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Lendas Urbanas da NBA: Delonte West e a mãe de Lebron James

Nenhuma história está absolutamente imune das fantasias de quem as viveu e de quem as conta. Todo grande feito tem aquela pitada de exagero que faz dele algo quase sobrenatural. Que faz as conquistas deixarem o plano mundano e virarem algo épico. Faz parte. Elevando isso a outros patamares, eu tenho um fascínio especial por aquelas lendas urbanas que povoam o imaginário dos torcedores ao longo dos anos. Mais do que saber se Jordan estava mesmo com a cabeça explodindo de febre naquele jogo da final de 20 anos atrás, eu gosto das histórias que mostram toda a criatividade da turma, que alimentam teorias da conspiração e que, na maior parte das vezes, têm relevância zero para o jogo. E o melhor de tudo: nunca vamos saber se foram reais ou não, já que interessa mais a todos perpetuar as lendas do que esclarecê-las.

Aproveitando que não acontece absolutamente nada na liga neste período e preparando o terreno para o que está por vir (semana que vem começo a postar as previsões para a temporada, time a time), lanço uma série de cinco posts com lendas que cercam a NBA. Começo com uma clássica: o lindo caso de amor entre Delonte West e a mãe do seu colega de time Lebron James.

A história foi deflagrada durante os playoffs do Leste de 2010, logo após a eliminação do Cleveland Cavaliers diante o Boston Celtics. O time de Lebron e Delonte tinha sido a equipe de melhor campanha da conferência e o camisa 23 vinha comendo a bola, como de costume. A série chegou a estar 2 a 1 para o time de Ohio até que James estranhamente desmoronou tecnicamente em quadra e não conseguiu segurar a reação do Celtics, que fechou a disputa em 4 a 2.

A justificativa é que entre um jogo e outro Lebron descobriu o que supostamente todos sabiam em Cleveland: sua mãe Gloria estava desfrutando dos prazeres da carne com seu colega Delonte West.

Um blog soltou a notícia alguns dias após a eliminação do Cavs. O autor da postagem, Terez Owens, que se diz o número 1 em fofocas relacionadas a esportes, disse que sua fonte era um confiável rapaz cujo tio trabalhava na arena do Cleveland e conhecia todos da franquia. Segundo ele, James descobriu o romance antes do jogo 4 e ficou arrasado. O acontecido teria também dividido o vestiário do Cavs, destruindo a química do elenco.

Nenhuma das partes se pronunciou logo de cara e, como toda gozação pra cima de Lebron, a história cresceu. Diziam até que Dan Gilbert, dono do Cavs, confirmava o caso – apesar dele nunca ter se pronunciado publicamente sobre isso.

No final das contas, a única pessoa que deu a cara a tapa para dizer que rolava um affair entre Delonte e Gloria foi o ex-jogador do Houston Rockets e, na época, comentarista da ESPN Radio, Calvin Murphy, que não tinha absolutamente nada a ver com o Cleveland, West ou James – e tem em sua ficha corrida a acusação de ter abusado cinco das suas quatorze filhas que teve com nove mulheres diferentes…

Segundo o blogueiro que soltou a informação, Lebron James o processou pela história, mas a merda já estava feita: todo mundo atribuía a queda de rendimento de James e a eliminação do Cavs à história.

O contexto e o preconceito da turma só piorava as coisas. Delonte West era aquele maloqueiro assumido. Seu estilo podrão dentro e fora das quadras casam perfeitamente com a história. O papel de Gloria no enredo da vida de Lebron também reforçavam a fantasia da torcida mais troglodita, machista e intransigente: foi mãe solteira ainda na adolescência, criou o garoto prodígio sozinha e teria encontrado conforto nos braços de um novo bad boy. Era mais fácil acreditar nisso do que no vacilo em quadra do herói supostamente infalível.

A lenda esteve em alta ainda por um tempo considerável. Chegou ao nível de, com a saída de Lebron para o Miami Heat, justificarem a contratação de Delonte West pelo Boston Celtics como uma arma secreta para, em um eventual confronto nos playoffs, a presença do ‘padrasto’ intimidar James (o confronto existiu, mas o Heat saiu vitorioso com boas atuações de Lebron).

Alguns anos depois, Delonte West veio a público dizer que nada tinha acontecido, que a história não tinha pé nem cabeça e que nunca se envolveu com a mãe de Lebron.

O técnico do Denver Nuggets, Mike Malone, que na época era assistente do Cavs, também já deu sua versão sobre o caso, alegando que os números de Lebron nem caíram tanto na série e que a derrota tinha mais a ver com a casca dura do Celtics, com uma virada reveladora no jogo cinco e com uma lesão no cotovelo do então MVP do que com qualquer abalo psicológico de James.

Mesmo assim, a lenda resiste e muita gente vai viver e morrer acreditando que Delonte era o pai que Lebron nunca quis ter, mas teve.

Muitos egos para um só time

O pedido de Kyrie Irving para ser trocado surpreendeu a quase todo mundo. Eu, por exemplo, escrevi aqui que não conseguia entender a cabeça do jogador. Muita gente, assim como eu, ficou sem compreender nada. Mas, no fundo, não deveria ser assim. O fim traumático do relacionamento de estrelas que dividem o mesmo time é frequênte. Na verdade, é mais comum que supertimes terminem com cada um indo para um canto em uns três ou quatro anos do que eles irem se desmanchando naturalmente, sem ressentimentos.

O roteiro quase sempre segue a mesma linha: dois ou três jogadores se reúnem para tentar ganhar, os egos inflam, alguém fica decepcionado com a repercussão das coisas e os caras brigam. As principais histórias parecem uma versão realmente interessante daquela poesia: Penny Hardaway tretou com Shaquille O’Neal (no Magic) que tretou com Kobe Bryant (no Lakers) que tretou com Dwight Howard (também no Lakers) que tretou com James Harden (no Rockets) que agora se juntou a Chris Paul e sabe lá até quando estarão ‘de bem’.

Mas é bem isso mesmo. Shaq e Penny Hardaway formavam a dupla mais empolgante da NBA. Um era o jogador mais dominante do esporte, o outro era o principal candidato a substituir Michael Jordan – que tinha se aposentado pela primeira vez. Em três temporadas, o casamento acabou com O’neal forçando a barra para fugir do companheiro.

No time seguinte, foi a vez de Kobe Bryant, uma estrela emergente, dar o ultimato. Os dois venceram três campeonatos seguidos, mas no último deles a situação já estava insustentável. A dupla ainda se manteve junta por mais duas temporadas, mas não resistiu à derrota para o Detroit Pistons – quando estavam acompanhados de Karl Malone e Gary Payton numa parceria que deu errado para todos os envolvidos.

Anos mais tarde, Kobe também não aguentou a união com Dwight Howard. Mesmo machucado, o jogador infernizou o pivô – que não tem a melhor cabeça do mundo – até o final da temporada. Resultado, na temporada seguinte Dwight saiu praticamente fugido de Los Angeles para Houston, encerrando uma parceria que foi anunciada como a ‘nova dinastia do Lakers’.

No Rockets, Howard também passou perrengue. Na última temporada, com o time implodindo, Harden e o pivô não conseguiam mais conviver. Parecia que nenhum dos dois mais queria jogar, só queriam, em quadra, mostrar que o motivo do insucesso do time era a presença do outro no elenco.

Mas os casos vão além dessa ciranda: Stephon Marbury não quis mais jogar com Kevin Garnett no Timberwolves, Ray Allen se desentendeu com o restante da turma em Boston, Sottie Pippen e Charles Barkley não se aguentavam mais em Houston… Todas as parcerias começaram muito bem, se diziam muito promissoras (algumas até de fato deram resultados excelentes), mas em algumas temporadas simplesmente evaporaram em meio à guerra de egos.

Levando em conta o principal motivo que faz com que estes caras se reúnam – ganhar um título -, a dissolução do Cleveland Cavaliers atual deveria ser ainda menos impressionante. O time já foi campeão em condições bem desfavoráveis, valorizando a conquista de cada um – Kyrie Irving especialmente, já que foi o autor da cesta do título.

Uma vez que a missão tenha sido cumprida, nada mais segura o jogador junto aos outros. No máximo, a sede por outros títulos – que pode ser menor do que a vontade de ser o melhor jogador em outro time, tomando outros ares. Em um cenário em que o roubo do título do Golden State Warriors parece uma tarefa cada vez mais difícil, é bem plausível que estes caras precisem de outras motivações para jogar.

Pela frequência tão intensa de desavenças entre estrelas é de se louvar supertimes que duraram mais do que a média. Não é comum times ficarem quase uma década juntos, como Los Angeles Lakers e Boston Celtics dos anos 80. Ainda que ambos tenham enfrentados alguns problemas de relacionamentos (Magic foi fritado pelos colegas no começo da sua carreira e Cedric Maxwell chegou a fazer a coisa desandar no Celtics em determinado momento), os núcleos principais de cada time conseguiram resistir ao tempo.

O mesmo dá para dizer do Chicago Bulls dos anos 90, que era uma bomba relógio ambulante, mas que conseguiu conter os ânimos dos jogadores por um bom período – talvez a grande virtude de Phil Jackson, técnico do time na época.

No momento, o Golden State Warriors é o grande exemplo. A exceção que confirma a regra. Não só Klay Thompson, Draymond Green, Andre Iguodala e companhia toparam manter os papéis de coadjuvantes de Stephen Curry em nome de uma sequência de temporadas vitoriosas, como Kevin Durant, uma estrela ainda maior, se juntou ao time – e sempre que pode, enaltece o clima entre os jogadores.

O quanto essa lua de mel vai durar é uma incógnita, mas ao que tudo indica a relação está saudável o suficiente para que não seja possível imaginar um desmanche no time, como é o que parece que vai acontecer com o Cleveland Cavaliers e que tantas vezes já rolou ao longo da história.

Ninguém é insuperável

Eu não me incomodo com a discussão sobre o quão próximo – ou distante – Lebron James está de Michael Jordan na lista de melhor jogador da história da NBA. Não acho absurdo que pensem que já seja possível fazer tal comparação, bem como compreendo quem acha que ainda existe uma distância considerável entre os dois. Cada um vê o basquete com os próprios olhos e as próprias referências – é legal que pensem diferente e, principalmente, discutam.

Mas tem uma frase frequentemente repetida por algumas pessoas que faz o debate ficar pobre e burro: “nunca terá alguém melhor do que Michael Jordan”.

Parece óbvio pra mim que falar uma coisa dessas é uma barbaridade. Pelo simples fato que não temos nenhuma informação do que vai vir pela frente e porque ninguém é insuperável – e isso vale para tudo, não só para o basquete.

Se em algum momento da história do jogo um cara chegou, venceu, se destacou e sobrou perante os demais a ponto de virar um consenso, é perfeitamente possível – provável até – que isso venha a acontecer novamente.

Mas vamos ao exemplo de Jordan e o basquete. Michael é o melhor de todos por ter sido um dos mais vencedores, um dos mais revolucionários jogadores de todos os tempos. Foi, possivelmente, o melhor naquilo que fazia. Na época que fez.

É fundamental pontuar isso porque dizer ele é o grande da história é muito subjetivo. É uma avaliação intangível. Se fôssemos levar em conta os números individuais e conquistas coletivas, Bill Russell e Kareem Abdul Jabbar, por exemplo, tem um histórico mais vistoso. Mas Jordan foi a unanimidade em uma época que a NBA atingiu o seu auge de popularidade, plasticidade e qualidade.

Foi com Jordan que a NBA se consolidou como um negócio mundial e como um espetáculo de referência. Ele era o principal businessman e artista. Foi o melhor do melhor momento do basquete.

Mas isso não quer dizer que ele é insuperável. No máximo significa que será muito difícil não só que alguém seja melhor do que ele, mas que alguém consiga ser considerado melhor do que ele – são duas coisas diferentes. Para superar Jordan, o próximo melhor de todos os tempos terá que superar um mito.

Essa propaganda toda do jogo de Jordan é merecida. Foi um jogador completo, que só não bateu mais recordes individuais porque em determinados momentos da carreira se encheu o saco de ganhar – se aposentou três vezes! E quando jogou, foi insuperável. Transformou uma equipe em imbatível. E, principalmente, em comparação com seus pares, com o jogo da sua época, foi perfeito.

Mas quando alguém repete que ele ‘nunca será superado’, ‘que não tem discussão’, ‘que sempre será o maior’, a base da argumentação deixa de ser o basquete e passa a ser apenas o discurso. A retórica por ela mesma.

Lebron, por sua vez, tem o baita mérito de parecer ser o mais próximo de tudo isso: sobra no seu tempo, faz do seu time uma máquina, é o exemplo máximo da evolução física, técnica e tática do jogo. Tem a seu favor o volume de jogos, a regularidade. Ainda precisa provar que pode superar mais vezes os rivais mais fortes do seu tempo, o que naturalmente daria mais títulos a ele. É, ao meu ver, o ser humano que já chegou mais próximo da comparação com Jordan. E, quem sabe, é quem tem mais condições de superá-lo algum dia.

Jordan já foi ultrapassado por alguém? Não. Mas levando em conta a evolução do jogo, dos métodos de treinamento, da superação física e aperfeiçoamento da técnica, é muito provável que um dia alguém seja, sim, melhor, mais vitorioso e impactante do que ele foi. Da mesma forma que ele superou seu antecessores.

Porque ninguém é insuperável.

[Previsão dos Playoffs] Final da NBA: Warriors x Cavaliers

Jogo 1 – Qui.  1 de junho,  Cleveland @ Golden State, 22h (ESPN)
Jogo 2 – Dom.  4 de junho,  Cleveland @ Golden State, 21h (ESPN)
Jogo 3 – Qua. 7 de junho,  Golden State @ Cleveland, 22h (ESPN)
Jogo 4 – Sex.  9 de junho,  Golden State @ Cleveland, 22h (ESPN)
Jogo 5 * Seg. 12 de junho,  Cleveland @ Golden State, 22h (ESPN)
Jogo 6 * Qui. 15 de junho, Golden State @ Cleveland, 22h (ESPN)
Jogo 7 * Dom. 18 de junho,  Cleveland @ Golden State, 21h (ESPN)

Temporada regular: 1×1

Palpite: Golden State em 7

O cameponato deste ano foi muito bacana, uma série de histórias legais, feitos históricos e tudo mais. Mesmo assim, parece que foram meses de espera por um tira-teima histórico: a terceira final consecutiva entre Cleveland Cavaliers e Golden State Warriors.

O ponto alto do confronto é que aparentemente as duas equipes se enfrentarão em no auge da técnica e sem contratempos de lesão – nos últimos dois anos, cada vez uma equipe foi prejudicada por ausência de alguns dos seus principais jogadores. Agora, o Golden State chega mais experiente, tranquilo e com o reforço incomparável de Kevin Durant. O Cleveland também está bem, com Lebron James jogando o melhor basquete da sua carreira, Kevin Love finalmente à vontade e Kyrie Irving sendo decisivo como sempre.

Acredito que nestas condições, o pico do Warriors é ligeiramente superior ao do Cavaliers, o que faz pender a balança do favoritismo para o time californiano. É verdade que na decisão do ano passado o potencial do Golden State já era superior ao do Cleveland, mas acho que a pressão por fazer uma temporada épica, com o maior número de vitórias da história não ajudou na hora do mata-mata decisivo. Neste ano, o time veio em ritmo de cruzeiro  – e mesmo assim não perde há meses.

Kevin Durant é um reforço que não pode ser menosprezado. Até se machucar, o ala estava jogando um basquete digno de MVP, com a maior precisão e eficiência ofensiva e maior impacto defensivo da sua carreira.

No ano passado, a inoperância de Harrison Barnes foi um dos fatores que levou o Cleveland à virada – a tática de deixar o jogador descaradamente livre na intenção de anular outras ameaças mais perigosas do Warriors funcionou e, mais do que isso, perturbou o time do Golden State. Na troca de Barnes por Durant, saiu o poste para entrar o gatilho.

Curry e Durant, ao invés de dividirem a bola, estão multiplicando as oportunidades de pontuação. Os dois se encaixaram mais rápido do que se imaginava. Juntos, o time cria mais oportunidades de arremessos livres e equilibrados, o que aumenta consideravelmente as chances de acerto dos chutes.

O entrosamento tem sido benéfico até para Draymond Green, que já era decisivo na defesa, mas vem tendo um desempenho ofensivo impecável nas últimas séries.

Para que o time emplaque seu esquema com primazia, falta apenas que Klay Thompson apareça um jogo ou outro. O jogador não tem passado pelo seu melhor momento, mas é uma ameaça constante no perímetro – especialmente diante uma defesa não muito dedicada do Cleveland Cavaliers.

Esta, inclusive, é a deficiência que faz com que o time de Ohio esteja um passo atrás na disputa. O ataque não tem muitos problemas. Por mais que a defesa do Warriors seja excepcional, Kyrie Irving, Kevin Love, Lebron James são os jogadores com mais recursos técnicos para vencer a barreira adversária. Channing Frye, Kyle Korver e os demais reservas do time também são letais. Mas, no saldo, é mais difícil que a defesa do Cavs atrapalhe o ataque rival do que o contrário.

Um caminho para o Cavaliers é desacelerar o jogo com a bola na mão. Diminuir o número de posses de bola e levar as partidas em um ritmo que não favorece tanto o rival. Fechado, com posses de bola longas e marcações ‘on ball’, a ineficiência pontual da defesa do Cavs fica muito menos evidente – e chega a favorecer Tristan Thompson, Lebron James e JR Smith.

E, por fim, o que torna a disputa ainda mais imprevisível, apesar da vantagem coletiva do Warriors, é a presença de Lebron James com a camisa 23 do Cavs. Mesmo que Curry, Kyrie, Durant ou seja lá mais quem sejam excelentes, Lebron é de outro mundo. Nestes momentos, então, ele faz ainda mais diferença.

Eu acho que teremos pelo menos seis jogos. Torço muito por sete. Acho que dá Warriors.

Não desista: ainda há motivos para assistir as finais de conferência

As finais de conferência não podiam estar mais desinteressantes. No Oeste, o Golden State tem passeado em quadra desde a lesão de Kawhi Leonard, que não deve jogar hoje a noite, facilitando as coisas para o time californiano fechar a série em quatro partidas. No Leste, o Cleveland Cavaliers aplicou duas lavadas monumentais fora de casa e ontem deixou escapar mais um jogo ganho. Para piorar, o Boston Celtics não terá mais Isaiah Thomas, machucado.

Por mais que pareça uma perda de tempo parar para assistir duas séries que não estão nada competitivas, ainda há algo em jogo em cada uma delas.

Possível despedida de Manu Ginóbili – O argentino até agora não anunciou se vai se aposentar ou se volta para mais uma temporada. Ainda que algumas das últimas atuações lembrem o craque multi-campeão pelo Spurs, Manu completa 40 anos daqui dois meses e discrição da sua participação ao longo da temporada sugere que vai ser difícil o jogador enfrentar mais uma maratona de 82 jogos no campeonato que vem. Ele já se despediu da seleção e o jogo desta segunda tem boas chances de ser o último dele na NBA.

Show de Kevin Durant/Stephen Curry – A dupla de scorers do Golden State Warriors tem sido espetacular nos playoffs, especialmente na série contra o Spurs. Na primeira partida, ambos somaram mais de 70 pontos para virar um jogo que parecia perdido. Nos dois confrontos seguintes, cada vez um apareceu para acabar com a partida.

Quem será útil ao Boston ano que vem? – Um dilema toma a direção do Boston Celtics para o ano que vem. O time é excelente, tem bons jogadores para todas as posições, mas praticamente só tem uma estrela de fato – não que seja pouco, mas não é o suficiente para fazer frente aos supertimes que dominam a liga hoje. Os últimos jogos da temporada podem servir como uma peneira para definir quem será útil na próxima temporada e que papel cada jogador poderá ter. Jaylen Brown, por exemplo, tem ganhado espaço com uma defesa disciplinada e ousadia no ataque. Marcus Smart foi fundamental na única vitória do time na série, colocando em cheque o quanto mais um armador vai poder contribuir para a franquia.

(David Liam Kyle/NBAE via Getty Images)

Lebron James persegue Michael Jordan – Pode não valer mais nada, mas cada vez que Lebron James entra em quadra nos playoffs pode resultar em uma performance histórica ou render em uma jogada lendária. A aura de jogador decisivo e vencedor vem se confirmando neste ano. É neste mata-mata, também, que Lebron tem alcançado Michael Jordan em alguns atributos – já passou em roubadas de bola e está a poucos jogos de superar em pontos.

Super Kevin Love – O ala-pivô do Cleveland Cavaliers já vinha recuperando sua melhor forma técnica ao longo da temporada, com performances comparáveis aos seus tempos de Minnesota Timberwolves, mas no mata-mata Love está especialmente bem. Este deve ser o último jogo em que ele vai atuar com alguma liberdade de ação no perímetro, já que contra o Warriors a marcação de Kevin Durant e Draymond Green deve ser implacável. Uma boa oportunidade para emplacar uma statline gorda.

A diferença entre a planilha e a quadra

Uma das poucas unanimidades no basquete diz respeito ao melhor jogador de todos os tempos. Uma boa maneira de comprovar essa sensação é evocar algumas estatísticas avançadas que medem a contribuição dos atletas em quadra. Ele é líder disparado nos índices de eficiência (PER), impacto ofensivo (ORTG), contribuições para vitórias no tempo que fica em quadra (Win Shares) e aproveitamento nos arremessos (True Shooting %). “Se os números não mentem”, não há como negar que Boban Marjanovic é o melhor jogador que já pisou numa quadra de basquete.

O problema aqui é que, na verdade, os números podem mentir, sim. Ainda que muita gente pense que eles são a ferramenta ideal para uma discussão objetiva, a verdade é que, como qualquer dado, informação e argumento, eles podem ser usados para nos confundir. Em um momento da NBA em que o uso das estatísticas está tão acessível, é bem comum que recortes sejam mal feitos e as discussões fiquem completamente contaminadas por eles, afinal, “contra fatos não há argumentos”.

Bom, por mais que Boban Marjanovic destroce Michael Jordan em todas estas estatísticas, é óbvio que o gigante sérvio não tem bola sequer para lamber os tênis do camisa 23. Aqui os motivos para a distorção estatística são bem óbvios: Boban jogou pouquíssimos minutos na liga (801 em dois anos), abaixo da linha do que pode ser sequer considerado, e sua amostra de tempo é minúscula, completamente incompatível com a discussão sobre os melhores jogadores da história (a título de comparação, Jordan jogou 40 mil minutos na NBA).

Foi foda achar uma foto boa do Boban porque ele quase não joga

No pouco tempo em que fica em quadra, Boban se aproveita dos seus 2,22 metros de altura para chutar todas as bolas que passam pela sua mão. Boa parte das vezes está em quadra com o jogo já decidido e enfrenta os piores reservas do rivais, o que infla seus números.

No entanto, nem sempre que a argumentação estatística entra em cena fica tão claro o que é relevante e o que não é, mas vale o alerta: forçar a barra ao evocar os chamados ‘números avançados’ é quase que uma regra.

Não que isso seja feito deliberadamente de má fé, mas na tentação de comprovar uma tese é comum se seduzir por aquela stat que parece comprovar que fulano é melhor que beltrano.

A corrida para MVP da temporada é um ótimo exemplo. Com performances individuais históricas, há números e argumentos de sobra para qualquer um que quiser eleger Russell Westbrook, James Harden, Kawhi Leonard ou qualquer outro como o melhor da temporada.

Não vou nem questionar o principal argumento da discussão, que diz respeito ao recorde de triple-doubles e a média de mais de 10 pontos, rebotes e assistências. Para começar, triple-double é apenas ‘o nome’ de um statline e, ainda que seja impressionante, não dá para dizer que isso é melhor do que uma média de 27 pontos, 11 assistências e 8 rebotes por partida – que é a média de Harden e que gera mais pontos para o time do que a média alcançada por Westbrook. As duas são insanas, históricas e ponto final. Pra mim, uma não vale mais do que a outra simplesmente porque uma se chama ‘triple-double’ e a outra não foi batizada ainda.

Vou mais no cerne da questão aqui do modismo dos analytics, que aprofundam a leitura rasa dos box scores e, em tese, medem melhor a colaboração de cada jogador em quadra – e são usados como fatos mais inquestionáveis pela turma.

Um deles é de que o San Antonio Spurs ficava com uma defesa mais vulnerável com Kawhi Leonard em quadra, ainda que ele seja indiscutivelmente o melhor jogador de defesa entre aqueles que disputam o prêmio de MVP. A cada 100 posses de bola em cada situação, o time sofre 106 pontos quando o ala está jogando e 98 quando ele está no banco. Este número, isoladamente, poderia ser suficiente para convencer alguém de que Kawhi, na verdade, não é um bom defensor. O que falta, no entanto, é explicar o contexto – os times tendem a isolar o jogador marcado por Kawhi, transformando boa parte dos lances em jogos de 4 contra 4, se aproveitando da inabilidade defensiva dos colegas de Leonard (Parker, Gasol, Lee e Aldridge ‘têm suas dificuldades’).

Na real, Kawhi é tão sobrenatural na defesa, que o simples fato dele estar em quadra faz com que os rivais desenhem um ataque inteiramente novo só para tentar diminuir seu impacto – e quando ele está no banco, os times abrem mão deste esquema.

Ainda sobre a defesa: Harden, que é considerado um dos marcadores mais relaxados da liga, é o líder em contestação dos chutes adversários na temporada. Ele foi o único jogador em toda a NBA que tentou defender mais do que mil arremessos adversários ao longo do campeonato. Os 1056 chutes de rivais marcados por ele são quase o dobro do que seu principal adversário na corrida para MVP, Russell Westbrook, que defendeu ‘apenas’ 579 arremessos.

Mas Harden não era uma mãe na defesa? Esse, inclusive, não era um dos argumentos para tirá-lo da briga pelo prêmio de melhor jogador (“afinal, uma partida é jogada dos dois lados da quadra”)? Bom, neste caso, os motivos da diferença brutal entre os dois podem ser vários: os rivais podem explorar a deficiência defensiva do barba e ‘buscar’ arremessar com a sua marcação, o Houston joga com um ritmo muito maior que os outros times, gera mais posses de bola e naturalmente seus jogadores terão números absolutos que os demais, Westbrook abriu mão da marcação de chutes para buscar rebotes ou até Harden pode não ser tão ruim defensor quanto os compilados maldosos de youtube sugerem. Enfim, mas definitivamente o volume de DFGA não é determinante para dizer se ele é melhor defensor do que os seus concorrentes.

No ataque, a principal crítica a Westbrook é que seus números são inflados pelo tempo que fica com a bola na mão, enquanto Harden seria mais eficiente em fazer o seu time jogar. Aqui, o número mágico evocado é que o armador do Rockets foi o líder em pontos feitos combinados com os pontos gerados a partir das suas assistências. No total, usando esse critério, o barba ‘criou’ 4540 pontos. Ok, é o líder da temporada, mas com apenas QUATRO pontos de vantagem perante Westbrook. Seria isso suficiente para dizer que um é mais solidário, envolve mais seus colegas e a partir daí definir o voto para MVP? Por favor…

Sem contar que o ritmo do Rockets é muito maior do que o do Thunder, o que favorece os números totais do Harden na temporada. Se levarmos em conta o número de pontos gerado por cada um deles em relação ao ‘pace’ de cada time, Westbrook toma a liderança de Harden.

Enfim, seria possível enumerar uma centena de argumentos furados. E todos eles poderiam ser contra argumentados com outros números fora de contexto. Não sou contra o avanço das estatísticas no jogo – elas nos ensinaram a enxergar coisas que o olhar viciado e ‘peladeiro’ não conseguia ver, mas qualquer estatística isolada pode ser tanto uma fotografia de um cenário, quanto o negativo dela.

Fica o alerta para não confiar cegamente em qualquer dado elaborado por aí. E o conselho para não usá-los como verdades absolutas, especialmente fora de contexto. No final das contas, não dá pra escolher o melhor jogador da temporada olhando somente para uma planilha cheia de números. É preciso confrontá-los com o que acontece em quadra. Afinal, é lá que o jogo é decidido.

Lebron sem folga

Gregg Popovich, técnico mais vitorioso da NBA nos últimos anos, não esconde uma das suas táticas para, ano após ano, chegar aos playoffs como um dos favoritos. Além de armar equipes altruístas e tirar o melhor dos seus jogadores, Popovich gerencia como ninguém o fôlego dos seus atletas ao longo do ano. Com múltiplas partidas em que descansa todos seus titulares, o técnico do Spurs parece que seus jogadores entram em quadra o mínimo possível para fazer o time terminar com uma boa campanha. Mais do que isso, para ele, é exigir demasiadamente das pernas dos caras, a um ponto em que a fatura pode ser cobrada lá na frente, nos playoffs, quando as coisas realmente importam.

Esta prática foi importada pelas melhores equipes da NBA nos últimos anos. Sempre que há uma ‘gordura para ser queimada’ na tábua de classificação ou se enfrenta uma maratona de jogos, as equipes que podem se dar a esse luxo descansam seus principais jogadores.

O Cleveland Cavaliers, que vinha sobrando no Leste, fez bem isso enquanto pode. Seus titulares foram poupados por alguns jogos no campeonato passado e o título veio – diferente do rival Golden State Warriors, que colocou seus melhores jogadores até o último minuto em quadra.

Neste ano, porém, a gerência da saúde e do fôlego dos seus atletas, por assim dizer, está um pouco mais complicada. A começar pelas lesões de alguns dos principais jogadores do elenco. Exceto Tristan Thompson, que detém o maior número de partidas seguidas sem lesão, todos os colegas de Lebron se machucaram em algum momento. Kyrie Irving ficou de fora de alguns jogos, Kevin Love vai ficar afastado umas semanas e JR Smith está fora há meses.

Além disso, o time não está com uma vantagem tão confortável perante os rivais. Depois de um mês de janeiro com mais derrotas do que vitórias, o Cavs viu Celtics e Wizards se aproximarem. Abrir mão dos titulares agora, é dar chance para uma eventual perda de mando num confronto futuro de playoffs.

Some-se a isso o fato de que Lebron deu uma chorada sem muita razão há algumas semanas – dizendo que o time precisava de mais jogadores de qualidade – e agora quer mostrar serviço para reverter a reação negativa da imprensa e torcida.

Tudo isso tem feito o camisa 23 ser exigido à exaustão – hoje, ele tem a segunda maior média de minutos por jogo na temporada. Um suposto risco para uma equipe que precisa chegar às finais tinindo para poder fazer frente ao Warriors e que nos dois últimos anos teve que ter Lebron jogando na sua melhor forma em toda a carreira para poder, em uma das oportunidades, sair com o título.

Acontece que Lebron é diferente. Exceto pelos dois anos passados, que conseguiu alguma folga, sua carreira sempre foi marcada por um volume de jogo altíssimo. Somando temporada regular e playoffs, são 49 mil minutos. Nos últimos 15 anos, ninguém chegou a essa quantidade de tempo. Dirk Nowitzki, o segundo colocado, jogou 4 mil a menos – o equivalente a uma temporada e meia. E, mesmo assim, James nunca chegou baleado numa série de playoffs.

Ainda que a cartilha de hoje mande que os jogadores joguem no limite mínimo possível para que fiquem inteiros para o mata-mata, Lebron sempre tem sido diferente. A impressão que dá, é que quanto mais exigido é, melhor a resposta.

Nesta série de jogos em fevereiro, ele retomou a sua média de pontos e suas performances vitoriosas que marcaram os melhores momentos da sua carreira. Justamente quando se desgastou mais, que jogou numa quantidade absurda.

Mais preocupante do que o tanto de tempo que Lebron fica em quadra hoje, é saber se seus colegas estarão inteiros e recuperados para os playoffs. No que depender dele, mesmo que fuja à regra, não há o que se preocupar.

Falar (besteiras também) é a profissão de Charles Barkley

Quinta-feira é o dia da NBA na TV aberta dos Estados Unidos. É o dia da semana em que geralmente acontecem os jogos de maior apelo popular e a TNT, canal gigantesco de lá que detém os direitos de transmissão do basquete, passa sua rodada dupla.

Antes da partida, no intervalo e depois dela, a bancada mais famosa da liga comenta tudo que aconteceu na semana e o que vai rolar naqueles jogos. Comandados pela lenda Ernie Johnson, Kenny Smith, Shaquille O’neal e Charles Barkley falam o que bem entendem por algumas horas semanais para que todo o país – e, por extensão, de alguma forma, o mundo – ouça.

Barkley é o mais polêmico deles, coleciona tretas. Esta semana, o noticiário da NBA foi tomado por mais uma delas: Lebron James ‘se cansou’ do que ele chama de ‘perseguição’ do ex-jogador e disse que não vai mais tolerar que ele desrespeite seu legado como um dos melhores jogadores de todos os tempos e que tem um currículo praticamente impecável fora das quadras, diferente de Barkley, que tem um histórico polêmico desde os tempos de jogador.

O estopim foi o comentário de Barkley de que Lebron estava chorando ao pedir mais um jogador para o elenco do Cavs. James, no entanto, diz que Chuck sistematicamente pega no seu pé.

Por mais que Lebron tenha todo o direito de se insurgir contra qualquer um que o critíque, é preciso entender que o trabalho de Charles Barkley é justamente esse: dar seu ponto de vista sobre todo e qualquer assunto que esteja em voga no mundo da NBA. Concordem ou não, ele tem uma das cadeiras mais prestigiadas da crônica esportiva mundial há mais de 15 anos somente para opinar sobre essas coisas.

Esse jeito bonachão, polêmico, agressivo é o que a tevê quer. É o que funciona – não somos só nós que temos a ‘honra’ de ter um Craque Neto falando o que bem entende em um microfone para milhões de pessoas.

Barkley já falou um monte de coisas e acumula seus rivais por elas – só nós últimos tempos, disse que o Golden State Warriors nunca seria campeão da NBA por causa do seu estilo de jogo, falou que a NBA nunca esteve tão fraca e esta última sobre Lebron. Em algumas ele acerta, em muitas ele erra, mas ele está ali para isso – e, melhor de tudo, não fica fazendo média com ninguém (a pior coisa que existe nesse caso é o comentarista tipo Caio “Frutilly” Ribeiro).

O que acho errado é transformarem isso tudo em uma rivalidade pessoal (convenhamos, não que eu concorde em tudo com ele, mas não foi só Barkley que achou que isso foi choro de Lebron, que o jogo do Golden State é chato e que a NBA atual tem um baixo nível).

Ou dizerem que Chuck ‘não tem moral’ para falar isso. Ele fez um monte de merda na carreira, já falou um monte de besteiras, mas a sua vivência e o seu conhecimento sobre basquete é inegável. Sua opinião não é a fundamental, mas é importante – até em comparação com seus pares de bancada, acho as opiniões de Barkley mais interessantes (amo o Shaq ‘enterteiner’, mas acho um porre sua obsessão por parecer um frasista-engraçadão nas análises, e Kenny Smith é interessante, mas não tem todo o MOJO de Charles).

Por último, torço para que frequentemente surja algo do gênero. É bacana ouvir o que todo mundo tem a dizer – mesmo quando nós discordamos. E é mais legal ainda ver um craque como Lebron James jogando com sangue nos olhos. No fundo, só vejo vantagem na existência de um comentarista como Charles Barkley.

Quase todo piti é exagerado

Parece que é combinado. A um mês da data limite para trocas, jogadores de times ruins, estrelas de franquias que lutam pelo time e atletas renegados soltam o verbo manifestando suas insatisfações. Semana passada foi emblemática: Lebron James, Dwyane Wade, Jimmy Butler e Rajon Rondo abriram a boca para reclamar de algo.

É legítimo e não teria problema nenhum se fosse feito de outra forma. O problema é a maneira que muitos jogadores tentam resolver as coisas: dando piti publicamente pela mídia.

Antes de qualquer coisa, eu faço a ponderação que a gente não sabe o que é tratado internamente. Pode ser que nos meses que precedem o desabafo para a imprensa sejam de intensa negociação com comissão técnica, front office e colegas de time. Realmente, não temos como saber.

Mesmo assim, acho irritante essa choradeira toda. Na maioria esmagadora das vezes me parece mais um sintoma de alguém que está tentando transferir a sua responsabilidade do que de um sujeito que quer realmente solucionar algo.

A começar por Lebron James. É o maior GM informal da liga. Força a barra para o time assinar com seus camaradas, para que demita o técnico, para que o elenco se reforce. OK, é um status adquirido. Mas não é exagero chorar por um armador reserva como se isso fosse a coisa mais fundamental do planeta quando o front office do Cavs é uma extensão direta das suas vontades?

Detalhe que o time já se sujeita a se reformular inteiro para buscar Kevin Love no Timberwolves, a assinar contratos de um ano com ele mesmo para garantir equipes competitivas todas as temporadas e a renovar seus colegas de time (JR Smith e Tristan Thompson, clientes do seu mesmo empresário) por fortunas. O que mais ele quer?

Além do que o Cleveland Cavaliers é uma equipe que já tem um dos elencos mais fortes da liga em uma conferência em que a franquia tem a confortável condição de levar em ritmo de cruzeiro. Se Lebron tem razão em fazer isso, todos seus concorrentes do Leste teriam o mesmo direito.

Não é porque o time não tem o veterano que Lebron quer na armação que o time perdeu para o Sacramento Kings e para o New Orleand Pelicans sem Anthony Davis.

Dwayne Wade é outro que não está lá muito em condições de jogar seus colegas aos leões. Depois de uma derrota, falou que só ele e Jimmy Butler jogam no time do Bulls, que só os dois se importam com os resultados das partidas, jogando toda a responsabilidade dos recentes resultados ruins nos jovens jogadores do Bulls.

Nos dias seguintes, os seus colegas comentaram que Wade não era uma presença muito constante nos treinos do time e Butler, que endossou as críticas do veterano, fez sua pior partida da carreira com apenas uma cesta em 13 arremessos tentados – duas coisas que também não são lá muito exemplares pros demais.

Rajon Rondo, por sua vez, jogou merda no ventilador ao postar nas suas redes sociais que exemplos de verdade eram os seus veteranos no tempo de Boston Celtics, que não procuravam a imprensa para expor seus colegas e resolviam seus problemas internamente e na quadra. No caso dele, não que ele esteja muito preocupado com o sucesso do Bulls, mas possivelmente viu na treta toda uma possibilidade de recuperar os minutos perdidos na rotação ou melar o ambiente de vez e forçar uma troca para um time onde tenha mais espaço.

Todos estes caras são escolados, sabem que qualquer peido fora de hora vira uma bomba. Uma declaração dessas não é um descuido. É uma jogada premeditada. Mas dificilmente tem resultados práticos mais eficientes do que os estragos causados dentro do time.

Não vejo um armador veterano e sem time sendo tão útil assim para o Cleveland Cavaliers no momento, que vá fazer muito mais do que os caras que estão por lá já fazem. Não imagino o Chicago Bulls dando uma virada brutal daqui em diante. Tenho certeza que se Rondo for pra outro time, não vai assumir a titularidade de uma equipe vencedora e retomar o status de estrela.

No fundo, é só um bando de marmanjo chorando diante de uma dúzia de microfones.

O passado é sempre melhor, mesmo que não seja de fato

Charles Barkley falou e virou notícia, mas é o típico papo que vai e vem numa insistência irritante: a NBA de hoje é fraca, os times são ruins, boas mesmos eram as equipes do passado, craques de verdade foram aqueles de gerações anteriores, aquilo que era basquete e etc.

Por mais que para mim seja óbvio que o jogo de hoje é mais completo, mais difícil, mais evoluído físico e tecnicamente (sim, tecnicamente também!), que o basquete da atualidade seja uma evolução do que foi jogado ao longo do século, a maioria esmagadora das pessoas tende a pensar que o esporte do passado é melhor do que o de hoje.

Isso acontece simplesmente porque o jogo que está na memória do cara é imbatível. Não dá para comprar uma recordação, repleta de imprecisões e de sentimentos, com o jogo nu e cru que está passando na TV neste exato momento.

Existe uma turma que adora proclamar que o basquete dos anos 90 é insuperável. Mas pense se é uma comparação justa colocar de um lado uma época em que assistir a um jogo da NBA era um evento sensacional, em que você era um pirralho deslumbrado com o basquete recém descoberto e que seu senso crítico era bastante questionável e do outro a nossa possibilidade de assistir a todos os jogos da rodada, sendo uma porrada deles ruins, depois de um dia inteiro de trabalho e em que o encantamento pelo esporte é completamente diferente.

O que as mentes saudosistas raramente se lembram é que os jogos dos anos 90 também tinham muitas coisas insuportáveis: formas de defesa que eram proibidas e limitavam os confrontos, insistência em determinados modelos de ataques, times recém-criados que eram muito mais fracos que os demais…

Sabiamente, a nossa memória evapora qualquer lembrança de um Los Angeles Clippers e Washington Bullets de 1993 – se é que existia a possibilidade de ver um jogo destes naquela época – para dar lugar aos melhores momentos de Chicago Bulls e Seattle Supersonics.

Partindo desta premissa, é perfeitamente possível imaginar que naquela época existia quem pensasse que “basquete de verdade era aquele jogado nos anos 70” e assim por diante, como se o jogo perfeito fosse aquele criado por James Naismith no final do século XIX e que, desde então, as pessoas só tivessem insistentemente tentado estragar a coisa toda. É claro que não é assim.

Não digo que não havia coisas boas, algumas delas melhores, em outros tempos. Longe disso. Mas contesto o mantra saudosista que ignora o que há de bom atualmente. Que não vê que nunca existiu um cara com o tamanho, força e habilidade de Lebron James. Que a precisão nos arremessos de Stephen Curry, no volume em que ele chuta, com a marcação que tem nos dias de hoje, é algo sem precedentes. Que voar da linha do lance livre para enterrar nos dias de hoje não é mais um evento extraordinário. Que nunca existiu um reboteiro tão bom com o tamanho de Russell Westbrook. Que Kevin Durant é uma aberração, do tamanho de Hakeem Olajuwon mas com movimentos de Tim Hardaway. Que o Golden State Warriors passa mais a bola e é mais envolvente do que o Lakers do Shotime dos anos 80.

Que, enfim, não curte o privilégio que é ver a história ser escrita diante dos nossos olhos.

 

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