Tag: Los Angeles (Page 1 of 4)

Lonzo Ball era o que faltava ao Lakers

Por mais que sejam percepções alimentadas por clichês e mitos, é inegável que algumas franquias têm personalidades muito bem definidas. Os melhores times do Boston Celtics contam com talentos improváveis que tem algo a provar para o resto do mundo, o San Antonio Spurs parece ser viciado em discrição e eficiência, o Detroit Pistons tem uma aversão a grandes estrelas, que é compensada pelo jogo duro e coletivo. E por aí vai. O Los Angeles Lakers, por sua vez, tem uma característica muito simples: é movido a grandes estrelas.

Não quer dizer que o time vai bem, não quer dizer que os caras dão sempre certo, mas não existe um time do Lakers minimamente memorável que não tenha um cara diferente dos demais quando o assunto é chamar a atenção. É a gasolina do time. Ele vive disso. Se por algum motivo em algum determinado período a franquia não contou com um cara assim, esqueça: são anos que serão jogados na lixeira amarela e roxa da mediocridade.

Neste aspecto, Lonzo Ball era tudo que o Lakers precisava para ter alguma chance de mudar de rota, encerrar o processo de tanking e começar a pensar em evoluir daqui em diante. Não entro nem no mérito do quanto o menino joga – por favor, vamos com calma, Summer League não quer dizer nada e aquelas enquetes sobre quantos MVPs ele vai ganhar na carreira são uma atrocidade -, mas na capacidade que tem de atrair os holofotes.

Parece algo que acontece naturalmente com ele – e, claro, impulsionado por um pai maluco que quer muito aparecer. Só ver o buzz das últimas duas semanas: em primeiro lugar, só se falava da sua performance. Em segundo, do tênis que usava.

Lonzo surge na liga com o carimbo do Lakers na testa, assim como aconteceu com Magic Johnson e Kobe Bryant – de novo, sem comparar o jogo, mas o hype -, que mal vestiram a camisa mais vencedora da California e viraram ídolos instantâneos. Assim como acontece hoje com Ball, Magic e Kobe já eram verdadeiras estrelas antes mesmo de virarem grandes jogadores. Chamavam toda a atenção quando ainda eram adolescentes cheios de espinhas – neste caso em especial Lonzo já superou as duas lendas do Lakers, com mais acne do que qualquer jogador do time em todos os tempos.

Toda essa repercussão, aliás, confirma que finalmente o núcleo essencial do time que foi amargamento reconstruído ao longos das últimas temporadas está formado. Era este selo que faltava a D’Angelo Russell, Brandon Ingram e Julius Randle, por exemplo. Todos aparentemente com muito talento, mas insuficientes para recuperar o protagonismo que a franquia sempre esteve acostumada.

O primeiro pré-requisito foi preenchido. Agora que, com o tempo, confirme tudo que se espera dele dentro de quadra.

Chris Paul e James Harden podem jogar juntos?

Acabou de ser confirmada a troca que leva Chris Paul para o Houston Rockets. O jogador avisou a direção do Los Angeles Clippers que assinaria contrato com o time do Texas e, para que o time não saísse sem nada em troca com o final do contrato, acabou chegando a um acordo com Paul de que assinaria por mais um ano com o jogador e imediatamente o mandaria para Houston em troca de Patrick Beverley, Lou Williams, Sam Dekker e uma escolha de primeiro round do próximo draft.

A negociação saiu barato para o Rockets, é muito verdade, mas diante da possibilidade de uma debandada geral do time – capitaneada por Paul, mas já indicada por Blake Griffin e nas sondagens de troca de Deandre Jordan – era o que dava para fazer já que CP3 tinha escolhido seu destino. Era conseguir alguma coisa do Houston ou sair sem nada.

A grande questão agora é saber como Chris Paul e James Harden, dois jogadores que dominam a posse de bola enquanto estão em quadra, vão jogar juntos.

Mesmo quando era um shooting guard ainda, James Harden já era um cara que carregava as bolas além da conta. Na posição antiga, era um ‘buraco negro’ (recebia a bola, quebrava o ritmo e partia para a cesta quando bem entendia). Na nova, nesta temporada, era quem ditava a velocidade de um esquema insano de contra-ataques.

Chris Paul, da mesma forma, nunca jogou sem a bola na mão. Se notabilizou como O MELHOR armador clássico da liga. É um cara que carrega as bolas, chama as jogadas e alterna o ritmo como um comandante do time. Quase que todos os movimentos em quadra estão condicionados aos seus atos.

Os dois lideraram a liga em porcentagem das assistências totais dos seus times e estão há anos no topo da liga em ‘usage rating’. Harden nunca jogou com um armador de nível parecido – o melhor foi Russell Westbrook, que não era ainda nem sombra do que é hoje. Chris Paul também nunca teve um colega na armação tão capaz e centralizador – o mais próximo disso foi dividir a bola com o ‘peladeiro’ Jamal Crawford.

Mas do jeito que as coisas se desenharam, é de se esperar, no mínimo, que ambos estejam muito empenhados para que isso dê certo.

Paul escolheu o Rockets e disse que iria para lá sabendo que o time é de Harden e joga de uma maneira bem característica. Mais do que isso, abriu mão de 11 milhões de dólares na negociação – poderia abocanhar um contrato muito maior se tivesse assinado como free agent com qualquer franquia.

O barba seguiu a mesma linha. Reports dão conta que Harden trabalhou intensamente nos bastidores para convencer Chris a ir para o seu time e, paralelamente, para que o front office do Rockets se mexesse para que a negociação saísse do papel. Fez tudo isso sabendo que Chris Paul é um armador que joga com a bola nas suas mãos o tempo todo.

Digo isso porque qualquer análise que considere as características de ambos deve ser ponderada pela vontade que os dois mostraram em jogar juntos. Logo, é provável que se esforcem para que dê certo, mesmo cada um precise mudar sua maneira de se comportar em quadra.

Na prática – e levando esta ponderação em consideração -, imagino um Chris Paul razoavelmente menos ativo e influente. Pode até ser um desperdício contratar o jogador para emplacar a correria promovida por Mike D’Antoni e ficar ao lado de Harden enquanto ele bate bola, mas confio que o armador é inteligente o suficiente para poder se sair bem neste tipo de situação. No último ano de Vinny Del Negro como técnico do Clippers (segundo de Paul pela franquia), o time era um dos mais rápidos da liga e um dos que mais fazia pontos em contra-ataques. Chris Paul é bom para isso também.

Ambos também são excelentes chutadores. Isso é essencial para que ambos tenham oportunidades de se movimentarem fora da bola e terem melhor chances ainda de arremessar de fora.

Por fim, tirar a bola das mãos de Harden é fundamental em alguns momentos, já que foi o líder disparado em desperdícios de bola na temporada. Ele deve entender isso, já que pediu a adição de Paul ao time.

Será necessário um período de ajuste, com certeza, mas acho que ambos estão dispostos a ceder. E ambos são bons o suficientes para que possam jogar em papéis significativamente diferentes.

Preparando o terreno

O Los Angeles Lakers conseguiu chacoalhar mais o mercado da NBA do que a troca da primeira escolha do draft entre Boston Celtics e Philadelphia 76ers. Com a explícita intenção de limpar a folha salarial para a próxima offseason, o time angelino mandou seu armador titular D’Angelo Russell e o pivô Timofey Mozgov para o Brooklyn Nets em troca do pivô Brook Lopez e da 27ª escolha do draft deste ano.

A troca pode parecer estranha, já que o Lakers vinha em um processo gradual de evolução, apostando todas as fichas em um time equilibrado formado via draft e Russell era o jogador que tinha sido escolhido com a pick mais alta do time nos últimos anos (foi o segundo em 2015, atrás somente de Karl Anthony Towns). Mas a verdade é que o desempenho de D’Angelo, a oferta abundante de armadores na turma do draft deste ano e a manifesta vontade de Paul George jogar pelo time no ano que vem fizeram a franquia mudar os planos de uma hora para a outra.

O que aconteceu, mais detalhadamente, foi o seguinte: há dois dias, Adrian Wojnarowski, insider do Yahoo que antecipa 99% das notícias quentes da liga, soltou que Paul George não renovaria com o Indiana Pacers ao final da próxima temporada e que seu destino preferido era o time roxo e amarelo. O anúncio fez meio mundo se mexer. O Indiana foi ao mercado ouvir propostas pelo jogador e muitos times procuraram o Pacers oferecendo trocas.

Acontece que o seu valor de mercado ficou limitado com a notícia de que quer ir para Los Angeles na temporada que começa em 2018 – em tese, George jogaria apenas um campeonato por qualquer time e na próxima offseason sairia de graça para assinar com o Lakers. Nisso, ficaram na briga apenas times que teriam condições de ‘alugar’ George por um ano para brigar pelo título agora.

Paralelamente, o Lakers viu que teria que se coçar. As possibilidades seriam duas: persuadir o Pacers para uma troca agora e garantir o jogador ou abrir espaço na folha salarial para seduzir George ano que vem, além de sinalizar que poderia montar um time competitivo ao seu redor – o receio é que PG13 mude de ideia ao participar de um projeto vencedor em outra cidade, escolha alguma outra franquia neste meio tempo e desista do seu plano inicial.

Aparentemente o time da Califorina fez algumas propostas ao Indiana, mas não conseguiu tirar George de lá – por enquanto, ao menos. Sem êxito, partiu para a segunda fase do plano e resolveu se livrar dos contratos mais incômodos do elenco. Timofey Mozgov é um deles.

O pivô russo foi uma das contratações mais bizarras do ano passado. Por mais que o novo limite salarial tivesse aumentado, pagar 15 milhões ao ano para ele era um desperdício nítido – eu falei sobre isso há um ano. Pior é que seu contrato ocuparia parte da folha angelina por mais três anos. Se o Lakers quer ir atrás de jogadores de peso, como o próprio George ou até Lebron James (dizem que pode ser um destino do jogador…), a limpa tinha que ser feita já.

Acontece que ninguém estaria disposto a pegar um abacaxi destes sem mais nem menos. O time precisava, então, colocar algum ‘ativo’ minimamente atraente no pacote para chamar a atenção das outras franquias. Aí que entra D’Angelo Russell.

O armador vivia uma pressão grande no time: era o que carregava a maior expectativa de um dia virar craque e, ao mesmo tempo, era o que despertava as maiores dúvidas. Randle já consegue ser mais consistente – tanto nas qualidades quanto nos defeitos. Ingram ainda conta com o benefício da dúvida. Russell, coitado, não desencantou como o staff do time esperava.

Se ainda é cedo para decretar se o jogador não é tudo aquilo, o Lakers tem a vantagem de ter a segunda escolha em um draft lotado de point guards. O mais bem cotado deles para a posição, já que Markelle Fultz será escolhido pelo Sixers, é Lonzo Ball. Na dúvida entre um e outro, o time escolheu abrir mão daquele que conhece e melhor – e pode saber que dali não sai muito mais coisa -, aliado à conveniência de usa-lo como fiel da balança na hora de se livrar do contrato horroroso de Mozgov.

De quebra, o time recebe uma escolha de primeiro round, que sempre teu seu valor na hora das trocas, e Brook Lopez, que é aquele pivô que ninguém vai brigar para ter (não defende nada, não pega rebotes), mas que quando está no seu time, é uma peça muito útil (é um excelente pontuador e que agora se tornou um chutador de três decente). Se vingar, combinar com o time e se sair bem, pode renovar na próxima temporada. Se não, são mais 22 milhões que saem da folha do time.

Particularmente, achei uma movimentação interessante. Posso estar sendo injusto e impaciente, mas não vejo um potencial tão grande em Russell. Acho que vale a pena arriscar a aposta em um point guard do draft e tentar persuadir Paul George. D’Angelo é, no máximo, uma estrela em potencial. George é uma de fato. Por fim, sou fã de Lopez – mesmo com todos os defeitos que tem.

É provável que o Lakers não pare por aí. Luol Deng é outro ‘elefante na sala’ da franquia e o LAL ainda tem alguns valores para despachar em busca de um cenário mais favorável na próxima temporada. No fundo, o time só quer preparar o terreno para atacar agressivamente o mercado na próxima temporada. Pode dar muito certo, como pode dar muito errado.

O bom e o mau exemplo

Em toda a história da NBA, apenas três times varreram três times até alcançar a final do campeonato: o Los Angeles Lakers de 1989, o mesmo Lakers de 2001 e o Golden State Warriors deste ano.

Levando em conta única e exclusivamente o que aconteceu na série final, contra o vencedor do Leste, os dois Lakers são exemplos completamente distintos do que pode acontecer com o Warriors atual.

O time de 1989 era uma máquina. Chegava à sua oitava final em dez anos. Era a terceira consecutiva depois de um bicampeonato. Tinha vencido cinco títulos da NBA neste período. Apesar de ser o segundo período mais vitorioso da história de um time de basquete americano, atrás somente do domínio do Boston Celtics nos anos 50 e 60, o grande legado do time foi ter emplacado um estilo de jogo diferente, baseado no improviso. Prezava pela velocidade, em uma época em que o jogo começava a ficar cada vez mais lento e cadenciado. E diferente da correria das décadas passadas, pregava o envolvimento coletivo de todos em quadra, com troca de passes e movimentação intensa sem a bola. Foi batizado, conhecido e mundialmente reconhecido como “showtime”.

A turma de Magic Johnson, James Worthy e Kareem Abdul Jabbar já estava junta há um bom tempo, tinha conquistado de tudo e naquele ano, pela enésima vez, impunha seu estilo de jogo perante os rivais. Varreu sem dó Blazers, Sonics e Suns.

Com tempo de sobra enquanto esperava a definição do rival do Leste, resolveu se preparar para o pior. No ano anterior, tinha vencido do Detroit Pistons em sete partidas, sofrendo com o jogo brutal do rival. Como o time de Michigan era o favorito para reeditar a final, o Los Angeles Lakers resolveu treinar por uma semana para a pancadaria que se anunciava. A ideia era ajustar o ‘showtime’ para a pegada ‘bad boy’ do Pistons.

A experiência foi tão desastrosa, que Magic Johnson e Byron Scott se machucaram nas preparações – pesadíssimas e que nada tinham a ver com o que o Lakers estava acostumado – e o time angelino foi varrido pelo rival do Leste, mesmo sendo a primeira franquia da história a chegar às finais passando por três rounds invicto.

Já o time de 2001 teve melhor sorte. Apesar de também imbatível nos playoffs, o arranjo com Shaquille Oneal e Kobe Bryant tinha muitas diferenças se comparado com o escrete ‘purple&gold’ de 89: era um time ainda em evolução e ainda estava afirmando o esquema dos ‘triângulos ofensivos’ de Phil Jackson. O treinador havia sido contratado há duas temporadas para tentar impor o modelo que tinha sido dominante nos tempos de Chicago Bulls, além de mediar os talentos e, principalmente, os egos de Kobe e Shaq.

A caminhada até as finais foi bem mais desafiadora: ao invés de times muito jovens e inexperientes, como encontrou a equipe de 89, os rivais do Lakers da virada do milênio foram cascudos. Um Portland que, apesar do sétimo lugar na temporada regular, teve 50 vitórias. O elenco era veteraníssimo: dez jogadores tinham nove anos ou mais de liga, além de Avrydas Sabonis, que estava na NBA há menos tempo, mas já tinha ganhado o mundo por clubes soviéticos e espanhóis.

Depois, foi o Sacramento Kings, principal rival daquele Lakers. Chris Webber, Doug Christie, Peja Stojakovic e Vlade Divac formavam o grupo mais marcante da história recente da franquia, que possivelmente só não descolou um título porque enfrentou a dupla Kobe e Shaq por três anos consecutivos (e em duas vezes levou a disputa até a última partida da série).

Por fim, a caminhada para o título do Oeste foi finalizada contra o San Antonio Spurs, com a dupla Tim Duncan e David Robinson. O time texano estava nos primeiros anos do seu período mais vencedor e naquela temporada tinha registrado a melhor campanha da conferência – foi também o primeiro time nestas condições a ser varrido dos playoffs.

Na final, o Lakers enfretou o Philadelphia 76ers, que tinha única e tão somente Allen Iverson no seu elenco – naquela época, possivelmente o jogador mais decisivo do planeta, mas que não podia confiar muito na colaboração ofensiva dos seus colegas.

O Sixers surpreendeu a todos e venceu o Lakers em Los Angeles na partida inaugural da série. Mas foi só isso. Apesar dos esforços do Pequeno Notável, o LAL sobrou nos jogos seguintes e confirmou o favoritismo com um 4-1 convincente.

O Golden State Warriors chega à final em condições que podem ser comparadas aos dois Lakers. Assim como o time de 89, mostra uma identidade de jogo marcante, muito coletivo e que se impõe na NBA de hoje. Também passou por um caminho relativamente simples ao longo dos playoffs e, para seu azar, vai enfrentar uma equipe muito forte na final. E, comparando com o time de 2001, também foi bem sucedido ao colocar dois dos maiores talentos jogando juntos sem problemas e tem como principal objetivo na final parar um dos caras mais imparáveis da história do basquete.

Mas mais do que estas coincidências, deve olhas para os exemplos. Um passou o rodo, apesar do baque inicial de perder uma partida para um rival reconhecidamente mais fraco. Impôs seu estilo, reforçou seu ritmo. Outro, apesar da experiência e da qualidade, caiu na pilha do rival. Não conseguiu segurar e foi varrido. Ambos tinham sobrevivido tranquilamente nos playoffs até então. Um venceu e outro perdeu.

Acho muito difícil que o Golden State reviva exatamente uma das situações. Ambas tiveram resultados bem extremos. Mas, ainda assim, os dois casos servem de exemplo. Qual deles o Warriors vai seguir?

Lonzo, Kobe e o Lakers

Quem acompanha o basquete universitário com mais atenção garante que esta é uma das melhores turmas dos últimos anos. Seria comparável com a de 2003, que revelou Lebron James, Dwyane Wade, Chris Bosh e Carmelo Anthony. Mesmo sem terem jogado uma partida profissional sequer, Markelle Futlz, Malik Monk, Jayson Tatum e companhia já estão na boca do povo e são tratados como os salvadores de algumas franquias.

Por bons e péssimos motivos, o mais falado deles é Lonzo Ball. O point guard de UCLA mistura um corpo de ala-armador com uma visão de jogo de veterano, um zelo incomum com a bola e uma capacidade única de definir na transição. É, discutivelmente, o melhor jogador da turma. Além dos atributos impressionantes do seu jogo, Lonzo tem um pai falastrão que, ansioso, quer fazer da sua prole – são três filhos – super estrelas do basquete.

A última de Lavar Ball, pai do universitário, foi dizer que não vai calar a boca até que o filho seja um jogador do Los Angeles Lakers. Na cabeça dele, faz todo o sentido: a família é de LA, Lonzo foi uma estrela da universidade local e o Lakers está com a segunda escolha do draft. O plano de Ball é fazer do garoto o novo franchise player do maior time da NBA.

Lonzo e Lavar Ball

A declaração é antipática e pretensiosa. Primeiro que sugere que o jogador não aceitaria jogar com outra camisa, quando na verdade a escolha não é dele. Segundo que coloca um atleta universitário no papel de principal aposta de um time recheado de jovens talentos que, teoricamente, estariam na sua frente na linha sucessória do reinado angelino.

Por mais que pareça hoje que Lavar Ball, o pai, seja um boçal sem precedentes, esta tática é antiga. Ele não foi o primeiro a forçar a barra nesse sentido. Aliás, se serve como alento, uma outra vez que isso aconteceu com o mesmo Los Angeles Lakers, o jovem jogador acabou se transformando em um dos maiores – talvez o maior – jogadores de todos os tempos da franquia.

Era a virada de 1995 para 1996 e um adolescente da Philadelphia começava a chamar a atenção do universo basqueteiro norte-americano. O draft se aproximava e os jogos da Lower Merion High School passaram a ser frequentados por olheiros, general managers e técnicos da NBA. Apesar de ainda estar na escola, o jovem Kobe Bryant já era cobiçado por algumas equipes profissionais.

O maior empecilho era o seguinte: menos de meia dúzia de jogadores tinham pulado a universidade para jogar na NBA e todos eles eram alas ou pivôs. A avaliação era que um jogador de perímetro teria ainda mais dificuldades de render na liga logo de cara e que os fundamentos do basquete universitário poderiam fazer falta. Outro problema era que Kevin Garnett, outro adolescente que tinha entrado na NBA há um ano, apesar de mostrar muito talento, tinha deixado claro que não estava física e tecnicamente pronto para a competição profissional.

Um time mostrava mais interesse que os demais. O New Jersey Nets estava com a oitava escolha no draft e tinha um front office reformulado, afim de reconstruir a franquia, escolher uma estrela em potencial e sair da sombra do New York Knicks. John Nash, general manager, e John Calipari, técnico, se encantaram por Kobe e decidiram que ele era a escolha mais indicada daquela safra de calouros carregada de talentos – em um clima parecido com o deste ano.

Os dois viram alguns jogos e resolveram conversar com o pai de Kobe, Joe Bryant, para formalizar o interesse. Joe gostou da ideia e se convenceu que seria o melhor destino para o jogador – New Jersey fica a menos de 1h30 de carro da Philadelphia e era uma franquia que poderia dar tempo de jogo ao jovem logo de cara, a principal exigência do pai de Kobe.

Kobe e seu pai, Joe Bryant

O interesse do Nets era fundamental também para que Kobe decidisse não ir mesmo para a universidade. O jogador tinha medo de ser rejeitado de alguma maneira ou de chegar a um time sem garantias de que teria um tratamento especial.

Na manhã seguinte, no dia do draft, Nash recebeu uma ligação do agente de Kobe, Arn Tellem. O representante disse que o jogador tinha mudado de ideia e que não queria ser draftado pelo Nets. Deu a desculpa que Kobe tinha pensado melhor e que não queria jogar perto da casa dos pais, que estava com medo da pressão. Ao mesmo tempo, Joe Bryant ligou para Calipari, técnico do Nets, dizendo que o filho não jogaria pela equipe de New Jersey. Que caso fosse escolhido, iria abrir mão da NBA para jogar na Itália.

Para se certificar da ameaça, os dois passaram a ligar para colegas de outros times com escolhas próximas no draft para saber se tinham sofrido algum tipo de ameaça parecida. Isiah Thomas, executivo do Toronto Raptors na época, disse que o agente de Kobe tinha o alertado que o jogador não iria jogar no Canadá e que não deveria ser escolhido na segunda posição pela franquia. Mike Dunleavy, do Milwaukee Bucks, disse que Joe Bryant tinha rejeitado que o filho participasse do work out do time, pois já estava acertado com uma outra franquia.

A verdade é que, horas depois que o Nets confirmou o interesse para a família de Kobe, Jerry West, general manager do Lakers, também sinalizou que estava interessado no jogador. O problema é que o time de Los Angeles só tinha a 24ª escolha. West prometeu, então, que iria conseguir ‘subir’ na ordem do draft e pegar Kobe o quanto antes. Paralelamente, West estava a procura de um time que quisesse Vlade Divac, pivô do time, de graça. A ideia era limpar a folha salarial do time para tentar assinar com Shaquille Oneal pelo maior contrato possível.

O Charlotte Hornets aceitou a negociação e topou mandar sua 13ª escolha em troca do iugoslavo. Bastava, agora, a West, Tellem e o pai de Kobe ‘assediar’ as 12 franquias que estavam na frente da lista para que não escolhessem o jogador, frustrando os planos dos três. Até o momento do draft, então, eles fizeram lobby com quase todos os interessados, dizendo que Kobe não aceitaria jogar pelos demais times.

Nash e Calipari, do Nets, até pensaram em se arriscar, achando que o blefe jamais se concretizaria. Mas pesava o fato de que os donos do time preferiam que um jogador mais experiente fosse escolhido. Então o Nets pegou Kerry Kittles, jogador da mesma posição de Kobe, mas que tinha passado um tempo de provação no basquete universitário.

A história toda do draft de Kobe Bryant está no livro “Boys Among Men: How the Prep-to-Pro Generation Redefined the NBA and Sparked a Basketball Revolution”, que relembra as passagens dos jogadores que pularam a universidade para jogar na NBA – as histórias boas e as tristes.

Ainda que Lavar Ball, pai de Lonzo Ball, já tenha se mostrado bem mais insuportável que Joe Bryant – dizendo que os filhos vão revolucionar o jogo e que ele próprio ganharia de Michael Jordan num jogo de basquete -, algumas passagens têm suas semelhanças: quando decidiu ir para a NBA, Kobe fez um anúncio cheio de marra, com um circo imenso montado e transmissão pela TV; o jogador também estava caçando um contrato milionário de alguma marca de tênis antes da estreia, além de chegar à NBA cercado de empresas de marketing e entretenimento que cuidavam da sua imagem ainda quando era adolescente; e Joe Bryant também acertou a ida ao Lakers com a condição de que a franquia ajudasse o jogador a ser All Star logo no seu segundo ano na liga – o que aconteceu.

Não é um bom sinal. Por mais que Kobe tenha se tornado uma lenda, ele teve que jogar muita bola para que seu talento se tornasse mais notável do que sua marra. Hoje fica difícil lembrar, mas nos primeiros vários anos da sua carreira, Kobe esteve longe de ser uma unanimidade. E o principal motivo, foi o estrelismo.

No caso de Lonzo Ball, quis o destino que a franquia visada pela família do rapaz fosse justamente a segunda na ordem do draft – e é justamente essa a posição em que ele sempre foi cogitado. Apesar de ser chato o pai dele forçar a barra, o Lakers escolhê-lo seria a sequência natural das coisas.

Kobe, há 20 anos, superou a fama ruim. Mais do que isso, virou uma lenda. Lonzo Ball vai conseguir?

A loteria mais importante dos últimos anos

Hoje é o dia mais interessante do calendário dos playoffs para os torcedores dos times que não se classificaram para o mata-mata. É hoje que acontece a loteria do draft, que define a ordem das escolhas dos calouros que entrarão na liga na próxima rodada. E desta vez, mais do que as demais, a loteria vai atrair todas as atenções do mundo da bola laranja: a safra de novos jogadores promete ser uma das melhores em muitos anos.

Outro fator importante desta loteria é que muitos dos times que têm boas chances de pegar as primeiras são equipes de tradição e que estão demonstrando uma evolução animadora. Philadelphia 76ers, Los Angeles Lakers e Phoenix Suns podem estar a um craque do acerto do elenco. Boston Celtics, outra franquia ultra popular, tem as maiores probabilidades, já que tem os direitos do Brooklyn Nets.

Primeiro, entenda como é o dito sorteio. O modelo é um pouco complicado, um globo com 14 bolas numeradas sorteia uma sequência de quatro números. Cada time tem um um número total de sequências (quanto pior a campanha, mais sequências o time tem). O time que for ‘dono’ daquela sequência fica com a primeira escolha. Isso é refeito para definir a segunda e a terceira escolha do draft. Impossível entender, né?

Uma analogia para facilitar as coisas: é tipo um sorteio da ‘mega sena’ em que cada time tem uma determinada quantidade de apostas. O Celtics, que tem a escolha do pior time do ano passado, tem 250 bilhetes com apostas diferentes. Suns, segundo pior, tem 199 e assim vai até o Heat, time com menor probabilidade, que tem só 5 bilhetes. Sorteiam uma sequência entre mil possíveis, o vencedor fica com a primeira escolha. Na sequência são feitos novos sorteios para definir o segundo e o terceiro colocado. Do quarto em diante, é a ordem natural de pior para melhor campanha, excluindo aqueles que já foram sorteados. Desta forma, por exemplo, o Celtics fica garantidamente com uma escolha top4, porque na pior das hipóteses não será sorteado entre os três primeiros, mas fica com a melhor escolha dos que restam.

Além disso, alguns times fizeram trocas passadas e mesmo com uma péssima campanha suas escolhas pertencem a outras franquias. É o caso do Brooklyn Nets, que cedeu sua escolha para o Boston Celtics por causa de uma troca feita em 2013. Apesar de ter ficado com a pior campanha, é o Boston Celtics que vai escolher um jogador no seu lugar. Entre os times da lottery, o New Orleans Pelicans é outro que negociou sua escolha, já que cedeu sua pick na troca que levou Demarcus Cousins ao time da Louisiana. O time só mantém sua opção de escolher um calouro se ficar entre os três primeiros.

Aliás, o Lakers é outro time que pode perder sua escolha caso não fique no top3. Por causa da troca que levou Steve Nash ao time californiano, caso o LAL fique com a quarta escolha em diante, a pick vai para o Sixers. Levando em conta as odds, o Lakers tem ‘apenas’ 46,9% de chance de manter a sua escolha. No ano passado isso já poderia ter acontecido se o time não ficasse entre os cinco primeiros, mas ficou e garantiu a escolha de Brandon Ingram.

Além de mexer com os sentimentos de algumas das maiores torcidas da NBA, a turma de calouros deste ano promete ser absurdamente talentosa. Markelle Fultz, Lonzo Ball, Malik Monk, De’Aaron Fox e Dennis Smith são armadores titulares em potencial, para ser conservador. Jayson Tatum, Jonathan Isaac e Josh Jackson são demais jogadores que carregam expectativas gigantes. Ao todo, oito jogadores de alto impacto potencial logo de cara – um volume bem incomum em qualquer draft.

Por tudo isso, o destino de muita gente e de muitos times pode mudar hoje. Tudo na conta da sorte.

Playoffs em looping eterno

Por mais que cada ano seja um campeonato novo na NBA, algumas coisas parecem se repetir em um looping eterno. Sinceramente, não sei explicar. Particularmente eu não acredito em ‘peso de camisa’, que tal time ou jogador ‘afinam’ e etc. Acredito na coincidência, no azar e na sorte, mas algumas coisas insistem em sinistramente se repetir todos os anos.

Não importa o que acontecer, por exemplo, o Cleveland Cavaliers vai varrer qualquer intruso da conferência Leste. A menos que seja algum time que consistentemente reafirmou seu ‘merecimento’ na pós-temporada ao longo de todo o ano, invariavelmente o Cavs vai passar por cima – independente da fase do time, do clima, do número de jogadores à disposição ou lesionados. Foi assim ano passado, quando dizimou o Detroit Pistons e o Atlanta Hawks, e neste ano contra o Indiana Pacers.

Também parece que todo ano o Toronto Raptors vai penar para passar toda e qualquer rodada dos playoffs, das mais iniciais às mais avançadas. Em 2014 perdeu em um 4 a 3 melancólico na primeira fase, em 2015 foi varrido pelo Washington Wizards mesmo com a vantagem do mando de quadra e na temporada passada passou dos dois primeiros rounds, contra Pacers e Heat, levando a disputa até o sétimo jogo. Neste ano, contra o ‘juvenil’ (porém talentoso) Milwaukee Bucks, as dificuldades parecem ser as mesmas e a série está empatada em 2-2, apesar do time canadense ter um elenco muito qualificado e milhares de quilômetros mais rodado que o rival.

Neste caso, o que se repete é a falta de consistência dos seus melhores jogadores. Demar Derozan e Kyle Lowry, ainda que estejam entre as cinco melhores duplas de armadores da NBA de qualquer pessoa, parecem incapazes de jogarem bem ao mesmo tempo em partidas de playoffs. Uma coincidência triste para a franquia, que se bate para derrotar times mais fracos mesmo quando o Raptors deveria sobrar na disputa.

Do outro lado do mapa, algumas coisas também parecem funcionar como um ponteiro do relógio  – que passa o tempo e no dia seguinte, no mesmo horário, estará marcando, naturalmente, a mesma hora. A primeira delas é que Damian Lillard vai jogar tudo que pode e vai endurecer o confronto que for. Se tiver uma brecha, vai descolar uma vitória aqui ou ali contra um rival muito mais forte e, até, com sorte, se classificar (2014 contra o Houston e ano passado contra o Clippers, por exemplo).

Neste ano, assim como no passado, o Portland Trail Blazers tem conseguido jogar de igual para igual contra o Golden State Warriors em muitos momentos da partida, especialmente escorado no desempenho de Lillard e CJ McCollum. Mas uma dupla não é suficiente para derrotar o melhor time da liga – apesar de em alguns momentos dar indícios de que os jogos podem ser equilibrados.

Entra ano, sai ano, o Spurs vai jogar o fino sem ninguém notar e o Grizzlies vai pegar pesado e engrossar para o rival. Ano sim, ano não, os dois vão se enfrentar e, num choque de realidades, vai sair faísca.

Por último, é batata: alguém do Clippers vai se machucar e reduzir à migalhas as chances do time de ir a uma final de conferência. Quando não é Chris Paul, é Blake Griffin. Em regra, na verdade, os dois vão se lesionar. Não é urucubaca – aliás, torço muito para que o armador fique inteiro neste ano – mas tem sido assim nos últimos cinco anos, infelizmente.  É triste, uma vez que todo ano, também, a franquia começa a temporada como uma das mais talentosas da liga e uma das apostas para melar os planos dos favoritos. No entanto, quando os playoffs começam, alguma maldição desgraçada ronda por lá.

Isso que os playoffs começaram há pouco mais de uma semana e o primeiro round ainda está na metade para a maioria dos times. Com o passar dos jogos, certamente algumas histórias vão se repetir, mesmo que não tenha uma explicação lógica para isso acontecer. No que mais você aposta?

[Previsão dos Playoffs] Primeiro round do Oeste

Já soltei aqui os meus palpites do Leste. Agora é a vez de mostrar quais serão os confrontos da conferência Oeste, quem venceu os duelos da temporada regular e o que dá para esperar de cada matchup. Confere aí:

1º Golden State Warriors x 8º Portland Trial Blazers

Jogo 1 – Dom.  Abril 16  Portland @ Golden State, 16h30
Jogo 2 – Qua.  Abril 19  Portland @ Golden State, 23h30
Jogo 3 – Sab. Abril 22  Golden State @ Portland, 23h30
Jogo 4 – Seg.  Abril 24  Golden State @ Portland, 23h30
Jogo 5 * Qua. Abril 26  Portland @ Golden State, a definir
Jogo 6 * Sex. Abril 28  Golden State @ Portland, a definir
Jogo 7 * Dom. Abril 30  Portland @ Golden State, a definir

Confrontos na temporada regular: 4×0

Palpite: Warriors em 4 jogos

O time do Blazers é guerreiro, cresceu na reta final, buscou a vaga que estava com o Denver Nuggets, mas não vai ser páreo para o Golden State Warriors completo. O argumento é simples: ano passado o Blazers era melhor, o Warriors pior, estava baleado com a lesão do Curry e mesmo assim o time da California não teve muitas dificuldades para superar o rival. Neste ano, a tendência é que a fatura seja liquidada ainda mais cedo, já que o Warriors conseguiu gerenciar melhor o tempo de jogo dos seus atletas ao longo do ano e chega para o mata-mata em um grande momento.

A série serve para o Golden State encontrar a melhor forma de Kevin Durant, que volta de lesão.

2º San Antonio Spurs x 7º Memphis Grizzlies

Jogo 1 – Sab. Abril 15  Memphis @ San Antonio, 21h
Jogo 2 – Seg. Abril 17  Memphis @ San Antonio, 22h30
Jogo 3 – Qui. Abril 20  San Antonio @ Memphis, 22h30
Jogo 4 – Sab. Abril 22  San Antonio @ Memphis, 21h
Jogo 5 * Ter. Abril 25  Memphis @ San Antonio,  a definir
Jogo 6 * Qui. Abril 27  San Antonio @ Memphis, a definir
Jogo 7 * Sab. Abril 29  Memphis @ San Antonio, a definir

Confrontos na temporada regular: 2×2

Palpite: Spurs em 6

Os embates do Oeste parece que foram escolhidos todos sob medida. Neste caso, é o Spurs contra um time que sempre sonhou em ser o Spurs. As propostas têm suas semelhanças e imagino que o Memphis poderia ter uma melhor sorte contra qualquer outro rival. Contra o Spurs, no entanto, não imagino qualquer possibilidade de sucesso. A criatura não vai superar o criador.

Grizzlies tem como arma a possibilidade de puxar seus pivôs para fora do garrafão e causar algum desconforto em Pau Gasol, Lamarcus Aldridge e David Lee, mas a cobertura feita por Kawhi Leonard e Danny Green é inteligente o suficiente para neutralizar essa tentativa.

A segunda unidade do Spurs também tem tudo para massacrar os reservas do Memphis, dando mais tranquilidades aos titulares.

3º Houston Rockets x 6º Oklahoma City Thunder

Jogo 1 – Dom. Abril 16  Oklahoma City @ Houston, 22h
Jogo 2 – Qua. Abril 19  Oklahoma City @ Houston, 21h
Jogo 3 – Sex. Abril 21  Houston @ Oklahoma City, 22h30
Jogo 4 – Dom. Abril 23  Houston @ Oklahoma City, 16h30
Jogo 5 * Ter. Abril 25  Oklahoma City @ Houston, a definir
Jogo 6 * Qui. Abril 27  Houston @ Oklahoma City, a definir
Jogo 7 * Sab. Abril 29  Oklahoma City @ Houston, a definir

Confrontos na temporada regular: 3×1

Palpite: Thunder em 7

De verdade, qualquer aposta em sete jogos é uma loteria só. Meu palpite se baseia em algumas coisas. A primeira delas é que Russell Westbrook está em um outro nível nas últimas partidas, levemente acima do que James Harden tem feito. Confio também na capacidade do armador do Thunder em entrar numa série com mais sangue no olho do que o barba – os playoffs do ano passado servem como exemplo.

Outra coisa que confio é na capacidade do OKC atrapalhar a vida de Harden. Billy Donovan se mostrou um bom estrategista no ano passado para neutralizar os pontos fortes dos rivais em séries de playoffs. Andre Roberson, por exemplo, é o jogador contra o qual Harden tem o pior aproveitamento da sua carreira nos arremessos (30%).

Por último, penso um pouco diferente da grande maioria das pessoas que argumenta que o elenco do Thunder é um catadão de perebas. Acho o time bem decente, com um talento bem comparável ao do Rockets. E a série é uma boa oportunidade para que eles mostrem isso.

Em todo caso, não espero nada menos do que uma guerra em quadra!

4º Los Angeles Clippers x 5º Utah Jazz

Jogo 1 – Sab. Abril 15  Utah @ L.A. Clippers, 23h30
Jogo 2 – Ter. Abril 18  Utah @ L.A. Clippers, 23h30
Jogo 3 – Sex. Abril 21  L.A. Clippers @ Utah, 23h
Jogo 4 – Dom. Abril 23  L.A. Clippers @ Utah,  22h
Jogo 5 * Ter. Abril 25  Utah @ L.A. Clippers, a definir
Jogo 6 * Sex. Abril 28  L.A. Clippers @ Utah, a definir
Jogo 7 * Dom. Abril 30  Utah @ L.A. Clippers, a definir

Confrontos na temporada regular: 3×1

Palpite: Clippers em 6

Outro confronto que promete ser muito equilibrado. Aposto no Clippers pela experiência do time e pela capacidade do time jogar bem com Chris Paul em quadra. São 10 vitórias e apenas 2 derrotas nas últimas partidas, quando o time remontou sua formação principal.

O quinteto titular, aliás, tem uma performance de elite: pontua e defende como o Golden State Warriors, em média.

Jazz é uma equipe excelente, se posta de uma forma que pode fazer jogo duro contra qualquer rival, mas não vejo talentos individuais tão capazes quanto os do rival. Em todo caso, Quin Snyder e seus comandados sairão mais cascudos da série, mesmo com a derrota.

Até os piores times não são mais tão ruins

Já dava para perceber nas primeiras semanas de temporada. O Philadelphia 76ers, que mal ganhou 10 jogos ano passado, estava pela primeira vez em anos endurecendo o jogo contra seus rivais. O Brooklyn Nets, fraquíssimo também, levava a disputa dos jogos até os últimos minutos do jogo. E o Los Angeles Lakers, então, que passou o primeiro mês e meio de disputa entre os postulantes aos playoffs? Quem viu estes times jogarem no ano passado e perdeu alguns minutos assistindo neste ano notou: aqueles times que antes eram horríveis, agora estavam ligeiramente melhores e, mais que isso, estavam interessados em ganhar.

Agora, com cada equipe com mais de 50 partidas disputadas e partindo para a reta final, temos a certeza de que a disputa deste ano tem sido diferente. Os números comprovam isso, aliás: pela primeira vez na história, apenas duas equipes estão com campanha abaixo dos 33% de aproveitamento a esta altura do campeonato.

Comparando a classificação do dia 7 de fevereiro ano a ano, em média, 5 times já estão muito atrás dos outros na disputa – mesmo em anos que tínhamos menos equipes na liga. Isso acontece por que é geralmente daqui em diante que os times largam mão das suas pretensões e investem em melhores chances de pegar uma posição alta no draft – e isso implica em perder (o único ano em que peguei um recorte diferente foi 1999, por causa do locaute que fez o campeonato começar em fevereiro. Neste caso, peguei a classificação final mesmo).

Não quer dizer necessariamente que temos um número grande de boas equipes ou algo do gênero, mas dá para afirmar que temos mais times querendo vencer. Pelo menos até agora, não teve nenhum time entrando em quadra se esforçando para perder.

Esta melhora é resultado das características dos elencos dos times do fundo da tabela. Lakers, Sixers, Timberwolves e Suns ainda penam – e geralmente perdem – quando enfrentam os melhores, mas querem injetar nos seus moleques uma cultura vencedora que será útil no futuro.

Este, aliás, foi o único legado decente deixado por Byron Scott no time de Los Angeles na temporada passada. O técnico era péssimo, mas achava que seus jogadores tinham que tentar se acostumar com as vitórias. Mesmo que perder fosse um negócio mais interessante para a franquia como negócio – para reforçar o elenco -, Scott achava que o ‘tank’ seria nocivo para o espírito de competitividade dos seus atletas.

Ainda sobra o Nets, que é horrível, mas que tem tentado alguma coisa dentro dos seus limites. No caso deles, o lance é que não há nenhuma vantagem em perder, já que suas picks de draft pertencem ao Boston Celtics. Só resta tentar mostrar alguma luta em quadra – ainda que não tenha dado muito certo.

É também por isso que Cleveland e Toronto, por exemplo, que reinavam absolutos no Leste, tiveram semanas tenebrosas na virada do ano. Não tinha jogo dado. Vez ou outra, o azarão vencia.

Geralmente não é fácil aturar a maratona de jogos da temporada regular quando alguns times já largaram mão da disputa. Com todo mundo no bolo, querendo mostrar serviço, há chance de um jogo entre Golden State Warriors e Phoenix Suns ser divertido – o Miami Heat que o diga.

É bom para a competição e é excelente para quem assiste.

Lakersmania

É bem comum que times com este perfil caiam no gosto da galera: tomam tanto pau por tanto tempo que todo mundo passa a ter alguma simpatia e, quando as coisas finalmente começam a dar certo de novo, a turma se empolga e a equipe vira a nova queridinha da liga.

À primeira vista, não parece surpreendente que o Los Angeles Lakers esteja neste clima – o time passou por um período sombrio enquanto esperava Kobe Bryant se aposentar e agora parece que pode tentar beliscar uma vaga para os playoffs com um time cheio de moleques promissores. Mas o momento é sim único e diferente das outras vezes que outras equipes experimentaram momentos parecidos.

Para começar, é o Lakers, time que nove entre dez fãs de NBA gostam de secar. É como ver torcedores dos outros times comemorando o sucesso de Flamengo e Corinthians, times mais detestados do Brasil pelos torcedores dos rivais. O máximo de simpatia que o time já tinha conquistado era uma espécie de compaixão nutrida pelas sucessivas derrotas para o Boston Celtics na virada dos anos 50 para 60. Depois disso, a franquia sempre foi o time que todos amavam detestar.

Mas, acima de tudo, o time não é só divertido e surpreendente, ele é efetivamente bom, fugindo à regra de que equipes assim, nestas condições, são mais folclóricas do que eficientes.

i

Para começar, o ataque do Lakers é poderoso. Num patamar, pasmem, dos melhores da liga. É o quarto time no aproveitamento dos arremessos, atrás somente de Warriors, que tem três dos melhores arremessadores da história da NBA, do Clippers, que joga junto há milênios, e do Hawks, outro fenômeno meio inexplicável do basquete, mas que é absurdamente bem treinado. A boa mira faz com que o time seja o segundo que mais faz cestas mesmo sendo apenas o 11º que mais tenta.

O time também tem se mostrado capaz de competir durante os 48 minutos de partida, sem tirar o pé. Além de ter um ritmo alucinante com a bola nas mãos (quarto que mais corre), tem o banco mais atuante da liga – que mais pontua, segundo que dá mais assistências e quarto que mais pega rebotes.

É o time que mais dá enterradas na liga.

Tem cinco jogadores com mais de 10 pontos por jogo.

Metade do time tem 25 anos ou menos. Três deles nem podem beber.

Além de divertido e surpreendentemente bom, o futuro do time que se desenha é brilhante. A ponto dos rivais, que sempre detestaram, se renderem.

É, acho que deu pra notar que eu também estou completamente fascinado pela Lakersmania.

 

Page 1 of 4

Powered by WordPress & Theme by Anders Norén