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#Fera: Mesmo sem esquema tático, Thunder ganha corpo com tempo e talento

Mesmo sem esquema tático, Thunder ganha corpo com tempo e talento

#Fera: Evolução de Victor Oladipo dribla desconfiança no seu jogo e hype dos concorrentes

Evolução de Victor Oladipo dribla desconfiança no seu jogo e hype dos concorrentes

[Previsão 17/18] Thunder: antes bem acompanhado do que só

Se o problema do Oklahoma City Thunder era a falta de companhia qualificada para Russell Westbrook, Sam Presti e o front office da franquia trabalharam para encontrar uma solução. A offseason foi movimentada para a modesta cidade do Meio-Oeste americano e duas estrelas gigantescas da liga, Paul George e Carmelo Anthony, desembarcaram no aeroporto mais bizarro das cidades que abrigam times da NBA (já notaram?).

Como não é um destino comum para free agents, o time trabalhou nas oportunidades. E transformou água insalubre em vinho de primeira. Primeiro aproveitou o anúncio de Paul George, que disse estar disposto a ir para Los Angeles na próxima offseason e fez seu valor para trocas despencar, para praticamente extorquir o Indiana Pacers. Como quase ninguém na NBA estava disposto a pagar pelo aluguel de um ano do jogador, o Thunder mandou um prospecto relativamente interessante (Domantas Sabonis) e um jogador que vive no limiar entre a decepção e a esperança de ainda virar alguma coisa interessante (Victor Oladipo), com o agravante de ter o salário de uma estrela.

Depois, quase no final da inter-temporada, entrou na briga por Carmelo Anthony, que inicialmente nem estava interessado em se juntar à equipe. Mostrou que a equipe estava pensando grande e que esta seria a única equipe viável para ele disputar alguma coisa decente no próximo ano. Melo, que tinha o direito contratual de escolher para onde iria, comprou a ideia e se juntou a Paul George e Russell Westbrook. Na negociação, o OKC conseguiu se livrar de outro contrato-bigorna, de Enes Kanter.

A princípio, o plano era mostrar a Russell que o time tinha bala na agulha para se mexer e rodeá-lo de talento e, assim, fazer com que o armador assinasse a extensão contratual que estava desde o ano passado na sua gaveta. O medo era que Westbrook tivesse mais uma temporada exaustiva e sem resultados coletivos muito significativos e que isso o motivasse e buscar novos ares.

A tática deu certo e Westbrook assinou o contrato mais caro da história da liga, mais de 200 milhões pelos próximos 5 anos. Só por isso, a offseason em Oklahoma já foi exitosa. Sem contar que a renovação de Russ pode ajudar os seus colegas a se decidirem por continuar por lá. Uma coisa leva a outra.

É um desfecho bem surpreendente e positivo para uma franquia traumatizada pela saída de Kevin Durant no ano passado. A menos que a reunião dos jogadores seja desastrosa – o que acho improvável -, o baque foi superado.

Aliás, ter três jogadores deste calibre vai exigir mudanças radicais no time. De uma hora pra outra, a ‘dor de cabeça’ do técnico Billy Donovan migrou de um extremo ao outro. Antes o problema era fazer alguém dividir minimamente a responsabilidade com Russell. Agora, o desafio é dividir inteligentemente as tarefas de cada um destes caras, todos muito acostumados a dominarem a bola em seus antigos times.

Acho que não será tão complicado quanto se brinca por aí. Carmelo Anthony é fominha, mas nunca teve na NBA colegas tão talentosos, no auge, quando os dois novos companheiros. Quando jogou com gente assim, como na seleção americana, teve alguns dos melhores desempenhos na carreira. Mesmo que na liga o buraco seja mais embaixo, acho que a mudança de perfil dele quando Porzingis chegou ao Knicks é uma boa medida de como ele é capaz de se reinventar e melhorar quem joga ao seu redor.

(Mark D. Smith-USA TODAY Sports)

Paul George me parece um cara naturalmente disciplinado neste ponto – apesar da rebeldia nos momentos finais de Pacers. É excelente na defesa quando quer e tem um bom jogo sem a bola.

Por fim, Russell continua sendo o dono do time. Mesmo a concorrência pela posse da bola deve afetar menos ele do que seus colegas – aliás, imagino um impacto positivo no seu ataque, já que as defesas rivais terão que dividir suas ações entre os três (se ele já fez chover no ano passado com times inteiros o marcando, imagine agora…).

Offseason
Foi revolucionária. Além de conseguir Paul George e Carmelo Anthony mandando ‘só’ Victor Oladipo, Domantas Sabonis, Enes Kanter e Doug McDemortt, o time ainda pegou o excelente reforço Patrick Patterson, um jogador versátil e muito útil para sair do banco de reservas, e Raymond Felton, um armador experiente para os momentos que Westbrook precisar descansar.

Time Provável
PG – Russell Westbrook / Raymond Felton / Semaj Christon
SG – Andre Roberson / Alex Abrines / Terrance Fergunson
SF – Paul George / Kyle Singler / Josh Huestis
PF – Carmelo Anthony / Patrick Patterson / Jerami Grant
C – Steven Adams / Nick Collison / Dakari Johnson

Expectativa
Sem os reforços, o Thunder já mostrou ter cacife para se classificar ali para os playoffs do Oeste. Com George e Anthony, o time briga pela segunda posição na conferência com Houston Rockets e San Antonio Spurs, com a desvantagem de ter o técnico menos criativo e ter que fazer mais ajustes.

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[Previsão 17/18] Pacers: quando a ressaca pós-Paul George vai passar?

Os últimos meses foram insanos. Por mais que nenhuma partida oficial tenha sido jogada de fato pela NBA, o vai e vem do mercado de jogadores foi frenético. Não tenho lembrança de uma offseason em que tantas estrelas tenham mudado de time e que tanto times tenham se fortalecido – isso comparado à monotonia dos playoffs faz com que o período de trocas e assinaturas de contratos pareça ainda mais empolgante do que efetivamente foi.

Depois desse furacão todo, as times que perderam seus principais jogadores fazem as contas da tragédia. A maioria saiu enfraquecida, mas não totalmente desguarnecida: o Utah Jazz ainda tem Rudy Gobert e um elenco coeso apesar da saída de Gordon Hayward, Kristaps Porzingis tem tudo para virar um franchise player de verdade com a troca de Carmelo Anthony e por aí vai.

Dois times saíram de fato arrasados da offseason: Chicago Bulls, que partiu para um processo agressivo de reconstrução via futuros drafts, e o Indiana Pacers, que não teve muita alternativa depois de toda a novela envolvendo Paul George.

O problema do time de Indianápolis foi que Paul George falou para quem quisesse ouvir que tinha a intenção de se juntar ao Lakers daqui uma temporada, ao final do seu contrato atual. O que parecia uma boa intenção, uma chance de fazer o Pacers capitalizar com o seu talento com uma troca, na verdade foi o que condenou qualquer negociação da franquia. Com pouco tempo de contrato restante e um destino praticamente certo ao final dele, poucos times se interessaram pelo ‘aluguel’ do seu basquete por apenas um campeonato.

Há relatos que a franquia até poderia ter pego algo melhor nos primeiros dias de offseason, mas o fato é que o time só conseguiu descolar uma contrapartida tímida, com o questionável Victor Oladipo e a promessa-não-muito-promissora Domantas Sabonis.

Com esse troco, com a saída dos medalhões Monta Ellis e Jeff Teague e a chegada de uma porrada de free agents meia boca, o Indiana é um dos times que sai do caos dos últimos meses com o futuro mais indefinido. Não se fortaleceu e nem abriu mão de tudo em busca de um futuro promissor.

O time rejuvenesceu, conseguiu calouros legais, pescou um jogador valioso em Cory Joseph, mas mesmo assim continua sendo um dos que tem a menor soma de talento atual e possibilidade de upside futuro.

Imagino que outros movimentos virão por aí. O time tem uma das cinco menores folhas salariais da liga (apesar o elefante na loja de cristais que é o contrato de Victor Oladipo) e um novo executivo para comandar o front office. Só a margem para trabalhar os contratos e trocas somada à necessidade desse cara mostrar trabalho já deve render alguma coisa – o que não quer dizer que é uma coisa boa.

O time não se mexeu muito, pois ainda está tentando se entender após a saída do seu grande jogador dos últimos anos – por mais que muita gente duvide da capacidade de George, ele levou o time a duas finais de conferência nos últimos anos e fez da franquia uma ameaça legítima ao Miami Heat de Lebron James, Dwyane Wade e Chris Bosh. É uma mistura de luto e de confusão mental sobre o que o time pode querer daqui em diante com um elenco muito mais modesto.

Em todo caso, acho que o próximo passo do Indiana é esse. Ver com o que pode contar, o que desencanta no time e partir para as compras. Quando isso acontecer, a ressaca pós-Paul George estará totalmente curada, de vez.

Offseason
Foi muito estranha, totalmente comprometida pela declaração de Paul George e por sua aproximação com o Los Angeles Lakes.  Não entendi também porque assinou com Darren Collison, um jogador que já mostrou que não é nada de especial na liga – especialmente depois de conseguir Cory Joseph, um dos melhores armadores reservas da NBA nos últimos anos. Fora isso, o time buscou dois nomes interessantes para o garrafão no draft.

Time Provável
PG – Darren Collison / Cory Joseph / Joseph Young
SG – Victor Oladipo / Lance Stephenson / Damien Wilkins
SF – Bojan Bogdanovic / Glenn Robinson III
PF – Thaddeus Young / Domantas Sabonis / TJ Leaf
C – Myles Turner / Al Jefferson / Ike Anigbogu

Expectativas
Imagino um time que não é bom o suficiente para lutar por algo, nem ruim a ponto de ser um dos piores da conferência. Deve ficar ali pela décima posição do Leste. Sem pressão e concorrência, imagino Myles Turner com números bem inflados. Talvez seja o cenário ideal para Victor Oladipo mostrar se um dia vai se tornar alguma coisa especial.

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‘Tampering’: o que é, por que virou notícia e no que pode dar?

É o assunto da semana: o Indiana Pacers acusou o Los Angeles Lakers de ter negociado com Paul George enquanto o jogador ainda estava sob contrato com o time de Indianápolis, uma prática chamada ‘tampering’ e que é proibida pela liga. A NBA acatou a denúncia e está investigando o caso, apesar de já adiantar que não encontrou nenhuma evidência mais concreta logo de cara.

Na teoria, nenhum time pode tentar aliciar, convencer ou até mesmo, em certa medida, contactar qualquer jogador, técnico ou executivo que esteja sob contrato com outra franquia. A liga pode aplicar punições, como multas, perdas de picks no draft e até bloqueio de transações, ao time que fizer isso.

O que o Indiana Pacers alega é que o contato do Lakers com Paul George fez o jogador manifestar o interesse em sair assim que seu contrato terminasse e, com isso, jogar seu valor de troca no chão. Com isso, o time acredita que recebeu muito pouco em troca quando negociou seu atleta. Tudo porque ele estaria já acertado com o time de Los Angeles e nenhuma equipe queria pagar o que ele valia para ter só um ano dos seus serviços.

Apesar do Pacers ter aceitado a proposta que quis – ninguém obrigou o time a negociar George por Victor Oladipo e Domantas Sabonis -, eu entendo que o time tenha se sentido prejudicado. PG é um atleta sensacional e sua saída, dessa forma, foi uma porrada em qualquer pretensão da franquia para o futuro. No entanto, eu duvido muito que isso vá dar em alguma coisa.

As razões são várias. Primeiro que é muito, mas muito difícil provar que efetivamente aconteceu algo. Jogadores, executivos e agentes se falam o tempo todo. É muito complicado afirmar que um contato aqui ou ali aconteceu dentro ou fora das regras. Se fossemos levar a lei da liga ao pé da letra, todos os times teriam que ser punidos dezenas de vezes a cada temporada, quando, na prática, são raríssimos os casos de punição. Na real, só acontecem quando os envolvidos admitem o ‘tampering’.

(Richard Mackson-USA TODAY Sports)

O simples fato da NBA proibir mas assumir que nunca inicia uma investigação por conta própria já dá o tom do posicionamento diante dos casos – a liga só abre um processo mediante uma denúncia. Na história, poucos casos relevantes tiveram um desfecho mais grave – como o Miami Heat que perdeu uma escolha de draft por ter aliciado Pat Riley a se juntar ao time enquanto ainda era técnico do New York Knicks. Em geral, são multas pagas em valores que sequer são divulgados.

A prática é tão comum e suas consequências são tão desprezadas que na maioria dos casos ninguém dá bola. Neste ano, Draymong Green admitiu que ao perder para o Cleveland Cavaliers na temporada retrasada, ligou para Kevin Durant e o convenceu a se juntar ao Golden State Warriors. Depois de um frenesi inicial, ninguém mais deu a mínima.

O caso envolvendo Lakers-George-Pacers só tomou o noticiário com alguma proporção mais volumosa porque é offseason e, passado o período de assinatura de Free Agents e engavetado o pedido de Kyrie Irving para ser trocado, ninguém tem nada de mais interessante para falar – este blog é um exemplo disso, risos. Claro, o fato de ser o Lakers amplifica um pouco as coisas.

Por mais que nunca tenha rolado, a regra permite punições mais severas do que as conhecidas. Existe a possibilidade até do time e do jogador ficarem impedidos de assinarem contrato, caso a liga entenda que houve o aliciamento e que foi grave a este ponto. Mas diante de todas as alternativas e do histórico, esta é a mais improvável.

No final das contas, se o Los Angeles Lakers e Paul George combinaram algo, o mais provável é que o acordo seja confirmado no ano que vem, com o ala assinando com o time californiano. Sem punições.

O complicado ‘aluguel’ de Paul George

Depois da ida de Chris Paul para o Houston Rockets, a movimentação mais notável do mercado da NBA até o momento foi a ida de Paul George para o Oklahoma City Thunder em troca de Victor Oladipo e Domantas Sabonis. Mais chamativa do que a ida do ala all star para o time de Russell Westbrook foi o troco pobre recebido pelo time de Indiana. De fato, a negociação fez parecer a troca do Chicago Bulls boa, mas é preciso entender que a situação do time era bem desconfortável e seria quase impossível conseguir alguma coisa realmente valiosa em troca.

Para tudo ficar mais claro, vamos colocar as coisas aqui em ordem cronológica. Paul George está a um ano do final do seu contrato e avisou que testaria o mercado assim que a próxima temporada acabasse. Mais do que isso, disse que estaria predisposto a assinar com o Los Angeles Lakers. Com poucas chances de ficar com o jogador, o Indiana Pacers foi ouvir propostas de trocas por PG13 para não sair sem nada em retorno com a sua saída.

No entanto, como George só tem um ano de contrato e disse que tem um destino preferido, a maior parte dos times ficou receosa de dar muitas coisas em troca do atleta, afinal, as chances dele jogar uma temporada apenas e sair de graça seriam enormes. Na prática, os times não estavam dispostos a dar bons jogadores ao Indiana por um ‘aluguel’ de alguns meses de Paul George.

É muito difícil saber o que realmente aconteceu nos bastidores e quais propostas foram realmente colocadas na mesa pelo jogador, mas os jornalistas que cobrem a NBA in loco dizem que o Cleveland Cavaliers e o Boston Celtics demonstraram algum interesse no negócio. Falaram que o Cavs estaria disposto a trocar Kevin Love e que o Boston ofereceu propostas combinando picks médias do draft, Jae Crowder, Marcus Smart e Avery Bradley.

A situação era complicada. Com o domínio absoluto do Golden State Warriors, o sentimento geral na liga é que não vale a pena sacrificar o futuro de uma franquia para ter um jogador que, garantidamente, só vai te dar algum retorno na temporada imediatamente seguinte – temporada esta que, pelo sentimento de hoje, já está nas mãos do Warriors.

O Lakers, time mais beneficiado pela declaração de George, não se mexeu muito – aposta que conseguirá o jogador ‘de graça’ no ano que vem.

Aparentemente, o Indiana Pacers achou que nenhum dos trocos oferecidos era bom o suficiente pelo seu jogador e foi atrás de outros parceiros para a negociação. Foi assim que apareceu o Thunder. Victor Oladipo, apesar de até hoje não ter se desenvolvido no jogador que muitos esperavam, foi uma estrela local pela universidade de Indiana. Domantas Sabonis também foi um jogador interessante no basquete universitário. Também dizem que pesou o fato do Pacers despachar George para um time da conferência Oeste – não queria reforçar um rival do Leste.

Pelo lado do Thunder, a troca foi boa, apesar dos pesares: na pior das hipóteses, George sai no ano que vem, mas o time se livrou do contrato longo de Victor Oladipo e pode ir atrás de outros free agents. De quebra, coloca algum talento realmente significativo ao redor de Westbrook nesta temporada.

No final das contas, o retorno foi baixo, decepcionante para o Pacers, mas as condições eram complicadas para o time. Poucos times sacrificariam seus futuros por um ano de Paul George – em uma temporada que, a princípio, tem tudo para ser dominada pelo Warriors mais uma vez. O time, talvez inadvertidamente, preferiu não dar seu melhor jogador para um rival direto e apostou em um jogador que a NBA inteira largou mão, mas que hoje, por incrível que pareça, teria um papel útil jogando pela franquia – é um combo guard em uma equipe que não tem um armador propriamente dito.

Hoje, claro, muita gente diz que o Pacers poderia ter feito isso ou aquilo. Trocado por fulano, por beltrano. Mas, na prática, não dá para saber o que realmente foi proposto de fato. Para os próprios rivais é muito conveniente soltar que propostas muito melhores foram feitas – até para que seus general managers prestem satisfação para seus torcedores. Mas, de verdade, é impossível saber o que rolou.

Com certeza não faz disso um bom negócio, mas não dá para dizer que tinha como conseguir muito mais.

Preparando o terreno

O Los Angeles Lakers conseguiu chacoalhar mais o mercado da NBA do que a troca da primeira escolha do draft entre Boston Celtics e Philadelphia 76ers. Com a explícita intenção de limpar a folha salarial para a próxima offseason, o time angelino mandou seu armador titular D’Angelo Russell e o pivô Timofey Mozgov para o Brooklyn Nets em troca do pivô Brook Lopez e da 27ª escolha do draft deste ano.

A troca pode parecer estranha, já que o Lakers vinha em um processo gradual de evolução, apostando todas as fichas em um time equilibrado formado via draft e Russell era o jogador que tinha sido escolhido com a pick mais alta do time nos últimos anos (foi o segundo em 2015, atrás somente de Karl Anthony Towns). Mas a verdade é que o desempenho de D’Angelo, a oferta abundante de armadores na turma do draft deste ano e a manifesta vontade de Paul George jogar pelo time no ano que vem fizeram a franquia mudar os planos de uma hora para a outra.

O que aconteceu, mais detalhadamente, foi o seguinte: há dois dias, Adrian Wojnarowski, insider do Yahoo que antecipa 99% das notícias quentes da liga, soltou que Paul George não renovaria com o Indiana Pacers ao final da próxima temporada e que seu destino preferido era o time roxo e amarelo. O anúncio fez meio mundo se mexer. O Indiana foi ao mercado ouvir propostas pelo jogador e muitos times procuraram o Pacers oferecendo trocas.

Acontece que o seu valor de mercado ficou limitado com a notícia de que quer ir para Los Angeles na temporada que começa em 2018 – em tese, George jogaria apenas um campeonato por qualquer time e na próxima offseason sairia de graça para assinar com o Lakers. Nisso, ficaram na briga apenas times que teriam condições de ‘alugar’ George por um ano para brigar pelo título agora.

Paralelamente, o Lakers viu que teria que se coçar. As possibilidades seriam duas: persuadir o Pacers para uma troca agora e garantir o jogador ou abrir espaço na folha salarial para seduzir George ano que vem, além de sinalizar que poderia montar um time competitivo ao seu redor – o receio é que PG13 mude de ideia ao participar de um projeto vencedor em outra cidade, escolha alguma outra franquia neste meio tempo e desista do seu plano inicial.

Aparentemente o time da Califorina fez algumas propostas ao Indiana, mas não conseguiu tirar George de lá – por enquanto, ao menos. Sem êxito, partiu para a segunda fase do plano e resolveu se livrar dos contratos mais incômodos do elenco. Timofey Mozgov é um deles.

O pivô russo foi uma das contratações mais bizarras do ano passado. Por mais que o novo limite salarial tivesse aumentado, pagar 15 milhões ao ano para ele era um desperdício nítido – eu falei sobre isso há um ano. Pior é que seu contrato ocuparia parte da folha angelina por mais três anos. Se o Lakers quer ir atrás de jogadores de peso, como o próprio George ou até Lebron James (dizem que pode ser um destino do jogador…), a limpa tinha que ser feita já.

Acontece que ninguém estaria disposto a pegar um abacaxi destes sem mais nem menos. O time precisava, então, colocar algum ‘ativo’ minimamente atraente no pacote para chamar a atenção das outras franquias. Aí que entra D’Angelo Russell.

O armador vivia uma pressão grande no time: era o que carregava a maior expectativa de um dia virar craque e, ao mesmo tempo, era o que despertava as maiores dúvidas. Randle já consegue ser mais consistente – tanto nas qualidades quanto nos defeitos. Ingram ainda conta com o benefício da dúvida. Russell, coitado, não desencantou como o staff do time esperava.

Se ainda é cedo para decretar se o jogador não é tudo aquilo, o Lakers tem a vantagem de ter a segunda escolha em um draft lotado de point guards. O mais bem cotado deles para a posição, já que Markelle Fultz será escolhido pelo Sixers, é Lonzo Ball. Na dúvida entre um e outro, o time escolheu abrir mão daquele que conhece e melhor – e pode saber que dali não sai muito mais coisa -, aliado à conveniência de usa-lo como fiel da balança na hora de se livrar do contrato horroroso de Mozgov.

De quebra, o time recebe uma escolha de primeiro round, que sempre teu seu valor na hora das trocas, e Brook Lopez, que é aquele pivô que ninguém vai brigar para ter (não defende nada, não pega rebotes), mas que quando está no seu time, é uma peça muito útil (é um excelente pontuador e que agora se tornou um chutador de três decente). Se vingar, combinar com o time e se sair bem, pode renovar na próxima temporada. Se não, são mais 22 milhões que saem da folha do time.

Particularmente, achei uma movimentação interessante. Posso estar sendo injusto e impaciente, mas não vejo um potencial tão grande em Russell. Acho que vale a pena arriscar a aposta em um point guard do draft e tentar persuadir Paul George. D’Angelo é, no máximo, uma estrela em potencial. George é uma de fato. Por fim, sou fã de Lopez – mesmo com todos os defeitos que tem.

É provável que o Lakers não pare por aí. Luol Deng é outro ‘elefante na sala’ da franquia e o LAL ainda tem alguns valores para despachar em busca de um cenário mais favorável na próxima temporada. No fundo, o time só quer preparar o terreno para atacar agressivamente o mercado na próxima temporada. Pode dar muito certo, como pode dar muito errado.

[Previsão 16/17] Pacers: cercando Paul George de talento

Eu não esperava nada do Indiana Pacers do ano passado. De todos os jogadores do time, o único que empolgava era Paul George. Ainda assim, o ala vinha de uma temporada perdida por lesão e ninguém tinha a real noção do quão bem fisicamente ele estaria para a disputa. Dos outros jogadores, sempre achei Monta Ellis um cara que piora os times pelos quais passa, George Hill é alvo de todo o meu preconceito e os demais nem eram dignos de nota. Mesmo assim, o Pacers se classificou para os playoffs e fez uma das séries mais empolgantes do mata-mata contra o Toronto Raptors, perdendo por 4-3 para o finalista da conferência.

O resultado e o modo como as coisas fluíram ao longo dos sete jogos determinaram completamente o destino da franquia para este ano: descobrimos que Myles Turner era um excelente jovem jogador, que Paul George precisava de mais talento ao seu redor e que o ataque do time do jeito que estava montado era muito inconsistente.

Com base nestas três convicções, o presidente do time, Larry Bird, resolveu então chacoalhar as coisas por lá e fez do verão em Indianapolis um dos mais movimentados da NBA. Bancou que Turnet será o pivô titular daqui para frente, trocou escolhas do draft, se livrou de George Hill, reforçou o time titular indo atrás de Jeff Teague e Thaddeus Young e deu poder de fogo ao banco ao assinar com Al Jefferson. Ainda escolheu não renovar com o técnico Frank Vogel – equivocadamente, ao meu ver – em busca de um ataque mais dinâmico.

Entre vários acertos e alguns erros, o time hoje tem mais talentos para dar uma folga a Paul George na defesa e ajudá-lo no ataque. O grande desafio será fazer o time criar uma cara e aprender a jogar como uma equipe, já que o técnico Nate McMillan acabou de chegar e o núcleo da equipe está bastante diferente da temporada passada.

Em todo caso, a franquia conseguiu dar um salto de qualidade no elenco e briga pelas cabeças do Leste.

Offseason
Foram meses bastante agressivos por parte do front office do Pacers. Foram três trocas e duas delas por jogadores titulares (Hill por Teague, escolha do draft por Young). Ainda pegou três free agents que terão bastante tempo de jogo e que devem contribuir muito no ataque do time, ainda que reservas (Al Jefferson, Aaron Brooks e Kevin Seraphin).

Time Provável
PG – Jeff Teague / Aaron Brooks
SG – Monta Ellis / Rodney Stuckey
SF – Paul George / CJ Miles / Jeremy Evans
PF – Thaddeus Young / Lavoy Allen
C – Myles Turner / Al Jefferson / Kevin Seraphin

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Expectativa
A conferência está muito embolada e meio que tudo pode acontecer, exceto o Cavs sair da liderança. No entanto, acho que foi o time que mais evoluiu no Leste ao lado do Boston Celtics. Imagino que o time possa brigar até pela segunda posição, garantindo uma posição entre os cinco primeiros da conferência.

Paul George vai estrelar a capa do NBA2K17

O próximo jogador a figurar na capa do NBA2K é o ala Paul George, do Indiana Pacers. O anúncio oficial está marcado para hoje, às 18h do nosso horário, mas a PlayStation Store já mostrava a arte final da próxima capa no anúncio da pré-venda do jogo.

George vai estrelar a versão ‘standard’ do jogo, que também terá uma edição ‘legend’ – esta com Kobe Bryant como estrela principal, como já anunciado há alguns meses.

A imagem que vazou é pequena e não fica muito clara, mas ao fundo, como de costume, aparecem outras fotos do jogador em ação e uma delas é de PG13 com a camisa da seleção americana, criando a expectativa que, por conta dos Jogos Olímpicos, seja possível jogar com as seleções que estarão na disputa por medalhas no Rio.

Não dá pra duvidar de Larry Bird

“Eu sei que não vai ser uma mudança 100% popular”, disse Larry Bird, presidente do Indiana Pacers, ao anunciar que o contrato do técnico Frank Vogel não seria renovado para a próxima temporada. A mudança é, de fato, bastante controversa: desde que assumiu o time, Vogel levou a franquia a cinco playoffs ao longo de seis anos e em todos os anos fez o time jogar além do seu potencial. Apesar de eu achar Frank um excelente técnico, admito que não dá para duvidar que Larry Bird pode estar certo.

Sim, eu concordo que Vogel é foda. Era auxiliar de Jim O’Brien quando o time estava com uma campanha levemente abaixo da qualidade do elenco: Collison era um segundo-anista em ascenção, Granger ainda tinha bola para gastar, George era um calouro promissor, mas mesmo assim o time estava agonizando nas últimas posições e uma campanha de 17 vitórias e 27 derrotas. Vogel assumiu e arrumou a casa, metendo uma campanha de 20 vitórias e 18 derrotas, suficiente para classificar o time para a pós-temporada – que perdeu para um avassalador Chicago Bulls por 4-1.

Sem grandes mudanças, mas com ajustes precisos, foi o técnico de excelentes campanhas do Pacers nos anos seguintes, levando o time na temporada regular ao top 3 em três anos seguidos. Duas vezes, foi finalista de conferência e perdeu só para o todo poderoso Miami Heat. Nada mal.

Apesar de tudo isso, Bird tem crédito. Os executivos da NBA geralmente são avaliados pelas suas trocas e, via de regra, criticados por se livrarem de jogadores que acabam dando certo em outros lugares. Neste aspecto, Larry Bird é, possivelmente, o cara mais imaculado da liga. Nos últimos anos, de fato, o Indiana Pacers não conseguiu atrair grandes free agents, nem fez trocas muito eficientes, mas se livrou de uma série de jogadores que viraram tralhas lendárias nos outros times.

Danny Granger saiu do Pacers para se tornar um daqueles reservas que não entram em quadra no Miami e Spurs. Roy Hibbert, que parecia ser um eterno candidato a melhor jogador de defesa, se mostrou um acéfalo de 2,17m que ganha 15 milhões de dólares por ano no Lakers. Lance Stephenson saiu do status de uma das maiores surpresas positivas da liga enquanto jogada em Indiana para virar um laranja-podre em todos os outros times que passou.

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Vogel e Bird: 5 anos juntos

No final das contas, o trabalho de um cara desses é lidar com a folha salarial para ter o maior volume de talento possível. Se não conseguiu atrair uma série de estrelas para o time, faz um trabalho digno neste período em que a franquia passa por uma entressafra. Para o ano que vem, tem espaço na folha salarial para pegar um coadjuvante decente e, quem sabe, subir algumas posições na tabela.

Bird tem um currículo incomparável. Único cara da história a ser eleito melhor jogador, técnico e executivo. Ele sabe como os atletas se comportam na quadra e as dificuldades que um treinador tem para motivar estes caras. Na mesma entrevista em que anunciou a saída de Vogel, ele disse que não consegue acreditar que os atletas consigam se manter ‘sintonizados’ com um técnico por mais de três anos – e Vogel sobreviveu a cinco e meia.

Levando em conta tudo isso, acho que é uma jogada arriscada, mas Bird já provou que sabe o que faz.

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