Tag: Minnesota (Page 1 of 2)

Os possíveis destinos de Kyrie Irving

Não sou muito afeito a isso, mas dado o terremoto causado pelo anúncio de que Kyrie Irving pediu para ser trocado e a falta de notícias na liga neste período do ano, fazer um exercício de achismo total sobre o destino do jogador pode ser divertido.

Antes de analisar quais times poderiam se interessar numa troca por Kyrie, qual deles deveriam realmente se esforçar em uma negociação e o que poderia seduzir o Cleveland Cavaliers, é preciso fazer um esclarecimento muito importante – que muita gente tem ignorado por aí: Irving NÃO TEM poder sobre o seu futuro neste contrato atual (que vai até 2019). O Cavs é que decide para onde ele vai e SE vai para algum lugar. Por mais que o jogador tenha supostamente indicado alguns destinos de sua preferência, o que vai determinar esta negociação é qual o melhor troco que o Cleveland consegue.

O fato de Carmelo Anthony estar nas conversas para trocas há algum tempo pode causar alguma confusão neste sentido. O ala do Knicks tem uma cláusula em seu contrato dizendo que ele não pode ser trocado sem sua ciência e aprovação. Na prática, ele que escolhe se e para onde pode ser negociado. Mas pouquíssimos jogador têm termos deste tipo nos seus contratos – e Kyrie não é um deles. Logo, tudo depende da conveniência e boa vontade do Cavs.

Bom, sobre as suposições a seguir, lembrem que é só um exercício completo de achismo. Como vocês verão, acho bem difícil que saia algum negócio. Portanto, todas as propostas de trocas são absolutamente hipotéticas. Ah, e não considerei trocas envolvendo três times para não entrar em um espiral infinito de possibilidades.

Vamos às hipóteses que eu considero mais realistas:

Continua no Cleveland

Por mais que o jogador tenha pedido a negociação, o time pode não seguir esta recomendação. A verdade é que não sabemos o exato teor da conversa e como anda a relação do jogador, colegas e franquia. Não se sabe o quão urgente é essa saída, por exemplo. Com as trocas de Jimmy Butler, Paul George e Chris Paul, os nomes mais interessantes disponíveis já foram realocados, reduzindo as possibilidades do Cleveland conseguir algo de valor equivalente em troca.

Mesmo em um cenário em que Kyrie quer sair para se antecipar a um movimento do Lebron no ano que vem, acho que o mais prudente seria tentar segurar o grupo junto por mais uma temporada. Ir para o tudo ou nada. Um improvável título poderia mudar as coisas de cenário, também. Não vejo muito risco para o Cleveland apostar nisso.

New York Knicks

Dentre os times preferidos de Irving, o Knicks é o menos ameaçador para o Cavs. Logo, seria mais inteligente privilegiar a franquia, caso fosse mesmo atender o pedido do armador. Também atenderia melhor a vontade de Kyrie de ser dono do time, além de formar uma dupla animadora com Kristaps Porzingis. A chance de rolar jogo aqui é convencer Carmelo a ir para Cleveland – os reports dão conta que hoje o jogador está determinado a ir para Houston.

O desafio maior seria fazer os salários baterem, já que Irving recebe menos que Anthony e o Cavs está absolutamente afogado além do limite salarial – portanto, não pode receber contratos maiores do que os que está enviando. Neste caso, precisaria envolver mais jogadores no rolo.

Coloquei aqui Iman Shumpert na negociação. Ele perdeu algum espaço no time na última temporada e seria ‘muito Knicks’ repatriar um cara desse tipo em algum momento. Mas poderia ser qualquer outro cara desse calibre.

Chicago Bulls

Bom, aqui vou seguir o raciocínio de que o Cleveland iria preferir mandar Kyrie para times que não o ameaçam. Usando como critério que Lebron James MEIO QUE MANDA no Cavs e quer jogar com seus amigos, uma troca possível seria com o Bulls pelo Dwyane Wade. Não acho que seria a negociação mais inteligente para qualquer um dos lados, mas dá para imaginar uma reunião entre os jogadores ainda saudáveis do Big3, assim como acharia bem provável o Bulls fazer algo bem incoerente com seus últimos movimentos (que no caso seria pegar mais um point guard).

Wade também recebe um salário maior do que Kyrie, o que demandaria algum ajuste para que a negociação saísse do papel. Como os contratos são mais parecidos, qualquer troco do Cavs já seria suficiente.

Denver Nuggets ou Phoenix Suns

Acho possível que o Cleveland tope conversar com algumas equipes, digamos, ‘periféricas’ da conferência Oeste. Denver e Phoenix são dois times que estão bem empenhados em se reforçar e a adição de ‘star power’ poderia elevar consideravelmente o patamar das equipes.

O Suns tem sido envolvido em várias suposições, muitas delas em trocas de três times. O nome mais cotado para sair do time, neste caso, é Eric Bledsoe. Além dele estar meio descontextualizado no atual elenco do Suns – que tem duzentos jogadores sub-21 -, acredito que teria um encaixe interessante ao lado de Lebron. Seria um downgrade para o Cavs na armação, mas também uma oportunidade de se reforçar na defesa e pensar em um esquema diferente para parar o Golden State Warriors.

Para compensar as coisas, simulei a ida de Dragan Bender para Cleveland, já que tornaria a proposta bem mais interessante para o time. Como o jogador não performou o esperado nos primeiros meses de jogo, acho que seria a aposta mais dispensável do Suns.

Vejo o Denver Nuggets mais ou menos na mesma situação. O time quer muito um armador e tem muita gente para, eventualmente, formar um pacotão para o Cavs. A vantagem aqui é que o Denver tem bastante gente nova e com contratos baratos para oferecer. Caso o front office do Cleveland sinta que é inevitável a saída de Lebron no ano que vem, seria um primeiro passo interessante para formar um elenco jovem e promissor para o futuro sem ter que passar por um traumático processo de tanking.

Ajuda o fato que Nuggets e Cavaliers já vinham se falando para uma possível troca envolvendo Kevin Love. Logo, é possível que alguns atletas do Colorado interessem ao Cavs.

Miami Heat ou Milwaukee Bucks

Seria bem irônico o desmoronamento do Cleveland passar por Miami. Por mais que eu não acredite que o Cavs vá entregar seu segundo melhor jogador para um rival assim, este é um dos destinos preferidos de Kyrie, então é preciso ao menos considerar a possibilidade.

Só consigo imaginar alguma coisa saindo aqui se o Heat mandasse Goran Dragic e algum dos seus jovens talentos. Como desprezo completamente Josh Richardson e Tyler Johnson, simulei aqui com Justise Winslow, um desejo hipster de vários times da NBA quando entrou na liga, mas que passou boa parte da última temporada lesionado. Mesmo assim, não acredito numa troca assim.

Coloco no mesmo bolo o Milwaukee Bucks porque o time é um rival direto do Cavs que seria automaticamente alçado ao posto de favorito no Leste caso Kyrie desembarcasse por lá. Considerando o fato que o time não tem armadores que sejam do mesmo nível do resto do elenco, acho que o Milwaukee gostaria de contar com Irving no time.

A pegada aqui é dar alguma juventude ao Cavs, em um esquema parecido ao que fiz com o Denver – sem que o Bucks abrisse mão das suas principais apostas para o futuro. Não acho provável, mas…

San Antonio Spurs e Minnesota Timberwolves

Por fim, fecho a lista de especulações (que saíram da minha cabeça exclusivamente) com dois dos times que completam a lista de preferências de Kyrie. Acho até plausível que o Cavs considere mandá-lo para a conferência Oeste, mas a chegada do armador a qualquer uma destas equipes poderia fazer delas rivais reais do Golden State Warriors, tirando do Cleveland o posto de segunda melhor equipe da liga.

O Minnesota tem o empecilho que Jeff Teague, novo armador do time, só pode ser trocado em dezembro – e não vejo muita possibilidade de uma negociação sair ali sem envolvê-lo. Em todo caso, dá para brincar imaginando algo meio surreal levando Andrew Wiggins ao time que o draftou há três anos. Acho que seria ruim para o Cavs e não seria algo da vontade do Wolves, mas não consigo pensar em outra coisa – o time de Minneapolis não colocaria Towns ou Butler no negócio, acho.

Fiz uma troca meio nada a ver considerando que Wiggins está negociando uma extensão gigantesca de contrato e os valores salariam podem mudar nos próximos dias.

Spurs é outro time que vem sendo cotado nas conversas. Não acho que Irving, apesar da qualidade, seja o armador dos sonhos da franquia e nem que o cenário ao lado de Kawhi seja o mais apropriado para um cara que quer ser franchise player. Em todo caso, o time parece que tem ouvido propostas por Lamarcus Aldridge e uma mudança neste sentido não seria a coisa mais absurda do mundo – apesar de muito improvável.

Por tudo dito acima, apesar das propostas, acho bem difícil que Kyrie saia já. Mas é um bom assunto para ocupar o vazio da offseason.

Butler e a troca de status de Bulls e Wolves

Não sou do tipo de cara que se empolga muito com o draft. Nessa época do ano, parece que os 60 jogadores selecionados terão alguma influência nos times pelos quais foram escolhidos – quando, na verdade, uma boa parte sequer acaba jogando por estas equipes e apenas alguns do grupo terão algum impacto no meio ‘dos adultos’. Mas eu gosto quando acontecem trocas, especialmente quando jogadores excelentes são envolvidos. Ontem, para a minha alegria, Jimmy Butler, All Star titular, All NBA e um dos melhores jogadores da posição, foi trocado pelo Chicago Bulls para o Minnesota Timberwolves.

A negociação faz com que os times quase que automaticamente invertam os papéis na liga: a chegada de Butler deve ser o gatilho para que o Minnesota finalmente brigue na parte de cima da tabela e o troco recebido pelo Bulls é a esperança de que a franquia se reinvente para os próximos anos.

Desde que Tom Thibodeau foi anunciado no Timberwolves, Jimmy Butler já era sondado para se mudar para o meio-oeste americano. Foi sob o comando de Thibs que Butler se tornou o Most Improved Player da NBA em 2015, por exemplo. E com um primeiro ano em que o técnico penou para construir uma defesa sólida – sua marca característica -, alguma coisa precisava ser feita.

O Wolves, então, escolheu tentar vencer agora. Abriu mão de dois talentos auxiliares ao seu núcleo principal de Andrew Wiggins e Karl Anthony Towns para buscar algum atleta que já estivesse em seu auge. Que pudesse chegar e ajudar a equipe já, tanto no ataque, quanto na defesa.

(Gary Dineen/NBAE via Getty Images)

Na hora de decidir o que devia abrir mão, com certeza pesaram algumas coisas: mesmo com toda a má vontade da franquia com Ricky Rubio, Kris Dunn não conseguiu se mostrar mais eficiente que o espanhol; a melhora dos resultados do time depois da lesão de Zach Lavine; e a impossibilidade da franquia em draftar Jonathan Isaac, seu sonho de consumo na sétima posição – o jogador foi escolhido pelo Orlando Magic na sexta pick.

Agora, o Timberwolves tem um dos dez melhores quintetos titulares da NBA, facilmente, com Rubio, Butler, Wiggins, Dieng e Towns e não tem mais desculpas para não se classificar aos playoffs, mesmo na conferência Oeste. É um time com futuro, mas com possibilidades reais de bons resultados para já.

O Chicago Bulls, por sua vez, desistiu de vez de tentar qualquer coisa a curto prazo. Apostou na reconstrução. A princípio, parece que o time abriu mão da sua estrela por um trocado não muito valioso – boa parte da torcida achou que foi uma cagada, em português claro. Não foi. Dentro das possibilidades, o Chicago saiu com um núcleo jovem e comprovadamente talentoso.

É claro que ninguém ali se compara a Jimmy Butler e nem deve render o que o jogador rendia em um futuro próximo, mas há boas oportunidades de evolução em várias frentes.

Zach Lavine tem se mostrado um jogador muito bom. Ninguém assiste jogos do Timberwolves e, quando assiste, Wiggins e Towns são naturalmente os jogadores mais vistosos, mas Lavine é um excelente chutador de três pontos, tem uma capacidade atlética impressionante e recursos técnicos para ser um two-way player de destaque na liga. Com mais tempo com a bola na mão e envolvimento na rotação, não é difícil imaginar que ele emplaque logo uma temporada de 20 pontos por jogo.

Kris Dunn pode não ter tido um ano muito animador na sua estreia, mas vale lembrar que no momento do draft ele era considerado um dos jogadores de maior potencial da turma – o melhor defensor, principalmente. Agora, com um time  quase que só para ele, as coisas podem deslanchar.

Para completar, o Bulls pegou o jogador que, a princípio, tem o melhor chute deste draft. Lauri Markkanen é o retrato do pivô que os times procuram: alto, esguio e com range para arremessar de qualquer lugar da quadra. Uma aposta que não tem como não ser útil.

Claro que é frustrante para a torcida perder seu melhor jogador com a pretensa promessa de que as coisas melhorarão no futuro. Pode não dar certo mesmo, é verdade, mas não me parece que Chicago tivesse outra escolha. O time podia manter Butler por mais um ano e descolar uma oitava vaga sofrida nos playoffs, mas sem qualquer chance de ir além, só adiaria o processo de dar um passo atrás para tentar dar outros à frente.

A troca de Butler faz os times trocarem de status. O Chicago, que ano passado montou um trio para tentar ter resultados imediatos, assume o posto de franquia em evolução, que aposta em uma reconstrução a longo prazo. O Timberwolves, por sua vez, pula algumas etapas do seu processo, abre mão de alguns talentos futuros para tentar alguma coisa já nesta temporada.

A offseason está animada – mais do que a média – e é provável que mais times façam o mesmo, reconfigurando os papéis de cada um para a próxima temporada.

O Minnesota não é melhor sem Lavine

Parece que bastou que Zach Lavine caísse com uma lesão que o tiraria para o restante da temporada para que a dupla Andrew Wiggins e Karl Anthony Towns deslanchasse de vez.

De fato, desde que o shooting guard se machucou, a dupla registrou números insanos. Nos últimos sete jogos, todos sem o colega, Wiggins e Towns lideraram o time para vitórias importantes (uma contra o forte Raptors e outra contra o rival Nuggets). Antes da lesão os dois tinham médias, somados, de 45 pontos por partida. Depois dela, tem sido 60 por jogo.

Mesmo que os números empolguem, o time passe por uma fase boa e os jogadores deem sinais de que estão melhores encaixados sem o colega, o Timberwolves não é um time melhor sem Lavine e as chances de playoffs não aumentam com sua ausência.

A melhora imediata da equipe não passa de um sintoma comum dos times jovens e em evolução. Uma semana engatam uma sequência boa, na outra caem de produção. É natural que Towns e Wiggins vão pontuar mais na ausência da terceira força ofensiva da equipe, mas Lavine vinha tendo o ano mais sólido da sua carreira e o Minnesota não tem um elenco profundo a ponto de poder abrir mão dos seus recursos técnicos.

Os números de pontos feitos e sofridos com e sem Lavine em quadra até abrem margem para debate – o time vinha sofrendo mais pontos com ele em quadra e fazendo menos -, mas o lance aqui é que um time em formação tem que privilegiar o entrosamento e evolução dos seus melhores atletas. Se o time ainda tivesse virado da noite para o dia com um jogo incontestável, ainda era de se pensar, mas não é o caso. Por isso, é insano pensar que é melhor jogar sem Lavine ao invés de trabalhar a química entre o trio à exaustão.

É importante lembrar que Andrew Wiggins começou a temporada com números parecidos com os atuais, mas viveu um apagão a partir de dezembro. Towns, por outro lado, começou a temporada mais discretamente e com o passar dos meses tem mostrado todo o potencial que sinalizou ter já no final da última temporada. Levando isso em conta, é mais provável que ambos estejam passando por um período de alta juntos, do que o time tenha encontrado uma maneira mais eficiente de jogar.

Isso não tira de vista a tese de que talvez Lavine possa desempenhar outras funções quando voltar ou que possa ser deslocado para o banco – em todo caso, não acredito e nem apostaria nisso.

Por último, ainda que matematicamente seja viável se classificar para os playoffs, acho muito difícil que isso aconteça nestas circunstâncias. À exceção do Dallas Mavericks, todos os concorrentes (Denver Nuggets, Sacramento Kings, New Orleans Pelicans e Portland Trail Blazers) pela oitava vaga estão mais preparados para terminar o ano indo para o mata-mata.

Até os piores times não são mais tão ruins

Já dava para perceber nas primeiras semanas de temporada. O Philadelphia 76ers, que mal ganhou 10 jogos ano passado, estava pela primeira vez em anos endurecendo o jogo contra seus rivais. O Brooklyn Nets, fraquíssimo também, levava a disputa dos jogos até os últimos minutos do jogo. E o Los Angeles Lakers, então, que passou o primeiro mês e meio de disputa entre os postulantes aos playoffs? Quem viu estes times jogarem no ano passado e perdeu alguns minutos assistindo neste ano notou: aqueles times que antes eram horríveis, agora estavam ligeiramente melhores e, mais que isso, estavam interessados em ganhar.

Agora, com cada equipe com mais de 50 partidas disputadas e partindo para a reta final, temos a certeza de que a disputa deste ano tem sido diferente. Os números comprovam isso, aliás: pela primeira vez na história, apenas duas equipes estão com campanha abaixo dos 33% de aproveitamento a esta altura do campeonato.

Comparando a classificação do dia 7 de fevereiro ano a ano, em média, 5 times já estão muito atrás dos outros na disputa – mesmo em anos que tínhamos menos equipes na liga. Isso acontece por que é geralmente daqui em diante que os times largam mão das suas pretensões e investem em melhores chances de pegar uma posição alta no draft – e isso implica em perder (o único ano em que peguei um recorte diferente foi 1999, por causa do locaute que fez o campeonato começar em fevereiro. Neste caso, peguei a classificação final mesmo).

Não quer dizer necessariamente que temos um número grande de boas equipes ou algo do gênero, mas dá para afirmar que temos mais times querendo vencer. Pelo menos até agora, não teve nenhum time entrando em quadra se esforçando para perder.

Esta melhora é resultado das características dos elencos dos times do fundo da tabela. Lakers, Sixers, Timberwolves e Suns ainda penam – e geralmente perdem – quando enfrentam os melhores, mas querem injetar nos seus moleques uma cultura vencedora que será útil no futuro.

Este, aliás, foi o único legado decente deixado por Byron Scott no time de Los Angeles na temporada passada. O técnico era péssimo, mas achava que seus jogadores tinham que tentar se acostumar com as vitórias. Mesmo que perder fosse um negócio mais interessante para a franquia como negócio – para reforçar o elenco -, Scott achava que o ‘tank’ seria nocivo para o espírito de competitividade dos seus atletas.

Ainda sobra o Nets, que é horrível, mas que tem tentado alguma coisa dentro dos seus limites. No caso deles, o lance é que não há nenhuma vantagem em perder, já que suas picks de draft pertencem ao Boston Celtics. Só resta tentar mostrar alguma luta em quadra – ainda que não tenha dado muito certo.

É também por isso que Cleveland e Toronto, por exemplo, que reinavam absolutos no Leste, tiveram semanas tenebrosas na virada do ano. Não tinha jogo dado. Vez ou outra, o azarão vencia.

Geralmente não é fácil aturar a maratona de jogos da temporada regular quando alguns times já largaram mão da disputa. Com todo mundo no bolo, querendo mostrar serviço, há chance de um jogo entre Golden State Warriors e Phoenix Suns ser divertido – o Miami Heat que o diga.

É bom para a competição e é excelente para quem assiste.

Draft de 2014: ninho de Most Improved Player

De todos os prêmios individuais distribuídos ao final da temporada, o que eu acho mais intrigante é o de Most Improved Player, que reverencia o jogador que mais evoluiu de um ano para o outro. Por não ter um critério tão objetivo quanto os demais (melhor calouro, melhor jogador, melhor reserva…), a corrida é sempre muito aberta, com uma meia dúzia de postulantes.

Levando em conta esta característica e potencializada pelo pouco tempo corrido de temporada até o momento, temos uma porrada de jogadores com credenciais para o título de MIP. Ainda assim, alguns dos favoritos têm algo em comum: são crias do draft de 2014.

Me refiro principalmente a Andrew Wiggins, Jabari Parker e Julius Randle. Com alguns jogos de temporada, o trio disputa com favoritismo o posto de jogadores que mais cresceram de rendimento de um ano para o outro ao lado de Giannis Antetokounmpo, D’Angelo Russell e outros concorrentes.

Wiggins é quem, na minha opinião, lidera essa corrida. De ‘novo Lebron’ no dia do draft de 2014, o jogador teve dois anos em que esteve abaixo das expectativas. Ano passado parecia certo que não passaria de um ‘segundo jogador’ do Wolves com a chegada do calouro sensação Karl Anthony Towns.

Mar 4, 2016; Milwaukee, WI, USA;  Minnesota Timberwolves guard Andrew Wiggins (22) drives for the basket against Milwaukee Bucks forward Jabari Parker (12) in the first quarter at BMO Harris Bradley Center. Mandatory Credit: Benny Sieu-USA TODAY Sports

Mas agora, no terceiro ano da carreira, o ala tem conseguido mostrar que tem potencial para ser mais do que um excelente defensor e um mero coadjuvante. Seu chute de três melhorou brutalmente – a ponto de ter o melhor aproveitamento de toda a liga, com 53% de acerto – e todos seus fundamentos estão com melhores médias com apenas um minuto a mais de jogo na comparação com a temporada passada.

E o principal: Wiggins carregou o time nas poucas vitórias do Minnesota no ano. Fez 47 pontos para derrotar o Lakers, 35 para vencer o Sixers e 29 para bater o Magic.

Julius Randle, ala-pivô do Lakers, é outro que desencantou. Beneficiado pelo basquete acelerado praticado pelo time do técnico Luke Walton, Randle tem extrapolado suas funções de reboteiro que faz o jogo sujo no garrafão. Seu papel em quadra agora é muito maior. Mais participativo, inclusive, para chamar as jogadas. Não tem sido raro ver o jogador puxar o contra-ataque de um lado a outro da quadra, correndo como um armador. A nova atitude rendeu até um triple-double na vitória contra o Brooklyn Nets e o posto de segundo jogador do time que mais distribui assistências.

O terceiro desta lista é Jabari Parker, do Milwaukee Bucks, e segunda escolha no draft de 2014. Enquanto Giannis é a estrela óbvia do time, Jabari é o cano de escape da franquia. O ala chegou na NBA com o pedigree de pontuador, comparado a Carmelo Anthony, mas o improviso como ala-pivô e uma séria lesão do ano de estreia fizeram com que o atleta passasse dois anos bem discretos. Agora, em 11 partidas, Jabari beira os 20 pontos por jogo, na melhor sequência da sua vida.

Os três já apresentam um salto nos seus números de pontos, eficiência e participação superiores ao que CJ McCollum, vencedor do prêmio de jogador que mais evoluiu no ano passado, por exemplo.

Além deles, a safra de 2014 tem outros jogadores que ensaiam uma mudança de patamar nesta temporada: TJ Warren, do Phoenix Suns, Aaron Gordon, do Orlando Magic, e Jusuf Nurkic, do Denver Nuggets.

Ainda é cedo para dizer quem vai vencer o prêmio de Most Improved Player e é bem possível que não fique com nenhum deles, mas a evolução deste grupo de jogadores começa a justificar todo o hype do draft de dois anos atrás.

Mesmo cambaleando agora, Minnesota ainda deve ser o próximo grande time

Como frequentemente acontece, o time queridinho de todos, a menina dos olhos desta temporada não está tendo resultados à altura das expectativas criadas ao seu entorno. O Minnesota Timberwolves está com apenas uma vitória em seis jogos e só não tem campanha pior do que o ‘já esperado último’ Philadelphia 76ers e o tenebroso New Orleans Pelicans.

Ainda que seja começo de temporada, o nível de competitividade da conferência Oeste nos indica que estes resultados desperdiçados logo de cara, especialmente derrotas para os fracos Nets e Kings, devem fazer falta na classificação final da equipe.

Por enquanto tem sido decepcionante porque seria legal ver o Minnesota já trilhar uma ida aos playoffs, mesmo que fosse para levar pau de algum favorito – como o Los Angeles Lakers esboça fazer já neste ano -, mas não chega a ser alarmante. Mesmo que continue com resultados ruins, é bem provável que o Timberwolves seja um dos próximos grandes times da liga.

Andrew Wiggins tem mostrado mais poder de fogo do que parecia ter, pontuando em um volume alto e chutando de três muito melhor do que nos dois primeiros anos da sua carreira, com duas cestas deste tipo por jogo. Karl Anthony Towns também tem mostrado um arsenal ofensivo mais apurado, com aproveitamento melhor nos chutes e mais participação na troca de passes do time, a ponto de, apenas no seu segundo ano, se mostrar uma referência sobre como os pivôs devem jogar daqui para frente.

Ainda conta com Kris Dunn e Zach Lavine no backcourt, o primeiro com um dos maiores potenciais do draft deste ano e o segundo é um surpreendente coadjuvante capaz de pontuar e marcar com intensidade. O mais velho dos quatro tem apenas 22 anos.

2157889318001_5201703687001_5201629653001-vs

No final das contas, o que importa para este time é a rodagem deles em conjunto. A lesão de Ricky Rubio, de certa forma, até ‘ajuda’ a franquia a encontrar sua identidade. Se vai precisar contar com seu talento ou se vai partir com tudo para cima de Dunn – ainda não dá para concluir qualquer coisa desta experiência, no entanto.

Até mesmo esta coisa toda de ir aos playoffs precocemente enquanto o time se desenvolve é superestimada. Há dois anos o Pelicans foi para o mata-mata e encanou muita gente que seria a primeira viagem aos playoffs de muitas. Não foi pra frente.

O próprio Oklahoma City Thunder, exemplo máximo e comparação mais fácil com este time do Wolves, passou pelo mesmo há alguns anos. Quando já contava com a dupla Westbrook e Durant, ainda na casa dos 20 e 21 anos, o Thunder já mostrava todo o talento do mundo, mas por duas temporadas teve campanhas com menos de 25 vitórias. O atual núcleo do Golden State Warriors, com Curry e Thompson, idem.

Portanto, mesmo que continue perdendo boa parte dos jogos, ainda dá para imaginar que, pelo talento que tem, este seja um dos grandes times da NBA. Já que não agora, que seja nos próximos anos.

Quando o bullying é permitido

Kevin Garnett, um dos principais jogadores de todos os tempos no basquete, anunciou a sua aposentadoria na última sexta-feira (23). O seu legado é imenso: foi o cara que abriu o caminho dos adolescentes vindos direto da escola para a NBA, foi o atleta que inaugurou a multifunção dentro da quadra, foi um dos primeiros desta geração que preferiu parecer mais baixo do que era para poder jogar aberto (quando o normal era tentar parecer mais alto para entrar na liga) e também foi um dos primeiros a nos chamar a atenção para estatísticas mais avançadas na defesa para medir a importância de um jogador em quadra.

Acima de tudo isso, o que sempre me fez gostar muito de Garnett foi que a sua boca conseguia ser ainda maior e mais letal que a sua habilidade monstruosa. Guardadas as devidas proporções, uu sou aquele cara que enche o saco do adversário o tempo inteiro na pelada, que fala ‘errou’ assim que a bola sai da mão do rival, que grita “ISSSOOOOOOOOOOOOOOO” sempre que alguém da chutão pela lateral e vejo em Garnett o mesmo prazer de avacalhar o adversário que eu tenho.

Garnett, por encarar todo jogo como uma guerra em que quase tudo é permitido, é o cara que melhor sabe se aproveitar daquele limbo que fica entre a regra do jogo e a ética pessoal. Dentro de quadra, a partir do momento que aquilo vai desestabilizar o adversário, todo bullying é permitido para ele.

trash-talking

De todas as cretinices, duas ficaram mais famosas: a primeira foi quando teria chamado Charlie Villanueva, ala com uma doença que o fez perder todos os pelos do corpo, de “paciente de câncer” durante uma partida. Depois do jogo, quando a história veio a público, Garnett disse que na real tinha dito que, na verdade, Villanueva era “um câncer para o seu time”. Ofensivo, mas menos cruel, convenhamos.

A segunda, uns anos mais tarde, rolou numa treta com Carmelo Anthony. Em um jogo de playoff, Garnett disse que a esposa do ala do Knicks tinha gosto de Honey Nut Cheerios em um momento em que o casal passava por uma turbulência no casamento, segundo os sites tipo TMZ da época. Diante da provocação, o pau quebrou em quadra. Dessa vez, KG não negou a declaração.

Mas há centenas de outras que, por se tratarem do mais refinado mau caratismo, jamais foram efetivamente confirmadas – mas a julgar pelo histórico, só podem ser reais. Uma delas foi a vez que desejou “feliz dia das mães” para Tim Duncan, cuja mãe já tinha morrido há anos.

E por se tratar do mais refinado mau caratismo, muitas delas jamais serão confirmadas, como é o caso da vez que mandou um “feliz dia das mães” para Tim Duncan, que já tinha perdido há mãe há anos.

Dizem que essa atitude era difícil de lidar até para os próprios companheiros – especialmente calouros e estrangeiros -, que muitas vezes não aguentavam o teor das ‘brincadeiras’. Rasho Nesterovic, pivô esloveno que jogou no Wolves, saiu do time ao final do contrato e disse que não aguentava mais dividir o garrafão com Garnett, que a cobrança era insuportável. Mason Plumlee, Jose Calderon, Dwight Howard, Ron Artest, Andrea Bargnani, Ray Allen e vários outros também provaram do bullying do Big Ticket.

Poucos conseguiram se livrar com algum êxito da língua afiada do ala-pivo. Steven Adams soltou nestes dias uma das raras histórias de sucesso. Recém-chegado na liga, mas já alertado de que Garnett não era fácil de lidar dentro da quadra, Adams fingiu não saber inglês. Diante de uma dezena de besteiras faladas por KG, Steven mandou um “no english”, que fez Garnett sossegar. Sorte dele que Kevin era ignorante o suficiente para não saber que Adams era neozelandês e que lá eles falam inglês…

No final das contas, é bem discutível o quanto é certo ou errado agir assim, mesmo que dentro da moral da disputa do jogo, que não prevê uma regra para isso. Mas, acima de tudo, demonstra toda a garra que Garnett despejava em quadra toda vez que a bola subia. Insuportável para boa parte dos seus pares, mas vai deixar saudades.

[Previsão 16/17] Timberwolves: é hora de confirmar o hype

É raro que a reconstrução de um time se encaminhe tão perfeitamente a ponto de parecer impossível dar errado. Sixers e Lakers são bons exemplos: mesmo depois de uns anos com times completamente deprimentes, não dá para cravar que as coisas vão começar a melhorar logo. Já este elenco do Wolves segue o roteiro mais incomum: é quase unanimidade que rolou uma reunião de jovens promessas que vai dar certo.

O time tem os dois últimos calouros da temporada (Wiggins e Towns), um armador que é eterna promessa há décadas e mesmo assim só tem 25 anos (Rúbio) e um shooting guard que tem se mostrado uma grata surpresa desde que largou mão de tentar ser armador (Lavine). Todo esse talento chamou a atenção do técnico mais badalado do mercado, Tom Thibodeau, que assinou com a equipe e tem condições de elevar o Minnesota a um novo patamar pelos próximos anos.

A pergunta que fica é: será que todo esse hype vai ser confirmado já nesta temporada?

Karl-Anthony Towns, Gorgui Dieng, Ricky Rubio, Andrew Wiggins


Offseason

O verão foi bom para o Timberwolves. ‘Thibs’ foi a principal contratação do time e, com Rubio, Lavine, Towns e Wiggins, deve fazer do Minnesota uma das equipes mais bem armadas na defesa. Ainda pescou no draft um dos melhores jogadores à disposição, Kris Dunn.

O grande pecado foi ter tentado muito se livrar de Rúbio e não ter conseguido. Pegou mal para o jogador.

Time Provável
PG – Ricky Rúbio / Kris Dunn / Tyuss Jones
SG – Zach Lavine / Shabazz Muhammad
SF – Andrew Wiggins / Nemanja Bjelica
PF – Karl-Anthony Towns / Kevin Garnett
C – Gorgui Dieng / Nikola Pekovic / Cole Aldrich

Expectativa
Ir aos playoffs neste ano já seria um belo salto de desempenho, tendo em vista a concorrência absurda no Oeste. Acho que o time vai brigar pela oitava vaga com uma porrada de gente, mas acho difícil conseguir. Um mau resultado seria ficar atrás de Denver ou Sacramento de volta.

As consequências da troca Love-Wiggins

Há dois anos, Kevin Love desembarcou em Cleveland depois de ser trocado pelo calouro escolhido com a primeira escolha do draft daquela temporada Andrew Wiggins. Love chegava ao time para formar com Kyrie Irving e Lebron James um novo “Big Three” da NBA, nos mesmos moldes que Pierce, Garnett e Allen formaram em Boston e Lebron, Wade e Bosh formaram em Miami. Ambos, vencedores do título da liga.

Com a derrota do Cavs na final no ano passado, atrás no placar neste ano e com um desempenho médio de Kevin Love muito abaixo do seu potencial, é natural revisitar esta troca. Wiggins está em franca evolução e se mostra já um excelente jogador na defesa, atributo que faltou ao Cavs nesta série de playoffs, especialmente.

É natural, mas também é bastante oportunista. Sinceramente, na época era uma troca que fazia muito sentido para ambos os times. Wiggins parecia ser um bom jogador. Só parecia. Muito novo e com uma personalidade tímida, no estilo Kawhi Leonard, não dava para saber o que seria lapidado a partir daquele talento universitário.

Cavs tinha Lebron para a mesma posição. Shawn Marion como reserva imediato de Lebron na posição número 3. Dion Waiters como shooting guard. Wiggins não seria um titular natural logo de cara. Para piorar as coisas, o time vinha se recuperando do trauma de ter escolhido Anthony Bennett com a primeira escolha do draft anterior e o jogador nunca ter conseguido render – Bennett é, fácil, o maior bust dos últimos dez anos da liga.

Em Minnesota, Kevin Love estava dando sopa: o jogador era um talento escondido atuando pelo Timberwolves e queria mudar de ares.

Se hoje Love parece um ala inoperante e inconstante, é bom lembrar que ele já tinha sido o maior reboteiro do campeonato, três vezes All Star, o primeiro jogador desde Moses Malone, em 1982, a fazer 30 pontos e pegar 30 rebotes em um único jogo e detentor da maior sequência de jogos fazendo double-doubles (51) em toda história da NBA.

A troca fazia sentido para os dois times. Entre perder Love de graça e ter um bom prospect em troca, o Wolves escolheu ficar com a aposta que era Wiggins. Para o Cavs, ainda mais: pegaria um dos jogadores mais dominantes e criaria uma nova patota para Lebron. Forçanco um pouco a barra, o ala-pivô também tinha características ofensivas parecidas com Chris Bosh, com um passe sagaz e habilidade para chutar de fora.

141223224701-kevin-love-celebrates-andrew-wiggins-122314.1200x672

Troca de camisas: aparentemente Wiggins seria mais útil para bater o Warriors, mas isso não quer dizer que a troca não fez sentido para os dois times

Digo isso tudo para mostrar que, na verdade, é bem oportunista falar , hoje, que a troca não fez tanto sentido. Até acho que a formação do Cavs com Wiggins poderia ser mais eficiente contra o Warriors, mas na época a contratação de Love parecia um baita negócio.

Ah, vale lembrar que na mesma época se discutiu uma possível troca com o próprio Golden State. A ideia era trocar Love e por Klay Thompson e o contrato de David Lee. Só não saiu do papel porque o Wolves pediu também Harrison Barnes e Jerry West, consultor do front office do Warriors, disse que não valia a pena se livrar de Thompson. Naquele momento foi uma decisão arriscada, mas que se provou muito acertada.

Ainda que pareça claro que Love falhou no novo time e que Wiggins está no caminho para se tornar um excelente jogador na NBA, não dá para cravar que o jovem já e melhor do que o ala-pivô. Não sabemos as consequências da troca e, mesmo que a gente suspeite de algo, não acredito que o destino do Cleveland seria muito mais produtivo sem a ‘move’.

Não dá para colocar tudo isso na conta de Kevin Love.

Você precisa conhecer melhor Latrell Sprewell

Cara, eu entendo quando alguém diz que NBA é chata porque uma partida que tem 48 minutos de jogo demora na verdade quase 3 horas – sendo que, muitas vezes, só os últimos segundos realmente valem a pena. Ou quando justifica que não tem graça ver um campeonato com mais de 80 jogos e que perder um ou outro não faz diferença alguma. De verdade, são justificativas com fundamento. Mas, na boa, não tem como não amar essa porra toda quando você conhece personagens como Latrell Sprewell e suas histórias.

Spree é um ex-jogador, mas neste período de primárias nas eleições americanas seu nome voltou à tona por ser um dos poucos seres humanos com a pachorra (ou coragem) de apoiar publicamente o ‘excêntrico’ magnata republicano Donald Trump. A afinidade se justifica por ambos compartilharem hábitos capilares de gosto duvidoso, mas, independente disso, o apoio de Latrell a Trump chama a atenção já que a comunidade ligada ao basquete apoia maciçamente Barack Obama – e Trump é a antítese total do atual presidente. O jogador escreveu uma série de tuítes apoiando o republicado – mas infelizmente os apagou algum tempo depois.

Aliás, seu perfil no twitter é maravilhosamente deprimente, recomendo muito que sigam, pois se resume ao ex-jogador mandando mensagem para celebridades implorando por atenção. Melhor de tudo é que quase nunca ele é correspondido.

https://twitter.com/REAL_SPREWELL15/status/698155539067330560

https://twitter.com/REAL_SPREWELL15/status/698011777783767040

Esta é só mais uma mostra de como a sua vida pós-NBA tem sido complicada. Dias destes saiu a notícia de que Sprewell estava com dezenas de dívidas acumuladas, sem grana para quitá-las, e morando em uma casa simples alugada.

Aliás, se este desfecho parece estranho para nós – como um cara que ganhou mais de 100 milhões de dólares na carreira está numa situação destas? -, não chega a ser surpreendente para o próprio jogador (e aqui vai a primeira grande história dele): quando já estava nos últimos anos da sua carreira, o Minnesota Timberwolves ofereceu uma renovação por dois anos para Latrell. O contrato máximo que a negociação chegou foi a 14 milhões de dólares anuais. Revoltado, Spree recusou e justificou com uma das declarações mais lendárias do esporte: “Por que eu ajudaria o time a ganhar um título? Eles não estão fazendo nada por mim. Eu estou em uma situação de risco aqui, EU TENHO UMA FAMILIA PARA ALIMENTAR”. Sim, porque são necessários muito milhões a mais para alimentar uma meia dúzia de bocas, né? Bom, o tempo provou que ele realmente precisava de umas verdinhas a mais…

Mas existem pelo menos mais duas passagens do ala-armador que são dignas de nota. Uma delas já foi brevemente relatada aqui. Certo dia Latrell promoveu uma festinha no seu iate. A balada tava animada, tal, pá, champagne pra lá, campari pra cá (essa parte é mentira), tudo legal até que um convidado passou do ponto e vomitou no chão do barco, no meio da rapaziada. Puto da cara com o colega, Sprewell, que também já estava ‘alegre’, partiu para cima do cara. Mesmo mal, o fulano conseguiu desviar do golpe que o jogador desferiu. Pior para Sprewell, que acertou a parede e quebrou a mão. Além de ficar fora de alguns jogos do time por causa da lesão, o Knicks ainda aplicou uma multa ao jogador por conduta antidesportiva.

Latrell Sprewell #8

Latrell Sprewell: aquele famoso NICE GUY que de NICE não tem nada

Isso tudo já seria suficiente para você amar/odiar Latrell Sprewell, mas o seu currículo conta com uma outra treta ainda maior. Você deve pensar que bater em bêbado é fácil – mesmo que ele não tenha conseguido socar o cara exatamente -, e que isso não faz dele um maloqueiro de marca maior. Realmente, o que faz Spree ser uma lenda do mau caratismo foi ter tentado enforcar o técnico do seu time.

Num certo dia, rolando treino do Golden State Warriors, o técnico PJ Carlesimo chamou a sua atenção quando errou um passe na atividade que estava sendo passada. Sprewell não curtiu e começou a discutir com o ‘professor’. A parada foi ficando quente e Carlesimo se aproximou de Spree, que disse para ele ficar longe dele, caso contrário ia matá-lo. O técnico não levou a sério o alerta do jogador e se aproximou, até que Latrell voou direto no seu pescoço, literalmente, e estrangulou PJ por alguns segundos. A turma do ‘deixa disso’ entrou e ação e separou o jogador do técnico, que estava atordoado no chão.

Revoltado, Spree foi esfriar a cabeça no vestiário. Não deu certo. Uns 15 minutos depois voltou para o ginásio e, do nada, atacou o treinador novamente com um soco na cara! Claro que o jogador foi suspenso para o resto da temporada pelo incidente. Apesar de todos os repórteres  e jogadores confirmarem o episódio, o jogador nega que tenha cometido a segunda agressão – tranquilo, ele SÓ tentou asfixiar o técnico…

Bom, além de tudo isso, Sprewell também foi um bom jogador. Começou com tudo no Warriors e virou um dos shooting guards mais versáteis da liga. Depois do problema com o técnico, ele foi trocado para o New York Knicks, onde fez dupla com Allan Houston e não conseguiu repetir o sucesso que se esperava dele – apesar de em um dos anos ter conseguido chegar às finais . Ainda teve um lampejo no final de carreira no Timberwolvez, quando jogou com Kevin Garnett e Sam Cassell, chegando à final da Conferência Oeste, na melhor campanha da história da franquia.

Bom, acho que ficou bem claro porque vale a pena conhecer melhor Latrell Sprewell, né?

Page 1 of 2

Powered by WordPress & Theme by Anders Norén