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O dever da torcida do Thunder é atormentar Kevin Durant hoje

Hoje é o típico dia que a torcida justifica a sua existência. Hoje é o dia que a torcida do Oklahoma City Thunder tem o dever de infernizar a vida de Kevin Durant.

Não me entendam mal: eu acho Durant espetacular e já entendi que ele tinha todo o direito de trocar de time. Foi bom para o Thunder enquanto esteve por lá, mas acabou. Sua vida agora é com outro uniforme e pronto.

Também nem acho que ele e Russell Westbrook se odeiem de verdade. Ok, os últimos dois jogos entre os times foram tensos, mas me parece mais uma tentativa de ambos fazerem moral com suas torcidas do que efetivamente um ódio mútuo – o próprio Durant falou sobre isso essa semana.

Apesar destas ponderações, deste balde de água gelada na rivalidade, acho que o papel da torcida do Thunder é fazer o máximo para implodir a moral do rival.

O único compromisso do torcedor é com o seu time. Se for necessário esquecer por alguns minutos que Durant foi o jogador mais importante da franquia nos últimos anos para desestabilizá-lo, que seja assim. Se for necessário ser injusto com sua história para aumentar as chances de vitória do OKC, que todos o façam. Mesmo aqueles que já superaram a partida do astro e entendem que o time deve seguir seu rumo devem adotar este tom. Este é o papel do cara que está na arquibancada.

De quebra, acho que Westbrook é o tipo de cara que cresce muito nestas situações, com um ginásio pegando fogo. Uma boa dose de hostilidade ao rival parece ser um bom combustível para deixar Russell ensadecido.

Hoje é o dia do torcedor do Thunder enaltecer a lealdade de Russell, que renovou contrato com a franquia assim que Durant partiu, e atormentar os rivais. Pouco importa que, na realidade, Durant não seja um traidor execrável, que ele tenha feito muito pela franquia e que ele e Westbrook nem se odeiem de verdade.

Que as homenagens e honras da casa fiquem para a próxima visita de Durant. Hoje é dia da arquibancada do Thunder odiá-lo.

Revertendo a lógica dos MVP

Como em qualquer lugar, a NBA tem algumas convenções implícitas. Regras que não estão escritas em qualquer lugar, que não são oficiais e que mal são ‘regras’ efetivamente, mas, se olharmos em retrospectiva, são coisas que se repetem corriqueiramente.

É provável que a mais conhecida destas convenções trate do prêmio de Most Valuable Player (MVP) da temporada. Ainda que na prática seja a honra destinada ao melhor jogador da liga naquele ano, nem sempre é isso que acontece de fato. Via de regra, o ‘colégio eleitoral’ dos awards ~laureia o melhor jogador de um dos melhores times. Mesmo que alguém COMA A BOLA em uma equipe de meio de tabela, o eleito será algum jogador que teve um excelente ano em um time de excelente campanha.

Existem alguns pretextos para isso: o nome do prêmio de, numa tradução livre, Jogador Mais Valioso abre precedentes para que o escolhido seja o jogador ‘mais importante para uma caminha vitoriosa’ do que propriamente o melhor atleta da temporada; foi um critério que se moldou com o tempo, se consolidando nos anos 80, quando os melhores jogadores fatalmente estavam nos times de melhor campanha; e é dessa forma que hoje os jornalistas que votam se sentem ‘obrigados’ a votar.

Com isso, dos anos 80 para cá, somente UMA VEZ um jogador de um time fora do top 3 da sua conferência ganhou o prêmio. Em 1982, Moses Malone foi o segundo cestinha da temporada e o maior reboteiro, com médias de 31 pontos e 14 rebotes por partida. Além disso, teve sorte de pegar uma entressafra de talentos, com Abdul Jabbar já com seus melhores dias no passado e Larry Bird e Magic Johnson ainda em ascensão.

E somente em outras duas vezes um atleta que não estava entre os dois melhores foi eleito MVP. Ou seja, das últimas 37 temporadas, em 34 o cara estava em uma das duas melhores campanhas da sua conferência.

No entanto, as coisas vem se desenhando para que, ao final da disputa desta temporada, esta seja uma das poucas vezes em que esta lógica é revertida. Especialmente pelos desempenhos individuais espetaculares de Russell Westbrook e James Harden. Apesar de estarem em equipes que dificilmente figurarão entre as melhores do Oeste, já que Golden State Warriors, San Antonio Spurs e Los Angeles Clippers têm dominado a conferência, seus números são históricos. Mais do que isso, suas equipes, ainda que sem o sucesso necessário para ficar no topo da disputa, estão vencendo consideravelmente mais jogos do que perdendo e suas campanhas superam alguns prognósticos mais pessimistas do início do campeonato.

Excluindo três temporadas de Oscar Robertson, lá nos primórdios do universo dos anos 60, Harden e Westbrook são os únicos dois jogadores que ultrapassaram (por enquanto) uma média de 27 pontos, 11 assistências e 7 rebotes por jogo.

Em toda a história, só estes dois caras fizeram mais do que 20 pontos, 10 assistências e tiveram um índice de Usage Rating, que mede a participação do atleta nas jogadas totais do time, superior a 33%.

Se por um lado Russell Westbrook tem a seu favor números consideravelmente mais impressionantes que os de Harden – como uma média de triple-double – e a narrativa do abandono de Kevin Durant, o barbudo leva vantagem por ter uma campanha melhor por enquanto e também viver uma história curiosa digna de prêmio – de melhor pontuador da NBA a principal criador de jogadas da liga.

Histórias, números e trajetórias tão impressionantes que podem ameaçar candidatos mais tradicionais, como Lebron James, do soberano Cleveland Cavaliers, Kevin Durant, espetacular no Golden State Warriors, e Chris Paul, no ótimo Los Angeles Clippers. Não estivessem Russell e Harden tão sinistros, não poderiam sequer ser cogitados.

Westbrook x Durant: o que cada um tem a provar

Hoje a noite, no último jogo da rodada, teremos um dos confrontos mais aguardados da temporada. O Golden State Warriors, de Kevin Durant e companhia, recebe o Oklahoma City Thunder, de Russell Westbrook (e basicamente só ele mesmo). Ainda que todo mundo esteja em polvorosa por causa do reencontro e das supostas tretas entre os dois, eu acho que o jogo vale menos pela eventual rivalidade entre a dupla e mais pelo que cada um tem a provar neste momento da carreira e da temporada.

Explico: ainda que eu entenda que a forma como as coisas aconteceram leve a este enredo, como se os dois se odiassem e tal, não acredito que isso seja muito real. Pelo que ambos disseram e seus colegas de time confirmaram, nunca foram melhores amigos, nunca passaram de uma dupla imparável dentro de quadra. Além do mais, cada um seguiu sua carreira e pronto, sem ódio recíproco. O desfecho, no final das contas, foi o mais conveniente para cada um: Russell finalmente teve um time só para ele e Durant garantiu uma equipe competitiva a altura do seu talento. Hoje teremos um jogo pegado, disputado entre dois times fortes do Oeste, mas nada mais do que isso necessariamente.

Acho que esse clima de ódio, treta e mágoa vai fazer mais sentido quando Durant for jogar em Oklahoma pela primeira vez, tendo que encarar a torcida que, essa sim, está com sangue nos olhos.

NBA: Playoffs-Oklahoma City Thunder at Dallas Mavericks

O que eu acho mais relevante do encontro de são dois times que têm dinâmicas completamente diferentes de jogo. De um lado é um time quase que de um cara só, que chuta 30, 40 bolas por partida e tenta provar que esse é o melhor caminho para ganhar. Do outro, uma equipe com pelo menos três caras que poderiam fazer o mesmo, mas ainda estão atrás de uma maneira de conciliar suas habilidades individuais dentro de um esquema coletivo.

Da parte do Thunder, o time ainda quer entender em qual intensidade Westbrook é saudável para o jogo da equipe. Da parte do Warriors, o quanto cada um precisa ceder em nome de uma fluidez coletiva.

Até o momento, o time de Oklahoma venceu todos os jogos – é um dos dois únicos que está invicto na NBA. Ontem, no maior desafio do time, contra o Clippers, Westbrook se concentrou em defender o perímetro com mais intensidade do que nas partidas anteriores e pontuar. O ataque se resumia em trocar passes laterais até que a bola voltasse para as mãos de Russell que, individualmente, tentava decidir as jogadas.

Ainda que o jogador esteja com uma média impressionante de assistências (10 por jogo), acho que a versão mais decisiva de Westbrook seja esta mesmo, a pontuadora letal.

Do outro lado da quadra, Durant está provando que conseguiu, até agora, transpor seu jogo para a nova equipe – e que alguns elementos do time, na verdade, é que precisam se ajustar a ele.

Klay Thompson é o melhor exemplo disso: a presença de KD parece ter aberto mais espaços para Klay receber os passes entrando no garrafão do que aberto para o chute de três – aumentou significativamente a frequência de arremessos a menos de um metro da cesta e viu seu rendimento nas tentativas de fora. Ainda que na teoria isso renda melhores oportunidades de pontuação para o jogador, Klay não parece estar confortável com a situação. Cabe um ajuste aí, ainda.

Ainda que amostra seja pequena, a melhor partida do Golden State, contra o Portland, no ano foi aquela em que Durant se preocupou menos em disputar o rebote de defesa e mais em marcar os chutes. Que carregou menos a bola no ataque e que procurou mais abrir espaços para receber livre e chutar.

Com a frequência dos jogos, Durant e seus colegas ainda vão entender se estas funções são as melhores para o Warriors deslanchar ou não.

Mesmo que o burburinho todo do jogo fique em torno da eventual rivalidade entre Kevin e Russell, a partida de hoje tem mais a mostrar sobre o papel de cada um neste novo cenário. E, aí sim, provar se as escolhas deles foram corretas.

 

[Previsão 16/17] Thunder: para Westbrook fazer história

Mais do que a união de Kevin Durant e o Golden State Warriors, eu acho que a grande história desta temporada vai ser a cruzada solitária de Russell Westbrook para provar que ele é capaz de levar o Oklahoma City Thunder longe.

Acho que vai ser muito difícil este time superar o próprio Warriors ou o Spurs, mas tenho certeza que Russell, tomado pelo ódio que lhe é característico e sem uma companhia dominante ao seu lado, vai fazer uma das performances individuais mais impressionantes de todos os tempos.

Westbrook é daqueles caras que dominam todas as ações da quadra. É um finalizador nato, tanto de média distância como dentro do garrafão. Apesar de não ter a melhor visão de jogo do mundo para um armador, sua presença ameaçadora como pontuador abre espaços para seus colegas se posicionarem bem, o que rende uma boa média de assistências para o jogador. Ainda é do tipo que briga por todas as bolas com uma intensidade única, conseguindo uma média assustadora de rebotes para um armador.

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Por tudo isso, as apostas são altas para que ele tenha uma temporada de triple-double – feito que só Oscar Robertson conseguiu há 50 anos. Não acredito nisso. O ritmo da NBA de hoje não se compara ao daquela época (na década de 60, os times imprimiam 125 posses por partida e hoje a média fica em torno de 100). Mas Westbrook pode ter o mais próximo possível disso. Nos 61 jogos que atuou sem Durant ao longo da sua carreira, Westbrook teve médias de 28 pontos, 7 rebotes e 8 assistências. Um monstro.

O grande desafio vai ser o time inteiro acompanhar o desempenho da sua principal estrela.

Offseason
Foi uma das mais agitadas da NBA. Primeiro o time se desfez de Serge Ibaka, ala-pivô que não estava muito satisfeito com sua posição no time, e trouxe Victor Oladipo, Ersan Ilyasova e Domantas Sabonis do Orlando Magic. Parecia que era uma boa cartada para manter Kevin Durant. Não foi. O jogador preferiu assinar com o rival Golden State Warriors.

De positivo, conseguiu renovar com Russell Westbrook antecipadamente, adiando uma aflição similar ao que aconteceu com Durant neste ano.

Time Provável
PG – Russell Westbrook / Cameron Payne
SG – Victor Oladipo / Andre Roberson / Alex Abrines
SF – Ersan Ilyasova / Kyle Singler
PF – Enes Kanter / Domantas Sabonis / Joffrey Lauvergne
C – Steve Adams

Expectativas
Eu acho que o time vai manter o bom desempenho dos anos anteriores, mesmo sem KD. Na temporada em que Westbrook jogou sozinho, o OKC venceu 40 dos 60 jogos que o armador carregou o time nas costas. Acredito que é possível ficar entre os quatro melhores do Oeste. Bater Clippers, Spurs ou Warriors já seria um grande feito.

Camisa de Durant é vendida a 48 centavos em Oklahoma

As camisas de Kevin Durant com o número 35 no uniforme do Oklahoma City Thunder parecem ser as menos desejadas de todos os uniformes da atualidade. Os modelos estavam tão encalhados nas araras das lojas de artigos esportivos, em especial na cidade do antigo time do jogador, que as camisas chegaram ao cúmulo de serem colocadas à venda por 48 centavos.


O flagra é da loja Academy Sports+Outdoors, que só conseguiu esgotar seu estoque colocando as jerseys para vender a 1% do preço original.

Outras lojas também estão tentando se livrar dos artigos do novo inimigo número 1 de Oklahoma City. Uma outra rede de artigos esportivos entrega de graça qualquer camisa de Kevin Durant encalhada no estoque aos clientes que gastarem 35 dólares na loja.


Agora é a hora de aumentar a coleção…

Não dá para imaginar Westbrook em um time de verdade

Sim, é quase impossível deixar de ser monotemático nesta offseason. Basicamente as trocas de time de Kevin Durant e Dwyane Wade dominam as conversas nesta época em que quase nada acontece na NBA (Summer League pra mim é quase nada, foi mal…). Pensando na saída de Durant de OKC e nos boatos que colocam Russell Westbrook, seu ex companheiro, em outros times, eu cheguei à conclusão que eu simplesmente não consigo imaginar Russ jogando por uma outra franquia, com um time já formado.

Westbrook é um cara que tem o jogo mais intenso da liga. Também é o que mais domina a bola. Em boa parte das jogadas, ele salta no meio dos pivôs para pegar p rebote, corre por toda a quadra quase que mais rápido do que a bola e bate bola até arremessar ou colocar um companheiro livre para marcar. A cada dez segundos de posse do seu time, parece que só uma fração mínima de tempo ele não está dominando as ações, puxando o time inteiro numa histeria coletiva.

A estranheza de imaginar ele fora de OKC é que ao longo de toda a sua carreira foi desse jeito – no máximo dividindo as responsabilidades com Kevin Durant e James Harden. O grande lance neste caso é que Durant e Harden são estrelas mais tradicionais nos seus modos de jogar, não são uma explosão da força de uma bomba atômica a cada posse de bola. Nos últimos oito anos, enquanto Russell foi jogador profissional, o esquema do seu time era entregar a bola na sua mão ou de Durtant e esperar que algo saísse dali, como um eterno jogo de praça.

No entanto, pela sua personalidade e pelo seu chute refinado, eu consigo imaginar Durant jogando por um time tradicional, com um esquema de jogo de verdade. Westbrook não. O Boston Celtics é o time mais falado no momento para receber o armador em algum tipo de troca antes do início da temporada. A equipe hoje tem um dos técnicos mais inteligentes e promissores da liga. Dá para imaginar um time que joga totalmente baseado em um esquema coletivo sendo conduzido por um trem desgovernado como Westbrook? Eu não consigo.


Em tempo, está não é uma crítica ao jogador. Eu acho ele excelente. Russell é, para mim, o atleta mais naturalmente preparado que eu já vi para tentar ganhar um jogo – todas, TODAS, as suas jogadas são estritamente objetivas, o que eu acho uma qualidade gigantesca. Mas me parece que colocá-lo em um time de verdade, pronto, vai causar nada menos do que um estouro cósmico da força de um Big Bang.

É como colocar um gorila imenso e irado dentro de uma jaula para um mico-leão: ou o bicho destrói tudo aquilo em segundos ou ele se reduz a algo muito menor do que ele é de verdade. É exatamente essa a minha sensação com Westbrook: transformando um eventual novo time em uma nova versão do Thunder, com todas as vantagens e desvantagens disso, ou perdendo algumas das suas características que o fazem um jogador tão único.

Apesar disso tudo, dessa minha incapacidade de abstração, eu acho que ele merece um time mais competitivo. Também entendo que todo time que tenha a chance de propor uma troca por ele, deve fazê-lo. Que o trabalho de somar todo o talento de Westbrook a um esquema vencedor já em desenvolvimento seja do seu novo treinador – mas já adianto que não vai ser fácil.

“Ninguém falou nada quando Lebron fez o mesmo que Durant”

Eu tenho lido algumas reações nos comentários da página do Dois Dribles no facebook que estão me deixando impressionado. Muita gente que apoia a decisão de Kevin Durant trocar o Oklahoma City Thunder parece não conseguir entender que a minha decepção (e de muita gente) com a decisão dele não faz dela uma escolha necessariamente errada, não faz de Durant um pereba e não tem nada a ver com o direito dele mudar de time. É ÓBVIO que ele pode fazer o que quiser e uma discussão aqui não vai mudar nada na vida de ninguém – e uma crítica à decisão que ele tomou não quer dizer que eu odeio Durant (que aliás, gosto demais) ou o Golden State Warriors (que tantas vezes fui rotulado como torcedor só por saber admirar um dos melhores times da história). Mas tudo bem, faz parte da vida na internet.

O que não consigo aceitar é desinformação histórica. Como tanta gente pode acreditar que “ninguém falou nada quando Lebron trocou Cleveland por Miami”?

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Esse povo estava em coma? Congelado? Preso? Sem contar a barbaridade que é argumentar qualquer coisa dizendo que “ninguém fala” – sempre que alguém diz isso me dá uma dorzinha no cérebro, como assim ninguém? Mas tudo bem, entendo que é um exagero usado para tentar comprovar um ponto de vista – que, neste caso, está bem errado. Diante disso tudo, acho que tenho o dever de relembrar que as reações foram as piores possíveis – numa proporção muito maior do que as que vemos hoje com Durant. E, convenhamos, Lebron fez por merecer mesmo.

A começar que o jogador fez toda uma cena para definir seu futuro. Vários times tinham a expectativa de contar com Lebron para os anos seguintes, entre eles o seu Cleveland, Knicks, Bulls, Nets, Heat e outros menos cotados. Diante da ansiedade de um país inteiro, James combinou de transmitir a sua decisão ao vivo em rede nacional, com links ao vivo em todas as praças para onde o jogador tinha alguma chance de ir.

Um fisco, claro, já que Lebron agradou uma torcida e enfureceu um país inteiro. Imediatamente pipocaram camisas do jogador sendo queimadas, juras de morte em todos os muros de Cleveland, seu banner em frente ao ginário do Cavs foi derrubado em horas e etc.

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Piorou quando, na apresentação, falou que não ganharia “só dois, três, quatro, cinco, seis” títulos com o Heat. Ele já tinha uma legião de haters, mas que naquele momento de multiplicava a cada segundo.

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Em poucos meses, o jogador foi eleito o jogador da NBA mais odiado dos Estados Unidos em uma enquete periódica que questiona a popularidade das celebridades americanas – e atrás apenas de Michael Vicki, que foi preso por maltratar animais, e Tiger Woods, que tinha traído a mulher. Criaram um site para concentrar todo o ódio destilado contra o jogador (que sobrevive até hoje com algumas maravilhas) O mundo inteiro curtiu quando o Miami Heat começou a temporada tropeçando, numa campanha de 8 vitórias e 7 derrotas. E quase todo mundo delirou quando o time da Florida perdeu para um improvável Dallas Mavericks. A atuação medíocre de James, aliás, foi a mais festejada.

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Torcida do Mavs ganhou reforço na final de 2011

Acho que as coisas só foram quase totalmente sanadas com a atuação monstruosa na derrota do ano passado e na vitória deste ano – mas mesmo assim, ainda há quem não consiga tirar James da cabeça, a exemplo deste pessoal que insiste em falar que “ninguém falou nada” em 2010 quando a notícia e sobre Kevin Durant.

O resumo da ópera é esse: uma grande decisão como esta de se juntar a um time fortíssimo vai sempre gerar uma reação negativa. Foi muito assim com Lebron, está sendo assim com Durant. Isso também não é, nem de longe, achar que ambos são ruins, não podiam fazer isso e etc. Mas, por favor, não vamos distorcer os fatos, ok?

 

 

Há vida em Oklahoma sem Durant?

O Oklahoma City Thunder nasceu torto. O time surgiu da mudança de cidade de uma das equipes mais simpáticas da NBA, o Seattle Supersonics, que não tinha mais ginásio para jogar na cidade do estado de Washington e foi comprado por um grupo de empresários de Oklahoma, liderados pelo então dono do OKC, Clay Bennet.

Na época, o time tinha tudo para ser um dos mais antipáticos da liga: saia de cena um dos times mais tradicionais da NBA e entrava no seu lugar uma franquia com nome horrível, uniforme azul-bebê infantil e nenhuma tradição. Mas o time tinha uma jovem estrela que era simpática demais para ser odiada: Kevin Durant. O ala era tão franzino que parecia que ia quebrar no meio e, mesmo assim, encarava os gigantes da sua posição brigando dentro do garrafão e chutando na cara de quem quer que fosse.

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Não foi fácil ir com a cara do Thunder depois de tirar o time de Seattle

Se neste ano o Thunder quase venceu o Golden State Warriors com 90% da torcida dos times de basquete em geral ao seu lado (excluindo os torcedores de São Francisco e os viúvos de Seattle), é porque Kevin Durant e companhia conseguiram atrair uma improvável simpatia para OKC ao longo destas últimas oito temporadas.

Não só ele – teve o trio adolescente ‘pizza rolls’, a dupla insaciável com Westbrook -, mas foi Durant que deu alma à toda a existência do Thunder, desde o melancólico ano de despedida de Seattle até a quase vitória contra o super-recordista Warriors.

Não importava perder Harden para um rival por um punhado de escolhas de draft. Não tinha problema demitir um treinador para buscar um técnico universitário sem experiência na NBA. Acontecesse o que acontecesse, o time seria uma ameaça nos playoffs enquanto Durant estivesse ali. Enquanto Thunder fosse o Thunder de sempre.

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Durant esteve em quadra em 561 jogos dos 640 de toda a existência do Thunder

Difícil imaginar o que sera da franquia daqui para frente. Se vai ser o cenário para uma campanha individualmente épica de Russell Westbrook – que já era um animal jogando com KD e agora teria tudo para se tornar uma besta monstruosa jogando raivoso e sozinho – ou se vai ser uma terra arrasada com a possível debandada dos seus principais jogadores, já que Russell tem seu contrato encerrado daqui um ano e informações pipocam dizendo que ele não pretende renovar seu vínculo.

É claro que há vida sem Durant em Oklahoma City, mas vai ser algo novo para todos nós.

Leia o anúncio de Kevin Durant no Players Tribune

Foi assim que Kevin Durant anunciou que vai trocar o Oklahoma City Thunder pelo Golden State Warriors. Aproveite para ler aqui traduzido, já que o Players Tribune está caindo de tanto acessos. Em breve publico a análise sobre a assinatura de contrato (54 milhões por dois anos, com player option no segundo).

“Esta tem sido, de longe, uma das semanas mais difíceis da minha vida profissional. Eu compreendi que estava enfrentando uma encruzilhada na minha evolução como jogador e como homem, e que com isso vem escolhas excepcionalmente difíceis. O que eu não realmente compreendi, no entanto, foi a gama de emoções que eu iria sentir durante este processo.

Meu principal critério para esta tomada de decisão se baseou no meu potencial crescimento como jogador – foi isso que sempre me guiou na direção certa. Mas eu também estou em um ponto em minha vida em que é de igual importância que eu encontre uma oportunidade que me incentiva a evoluir como um homem: saindo da minha zona de conforto para uma nova cidade e uma  nova comunidade que me oferece o maior potencial para a minha contribuição e pessoal crescimento. Com isto em mente, eu decidi que eu vou me juntar ao Golden State Warriors.

Eu sou de Washington, DC, originalmente, mas Oklahoma City realmente me fez crescer. Ela me ensinou muito sobre a família, bem como o que significa ser um homem. Não há palavras para expressar o que a organização e a comunidade significam para mim, e o que eles vão representar na minha vida e no meu coração para sempre. As memórias e amizades são algo que vão muito além do jogo. Essas relações inestimáveis são o que fazem esta decisão ser tão desafiadora.

Realmente me dói saber que vou decepcionar tantas pessoas com esta escolha, mas eu acredito que eu estou fazendo o que eu penso que é a coisa certa a este ponto da minha carreira e da minha vida.

Vou sentir falta de Oklahoma City e o papel que tive na construção desta franquia. Vou sempre valorizar as relações dentro da organização – os amigos e companheiros de equipe com os quais eu fui para a guerra na quadra durante nove anos e todos os fãs e pessoas da comunidade. Eles sempre tiveram ao meu lado incondicionalmente, e eu não posso ser mais grato para o que eles fizeram com a minha família e para mim.”

As entrelinhas e o futuro de Durant

Eu acho uma perda de tempo discutir coisas que fogem do nosso alcance, como o destino de jogadores sem contrato em um momento em que não há nada de concreto, nada de informação. Também acho presunçoso demais tentar pensar como um jogador nestas horas – cada um toma a decisão de uma maneira, ponderando fatos muito particulares.

Apesar disso tudo – e contrariando tudo que eu falei-, li a entrevista pós-jogo de Kevin Durant e acho que as entrelinhas dão uma boa dica de como o jogador se sente hoje para definir seu futuro. Não sei se a opinião dele vai continuar a mesma depois de discutir possíveis propostas com uma porrada de times, mas, no momento, me parece que ele se vê no Oklahoma City Thunder na próxima temporada:

We all grew up,” Durant said. “I think more than anything, we embraced the moment. We stayed in the moment every game. I’m more proud because most of these guys haven’t played in this atmosphere before.

“From (fellow free-agent-to-be) Dion (Waiters) to Enes to Andre, Steven – this is his first time as a starter playing, in this type of atmosphere as one of the main guys,” Durant said. “(Veteran) Randy (Foye) never made it to the Western Conference Finals, and he played a lot. Anthony Morrow had never made it to the playoffs, so I was just proud of how everyone just stayed in the moment and enjoyed it. That’s what I’m most proud of.”

“I see bright things for this team,” he added. “And it’s great to be a part of it.”

Não sei se vocês enxergam o mesmo que eu, mas parece mais um texto se comprometendo com o ‘futuro brilhante’ do time do que uma ‘carta de despedida’. A grosso modo, também vejo como um ‘pitch’ para tentar trazer, nem que seja por uma temporada, Dion Waiters, que tem seu contrato encerrado, de volta para o time.

No final das contas, concordo com o que o jogador disse: a equipe com esta configuração atual ‘estreou’ em playoffs neste ano, passando por cima do Spurs a ficando a 5 minutos de eliminar o ‘todo poderoso’ Warriors. Não vejo como um time com fórmula desgastada ou decadente – a equipe atual é completamente diferente daquela que chegou à final contra o Miami, em 2012.

Por estas palavras, acho que Durant tem boas chances de ficar, mas teremos uma longa offseason pela frente.

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