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[Previsão 16/17] Sixers: chega de tank

Inauguro aqui com o Philadelphia 76ers a série de posts sobre como chegam os times para a temporada de 2016/2017. Não tenho a pretensão de cravar a campanha de cada franquia ou coisa do gênero, mas ~pincelar sobre como foi a offseason, como se saiu nas trocas e renovações e como o time chega para a próxima edição do campeonato.

A ordem que adotei para fazer vai ser da pior para a melhor campanha na temporada regular do ano passado. Deste modo, boa parte dos favoritos ficam para o final – ainda que a dinâmica mude um pouco de um ano para o outro.

Começando então pelo Philadelphia: é um time que eu acho que vai ser bacana de assistir e que finalmente vai entrar para não perder – nos últimos três anos ‘o processo’ do Sixers se baseou, no ‘tank’, que é perder de propósito para ficar com a pior colocação possível na tentativa de angariar o maior número de talentos via draft.

Se de certa forma o lance todo valeu a pena para escolher Ben Simmons, um jogador que pode ser capaz de transformar uma franquia, por outro lado o método pode ser bastante questionado, já que o time conta com uma overdose de pivôs e o segundo jogador mais talentoso do grupo, de acordo com as expectativas, não jogou uma partida sequer em dois anos de liga.

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Todos em Philadelphia apostam em Simmons para ser o franchise player

Offseason
O principal objetivo do time foi alcançado, que era pescar Simmons no draft. Nas metas secundárias, o time não teve tanto êxito assim: na busca por um armador de calibre, a franquia conseguiu no máximo duas apostas interessantes (Jerryd Bayless e Sergio Rodriguez); e na tentativa de cercar os jovens talentos de jogadores experientes, o front office do Phila falhou completamente.

Também não conseguiu despachar o garoto-problema Jahlil Okafor, que tem talento, mas vai ter uma competição muito feroz na posição e a indisciplina preocupa a comissão técnica do time.

Time provável
PG – Bayless / Rodriguez
SG – Henderson / Thompson
SF – Covington / Saric
PF – Simmons / Okafor
C – Noel / Embiid

Expectativa
Certamente não será o pior time da liga como no ano passado, mas ainda não é o momento para desfrutar dos resultados do processo de reconstrução do time. Vai ser divertido assistir, mas não vai incomodar.

Aquela “dor de cabeça boa” chamada Saric

O ala croata Dario Saric é um cara de palavra. Saric se comprometeu a jogar pela sua seleção nacional, ainda que fosse a menina dos olhos da disputa entre o Philadelphia 76ers, que o draftou há dois anos, e o seu time turco, para tentar classificar a Croácia para as Olimpíadas do Rio. Ele foi lá, ajudou seu time a eliminar a Itália, foi eleito o melhor jogador do torneio de repescagem e garantiu a classificação da Croácia para os jogos olímpicos.

Desde sempre ele também tem dito que vai se juntar ao Sixers nesta offseason para fazer parte do elenco a partir da temporada 2016/17. Mesmo que isso implique em menos dinheiro do que ele recebe do seu time atual, o Anadolu Efes, e mesmo que ao não esperar por mais um ano, caia na escala salarial dos calouros e abra mão de alguns milhões a mais que poderiam ser negociados no ano que vem. Apesar disso tudo, ele cumpre a sua palavra e, mais uma vez confirmando o que disse, vai ser jogador do Phila neste ano.

Aparentemente Saric tem tomado suas decisões com base no que julga ser melhor para seu amadurecimento no jogo. Aos 22 anos, ele escolheu perder suas férias para classificar sua seleção e, depois, se viu pronto para jogar na NBA. Para quem assiste, foi a melhor decisão possível, já que ele a este ponto da carreira não vai ter que jogar duzentas Summer League e esquentar o banco por temporadas a fio até criar corpo e sua técnica convencer os técnicos ianques.

Agora, se está pronto mesmo para a NBA, o croata cria aquela “dor de cabeça boa” pra a comissão técnica do Sixers. A franquia tem um time inteiro de alas e pivôs jovens para escalar, todos pedindo tempo de quadra (Joel Embiid deve jogar este ano, Ben Simmons acabou de ser draftado, Jahlil Okafor foi muito bem enquanto jogou e Nerlens Noel tem sido o mais consistente de todos).

Saric foi selecionado há dois anos juntos com Nerlens Noel

Se Saric tem alguma vantagem sobre os demais, é pela versatilidade do seu jogo (pode jogar na ala mais aberta, quase como um point-forward, ainda que essa já seja a vaga garantida de Ben Simmons), pela qualidade do seu arremesso (melhor disparado entre os concorrentes) e sua experiência (tem mais rodagem que qualquer um no basquete profissional). O grande obstáculo é vencer o hype dos demais, que foram todos estrelas nas duas universidades e escolhidos entre os top6 do draft de seus anos. Ainda que o título de MVP da repescagem das olimpíadas ajude um pouco o jogador com isso.

Mesmo que troque alguém – Noel e Okafor estão constantemente presentes nos boatos -, a briga pelas três posições mais próximas ao garrafão vai ser dura. A confirmação de Saric, neste momento, só comprova isso.

76ers é o primeiro time a divulgar patrocínio no uniforme

O Philadelphia 76ers revelou quem será o patrocinador da sua camisa para a temporada 2017-2018, quando patches com marcas de empresas poderão estampar os uniformes dos times. Daqui uma temporada, a logo da StubHub, revendedora de ingressos para jogos e shows, estará gravada no canto superior da regata do time.

É o primeiro acordo de patrocínio no uniforme divulgado por algum dos times das quatro principais ligas esportivas dos EUA. Neste ano a NBA aprovou os jabás nos uniformes a partir da temporada de 2017, desde que tenham um tamanho e um local pré-determinado pela liga – 6,4 centímetros no ombro esquerdo das camisetas e regatas. A medida ainda é um teste, que durará três anos – não que isso signifique que depois de 2020 os anúncios desaparecerão das camisas, mas o padrão pode ser revisto.

Em um canto aparecerá o símbolo da empresa e do outro os uniformes também mostrarão a logo da Nike, empresa que passará a produzir e comercializar os produtos licenciados de todos os times – até hoje, nos uniformes da Adidas, a marca da fabricante de materiais esportivos, só aparece nos uniformes dos torcedores, não dos jogadores.

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StubHub vai pagar 15 milhões ao Sixers por um contrato de três anos

Segundo insiders, o acordo com a StubHub vai render ao Sixers 15 milhões de dólares por um contrato de três anos. Eu, particularmente, achei ‘pouco’, visto que é a primeira grande oportunidade de uma marca gravar seu nome em um uniforme destes e que as camisas da NBA vendem pelo mundo inteiro. Sei lá, talvez seja fruto de um sistema de equilíbrio financeiro que Adam Silver, presidente da NBA, queria implementar para que os anúncios nos uniformes não viesse para aumentar o abismo entre as franquias mais fortes e mais fracas (quando ainda cogitava só liberar as propagandas, Silver disse que pensaria em um sistema que não privilegiasse os times super-populares). Sendo assim, pode ser que exista algum limite ou algo do gênero nestes contratos.

Em tempo, não sou contrário à medida. Acho que é um caminho inevitável – especialmente em um ambiente em que os donos dos times são sedentos por fontes de receita mais variadas e, de tempos em tempos, promovem o locaute (greve de patrões) para rediscutir os acordos comerciais, salariais e de divisão dos lucros da liga. Se uma medida destas vem para evitar a paralisação do campeonato, eu apoio.

Os fatores Warrios e Sixers nas campanhas dos outros times

A conferência Leste melhorou. Nos últimos muitos anos (sei lá, duas décadas?), os times do Oeste sempre tinham uma competição muito mais acirrada e difícil para se classificar para os playoffs, enquanto os times do outro lado do mapa enfrentavam um calendário mais tranquilo. A tônica da competição era basicamente a mesma: enquanto um ou dois times médio-bons  do Oeste ficavam de fora do mata-mata, um, dois ou três times médio-fracos do Leste conseguiam beliscar uma vaga nos playoffs. Sempre era bem frequente que times com mais derrotas do que vitórias conseguissem se classificar do lado do Atlântico e times com win-loss recorde positivo ficassem de fora no lado do Pacífico.

Neste ano, o cenário está bem diferente. Os times medianos do Leste melhoraram e pelo menos uns dez têm totais condições de disputar uma das oito vagas na pós-temporada. A menos que uma zebra absurda aconteça, teremos oito bons times no mata-mata fazendo a disputa mais equilibrada da conferência nos últimos anos.

Olhando a classificação, no entanto, podemos superestimar esta evolução do Leste e até achar que o Oeste piorou consideravelmente. Esta, ao meu ver, é uma leitura bem errada. Sim, é verdade que temos times com win-loss record negativo entre os oito classificados na conferência, mas isso não quer dizer que são times ruins – ou, até mesmo, que são piores que os times do meio da tabela do Leste.

Existem dois fatores que explicam isso em parte – e que devem ser considerados logo de cara: a péssima campanha do Philadelphia 76ers e a excelente campanha do Golden State Warriors.

Para início de conversa, um time de uma conferência enfrenta o dobro de vezes o time desta mesma região do que da conferência vizinha. Ou seja: times do Leste enfrentaram mais vezes o Sixers e times do Oeste enfrentaram mais vezes o Warriors. Só nisso, já são 20 e poucos jogos no ano que algumas equipes já tiveram uma vitória garantida e que outras tiveram uma derrota certa na classificação.

Fazendo uma exercício simples, retirando das campanhas dos outros 28 times as derrotas e vitórias conquistadas em confrontos contra GSW e 76ers, a classificação já fica levemente mais ajustada.

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Mesmo assim, a conferência Leste ainda tem mais times com campanha positiva do que o Oeste. No entanto, é preciso analisar que há um equilíbrio absurdo na classificação do Leste, em que uma ou duas vitórias podem levar um time da oitava para a segunda colocação, enquanto no Oeste três times dispararam. Ou seja: a grosso modo, do segundo ao décimo do Leste, todo mundo pode ganhar ou perder qualquer confronto direto e os aproveitamentos dos times nestes jogos estão próximos de 50%. Do outro lado, além do Warriors, os times do Spurs e Thunder continuam ganhando a maioria esmagadora dos confrontos (que, quase sempre, são contra os times da sua mesma conferência).

Desta forma, ter três times muito fortes no topo faz com que as campanhas dos demais times do Oeste fique levemente pior – efeito que é relativizado contra os times do Leste, já que jogam metade das vezes contra Thunder, Spurs e Warriors. Já no Leste, apenas o Cleveland Cavaliers destoa no calendário.

Enfim, não digo que o Leste não melhorou e que as coisas não estão equilibradas, mas é errado afirmar que o Leste já está melhor do que o Oeste somente por causa da classificação dos times. Afinal, o provavelmente o campeão será do Oeste, não?

 

1 cerveja ou 4 jogos do Sixers

A temporada do Sixers é desastrosa. O time só conseguiu uma vitória neste ano – contra o Lakers, que é o segundo pior time da liga -, suas primeiras escolhas dos últimos anos acumulam uma série de problemas e a reconstrução do elenco parece que não vai a lugar nenhum.

Sabendo que o time é essa desgraça e que quase ninguém pagaria a fortuna usual para assistir um jogo do time, os preços dos tickets caíram drasticamente. No jogo de segunda-feira, contra o San Antonio Spurs, era possível achar ingressos por 3 dólares.

Para tomar uma cerveja no ginásio, por exemplo, o cara gasta quatro vezes mais do que gastou no ticket. Já um daqueles lanches gigantescos custa o equivalente a dez jogos.

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Depois da décima cerveja o Sixers começou a jogar pra caralho

Para a partida de sexta-feira, contra o Pistons, os ingressos mais baratos estão sendo vendidos a 6 dólares. Contra o Grizzlies, terça que vem, a 9. E por aí vai… Para se ter uma ideia, um jogo do Golden State Warriors não sai por menos de 105 dólares.

A tática, ao menos, parece funcionar. O time consegue levar, em média, 14,8 mil torcedores aos jogos, com uma ocupação média de 73% do ginásio – mais do que Timberwolves e Nuggets.

0-15 é meio caminho andado para pior campanha da história

Muito se fala sobre a campanha do Golden State Warriors e as chances de bater o recorde histórico de vitórias. Se continuar assim, o time californiano tem boas chances de superar a campanha de 72 vitórias que o Chicago Bulls teve em 95/96.

Da mesma forma, só que completamente ao contrário, o Philadelphia 76ers também pode marcar seu nome mais uma vez na história. O time é o detentor da pior campanha da história, com 9v-73d em 72/73. Na oportunidade, assim como neste ano, o time começou com 15 derrotas seguidas no início da temporada.

É difícil dizer se o time atual é ruim o suficiente para conseguir perder tantos jogos. Os dois são desgraçados de ruins, mas parece que a equipe daquele tempo conseguia ser ainda pior. O time da década de 70, por exemplo, teve um déficit de  265 nas quinze primeiras partidas. O time deste ano tem uma diferença acumulada de ‘só’ 203 pontos.

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Íbis da NBA: Sixers de 72/73 perdeu 73 jogos e virou livro

Em tempo, estas não são as piores sequências corridas de derrotas. O time de 70 perdeu 20 jogos seguidos ao longo da temporada. Já o Sixers do ano passado perdeu os primeiros 17 jogos – e mesmo assim ainda terminou o ano com 18 vitórias, na frente de Timberwolvers e Knicks.

Particularmente, eu acho que o time é muito ruim, mas precisaria se esforçar muito para perder tantas vezes. Mais para o final da temporada, a equipe vai encontrar outros times baleados ou se esforçando para perder em busca de boas escolhas do draft, o que deve render uma dúzia de vitórias para o 76ers.

Em todo caso, é uma chance única de entrar para a história.

Sixers não cuida da bola

Nos últimos dez anos, somente em duas oportunidades um time fez 29 turnovers ou mais em uma única partida. Sixers e sixers – e as duas vezes foram este ano.

O time é péssimo, os jogadores são fracos, mas esta estatística mostra que na verdade não existe uma equipe ali, mas um amontoado de jogadores que, na sua maioria, não estão aptos a jogar na NBA.

Também fica evidente a lacuna que o time tem no backcourt – sem contar o fato de ter escolhido trezentos pivôs nos drafts passados.

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mais uma bola perdida pelo Philadelphia

No ano passado, o time já sofreu com isso. Foi a equipe, disparada, que mais perdeu bolas, com uma frequência 30% superior à média da liga.

Com a pior campanha da liga, a equipe certamente terá uma boa escolha de draft no ano que vem. Chegou a hora de pegar alguém que saiba cuidar bem da bola.

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