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No #Fera: E não é que Kirving tinha razão em querer sair do Cavs?

E não é que Kyrie Irving tinha razão em querer sair do Cleveland Cavaliers?

Palpites fundamentais para a temporada 2017/2018

Já virou tradição aqui no blog eu fazer este post de palpites para a temporada. Não são previsões tão sérias (como as que fiz, time a time) e nem todas elas têm a ver com o basquete jogado na quadra. É mais uma série de chutes sobre o que eu acho que pode rolar ao longo do ano, o que eu gostaria que acontecesse e o que possivelmente não vai rolar, mas que eu quero ser o primeiro a dizer que pode acontecer. Já fiz isso nas últimas duas temporadas e tive até que um aproveitamento bom nos acertos – e você pode conferir a prestação de contas de 2016 e 2017 para comprovar o que eu falei de besteira também.

Enfim, vamos aos chutes:

  • Isaiah Thomas só vai voltar a jogar perto do All Star Game, em fevereiro do ano que vem.
  • Mas o backcourt com Derrick Rose e Dwyane Wade vai encaixar tão bem que o torcedor do Cavs não vai ter pressa para que Thomas volte.
  • Houston Rockets e Oklahoma City Thunder ficarão na frente do San Antonio Spurs na temporada regular.
  • Chicago Bulls não vai ficar nem em último, nem em penúltimo no Leste.
  • New Orleans Pelicans vai se classificar para os playoffs.
  • Los Angeles Lakers não vai nem ameaçar se classificar.
  • Lonzo Ball será o Calouro do Ano em uma votação apertada.
  • Milos Teodosic vai empolgar mais do que Markelle Fultz e Jayson Tatum.
  • Marc Gasol será trocado no meio da temporada. Demarcus Cousins não.
  • Joel Embiid jogará mais do que 70 jogos.
  • Orlando Magic e Detroit Pistons terminam a temporada na frente do Philadelphia 76ers, que não irá aos playoffs.
  • New York Knicks será a piada da NBA. Vai acabar a lua de mel entre a torcida do time e Kristaps Porzingis.
  • James Harden será o cestinha da temporada. Kyrie Irving e Demar Derozan ficarão no top 5.
  • O título de MVP da temporada será disputado cabeça a cabeça entre Kevin Durant e Lebron James.
  • E o título da NBA, mais uma vez, será decidido entre Golden State Warriors e Cleveland Cavaliers.
  • Desta vez, em sete jogos.

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[Previsão 17/18] Celtics: supertime em formação

Há quatro anos, quando o Boston Celtics mandou Paul Pierce, Kevin Garnett e Jason Terry para o Brooklyn Nets em troca de infinitas escolhas de draft de primeiro round, o maior campeão da história da NBA começou a se preparar para o futuro. O plano de Danny Ainge, general manager da franquia, era reestruturar a franquia do zero, formar um núcleo sólido e reerguer o time em alguns anos.

O plano ficou ainda melhor quando em pouco tempo o Nets virou pó e aquelas escolhas de draft passaram a valer ouro. Em tempos que franquias passaram a se esforçar descaradamente para perder e subir na tábua de seleção dos calouros, o Boston tinha uma condição única: podia tentar ganhar, ir se reforçando que, mesmo assim, só dependia do fracasso natural do Brooklyn para pescar novos talentos via draft.

Com esta e outras negociações, o Celtics escolheu oito jogadores de primeiro round em quatro anos. Ainda pegou outros dez jogadores de segundo round do draft. Paralelamente, ainda foi trabalhando bem nas trocas e assinatura de free agents. Com a promessa de ter um time forte para o presente e ainda melhor para o futuro, pegou Al Horford do Atlanta Hawks, trocou um cacho de bananas por Isaiah Thomas e, pouco a pouco, foi montando um time sólido, pronto para um dia estourar.

Se por um lado o time de fato começava a responder, a ganhar e dar bons resultados, a torcida passou a ter a sensação que aquele plano mirabolante de se tornar uma superpotência via draft não estava saindo exatamente como tinha sido desenhado. James Young, Terry Rozier, RJ Hunter, todos selecionados no draft, não vingaram. Outros vários ainda nem tinham pisado numa quadra da NBA. Jaylen Brown, o melhor calouro de todos, ainda era uma aposta para o futuro.

Até que nesta offseason surgiram as oportunidades para o time tentar subir de patamar de fato. Primeiro veio o sorteio do draft que deu a primeira escolha ao time – que, interessado em Jayson Tatum, trocou com o Philadelphia 76ers pela terceira escolha e uma pick futura. Depois, a boa vontade de Gordon Hayward, um dos principais jogadores sem contrato neste ano, em assinar com o time do seu antigo técnico dos tempos de universidade. Por fim, o pedido de Kyrie Irving para ser trocado, que casou perfeitamente com a falta de convicção do Celtics quando ao futuro de Isaiah Thomas.

(Jim Davis/Globe Staff)

O time pode não ser uma potência tão óbvia quanto Cleveland, Golden State, Oklahoma ou Houston, que reúnem estrelas consagradas sob o mesmo teto, mas é, sem dúvidas, um excelente projeto de supertime. Kyrie Irving é espetacular e vai ter toda a chance de provar se pode carregar ou não um time como referência técnica da equipe. Gordon Hayward e Al Horford são excelentes complementos a Kyrie – fazem o estilo coadjuvantes, mas são dos jogadores mais eficientes que existem no jogo hoje. Sou muito fã de Marcus Smart, que agora terá mais tempo de quadra e terá uma responsabilidade gigantesca de ser o capitão da defesa do perímetro do time. Por fim, o elenco ficou ligeiramente mais liberado para que Jaylen Brown e Jayson Tatum mostrem porque foram draftados em posições tão privilegiadas.

(John Tlumacki/The Boston Globe)

Eu vejo no Boston de hoje um pouco da estrutura do Golden State Warriors de uns anos atrás: um time que foi muito bem amarrado com escolhas cirúrgicas de calouros (Stephen Curry, Klay Thompson, Draymond Green, Harrison Barnes), mas que cresceu como uma potência com jogadores consagrados (David Lee, Andre Iguodala, Andrew Bogut, Monta Ellis).

Acho, no entanto, que este ainda não é o ano do Boston. Por mais que o time já seja bom, o elenco foi sensivelmente modificado. Da equipe que fechou a temporada passada, só sobraram Jaylen Brown, Al Horford, Terry Rozier ae Marcus Smart. De resto, todo mundo é recém-chegado. Vai tempo até que o excelente Brad Stevens consiga dar uma cara e um padrão ao grupo.

Como a conferência Leste é uma teta, o time deve ficar nas cabeças, mas ainda acho que não chega maduro o suficiente para derrotar, eventualmente, Cleveland Cavaliers ou, na melhor das hipóteses, o campeão do Oeste. Mas tudo bem, o plano do Boston é maior e mais duradouro do que isso.

Offseason
Foi intensa. Começou trocando a primeira escolha do draft em um movimento ousado. O time tinha a convicção de que Jayson Tatum seria mais útil e foi atrás do jogador. Assinou com Gordon Hayward e, para isso, precisou mandar Avery Bradley para o Pistons e pegar Marcus Morris. Também mandou meio time para o Cleveland Cavaliers para ficar com Kyrie Irving. Viu 11 jogadores saírem do elenco e contratou 12.

Time Provável
PG – Kyrie Irving / Marcus Smart / Kadeem Allen
SG – Jaylen Brown / Terry Rozier / Abdel Nader
SF – Gordon Hayward / Jayson Tatum / Semi Olejeye
PF – Marcus Morris / Guerschon Yabusele
C – Al Horford / Aaron Baynes

Expectativa
Por mais que o time já seja bom, não vejo ainda como postulante ao título. É o primeiro na fila das zebras. Fora isso, prevejo uma equipe tentando encontrar sua identidade, formando seus calouros e segundo-anistas. Deve chegar à final de conferência.

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[Previsão 17/18] Cavaliers: mais um ano, a mesma missão

Não é porque o Cleveland Cavaliers teve uma offseason muito tumultuada, porque seus rivais do Leste e do Oeste se reforçaram substancialmente, porque uma das suas estrelas e herói do titulo saiu do time, que a missão do time para este ano se diferencia das temporadas passadas. O Cleveland Cavaliers ainda é a maior e mais real chance de tirar o título das mãos do favorito Golden State Warriors.

No que depende do próprio time, até o momento, tudo tem corrido bem e as eventuais adversidades que surgiram foram superadas com certa tranquilidade.

Kyrie Irving pediu para ser trocado? O time conseguiu um retorno excelente, muito além do que normalmente as franquias conseguem quando suas estrelas estão insatisfeitas e pedem para sair. Mesmo que Isaiah Thomas esteja machucado por um bom tempo, o time conseguiu coadjuvantes bem úteis e uma escolha de primeiro round para o ano que vem – que pode ser fundamental para convencer que Lebron James permaneça no time, por exemplo.

O Boston Celtics contratou bem durante a offseason e se transformou em uma ameaça maior na disputa pelo título de conferência? O time se desfez de quem não deu conta do recado na temporada passada – Deron Williams é o melhor exemplo – e se reforçou com jogadores que comprovadamente crescem nos momentos decisivos – Dwyane Wade.

Lebron esteve sobrecarregado na armação no ano passado? Além de Thomas e Wade, o time contratou Derrick Rose, um cara que não é mais o mais confiável do mundo para carregar um time, mas que é bastante útil pelo menos para desafogar a criação de jogadas na maratona de 82 jogos da temporada regular.

Muita coisa mudou, evoluiu em Cleveland. Mas é verdade que muito mais precisa acontecer para que o time chegue, eventualmente, em uma final contra o Golden State em igualdade de condições.

Kevin Love continuar com a sua lenta e gradual adaptação à franquia para tentar, finalmente, ser o jogador que era em Minnesota: uma ameaça constante no ataque, decisiva noite após noite, tanto de fora, como no post.

O time melhorar brutalmente sua defesa é fundamental. Uma competição apenas de quem tem o melhor ataque não é uma tática inteligente de ser usada contra o Warriors – e a final do ano passado provou isso. Jae Crowder é um bom nome para ajudar nesta missão, mas acho que os ajustes têm que ser mais estruturais – e não acho que tirar Tristan Thompson da formação titular, como se cogita, seja a melhor ideia.

Aliás, neste ponto eu ainda duvido da capacidade de Tyronn Lue de fazer o time funcionar de um jeito diferente, que não seja completamente baseado no talento individual dos seus jogadores. Aqui, o Golden State Warriors e até o Boston Celtics já provaram que têm alguma vantagem sobre o Cavs, com treinadores comprovadamente capazes em seus bancos. Lue, por enquanto, se mostrou mais um mediador de egos do que um head coach competente – conseguir montar, finalmente, uma defesa competente seria uma forma de mostrar que tem talento equiparável aos dos demais.

Por fim, o time também deve buscar a melhor campanha geral da NBA. O Oeste está muito mais carregado o que pode, em tese, fazer o Golden State ser derrotado algumas vezes mais do que está acostumado – já que enfrenta Rockets, Spurs, Thunder, Clippers, Timberwolves e cia mais frequentemente do que os times do Leste. Se o Cleveland conseguisse a melhor campanha geral da liga, chegaria em uma eventual final da NBA com o mando de quadra e teria uma ligeira vantagem contra o time da California – começar a série fora de casa, sem o mando, tem sido avassalador para Cleveland.

A ausência de Thomas na primeira metade da temporada atrapalha esse plano em especial, mas em uma conferência Leste esvaziada, o Cleveland tem todas as condições de ganhar de praticamente todo mundo daquele lado do mapa, mesmo sem sua força máxima.

As condições mudaram, o time é outro, as dificuldades também não são as mesmas. Mas a missão de tentar superar um time amplamente favorito continua. E, hoje, a equipe mais próxima de fazer isso ainda é o Cleveland Cavaliers.

Offseason
Foi animada e o time se saiu bem de algo que poderia ser desastroso. Conseguiu reverter o polêmico pedido de Kyrie Irving para ser trocado em algo positivo. Ficou com Isaiah Thomas, Jae Crowder e Ante Zizic, além da importante escolha de draft do ano que vem, originalmente do Brooklyn Nets, que pode render um excelente calouro. Ainda apostou na recuperação de Derrick Rose, que já será útil mesmo que continue sendo o jogador apático dos últimos anos, e Dwyane Wade, que apesar da idade, ainda é decisivo. De menos importante, assinou com Jose Calderson e Jeff Green, que não devem ser muito acionados, mas garantem ao time um dos elencos mais profundos da liga.

Time Provável
PG – Isaiah Thomas / Derrick Rose /Jose Calderon / Kay Felder
SG – Dwyane Wade / JR Smith / Kyle Korver / Iman Shumpert
SF – Lebron James / Richard Jefferson / Cedi Osman
PF – Kevin Love / Jae Crowder / Jeff Green
C – Tristan Thompson / Channing Frye / Ante Zizic / Walter Tavares

Expectativa
Sou fã deste time do Cavs. Não só tem qualidade, é experiente, como parece ter gana. Além de Lebron, o melhor jogador de basquete em atividade no mundo hoje, Dwyane Wade é um cara com COJONES que pode não ser tão importante em uma maratona de temporada regular, mas fará muita diferença em uma série decisiva de playoffs e Isaiah Thomas é um jogador que, magoado, parece conseguir elevar a sua capacidade de decisão. Espero que se a final dos últimos três anos for reeditada, que a briga seja um pouco melhor desta vez.

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Cavs pode barganhar na troca Irving-Thomas, mas não deveria tentar

É verdade que o Cleveland Cavaliers pode pedir uma revisão da troca que envolve Isaiah Thomas e Kyrie Irving se a saúde do armador que era do Celtics estiver comprometida – Isaiah está com uma lesão no quadril e, segundo exames médicos realizados pelo Cavs, seu rendimento poderia ser abalado nos próximos anos por conta do ocorrido. Segundo Adrian Wojnarowski, da ESPN, o time de Lebron James teria pedido mais jogadores para completar a negociação, sob ameaça de cancelar a troca.

O Cleveland pode, realmente, fazer este tipo de ameaça, mas não vejo mais do que um blefe irresponsável ou um boato mal contado. Mesmo que Thomas esteja baleado, o Cavs tem muito a perder cancelando o acordo. Por mais que ficar com um jogador machucado seja um pepino, seria um negócio ainda pior voltar tudo como estava uma semana atrás – e é isso que aconteceria caso o Celtics se recusasse a mandar Jaylen Brown ou Jayson Tatum, os dois jogadores que o Cavs sonha envolver no bolo.

Digo isso por vários motivos. Para começo de conversa, Kyrie Irving teria que voltar ao elenco ainda mais insatisfeito e deslocado. Como não há nenhum clima para ele ficar em Cleveland, o jogador teria que ser trocado por qualquer coisa. Se as propostas já eram ruins antes, agora seriam ainda mais indecentes. Seu valor de mercado seria ridículo se comparado ao seu basquete.

Fora isso, o time perderia elementos que fizeram da troca um achado surreal para a franquia do Ohio. Perderia um coadjuvante muito bom com um contrato sensacional (Jae Crowder), um prospecto que pode vir a ser interessante (Ante Zizic) e um ativo fundamental (escolha de primeiro round do Nets do ano que vem) diante da possibilidade da saída de Lebron James e a necessidade de se reformular por completo.

Por tudo isso que foi colocado no pacote por Irving, vale a dúvida quanto a saúde de Thomas. Se ele se recuperar bem, é uma troca inimaginável diante das circunstâncias. Se não, pelo menos é um jogador com apenas um ano de contrato.

No fundo, eu não duvido que tudo isso faça parte de um jogo do front office para abalar as pretensões de Isaiah buscar um contrato máximo na próxima offseason. Para a diretoria do Cavs é interessante que o armador chegue jogando, mas sem toda aquela moral perante o resto da liga – o que forçaria a franquia a abrir mão dele ou gastar tudo o que não tem para mantê-lo.

Tem quem cubra o Cleveland e diga que é mais ou menos por aí e que, na verdade, ninguém no clube queira pedir este ou aquele jogador a mais na negociação – pois sabe-se que há um risco de colocar tudo a perder.

Trocas envolvendo jogadores seriamente lesionados já foram canceladas em outras oportunidades, é verdade, mas em nenhuma destas vezes jogadores tão importantes estavam nestas negociações – e as situações dos dois times também não seriam tão profundamente afetadas por elas.

Ter Isaiah Thomas machucado em seu elenco não seria bom, mas arriscar voltar a troca seria ainda pior para o Cleveland.

O melhor troco possível por Kyrie Irving

É difícil fazer render uma troca quando uma estrela pede para sair do time. Por melhor que seja o cara, é complicado conseguir alguém que pague o preço que aquele jogador efetivamente vale. Desesperado com a possibilidade de desvalorização do seu ativo, o time até então dono do contrato do jogador geralmente acaba aceitando a proposta ‘menos pior’.

Era assim que se encaminhava o pedido de Kyrie Irving para ser trocado. O Cleveland Cavaliers sonhava com alguma coisa tipo Kristaps Porzingis, mas tinha em mãos algo mais parecido com Eric Bledsoe. Os trocos oferecidos eram tão indecentes que cogitava-se que o time de Lebron iria começar a temporada com Irving. Era melhor levar alguns meses de clima péssimo no vestiário do que desvalorizar o segundo melhor jogador do elenco. Diante do eminente enfraquecimento da equipe depois da saída de Kyrie, o abandono de Lebron James era considerado certo. E, daí, pronto: voltariam os anos de mediocridade do Cavs.

Eis que, do nada, a franquia se acerta com Boston Celtics, maior rival do Cleveland na conferência Leste, e consegue o impossível: negocia Kyrie Irving por um pacote que, pasmem, pode até MELHORAR o time. Estão nele Isaiah Thomas, Jae Crowder, Ante Zizic e a escolha do Brooklyn Nets do próximo draft.

Elsa/Getty Images

Mesmo no pior momento possível, o Cleveland conseguiu transformar Irving em um dos melhores armadores de toda a NBA, em um ala extremamente útil com um contrato excelente, em um pivô alguma coisa promissora e em uma escolha top5 da próxima seleção de calouros.

A troca de Irving por Thomas tinha sido ventilada há algumas semanas, mas descartada logo de cara por ser uma negociação muito difícil para o time de Ohio – o Boston Celtics se mostrou duro na queda nas possíveis trocas cogitadas ao longo dos últimos meses e parecia difícil que a equipe despacharia seu melhor jogador. Isso descontando a situação frágil em que o Cleveland se encontrava, como já descrito anteriormente.

Para o acerto do Cavs, eu imagino que o time melhora, apesar de Kyrie ser o melhor nome da troca. Isaiah é um dos melhores jogadores no ataque em toda a liga. Crowder tem o perfil do banco do Cleveland. A equipe ganha profundidade e versatilidade.

Isso tudo não quer dizer que o Boston piorou. Apesar de ser uma troca surpreendente, fica claro que o time partiu para uma nova fase, apostando em jogadores de renome.

Para a franquia, a troca de Isaiah resolve algumas dores de cabeça da direção. Thomas se tornaria free agent ao final da temporada e pediria um contrato máximo, o que praticamente descartaria qualquer possibilidade do Celtics tentar buscar mais alguma estrela no mercado.

Até Kyrie, que parecia que ia abrir mão de tentar vencer com o seu pedido maluco para sair do Cavs, se deu bem: será o melhor jogador de uma das melhores equipes da liga.

Mas, mesmo que agora conte com um time titular poderoso, ainda terá que bater o Cleveland Cavaliers, que, surpreendentemente, conseguiu, de uma maneira incrível, ficar ainda melhor.

Muitos egos para um só time

O pedido de Kyrie Irving para ser trocado surpreendeu a quase todo mundo. Eu, por exemplo, escrevi aqui que não conseguia entender a cabeça do jogador. Muita gente, assim como eu, ficou sem compreender nada. Mas, no fundo, não deveria ser assim. O fim traumático do relacionamento de estrelas que dividem o mesmo time é frequênte. Na verdade, é mais comum que supertimes terminem com cada um indo para um canto em uns três ou quatro anos do que eles irem se desmanchando naturalmente, sem ressentimentos.

O roteiro quase sempre segue a mesma linha: dois ou três jogadores se reúnem para tentar ganhar, os egos inflam, alguém fica decepcionado com a repercussão das coisas e os caras brigam. As principais histórias parecem uma versão realmente interessante daquela poesia: Penny Hardaway tretou com Shaquille O’Neal (no Magic) que tretou com Kobe Bryant (no Lakers) que tretou com Dwight Howard (também no Lakers) que tretou com James Harden (no Rockets) que agora se juntou a Chris Paul e sabe lá até quando estarão ‘de bem’.

Mas é bem isso mesmo. Shaq e Penny Hardaway formavam a dupla mais empolgante da NBA. Um era o jogador mais dominante do esporte, o outro era o principal candidato a substituir Michael Jordan – que tinha se aposentado pela primeira vez. Em três temporadas, o casamento acabou com O’neal forçando a barra para fugir do companheiro.

No time seguinte, foi a vez de Kobe Bryant, uma estrela emergente, dar o ultimato. Os dois venceram três campeonatos seguidos, mas no último deles a situação já estava insustentável. A dupla ainda se manteve junta por mais duas temporadas, mas não resistiu à derrota para o Detroit Pistons – quando estavam acompanhados de Karl Malone e Gary Payton numa parceria que deu errado para todos os envolvidos.

Anos mais tarde, Kobe também não aguentou a união com Dwight Howard. Mesmo machucado, o jogador infernizou o pivô – que não tem a melhor cabeça do mundo – até o final da temporada. Resultado, na temporada seguinte Dwight saiu praticamente fugido de Los Angeles para Houston, encerrando uma parceria que foi anunciada como a ‘nova dinastia do Lakers’.

No Rockets, Howard também passou perrengue. Na última temporada, com o time implodindo, Harden e o pivô não conseguiam mais conviver. Parecia que nenhum dos dois mais queria jogar, só queriam, em quadra, mostrar que o motivo do insucesso do time era a presença do outro no elenco.

Mas os casos vão além dessa ciranda: Stephon Marbury não quis mais jogar com Kevin Garnett no Timberwolves, Ray Allen se desentendeu com o restante da turma em Boston, Sottie Pippen e Charles Barkley não se aguentavam mais em Houston… Todas as parcerias começaram muito bem, se diziam muito promissoras (algumas até de fato deram resultados excelentes), mas em algumas temporadas simplesmente evaporaram em meio à guerra de egos.

Levando em conta o principal motivo que faz com que estes caras se reúnam – ganhar um título -, a dissolução do Cleveland Cavaliers atual deveria ser ainda menos impressionante. O time já foi campeão em condições bem desfavoráveis, valorizando a conquista de cada um – Kyrie Irving especialmente, já que foi o autor da cesta do título.

Uma vez que a missão tenha sido cumprida, nada mais segura o jogador junto aos outros. No máximo, a sede por outros títulos – que pode ser menor do que a vontade de ser o melhor jogador em outro time, tomando outros ares. Em um cenário em que o roubo do título do Golden State Warriors parece uma tarefa cada vez mais difícil, é bem plausível que estes caras precisem de outras motivações para jogar.

Pela frequência tão intensa de desavenças entre estrelas é de se louvar supertimes que duraram mais do que a média. Não é comum times ficarem quase uma década juntos, como Los Angeles Lakers e Boston Celtics dos anos 80. Ainda que ambos tenham enfrentados alguns problemas de relacionamentos (Magic foi fritado pelos colegas no começo da sua carreira e Cedric Maxwell chegou a fazer a coisa desandar no Celtics em determinado momento), os núcleos principais de cada time conseguiram resistir ao tempo.

O mesmo dá para dizer do Chicago Bulls dos anos 90, que era uma bomba relógio ambulante, mas que conseguiu conter os ânimos dos jogadores por um bom período – talvez a grande virtude de Phil Jackson, técnico do time na época.

No momento, o Golden State Warriors é o grande exemplo. A exceção que confirma a regra. Não só Klay Thompson, Draymond Green, Andre Iguodala e companhia toparam manter os papéis de coadjuvantes de Stephen Curry em nome de uma sequência de temporadas vitoriosas, como Kevin Durant, uma estrela ainda maior, se juntou ao time – e sempre que pode, enaltece o clima entre os jogadores.

O quanto essa lua de mel vai durar é uma incógnita, mas ao que tudo indica a relação está saudável o suficiente para que não seja possível imaginar um desmanche no time, como é o que parece que vai acontecer com o Cleveland Cavaliers e que tantas vezes já rolou ao longo da história.

Os possíveis destinos de Kyrie Irving

Não sou muito afeito a isso, mas dado o terremoto causado pelo anúncio de que Kyrie Irving pediu para ser trocado e a falta de notícias na liga neste período do ano, fazer um exercício de achismo total sobre o destino do jogador pode ser divertido.

Antes de analisar quais times poderiam se interessar numa troca por Kyrie, qual deles deveriam realmente se esforçar em uma negociação e o que poderia seduzir o Cleveland Cavaliers, é preciso fazer um esclarecimento muito importante – que muita gente tem ignorado por aí: Irving NÃO TEM poder sobre o seu futuro neste contrato atual (que vai até 2019). O Cavs é que decide para onde ele vai e SE vai para algum lugar. Por mais que o jogador tenha supostamente indicado alguns destinos de sua preferência, o que vai determinar esta negociação é qual o melhor troco que o Cleveland consegue.

O fato de Carmelo Anthony estar nas conversas para trocas há algum tempo pode causar alguma confusão neste sentido. O ala do Knicks tem uma cláusula em seu contrato dizendo que ele não pode ser trocado sem sua ciência e aprovação. Na prática, ele que escolhe se e para onde pode ser negociado. Mas pouquíssimos jogador têm termos deste tipo nos seus contratos – e Kyrie não é um deles. Logo, tudo depende da conveniência e boa vontade do Cavs.

Bom, sobre as suposições a seguir, lembrem que é só um exercício completo de achismo. Como vocês verão, acho bem difícil que saia algum negócio. Portanto, todas as propostas de trocas são absolutamente hipotéticas. Ah, e não considerei trocas envolvendo três times para não entrar em um espiral infinito de possibilidades.

Vamos às hipóteses que eu considero mais realistas:

Continua no Cleveland

Por mais que o jogador tenha pedido a negociação, o time pode não seguir esta recomendação. A verdade é que não sabemos o exato teor da conversa e como anda a relação do jogador, colegas e franquia. Não se sabe o quão urgente é essa saída, por exemplo. Com as trocas de Jimmy Butler, Paul George e Chris Paul, os nomes mais interessantes disponíveis já foram realocados, reduzindo as possibilidades do Cleveland conseguir algo de valor equivalente em troca.

Mesmo em um cenário em que Kyrie quer sair para se antecipar a um movimento do Lebron no ano que vem, acho que o mais prudente seria tentar segurar o grupo junto por mais uma temporada. Ir para o tudo ou nada. Um improvável título poderia mudar as coisas de cenário, também. Não vejo muito risco para o Cleveland apostar nisso.

New York Knicks

Dentre os times preferidos de Irving, o Knicks é o menos ameaçador para o Cavs. Logo, seria mais inteligente privilegiar a franquia, caso fosse mesmo atender o pedido do armador. Também atenderia melhor a vontade de Kyrie de ser dono do time, além de formar uma dupla animadora com Kristaps Porzingis. A chance de rolar jogo aqui é convencer Carmelo a ir para Cleveland – os reports dão conta que hoje o jogador está determinado a ir para Houston.

O desafio maior seria fazer os salários baterem, já que Irving recebe menos que Anthony e o Cavs está absolutamente afogado além do limite salarial – portanto, não pode receber contratos maiores do que os que está enviando. Neste caso, precisaria envolver mais jogadores no rolo.

Coloquei aqui Iman Shumpert na negociação. Ele perdeu algum espaço no time na última temporada e seria ‘muito Knicks’ repatriar um cara desse tipo em algum momento. Mas poderia ser qualquer outro cara desse calibre.

Chicago Bulls

Bom, aqui vou seguir o raciocínio de que o Cleveland iria preferir mandar Kyrie para times que não o ameaçam. Usando como critério que Lebron James MEIO QUE MANDA no Cavs e quer jogar com seus amigos, uma troca possível seria com o Bulls pelo Dwyane Wade. Não acho que seria a negociação mais inteligente para qualquer um dos lados, mas dá para imaginar uma reunião entre os jogadores ainda saudáveis do Big3, assim como acharia bem provável o Bulls fazer algo bem incoerente com seus últimos movimentos (que no caso seria pegar mais um point guard).

Wade também recebe um salário maior do que Kyrie, o que demandaria algum ajuste para que a negociação saísse do papel. Como os contratos são mais parecidos, qualquer troco do Cavs já seria suficiente.

Denver Nuggets ou Phoenix Suns

Acho possível que o Cleveland tope conversar com algumas equipes, digamos, ‘periféricas’ da conferência Oeste. Denver e Phoenix são dois times que estão bem empenhados em se reforçar e a adição de ‘star power’ poderia elevar consideravelmente o patamar das equipes.

O Suns tem sido envolvido em várias suposições, muitas delas em trocas de três times. O nome mais cotado para sair do time, neste caso, é Eric Bledsoe. Além dele estar meio descontextualizado no atual elenco do Suns – que tem duzentos jogadores sub-21 -, acredito que teria um encaixe interessante ao lado de Lebron. Seria um downgrade para o Cavs na armação, mas também uma oportunidade de se reforçar na defesa e pensar em um esquema diferente para parar o Golden State Warriors.

Para compensar as coisas, simulei a ida de Dragan Bender para Cleveland, já que tornaria a proposta bem mais interessante para o time. Como o jogador não performou o esperado nos primeiros meses de jogo, acho que seria a aposta mais dispensável do Suns.

Vejo o Denver Nuggets mais ou menos na mesma situação. O time quer muito um armador e tem muita gente para, eventualmente, formar um pacotão para o Cavs. A vantagem aqui é que o Denver tem bastante gente nova e com contratos baratos para oferecer. Caso o front office do Cleveland sinta que é inevitável a saída de Lebron no ano que vem, seria um primeiro passo interessante para formar um elenco jovem e promissor para o futuro sem ter que passar por um traumático processo de tanking.

Ajuda o fato que Nuggets e Cavaliers já vinham se falando para uma possível troca envolvendo Kevin Love. Logo, é possível que alguns atletas do Colorado interessem ao Cavs.

Miami Heat ou Milwaukee Bucks

Seria bem irônico o desmoronamento do Cleveland passar por Miami. Por mais que eu não acredite que o Cavs vá entregar seu segundo melhor jogador para um rival assim, este é um dos destinos preferidos de Kyrie, então é preciso ao menos considerar a possibilidade.

Só consigo imaginar alguma coisa saindo aqui se o Heat mandasse Goran Dragic e algum dos seus jovens talentos. Como desprezo completamente Josh Richardson e Tyler Johnson, simulei aqui com Justise Winslow, um desejo hipster de vários times da NBA quando entrou na liga, mas que passou boa parte da última temporada lesionado. Mesmo assim, não acredito numa troca assim.

Coloco no mesmo bolo o Milwaukee Bucks porque o time é um rival direto do Cavs que seria automaticamente alçado ao posto de favorito no Leste caso Kyrie desembarcasse por lá. Considerando o fato que o time não tem armadores que sejam do mesmo nível do resto do elenco, acho que o Milwaukee gostaria de contar com Irving no time.

A pegada aqui é dar alguma juventude ao Cavs, em um esquema parecido ao que fiz com o Denver – sem que o Bucks abrisse mão das suas principais apostas para o futuro. Não acho provável, mas…

San Antonio Spurs e Minnesota Timberwolves

Por fim, fecho a lista de especulações (que saíram da minha cabeça exclusivamente) com dois dos times que completam a lista de preferências de Kyrie. Acho até plausível que o Cavs considere mandá-lo para a conferência Oeste, mas a chegada do armador a qualquer uma destas equipes poderia fazer delas rivais reais do Golden State Warriors, tirando do Cleveland o posto de segunda melhor equipe da liga.

O Minnesota tem o empecilho que Jeff Teague, novo armador do time, só pode ser trocado em dezembro – e não vejo muita possibilidade de uma negociação sair ali sem envolvê-lo. Em todo caso, dá para brincar imaginando algo meio surreal levando Andrew Wiggins ao time que o draftou há três anos. Acho que seria ruim para o Cavs e não seria algo da vontade do Wolves, mas não consigo pensar em outra coisa – o time de Minneapolis não colocaria Towns ou Butler no negócio, acho.

Fiz uma troca meio nada a ver considerando que Wiggins está negociando uma extensão gigantesca de contrato e os valores salariam podem mudar nos próximos dias.

Spurs é outro time que vem sendo cotado nas conversas. Não acho que Irving, apesar da qualidade, seja o armador dos sonhos da franquia e nem que o cenário ao lado de Kawhi seja o mais apropriado para um cara que quer ser franchise player. Em todo caso, o time parece que tem ouvido propostas por Lamarcus Aldridge e uma mudança neste sentido não seria a coisa mais absurda do mundo – apesar de muito improvável.

Por tudo dito acima, apesar das propostas, acho bem difícil que Kyrie saia já. Mas é um bom assunto para ocupar o vazio da offseason.

A cabeça de Kyrie Irving

Os sinais já tinham sido dados há algum tempo. O mais claro deles quando Kyrie Irving desafiou a física, a lógica e a inteligência de todos ao dizer que acreditava que a Terra não era redonda, mas plana. Não é possível que a cabeça desse cara funcione normalmente.

Essa foi a única conclusão que eu consegui chegar depois de algum tempo tentando entender o pedido dele para ser trocado do Cleveland Cavaliers. Não torço para o time nem nada, mas fiquei anestesiado com a notícia. Não é nada comum um jogador deste quilate abrir mão de estar em uma das equipes mais fortes da liga. Justamente o contrário. Atletas abrem mão do protagonismo para que possam disputar títulos. Diante de algo tão surpreendente, da notícia mais bombástica da offseason, percebi que não podia escrever algo no calor do momento. Tinha que digerir o que estava rolando para tentar entender a fundo o que acontecia. Sai, bebi, falei com um monte de gente sobre isso e não consegui chegar a qualquer conclusão que não fosse: a cabeça de Kyrie funciona de um modo diferente das dos demais jogadores de hoje.

Segundo os reports, Irving quer sair da sombra de Lebron James. Quer ser o ponto focal de uma equipe. Quer uma franquia só para ele – uma ideia que vai na contramão do que as demais estrelas desta grandeza tem feito, já que a moda hoje é se reunir em supertimes. Vale lembrar que Kyrie já estava no Cavs quando Lebron e Love decidiram se juntar em Cleveland. Por mais que a gente não saiba os meandros da negociação, hoje é possível imaginar que tal reunião nunca estivesse nos planos do jogador. Na época, inclusive, o jogador já tinha assinado uma extensão contratual pelo período e valor máximo. Tinha definido que nos cinco anos seguintes, continuaria numa equipe que lutava pra não ficar entre as piores da NBA. E aparentemente ele estava bem com isso.

Ao pedir para ser trocado, Kyrie coloca seu destino nas mãos de executivos que não estão nem aí para o que ele pensa, mas apenas no que pode ser melhor para o Cavs – ou pelo menos causar menos estrago para o time. Por mais que ele tenha pedido para ir para Spurs, Wolves, Knicks ou Heat, Irving não controla seu futuro. O jogador não tem uma cláusula  de ‘no-trade’ como Carmelo Anthony, que só será envolvido em uma negociação com o seu aval. Se o Cavs quiser, Kyrie pode parar em equipes sem muitas pretensões como Magic, Mavericks, Bulls, por exemplo (dependendo apenas do que cada uma pode dar em troca).

Fazendo este pedido, Irving deixa claro que prefere ser feliz em um time pior, que ele não tem controle nenhum de qual possa ser, com talvez zero chances de vencer, do que ser o segundo jogador em um contender.

Aliás, sobre os possíveis destinos do jogador, não acredito que a franquia iria se desfazer do seu prodígio que ainda está a alcançar seu auge técnico (ele tem só 25 anos!) para reforçar um rival. Lembrem que o Cavs é um time forte (menos, mas forte) sem Kyrie (69% com ele e 68,5% sem nessa segunda passagem de Lebron no time), e até pode abrir mão dele, mas não gostaria de vê-lo jogar em outro postulante ao título. Portanto, vejo menos chances do time despachá-lo para alguns dos mais cotados. E ele deve saber dessa possibilidade.

Bom, há quem diga que a ideia de Kyrie não é jogar sozinho e que ele só quer preservar sua imagem em um eventual desmonte da equipe no ano que vem, quando supostamente Lebron James anunciaria a sua saída do time. Não acredito que seja isso. Ao pedir pra sair, Kyrie já despertou a fúria do torcedor do Cavs. Até aliviou a barra de James, que agora tem um argumento mais razoável para debandar de Cleveland caso a franquia não consiga se manter competitiva. Em última instância, Kyrie vai ser culpado pelos torcedores por ter enfraquecido o time e causado a saída do camisa 23.

Em todo caso, seja qual for o motivo, é diferente de tudo que vimos recentemente. É um movimento totalmente contrário do que o próprio Lebron fez duas vezes, do que Chris Paul pensou ao ir para Houston ou o que levou Kevin Durant para o Warriors. É um pensamento diferente, que talvez esteja além da nossa compreensão.

A falta que Kyrie Irving faz

Para que exista o mínimo de competitividade nas próximas partidas da série final entre Golden State Warriors e Cleveland Cavaliers, Kyrie Irving precisa aparecer mais para o seu time. Até agora, o jogador não tem sido eficiente no ataque e tem se atrapalhado na defesa.

A impressão é a seguinte: com um time recheado de estrelas, o Golden State joga fácil, tranquilo, e pontua ao natural. Mesmo que não tenha uma partida excelente de todos os seus jogadores, o ataque flui e a defesa não passa muitos apuros. Já o Cleveland parece que precisa fazer absolutamente tudo certo, suar, se matar em todas as posses de bola que tem para apenas acompanhar o ritmo do Warriors. Um descuido mínimo é suficiente para o GSW abrir e acabar com o jogo.

Boa parte desta sensação se dá pela ineficiência de Kyrie Irving nos primeiros dois jogos da série. O raciocínio é primário. O Cleveland tem três jogadores realmente confiáveis no seu ataque, um a menos do que o Warriors. E um deles não está rendendo o máximo que pode.

O statline de Kyrie nem é tão ruim. Foram 24 pontos em uma partida e 19 na outra. Mas, por mais cruel que seja dizer isso, não é o bastante para bater o melhor time da liga.

O problema aqui é que Irving não tem sido eficiente como o Cavs precisa. Ele foi o segundo jogador com mais arremessos de quadra em toda a série, contando os dois times, mas é o quarto em pontos (apenas um à frente o quinto, Kevin Love). Só conseguiu ir para a linha de lance livre três vezes em 75 minutos de partida.

É o que tem o segundo pior índice de offensive rating entre os oito jogadores mais ativos na rotação do Cleveland (a cada 100 posses de bola que ele está em quadra, o time marca apenas 90 pontos).

Na defesa, como é de costume, Kyrie tem se perdido em várias trocas. Ele não é um mau defensor quando está marcando o jogador com a bola, mas é o mais desatento entre os dez titulares da disputa para vigiar seu jogador quando ele não está participando ativamente da jogada.

Seguidas vezes nas duas partidas Stephen Curry aparecia completamente livre do outro lado da quadra para o arremesso enquanto Kyrie corria atrasado ou flutuava atravessando o garrafão.

Por mais que seja difícil medir o impacto disso no jogo, seu defensive rating (o quanto o time leva de pontos a cada 100 posses em que o jogador está em quadra) é disparado o pior dos jogadores da rotação do Cavs, com 124 pontos sofridos.

No ano passado, Kyrie passou por uma situação parecida. Seus dois primeiros jogos contra o Warriors foram sofríveis. No segundo encontro, especialmente: fez 10 pontos e o time levou uma diferença de 26 pontos enquanto ele esteve na partida. No jogo três, no entanto, Irving explodiu e fez 30 pontos.

Foi também quando Tristan Thompson e JR Smith passaram a jogar melhor – com as atenções divididas, naturalmente Irving tem mais oportunidades para fazer suas bolas. Neste ano, os coadjuvantes do Cavs também não tem ajudado, dificultando a vida do jogador.

Mas enquanto ele não aparecer para jogar e, principalmente, decidir – como fez no jogo 7 do ano passado, por exemplo -, o Cleveland Cavaliers não tem chances.

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