Tag: Miami (Page 1 of 2)

Alguém vai sobrar

São três times e apenas duas vagas. Isso para ser definido em apenas um jogo. A rodada final da temporada regular, nesta quarta-feira, vai ter ares de decisão de campeonato para Indiana Pacers, Chicago Bulls e Miami Heat.

Os três times jogam em casa e os dois primeiros, Pacers e Bulls, precisam vencer para se garantir entre os oito melhores do Leste. O Heat, além de fazer o seu papel, precisa secar um dos rivais para retomar um posto no mata-mata.

Cada um dos times vai enfrentar um drama para tentar se garantir nos playoffs.O Miami Heat, a princípio, é o que tem o pior cenário por depender do revés de um dos outros dois. Por outro lado, é o time que, de um modo geral, enfrenta menos pressão: com uma equipe completamente desmantelada, maior parte das pessoas dava como certo que a franquia só faria figuração nesta temporada. O time encontrou um monte de jogadores com muita vontade de jogar e Erik Spoelstra definiu um modelo de jogo que fez o time emplacar uma sequência de vitórias digna dos melhores times do campeonato – só o Warriors emplacou um ‘streak’ mais longo. Só estar ali disputando alguma coisa até o final da temporada já é um puta feito da equipe.

Tem a vantagem de jogar contra o Washington Wizards, que não luta por mais nada na última rodada – ainda que empate com o Raports, perde no critério de desempate.

Em condições levemente mais favoráveis, encontra-se o Chicago Bulls. O time joga em casa contra a equipe mais desprezível da NBA na atualidade, o Brooklyn Nets, que tem apenas 20 vitórias na temporada. O grande problema aqui é que o histórico do Bulls contra times ruins é péssimo – enquanto a campanha contra as equipes boas é positiva. Quer dizer que, só por causa disso, o time vai perder? Claro que não, mas o retrospecto deve servir de alerta.

Por fim, o Indiana Pacers enfrenta o Atlanta Hawks, que vem de uma boa sequência, já está garantido no mata-mata e é bem provável que não ofereça muitas resistências. O grande lance aqui é o Pacers emplacar uma vitória com o que tem de melhor – o time entrou na temporada com expectativas em alta, mas viveu uma montanha-russa ao longo da competição, sem a menor consistência ao longo do ano. Este jogo, aliás, terá transmissão da ESPN!

Dado o momento dos times e tudo que Jimmy Butler e Paul George têm jogado, o meu palpite é que Miami vai pagar o pato. Acho que os três times vencem suas partidas finais, com Indiana garantindo a 7ª colocação e Chicago a 8ª, com uma campanha exatamente igual a do Heat, mas com o time da Florida perdendo no desempate. Vale ficar de olho!

Na conta dos role players

Veio totalmente do nada. O Miami Heat tinha emplacado três vitórias seguidas, mas nem o torcedor mais otimista poderia imaginar que a sequência fosse continuar. Os motivos eram dois: ao longo de toda temporada o time não tinha emplacado tantos resultados positivos seguidos e o rival da vez era o Golden State Warriors, time de melhor campanha na NBA.

Se você está ligado na liga, já sabe o resultado. O Miami não só venceu este jogo como ganhou outros seis e hoje ostenta a melhor sequência da NBA nos últimos 20 dias. São dez triunfos seguidos que colocaram o time na briga pelos playoffs do Leste – antes disso, o time estava a 10 vitórias de distância da oitava colocação. Hoje são apenas duas.

Além disso, é a segunda equipe que melhor arremessa (56,1%) – atrás apenas do histórico Golden State Warriors – e a que faz os adversários chutarem pior (47,9% de aproveitamento). A equação é básica: acertando muito mais que o adversário, a vitória geralmente vem.

O roteiro é absolutamente improvável. O Miami Heat começou a temporada sem grandes pretensões e com um time para não brigar por nada. A ideia era passar um ano perdendo para buscar talentos para rechear o jovem elenco – fosse por draft, já que a próxima classe parece ser bem forte, fosse pelo mercado de jogadores sem contrato, já que a Flórida é um bom destino para quem não quer perder grandes fatias de salário em impostos.

O time já não era lá essas coisas e ficou ainda menos estrelado quando entrou numa maré de azar das lesões. Justise Winslow, principal jogadores entre os pós-adolescentes da franquia, lesionou o ombro direito e está fora da temporada desde dezembro. Hassan Whiteside, maior salário do time e pivô titularíssimo, ficou de fora uma ou outra partida com um problema no olho. Josh Richardson, ala armador titular, também já completou um mês sem jogar.

Somando toda essa turma, o Heat já contabiliza mais de 160 abstenções por lesão, maior marca da NBA neste ano (sem contar a ausência de Chris Bosh, que não deve jogar mais pelo time).

Mas surpreendentemente esta equipe é a que mais vence na liga nos últimos tempos. O mérito, neste caso, é de um grupo de formigas operárias que se acertaram com a camisa do Miami e estão carregando o time. O elenco varia de jogadores que nunca tiveram outra experiência na NBA e eram insignificantes para o universo há um mês até aqueles que já tiveram seus lampejos na carreira mas nunca conseguiram ser constantes.

Exemplo disso é que o atleta que mais vezes entrou em quadra pela franquia neste ano é o completo anônimo Rodney McGruder, que tentou entrar na liga em 2013, mas só nesta temporada conseguiu efetivamente estrear em uma partida oficial – no currículo, até então, só jogos de summer league, d-league e campeonato húngaro.

Dion Waiters, eterna promessa que eu tinha certeza que nunca iria vingar em nenhum lugar, tem jogador muito. Foi eleito o melhor jogador da conferência na semana passada. James Jonhson, eterno reserva-do-reserva, é o sexto-homem mais eficiente das últimas partidas.

Ao lado deles, Luke Babbit, Willie Reed e Okaro White também têm sido importantes – jogadores que têm mais contratos temporários na carreira do que partidas jogadas, praticamente.

Só Dragic e Whiteside foram mais vezes titulares em suas carreiras do que reservas ou ‘dleaguers’

Até Goran Dragic e Hassan Whiteside, os mais badalados, também têm seus históricos de ‘underdog’: passaram despercebidos por várias equipes e só estouraram depois de uns bons anos rodando pela liga.

É um fenômeno difícil de explicar. Além de uma sintonia fina entre os caras e um momento em que tudo dá certo, é possível imaginar que todos eles estão jogando no limite máximo dos seus talentos em busca do reconhecimento que nunca tiveram em suas carreiras – mesmo que o basquete de um ou outro não seja lá essas coisas, o esforço está fazendo a diferença.

Não acredito que isso vá durar muito tempo. Até acho que o mais provável é que em breve o time vai caia na real e se perca na corrida pelo mata-mata. Mas, sem dúvida nenhuma, estes caras estão conseguindo mostrar que têm um valor que nunca esperamos deles.

[Previsão 16/17] Heat: os cacos de um verão trágico

A offseason se desenhava positiva para o Miami Heat quando, no primeiro horário possível, Hassan Whiteside anunciou em seu snapchat que renovaria com o time. O pivô era um dos mais assediados entre os jogadores sem contrato em toda a liga e, de imediato, dissipou a angústia dos torcedores do time avisando que ficaria por mais algumas temporadas.

Mas os capítulos seguintes de uma das novelas mais dramáticas da offseason foram melancólicos. Primeiro a notícia não tão surpreendente de que o time não estava nos planos de Kevin Durant – Pat Riley e os baixos impostos da Flórida não seduziram o jogador.

Depois, o enrolado vai e vem com Dwyane Wade. O jogador mais importante da história da franquia tinha um histórico de problemas para renovar seu contrato e, finalmente nesta temporada, acabou batendo o pé até o último momento contra Riley. O cabo de guerra acabou com Wade assinando por 20 milhões com o Chicago Bulls e abandonando o time onde fez sua carreira.

Por último, a trágica informação de que Chris Bosh não está completamente recuperado dos coágulos sanguíneos que o tiraram de ação nos dois últimos campeonatos.

bosh-heat

Ainda que o jogador esteja disposto a assumir o risco de jogar, a franquia não pretende usá-lo mais. Aí entra uma discussão que vai além da condição médica do atleta. O time se baseia no risco (real e gravíssimo, não se pode minimizar isso) para uma manobra contratual que livraria o salário de Bosh da folha salarial. Ao não usar o jogador no seu elenco neste ano, o time pode preencher seu espaço no salary cap e iniciar uma reconstrução no seu elenco.

Independente da moral do recurso (se é uma precaução legítima ou se está se aproveitando da condição duvidosa do jogador para tirá-lo do time), a equipe que veremos nesta temporada será, pela primeira vez, completamente diferente do Miami Heat campeão de 2006, 2012 e 2013.

Offseason
Além de tudo que foi dito aqui já, o time assinou com Dion Waiters (odeio, mas pode ser útil neste time), Derrick Williams e outros menos badalados e pouco eficientes.

Time Provável
PG – Goran Dragic / Tyler Johnson / Beno Udrih
SG – Josh Richardson / Dion Waiters
SF – Justise Winslow / James Jonhson
PF – Derrick Williams / Josh McRoberts
C – Hassan Whiteside / Willie Reed

Expectativa
Diante de tudo isso, não vejo o time indo para os playoffs neste ano, ainda que possa brigar até o final pelas últimas vagas. Whiteside é um bom pivô e Winslow e Richardson são jogadores interessantes para começar um processo de reformulação para as próximas temporadas.

Lebron e as finais

Hoje é a sexta vez seguida que Lebron James entra em quadra para uma série final de playoff. É um feito do caralho! Não consigo conceber como tem gente que trata isso como um demérito. Na boa, chegar na final e perder para o San Antonio Spurs ou para o Golden State Warriors faz parte das circunstâncias, especialmente nas condições em que cada uma das três derrotas (só estou falando desta sequência desde 2011) aconteceu. Uma sequência destas com dois títulos – ou três, dependendo do resultado da disputa desta ano – é só uma confirmação como ele é um dos maiores de todos os tempos.

Só outros sete caras conseguiram o mesmo feito e são todos do Boston Celtics dos anos 50 e 60, quando a NBA era um campeonato semi-amador de apenas seis times – hoje são 30. Deste então, nem Jordan, nem Bird, nem Magic, nem Kobe, nem ninguém conseguiu tal feito.

O que se fala é que ser campeão no Leste é uma mamata. Até acho válido relativizar que chegar à final no Leste é um trabalho menos complicado do que no Oeste, mas acho que isso não faz sentido quando falamos de alguém que fez isso seis vezes seguidas.

lebronfinals

Único jogador nos últimos 40 anos a conseguir chegar a seis finais seguidas

Neste período, os times de Lebron enfrentaram umas pedreiras. Há cinco anos, Chicago Bulls e Boston Celtics eram tão fortes quanto o Miami Heat. Em 2013 e 2014, o Indiana Pacers era uma time acertado, construído exclusivamente para vencer o Heat e parar Lebron. Mesmo assim, deu Miami em todas as vezes.

Nos últimos dois anos, é verdade, o Cleveland não teve rivais à altura. Em parte pela qualidade da conferência, em parte pela soberania do time. Lebron e cia foram lá e confirmaram o favoritismo.

E tudo bem, mesmo que fosse ‘só a obrigação’ dele chegar às finais com os concorrentes que teve, ele foi capaz de cumprir com o seu dever. Nestas seis temporadas, muitos times que ‘tinham que chegar em tal lugar’ ficaram pelo caminho. Aquele Chicago de 2011 era um potencial finalista, o Spurs derrotado pelo Miami ‘era para ser’ campeão, entre tantos outros. O favoritismo só não é um fardo quando ele se confirma com a conquista.

Outra crítica, ainda mais absurda, é de que o aproveitamento é baixo. Primeiro que levando em conta só a sequência, são seis finais seguidas e duas vitórias (com a possibilidade de uma terceira neste ano). Isso é pouco? Ainda mais se considerando que são, geralmente, as duas melhores equipes da temporada frente a frente. Faz parte do jogo ganhar, faz parte perder.

Em todo caso, acho só que a única final desta série em que Lebron fracassou mesmo foi a primeira, contra o Dallas Mavericks. O time do Miami Heat era melhor e Lebron jogou muito aquém do que se esperava. De resto, ganhando ou perdendo, James foi absurdo.

Ano passado foi, por exemplo, a melhor apresentação individual de um jogador nas finais em muitos anos, a ponto dele ser cogitado como MVP das Finais MESMO PERDENDO – algo que só aconteceu uma vez na história, com Jerry West. E de memória, a última vez que um time tão fraco jogou uma série final (considerando o elenco em quadra, sem contar os lesionados) foi o mesmo Cavaliers do mesmo Lebron contra o Spurs, em 2007.

Esse papo de pipocar, sinceramente, não faz o menor sentido. É desmerecer completamente o time vencedor e não entender que basquete é um jogo de dois times, um querendo vencer o outro.

Eu não acho que Lebron vá conseguir ganhar neste ano e nem por isso acho que vai ser um fracasso. Pelo contrário: seis finais seguidas é um mérito gigantesco.

Médicos do Heat temem que Bosh nunca mais possa jogar

O insider da ESPN Brian Windhorst deu a notícia devastadora: a equipe médica do Miami Heat teme que os coágulos de sangue no pulmão de Chris Bosh, que o tiraram de ação de metade da temporada passada, voltaram e novamente colocaram o jogador de lado neste ano, podem fazer com que o jogador nunca mais esteja apto a jogar profissionalmente.

Há algumas semanas o jogador ameaçou acionar a Associação de Atletas da NBA para convencer a direção do Heat a voltar a compor o time. Segundo médicos consultados paralelamente pelo jogador, ele estaria curado e pronto para jogar. Do outro lado, o Heat seguia cauteloso sem estipular uma data para o retorno do jogador. Muita gente falava que era uma jogada do Miami para poder ativar o seguro do contrato do jogador e economizar uma grana com o salário de Bosh, mas, sinceramente, me parece mais uma daquelas teorias da conspiração que ganham corpo em fóruns de torcedores e outras fontes super confiáveis do gênero. Tanto é que poucos dias depois Heat e Bosh divulgaram um posicionamento juntos de que o jogador não voltaria a jogar neste ano.

bring-bosh-back_xnphnh

O Heat com certeza gostaria de contar com o all-star de volta e Bosh já mostrou o quanto quer estar em quadra novamente, mas este é o tipo de caso em que não se podem pular etapas. Qualquer parecer incerto é suficiente para vetar o atleta, por mais triste que seja – ou até mesmo Bosh não precisa buscar alguém que confirme que ele pode jogar, mas sim alguém que passe o status com maior precisão possível, mesmo que não seja o diagnóstico que ele quer ouvir.

Segundo o texto da ESPN, a equipe médica do Heat foi atrás de vários especialistas no assunto e não conseguiu chegar a qualquer conclusão totalmente otimista. Pelo sim e pelo não, por enquanto, o jogador não teria condições de jogar, concluem.

A história nos ensina que problemas desta ordem não podem ser menosprezados. O ala Reggie Lewis, do Boston Celtics, é o caso mais assustador e grave da história da NBA, mas que serve como alerta até hoje. Lewis tinha 27 anos e estava em seu sexto ano na liga. Em um treinamento na offseason de 1993, o jogador teve um ataque cardíaco e morreu em quadra. O pior de tudo é que o jogador já tinha dado indícios de problemas cardíacos ao longos dos últimos meses, e, no mais emblemático deles, desmaiou no primeiro jogo dos playoffs daquele ano durante a partida. O time não levou o sinal tão a sério e o jogador insistiu em jogar, até que meses depois voltou a ter problemas e faleceu.

São casos diferentes, mas que dizem muito sobre os cuidados que os times devem ter com seus jogadores. Uma coisa é tratar uma lesão muscular, uma fratura e etc, outra é uma doença nos pulmões, como é o caso de Bosh, que pode trazer problemas para o restante da sua vida.

 

 

A derrota do small ball

Não existe uma verdade absoluta no basquete. A série entre Miami Heat e Toronto Raptors chegou ao jogo 7 com os dois times completamente arrebentados para nos lembrar disso. A grande máxima do jogo hoje é o ‘small ball’ – só porque o Golden State Warriors ano passado bateu o Cleveland Cavaliers sem jogar com um pivô lá dentro do garrafão maior parte do tempo muita gente acha que esta é a única maneira de se jogar basquete daqui em diante. Não é. O ‘small ball’ é um recurso apenas, que pode ser usado por um time com algum talento incrível para chutar de fora no ataque e muita versatilidade na defesa ou então quando não há qualquer opção confiável dentro do garrafão.

Ontem o Miami Heat começou o jogo contra o Toronto Raptors com uma lineup que se deu bem nos momentos cruciais dos últimos jogos decisivos da série: Goran Dragic, Dwyane Wade, Joe Johnson, Justise Winslow e Luol Deng. O maior jogador do quinteto é Deng, com 2,06, e uma carreira inteira jogando como ala. De resto, os jogadores com no máximo 2,01 (um ala e três armadores). A formação é muito ‘menor’ do que ‘small ball’, é uma formação ‘super tiny ball’. Do outro lado, Toronto entrava em quadra com seus titulares naturais diante das lesões: Kyle Lowry, Demar Derozan, Demarre Carroll e Bismack Biyombo. A única mudança de última hora foi a entrada de Patrick Patterson, um ala que sabe jogar em qualquer posição entre small forward e center.

Ué, um time baixo com vários caras super móveis, com chute suficiente de fora e esforçados na defesa deveria dar um baile em uma equipe com dois grandalhões de ofício lá embaixo da cesta, não? Não. Toronto fechou o jogo com mais de 20 pontos de vantagem e o dobro dos rebotes do time da Florida na partida mais tranquila de toda a série. Biyombo, que sempre foi tão ameaçador quanto um bonsai no ataque, teve uma performance excelente, de 17 pontos e 16 rebotes.

Eu não condeno o Miami Heat de tentar esta tática, afinal, Chris Bosh e Hassan Whiteside, donos do garrafão do time, estão fora de combate. Amare Stoudemire defende o mesmo que um James Harden, só que com dez anos a mais e dois joelhos a menos. O time não tinha saída mesmo. O que eu condeno é o endeusamento de uma tática que dá certo para um time excepcional, mas que não é a receita de vitória para todos – vide o vitorioso Raptors.

O ‘super tiny ball’ do Heat deu certo no jogo passado justamente porque Biyombo é uma mula e nem sempre vai conseguir tirar vantagem do seu tamanho e sua força, mas definitivamente não é um esquema confiável que se deva apostar sempre.

Um jogador de ofício lá dentro do garrafão era tão necessário ao Heat que o único que tinha à disposição, Josh McRoberts – uma versão com todos os defeitos e poucas qualidades de Chris Bosh, para você ver o nível…-, jogou 15 minutos e se fosse possível contar só o tempo que esteve em quadra, o Miami teria vencido por um ponto.

IMG_1559

O small ball do Heat transformou Bismack Biyombo em um herói improvável

Lógico que esta derrota do ‘minúsculo’ Miami não decreta o fim do ‘small ball’, mas espero que sirva para desmentir uma convicção que muita gente tem. Toronto deve jogar com um pivô sempre que possível contra o Cleveland, especialmente quando Tristan Thompson ou Timofey Mozgov estiver em quadra. Do outro lado, mesmo quando o Warriors correr com um time baixo, o Thunder deve manter sempre dois do trio Ibaka/Adams/Kanter (que ganharam a série contra o Spurs).

Afinal, o basquete não é um esporte de gigantes há um século por acaso.’Small ball’ é pra quem pode – como o Golden State. Ou pra quem não tem mais alternativa – como foi, por um tempo, para Miami. Mas não será sempre a solução.

Em frangalhos

A última vez que isso aconteceu foi em 2001. Milwaukee Bucks, de Ray Allen e Glenn Robinson eliminou o Charlotte Hornets de Jamal Mashburn e Baron Davis por 4 a 3. Do outro lado da chave, Philadelphia 76ers de Allen Iverson bateu o Toronto Raptors de Vince Carter e Antonio Davis no último jogo também – em um final de partida lendário, que Carter errou o arremesso final no estouro do cronômetro. Sixers e Bucks então se enfrentaram na final de conferência e também foram às últimas consequências para decidir quem seria o campeão. Sixers passou mas chegou arrebentado na final contra o Los Angeles Lakers, que não tinha perdido uma partida dos playoffs até então. No final das contas: 4 a 1 para o time amarelo e roxo não lá muito equilibrada.

Trocando os nomes dos times e dos jogadores, o cenário é o mesmo deste ano no Leste. Toronto Raptors e Miami Heat foram sobreviventes de séries que se arrastaram por sete jogos e, da disputa entre os dois, novamente o combate durou até o último jogo. Seja lá quem passar, vai enfrentar um Cleveland Cavaliers invicto, descansado e cheio de moral.

Naquela oportunidade, o Los Angeles Lakers, igualmente estelar como o Cavs deste ano, fechou a final do Oeste em quatro jogos e esperou dez dias para que entrar em quadra novamente. O Philadelphia, que tinha jogado já 14 vezes nos últimos 28 dias, teve só dois dias de descanso até que as finais da NBA começassem. Uma diferença desleal.

image

Miami e Toronto: acabados depois de 14 jogos de porradaria em 28 dias

Mais uma vez, a história se repete: Miami e Toronto jogaram uma vez a cada dois dias no último mês, enquanto o Cleveland tem uma média de um jogo a cada quatro dias, favorecido pelas duas varridas que aplicou. E até domingo, quando Heat e Raptors se matam pela vaga no jogo derradeiro, o Cavs vai ter completado uma semana de calmaria. Tanto tempo que Richard Jefferson postou um vídeo no seu Snapchat conversando com Channing Frye falando que os jogadores do Cleveland não têm mais o que fazer com tantos dias de folga. “Muito netflix” define Frye no vídeo, em tom de chacota.

Além da diferença brutal entre os elencos, que só aumentou ao se comparar as performances de playoffs do Cavs com os outros dois times, o time de Ohio chega inteiro e fresco para a disputa. Já Heat e Raps colecionam desfalques – e quem continua jogando, está cada vez mais baleado.

Independente de quem passe, seja o cascudo time do Heat ou o bem montado Raptors que ficou em segundo na temporada regular, a final tem tudo para ser um passeio do Cleveland. As circunstâncias indicam isso. E a história confirma.

A pior/melhor série

1:30 para o final da prorrogação, algum torcedor sentado na linha de fundo da American Airlines Arena derruba um copo na beirada da quadra e uma dezena de cubos de gelo invadem o campo de jogo. Os juízes param a partida para que o pessoal limpe o piso. A piada é infame, mas o incidente consegue esfriar ainda mais uma partida em que ninguém acerta nada. Uns 15 segundos mais tarde Dwyane Wade corre para a bandeja e a bola estaciona equilibrada no fundo do aro, sem cair na cesta nem fora dela. A poucos segundos do final da quarta partida entre Heat e Raptors, os dois lances bizarros simbolizam o que tem sido a série entre os dois: um inusitado show de horrores.

https://www.youtube.com/watch?v=n2oULNmaREw

O confronto registra o pior aproveitamento dos arremessos de todo o mata-mata deste ano, com as duas equipes acertando apenas 44% dos seus chutes. É também a série com maior média de bolas desperdiçadas por partida, com média de 28 turnovers por jogo.

Ao mesmo tempo, apesar de jogos com muito mais jogadas sofríveis do que impressionantes, o confronto tem sido o mais equilibrado dos playoffs em anos. Foi só a terceira vez na história que uma disputa vai a três prorrogações nos quatro primeiros jogos de uma série.

As duas jogadas finais do tempo regulamentar, que levaram o último jogo ao overtime, dizem muito sobre o confronto: primeiro Wade cruza a quadra toda como um maluco e salta para a bandeja no meio de três defensores. Depois, Cory Joseph pega a bola na defesa, bate a laranja até a cabeça do garrafão e força o arremesso sem um mísero passe. Os dois lances mais importantes da partida até aquele momento não tiveram qualquer jogada desenhada.

Muito dessa falta de qualidade pode ser creditado ao desempenho pífio dos, em tese, melhores jogadores das duas franquias.

Da parte do Toronto Raptors, a dupla de armadores do continua agonizando em quadra. Somados, Kyle Lowry e Demar Derozan chutaram 6 bolas certas em 28 tentadas no jogo de ontem. De três, foram 8 tentativas e nenhum acerto – e uns air balls. Para completar, Lowry foi eliminado por faltas e Derozan ficou maior parte do último quarto do tempo normal no banco. Na prorrogação, inclusive, as únicas coisas que ele foi capaz de fazer foi levar um toco e perder uma bola.

Do outro lado, Joe Johnson está terrível. Depois de um bom começo de passagem pelo Heat, o jogador vem tendo um desempenho sofrível nos playoffs. Até agora não acertou nenhum chute de três na série contra o Raptors (foram 10 tentativas). Goran Dragic fez quase tantas faltas e turnovers quanto cestas ao longo dos quatro jogos. E o banco do Miami pena para conseguir pontuar (neste último jogo, perdeu de 34 a 19 para os reservas do Toronto). Wade, que é um chutador de longa distância abaixo da média, é quem tem o melhor aproveitamento de três da série toda, com 60% de acerto – o que diz muito sobre a mira dos demais jogadores.

Por fim, dois jogadores que estavam salvando a lavoura se lesionaram e devem desfalcar seus times para o restante do combate: Jonas Valanciunas já está certo que não volta nas semifinais de conferência e Hassan Whiteside está afastado por tempo indeterminado.

Diante de tudo isso, está absolutamente impossível prever o que pode acontecer. O palpite mais seguro é apostar que os próximos três jogos serão uma zona completa, mas disputados posse a posse de bola – como foram todos os jogos entre os dois times até então. O equilíbrio quase sem precedentes da série é um alento depois de um primeiro round que teve a maior diferença média de pontos em todos os tempos.

Está duro de assistir, mas ao menos está emocionante. Não é de todo mal.

Bosh, Heat e o risco de colocar um jogador lesionado em quadra

Chris Bosh, ala-pivô do Miami Heat, recorreu à NBPA (National Basketball Players Association, uma espécie de sindicato dos jogadores) para que interfira na decisão do Miami Heat de não deixá-lo entrar em quadra em função do seu quadro de saúde. Em fevereiro, o jogador foi diagnosticado com uma embolia pulmonar, o que o tirou de ação da temporada até que fosse completamente curado. Algumas semanas depois, Bosh já dizia estar bem, enquanto o Departamento Médico do Heat ainda alegava que a situação do jogador era incerta e que ele não poderia entrar em quadra. Agora, nos playoffs, o jogador diz que já está totalmente apto a atuar normalmente, enquanto o time prefere manter a cautela e estuda não deixá-lo jogar até a próxima temporada.

bring-bosh-back_xnphnh

#BringBoshBack: jogador incitou torcedores que pedissem sua volta às quadras

É muito difícil dar qualquer pitaco nesta situação. Nem mesmo alguém que entenda realmente dos riscos de um atleta entrar em quadra com um problema destes pode afirmar qualquer coisa, afinal, o próprio status do jogador é incerto. Ninguém sabe se Bosh está realmente curado e o time está sendo cauteloso além da conta ou se o jogador está sendo imprudente ao querer entrar em quadra.

Apesar destas ponderações e da falta de informação, eu tendo a entender o risco do clube e acho que a situação, apesar de extrema, é emblemática no que diz respeito às relações entre Departamento Médico e jogador quando o atleta está lesionado.

Eu entendo que é natural que caras que jogam em altíssimo nível e sejam super competitivos queiram entrar em quadra sempre que possível. São casos como estes que fazem grandes histórias de superação entrarem para os anais do basquete – tipo quando Jordan jogou fervendo de febre ou as milhares de vezes que Kobe jogou todo arrebentado -, mas até que ponto o risco vale a pena?

Para o time, então, que tem, no caso de Bosh e em dezenas de outras situações, milhões a ver pelos próximos anos, é perfeitamente compreensível manejar os riscos e trabalhar com cautela. Especialmente em um cenário que é quase impossível o Miami bater os times do Oeste e vir a ser campeão, com ou sem o jogador.

Muito se falou sobre a lesão no tornozelo que tirou Curry dos primeiros jogos dos playoffs. O machucado era leve, mas o jogador foi poupado mesmo assim. “Nossa, Kobe Bryant entraria em quadra na marra”. Pois é, Nicolas Batum e Deron Williams jogaram machucados nos playoffs e agravaram suas lesões. O clube deve pensar na saúde do jogador e, caso isso possa ser discutível, avaliar as chances do time, as vantagens de colocar um jogador meia bomba em jogo e o momento ideal para fazer isso. Geralmente, o mais indicado, me parece, é respeitar a saúde dos caras.

O staff do time serve, entre outras coisas, para controlar o ímpeto dos jogadores, para preservar o bem do time e cuidar da saúde e do futuro dos atletas. Vale lembrar, no caso de Bosh, que é a segunda vez em dois anos que ele apresenta os coágulos de sangue no pulmão.

Forçar a barra pode criar uma história épica de superação e tal, mas na maioria das vezes não é um risco que vale a pena.

Todo calouro é burro (2)

Todo calouro é muito burro. Já ficou comprovado naquele episódio em que D’Angelo Russell gravou uma conversa um pouco reveladora com o colega Nick Young e ficou ainda mais claro ontem, com o calouro do Miami Heat Josh Richardson.

Logo depois da vitória do Heat sobre o Charlotte Hornets, pelo jogo 2 da primeira rodada dos playoffs, Richardson foi chamado para comentar sobre a partida no programa e Jason Jackson, na Fox Sun, emissora local do canal de esportes na Florida. Enquanto o apresentador ainda anunciava a entrevista, Richardson andava pelo set lendo a pauta do bate-papo. Acontece que ele se distraiu olhando para o celular e ACABOU ENTRANDO NO ESTÚDIO ANTES DO COMBINADO.

Na verdade o jogador seria chamado em instantes, mas acabou entrando no ‘campo de visão’ da câmera segundo antes de ser anunciado. O melhor de tudo é a reação do jogador quando nota que já está ao vivo e tenta VOLTAR DE RÉ como se ninguém fosse notar a sua presença.

Jackson, o apresentador, improvisa e chama um cara da produção para colocar uma cadeira no estúdio e um microfone às pressas no jogador.

https://cdn0.vox-cdn.com/thumbor/siVthIzBki5YpUKjvzuBZk_mwdI=/800×0/filters:no_upscale()/cdn0.vox-cdn.com/uploads/chorus_asset/file/6369829/JRichBackPedal.0.gif

Todo calouro é burro mesmo.

https://cdn0.vox-cdn.com/thumbor/siVthIzBki5YpUKjvzuBZk_mwdI=/800×0/filters:no_upscale()/cdn0.vox-cdn.com/uploads/chorus_asset/file/6369829/JRichBackPedal.0.gif

Page 1 of 2

Powered by WordPress & Theme by Anders Norén