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O dia que eu fui a um opening night da NBA

A temporada da NBA começa hoje e, como de costume, grandes clássicos foram programados pelo iluminado rapaz que faz o calendário da liga. O Cleveland Cavaliers recebe o Boston Celtics, no encontro que reúne os dois melhores times do Leste e já coloca, logo de cara, Kyrie Irving contra seu ex-time. Mais tarde, o Houston Rockets, badalado desde a chegada de Chris Paul, vai a California enfrentar o atual campeão Golden State Warriors.

Há quatro anos, eu fui a uma noite de abertura da temporada da NBA também. Não tinha todo o tempero das centenas de trocas de jogadores deste ano, mas também estava carregada de expectativas – e tinha alguns dos personagens dos jogos de hoje.

O jogo que fui era um Miami Heat e Chicago Bulls, na Florida. Lembro que paguei caro pra cacete em um ingresso e fiquei lá na quinta da American Airlines Arena. Nada que prejudicasse o espetáculo ou visibilidade, mas já dá uma boa dimensão de como o jogo era badalado.

O Heat tinha acabado de se consagrar bicampeão da NBA. A campanha anterior do time tinha sido espetacular. Lebron James, Dwyane Wade e Chris Bosh levaram o time a uma série de 27 vitórias consecutivas durante a temporada regular – a segunda mais sequência da história da NBA – e venceram o San Antonio Spurs naquela série dramática, em que Ray Allen meteu um chute salvador para levar o sexto jogo para a prorrogação depois do Miami estar perdendo por uma diferença de 13 pontos.

O jogo, mais do que a abertura da temporada, foi uma celebração em homenagem à campanha passada, a mais espetacular da história da franquia. Eu lembro que ainda era uma novidade aquela projeção em 3D no piso da quadra e fizeram uma contagem regressiva lembrando as 27 vitórias seguidas. Alucinante!

Eu fiquei meio em transe naquele momento, encantado com tudo que passaram ali e turbinado pela cerveja – era o último dia das férias, tinha como objetivo gastar os últimos dólares da viagem em bebida e estava deslumbrado por poder, novamente, ver um jogo tomando cerveja – prazer do qual somos privados aqui em boa parte dos estados nos jogos de futebol.

O jogo era contra o Chicago Bulls, o único rival à altura para uma rodada de abertura. A maior expectativa rondava Derrick Rose. O jogador tinha sofrido a lesão mais séria da sua carreira até então, que o tinha tirado de ação por uma temporada inteira. Antes da catástrofe, o Chicago tinha sido a equipe de melhor campanha na conferência.

Os times também tinham se enfrentado na semifinal de conferência da temporada anterior. Desfalcado, o Bulls perdeu para o Heat por 4 a 1.

Eu pessoalmente também estava empolgadaço por estar no meu primeiro jogo in loco da NBA e por poder torcer para um dos principais jogadores do meu time no fantasy daquele ano, o ídolo Joakim Noah.

Eu pendurado no teto da American Airlines Arena

O negócio é que tudo foi sensacional, excitante e vibrante até que, de fato, começasse. Depois de um primeiro quarto morno, o Miami Heat ativou o modo apelão e atropelou o Bulls. No meio do segundo período, o time de Lebron engatou 15 pontos seguidos e abriu o placar em 39 a 20. Pronto, mal tinha começado e o jogo já tinha acabado.

O desenrolar da temporada também foi frustrante para os envolvidos: Heat perdeu o título para o Spurs, Lebron saiu do time, Rose teve mais um ano complicado com apenas 10 partidas jogadas e o Bulls cambaleou até que Tom Thibodeau caísse duas temporadas mais tarde.

Não sei se eu sou o pé frio ou se essa é uma lição de que a expectativa da estreia pode não ser nada mais do que uma boa dose de adrenalina represada, às vezes um pouco distante do que pode acontecer de fato.

Em todo caso, foi legal – apesar do Noah ter sido um lixo, ter terminado com ridículos dois pontos e me ferrado no jogo de estreia do fantasy.

Que a temporada, essa de agora, termine tão bem quanto promete começar.

[Previsão 17/18] Heat: nas mãos de Spoelstra

A temporada passada do Miami Heat foi muito estranha. O time era considerado de médio para ruim, com muita gente nova e confiando seu jogo em dois jogadores de talento questionado na liga (Goran Dragic e Hassan Whiteside). A temporada começou e a desconfiança se justificou: o Heat abriu a temporada com medonhas 11 vitórias e 30 derrotas.

Quando boa parte do time titular se lesionou, então, a sensação era que a coisa só não iria piorar muito mais porque não tinha como. Josh Richardson e Justise Winslow foram substituídos por jogadores que da D-League. O banco estava recheado de desconhecidos. E, por incrível que pareça, foi aí que o time começou a ganhar. De janeiro em diante, o Heat foi uma das melhores equipes da NBA e virou o jogo: venceu 30 jogos e perdeu 11.

Boa parte dessa performance pode ser creditada à qualidade de Erik Spoelstra, técnico do time. Colocou o time para correr, botou a bola na mão de Goran Dragic, convenceu Dion Waiters que ele tem que pontuar, mas não precisa carregar a bola interminavelmente (e com isso aumentou seu aproveitamento real dos arremessos em 20% ao longo do ano), distribuiu melhor a responsabilidade na finalização das jogadas (que antes era muito concentrada em Whiteside) e tirou o melhor de cada um dos coadjuvantes do elenco.

A mudança de ritmo e estilo de jogo quase foi suficiente para colocar a franquia nos playoffs. A vaga escapou na última rodada.

É irônico que hoje Spoelstra se mostre um técnico tão bom e que se destaque justamente quando o elenco, aparentemente, tem menos para dar. Quando surgiu comandando Dwyane Wade, Lebron James e Chris Bosh, se questionava se ele tinha cacife para treinar um time com tantas estrelas. Hoje, sabe-se que ele tem as credenciais para liderar qualquer equipe e sabe tirar o melhor de um elenco limitado – uma habilidade que vários técnicos renomados nunca conseguiram provar que têm.

Para este ano, o time volta inteiro e, a princípio, pronto para repetir uma campanha mais parecida com a da segunda metade da temporada passada do que com a primeira. Por mais que seja de se questionar o quanto Dion Waiters vai jogar sem ter que buscar um novo contrato de imediato e até que ponto é interessante ter Hassan Whiteside como peça central do time, o Heat já mostrou é muito eficiente em transformar um time sem grandes estrelas em um oponente duro.

O backcourt, mesmo sem um grande jogador para despontar, é profundo e jovem. Reservas e titulares se confundem. O frontcourt foi reforçado com a escolha de Bam Adebayo, monstruoso na Summer League, e Kelly Olynyk, um jogador que não é dos mais talentosos, mas que tem uma mobilidade incomum para um pivô e sabe brigar (literalmente) dentro do garrafão.

Em uma conferência Leste enfraquecida, isso deve ser suficiente para levar o time da Florida aos playoffs, mesmo que não tenha qualquer chance de bater os melhores daquele lado do mapa.

Offseason
Por mais que tenha conseguido renovar com Waiter por um valor que não era o máximo – o jogador dava a pinta de querer isso -, ter pego uma boa peça no draft e ainda ter angariado um bom reserva no garrafão, a equipe saiu decepcionada por não ter conseguido convencer Gordon Hayward a assinar com a franquia.

Hayward era um cara que, ao meu ver, tinha tudo a ver com o time. Um jogador que parece preferir ser um coadjuvante importante do que uma estrela tem tudo a ver com uma franquia com uma cultura muito forte de trabalho duro e desenvolvimento dos talentos pessoais.

Time Provável
PG – Goran Dragic / Tyler Johnson /
SG – Dion Waiters /Josh Richardson / Wayne Ellington
SF – Justise Winslow / Rodney Mcgruder
PF – James Johnson /Kelly Olynyk / Okaro White / Udonis Haslem
C – Hassan Whiteside / Bam Adebayo / AJ Hammons

Expectativas
Se não voltar a sofrer com lesões, é um time para ficar entre a quinta e a oitava colocação do Leste. E mesmo que venha a ter algum problema deste tipo, basta encontrar alguma solução milagrosa como a da temporada passada para continuar no páreo – ter Spoelstra no banco de reservas já é meio caminho andado.

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Lendas Urbanas da NBA: Delonte West e a mãe de Lebron James

Nenhuma história está absolutamente imune das fantasias de quem as viveu e de quem as conta. Todo grande feito tem aquela pitada de exagero que faz dele algo quase sobrenatural. Que faz as conquistas deixarem o plano mundano e virarem algo épico. Faz parte. Elevando isso a outros patamares, eu tenho um fascínio especial por aquelas lendas urbanas que povoam o imaginário dos torcedores ao longo dos anos. Mais do que saber se Jordan estava mesmo com a cabeça explodindo de febre naquele jogo da final de 20 anos atrás, eu gosto das histórias que mostram toda a criatividade da turma, que alimentam teorias da conspiração e que, na maior parte das vezes, têm relevância zero para o jogo. E o melhor de tudo: nunca vamos saber se foram reais ou não, já que interessa mais a todos perpetuar as lendas do que esclarecê-las.

Aproveitando que não acontece absolutamente nada na liga neste período e preparando o terreno para o que está por vir (semana que vem começo a postar as previsões para a temporada, time a time), lanço uma série de cinco posts com lendas que cercam a NBA. Começo com uma clássica: o lindo caso de amor entre Delonte West e a mãe do seu colega de time Lebron James.

A história foi deflagrada durante os playoffs do Leste de 2010, logo após a eliminação do Cleveland Cavaliers diante o Boston Celtics. O time de Lebron e Delonte tinha sido a equipe de melhor campanha da conferência e o camisa 23 vinha comendo a bola, como de costume. A série chegou a estar 2 a 1 para o time de Ohio até que James estranhamente desmoronou tecnicamente em quadra e não conseguiu segurar a reação do Celtics, que fechou a disputa em 4 a 2.

A justificativa é que entre um jogo e outro Lebron descobriu o que supostamente todos sabiam em Cleveland: sua mãe Gloria estava desfrutando dos prazeres da carne com seu colega Delonte West.

Um blog soltou a notícia alguns dias após a eliminação do Cavs. O autor da postagem, Terez Owens, que se diz o número 1 em fofocas relacionadas a esportes, disse que sua fonte era um confiável rapaz cujo tio trabalhava na arena do Cleveland e conhecia todos da franquia. Segundo ele, James descobriu o romance antes do jogo 4 e ficou arrasado. O acontecido teria também dividido o vestiário do Cavs, destruindo a química do elenco.

Nenhuma das partes se pronunciou logo de cara e, como toda gozação pra cima de Lebron, a história cresceu. Diziam até que Dan Gilbert, dono do Cavs, confirmava o caso – apesar dele nunca ter se pronunciado publicamente sobre isso.

No final das contas, a única pessoa que deu a cara a tapa para dizer que rolava um affair entre Delonte e Gloria foi o ex-jogador do Houston Rockets e, na época, comentarista da ESPN Radio, Calvin Murphy, que não tinha absolutamente nada a ver com o Cleveland, West ou James – e tem em sua ficha corrida a acusação de ter abusado cinco das suas quatorze filhas que teve com nove mulheres diferentes…

Segundo o blogueiro que soltou a informação, Lebron James o processou pela história, mas a merda já estava feita: todo mundo atribuía a queda de rendimento de James e a eliminação do Cavs à história.

O contexto e o preconceito da turma só piorava as coisas. Delonte West era aquele maloqueiro assumido. Seu estilo podrão dentro e fora das quadras casam perfeitamente com a história. O papel de Gloria no enredo da vida de Lebron também reforçavam a fantasia da torcida mais troglodita, machista e intransigente: foi mãe solteira ainda na adolescência, criou o garoto prodígio sozinha e teria encontrado conforto nos braços de um novo bad boy. Era mais fácil acreditar nisso do que no vacilo em quadra do herói supostamente infalível.

A lenda esteve em alta ainda por um tempo considerável. Chegou ao nível de, com a saída de Lebron para o Miami Heat, justificarem a contratação de Delonte West pelo Boston Celtics como uma arma secreta para, em um eventual confronto nos playoffs, a presença do ‘padrasto’ intimidar James (o confronto existiu, mas o Heat saiu vitorioso com boas atuações de Lebron).

Alguns anos depois, Delonte West veio a público dizer que nada tinha acontecido, que a história não tinha pé nem cabeça e que nunca se envolveu com a mãe de Lebron.

O técnico do Denver Nuggets, Mike Malone, que na época era assistente do Cavs, também já deu sua versão sobre o caso, alegando que os números de Lebron nem caíram tanto na série e que a derrota tinha mais a ver com a casca dura do Celtics, com uma virada reveladora no jogo cinco e com uma lesão no cotovelo do então MVP do que com qualquer abalo psicológico de James.

Mesmo assim, a lenda resiste e muita gente vai viver e morrer acreditando que Delonte era o pai que Lebron nunca quis ter, mas teve.

Os possíveis destinos de Kyrie Irving

Não sou muito afeito a isso, mas dado o terremoto causado pelo anúncio de que Kyrie Irving pediu para ser trocado e a falta de notícias na liga neste período do ano, fazer um exercício de achismo total sobre o destino do jogador pode ser divertido.

Antes de analisar quais times poderiam se interessar numa troca por Kyrie, qual deles deveriam realmente se esforçar em uma negociação e o que poderia seduzir o Cleveland Cavaliers, é preciso fazer um esclarecimento muito importante – que muita gente tem ignorado por aí: Irving NÃO TEM poder sobre o seu futuro neste contrato atual (que vai até 2019). O Cavs é que decide para onde ele vai e SE vai para algum lugar. Por mais que o jogador tenha supostamente indicado alguns destinos de sua preferência, o que vai determinar esta negociação é qual o melhor troco que o Cleveland consegue.

O fato de Carmelo Anthony estar nas conversas para trocas há algum tempo pode causar alguma confusão neste sentido. O ala do Knicks tem uma cláusula em seu contrato dizendo que ele não pode ser trocado sem sua ciência e aprovação. Na prática, ele que escolhe se e para onde pode ser negociado. Mas pouquíssimos jogador têm termos deste tipo nos seus contratos – e Kyrie não é um deles. Logo, tudo depende da conveniência e boa vontade do Cavs.

Bom, sobre as suposições a seguir, lembrem que é só um exercício completo de achismo. Como vocês verão, acho bem difícil que saia algum negócio. Portanto, todas as propostas de trocas são absolutamente hipotéticas. Ah, e não considerei trocas envolvendo três times para não entrar em um espiral infinito de possibilidades.

Vamos às hipóteses que eu considero mais realistas:

Continua no Cleveland

Por mais que o jogador tenha pedido a negociação, o time pode não seguir esta recomendação. A verdade é que não sabemos o exato teor da conversa e como anda a relação do jogador, colegas e franquia. Não se sabe o quão urgente é essa saída, por exemplo. Com as trocas de Jimmy Butler, Paul George e Chris Paul, os nomes mais interessantes disponíveis já foram realocados, reduzindo as possibilidades do Cleveland conseguir algo de valor equivalente em troca.

Mesmo em um cenário em que Kyrie quer sair para se antecipar a um movimento do Lebron no ano que vem, acho que o mais prudente seria tentar segurar o grupo junto por mais uma temporada. Ir para o tudo ou nada. Um improvável título poderia mudar as coisas de cenário, também. Não vejo muito risco para o Cleveland apostar nisso.

New York Knicks

Dentre os times preferidos de Irving, o Knicks é o menos ameaçador para o Cavs. Logo, seria mais inteligente privilegiar a franquia, caso fosse mesmo atender o pedido do armador. Também atenderia melhor a vontade de Kyrie de ser dono do time, além de formar uma dupla animadora com Kristaps Porzingis. A chance de rolar jogo aqui é convencer Carmelo a ir para Cleveland – os reports dão conta que hoje o jogador está determinado a ir para Houston.

O desafio maior seria fazer os salários baterem, já que Irving recebe menos que Anthony e o Cavs está absolutamente afogado além do limite salarial – portanto, não pode receber contratos maiores do que os que está enviando. Neste caso, precisaria envolver mais jogadores no rolo.

Coloquei aqui Iman Shumpert na negociação. Ele perdeu algum espaço no time na última temporada e seria ‘muito Knicks’ repatriar um cara desse tipo em algum momento. Mas poderia ser qualquer outro cara desse calibre.

Chicago Bulls

Bom, aqui vou seguir o raciocínio de que o Cleveland iria preferir mandar Kyrie para times que não o ameaçam. Usando como critério que Lebron James MEIO QUE MANDA no Cavs e quer jogar com seus amigos, uma troca possível seria com o Bulls pelo Dwyane Wade. Não acho que seria a negociação mais inteligente para qualquer um dos lados, mas dá para imaginar uma reunião entre os jogadores ainda saudáveis do Big3, assim como acharia bem provável o Bulls fazer algo bem incoerente com seus últimos movimentos (que no caso seria pegar mais um point guard).

Wade também recebe um salário maior do que Kyrie, o que demandaria algum ajuste para que a negociação saísse do papel. Como os contratos são mais parecidos, qualquer troco do Cavs já seria suficiente.

Denver Nuggets ou Phoenix Suns

Acho possível que o Cleveland tope conversar com algumas equipes, digamos, ‘periféricas’ da conferência Oeste. Denver e Phoenix são dois times que estão bem empenhados em se reforçar e a adição de ‘star power’ poderia elevar consideravelmente o patamar das equipes.

O Suns tem sido envolvido em várias suposições, muitas delas em trocas de três times. O nome mais cotado para sair do time, neste caso, é Eric Bledsoe. Além dele estar meio descontextualizado no atual elenco do Suns – que tem duzentos jogadores sub-21 -, acredito que teria um encaixe interessante ao lado de Lebron. Seria um downgrade para o Cavs na armação, mas também uma oportunidade de se reforçar na defesa e pensar em um esquema diferente para parar o Golden State Warriors.

Para compensar as coisas, simulei a ida de Dragan Bender para Cleveland, já que tornaria a proposta bem mais interessante para o time. Como o jogador não performou o esperado nos primeiros meses de jogo, acho que seria a aposta mais dispensável do Suns.

Vejo o Denver Nuggets mais ou menos na mesma situação. O time quer muito um armador e tem muita gente para, eventualmente, formar um pacotão para o Cavs. A vantagem aqui é que o Denver tem bastante gente nova e com contratos baratos para oferecer. Caso o front office do Cleveland sinta que é inevitável a saída de Lebron no ano que vem, seria um primeiro passo interessante para formar um elenco jovem e promissor para o futuro sem ter que passar por um traumático processo de tanking.

Ajuda o fato que Nuggets e Cavaliers já vinham se falando para uma possível troca envolvendo Kevin Love. Logo, é possível que alguns atletas do Colorado interessem ao Cavs.

Miami Heat ou Milwaukee Bucks

Seria bem irônico o desmoronamento do Cleveland passar por Miami. Por mais que eu não acredite que o Cavs vá entregar seu segundo melhor jogador para um rival assim, este é um dos destinos preferidos de Kyrie, então é preciso ao menos considerar a possibilidade.

Só consigo imaginar alguma coisa saindo aqui se o Heat mandasse Goran Dragic e algum dos seus jovens talentos. Como desprezo completamente Josh Richardson e Tyler Johnson, simulei aqui com Justise Winslow, um desejo hipster de vários times da NBA quando entrou na liga, mas que passou boa parte da última temporada lesionado. Mesmo assim, não acredito numa troca assim.

Coloco no mesmo bolo o Milwaukee Bucks porque o time é um rival direto do Cavs que seria automaticamente alçado ao posto de favorito no Leste caso Kyrie desembarcasse por lá. Considerando o fato que o time não tem armadores que sejam do mesmo nível do resto do elenco, acho que o Milwaukee gostaria de contar com Irving no time.

A pegada aqui é dar alguma juventude ao Cavs, em um esquema parecido ao que fiz com o Denver – sem que o Bucks abrisse mão das suas principais apostas para o futuro. Não acho provável, mas…

San Antonio Spurs e Minnesota Timberwolves

Por fim, fecho a lista de especulações (que saíram da minha cabeça exclusivamente) com dois dos times que completam a lista de preferências de Kyrie. Acho até plausível que o Cavs considere mandá-lo para a conferência Oeste, mas a chegada do armador a qualquer uma destas equipes poderia fazer delas rivais reais do Golden State Warriors, tirando do Cleveland o posto de segunda melhor equipe da liga.

O Minnesota tem o empecilho que Jeff Teague, novo armador do time, só pode ser trocado em dezembro – e não vejo muita possibilidade de uma negociação sair ali sem envolvê-lo. Em todo caso, dá para brincar imaginando algo meio surreal levando Andrew Wiggins ao time que o draftou há três anos. Acho que seria ruim para o Cavs e não seria algo da vontade do Wolves, mas não consigo pensar em outra coisa – o time de Minneapolis não colocaria Towns ou Butler no negócio, acho.

Fiz uma troca meio nada a ver considerando que Wiggins está negociando uma extensão gigantesca de contrato e os valores salariam podem mudar nos próximos dias.

Spurs é outro time que vem sendo cotado nas conversas. Não acho que Irving, apesar da qualidade, seja o armador dos sonhos da franquia e nem que o cenário ao lado de Kawhi seja o mais apropriado para um cara que quer ser franchise player. Em todo caso, o time parece que tem ouvido propostas por Lamarcus Aldridge e uma mudança neste sentido não seria a coisa mais absurda do mundo – apesar de muito improvável.

Por tudo dito acima, apesar das propostas, acho bem difícil que Kyrie saia já. Mas é um bom assunto para ocupar o vazio da offseason.

Alguém vai sobrar

São três times e apenas duas vagas. Isso para ser definido em apenas um jogo. A rodada final da temporada regular, nesta quarta-feira, vai ter ares de decisão de campeonato para Indiana Pacers, Chicago Bulls e Miami Heat.

Os três times jogam em casa e os dois primeiros, Pacers e Bulls, precisam vencer para se garantir entre os oito melhores do Leste. O Heat, além de fazer o seu papel, precisa secar um dos rivais para retomar um posto no mata-mata.

Cada um dos times vai enfrentar um drama para tentar se garantir nos playoffs.O Miami Heat, a princípio, é o que tem o pior cenário por depender do revés de um dos outros dois. Por outro lado, é o time que, de um modo geral, enfrenta menos pressão: com uma equipe completamente desmantelada, maior parte das pessoas dava como certo que a franquia só faria figuração nesta temporada. O time encontrou um monte de jogadores com muita vontade de jogar e Erik Spoelstra definiu um modelo de jogo que fez o time emplacar uma sequência de vitórias digna dos melhores times do campeonato – só o Warriors emplacou um ‘streak’ mais longo. Só estar ali disputando alguma coisa até o final da temporada já é um puta feito da equipe.

Tem a vantagem de jogar contra o Washington Wizards, que não luta por mais nada na última rodada – ainda que empate com o Raports, perde no critério de desempate.

Em condições levemente mais favoráveis, encontra-se o Chicago Bulls. O time joga em casa contra a equipe mais desprezível da NBA na atualidade, o Brooklyn Nets, que tem apenas 20 vitórias na temporada. O grande problema aqui é que o histórico do Bulls contra times ruins é péssimo – enquanto a campanha contra as equipes boas é positiva. Quer dizer que, só por causa disso, o time vai perder? Claro que não, mas o retrospecto deve servir de alerta.

Por fim, o Indiana Pacers enfrenta o Atlanta Hawks, que vem de uma boa sequência, já está garantido no mata-mata e é bem provável que não ofereça muitas resistências. O grande lance aqui é o Pacers emplacar uma vitória com o que tem de melhor – o time entrou na temporada com expectativas em alta, mas viveu uma montanha-russa ao longo da competição, sem a menor consistência ao longo do ano. Este jogo, aliás, terá transmissão da ESPN!

Dado o momento dos times e tudo que Jimmy Butler e Paul George têm jogado, o meu palpite é que Miami vai pagar o pato. Acho que os três times vencem suas partidas finais, com Indiana garantindo a 7ª colocação e Chicago a 8ª, com uma campanha exatamente igual a do Heat, mas com o time da Florida perdendo no desempate. Vale ficar de olho!

Na conta dos role players

Veio totalmente do nada. O Miami Heat tinha emplacado três vitórias seguidas, mas nem o torcedor mais otimista poderia imaginar que a sequência fosse continuar. Os motivos eram dois: ao longo de toda temporada o time não tinha emplacado tantos resultados positivos seguidos e o rival da vez era o Golden State Warriors, time de melhor campanha na NBA.

Se você está ligado na liga, já sabe o resultado. O Miami não só venceu este jogo como ganhou outros seis e hoje ostenta a melhor sequência da NBA nos últimos 20 dias. São dez triunfos seguidos que colocaram o time na briga pelos playoffs do Leste – antes disso, o time estava a 10 vitórias de distância da oitava colocação. Hoje são apenas duas.

Além disso, é a segunda equipe que melhor arremessa (56,1%) – atrás apenas do histórico Golden State Warriors – e a que faz os adversários chutarem pior (47,9% de aproveitamento). A equação é básica: acertando muito mais que o adversário, a vitória geralmente vem.

O roteiro é absolutamente improvável. O Miami Heat começou a temporada sem grandes pretensões e com um time para não brigar por nada. A ideia era passar um ano perdendo para buscar talentos para rechear o jovem elenco – fosse por draft, já que a próxima classe parece ser bem forte, fosse pelo mercado de jogadores sem contrato, já que a Flórida é um bom destino para quem não quer perder grandes fatias de salário em impostos.

O time já não era lá essas coisas e ficou ainda menos estrelado quando entrou numa maré de azar das lesões. Justise Winslow, principal jogadores entre os pós-adolescentes da franquia, lesionou o ombro direito e está fora da temporada desde dezembro. Hassan Whiteside, maior salário do time e pivô titularíssimo, ficou de fora uma ou outra partida com um problema no olho. Josh Richardson, ala armador titular, também já completou um mês sem jogar.

Somando toda essa turma, o Heat já contabiliza mais de 160 abstenções por lesão, maior marca da NBA neste ano (sem contar a ausência de Chris Bosh, que não deve jogar mais pelo time).

Mas surpreendentemente esta equipe é a que mais vence na liga nos últimos tempos. O mérito, neste caso, é de um grupo de formigas operárias que se acertaram com a camisa do Miami e estão carregando o time. O elenco varia de jogadores que nunca tiveram outra experiência na NBA e eram insignificantes para o universo há um mês até aqueles que já tiveram seus lampejos na carreira mas nunca conseguiram ser constantes.

Exemplo disso é que o atleta que mais vezes entrou em quadra pela franquia neste ano é o completo anônimo Rodney McGruder, que tentou entrar na liga em 2013, mas só nesta temporada conseguiu efetivamente estrear em uma partida oficial – no currículo, até então, só jogos de summer league, d-league e campeonato húngaro.

Dion Waiters, eterna promessa que eu tinha certeza que nunca iria vingar em nenhum lugar, tem jogador muito. Foi eleito o melhor jogador da conferência na semana passada. James Jonhson, eterno reserva-do-reserva, é o sexto-homem mais eficiente das últimas partidas.

Ao lado deles, Luke Babbit, Willie Reed e Okaro White também têm sido importantes – jogadores que têm mais contratos temporários na carreira do que partidas jogadas, praticamente.

Só Dragic e Whiteside foram mais vezes titulares em suas carreiras do que reservas ou ‘dleaguers’

Até Goran Dragic e Hassan Whiteside, os mais badalados, também têm seus históricos de ‘underdog’: passaram despercebidos por várias equipes e só estouraram depois de uns bons anos rodando pela liga.

É um fenômeno difícil de explicar. Além de uma sintonia fina entre os caras e um momento em que tudo dá certo, é possível imaginar que todos eles estão jogando no limite máximo dos seus talentos em busca do reconhecimento que nunca tiveram em suas carreiras – mesmo que o basquete de um ou outro não seja lá essas coisas, o esforço está fazendo a diferença.

Não acredito que isso vá durar muito tempo. Até acho que o mais provável é que em breve o time vai caia na real e se perca na corrida pelo mata-mata. Mas, sem dúvida nenhuma, estes caras estão conseguindo mostrar que têm um valor que nunca esperamos deles.

[Previsão 16/17] Heat: os cacos de um verão trágico

A offseason se desenhava positiva para o Miami Heat quando, no primeiro horário possível, Hassan Whiteside anunciou em seu snapchat que renovaria com o time. O pivô era um dos mais assediados entre os jogadores sem contrato em toda a liga e, de imediato, dissipou a angústia dos torcedores do time avisando que ficaria por mais algumas temporadas.

Mas os capítulos seguintes de uma das novelas mais dramáticas da offseason foram melancólicos. Primeiro a notícia não tão surpreendente de que o time não estava nos planos de Kevin Durant – Pat Riley e os baixos impostos da Flórida não seduziram o jogador.

Depois, o enrolado vai e vem com Dwyane Wade. O jogador mais importante da história da franquia tinha um histórico de problemas para renovar seu contrato e, finalmente nesta temporada, acabou batendo o pé até o último momento contra Riley. O cabo de guerra acabou com Wade assinando por 20 milhões com o Chicago Bulls e abandonando o time onde fez sua carreira.

Por último, a trágica informação de que Chris Bosh não está completamente recuperado dos coágulos sanguíneos que o tiraram de ação nos dois últimos campeonatos.

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Ainda que o jogador esteja disposto a assumir o risco de jogar, a franquia não pretende usá-lo mais. Aí entra uma discussão que vai além da condição médica do atleta. O time se baseia no risco (real e gravíssimo, não se pode minimizar isso) para uma manobra contratual que livraria o salário de Bosh da folha salarial. Ao não usar o jogador no seu elenco neste ano, o time pode preencher seu espaço no salary cap e iniciar uma reconstrução no seu elenco.

Independente da moral do recurso (se é uma precaução legítima ou se está se aproveitando da condição duvidosa do jogador para tirá-lo do time), a equipe que veremos nesta temporada será, pela primeira vez, completamente diferente do Miami Heat campeão de 2006, 2012 e 2013.

Offseason
Além de tudo que foi dito aqui já, o time assinou com Dion Waiters (odeio, mas pode ser útil neste time), Derrick Williams e outros menos badalados e pouco eficientes.

Time Provável
PG – Goran Dragic / Tyler Johnson / Beno Udrih
SG – Josh Richardson / Dion Waiters
SF – Justise Winslow / James Jonhson
PF – Derrick Williams / Josh McRoberts
C – Hassan Whiteside / Willie Reed

Expectativa
Diante de tudo isso, não vejo o time indo para os playoffs neste ano, ainda que possa brigar até o final pelas últimas vagas. Whiteside é um bom pivô e Winslow e Richardson são jogadores interessantes para começar um processo de reformulação para as próximas temporadas.

Lebron e as finais

Hoje é a sexta vez seguida que Lebron James entra em quadra para uma série final de playoff. É um feito do caralho! Não consigo conceber como tem gente que trata isso como um demérito. Na boa, chegar na final e perder para o San Antonio Spurs ou para o Golden State Warriors faz parte das circunstâncias, especialmente nas condições em que cada uma das três derrotas (só estou falando desta sequência desde 2011) aconteceu. Uma sequência destas com dois títulos – ou três, dependendo do resultado da disputa desta ano – é só uma confirmação como ele é um dos maiores de todos os tempos.

Só outros sete caras conseguiram o mesmo feito e são todos do Boston Celtics dos anos 50 e 60, quando a NBA era um campeonato semi-amador de apenas seis times – hoje são 30. Deste então, nem Jordan, nem Bird, nem Magic, nem Kobe, nem ninguém conseguiu tal feito.

O que se fala é que ser campeão no Leste é uma mamata. Até acho válido relativizar que chegar à final no Leste é um trabalho menos complicado do que no Oeste, mas acho que isso não faz sentido quando falamos de alguém que fez isso seis vezes seguidas.

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Único jogador nos últimos 40 anos a conseguir chegar a seis finais seguidas

Neste período, os times de Lebron enfrentaram umas pedreiras. Há cinco anos, Chicago Bulls e Boston Celtics eram tão fortes quanto o Miami Heat. Em 2013 e 2014, o Indiana Pacers era uma time acertado, construído exclusivamente para vencer o Heat e parar Lebron. Mesmo assim, deu Miami em todas as vezes.

Nos últimos dois anos, é verdade, o Cleveland não teve rivais à altura. Em parte pela qualidade da conferência, em parte pela soberania do time. Lebron e cia foram lá e confirmaram o favoritismo.

E tudo bem, mesmo que fosse ‘só a obrigação’ dele chegar às finais com os concorrentes que teve, ele foi capaz de cumprir com o seu dever. Nestas seis temporadas, muitos times que ‘tinham que chegar em tal lugar’ ficaram pelo caminho. Aquele Chicago de 2011 era um potencial finalista, o Spurs derrotado pelo Miami ‘era para ser’ campeão, entre tantos outros. O favoritismo só não é um fardo quando ele se confirma com a conquista.

Outra crítica, ainda mais absurda, é de que o aproveitamento é baixo. Primeiro que levando em conta só a sequência, são seis finais seguidas e duas vitórias (com a possibilidade de uma terceira neste ano). Isso é pouco? Ainda mais se considerando que são, geralmente, as duas melhores equipes da temporada frente a frente. Faz parte do jogo ganhar, faz parte perder.

Em todo caso, acho só que a única final desta série em que Lebron fracassou mesmo foi a primeira, contra o Dallas Mavericks. O time do Miami Heat era melhor e Lebron jogou muito aquém do que se esperava. De resto, ganhando ou perdendo, James foi absurdo.

Ano passado foi, por exemplo, a melhor apresentação individual de um jogador nas finais em muitos anos, a ponto dele ser cogitado como MVP das Finais MESMO PERDENDO – algo que só aconteceu uma vez na história, com Jerry West. E de memória, a última vez que um time tão fraco jogou uma série final (considerando o elenco em quadra, sem contar os lesionados) foi o mesmo Cavaliers do mesmo Lebron contra o Spurs, em 2007.

Esse papo de pipocar, sinceramente, não faz o menor sentido. É desmerecer completamente o time vencedor e não entender que basquete é um jogo de dois times, um querendo vencer o outro.

Eu não acho que Lebron vá conseguir ganhar neste ano e nem por isso acho que vai ser um fracasso. Pelo contrário: seis finais seguidas é um mérito gigantesco.

Médicos do Heat temem que Bosh nunca mais possa jogar

O insider da ESPN Brian Windhorst deu a notícia devastadora: a equipe médica do Miami Heat teme que os coágulos de sangue no pulmão de Chris Bosh, que o tiraram de ação de metade da temporada passada, voltaram e novamente colocaram o jogador de lado neste ano, podem fazer com que o jogador nunca mais esteja apto a jogar profissionalmente.

Há algumas semanas o jogador ameaçou acionar a Associação de Atletas da NBA para convencer a direção do Heat a voltar a compor o time. Segundo médicos consultados paralelamente pelo jogador, ele estaria curado e pronto para jogar. Do outro lado, o Heat seguia cauteloso sem estipular uma data para o retorno do jogador. Muita gente falava que era uma jogada do Miami para poder ativar o seguro do contrato do jogador e economizar uma grana com o salário de Bosh, mas, sinceramente, me parece mais uma daquelas teorias da conspiração que ganham corpo em fóruns de torcedores e outras fontes super confiáveis do gênero. Tanto é que poucos dias depois Heat e Bosh divulgaram um posicionamento juntos de que o jogador não voltaria a jogar neste ano.

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O Heat com certeza gostaria de contar com o all-star de volta e Bosh já mostrou o quanto quer estar em quadra novamente, mas este é o tipo de caso em que não se podem pular etapas. Qualquer parecer incerto é suficiente para vetar o atleta, por mais triste que seja – ou até mesmo Bosh não precisa buscar alguém que confirme que ele pode jogar, mas sim alguém que passe o status com maior precisão possível, mesmo que não seja o diagnóstico que ele quer ouvir.

Segundo o texto da ESPN, a equipe médica do Heat foi atrás de vários especialistas no assunto e não conseguiu chegar a qualquer conclusão totalmente otimista. Pelo sim e pelo não, por enquanto, o jogador não teria condições de jogar, concluem.

A história nos ensina que problemas desta ordem não podem ser menosprezados. O ala Reggie Lewis, do Boston Celtics, é o caso mais assustador e grave da história da NBA, mas que serve como alerta até hoje. Lewis tinha 27 anos e estava em seu sexto ano na liga. Em um treinamento na offseason de 1993, o jogador teve um ataque cardíaco e morreu em quadra. O pior de tudo é que o jogador já tinha dado indícios de problemas cardíacos ao longos dos últimos meses, e, no mais emblemático deles, desmaiou no primeiro jogo dos playoffs daquele ano durante a partida. O time não levou o sinal tão a sério e o jogador insistiu em jogar, até que meses depois voltou a ter problemas e faleceu.

São casos diferentes, mas que dizem muito sobre os cuidados que os times devem ter com seus jogadores. Uma coisa é tratar uma lesão muscular, uma fratura e etc, outra é uma doença nos pulmões, como é o caso de Bosh, que pode trazer problemas para o restante da sua vida.

 

 

A derrota do small ball

Não existe uma verdade absoluta no basquete. A série entre Miami Heat e Toronto Raptors chegou ao jogo 7 com os dois times completamente arrebentados para nos lembrar disso. A grande máxima do jogo hoje é o ‘small ball’ – só porque o Golden State Warriors ano passado bateu o Cleveland Cavaliers sem jogar com um pivô lá dentro do garrafão maior parte do tempo muita gente acha que esta é a única maneira de se jogar basquete daqui em diante. Não é. O ‘small ball’ é um recurso apenas, que pode ser usado por um time com algum talento incrível para chutar de fora no ataque e muita versatilidade na defesa ou então quando não há qualquer opção confiável dentro do garrafão.

Ontem o Miami Heat começou o jogo contra o Toronto Raptors com uma lineup que se deu bem nos momentos cruciais dos últimos jogos decisivos da série: Goran Dragic, Dwyane Wade, Joe Johnson, Justise Winslow e Luol Deng. O maior jogador do quinteto é Deng, com 2,06, e uma carreira inteira jogando como ala. De resto, os jogadores com no máximo 2,01 (um ala e três armadores). A formação é muito ‘menor’ do que ‘small ball’, é uma formação ‘super tiny ball’. Do outro lado, Toronto entrava em quadra com seus titulares naturais diante das lesões: Kyle Lowry, Demar Derozan, Demarre Carroll e Bismack Biyombo. A única mudança de última hora foi a entrada de Patrick Patterson, um ala que sabe jogar em qualquer posição entre small forward e center.

Ué, um time baixo com vários caras super móveis, com chute suficiente de fora e esforçados na defesa deveria dar um baile em uma equipe com dois grandalhões de ofício lá embaixo da cesta, não? Não. Toronto fechou o jogo com mais de 20 pontos de vantagem e o dobro dos rebotes do time da Florida na partida mais tranquila de toda a série. Biyombo, que sempre foi tão ameaçador quanto um bonsai no ataque, teve uma performance excelente, de 17 pontos e 16 rebotes.

Eu não condeno o Miami Heat de tentar esta tática, afinal, Chris Bosh e Hassan Whiteside, donos do garrafão do time, estão fora de combate. Amare Stoudemire defende o mesmo que um James Harden, só que com dez anos a mais e dois joelhos a menos. O time não tinha saída mesmo. O que eu condeno é o endeusamento de uma tática que dá certo para um time excepcional, mas que não é a receita de vitória para todos – vide o vitorioso Raptors.

O ‘super tiny ball’ do Heat deu certo no jogo passado justamente porque Biyombo é uma mula e nem sempre vai conseguir tirar vantagem do seu tamanho e sua força, mas definitivamente não é um esquema confiável que se deva apostar sempre.

Um jogador de ofício lá dentro do garrafão era tão necessário ao Heat que o único que tinha à disposição, Josh McRoberts – uma versão com todos os defeitos e poucas qualidades de Chris Bosh, para você ver o nível…-, jogou 15 minutos e se fosse possível contar só o tempo que esteve em quadra, o Miami teria vencido por um ponto.

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O small ball do Heat transformou Bismack Biyombo em um herói improvável

Lógico que esta derrota do ‘minúsculo’ Miami não decreta o fim do ‘small ball’, mas espero que sirva para desmentir uma convicção que muita gente tem. Toronto deve jogar com um pivô sempre que possível contra o Cleveland, especialmente quando Tristan Thompson ou Timofey Mozgov estiver em quadra. Do outro lado, mesmo quando o Warriors correr com um time baixo, o Thunder deve manter sempre dois do trio Ibaka/Adams/Kanter (que ganharam a série contra o Spurs).

Afinal, o basquete não é um esporte de gigantes há um século por acaso.’Small ball’ é pra quem pode – como o Golden State. Ou pra quem não tem mais alternativa – como foi, por um tempo, para Miami. Mas não será sempre a solução.

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