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Adiós, Magnano

A Confederação Brasileira de Basquetebol (CBB) confirmou a saída do técnico argentino Rubén Magnano do comando da seleção brasileira masculina. O encerramento do vínculo com o treinador já era esperado depois da eliminação no torneio olímpico ainda na primeira fase e simboliza o final de uma era no time nacional. Ao meu ver, o trabalho foi razoável, o final foi melancólico e a saída foi natural. O desafio futuro não combina com o seu trabalho de seis anos comandando o elenco brasileiro.

Antes de qualquer coisa, vou fazer uma ressalva básica: a análise aqui se restringe ao trabalho técnico de Magnano. Ainda que ser treinador de uma seleção por seis anos signifique uma conivência com os rumos da Confederação Brasileira de Basquete, eu encaro que o ambiente de merda da CBB é um atenuante para a avaliação do legado do Magnano exclusivamente. Não que isso possa servir como desculpa, mas se o cenário fosse outro, as chances de melhores resultados seria consideravelmente maiores.

De um modo geral, acho que o trabalho realizado por ele foi bem decente. Foi bem justificável a aposta em um técnico campeão olímpico para comandar a primeira geração brasileira com jogadores da NBA. Ainda que tenha demorado um tempo e seja fruto de uma característica individual de alguns jogadores do elenco, sob seu comando o time definitivamente conseguiu assumir uma identidade de forte defesa e movimentação frenética da bola – e, convenhamos, que não é fácil implementar um modelo de jogo num elenco que se reúne a cada dois anos somente.

Os resultados, no entanto, não foram tão bons – aliás, salvo o quinto lugar nas Olimpíadas de Londres, em 2012, eles foram bem decepcionantes. Nada muito diferente do que Lula Ferreira e Moncho Monsalve conseguiram com esta mesma geração, mas convenhamos que a expectativa com Ruben Magnano era ligeiramente maior.

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Magnano montou um time com cara e identidade, mas com resultados decepcionantes

Outro problema, que ficou bem evidente nos últimos jogos, foi a insistência em fazer uma rotação que ignora o momento da partida, o calor do jogo e o desempenho individual dos atletas. Eu entendo que é importante ter convicções, mas é fundamental saber rever seus conceitos rotineiramente – e isso parece que nunca passou pela sua cabeça.

No final das contas, aquele papo de que “o Brasil não tem um jogador que decide” pode ser muito bem resultado de um esquema de jogo que não permite que um jogador se destaque a este ponto – e enquanto a seleção brasileira tinha dez atletas jogando 15 minutos, os rivais tinham jogadores que metiam 40 pontos por jogo. Quem sabe se Nene, Leandrinho ou qualquer outro tivesse esta liberdade, não seria um jogador “que decide” como os dos outros times…

Na reta final, Magnano também perdeu a chance de contribuir com o legado do basquete brasileiro e fazer uma seleção do povo, botando os jogadores em contato com a torcida nas vésperas do torneio do Rio. Ele preferiu a atitude antipática de blindar o elenco – o que se provou, no mínimo, ineficiente.

Diante do resultado dos jogos, então, sua saída era natural – ainda que eu ache que não foi um vexame. Ser um técnico bom, mas cabeça-dura não é uma combinação interessante para o desafio da seleção brasileira para os próximos anos.

É necessário contar com alguém que esteja alinhado com a formação dos jogadores no Brasil e que não tenha muito compromisso com os resultados imediatos – por sorte, a próxima grande competição é só daqui três anos, no Mundial de 2019 na China. Um técnico como José Neto vai muito mais ao encontro da renovação necessária para o escrete.

Dito tudo isso, adiós, Magnano.

Michael Phelps é bom, mas Kris Humphries era melhor

Os recordes de medalhas de Michael Phelps sugerem que ele é, ao lado de Usain Bolt, o atleta mais imbatível que nós podemos imaginar. Com as seis medalhas conquistadas nas Olimpíadas do Rio, Phepls chegou a 28 medalhas olímpicas, sendo 23 delas de ouro. Além de ser um talento incontestável, o nadador é um absurdo por ser muito versátil – sua especialidade, inclusive, é a prova de 200 metros medley, na qual ele é TETRA campeão olímpico e que é preciso nadar em todos os estilos.

Ainda que desde 2004 ninguém no mundo realmente consiga vencer Phelps nesta prova, havia um tempo em que ele era apenas o segundo melhor. Aos dez anos, em 1995, o nadador não era páreo para Kris Humphries, hoje jogador do Atlanta Hawks.

Os dois na época já eram jovens promessas do esporte americano. No mesmo campeonato, há 21 anos, Phelps se tornava o campeão americano da prova de 100 metros borboleta para crianças daquela idade. Humphries, por sua vez, tinha um desempenho um pouco mais notável: campeão em seis modalidades (em seis delas contra Phelps), com direito a três recordes nacionais entre as crianças daquela idade – um deles demorou 18 anos para ser batido!

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Ainda que obviamente uma disputa entre crianças não seja a prova definitiva sobre quem é melhor em um determinado esporte, já dá uma boa medida sobre o talento que Humphries tinha para a coisa, afinal só cinco anos mais tarde Phepls estreou em uma prova olímpica.

Outro fato curioso é que naquela disputa de 95, Kris também venceu outro multi-medalhista olímpico: o CONTROVERSO Ryan Lochte, que saiu semana passada para tomar um goró e acabou causando uma treta diplomática.

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Pequeno Humphries: ídolo

Há um tempo, Kris justificou ter escolhido o basquete ao invés da natação. Em uma entrevista quando ainda era namorado de Kim Kardashian (um longo parêntesis aqui: sim, Kris Humphries foi aquele cara que foi casado por 70 e poucos dias com uma das personalidades mais populares dos EUA e, depois que foi trocado por Kanye West, se tornou o jogador mais odiado do país de acordo com uma pesquisa nacional pelo simples fato de ser corno  – tomando o posto de Lebron James apenas um ano depois do astro ter trocado o Cavs pelo Heat…), ele explicou que cresceu vendo Jordan jogar e o basquete sempre foi muito mais fascinante para ele.

Ainda que a sua escolha não tenha sido completamente fracassada – vá lá, são 13 anos na NBA, 56 milhões em salários acumulados… -, me parece que Humphries não tomou a melhor decisão da sua vida quando se encantou pelos malabarismos dos jogadores dos anos 90. Fica a lição para não levar o basquete tão a sério.

Ganhou mais uma vez e agora?

Como já era de se imaginar, a seleção americana ganhou o título olímpico no torneio do Rio. A campanha até a final não foi lá muito dominante. Ainda que sem tropeços, vários jogos foram disputados até o último quarto em um equilíbrio incomum para as seleções dos Estados Unidos, mas, mesmo assim, eles foram lá e carimbaram mais uma medalha de ouro – a terceira seguida.

Pela vantagem monstruosa colocada no jogo final (96 a 66) e por ter levado uma espécie de ‘time c’ (com mais craques pedindo dispensa do que jogando), é de se questionar quem vai, e o quanto vai, se motivar para jogar na seleção dos EUA daqui quatro anos.

Digo isso pelo histórico de altos e baixos do comprometimento americano com o torneio de basquete das olimpíadas. Em 92 e 96, os atletas ainda viviam a coqueluche da liberação de profissionais na competição, algo inédito, e da globalização das marcas de das suas famas. Passado isso, 2000 e 2004 os americanos tiveram participações quase que protocolares no torneio (tanto é que em uma delas ficaram apenas com o bronze). O fracasso motivou uma nova geração cheia de tesão para jogar o torneio. Mas, e passado isso, será que não vai rolar uma nova fase de baixa?

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O grande ponto é que esta geração não vai mais ter pique ou vontade – boa parte da turma que conquistou o ouro em Pequim e Londres já preferiu as férias ao campeonato do Rio. Só Carmelo e Durant sobraram da leva do ‘Redeem Team’ para 2016, mas não imagino que continuem nessa por mais tempo – Anthony já estabeleceu os recordes de participações consecutivas e conquistas pela seleção e KD agora tem como foco conseguir são tão sonhado título da NBA. Dos demais, seja pela idade, qualidade ou aparente interesse, só consigo imaginar Anthony Davis se comprometendo por mais um título e, dependendo, Kyrie Irving repetindo a dose.

É muita especulação, claro. Difícil cravar quem vai estar bem e afim, mas meu palpite é que daqui para frente veremos um time totalmente reformulado, com vários dos calouros dos últimos e dos próximos anos. Imagino que, mesmo que seja talentoso, o grupo que vai assumir daqui em diante vai ter que ganhar uma boa rodagem para se tornar incontestável como a turma anterior foi.

E, se eles não chegarem com o mesmo sangue nos olhos que Kobe, Lebron e cia jogaram nos últimos anos, a coisa tem alguma chance de desandar – mas se vai ser o suficiente para tirar a hegemonia americana, eu já não sei. É muita futurologia para mim.

Time dos sonhos espanhóis

Alguns times são mais marcantes do que outros. A seleção americana de 1992, formada para as Olimpíadas de Barcelona, é com certeza o time nacional mais emblemático de todos os tempos. Pela primeira vez jogadores profissionais do basquete estavam liberados para disputar os jogos e os americanos juntaram os maiores craques da sua geração mais famosa em um único time. Michael Jordan, Magic Johnson, Larry Bird, Charles Barkley, Patrick Ewing David Robinson e companhia se reuniram na equipe com maior pedigree de todos os tempos e encantaram o mundo inteiro com um basquete avassalador e plástico: tudo que até hoje simboliza a NBA e a bola no cesto americana para o resto do mundo.

Mas teve uma turma que foi além. Não só se apaixonou pelo jogo dos caras, mas também se inspirou naquele time e se encantou pelo esporte: uma geração inteira de crianças do país que recebeu o Dream Team passou a ter o sonho de um dia formar um time de basquete tão bom quanto aquele. Poucos anos depois, o programa de desenvolvimento de basquete da cidade-sede dos jogos, Barcelona, revelou a dupla Pau e Marc Gasol e o armador Juan Carlos Navarro, que em 1992 tinham lá pelos seus 10 anos. Da mesma geração que cresceu encantada com aquele time saíram Jorge Garbarosa, Felipe Reyes e Jose Calderon, que no começo dos anos 2000 até hoje formou um dos melhores times internacionais de todos os tempos.

Claro que não foi só a inspiração do Dream Team que fez surgir do nada uma seleção forte. Ter uma das principais ligas do mundo é fundamental para isso e facilita muito as coisas. Ter clubes fortíssimos, uma consequência da importância da liga nacional, é outro ponto essencial, até mesmo para, vez ou outra, pescar um talento ainda em formação de outro país e até apelar e naturalizá-lo para jogar pela seleção (como fez com Serge Ibaka e Nikola Mirotic).

O resultado disso tudo, é que a Espanha só não se tornou uma hegemonia total do basquete nos últimos anos porque os Estados Unidos voltaram a dar valor para as competições internacionais. De 2004 para cá, os americanos eliminaram os espanhóis dos jogos olímpicos e, nas últimas duas edições, em confrontos nas finais.

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A geração inspirada pelo Dream Team conseguiu duas medalhas de prata

Não dá para dizer que o jogo de hoje entre os dois times na semifinal é uma final antecipada – os australianos estão jogando muito bem e o time sérvio não é fraco -, mas com certeza coloca em choque os dois times mais fortes do mundo na atualidade.

Não seria uma maravilha se o Brasil seguisse o exemplo espanhol e, a partir das olimpíadas em casa, formasse uma geração inteira de apaixonados pelo esporte? Seria, ainda que eu não tenha muitas esperanças de que isso possa acontecer…

História pura

Exceto pela ausência do Brasil, os primeiros confrontos do mata-mata do torneio olímpico parecem que foram escolhidos a dedo para que os jogos mais representativos possíveis acontecessem já nas quartas de final. Dos quatro jogos, três deles têm histórico de rivalidade, grandes jogos, partidas marcantes e coisas do gênero – e pelo caráter de cada um deles, tudo deve entrar em quadra quando a bola subir.

Austrália x Lituânia, 11h

Até a forma como o calendário foi feito parece que orna com isso: o primeiro jogo do dia, Lituânia x Austrália, às 11 horas, é o único confronto mais sem sal da rodada. Se há algum tempero aí é a expectativa de um jogo muito brigado, com chances reais de alguém se exceder na ‘vontade’: o pivo europeu Jonas Valanciunas não é um cara muito delicado e vai encontrar o igualmente ‘educado’ Andrew Bogut. Em termos técnicos, é também um jogo muito imprevisível, já que os lituanos têm um time melhor, mas que vem de duas derrotas atordoantes, enquanto os australianos são a surpresa positiva da competição.

Espanha x França, 14h30

Na sequência, às 14h30, os times que protagonizaram os melhores confrontos recentes na Europa se matam por uma vaga nas semifinais. Começa que os dois times vivem seus melhores momentos na história: uma geração cheia de craques para os dois lados e hegemonia local. Para se ter uma ideia, nos últimos QUATRO campeonatos europeus, um time eliminou o outro no mata-mata (sendo uma delas na final e outras duas em prorrogações).

O início da rivalidade se deu em 2009, quando Espanha, favoritaça, despachou o ascendente time francês no primeiro jogo do mata-mata. Até aí, tudo tranquilo, normal, só mais um time eliminado pela forte seleção de Pau e Marc Gasol. Em 2011, dois anos mais tarde, os dois times se enfrentaram na final do torneio – e mais uma vez a Espanha ganhou com até alguma tranquilidade.

Na edição seguinte, a treta ficou mais séria. Os dois times se cruzam novamente, agora na semifinal, com uma França mais calejada, mas que vinha cambaleando na fase de grupos. No tempo normal, Rudy Fernandez e Tony Parker lideram seus times a um empate em 65 a 65, com Calderon errando o arremesso final que daria a vitória pra Espanha. Na prorrogação, a França abre três pontos no minuto final em três arremessos livres e a Espanha desperdiça duas chances de empatar nos últimos segundos.

A revanche volta no torneio seguinte, em 2015, com novo embate nas semifinais. Desta vez, franceses jogam em casa com uma campanha impecável de sete vitórias e nenhuma derrota. Os anfitriões começam atropelando os espanhóis, que devolvem uma reação impressionante no segundo quarto. No último período, Sergio Rodriguez abre três pontos nos últimos 30 segundos, mas Batum mete uma bola do corner para levar o jogo para a prorrogação na sequencia em um ginásio incendiado pela torcida da casa. Na prorrogação, a redenção espanhola, que abre cinco pontos nos segundos finais e elimina o rival – com 40 pontos de Pau Gasol.

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EUA x Argentina, 18h45

Na bola, deve ser o jogo mais aguardado. Os velhacos argentinos estão dando o último gás nestas olimpíadas e o time americano, apesar de ser o único invicto, não está sobrando como se imaginava. A preguiça defensiva e um jogo no ataque baseado única e exclusivamente no chute de três dá alguma esperança para a Argentina, que deve ser o único time com muita torcida contra e a favor em quadra na competição ainda.

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Na história, o duelo é gigante. Das três derrotas americanas na história das olimpíadas, a mais dolorida e importante foi justamente contra o escrete sulamericano. Em 2004, os nossos vizinhos conseguiram um feito absurdo de derrotar o time dos EUA na semifinal. Ginobili, Scola, Nocioni e cia (sim, os mesmos caras de hoje) derrotaram um time que não era fraco, com Duncan, Carmelo, Lebron e outros.

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Se alguma seleção assombra a hegemonia americana, é ‘L’Alma Argentina’.

Sérvia x Croácia, 22h15

Esse sim é guerra. Se você matou as aulas de geografia e história no colégio, vai ser difícil passar a dimensão de toda a treta, mas basicamente a divisa entre eles já foi cenário de guerra quando os croatas buscavam a independência da antiga Iugoslávia.

A merda toda já afetou o basquete, inclusive (o que é brilhantemente retratado no documentário Once Brothers, que se você não viu, deve baixar agora mesmo no computador da firma e assistir mocado): ainda em processo de separação das suas repúblicas, a Iugoslávia venceu o mundial de 90, mesmo com croatas, sérvios e montenegrinos no elenco. Na comemoração, um torcedor invadiu a quadra com a bandeira croata e, num ato de impulso e com a justificativa de não querer politizar a situaçao, Vlade Divac, sérvio, tirou a bandeira da mão do torcedor – o que irritou os jogadores de origem croata do time, gerando uma treta enorme nos anos seguintes entre os atletas.

A coisa só piorou nos anos seguintes, com jogos que representavam a extensão da guerra entre os países. O treinador atual da sérvia, inclusive, já meteu um buzzer beater no áuge da discussão política de separação das repúblicas, apimentando ainda mais a rivalidade.

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Sou ignorante o suficiente para não saber se os caras se odeiam ainda hoje ou não, mas dentro de quadra os times registraram jogos bem disputador nos últimos tempos. Há uma máxima entre os times que ‘só os sérvios conseguem decidir um jogo no último segundo’ – e o último jogo entre os dois foi assim, com vitória da Sérvia por um ponto no mundial de 2014.

Pouco tenso? Pois é, só faltou o país sede nesse bolo.

Equilíbrio insano

Estava na cara, desde o princípio, que o Grupo B do basquete masculino das Olimpíadas, onde o Brasil tinha caído, era absurdamente equilibrado. Eram cinco times quase que em paridade de forças lutando por quatro vagas. Tirando o fato da seleção brasileira ter se dado mal nessa conta, a classificação final do grupo é o retrato perfeito da disputa mais parelha possível.

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Sim, todos os classificados, do primeiro ao quarto, terminaram rigorosamente empatados com oito pontos (três vitórias e duas derrotas). Argentina e Lituânia, que lideraram a tábua durante as quatro primeiras rodadas, caíram para as suas últimas posições de classificação. Espanha, que podia ser eliminada caso perdesse o último jogo, passou para a segunda colocação e Croácia, que chegou pela repescagem e era alegadamente o time mais fraco dos cinco (até que o Brasil, em tese), fechou em primeiro. Loucura total.

O critério de desempate era, a grosso modo, o confronto direto. Quando há mais de dois times empatados, deve se considerar a pontuação conquistada somente nos confrontos entre os times envolvidos. Desta forma, Croácia e Espanha pulam na frente de Lituânia e Argentina (já que as derrotas para Nigéria e Brasil são ‘desconsideradas). Daí, no confronto direto entre os times, croatas superaram os espanhóis e lituanos derrotaram os argentinos.

O alento para torcida brasileira, que sofreu tanto nas duas prorrogações contra a Argentina e mais ainda quando eles entraram em quadra meio moles contra a Espanha – quando o Brasil precisava que argentinos vencessem espanhóis na última rodada, é ver que esta derrota dos ‘hermanos’ sacramentou o cruzamento com os EUA logo no primeiro jogo do mata-mata.

Não foi vexame

Claro que poderia ser muito melhor, que poderia se classificar e até avançar no mata-mata dependendo do cruzamento da segunda fase, mas o resultado da seleção brasileira no torneio de basquete não foi vergonhoso, como muita gente tem dito neste momento.

O grupo do Brasil era muito foda. Das seis equipes, cinco tinham plenas condições de se classificar. O problema é que eram apenas quatro vagas – e os brasileiros que ficaram de fora.

Eu até concordo que as rotações de Magnano foram esquisitas, que o time foi amador em um ou outro momento decisivo, mas não acho que exista um grande culpado pela eliminação.

Olhando jogo a jogo, o Brasil teve boas condições de vencer todos eles. Começou muito mal contra uma Lituânia que acertava tudo, mas quase conseguiu buscar uma diferença de 29 pontos. Contra a Croácia, fez um jogo honesto, mas do outro lado tinha um Bogdanovic endiabrado. Superou o melhor elenco do grupo, os espanhóis, e perdeu para a Argentina em um jogo com mais méritos dos hermanos, que teve muita estrela em buscar dois empates nos segundos finais, do que deméritos do Brasil.

Da mesma forma que perdeu três destes jogos, poderia ter vencido mais um, mais dois, ter perdido mais um. Foi tudo decidido muito no detalhe. A verdade é que as coisas estavam equilibradas a ponto de que todos os times tinham chances de classificação na ultima rodada do grupo – Argentina podia se classificar do 1º ao 4º lugar, Croácia idem, ou dependendo do resultado da Lituania, os quatro classificados podem terminar empoados, num cenário de paridade surreal.

O problema é que o ufanismo toma conta da rapaziada nessas horas e nem sempre conseguimos ver a dificuldade de um torneio olímpico – basta ver o que a rapaziada me xingou quando eu disse que jogar em casa não garante medalha pra ninguém. Com muita sorte nos cruzamentos dava pra ir mais longe, mas seria uma campanha que desafiaria a lógica do torneio e o favoritismo de outros times.

Claro que, apesar de não achar que foi um grande vexame, eu esperava um pouco mais. Achava que o Brasil tinha elenco pra superar pelo menos Croácia e Argentina. Ia achar sensacional um jogo, mesmo que fosse uma eliminação anunciada, contra os Estados Unidos com um ginásio incendiado pela torcida. E, por fim, torcia muito por uma campanha histórica pra esta geração que se despede da seleção e não vê muitas alternativas de renovação.

Mas não rolou. Diante de todas as circunstâncias, acontece…

Hoje tem que dar Brasil… e Argentina!

Esqueça o jogo insano do final de semana. Esqueça a rivalidade histórica, esqueça as piadas, a treta Pele e Maradona ou qualquer coisa do gênero: hoje não basta uma vitória do Brasil para que a seleção passe para a segunda fase. É preciso também que a Argentina, já garantida na segunda fase, encontre motivação para ganhar o jogo contra a Espanha para que o time brasileiro fique entre os quatro times classificados para o mata-mata dos Jogos Olímpicos.


Quanto ao jogo do Brasil, acho que não vai ser difícil bater a Nigéria. Os africanos têm o pior time do grupo, apesar da vitória sobre a Croácia – que derrotou o Brasil… – e mostraram formar um elenco mais instável que o dos brasileiros.

O ‘pepino’ da rodada é depender dos nossos simpáticos vizinhos. O grande problema, ao meu ver, é que eles já estão em uma posição muito confortável na liderança garantida do grupo.

Há quem diga que eles poderiam fazer corpo mole para eliminar o Brasil. Eu duvido. Não que eles não queiram a eliminação brasileira ou que hesitem entregar um jogo na fase de classificação, mas acho que os argentinos preferem limar a seleção da Espanha, que pode ser mais ameaçadora do que o Brasil um cruzamento futuro.

Ainda que os dois estejam cambaleando na competição, historicamente esse elenco espanhol cresce com o desenrolar dos torneios e os argentinos sabem disso – ou talvez esse seja o enredo que eu escolhi acreditar para ter alguma esperança de classificação brasileira…

Sei lá. Nunca é bom depender dos outros, muito menos de um rival, mas não restam alternativas.

São 17h30 e meu braço está formigando até agora

Pelo amor de deus, eu não estou preparado pra isso! O jogo entre Brasil e Argentina acabou faz quase uma hora e até agora eu estou meio zonzo, atordoado. O que nós acabamos de assistir foi um dos roteiros mais épicos, insanos e absurdos que o basquete pode nos proporcionar – infelizmente com um desfecho ruim para os brasileiros.

Na real se você não viu a partida, procure agora a programação dos canais de esporte e assista a reprise de madrugada. Qualquer descrição do jogo vai ser insuficiente para explicar a atmosfera da partida. Só assistindo para entender toda a aflição das quase três horas de embate. Mas se é possível resumir de alguma maneira, foi um jogo com duas prorrogações em um ginásio lotado de torcedores das duas equipes e decidido nos últimos segundos – e em vários momentos meu braço deu aquela formigada, num sinal claro de PRINCÍPIO DE INFARTO.

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Vai se foder, Nocioni

Apesar da tristeza de perder um jogo assim e decretar o destino fatal de enfrentar os americanos nas quartas de final, é preciso entender que vimos um dos maiores jogos da história das olimpíadas, com uma atmosfera que impressionou o mundo inteiro – os jornalistas americanos, especialmente, surtaram por nunca terem assistido uma partida com duas torcidas tão barulhentas e intensas em uma quadra de basquete.

Não vou tentar explicar a derrota – o Brasil errou em algumas jogadas, mas da mesma forma os argentinos vacilaram em diversos momentos e isso que fez o jogo ser pegado. Só vou lamentar que a vitória não tenha vindo. Seria o tipo de superação perfeito para o enredo de uma medalha olímpica. Vencer os rivais argentinos desta maneira poderia ser a passagem de bastão de um time que conseguiu um milagre olímpico para outro que tenta um feito parecido. Não rolou.

O final foi triste, o enredo foi nervoso, mas foi um puta jogo – e é por isso que nós amamos essa merda (nas derrotas é uma merda mesmo) de esporte.

Susto americano

Quase aconteceu. Por pouco que o time norte-americano de basquete não perdeu uma partida no torneio olímpico ontem. Na terceira rodada da competição, os EUA passaram um sufoco contra os até então também invictos da Austrália e venceram por 98 a 88, depois de ter virado a metade do jogo cinco pontos atrás no placar.

Eu até esperava que a equipe americana pudesse encontrar algumas pedreiras ao longo do caminho para o ouro, mas, antes do início do torneio, jamais imaginaria que a Austrália seria um deles. A verdade é que os Boomers estão jogando um basquete de excelência na defesa e com ataque muito bem azeitado. Contrariando um final de temporada muito ruim, Dellavedova, pasmem, tem sido o melhor jogador do torneio. Bogut está um monstro na defesa e Patty Mills está endiabrado no ataque

Ficou claro no jogo de ontem que era um time muito bem armado e treinado tentando derrotar um grupo de talento puro, mas que só joga no contra-ataque e que nem sempre é tão dedicado na defesa. Quase deu certo.

Os EUA só conseguiram virar a partida quando o ataque encaixou de vez e as bolas de fora começaram a cair. Daí, meu amigo, não tem muito o que fazer. Carmelo Anthony anotou nove bolas de três – faltou uma para igualar o recorde em uma partida de Jogos Olímpicos que é dele mesmo, contra a Nigéria em 2012.

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No final das contas, a maneira como o jogo se desenrolou serviu como lição para os dois times envolvidos. Os australianos entenderam que, jogando dessa forma, têm chances de encarar qualquer um. É a defesa mais organizada e enérgica até o momento e é a equipe que parece ter o entrosamento mais próximo de um clube que joga junto o ano inteiro. Aliás, eu me enganei quando, nas análises pré-torneio, falei que a Australia era o time mais fraco entre os possíveis oito classificados. O time é tão bom quanto seus concorrentes diretos.

Para os americanos, o susto também foi saudável. O time é muito bom, mas precisa jogar de verdade para ser campeão. Não que eles não estejam focados, mas claramente o time se deslumbrou com os amistosos preparatórios e com os dois primeiros jogos do campeonato – ainda que tenha achado engraçado, penso que não é o maior símbolo de seriedade jogar ‘pedra, papel e tesoura’ dentro de quadra para decidir quem vai cobrar um lance-livre, por exemplo.

O quase acidente de percurso também nos dá alguma esperança de que o torneio será competitivo na fase de mata-mata, sem a garantia de que o time americano já passar o trator por cima dos adversários. Ainda acho que eles serão campeões, mas torço para que tenham mais jogos assim pela frente.

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