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[Previsão 16/17] Timberwolves: é hora de confirmar o hype

É raro que a reconstrução de um time se encaminhe tão perfeitamente a ponto de parecer impossível dar errado. Sixers e Lakers são bons exemplos: mesmo depois de uns anos com times completamente deprimentes, não dá para cravar que as coisas vão começar a melhorar logo. Já este elenco do Wolves segue o roteiro mais incomum: é quase unanimidade que rolou uma reunião de jovens promessas que vai dar certo.

O time tem os dois últimos calouros da temporada (Wiggins e Towns), um armador que é eterna promessa há décadas e mesmo assim só tem 25 anos (Rúbio) e um shooting guard que tem se mostrado uma grata surpresa desde que largou mão de tentar ser armador (Lavine). Todo esse talento chamou a atenção do técnico mais badalado do mercado, Tom Thibodeau, que assinou com a equipe e tem condições de elevar o Minnesota a um novo patamar pelos próximos anos.

A pergunta que fica é: será que todo esse hype vai ser confirmado já nesta temporada?

Karl-Anthony Towns, Gorgui Dieng, Ricky Rubio, Andrew Wiggins


Offseason

O verão foi bom para o Timberwolves. ‘Thibs’ foi a principal contratação do time e, com Rubio, Lavine, Towns e Wiggins, deve fazer do Minnesota uma das equipes mais bem armadas na defesa. Ainda pescou no draft um dos melhores jogadores à disposição, Kris Dunn.

O grande pecado foi ter tentado muito se livrar de Rúbio e não ter conseguido. Pegou mal para o jogador.

Time Provável
PG – Ricky Rúbio / Kris Dunn / Tyuss Jones
SG – Zach Lavine / Shabazz Muhammad
SF – Andrew Wiggins / Nemanja Bjelica
PF – Karl-Anthony Towns / Kevin Garnett
C – Gorgui Dieng / Nikola Pekovic / Cole Aldrich

Expectativa
Ir aos playoffs neste ano já seria um belo salto de desempenho, tendo em vista a concorrência absurda no Oeste. Acho que o time vai brigar pela oitava vaga com uma porrada de gente, mas acho difícil conseguir. Um mau resultado seria ficar atrás de Denver ou Sacramento de volta.

As consequências da troca Love-Wiggins

Há dois anos, Kevin Love desembarcou em Cleveland depois de ser trocado pelo calouro escolhido com a primeira escolha do draft daquela temporada Andrew Wiggins. Love chegava ao time para formar com Kyrie Irving e Lebron James um novo “Big Three” da NBA, nos mesmos moldes que Pierce, Garnett e Allen formaram em Boston e Lebron, Wade e Bosh formaram em Miami. Ambos, vencedores do título da liga.

Com a derrota do Cavs na final no ano passado, atrás no placar neste ano e com um desempenho médio de Kevin Love muito abaixo do seu potencial, é natural revisitar esta troca. Wiggins está em franca evolução e se mostra já um excelente jogador na defesa, atributo que faltou ao Cavs nesta série de playoffs, especialmente.

É natural, mas também é bastante oportunista. Sinceramente, na época era uma troca que fazia muito sentido para ambos os times. Wiggins parecia ser um bom jogador. Só parecia. Muito novo e com uma personalidade tímida, no estilo Kawhi Leonard, não dava para saber o que seria lapidado a partir daquele talento universitário.

Cavs tinha Lebron para a mesma posição. Shawn Marion como reserva imediato de Lebron na posição número 3. Dion Waiters como shooting guard. Wiggins não seria um titular natural logo de cara. Para piorar as coisas, o time vinha se recuperando do trauma de ter escolhido Anthony Bennett com a primeira escolha do draft anterior e o jogador nunca ter conseguido render – Bennett é, fácil, o maior bust dos últimos dez anos da liga.

Em Minnesota, Kevin Love estava dando sopa: o jogador era um talento escondido atuando pelo Timberwolves e queria mudar de ares.

Se hoje Love parece um ala inoperante e inconstante, é bom lembrar que ele já tinha sido o maior reboteiro do campeonato, três vezes All Star, o primeiro jogador desde Moses Malone, em 1982, a fazer 30 pontos e pegar 30 rebotes em um único jogo e detentor da maior sequência de jogos fazendo double-doubles (51) em toda história da NBA.

A troca fazia sentido para os dois times. Entre perder Love de graça e ter um bom prospect em troca, o Wolves escolheu ficar com a aposta que era Wiggins. Para o Cavs, ainda mais: pegaria um dos jogadores mais dominantes e criaria uma nova patota para Lebron. Forçanco um pouco a barra, o ala-pivô também tinha características ofensivas parecidas com Chris Bosh, com um passe sagaz e habilidade para chutar de fora.

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Troca de camisas: aparentemente Wiggins seria mais útil para bater o Warriors, mas isso não quer dizer que a troca não fez sentido para os dois times

Digo isso tudo para mostrar que, na verdade, é bem oportunista falar , hoje, que a troca não fez tanto sentido. Até acho que a formação do Cavs com Wiggins poderia ser mais eficiente contra o Warriors, mas na época a contratação de Love parecia um baita negócio.

Ah, vale lembrar que na mesma época se discutiu uma possível troca com o próprio Golden State. A ideia era trocar Love e por Klay Thompson e o contrato de David Lee. Só não saiu do papel porque o Wolves pediu também Harrison Barnes e Jerry West, consultor do front office do Warriors, disse que não valia a pena se livrar de Thompson. Naquele momento foi uma decisão arriscada, mas que se provou muito acertada.

Ainda que pareça claro que Love falhou no novo time e que Wiggins está no caminho para se tornar um excelente jogador na NBA, não dá para cravar que o jovem já e melhor do que o ala-pivô. Não sabemos as consequências da troca e, mesmo que a gente suspeite de algo, não acredito que o destino do Cleveland seria muito mais produtivo sem a ‘move’.

Não dá para colocar tudo isso na conta de Kevin Love.

Você precisa conhecer melhor Latrell Sprewell

Cara, eu entendo quando alguém diz que NBA é chata porque uma partida que tem 48 minutos de jogo demora na verdade quase 3 horas – sendo que, muitas vezes, só os últimos segundos realmente valem a pena. Ou quando justifica que não tem graça ver um campeonato com mais de 80 jogos e que perder um ou outro não faz diferença alguma. De verdade, são justificativas com fundamento. Mas, na boa, não tem como não amar essa porra toda quando você conhece personagens como Latrell Sprewell e suas histórias.

Spree é um ex-jogador, mas neste período de primárias nas eleições americanas seu nome voltou à tona por ser um dos poucos seres humanos com a pachorra (ou coragem) de apoiar publicamente o ‘excêntrico’ magnata republicano Donald Trump. A afinidade se justifica por ambos compartilharem hábitos capilares de gosto duvidoso, mas, independente disso, o apoio de Latrell a Trump chama a atenção já que a comunidade ligada ao basquete apoia maciçamente Barack Obama – e Trump é a antítese total do atual presidente. O jogador escreveu uma série de tuítes apoiando o republicado – mas infelizmente os apagou algum tempo depois.

Aliás, seu perfil no twitter é maravilhosamente deprimente, recomendo muito que sigam, pois se resume ao ex-jogador mandando mensagem para celebridades implorando por atenção. Melhor de tudo é que quase nunca ele é correspondido.

https://twitter.com/REAL_SPREWELL15/status/698155539067330560

https://twitter.com/REAL_SPREWELL15/status/698011777783767040

Esta é só mais uma mostra de como a sua vida pós-NBA tem sido complicada. Dias destes saiu a notícia de que Sprewell estava com dezenas de dívidas acumuladas, sem grana para quitá-las, e morando em uma casa simples alugada.

Aliás, se este desfecho parece estranho para nós – como um cara que ganhou mais de 100 milhões de dólares na carreira está numa situação destas? -, não chega a ser surpreendente para o próprio jogador (e aqui vai a primeira grande história dele): quando já estava nos últimos anos da sua carreira, o Minnesota Timberwolves ofereceu uma renovação por dois anos para Latrell. O contrato máximo que a negociação chegou foi a 14 milhões de dólares anuais. Revoltado, Spree recusou e justificou com uma das declarações mais lendárias do esporte: “Por que eu ajudaria o time a ganhar um título? Eles não estão fazendo nada por mim. Eu estou em uma situação de risco aqui, EU TENHO UMA FAMILIA PARA ALIMENTAR”. Sim, porque são necessários muito milhões a mais para alimentar uma meia dúzia de bocas, né? Bom, o tempo provou que ele realmente precisava de umas verdinhas a mais…

Mas existem pelo menos mais duas passagens do ala-armador que são dignas de nota. Uma delas já foi brevemente relatada aqui. Certo dia Latrell promoveu uma festinha no seu iate. A balada tava animada, tal, pá, champagne pra lá, campari pra cá (essa parte é mentira), tudo legal até que um convidado passou do ponto e vomitou no chão do barco, no meio da rapaziada. Puto da cara com o colega, Sprewell, que também já estava ‘alegre’, partiu para cima do cara. Mesmo mal, o fulano conseguiu desviar do golpe que o jogador desferiu. Pior para Sprewell, que acertou a parede e quebrou a mão. Além de ficar fora de alguns jogos do time por causa da lesão, o Knicks ainda aplicou uma multa ao jogador por conduta antidesportiva.

Latrell Sprewell #8

Latrell Sprewell: aquele famoso NICE GUY que de NICE não tem nada

Isso tudo já seria suficiente para você amar/odiar Latrell Sprewell, mas o seu currículo conta com uma outra treta ainda maior. Você deve pensar que bater em bêbado é fácil – mesmo que ele não tenha conseguido socar o cara exatamente -, e que isso não faz dele um maloqueiro de marca maior. Realmente, o que faz Spree ser uma lenda do mau caratismo foi ter tentado enforcar o técnico do seu time.

Num certo dia, rolando treino do Golden State Warriors, o técnico PJ Carlesimo chamou a sua atenção quando errou um passe na atividade que estava sendo passada. Sprewell não curtiu e começou a discutir com o ‘professor’. A parada foi ficando quente e Carlesimo se aproximou de Spree, que disse para ele ficar longe dele, caso contrário ia matá-lo. O técnico não levou a sério o alerta do jogador e se aproximou, até que Latrell voou direto no seu pescoço, literalmente, e estrangulou PJ por alguns segundos. A turma do ‘deixa disso’ entrou e ação e separou o jogador do técnico, que estava atordoado no chão.

Revoltado, Spree foi esfriar a cabeça no vestiário. Não deu certo. Uns 15 minutos depois voltou para o ginásio e, do nada, atacou o treinador novamente com um soco na cara! Claro que o jogador foi suspenso para o resto da temporada pelo incidente. Apesar de todos os repórteres  e jogadores confirmarem o episódio, o jogador nega que tenha cometido a segunda agressão – tranquilo, ele SÓ tentou asfixiar o técnico…

Bom, além de tudo isso, Sprewell também foi um bom jogador. Começou com tudo no Warriors e virou um dos shooting guards mais versáteis da liga. Depois do problema com o técnico, ele foi trocado para o New York Knicks, onde fez dupla com Allan Houston e não conseguiu repetir o sucesso que se esperava dele – apesar de em um dos anos ter conseguido chegar às finais . Ainda teve um lampejo no final de carreira no Timberwolvez, quando jogou com Kevin Garnett e Sam Cassell, chegando à final da Conferência Oeste, na melhor campanha da história da franquia.

Bom, acho que ficou bem claro porque vale a pena conhecer melhor Latrell Sprewell, né?

Rapaziada do Replay Center estava assistindo “Clube dos Cafajestes” durante jogo

Era final do jogo entre Minnesota Timberwolves e Philadelphia 76ers. O placar estava surpreendentemente empatado, 91×91. O Sixers estava ali lutando para conseguir sua primeira vitória na temporada, mesmo jogando contra um dos times sensação da liga, na casa do adversário. Dois jogadores disputam o rebote e a bola sai pela linha de lado. Em dúvida, os juízes param a partida e assistem ao replay. Eis que a transmissão flagra o épico momento:

Sim, uma pá de monitores do Replay Center da NBA, que revisa as jogadas de todas as partidas da rodada, estava sintonizada no “Clube dos Cafajestes”, a clássica comédia da década de 70.

O que me espanta é que eles tenham revisado a jogada corretamente, mesmo que naquele momento estivesse passando bem a cena da Toga Party. Para o azar da rapaziada, alguém deve ter notado que a TV flagrou a cena toda e os monitores são desligados no segundo final do take.

Francamente, não dá pra condenar ninguém né? Clube dos Cafajestes > Wolves x Sixers, não?

Do hype à discrição, Rubio é a chave do sucesso do T-Wolves

Quando alguém fala sobre Minnesota Timberwolves, o começo sensacional de Karl-Anthony Towns ou de como Andrew Wiggins está se tornando uma estrela dominam os tópicos de conversa. Não chega a ser surpreendente, já que o time era uma bela merda no ano passado e, gradualmente, nesta temporada tem se mostrado uma força intermediária no Oeste, com um futuro brilhante pela frente.

O que a gente não se dá conta é como o futuro da franquia já teve outro nome, que não o de Wiggins e Towns, mas que aos poucos foi sendo deixado de lado. Discretamente, Ricky Rubio deixou de ser uma eterna promessa e se tornou no maestro do presente do Wolves. Ainda pesam contra ele a expectativa de que seria o melhor point guard de uma geração e uma porrada de lesões que o tiram de metade da temporada todos os anos, mas ele se transformou em um excelente jogador, essencial para uma equipe promissora.

https://vine.co/v/iuJH3Ab2Uqb

Temos que lembrar que ele tem ‘somente’ 25 anos. Se não é mais um iniciante, ele também ainda tem muita lenha para queimar. Para começar, ele tem o melhor índice de toda a liga em assistências por turnover. São quatro passes para cestas por desperdício de bola. Isto mostra o quão eficiente ele tem sido com a bola nas mãos e o quanto é possível dizer que ele tem uma das melhores – senão a melhor 0 visão de jogo da liga.

O time do Minnesota também é muito melhor com ele em quadra. Quando o espanhol joga, o Wolves tem um saldo positivo de sete pontos em comparação quando ele não joga. O time também está com uma campanha muito melhor com ele jogando do que quando ele esteve afastado por lesão: 5v-4d contra 0v-4d.

Para completar, ele desempenha um papel de veterano na equipe. Possivelmente por ter sido protagonista desde a juventude, Rubio sabe ser um tutor dos seus colegas mesmo tendo vinte e poucos anos de idade. Lidera o cenário ideal de uma franquia recheada de jovens talentos.

Seu grande desafio é manter-se saudável. Isso não depende muito dele. Mas no que depende de Rubio, o Wolver parece ter bons anos pela frente.

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