de conferência em mais uma. Rondo foi o jogador que mais deu assistências neste período e Ray Allen era o principal alvo dos seus passes.

Até ano passado, Kevin Durant e Russell Westbrook formavam a dupla mais talentosa da NBA. Por terem entrado na liga mais ou menos na mesma época, terem crescido como profissionais juntos e não terem muito mais colegas de qualidade ao redor, presumia-se que os dois eram muito próximos, quase irmãos. A revelação de que os dois nunca foram nada mais do que ‘colegas de trabalho’ se deu depois que Durant saiu do time. Muita gente achou absurdo que o ala ‘só’ mandou uma mensagem no celular de Russell avisando que deixaria o time, mas, apesar das rusgas ‘institucionais’ da separação, ambos confirmaram que nunca foram muito próximos fora da quadra. Mesmo assim, a parceria funcionou bem, no limite máximo dos seus talentos, independente deles serem super amigos ou só jogarem juntos.

Voltado ao Wizards, ao meu ver, é mais correto dizer que o time passou ganhar por outros motivos mais claros, como a habilidade do técnico Scott Brooks em transformar bons prospectos em jogadores de verdade, como Kelly Oubre e Otto Porter, e filtrar o elenco em uma rotação mais enxuta e eficiente. O time também passou a ter o ataque iniciado por mais jogadores, ao invés de concentrar todas as decisões em Wall – que, por outro lado, se tornou uma opção mais eficaz nos arremessos. A criatividade de Beal na armação do pick and roll, uma referência no fundamento entre os shooting guards, também passou a ser explorada com mais frequência. Com isso, a dupla alcançou o melhor momento da carreira individual e coletivamente – independente de serem amigos ou não.

Não é raro vermos a associação da melhora no rendimento a uma suposta amizade que estaria florescendo entre ambos. Eles não são bobos de negar, claro, mas o fato de Beal já ter reclamado que basicamente SÓ PERGUNTAM ISSO a ele é uma pista de que definitivamente não é a isso que eles creditam esta evolução.

Não digo que problemas de vestiário não influenciam na performance de um time. É claro que sim. Mas não ser amigo de alguém não é problema algum. Atletas jogam para ganhar, fazer seu trabalho, e não amar uns aos outros, amar uma camisa. Pouco importa com quem eles vão com a cara se jogarem tudo que sabem.

Beal, Wall, Shaq, Kobe, Rondo, Allen e companhia são as provas disso.

Um boicote aos apelidos autoproclamados

Não tenho filhos, mas imagino que escolher o nome da criança seja uma tarefa complicada, recheada de dúvidas. No entanto, existem pessoas que se superam ao adotar um critério para isso. Tem a clássica história do casal que não tinha ideia de como batizar o filho, estava em um restaurante e se decidiu por replicar no bebê o nome do prato mais caro do menu: Kobe beef.

Pois é, assim nasceu um dos nomes mais marcantes do esporte: Kobe Bryant. Uma alcunha tão escrota que dispensa sobrenomes e apelidos – ‘Kobe’ para se referir a ele.

O problema todo começou quando um publicitário detestável resolveu colocar na sua cabeça que ele deveria capitalizar em cima da passagem mais reprovável da sua carreira. Em 2003, Kobe foi acusado de violentar sexualmente uma mulher em uma clínica quando se recuperava de uma cirurgia. Com isso, criou-se a história de que, para focar no basquete, Kobe ‘virava a chave’ e acionava seus instintos assassinos de “Black Mamba”, uma das cobras mais letais do mundo.

Ainda que comercialmente tenha sido uma sacada ótima, promovendo a venda de milhões de pares de tênis com a marca do jogador, esse apelido nunca me convenceu. Arquitetado mercadologicamente, sem graça e com um propósito medonho. Em resumo, um péssimo apelido que, por mim, nunca teria sido adotado por ninguém – infelizmente tem quem goste e o chame assim.

Na verdade, tenho birra com o ‘Black Mamba’ (o nome, não o jogador) porque acho um porre a maioria dos apelidos autoproclamados.

Russell Westbrook veio com essa agora. Do nada, começou a querer que as pessoas o chamem de Brodie. O que tem a ver? Qual o motivo? Qual a piada? Nada, nada e nada. Brodie é a forma como ele se refere a ele mesmo em algumas entrevistas e etc. A imprensa comprou e agora, como um decreto da derrocada que vivemos hoje, algumas pessoas repetem essa besteira. Péssimo.

Não sei se muita gente lembra, mas Dwyane Wade uns tempos atrás tentou emplacar o horroroso WOW, as iniciais de Way of Wade. A ideia era criar um alter-ego no mesmo molde do péssimo Black Mamba. Graças aos deuses do bom senso não pegou – ainda que eu concorde que ele merecia algo bem melhor que o sem graça DWade e mais forte que Flash, do início de carreira.

Lembro no auge da carreira de Dwight Howard, que ele se pagava de Superman – fez toda uma cena no campeonato de enterradas e tal. Além de toda a mediocridade de criar um apelido para ele mesmo sem a menor graça, ainda era COPIADO de Shaquille O’neal. Como alguém pode achar bom um apelido que tem 0% de originalidade?

Além dele, lembro do Sasha Vujacic, que sequer merecia uma vaga na NBA, quem dirá um apelido. Tentou fazer a turma o chamar de “The Machine”. Chega, né?

Também acho ruim o ‘King James’ de Lebron James. Eu até gosto da presunção de se chamar de rei aos 15 anos de idade, quando o apelido foi criado, mas acho que Lebron é um nome tão poderoso que dispensa qualquer ‘nickname’. King, então, não é lá muito elaborado.

Nestes casos eu abro algumas exceções para auto-apelidos descaradamente pretensiosos. The Process, de Joel Embid, acho aceitável, por exemplo. Justifico, neste caso, que o lema da reconstrução do time, Trust the Process, se popularizou como um bullying às péssimas campanhas do time e a virada começou a vir justamente quando o mais escrachado e talentoso dos jogadores entrou em quadra, logo, Embiid era, de fato, o achincalhado ‘processo’ da franquia.

Aliás, é este o espírito do apelido: ser uma provocação, algo meio engraçado. Giannis Antetokounmpo é o cara com o melhor apelido possível na atualidade – uma era de poucas alcunhas memoráveis, admito. O grego nasceu com um nome impronunciável para os americanos, que se impressionaram com um moleque de braços gigantes e rapidez de um velocista. Bizarrice grega, ou Greek Freak, é de fato a melhor definição possível.

Não entendo como o próprio Kobe Bryant foi ter o pior apelido de todos os tempos se seu pai foi um MESTRE nesta arte: Joe Bryant era conhecido como Jellybean (JUJUBA em português), pois era alto, magrelo e com um molejo impressionante para seu tamanho. Começou como uma sacanagem de colégio e acabou virando uma marca do seu jogo. Uns anos depois, só era chamado assim.

Muito melhor do que Black Mamba e afins. Boicote a eles!

Não tinha como ser mais Kobe

Kobe Bryant se despediu da carreira profissional com uma partida que não tinha como resumir melhor seus 20 anos de NBA: foram 60 pontos que levaram o Lakers a virar o jogo no final e vencer a partida.

E não foi só por isso: para alcançar esta pontuação – maior dele desde 2009 – Kobe chutou até a mãe, como também fazia no auge da sua carreira. Ontem Kobe cravou o recorde da temporada de arremessos de três tentados (21) e de total de arremessos em geral tentados (50, sendo que a segunda maior marca da temporada eram 36). Estes recordes não são lá tão gloriosos e mostram que Kobe entrou determinado em fazer história na sua despedida.

Aliás, desde que as estatísticas de arremessos passaram a ser monitoradas, em 1983, nunca alguém tinha tentado tantos chutes em um só jogo. Aliás, neste período de 33 anos, só seis vezes alguém arremessou mais do que 45 vezes numa única partida – Kobe Bryant fez isso três vezes. Com o jogo de ontem, Kobe ultrapassou a marca de Jordan de 49 arremessos em um só jogo em mais uma marca que ele tentou (e desta vez conseguiu) superar MJ.

1460612470072

Mais 60 pontinhos pra conta de Bryant

Antes da partida, até pipocou a piada que Kobe poderia ultrapassar Karl Malone como o segundo jogador com mais arremessos (convertidos ou não) em toda a história da liga. Para isso, ele teria que fazer insanas 61 tentativas – uma marca impensável de se executar. No entanto, em determinado momento do jogo pareceu que isso seria possível.

Outro comentário que parecia brincadeira antes do jogo, é que Bryant teria que anotar 67 pontos para fechar a carreira com a média exata de 25 pontos por partida. Com a marca de ontem, ele acabou a carreira com média de 24,994 pontos por jogo – mas os livros de história serão camaradas com ele e vão arredondar a terceira casa decimal para cima.

Não dá também pra só relativizar a atuação de ontem, que teve todos os méritos. Bryant confirmou pela enésima vez a sua condição de clutch players e decidiu o jogo. Marcou 15 dos últimos 17 pontos do Lakers e comandou a virada sobre o Jazz – o time com certeza já estava desanimado pela não-classificação para os playoffs, mas o time de Los Angeles é tão fraco que mesmo assim a vitória era um objetivo desafiador.

Não tinha como ser mais Kobe: fazer de tudo, mesmo que precisasse forçar totalmente a barra, para gravar seu nome de maneira mais enfática na história. Ele fez e, mais uma vez, conseguiu.

Ingresso mais barato para a despedida de Kobe custa 700 dólares

Nesta quarta-feira Kobe Bryant entrará em quadra pela última vez para disputar uma partida oficial pelo Los Angeles Lakers. Quem quiser assistir ao jogo lá no Staples Center, em Los Angeles, e não tiver o chamado season ticket, que dá direito a todos os jogos da temporada, terá que desembolsar PELO MENOS 700 dólares.

Na verdade este é o preço de revenda da entrada. Nos jogos da NBA, o dono de uma cadeira pode avisar previamente que não irá ao jogo e deixar seu assento disponível para venda. Existem mais de 2 mil lugares nestas condições para o jogo diante do Utah Jazz – na arena cabem 19 mil espectadores. Lá nos setores mais distantes, no último andar, os preços variam de 700 a 940 dólares.  Na primeira fileira, aquela que fica na beirada da quadra, cada entrada chega a valer 25 mil dólares. Os valores estão descritos no site de venda de ingressos StubHub. No link dá para ver ingresso por ingresso, visão da quadra a partir da cadeira selecionada e preço.

ab981984-20121127230734

Deste setor aqui, o ingresso mais barato é 915 dólares para ver o último jogo de Kobe

São, com certeza, os ingressos mais inflacionados da temporada. Nem o jogo do Golden State, na Oracle Arena, contra o Memphis Grizzlies está tão caro – o Warriors pode bater o recorde de vitórias em uma só temporada nesta partida. O ingresso mais barato para este confronto é 397 dólares e dá para sentar na beira da quadra por 13 mil dólares – caro pra caralho, mas ainda quase que metade do jogo do Lakers.

Excluindo este jogo da conta, as entradas para os jogos do Lakers geralmente custam, em média, 102 dólares, variando para mais ou para menos dependendo do lugar escolhido, claro. É a segunda média mais cara da NBA, perdendo apenas pros jogos do New York Knics, que chegam a custar na média 123 dólares. Já assistir às partidas do Golden State é bem mais barato em média: 50 dólares.

Os tênis assinados de Kobe Bryant

A turnê de despedida de Kobe Bryant foi tomando corpo ao longo da temporada. Desde que anunciou que este seria seu último ano jogando na NBA, alguns rituais foram se consolidando. Geralmente, o time rival que recebe o time do Lakers em casa mostra um vídeo como forma de tributo ao jogador pela sua contribuição ao jogo (aliás, não sei se tem alguma coisa nova pra estas últimas edições da temporada…) e Kobe, vira e mexe, retribui um ou outro jogador adversário com um tênis assinado.

Kobe nunca foi um ‘nice guy’. É natural que os times prestem suas homenagens a uma das maiores lendas do jogo, mas a resposta de Bryant presenteando vários jogadores foi estranha. Não parecia ele. No livro Onze Anéis, de Phil Jackson, ele conta que Kobe nunca fez questão de ser amigo de ninguém no jogo. Em uma entrevista para a ESPN, o jogador esclarece que este não é um simples ato de generosidade e reconhecimento aos colegas: para MERECER um tênis de Kobe, é preciso PEDIR a ele.

É preciso ir até o rei e lamber seus pés, digamos assim. Segundo ele mesmo disse, para ganhar um par autografado é necessário ter ‘cojones’ para pedir.

Claro que reparando bem, Kobe tem seus preferidos. Lebron e Durant receberam tênis mais exclusivos do que Devin Booker, por exemplo, que ficou com um simples par branco. Tony Allen teve mais sorte: ganhou na dedicatória o reconhecimento de ter sido um dos defensores mais duros que Bryant enfrentou. Kobe também faz sua reverência, mas seria muito pedir para que ele admitisse isso.

Como virou febre entre jogadores dos times adversários, a estrela quase aposentada já leva de cinco a sete pares por jogo para distribuir aos rivais. Se todos tiverem a audácia de implorar por um tênis, todos levam.

Kobe sendo Kobe.

Chris Paul dá bengala e adesivo de dentadura para Kobe Bryant curtir aposentadoria

Na noite de sábado para domingo do All Star Weekend, Chris Paul, Carmelo Anthony e Dwyane Wade organizaram um jantar fechado em homenagem a Kobe Bryant, que se aposentará ao final da temporada. O encontro foi mais uma reverência ao armador do Lakers, que está fazendo desta temporada a sua turnê de despedida pelos EUA.

Neste final de semana, foi a vez de Kobe se despedir do All Star Game, evento que ele dominou e registrou todos os recordes possíveis nos últimos 20 anos. A ideia do “Gentleman’s Supper Club” – confraria criada pelo trio CP3, Melo e Wade no ano passado – era socializar com o veterano, que é conhecido pelo seu perfil mais introspectivo e pouco sociável.

3139D1AA00000578-3447585-image-a-25_1455549868306

Muy amigos: Kobe curte jantar com Wade, CP3 e Melo.

Os jogadores deram a Kobe uma garrafa gigante de um vinho italiano de 96, em referência ao ano em que Bryant entrou na liga. Um conjunto de robe e outras roupas para curtir as férias prolongadas também foram entregues ao jogador.

Mas, claro, que os craques também aproveitaram para trollar Kobe. Wade entregou uma assinatura de um ano de Netflix, já que o aposentado terá bastante tempo livre a partir de junho.

Chris Paul foi além: deu uma caixa de uma versão local de COREGA, óculos para vista cansada, bengala e meias de compressão para melhorar a circulação. Todos recomendados para a turma ‘mais experiente’.

Mesmo sendo um evento fechado, os jogadores abriram o jogo no final do jogo de domingo e contaram sobre o encontro – e claro, sobre as sacanagens. Kobe, aparentemente, levou na boa.

Restam mais 27 jogos. Depois disso, Kobe já tem o necessário para curtir a aposentadoria.

 

Page 1 of 2

Powered by WordPress & Theme by Anders Norén