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Em frangalhos

A última vez que isso aconteceu foi em 2001. Milwaukee Bucks, de Ray Allen e Glenn Robinson eliminou o Charlotte Hornets de Jamal Mashburn e Baron Davis por 4 a 3. Do outro lado da chave, Philadelphia 76ers de Allen Iverson bateu o Toronto Raptors de Vince Carter e Antonio Davis no último jogo também – em um final de partida lendário, que Carter errou o arremesso final no estouro do cronômetro. Sixers e Bucks então se enfrentaram na final de conferência e também foram às últimas consequências para decidir quem seria o campeão. Sixers passou mas chegou arrebentado na final contra o Los Angeles Lakers, que não tinha perdido uma partida dos playoffs até então. No final das contas: 4 a 1 para o time amarelo e roxo não lá muito equilibrada.

Trocando os nomes dos times e dos jogadores, o cenário é o mesmo deste ano no Leste. Toronto Raptors e Miami Heat foram sobreviventes de séries que se arrastaram por sete jogos e, da disputa entre os dois, novamente o combate durou até o último jogo. Seja lá quem passar, vai enfrentar um Cleveland Cavaliers invicto, descansado e cheio de moral.

Naquela oportunidade, o Los Angeles Lakers, igualmente estelar como o Cavs deste ano, fechou a final do Oeste em quatro jogos e esperou dez dias para que entrar em quadra novamente. O Philadelphia, que tinha jogado já 14 vezes nos últimos 28 dias, teve só dois dias de descanso até que as finais da NBA começassem. Uma diferença desleal.

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Miami e Toronto: acabados depois de 14 jogos de porradaria em 28 dias

Mais uma vez, a história se repete: Miami e Toronto jogaram uma vez a cada dois dias no último mês, enquanto o Cleveland tem uma média de um jogo a cada quatro dias, favorecido pelas duas varridas que aplicou. E até domingo, quando Heat e Raptors se matam pela vaga no jogo derradeiro, o Cavs vai ter completado uma semana de calmaria. Tanto tempo que Richard Jefferson postou um vídeo no seu Snapchat conversando com Channing Frye falando que os jogadores do Cleveland não têm mais o que fazer com tantos dias de folga. “Muito netflix” define Frye no vídeo, em tom de chacota.

Além da diferença brutal entre os elencos, que só aumentou ao se comparar as performances de playoffs do Cavs com os outros dois times, o time de Ohio chega inteiro e fresco para a disputa. Já Heat e Raps colecionam desfalques – e quem continua jogando, está cada vez mais baleado.

Independente de quem passe, seja o cascudo time do Heat ou o bem montado Raptors que ficou em segundo na temporada regular, a final tem tudo para ser um passeio do Cleveland. As circunstâncias indicam isso. E a história confirma.

A pior/melhor série

1:30 para o final da prorrogação, algum torcedor sentado na linha de fundo da American Airlines Arena derruba um copo na beirada da quadra e uma dezena de cubos de gelo invadem o campo de jogo. Os juízes param a partida para que o pessoal limpe o piso. A piada é infame, mas o incidente consegue esfriar ainda mais uma partida em que ninguém acerta nada. Uns 15 segundos mais tarde Dwyane Wade corre para a bandeja e a bola estaciona equilibrada no fundo do aro, sem cair na cesta nem fora dela. A poucos segundos do final da quarta partida entre Heat e Raptors, os dois lances bizarros simbolizam o que tem sido a série entre os dois: um inusitado show de horrores.

https://www.youtube.com/watch?v=n2oULNmaREw

O confronto registra o pior aproveitamento dos arremessos de todo o mata-mata deste ano, com as duas equipes acertando apenas 44% dos seus chutes. É também a série com maior média de bolas desperdiçadas por partida, com média de 28 turnovers por jogo.

Ao mesmo tempo, apesar de jogos com muito mais jogadas sofríveis do que impressionantes, o confronto tem sido o mais equilibrado dos playoffs em anos. Foi só a terceira vez na história que uma disputa vai a três prorrogações nos quatro primeiros jogos de uma série.

As duas jogadas finais do tempo regulamentar, que levaram o último jogo ao overtime, dizem muito sobre o confronto: primeiro Wade cruza a quadra toda como um maluco e salta para a bandeja no meio de três defensores. Depois, Cory Joseph pega a bola na defesa, bate a laranja até a cabeça do garrafão e força o arremesso sem um mísero passe. Os dois lances mais importantes da partida até aquele momento não tiveram qualquer jogada desenhada.

Muito dessa falta de qualidade pode ser creditado ao desempenho pífio dos, em tese, melhores jogadores das duas franquias.

Da parte do Toronto Raptors, a dupla de armadores do continua agonizando em quadra. Somados, Kyle Lowry e Demar Derozan chutaram 6 bolas certas em 28 tentadas no jogo de ontem. De três, foram 8 tentativas e nenhum acerto – e uns air balls. Para completar, Lowry foi eliminado por faltas e Derozan ficou maior parte do último quarto do tempo normal no banco. Na prorrogação, inclusive, as únicas coisas que ele foi capaz de fazer foi levar um toco e perder uma bola.

Do outro lado, Joe Johnson está terrível. Depois de um bom começo de passagem pelo Heat, o jogador vem tendo um desempenho sofrível nos playoffs. Até agora não acertou nenhum chute de três na série contra o Raptors (foram 10 tentativas). Goran Dragic fez quase tantas faltas e turnovers quanto cestas ao longo dos quatro jogos. E o banco do Miami pena para conseguir pontuar (neste último jogo, perdeu de 34 a 19 para os reservas do Toronto). Wade, que é um chutador de longa distância abaixo da média, é quem tem o melhor aproveitamento de três da série toda, com 60% de acerto – o que diz muito sobre a mira dos demais jogadores.

Por fim, dois jogadores que estavam salvando a lavoura se lesionaram e devem desfalcar seus times para o restante do combate: Jonas Valanciunas já está certo que não volta nas semifinais de conferência e Hassan Whiteside está afastado por tempo indeterminado.

Diante de tudo isso, está absolutamente impossível prever o que pode acontecer. O palpite mais seguro é apostar que os próximos três jogos serão uma zona completa, mas disputados posse a posse de bola – como foram todos os jogos entre os dois times até então. O equilíbrio quase sem precedentes da série é um alento depois de um primeiro round que teve a maior diferença média de pontos em todos os tempos.

Está duro de assistir, mas ao menos está emocionante. Não é de todo mal.

Bosh, Heat e o risco de colocar um jogador lesionado em quadra

Chris Bosh, ala-pivô do Miami Heat, recorreu à NBPA (National Basketball Players Association, uma espécie de sindicato dos jogadores) para que interfira na decisão do Miami Heat de não deixá-lo entrar em quadra em função do seu quadro de saúde. Em fevereiro, o jogador foi diagnosticado com uma embolia pulmonar, o que o tirou de ação da temporada até que fosse completamente curado. Algumas semanas depois, Bosh já dizia estar bem, enquanto o Departamento Médico do Heat ainda alegava que a situação do jogador era incerta e que ele não poderia entrar em quadra. Agora, nos playoffs, o jogador diz que já está totalmente apto a atuar normalmente, enquanto o time prefere manter a cautela e estuda não deixá-lo jogar até a próxima temporada.

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#BringBoshBack: jogador incitou torcedores que pedissem sua volta às quadras

É muito difícil dar qualquer pitaco nesta situação. Nem mesmo alguém que entenda realmente dos riscos de um atleta entrar em quadra com um problema destes pode afirmar qualquer coisa, afinal, o próprio status do jogador é incerto. Ninguém sabe se Bosh está realmente curado e o time está sendo cauteloso além da conta ou se o jogador está sendo imprudente ao querer entrar em quadra.

Apesar destas ponderações e da falta de informação, eu tendo a entender o risco do clube e acho que a situação, apesar de extrema, é emblemática no que diz respeito às relações entre Departamento Médico e jogador quando o atleta está lesionado.

Eu entendo que é natural que caras que jogam em altíssimo nível e sejam super competitivos queiram entrar em quadra sempre que possível. São casos como estes que fazem grandes histórias de superação entrarem para os anais do basquete – tipo quando Jordan jogou fervendo de febre ou as milhares de vezes que Kobe jogou todo arrebentado -, mas até que ponto o risco vale a pena?

Para o time, então, que tem, no caso de Bosh e em dezenas de outras situações, milhões a ver pelos próximos anos, é perfeitamente compreensível manejar os riscos e trabalhar com cautela. Especialmente em um cenário que é quase impossível o Miami bater os times do Oeste e vir a ser campeão, com ou sem o jogador.

Muito se falou sobre a lesão no tornozelo que tirou Curry dos primeiros jogos dos playoffs. O machucado era leve, mas o jogador foi poupado mesmo assim. “Nossa, Kobe Bryant entraria em quadra na marra”. Pois é, Nicolas Batum e Deron Williams jogaram machucados nos playoffs e agravaram suas lesões. O clube deve pensar na saúde do jogador e, caso isso possa ser discutível, avaliar as chances do time, as vantagens de colocar um jogador meia bomba em jogo e o momento ideal para fazer isso. Geralmente, o mais indicado, me parece, é respeitar a saúde dos caras.

O staff do time serve, entre outras coisas, para controlar o ímpeto dos jogadores, para preservar o bem do time e cuidar da saúde e do futuro dos atletas. Vale lembrar, no caso de Bosh, que é a segunda vez em dois anos que ele apresenta os coágulos de sangue no pulmão.

Forçar a barra pode criar uma história épica de superação e tal, mas na maioria das vezes não é um risco que vale a pena.

Todo calouro é burro (2)

Todo calouro é muito burro. Já ficou comprovado naquele episódio em que D’Angelo Russell gravou uma conversa um pouco reveladora com o colega Nick Young e ficou ainda mais claro ontem, com o calouro do Miami Heat Josh Richardson.

Logo depois da vitória do Heat sobre o Charlotte Hornets, pelo jogo 2 da primeira rodada dos playoffs, Richardson foi chamado para comentar sobre a partida no programa e Jason Jackson, na Fox Sun, emissora local do canal de esportes na Florida. Enquanto o apresentador ainda anunciava a entrevista, Richardson andava pelo set lendo a pauta do bate-papo. Acontece que ele se distraiu olhando para o celular e ACABOU ENTRANDO NO ESTÚDIO ANTES DO COMBINADO.

Na verdade o jogador seria chamado em instantes, mas acabou entrando no ‘campo de visão’ da câmera segundo antes de ser anunciado. O melhor de tudo é a reação do jogador quando nota que já está ao vivo e tenta VOLTAR DE RÉ como se ninguém fosse notar a sua presença.

Jackson, o apresentador, improvisa e chama um cara da produção para colocar uma cadeira no estúdio e um microfone às pressas no jogador.

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Todo calouro é burro mesmo.

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Lebron não inventou os supertimes – eles fazem parte da história

Uma das principais críticas a Lebron é que ele tem essa mania de querer se juntar a outros grandes jogadores e montar supertimes. Foi assim quando foi para Miami e mais ou menos deste jeito na sua volta ao Cleveland. Ainda tem esse papo de um dia jogar com Carmelo, Chris Paul e Wade.

Estes dias escrevi que não era o melhor momento para Lebron dizer isso, mas não acho que seja um absurdo ele ter este tipo de vontade. Se é a vontade dos caras, eles que se reúnam mesmo e os outros que tentem vencê-los.

Existe uma sensação bem recorrente ao ver este tipo de movimento, que virou num clichê batido: que os craques de antigamente queriam superar os melhores times ao invés de se juntar a eles, diferente dos jogadores de hoje que não teriam todo esse sangue nos olhos.

Sempre que leio e escuto este tipo de coisa eu fico com um pé atrás. Nunca tive essa convicção. Neste caso, então, mais uma vez me parece mais uma cornetagem misturada com falta de conhecimento da história da liga.

Eu parto de um princípio básico: a natureza humana não mudou em 50 anos de jogo. Assim como temos caras que têm como prioridade jogar eternamente em uma franquia, temos outros que tentar ganhar a qualquer custo. Há também aqueles que só querem se divertir, aqueles que querem ganhar dinheiro. Enfim, acho muito leviano resumir uma característica tão própria de cada um a uma tendência de um tempo.

Bom, a tese já está levantada. Vamos aos exemplos. Vou me prender a excelentes jogadores, de várias vezes all stars a hall of famers, ok? Em todos os tempos, sem exceção, temos grandes jogadores que fizeram carreira em uma única equipe e nunca se deixaram seduzir por este tipo de reunião de grandes jogadores. Basicamente, acho que há um padrão aqui, que é o camarada ter a sorte de cair num time bom – quase que uma reunião espontânea de craques. Neste grupo temos desde Bill Russell (com Bob Cousy), do Celtics dos anos 60, até Magic Johnson (com Mychael Thompson, Kareem Abdul Jabbar, James Worhty), Larry Bird (com Kevin McHale e Robert Parish) e Jordan (com Pippen) nos times dos anos 80 e 90.

São caras que ganharam uma porrada de títulos e de tinham bons times ao seu redor, com jogadores excelentes que entraram pra história do jogo. Um fenômeno idêntico aos atuais Tim Duncan no Spurs, Kobe Bryant no Lakers e, forçando a barra, Stephen Curry no Golden State. Times dominantes, com jogadores que nunca foram à caça de outras estrelas frustradas do seu tempo.

E aqueles que não deram sorte de cair numa franquia poderosa ou num elenco abençoado? Wilt Chamberlain se juntou aos hall of famers Elgin Baylor e Jerry West no Lakers no auge da sua carreira. O Detroit Pistons dos ‘bad boys’ não conseguia vencer o Boston Celtics do final dos anos 80 e apelou para Mark Aguirre e Adrian Dantley (dois dos maiores pontuadores da época, que não deixam nada a desejar para Carmelo Anthony, Chris Bosh e Kevin Love hoje em dia). O Sixers do começo daquela década era uma máquina montada na base da panelinha: Dr. J, Moses Malone, Mo Cheeks e Andre Toney. O mesmo fizeram Charles Barkley e Scott Pippen ao assinarem com o Houston Rockets de Hakeem Olajuwon no final dos anos 90.

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Charles Barkley, Hakeem Olajuwon e Scottie Pippen é um trio mais apelão do que qualquer patota do Lebron James.

Lógico que tem aqueles gênios que preferem ficar nas suas franquias na esperança de um dia bater os grandes times. Patrick Ewing no Knicks tentou e não conseguiu. Dirk Nowitzki no Mavs tanto fez que saiu com um anel de campeão.

Enfim, não se trata de uma característica deste ou daquele tempo. É mais uma combinação de sorte, vontade de vencer, estrutura de franquia e personalidade de cada um. A história se repete. Existem exemplos em todas as épocas. O que não é legal é esquecer o passado e viver menosprezando o que rola hoje.

Wild East – NBA de ponta-cabeça

Nos últimos 15 anos, nos acostumamos com um desequilíbrio abissal entre as conferências Leste e Oeste. Recentemente, vimos casos de que três vitórias de diferença eram suficientes para um time se classificar entre os quatro melhores do lado do pacífico ou para tira-lo dos playoffs. Uma insanidade.

Neste ano, a ferocidade da competição mudou de lado. A conferência Oeste ainda tem os três melhores times disparados da liga, mas boa parte das posições para os playoffs já estão bem definidas, com chances de uma disputa ferrenha até o final da temporada regular só para uns três times. Já no Leste, o CAOS se instalou.

Cinco vitórias separam o terceiro do oitavo colocado. Dois jogos separam o oitavo do décimo. A cada jogo, os classificados e a ordem dos finalistas muda. Os mandos de casa, idem. Nem mesmo a ponta da tabela está definida: Cleveland Cavaliers entregou alguns jogos fáceis e viu o time do Toronto Raptors crescer e ameaçar a primeira posição.

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Além de ter dez potenciais times com chances de pós-temporada, é impossível determinar quem seriam os favoritos nos confrontos de playoffs. Digamos que a temporada regular acabe hoje: é fácil cravar que Golden State, Spurs, Thunder e Clippers entram para passear na primeira fase do mata-mata, mas dá para dizer o mesmo nos confrontos entre Cavs e Bulls, Toronto e Indiana, Boston e Charlotte e Miami e Atlanta? Tudo pode acontecer.

Houve um ‘achatamento’ na qualidade dos times do Leste. Quem estava no topo, caiu ou não inspira tanta confiança. Cleveland não conseguiu evoluir muita coisa do time do ano passado e a diferença para os outros times diminuiu. Toronto Raptors embalou no final, mas joga cercado da desconfiança de que sempre afina nos playoffs. Hawks, que ano passado dominou boa parte da temporada, parece um time sem fôlego e que já deu o que tinha que dar.

Os demais evoluíram bem, mas ainda tem seus pontos fracos. Miami Heat conseguiu encaixar o time formado no ano passado e tem os melhores titulares dos restantes – mas sofre com a lesão de Bosh, seu melhor jogador. Boston Celtics montou uma equipe com nove titulares, mas todos sem experiência de playoffs. Pacers e Hornets oscilam entre o brilhantismo de seus principais jogadores e a morosidade dos seus coadjuvantes. Bulls ainda precisa se confirmar diante do decepcionante-mas-agora-embalado Wizards e do jovem e ainda em desenvolvimento Orlando Magic.

A briga ainda podia ser mais insana. Milwaukee Bucks tinha tudo para estar no bolo – exceto pelo fato que nunca conseguiu mostrar a que veio – e o New York Knicks por uma boa parte do campeonato lutou na parte de cima da tabela. Se neste ano não estão na briga, ano que vem podem deixar a conferência ainda mais imprevisível.

Acho isso sensacional. Apesar de a conferência não estar nivelada pelo melhor basquete do mundo (que ainda é jogado pelos melhores times do Oeste), a competitividade voltou. É impossível dizer quem enfrenta o Warriors (ou o Spurs, no caso de uma zebra) na final. Bom para a liga.

‘Paredão’ Whiteside não faz tão bem à defesa do Heat

Hassan Whiteside é um insano. Ninguém na liga, atualmente, tem tanto talento para bloquear arremessos. A mistura de altura, agilidade, envergadura, timing e empenho levam o pivô do Heat à uma média absurda de quase 5 tocos por jogo – uma performance top5 na categoria em toda a história do jogo.

Na semana que passou, Whiteside registrou um raro triple-double com pontos, rebotes e tocos e se tornou o único jogador em atividade a conseguir duas vezes o feito. A sua habilidade nos tocos também apavora os ataques adversários e faz com que jogadores marcados por ele tenham um aproveitamento inferior a 39% nos arremessos dentro do garrafão.

Orlando at Miami

‘Not in the Whiteside’

No ano passado, Whiteside quebrou o recorde do Miami em tocos em uma só partida. No dia seguinte aconteceu um fato curioso: o jogador reclamou no twitter que seu rate de tocos no NBA2k15 era baixo. A equipe do EA Sports respondeu mais do que rápido e preparou uma atualização aumentando o poder de bloquear chutes do atleta no game (Whiteside começou a temporada sem contrato e jogando na D-League, o que explica sua ruindade no jogo de videogame).

Apesar dos números impressionantes, a defesa do Miami Heat tem sido levemente mais eficiente quando Hassan não está em quadra. O time da Florida costuma levar 90,3 pontos a cada 100 posses de bola quando Whiteside está no banco e quando ele está em quadra, leva 96 pontos a cada 100 posses, em média. Se os tocos são uma forma de evitar que o time leve cestas, a finalidade básica do fundamento não tem sido atingida com tanto êxito assim quando o time joga com o pivô.

https://www.youtube.com/watch?v=MyQidGGS_1M

Estes números são um pouco relativos e podem revelar outras coisas, mas é um fato que a ânsia por bloquear o maior número de chutes possíveis é uma tática que muitas vezes pode sacrificar a defesa do time.

Marcus Camby era o grande mestre disso – o número de tocos por jogo rendeu a ele o prêmio de Melhor Jogador de Defesa da liga em um ano, apesar da defesa da sua equipe ter virado uma peneira com suas tentativas incansáveis por tocos.

Outro exemplo parecido era o de Allen Iverson. O “Pequeno Notável” era conhecido pela defesa fraca, apesar da média alta de roubos de bolas. Na verdade ele tentava tantas vezes cortar os passes, que boa parte das vezes conseguia, mas outra parte considerável ficava no vácuo e deixava os jogadores adversários livres para pontuar.

No caso de Whiteside a diferença ainda é pequena. Os números dele, individualmente, são bons. Os resultados defensivos da equipe com ele nem tanto. Talvez seja necessário segurar um pouco a ânsia e pensar mais no time.

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